Louco é quem não sonha

Louco é quem não sonha Não há ditaduras boas, da mesma forma que não há doenças boas. Há democracias avançadas e vigorosas e há democracias em crise, democracias frágeis, democracias necessitadas de um novo começo. O que não há com toda a certeza é democracias que possam ser substituídas com proveito por uma qualquer ditadura. Nenhuma democracia é tão má que consiga ser pior do que a melhor ditadura. Tempos como aqueles que vivemos são susceptíveis de engendrar monstros. Contudo, também são capazes de gerar sonhos enormes e poderosos. Mais do que nunca é urgente revisitar utopias antigas e projectar novas. É urgente procurar outros caminhos. Sonhar não é loucura. Loucura, hoje, é não sonhar.

15.04.2016 | por José Eduardo Agualusa

Ensaio (?) sobre o Perdão

Ensaio (?) sobre o Perdão Ao longo desses anos, a prioridade era o esforço de guerra e, concomitantemente, a educação e a saúde foram ocupando lugares periféricos na distribuição do orçamento, pois precisavam-se de soldados e não de doutores. Preocupante é, no entanto, que 14 anos depois do silenciar/ribombear dos canhões essas rubricas não tenham ainda o posto cimeiro das prioridades de investimento, preteridas consistentemente para a “segurança”(?).

05.04.2016 | por Luaty Beirão

Os pequenos segredos da raça em "Crítica da Razão Negra", de Achile Mbembe

Os pequenos segredos da raça em "Crítica da Razão Negra", de Achile Mbembe O livro de Achille Mbembe impõe-se como uma reflexão sobre o pensamento da diferença e a condenação do seu culto. Ele continua com uma pertinência impressionante, a sua crítica política, cultural e estética do nosso tempo. O malicioso piscar de olhos do título à Crítica da razão pura de Kant não é neutra: Efetivamente, Achille Mbembe debruça-se sobre uma crença, a crença que fundamenta a desigualdade entre os homens: a raça. E fá-lo, citando claramente Césaire quando evoca a violência da conquista colonial no Discurso sobre o colonialismo: «Não nos libertaremos dele com facilidade».

24.03.2016 | por Olivier Barlet

"Entre mim e o mundo" - PRÉ-PUBLICAÇÃO

"Entre mim e o mundo" - PRÉ-PUBLICAÇÃO "Entre mim e o mundo" é uma reflexão profunda e pessoal, muitas vezes indignada, sobre o racismo. Numa carta ao filho adolescente, Ta-Nehisi Coates recorda a sua infância e juventude num bairro violento de Baltimore, o despertar intelectual por via dos livros, dos discursos de Malcolm X e de mulheres amadas. Dolorosamente, relembra ainda a perda de um colega de faculdade, também ele negro, vítima de uma perseguição policial. O BUALA publica as primeiras páginas do livro que pôs a América a discutir o racismo.

14.03.2016 | por Ta-Nehisi Coates

"Alzira está morta" - PRÉ-PUBLICAÇÃO

"Alzira está morta" - PRÉ-PUBLICAÇÃO Era um abril chuvoso. A estiva agitada no cais de Salvador. Não era um bom dia para partir. Alzira estava lá, pronta. Bagagem bem ajeitada em malas de couro e ferro feitas no Taboão. Resistiriam bem àquela rota mítica tantas vezes navegada. Lagos era a meca dos negros da Bahia. Ao menos para aquela intelligentsia que conhece sua história e sua civilização. Ela envaidecida. Tal como outros distintos, conheceria Lagos, Alzira mesma, com todos os seus sentidos. Também ela desfrutaria daquela aura. O livro "Alzira está morta" será lançado a 14 de abril no Hangar, Lisboa.

14.03.2016 | por Goli Guerreiro

A pele de Cavaco e os milagres de Marcelo

A pele de Cavaco e os milagres de Marcelo Grande não seria Portugal romper o ufanismo? De que adianta suturar, unir e rir, se por baixo a coisa continuar preta? Enquanto alguém quiser o pastiche de uma nau ou um museu para “celebrar os Descobrimentos” não teremos avançado. Portugal continuará a repetir os velhos mitos que o confortam e adiam, ora desconfiado, ora ufano, nunca mudando o ponto de vista. Não se trata de celebrar ou largar o passado, mas de o encarar a partir do que investigadores têm feito e, espera-se, continuarão a fazer (...). Incorporar esse refazer da história nas escolas, na política, na diplomacia, sem saudade e sem lamento, seria a coragem que ainda não houve.

