Panorama: fantasmas latentes

Panorama: fantasmas latentes O hotel traz consigo a simbologia da viagem, dos trânsitos diaspóricos, é um dos elementos arquitectónicos recorrentes nas explorações da artista. Em Hotel Globo (2015), obra que tem como ponto de partida o hotel construído na década de 50 na Baixa de Luanda, o edifício adquire um estatuto de quase resistência às mudanças aceleradas em seu redor; Panorama materializa a decadência, é um navio naufragado, resignado à própria sorte.

Cidade

29.11.2018 | por Paula Nascimento

“Essa dama bate bué!” - PRÉ-PUBLICAÇÃO

“Essa dama bate bué!” - PRÉ-PUBLICAÇÃO Sonhou que via Luanda lá de cima. No alto do Morro da Cruz, um mpungi gigante de marfim equilibrava-se na sua ponta. No Morro da Fortaleza, outro mpungi igual. Da terra chegou um sopro grave que subiu pelas pontas maiores dos mpungis. Este alcançou as nuvens, e o céu palpitou em resposta. O barulho feito pelo céu espalhou-se por onde lhe levou a vontade. Depois juntaram-se marimbas a tocar na Corimba e mukupelas na Samba.

Mukanda

29.11.2018 | por Yara Monteiro

A cidade o tornou reticente e sombrio

A cidade o tornou reticente e sombrio a história deles se torna a história habitual de muitos imigrantes que vieram das antigas colônias em busca de um tratamento médico ou de uma vida melhor. Em Angola, Cartola era parteiro. Em Lisboa, virou servente de obra, e a cidade o tornou reticente e sombrio. Aquiles, que ainda era adolescente ao mudar de país, deixou de se sentir angolano: “Esse olhar de quem vê o mundo da cama, contrariado, a morder-se de raiva porque ninguém o ouve, ninguém acode, foi a sua nacionalidade assim que pisou em Lisboa.”

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29.11.2018 | por Tatiana Salem Levy

Nova Lisboa, a imagem versus a amnésia coletiva

Nova Lisboa, a imagem versus a amnésia coletiva Estas fotografias permitem visualizar um período da história que moldou, profunda e permanentemente, a nossa contemporaneidade, e que sentimos grande relutância em abordar. Embora representem uma época na qual a fotografia era exclusiva de uma classe dominante, dádiva a que poucos acediam, no processo criativo de Jasse estes retratos são um importante legado. Para além da sua estética apelativa, permite-nos reunir os estilhaços da história hostil de um país, onde os sucessivos episódios traumáticos causaram um apagamento irreversível da memória.

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06.09.2018 | por Kiluanji Kia Henda

“N’gola Cine”, o país onde vivemos, sobre a exposição de Yonamine

“N’gola Cine”, o país onde vivemos, sobre a exposição de Yonamine Metáfora sarcástica de Yonamine para analisar, com senso comum e olhar emancipado, a história mais recente de Angola.O artista inverte a sintaxe criativa à qual nos tem habituado: onde ele acumulava agora esvazia, onde ele organizava em forma de quadrículas, agora o faz unindo a irregularidade de contornos das palavras e das frases, onde ele antes colava na parede, agora pendura ou estende como se já tivesse lavado e purificado tudo, como se a realidade tivesse deixado de ser um lençol corrompido e insano.

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18.05.2018 | por Adriano Mixinge e JAHMEK CONTEMPORARY ART

mas… dizer que Luanda é um inferno, não.

mas… dizer que Luanda é um inferno, não. Fazemos parte desta coisa incrível que é este lugar. E cativos ficamos. Ninguém sai daqui alheio a assobiar. Bate uma tristeza, uma melancolia, uma saudade antecipada, porque este lugar… mesmo sendo uma madrasta cidade, tantas e tantas vezes, tem um encanto que reside na curva desse lado “Atlântico” que nos fez assim (...) Esse povo bom que lapida a vida sem ferramenta própria, capricha, encara e faz batota a rir.

