Baralho de Cartas 11

Baralho de Cartas 11 Abrimos túneis com dinamite nas cordilheiras terrestres, furamos a pedra com gigantes berbequins, mas não há pólvora que nos permita atravessar esta serrania. A Agustina diz que são duas ideias incompatíveis, a de homem e a de mulher, que a incompatibilidade obedece a uma técnica de travagem. Há fronteiras que os nossos amados comboios não atravessam, e, apesar dos mitos de fusão, ainda bem que não o fazem. É esse penhasco que peia o fogo que galga o monte desenfreado. É um país que se esconde na outra vertente do desejo. Atiro-lhe pequenas anotações em papéis amarrotados.

Mukanda

11.03.2026 | por Ricardo Norte

Patrice Lumumba e o Neocolonialismo, a soberania africana em causa

Patrice Lumumba e o Neocolonialismo, a soberania africana em causa O contexto contemporâneo é diferente, os atores multiplicaram-se e o próprio Estado congolês atravessou transformações significativas. Contudo, a questão central colocada por Lumumba, de quem controla os recursos e em benefício de quem, mantém-se atual. A sua memória persiste não apenas como símbolo anticolonial, mas como uma interrogação política ainda em aberto sobre soberania e autonomia africana no século XXI.

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06.03.2026 | por Pedro Oliveira

Olime

Olime Ao colocar frente a frente uma mãe precarizada e um técnico do Estado, o espetáculo evita simplificações, despertando a reflexão sobre justiça social, responsabilidade institucional e a criminalização da pobreza. Questiona a fronteira entre cuidado e controlo, entre proteção e punição. Recorda que, em contextos de vulnerabilidade económica e racialização, a parentalidade, sobretudo as mães pobres e radicalizadas, é frequentemente sujeita a um escrutínio acrescido.

Palcos

06.03.2026 | por várias

Massiv – o próximo Blog___

Massiv – o próximo Blog___  São vozes da diáspora, vozes ocidentais e vozes resistentes em África, que questionam, propõem e avançam novas formas de pensar, representar e acreditar em África e no seu futuro. Na sua superação. Porque depende de uma renascença africana o respeito pela Identidade e Imagem dos Negros à escala global. Sem essa ascensão de África os negros continuarão a ser alvos de racismos mais ou menos velados, mais ou menos estruturais. Essas vozes percebem que a Imigração de africanos para a Europa ou para a América, não é solução para os seus problemas identitários, que estão radicados em África.

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06.03.2026 | por Brassalano Graça

Etnologias e contentores cronológicos em fricção. Subverter os tempos no Museu da América

Etnologias e contentores cronológicos em fricção. Subverter os tempos no Museu da América Constituindo-se como cenário “neutro” que, na realidade, continua a operar sob limites opacos entre consentimento e poder colonial, enquanto a negação das subjetividades protagonistas se expressou em categorias genéricas como “índio” ou “encontro”. Perante essa forma de vigência colonial, todas as narrativas simultâneas que se lhe contrapuseram, bem como as contradições e afrontas à nostalgia imperialista, entraram em confronto com a hegemonia ideológica, arquitetónica e visual imposta por este lugar desenhado segundo os padrões de um claustro colonial ajardinado.

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03.03.2026 | por Lorena Tabares Salamanca

Baralho de cartas 10

Baralho de cartas 10 A Júlia não é uma miúda adorno bonitinho, de franja curta, que liam textos filosóficos para homens mais velhos no Cinema Novo. Talvez tenha uma leve fragrância de Rivette, a voz altiva da Janis Joplin, magreza da Pj Harvey, atrevimento Björk, qualquer coisa do tem-te-não-caias da Alice e da Etelvina, mas não lhe deve faltar futuro e talvez até desenrasque dinheiro.

Mukanda

02.03.2026 | por Marta Lança

A caixa preta e outros mal-entendidos: Histórias do Experimental

A caixa preta e outros mal-entendidos: Histórias do Experimental Em causa, como no caso da disseminação da Caixa Preta, estariam então uma série de mal-entendidos: entre concepções do tempo e modos de fazer, filiações dramatúrgicas, modos de habitar a cidade, modos de entender o teatro e o fazer artístico. Mas para entender o que está em causa num mal-entendido é sempre necessário proceder a um exercício de localização dos vários entendimentos das partes em questão, ou por outras palavras, o mal-entendido opera frequentemente como revelador de formas de temporalidade e regimes de historicidades diferentes.

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01.03.2026 | por Ana Bigotte Vieira