A presença de Amílcar Cabral na música RAP na Guiné-Bissau e em Cabo-Verde

A presença de Amílcar Cabral na música RAP na Guiné-Bissau e em Cabo-Verde Este artigo pretende analisar de que forma os jovens guineenses e cabo-verdianos recontextualizaram através do rap, na nova conjuntura dos dois países, o discurso pan-africanista e nacionalista de Amílcar Cabral, tendo em conta o risco de branqueamento da memória coletiva e histórica; a suposta traição dos seus ideais pelos atuais políticos dirigentes; a necessidade de o resgatar enquanto guia do povo; e de representá-lo como um MC (mensageiro da verdade).

15.01.2013 | por Redy Wilson Lima e Miguel de Barros

Mural Sonoro 2013| 1ª Sessão: Culturas Documentadas

Sábado, 26 de Janeiro a partir das 15h. Culturas Documentadas. 15h Eduína Vaz com exposição de fotografia 'Culturas Cabo-Verdianas'. 16h Mário Correia com 'Recolhas, Património Imaterial', Terras de Miranda e Sendim. 17h Nataniel Melo com 'Viagem pela Cultura de um Povo' (viagem ao Senegal) Apresentação de filme documental. Autoria: Mural Sonoro. Parceria: Museu da Música. Apresentação: Soraia Simões. © 2013 Mural Sonoro no Museu da Música.

08.01.2013 | por Soraia Simões

Mural Sonoro apresenta aulas de Bateria, Percussões tradicionais várias e 'Música com o corpo'

com Pedro Pinto Ferreira. Músico e formador. Integrante de grupos como: Brigada Victor Jara, Wraygunn, Belle Chase Hotel. Descrição: Todos os sábados das 10h às 15h no Clube Recreativo dos Anjos. Inscrição: 7.50 eur. Valor diário: 15 eur. Mensalidade: 60 eur.

06.01.2013 | por Soraia Simões

O polícia que assassinou o Kuku foi absolvido

O polícia que assassinou o Kuku foi absolvido Do ponto de vista Racial também tem funcionado perfeitamente. Legitimando a violência estrutural racista da qual a violência policial é uma parte, ou os desalojamentos e remoções de pessoas é outro. Legitimando o uso da forca para manter nos no nosso lugar. O Não lugar.

05.12.2012 | por Chullage

O Cão-Tinhoso tinha uns olhos azuis...

O Cão-Tinhoso tinha uns olhos azuis... O Cão-Tinhoso tinha uns olhos azuis que não tinham brilho nenhum, mas eram enormes e estavam sempre cheios de lágrimas, que lhe escorriam pelo focinho. Metiam medo aqueles olhos, assim tão grandes, a olhar como uma pessoa a pedir qualquer coisa sem querer dizer. Eu via todos os dias o Cão-Tinhoso a andar pela sombra do muro em volta do pátio da Escola, a ir para o canto das camas de poeira das galinhas do Senhor Professor. As galinhas nem fugiam, porque ele não se metia com elas, sempre a andar devagar, à procura de uma cama de poeira que não estivesse ocupada. O Cão-Tinhoso passava o tempo todo a dormir, mas às vezes andava, e então eu gostava de o ver, com os ossos todos à mostra no corpo magro. Eu nunca via o Cão-Tinhoso a correr e nem sei mesmo se ele era capaz disso, porque andava todo a tremer, mesmo sem haver frio, fazendo balanço com a cabeça, como os bois e dando uns passos tão malucos que parecia uma carroça velha.

18.11.2012 | por Luís Bernardo Honwana

Manual para Incendiários e Outras Crónicas #2 - PRÉ-PUBLICAÇÃO

Manual para Incendiários e Outras Crónicas #2 - PRÉ-PUBLICAÇÃO "Segundo as últimas notícias, a literatura moçambicana acabou. Um pré-aviso para este fim inglório, agora anunciado, surgiu há cerca de dois anos quando um grupo de jovens decretou a sua morte. Dada a abolição da pena de morte da ordem jurídica e penal do país, a sentença então pronunciada foi alvo de alguma polémica e causou agitação nos potenciais candidatos ao tenebroso corredor." O livro "Manual para Incendiários e Outras Crónicas" é um conjunto de crónicas publicadas entre 2000 e 2009 na imprensa portuguesa e moçambicana (Jornal de Letras, Savana, África Lusófona e Angolé), cujo fio condutor é a ironia do processo de escrita.

