Sem nenhuma concessão à facilidade (uma criança, sabe-o bem o autor, não é um imbecil, mas um ser cuja inteligência crítica é implacável e justa), mesclando e retorcendo no mais alto grau criador, em humor e poema, as línguas kimbundu e portuguesa, Luandino traz à infância temas da História de Angola (como a luta pela independência do país, ou a própria independência nacional e a terrível guerra civil que lhe sobreveio), ou, ainda, temas universais como a sabedoria, a liberdade e a justiça, a avidez do poder, ou a ganância mercantil, na sua fulgurante linguagem, irradiante de sentidos, de plasticidade visual e musical, criando poderosas e maravilhadas metáforas, onde o onirismo, o fantástico e o lado mágico da vida, aliados à densa poesia das personagens, vivamente nos encantam.
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14.05.2026 | por Zetho Cunha Gonçalves