Mukanda

13.03.2018 | por Isabel Baptista

Elas Aqui, os Cinquenta Anos, o Renascimento, os Senhores do Vento e o James Brown, Ou Cinco Impressões de Luanda (Uma das quais em Lisboa)

Elas Aqui, os Cinquenta Anos, o Renascimento, os Senhores do Vento e o James Brown, Ou Cinco Impressões de Luanda (Uma das quais em Lisboa)   De uma viagem recente a Luanda, destaco uma exposição colectiva e três individuais: Being Her(e), comissariada por Paula Nascimento (Angola) e Violet Nantume (Uganda); 50 Anos Vivendo, Criando, de António Ole (Angola); Luvuvamo + Nzola | Paz + Amor, de Paulo Kapela (Angola); e Senhores do Vento, de Thó Simões (Angola). Em Lisboa, assinalo Fuck It’s Too Late!, a primeira individual de Binelde Hyrcan (Angola) em Portugal, com curadoria de Ana Cristina Cachola (Portugal).

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27.02.2018 | por Ana Balona de Oliveira

Fuckin’ Globo quarto a quarto

Fuckin’ Globo quarto a quarto De 1 a 6 de Fevereiro decorreu, na baixa de Luanda, a 4ª edição do Fuckin’ Globo. As propostas do colectivo artístico foram, como habitualmente, variadas. O tom e a crítica social e política apresentam-se cada vez mais contundentes. Revisitemos os quartos e a fachada do Hotel Globo, na rua Rainha Ginga.

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21.02.2018 | por vários

Fuckin'Globo III, um grupo de criadores revoluciona a cena artística em Luanda

Fuckin'Globo III, um grupo de criadores revoluciona a cena artística em Luanda “Fuckin Globo III” não é uma exposição ao uso: situada à margem das instituições, privilegiando o papel criador e produtor dos artistas, revalorizando um espaço que foi nobre no tempo colonial mas passou a ser decadente no pós-independência e, sobretudo, visando um público sensível e conhecedor, marca uma reviravolta ainda maior no universo das profundas transformações culturais de Angola.

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21.02.2017 | por Adriano Mixinge

Xikala – História e Urbanidade de um Bairro de Luanda

Xikala – História e Urbanidade de um Bairro de Luanda Paulo Moreira afirma ter iniciado este trabalho “motivado pela urgência em documentar e compreender a forma urbana” do bairro antes da demolição. As preocupações do arquiteto não estão circunscritas à sua disciplina, a proposta que nos apresenta é mais do que um projeto de investigação sobre um bairro informal, trata-se de um olhar intimista sobre a organização espacial, social e cultural da Chicala.

Cidade

07.09.2015 | por Cláudia Silva

Luanda, retrato literário

Luanda, retrato literário O prédio da Lagoa no centro de Luanda (Largo do Kinaxixi), carcaça deixada por acabar em 1975 e ocupada por refugiados da guerra a partir de 1992, é um musseque (bairro da lata) em altura que acabou por transformar-se involuntariamente em símbolo da capital angolana — 17 andares sem água, nem luz, nem saneamento básico, sem varandas, sem corrimãos —, um prédio carente das mínimas condições de habitabilidade transformado em abrigo para gente deslocada.

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20.06.2014 | por António Rodrigues

A Cidade e o Pós-colonial - parte II

A Cidade e o Pós-colonial - parte II Os passados coloniais continuam pre­sentes nos contextos pós-coloniais de várias formas, as quais podem ser encontradas quer na cultura pública, quer em luga­res inesperados do quotidiano e na esfera do mundano, mostrando que os entendimentos comuns em relação ao Império, no período pós-descolonizações, se articulam com uma grande variedade de canais e instituições

Cidade

18.11.2013 | por Nuno Domingos e Elsa Peralta

Mais um dia de vida - Angola 1975

Mais um dia de vida - Angola 1975 Cheirava mal em toda a parte, um fedor ácido, e uma humidade pegajosa e abafada espalhava‐se pelo edifício. As pessoas transpiravam de calor e de medo. Havia um ambiente apocalíptico, uma expectativa de destruição. Alguém chegou com o boato de que se preparavam para bombardear a cidade durante a noite. Uma outra pessoa ouvira dizer que, nos bairros dos negros, se afiavam facas para cortar a garganta aos portugueses. A insurreição explodiria a qualquer momento. «Que insurreição?», perguntei, para poder informar Varsóvia. Ninguém sabia exactamente. Apenas uma insurreição, e descobriremos de que natureza é quando nos atingir.