04.10.2012 | por Luís Carlos Patraquim

Manual para Incendiários e Outras Crónicas - PRÉ-PUBLICAÇÃO

Manual para Incendiários e Outras Crónicas - PRÉ-PUBLICAÇÃO Este livro é um conjunto de crónicas publicadas entre 2000 e 2009 na imprensa portuguesa e moçambicana (Jornal de Letras, Savana, África Lusófona e Angolé), cujo fio condutor é a ironia do processo de escrita. Repositório humorado das reflexões do autor-cronista sobre a actualidade, Manual para Incendiários e Outras Crónicas prima pelo olhar mordaz e apaixonado sobre a literatura, a identidade moçambicana, a aculturação e a intromissão ocidental. Crónicas desenvoltas que abarcam a Europa, África e as suas gentes, são uma visão destes dois mundos aliada a um vívido humor.

02.10.2012 | por Luís Carlos Patraquim

Manifesto Antropófago

Manifesto Antropófago No país da cobra grande. Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil. Uma consciência participante, uma rítmica religiosa. Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar. Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem n6s a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

27.09.2012 | por Oswald de Andrade

Crónica de uma vitória anunciada

Crónica de uma vitória anunciada A mudança mais relevante em Angola tem a ver com a juventude. Os jovens de hoje, os quais representam a maioria da população angolana, já não se mostram tão traumatizados pela guerra civil quanto os respectivos pais. Estão também muito melhor informados e decididos a reinvidicar a parcela da riqueza do país a que têm direito. Dez anos após a morte em combate de Jonas Savimbi, no Leste de Angola, a juventude angolana está muito mais interessada no presente, e no futuro, do que no passado

28.08.2012 | por José Eduardo Agualusa

Manifesto I - Em prol do reconhecimento da actividade musical em PT

No rescaldo de uma conversa de há uns minutos, a propósito de um ensaio ("A Importância de Tratar o músico como profissional e não um animador") que escrevi para uma revista de solidariedade social, dei por mim a pensar que há ensaios que têm de ser manifestados oralmente. Aos que não lêem, porque se desabituaram, e aos que queriam ler mas estão, infelizmente, fisicamente incapacitados para o poder fazer. Soraia Simões muralsonoro.tumblr.com

16.08.2012 | por Soraia Simões

Transpor as fronteiras da música: I hate world music

Transpor as fronteiras da música: I hate world music Detesto a world music. Essa é provavelmente uma das perversas razões por que me pediram para escrever sobre o tema. Trata‐se de um chavão amplo que se refere à música não ocidental de todo e qualquer género, desde a música popular à música tradicional e até à música clássica. É uma categoria pseudomusical e de marketing e um nome que designa uma prateleira na loja de discos onde se encaixa tudo o que não cabe em qualquer outro ponto da loja.

20.07.2012 | por David Byrne

A música do mundo é maior que a world music

A música do mundo é maior que a world music A world music é, portanto, um paradoxo contemporâneo: um mundo heideggeriano, onde todos somos vítimas e algozes, controlados e controladores. Sem nos darmos conta disso, trabalhamos para a unidade do planeta e, vice-versa, para o crescimento e a proliferação da diversidade local, que se afirmam em múltiplas minirrealidades espalhadas como poeira em todo o globo.

20.07.2012 | por Gilberto Gil

Congoleses e congolesas,

Congoleses e congolesas, (No acto de proclamação da independência do Congo, não foi dada a palavra a Patrice Lumumba. Mas ele levantou-se e falou, dirigindo-se ao seu povo, não tratando o rei da Bélgica por «majestade» mas por «Sire»)

26.05.2012 | por Patrice Émery Lumumba

Translucidez

Translucidez Há uma guerra não declarada entre os habitantes do bairro residencial e os que vivem nos blocos de habitação social. É uma guerra silenciosa, mas, como em todas as guerras, assenta num ódio que não conhece excepções.

