Cumplicidade: constelação possível

Cumplicidade: constelação possível Tal como muitas de nós — muitas de nós que temos ocupado várias ordens de solidão — procuro cúmplices. E quando digo que procuro cúmplices, quero dizer que procuro corpos falantes e significantes que, empáticos antes de simpáticos e implicados antes de similares, procurem, de forma conjugada entre si, lançar-se ao conjunto material e comunitário do mundo, correr o risco mal-calculado de uma vulnerabilidade imprevisível, e exercer muita, muita pressão sobre o conceito da justa medida.

Corpo

13.10.2017 | por Daniel Lourenço

Violência, morte e direitos humanos: o genocídio da população negra como normalidade democrática

Violência, morte e direitos humanos: o genocídio da população negra como normalidade democrática Falta a certos discursos uma compreensão histórica do papel que a raça desempenha na construção da modernidade ocidental capitalista, de sua promíscua indissociabilidade. W. E. B. Du Bois foi talvez um dos primeiros pensadores afroamericanos a revelar, com bastante argúcia, as cumplicidades entre modernidade e terror.

A ler

06.09.2017 | por Marcos de Jesus

Um apocalipse comosgónico, sobre "Deus Dará"

Um apocalipse comosgónico, sobre "Deus Dará" “Mas se a história for o arco, o narrador será o arqueiro que liga os mortos aos vivos. Os índios sabem que os mortos dão flor e fruto, e a sombra deles vai longe no horizonte.” Da chegada dos navegadores portugueses e da insistência historiográfica em falar de descoberta (esquecendo a invasão, a mortandade, a exploração, a colonização) às manifestações contra a Copa do Mundo, de Machado de Assis a Caetano Veloso, da prosa mais arrumada ao estilhaçar de géneros literários, com imagens, recortes e tudo, dos emigrantes que ajudaram a definir o Rio de Janeiro às UPP que instauram o estado policial nas favelas, quase nada do que é, foi ou será o Brasil que conhecemos ou queríamos conhecer é estranho a este livro e, mais importante, nada surge aqui por acaso ou vontade de fazer bonito numa qualquer caracterização arrumada do que é ou não esse Brasil.

A ler

05.07.2017 | por Sara Figueiredo Costa

A Destruição do Corpo Negro

A Destruição do Corpo Negro Esta consciência da fragilidade do corpo negro dentro de uma história de ataques sistemáticos condicionou a educação e o comportamento de gerações e gerações de negros. Qualquer atitude fora dos padrões de submissão e obediência definidos pelos brancos podia ser entendida como insolência e ameaça, logo, como justificação para a violência. Responder a um insulto, fazer gestos mais bruscos, olhar o outro nos olhos, exigir respeito, eram comportamentos que podiam, de um momento para o outro, abrir as portas do inferno e fazer recair sobre o corpo negro a violência pronta a explodir da população branca.

Mukanda

20.05.2017 | por Bruno Vieira Amaral

Primavera na FCSH, Contra o Fascismo

Primavera na FCSH, Contra o Fascismo Convidamos todas as pessoas que estudam e trabalham, ou que já estudaram e já trabalharam na FCSH a juntarem-se a nós no dia 21 de março, pelas 16h na esplanada da faculdade. Para que esta celebração da Primavera seja um momento de afirmação de que o fascismo não passará na FCSH.

Cara a cara

17.03.2017 | por vários

“Estávamos em terreno desconhecido, com hábitos particulares. É preciso ter sensibilidade e ter em conta tudo isso”, entrevista a Bruno Moraes Cabral

“Estávamos em terreno desconhecido, com hábitos particulares. É preciso ter sensibilidade e ter em conta tudo isso”, entrevista a Bruno Moraes Cabral Mesmo nas filmagens correu tudo espantosamente bem. Mas houve também muito cuidado da nossa parte. Estávamos em terreno desconhecido, com hábitos particulares. É preciso ter sensibilidade e ter em conta tudo isso. Tivemos sempre essa preocupação: não era chegar a um sítio e filmar tudo o que nos apetecia como se estivéssemos à porta de nossa casa. Não agimos assim. Tento sempre filmar da mesma forma que filmaria aqui numa aldeia: falar com as pessoas primeiro e perceber que espaço tenho para fazer o que gostaria, e adaptando-me sempre a essas sensibilidades. E fazendo assim as coisas acabam por correr bem.

Cara a cara

14.03.2017 | por Mariana Pinho

“As histórias de crimes do colonialismo neste século estão largamente por contar”, entrevista a Fernando Rosas

“As histórias de crimes do colonialismo neste século estão largamente por contar”, entrevista a Fernando Rosas A série foca-se no ciclo africano do império português, e esse é um século marcado por violência. O colonialismo é uma forma de violência, uma forma de domínio de sociedades que eram dominados pela superioridade militar, técnica e económica das civilizações europeias. E esse domínio exerceu-se de forma violenta. Restringindo e esmagando os direitos das populações autóctones e imponde-lhes um modo de produção injusta, de forma a assegurar a acumulação do sistema colonial.

Cara a cara

06.03.2017 | por Mariana Pinho

A pertinência de se ler Fanon, hoje - parte 2

A pertinência de se ler Fanon, hoje - parte 2 Uma análise multi e transdisciplinar, multidimensional, da violência como realidade inerente à situação colonial que está presente em todas as expressões materiais e simbólicas da sociedade, mesmo depois das independências, detendo-se demoradamente na terapêutica da violência como inevitável, pois «as posições defensivas surgidas do confronto violento do colonizado com o sistema colonial organizam-se numa estrutura que revela então a personalidade colonizada».