Mukanda

27.09.2013 | por Richard Kapuschinski

Espaço Cultural Elinga, salvaguarda da liberdade espiritual artística

Espaço Cultural Elinga, salvaguarda da liberdade espiritual artística No meio de uma cidade frenética para o bem e para o mal, há pontos de abrigo – que nos abraçam e nos lembram que aqui também é a nossa casa. É importante não esquecer isto. O Espaço Cultural Elinga, local que alberga uma série de actividades lúdicas e culturais, é um desses pontos de abrigo. É antes de mais um local de cultura. Cultura no seu sentido mais original. A antiga Casa das Beiras do período colonial português é uma espécie de salvaguarda da liberdade espiritual artística, onde tudo é possível acontecer – mas sempre com algum estilo, com uma linguagem própria e interdisciplinar, com referências locais mas também internacionais.

Cidade

17.06.2013 | por Miguel Gomes

Algumas linhas sobre a urbanização colonial em Angola

Algumas linhas sobre a urbanização colonial em Angola A história das cidades conta-nos sobre seu povo e sua cultura. Entender fenômenos complexos do espaço urbano contemporâneo passa, necessariamente, por uma compreensão alargada do seu contexto histórico-político.

Cidade

15.02.2013 | por Andréia Moassab

Morte de um teatro em Luanda, vítima dos promotores - Elinga

Morte de um teatro em Luanda, vítima dos promotores - Elinga Um importante centro da cultura angolana, o teatro Elinga, vai desaparecer, como tantas casas antigas do centro da capital. Os arranha-céus, esses, crescem como cogumelos e deslocam para os subúrbios, a toque de bulldozers selvagens e de bastonadas da polícia, os musseques, essas favelas angolanas sem água nem eletricidade em que se amontoa a maior parte dos 6 a 7 milhões de habitantes de Luanda. ”As autoridades pretendem fazer de Luanda o Dubai da África austral, lembra Claudia Gastrow, Mas não se vê a lógica urbanística nem a coordenação. O centro da cidade não é mais que uma fachada. “Copiar o modelo Dubai? Até ao ponto de projetar construir, como no Golfo, ilhas artificiais ao largo de Luanda.

Cidade

28.09.2012 | por Christophe Châtelot

Luanda por terra água e ar

Luanda por terra água e ar Luanda por terra água e ar foi produzido durante uma viagem de investigação a Angola entre Abril e Junho de 2012, no âmbito do Prémio Távora. No filme, os testemunhos apresentados apontam para um diálogo genuíno entre o bairro e a cidade (e o Mundo). Apontam para um relação recíproca entre privado e coletivo, entre biografia e história. Desafiam o lugar-comum propulsor de uma “cidade global” (rica) rodeada por “bairros pobres” (desesperados). Luanda é muito mais complexa do que isso.

Cidade

24.09.2012 | por Paulo Moreira

Crónica de uma vitória anunciada

Crónica de uma vitória anunciada A mudança mais relevante em Angola tem a ver com a juventude. Os jovens de hoje, os quais representam a maioria da população angolana, já não se mostram tão traumatizados pela guerra civil quanto os respectivos pais. Estão também muito melhor informados e decididos a reinvidicar a parcela da riqueza do país a que têm direito. Dez anos após a morte em combate de Jonas Savimbi, no Leste de Angola, a juventude angolana está muito mais interessada no presente, e no futuro, do que no passado

Mukanda

28.08.2012 | por José Eduardo Agualusa

Representação de Luanda em "Chico Nhô" de Jacinto de Lemos

Representação de Luanda em "Chico Nhô" de Jacinto de Lemos É a história, sobretudo, da progressiva exigência e consciência da autonomia dessa literatura para com os padrões culturais da metrópole, do reconhecimento da sua originalidade face aos modelos europeus e das tentativas de a recolocar em esquemas interpretativos próprios: Luanda como expressão duma sociedade crioula contraposta ao resto do país ainda profundamente embebido da original cultura banto, ou como elemento extrínseco na sua realidade de cidade fundada por estrangeiros mas pouco a pouco reconquistada pelos legítimos habitantes da terra e a sua cultura; a Luanda da contraposição Baixa-musseques, o coração pulsante da nação liberta mas precipitada numa guerra civil onde as regras existem só para ser enganadas, ou ainda a capital do “petro-capitalismo” descontrolado.

Cidade

14.04.2012 | por Alice Girotto

O equilíbrio da "Batida" perfeita

O equilíbrio da "Batida" perfeita Não é exactamente Luanda e não é propriamente Lisboa. Batida é uma ponte, e o mundo vai aprender a atravessá-la.

Palcos

05.04.2012 | por Mário Lopes