Deslocalizar a Europa: revisitando Cabral, Césaire e Du Bois

Deslocalizar a Europa: revisitando Cabral, Césaire e Du Bois Implicou ainda a necessidade de construção de uma identidade panafricana ou negra como condição de ancoragem nacional ou local, o que incluiu o confronto com tradições existentes ou a reinventar – para além do “sangue e do solo”. São estas dimensões transnacionais que há que reequacionar na nossa contemporaneidade. Até que ponto serão os começos anticoloniais – essa tabula rasa que caracterizaria o ato de descolonização (Fanon) – ainda capazes de dar conta dos desafios com que o mundo hoje se depara?

02.10.2013 | por Manuela Ribeiro Sanches

Mais um dia de vida - Angola 1975

Mais um dia de vida - Angola 1975 Cheirava mal em toda a parte, um fedor ácido, e uma humidade pegajosa e abafada espalhava‐se pelo edifício. As pessoas transpiravam de calor e de medo. Havia um ambiente apocalíptico, uma expectativa de destruição. Alguém chegou com o boato de que se preparavam para bombardear a cidade durante a noite. Uma outra pessoa ouvira dizer que, nos bairros dos negros, se afiavam facas para cortar a garganta aos portugueses. A insurreição explodiria a qualquer momento. «Que insurreição?», perguntei, para poder informar Varsóvia. Ninguém sabia exactamente. Apenas uma insurreição, e descobriremos de que natureza é quando nos atingir.

27.09.2013 | por Richard Kapuschinski

Eu também tenho um sonho

Eu também tenho um sonho Cinquenta anos depois o império americano cobre o continente africano com as bases militares e bases de drones através do Projecto Africon e lança bombas sobre vilas na Somália. Cinquenta anos depois a América continua com o seu projecto colonizador escondendo os seus tentáculos por detrás das vestes do Banco Mundial, da Organização Mundial do Comércio e do Fundo Monetário Internacional. Cinquenta anos depois os nativos americanos são tratados com não-cidadãos, quando a américa assassinou os seus ancestrais e roubou-lhes as suas terras.

01.09.2013 | por Plataforma Gueto

Recolha Mural Sonoro: instrumentos e sua classificação

Recolha Mural Sonoro: instrumentos e sua classificação A forma com que determinado instrumento é construído tem em atenção algumas limitações anatómicas e fisiológicas do indivíduo. Os materiais usados para conceber alguns instrumentos têm em conta razões de ordem acústica e prática, como por exemplo a forma e tamanho da mão do executante.

07.05.2013 | por Soraia Simões

Na senda da luta pela paz e igualdade. O contributo das mulheres guineenses

Na senda da luta pela paz e igualdade. O contributo das mulheres guineenses A condição das Mulheres guineenses num contexto mais abrangente que é o das lutas levadas a cabo pelas mulheres dentro e fora do continente africano, em busca da própria emancipação e da construção de sociedades mais justas e dignas. Este discurso terá necessariamente que partir da celebração do Dia Internacional da Mulher organizada pelas Nações Unidas em 1977, apenas dois anos após a proclamação do Ano Internacional das Mulheres e três anos após a proclamação da independência da Guiné-Bissau.

08.03.2013 | por Patrícia Godinho Gomes

Mural Sonoro: A importância de tratar o músico como um profissional e não como um animador

Mural Sonoro: A importância de tratar o músico como um profissional e não como um animador "O papel do músico, independentemente das práticas musicais e performativas que produz na sociedade actual, tem-se cruzado com dois géneros de intenções discursivas: as indispensáveis e as acessórias. Indispensáveis; as clarificadoras, explicativas, com metodologias que trabalham na aproximação entre a sua actividade e os círculos de interesse, que o poderão trazer mais perto de um estádio de relação unicamente com aquilo que trabalha/faz (música) diminuindo tensão e fosso entre a importância do que faz e o público; acessórias as que sob o artifício da linguagem negligenciam a sua profunda compreensão e favorecem os compartimentos estanque."