16.05.2012 | por Ana Cássia Rebelo

Breves considerações acerca da performance de géneros musicais, literários e coreográficos cabo-verdianos

Breves considerações acerca da performance de géneros musicais, literários e coreográficos cabo-verdianos O conceito de identidade, tem uma operacionalidade escassa, quase nula, e o seu uso implica o permanente confronto com a inevitabilidade da sua indefinição, mas é irrefutável de que quando o estudamos ou abordamos no campo da actividade humana ou cultural (e a música ou expressão musical nessa cultura) ele se torna dado adquirido.

16.05.2012 | por Soraia Simões

A poesia é para comer - Iguarias para o corpo e para o espírito

A poesia é para comer - Iguarias para o corpo e para o espírito Há muito tempo que versos e petiscos se cozinhavam na minha mente, em lume brando, como convém a uma receita que se quer apurada, insinuando no meu espírito aromas irresistíveis de cozinha de infância. Nasci numa família em que a gastronomia foi sempre – ao longo de gerações – um culto e um prazer, com honras de biblioteca e pesando, até, na escolha de itinerários de viagem. E o que pode haver de mais poético do que as memórias de um tempo em que tudo era assim, brando e promissor, sem pressas nem atropelos, apesar da sede imensa de uma vida inteira pela frente, por beber ainda? Enquanto tudo se espera, tudo pode acontecer…

15.05.2012 | por Ana Vidal

Teoria Geral do Esquecimento - PRÉ-PUBLICAÇÃO Agualusa

Teoria Geral do Esquecimento - PRÉ-PUBLICAÇÃO Agualusa Entre 1997 e 1998 desapareceram nos céus de Angola cinco aviões, com um total de 23 tripulantes, originários da Bielorrússia, Rússia, Moldávia e Ucrânia. A 25 de Maio de 2003, um Boeing 727, propriedade da American Airlines, desencaminhou-se do aeroporto de Luanda, e nunca mais foi visto. O aparelho estava há 14 meses sem voar. Daniel Benchimol colecciona histórias de desaparecimentos em Angola. Todo o tipo de desaparecimentos, embora prefira os aéreos. É sempre mais interessante ser arrebatado pelos céus, como Jesus Cristo ou a sua mãe, do que engolido pela terra. Isto, claro, se não nos estivermos a servir de uma linguagem metafórica. Pessoas ou objectos literalmente engolidos pela terra, como parece ter acontecido com o escritor francês Simon-Pierre Mulamba, são, contudo, casos muitos raros.

08.05.2012 | por José Eduardo Agualusa

Carnaval & Piscina

Carnaval & Piscina E quando não é carnaval é natal, depois vem o ano novo, a pascoa é logo a seguir. Então virão as férias e é uma excitação. Se não forem as tuas serão as férias dos outros. Vamos finalmente comer e beber todo dia, comprar, passear e dormir. Férias são férias, se não for para isso o que vamos fazer? Depois terás que esperar o fim das férias dos outros. Um dos meus cambas diz: “Mandem vir mais uma. Eu enquanto espero, faço poemas”. Isso sim é ganhar tempo, assim como contribuir na vaquinha para o barril e “mandá-lo” abaixo depois do futebol. Só os diabetes e a corrida, não para o calçadão mas para as clínicas de corte de banha, nos permitirão perceber o que perdemos de tempo saúde e dinheiro.

04.04.2012 | por Sílvia Milonga

Os três Cabrais de hoje em Cabo Verde: uma leitura necessária

Os três Cabrais de hoje em Cabo Verde: uma leitura necessária A difusão de Cabral enquanto ícone atrapalha um conhecimento da história ao transformá-lo numa imagem a adorar ou idolatrar, um semi-deus político com poderes extra-humanos. Tal situação contradiz com os dictos de Cabral, que sempre recusou qualquer culto de personalidade ou qualquer associação a qualidades extra-humanas, dizendo-se “um simples africano.”

23.01.2012 | por Abel Djassi Amado

Diccionario básico, y aleatorio, de la dictadura guineana

Diccionario básico, y aleatorio, de la dictadura guineana El escritor y ensayista Juan Tomás Ávila Laurel ofrece una disección certera de la dictadura guineana, abordando desde su aguda mirada los diversos elementos que la conforman y sustentan. Se podría decir, pues, que este libro es la narración reflexionada y también amena, de cómo ha echado sus raíces la dictadura en Guinea Ecuatorial.

13.01.2012 | por Juan Tomás Ávila Laurel