Mukanda

07.10.2015 | por Inocência Mata

A pertinência de se ler Fanon, hoje - parte 1

A pertinência de se ler Fanon, hoje - parte 1 Fanon diagnostica, como resultado dessa violência política, económica, social e cultural do opressor – que resulta em massiva horda de marginalizados com ódio ao outro (também decorrente do «medo ao outro») –, uma reacção incontrolada do oprimido: violência gerada pelo recurso às regressões identitárias e étnicas. Esta é uma das evidências da actualidade da sua obra se pensarmos que esta é a situação que (ainda) vivemos hoje.

Mukanda

07.10.2015 | por Inocência Mata

Estudos sobre a violência no contexto de Cabo Verde e Guiné Bissau

Estudos sobre a violência no contexto de Cabo Verde e Guiné Bissau Mais do que o comprazimento no pathos da definição, importa, sim, que os estudos sobre a violência se mostrem capazes explorar o alcance do conceito através de uma abordagem específica dos contextos diferenciados em que determinadas práticas ou comportamento, determinados actos ou discursos, certas acções e omissões, são percebidos como violentos. Só este trabalho de contextualização permite captar o carácter multidimensional do problema e, nomeadamente, evitar lugares comuns e chavões persistentes, como, por exemplo, os que localizam em certas camadas jovens ou em certos grupos étnicos ou sociais uma particular tendência ou potencial de violência, muitas vezes vistos como inatos ou como imanentemente constitutivos de uma identidade.

A ler

08.02.2013 | por António Sousa Ribeiro

Delinquência juvenil na Praia

Delinquência juvenil na Praia A delinquência juvenil trata-se de um dos temas de maior atenção em Cabo Verde e, em particular, na cidade da Praia, pelos vários motivos que os autores referem nos seus trabalhos. Numa perspectiva mais ampla, a delinquência juvenil é, seguramente, um dos domínios mais escrutinados actualmente, associado à violência urbana e à guerra de gangs ou bandos, conforme o lugar a que se refere a análise. No que se refere aos textos sobre a cidade da Praia, considero que cumprem aquilo a que academia deve se dedicar, ou seja, propõem quadros outros de leitura da realidade e apontam os limites das leituras hegemónicas feitas até ao momento sobre a realidade cabo-verdiana.

A ler

08.02.2013 | por Iolanda Évora

Violência na Guiné Bissau

Violência na Guiné Bissau Quando pensamos em segurança na Guiné-Bissau, a imagem que dai resulta é a da violência política e militar, dos sucessivos golpes de estado, dos assassinatos políticos e da impunidade, e do narcotráfico. Recentemente, podemos ainda acrescentar o terrorismo e o tráfico de seres humanos. Ora, por causa destas preocupações, a atenção, as políticas e os fluxos financeiros têm sido desviados para as questões da segurança e as suas dimensões internacionais. Um dos exemplos claros deste desvio é a atenção dada à Reforma do Sector da Segurança: Reformar os militares é tido como essencial para um cenário de paz e desenvolvimento na Guiné-Bissau. Isto baseado no princípio que não há paz sem desenvolvimento nem desenvolvimento sem paz. Este posicionamento tem remetido para segundo plano outras dimensões das dinâmicas sociais na Guiné-Bissau que se vão tornando invisíveis; como também tem remetido para segundo plano muitas das reais preocupações dos guineenses em matéria de segurança.

A ler

08.02.2013 | por Ana Larcher

O polícia que assassinou o Kuku foi absolvido

O polícia que assassinou o Kuku foi absolvido Do ponto de vista Racial também tem funcionado perfeitamente. Legitimando a violência estrutural racista da qual a violência policial é uma parte, ou os desalojamentos e remoções de pessoas é outro. Legitimando o uso da forca para manter nos no nosso lugar. O Não lugar.

Mukanda

05.12.2012 | por Chullage

Thugs no feminino: um breve olhar sobre o fenómeno

Thugs no feminino: um breve olhar sobre o fenómeno Claramente que o fenómeno da existência de grupos femininos em actividades delituosas não é novo em Cabo Verde, nem a existência de brigas entre “konbossas” (onde o troféu é o homem). No entanto, a adesão de jovens do sexo feminino em actividades grupais de hooliganismo pode ser considerada uma novidade. A moda pode não ter pegado no rap, mas pegou na manifestação thug da violência. De facto, deparo-me hoje na Praia com alguns grupos thugs femininos, em que as principais actividades são o “kasu bodi” e o hooliganismo.

Cidade

28.12.2011 | por Redy Wilson Lima

Marcha pelo Fim da Violência contra as Mulheres

Marcha pelo Fim da Violência contra as Mulheres É tão antiga como a Humanidade. Envergonha e diminui. É uma violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais. É um crime público. É uma barreira à igualdade de género. Uma em cada quatro mulheres é alvo de violência. O espaço doméstico tem sido o maior palco de violência contra as mulheres. Quem bate nas mulheres fere toda a família. É preciso combater a violência sexista. É urgente mudar as mentalidades e eliminar a violência contra as mulheres. Somos contra a impunidade da violência contra as mulheres.

Mukanda

11.11.2011 | por UMAR-União de Mulheres Alternativa e Resposta, Movimento SlutWalk Lisboa e Associação ComuniDária