21.01.2013 | por Soraia Simões

A presença de Amílcar Cabral na música RAP na Guiné-Bissau e em Cabo-Verde

A presença de Amílcar Cabral na música RAP na Guiné-Bissau e em Cabo-Verde Este artigo pretende analisar de que forma os jovens guineenses e cabo-verdianos recontextualizaram através do rap, na nova conjuntura dos dois países, o discurso pan-africanista e nacionalista de Amílcar Cabral, tendo em conta o risco de branqueamento da memória coletiva e histórica; a suposta traição dos seus ideais pelos atuais políticos dirigentes; a necessidade de o resgatar enquanto guia do povo; e de representá-lo como um MC (mensageiro da verdade).

15.01.2013 | por Redy Wilson Lima e Miguel de Barros

Mural Sonoro 2013| 1ª Sessão: Culturas Documentadas

Sábado, 26 de Janeiro a partir das 15h. Culturas Documentadas. 15h Eduína Vaz com exposição de fotografia 'Culturas Cabo-Verdianas'. 16h Mário Correia com 'Recolhas, Património Imaterial', Terras de Miranda e Sendim. 17h Nataniel Melo com 'Viagem pela Cultura de um Povo' (viagem ao Senegal) Apresentação de filme documental. Autoria: Mural Sonoro. Parceria: Museu da Música. Apresentação: Soraia Simões. © 2013 Mural Sonoro no Museu da Música.

08.01.2013 | por Soraia Simões

Mural Sonoro apresenta aulas de Bateria, Percussões tradicionais várias e 'Música com o corpo'

com Pedro Pinto Ferreira. Músico e formador. Integrante de grupos como: Brigada Victor Jara, Wraygunn, Belle Chase Hotel. Descrição: Todos os sábados das 10h às 15h no Clube Recreativo dos Anjos. Inscrição: 7.50 eur. Valor diário: 15 eur. Mensalidade: 60 eur.

06.01.2013 | por Soraia Simões

O polícia que assassinou o Kuku foi absolvido

O polícia que assassinou o Kuku foi absolvido Do ponto de vista Racial também tem funcionado perfeitamente. Legitimando a violência estrutural racista da qual a violência policial é uma parte, ou os desalojamentos e remoções de pessoas é outro. Legitimando o uso da forca para manter nos no nosso lugar. O Não lugar.

05.12.2012 | por Chullage

O Cão-Tinhoso tinha uns olhos azuis...

O Cão-Tinhoso tinha uns olhos azuis... O Cão-Tinhoso tinha uns olhos azuis que não tinham brilho nenhum, mas eram enormes e estavam sempre cheios de lágrimas, que lhe escorriam pelo focinho. Metiam medo aqueles olhos, assim tão grandes, a olhar como uma pessoa a pedir qualquer coisa sem querer dizer. Eu via todos os dias o Cão-Tinhoso a andar pela sombra do muro em volta do pátio da Escola, a ir para o canto das camas de poeira das galinhas do Senhor Professor. As galinhas nem fugiam, porque ele não se metia com elas, sempre a andar devagar, à procura de uma cama de poeira que não estivesse ocupada. O Cão-Tinhoso passava o tempo todo a dormir, mas às vezes andava, e então eu gostava de o ver, com os ossos todos à mostra no corpo magro. Eu nunca via o Cão-Tinhoso a correr e nem sei mesmo se ele era capaz disso, porque andava todo a tremer, mesmo sem haver frio, fazendo balanço com a cabeça, como os bois e dando uns passos tão malucos que parecia uma carroça velha.

18.11.2012 | por Luís Bernardo Honwana

Manual para Incendiários e Outras Crónicas #2 - PRÉ-PUBLICAÇÃO

Manual para Incendiários e Outras Crónicas #2 - PRÉ-PUBLICAÇÃO "Segundo as últimas notícias, a literatura moçambicana acabou. Um pré-aviso para este fim inglório, agora anunciado, surgiu há cerca de dois anos quando um grupo de jovens decretou a sua morte. Dada a abolição da pena de morte da ordem jurídica e penal do país, a sentença então pronunciada foi alvo de alguma polémica e causou agitação nos potenciais candidatos ao tenebroso corredor." O livro "Manual para Incendiários e Outras Crónicas" é um conjunto de crónicas publicadas entre 2000 e 2009 na imprensa portuguesa e moçambicana (Jornal de Letras, Savana, África Lusófona e Angolé), cujo fio condutor é a ironia do processo de escrita.

