“Depois vem o português, que é a língua de cultura moderna, língua de ciência”

“Depois vem o português, que é a língua de cultura moderna, língua de ciência” O que está em causa, como bem referiu o Professor Domingos, é o modo como o português tem sido ensinado na Guiné-Bissau, como língua materna [13, 14], e a disfuncionalidade do sistema educativo, fruto, em grande medida, do mau funcionamento do próprio sistema político. Além disso, quando se fala da necessidade de oficializar o crioulo e de o adotar como língua de ensino na Guiné-Bissau, não se trata de substituir o português. Seria uma péssima decisão política.

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09.05.2026 | por Ronaldo Mendes

Política linguística e educação em Cabo Verde: dois silêncios estruturais

Política linguística e educação em Cabo Verde: dois silêncios estruturais A língua, enquanto património afetivo, cognitivo e cultural, continua a ser convocada no discurso, mas raramente assumida como objeto de uma política estruturada de Estado. Quem está disposto a assumir, com seriedade institucional, que a língua não é apenas símbolo, mas também sistema? Quem está disposto a aceitar que a ciência deve informar a política linguística, e não o inverso? O convite permanece aberto, mas o silêncio é, muitas vezes, mais eloquente do que a respost

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07.05.2026 | por Eleutério Afonso

Baralho de Cartas 19

Baralho de Cartas 19 Durante anos, por volta de abril, pelas três da manhã, vinha um andorinhão para o meu telhado, com um tesão desgraçado, ainda com o fulgor africano a estremecer-lhe as penas, guinchava noite adentro à espera de uma resposta. As janelas são de papel, os carros zumbem-me na cabeceira. Não tinha como não acordar com os berros do pássaro solitário. Cheguei a pendurar-me na janela, não fosse ter um ninho no beiral. Quase me estatelei no alcatrão. Acabei por me habituar à passarada.Quando fico doente procuro concentrar-me nas alterações da percepção, como se fosse uma droga. A gripe não vai muito longe, mas, mesmo assim, com alguma atenção, o espaço modifica-se e estou noutra relação com o corpo. O centro de gravidade baixa ligeiramente, o ar fica líquido.

Mukanda

06.05.2026 | por Ricardo Norte

Será que existe um novíssimo cinema português?

Será que existe um novíssimo cinema português? Encontra-se antes um pretexto para procurar as filiações de um novíssimo cinema português, em busca dessa raiz perdida, dessa escola, de uma unidade, ainda que frágil. Isto, não obstante, e dando de barato que, num mundo global, somos todos inevitavelmente influenciados de forma global. Todavia, não se deve subestimar o potencial do vizinho do lado. Se não existe um corpo suficientemente bem definido para caracterizar um cinema português, com um pouco de boa vontade há, pelo menos, escolas, linhas e movimentos — alguns deles provavelmente involuntários, mas que, sem querer, se desenham.

Afroscreen

04.05.2026 | por Manuel Halpern