04.10.2012 | por Luís Carlos Patraquim

Manual para Incendiários e Outras Crónicas - PRÉ-PUBLICAÇÃO

Manual para Incendiários e Outras Crónicas - PRÉ-PUBLICAÇÃO Este livro é um conjunto de crónicas publicadas entre 2000 e 2009 na imprensa portuguesa e moçambicana (Jornal de Letras, Savana, África Lusófona e Angolé), cujo fio condutor é a ironia do processo de escrita. Repositório humorado das reflexões do autor-cronista sobre a actualidade, Manual para Incendiários e Outras Crónicas prima pelo olhar mordaz e apaixonado sobre a literatura, a identidade moçambicana, a aculturação e a intromissão ocidental. Crónicas desenvoltas que abarcam a Europa, África e as suas gentes, são uma visão destes dois mundos aliada a um vívido humor.

02.10.2012 | por Luís Carlos Patraquim

Manifesto Antropófago

Manifesto Antropófago No país da cobra grande. Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil. Uma consciência participante, uma rítmica religiosa. Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar. Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem n6s a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

27.09.2012 | por Oswald de Andrade

Crónica de uma vitória anunciada

Crónica de uma vitória anunciada A mudança mais relevante em Angola tem a ver com a juventude. Os jovens de hoje, os quais representam a maioria da população angolana, já não se mostram tão traumatizados pela guerra civil quanto os respectivos pais. Estão também muito melhor informados e decididos a reinvidicar a parcela da riqueza do país a que têm direito. Dez anos após a morte em combate de Jonas Savimbi, no Leste de Angola, a juventude angolana está muito mais interessada no presente, e no futuro, do que no passado

28.08.2012 | por José Eduardo Agualusa

Manifesto I - Em prol do reconhecimento da actividade musical em PT

No rescaldo de uma conversa de há uns minutos, a propósito de um ensaio ("A Importância de Tratar o músico como profissional e não um animador") que escrevi para uma revista de solidariedade social, dei por mim a pensar que há ensaios que têm de ser manifestados oralmente. Aos que não lêem, porque se desabituaram, e aos que queriam ler mas estão, infelizmente, fisicamente incapacitados para o poder fazer. Soraia Simões muralsonoro.tumblr.com

16.08.2012 | por Soraia Simões

Transpor as fronteiras da música: I hate world music

Transpor as fronteiras da música: I hate world music Detesto a world music. Essa é provavelmente uma das perversas razões por que me pediram para escrever sobre o tema. Trata‐se de um chavão amplo que se refere à música não ocidental de todo e qualquer género, desde a música popular à música tradicional e até à música clássica. É uma categoria pseudomusical e de marketing e um nome que designa uma prateleira na loja de discos onde se encaixa tudo o que não cabe em qualquer outro ponto da loja.

20.07.2012 | por David Byrne

A música do mundo é maior que a world music

A música do mundo é maior que a world music A world music é, portanto, um paradoxo contemporâneo: um mundo heideggeriano, onde todos somos vítimas e algozes, controlados e controladores. Sem nos darmos conta disso, trabalhamos para a unidade do planeta e, vice-versa, para o crescimento e a proliferação da diversidade local, que se afirmam em múltiplas minirrealidades espalhadas como poeira em todo o globo.

20.07.2012 | por Gilberto Gil

Congoleses e congolesas,

Congoleses e congolesas, (No acto de proclamação da independência do Congo, não foi dada a palavra a Patrice Lumumba. Mas ele levantou-se e falou, dirigindo-se ao seu povo, não tratando o rei da Bélgica por «majestade» mas por «Sire»)

26.05.2012 | por Patrice Émery Lumumba

Translucidez

Translucidez Há uma guerra não declarada entre os habitantes do bairro residencial e os que vivem nos blocos de habitação social. É uma guerra silenciosa, mas, como em todas as guerras, assenta num ódio que não conhece excepções.

16.05.2012 | por Ana Cássia Rebelo