13.03.2016 | por Alexandra Lucas Coelho

PRÉ-PUBLICAÇÃO "Cartas de Amílcar Cabral a Maria Helena: a outra face do homem"

 PRÉ-PUBLICAÇÃO "Cartas de Amílcar Cabral a Maria Helena: a outra face do homem" Cartas que Amílcar Cabral escreveu a Maria Helena Vilhena Rodrigues, no período de 1946 a 1960, marcando a relação amorosa e as tensões e conflitos histórico-existenciais da relação do casal no contexto de um Portugal, na altura, fascista e colonial, no qual imperava o racismo e a segregação. O livro também faz um apanhado sobre o afrontamento anticolonial em torno da geração de africanos então presentes em Lisboa e da famosa Casa dos Estudantes do Império, onde germinariam os grandes líderes africanos da segunda metade do século XX. A obra traz novos paradigmas de diálogos interculturais e inter-raciais, com elementos matriciais de uma interpelação humanista susceptíveis de provocar interesse em face dos atuais acontecimentos mundiais.

09.03.2016 | por vários

"Os 'factos' não são apenas extraordinários e de enorme singularidade".

"Os 'factos' não são apenas extraordinários e de enorme singularidade". Uma história construída com sangue, mas também alicerçada num combate contínuo e, por fim, vitorioso contra a barbárie da espoliação esclavagista e colonial. Uma história que testemunha, pela sua enorme duração, a vitalidade inextinguível da Sagrada Esperança de Agostinho Neto.

02.02.2016 | por Elikia M'Bokolo

O herói insolente

O herói insolente Henrique Luaty da Silva Beirão, 33 anos, é o improvável herói de um movimento de democratização que cresce todos os dias, tirando o sono ao Presidente José Eduardo dos Santos. Estendido numa cama de um hospital-prisão, em Luanda, em greve de fome, Luaty Beirão está a mudar a História de Angola

19.10.2015 | por José Eduardo Agualusa

A pertinência de se ler Fanon, hoje - parte 2

A pertinência de se ler Fanon, hoje - parte 2 Uma análise multi e transdisciplinar, multidimensional, da violência como realidade inerente à situação colonial que está presente em todas as expressões materiais e simbólicas da sociedade, mesmo depois das independências, detendo-se demoradamente na terapêutica da violência como inevitável, pois «as posições defensivas surgidas do confronto violento do colonizado com o sistema colonial organizam-se numa estrutura que revela então a personalidade colonizada».

07.10.2015 | por Inocência Mata

A pertinência de se ler Fanon, hoje - parte 1

A pertinência de se ler Fanon, hoje - parte 1 Fanon diagnostica, como resultado dessa violência política, económica, social e cultural do opressor – que resulta em massiva horda de marginalizados com ódio ao outro (também decorrente do «medo ao outro») –, uma reacção incontrolada do oprimido: violência gerada pelo recurso às regressões identitárias e étnicas. Esta é uma das evidências da actualidade da sua obra se pensarmos que esta é a situação que (ainda) vivemos hoje.

07.10.2015 | por Inocência Mata

The Current Situation (2015)

The Current Situation (2015) A situação atual diz-nos de que forma devemos criar empatia com as imagens do mundo. Ou como as imagens do mundo são elas próprias empatia, compreensão. Um sistema económico abstrato que copia o caos natural de forma obsessiva. Distribuição, ou relação. Ato de transposição e de conflito eterno e permanente.

27.04.2015 | por Pedro Barateiro

Vidas Negras Importam | Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial

Vidas Negras Importam | Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial Porque as Vidas Negras importam, seguiremos lutando contra as estruturas que produzem e favorecem o racismo e a discriminação racial, em Portugal.

19.03.2015 | por vários

Carta aberta ao governador Rui Costa, da Bahia

Carta aberta ao governador Rui Costa, da Bahia História é um fio inquebrantável, governador, e por isso acho importante falar de rebeliões escravas. E repressão por parte das polícias. Outra rebelião importante a ser lembrada, e que também possui ligações com o Cabula, é a Rebelião Malê, cuja repressão foi uma das maiores já perpetradas pelo governo brasileiro, mas cuja repercussão, hoje sabemos, foi de suma importância para começar a se pensar sobre o fim da escravidão no Brasil. Imagine-se, governador, vivendo naquela época e sendo responsável pela segurança pública da capital baiana onde já vivia, talvez, o maior número de negros da América Latina.

28.02.2015 | por Ana Maria Gonçalves

Chegar atrasado à própria pele

Chegar atrasado à própria pele O que perdi enquanto não percebi que era negra não foi por isso qualquer coisa de exterior à experiência de percebê-lo. Não perdi parte da minha vida enquanto a negra que sou, mas parte da minha relação com a pessoa que poderia ter sido se o tivesse percebido anteriormente: um monólogo de difícil tradução.

08.01.2015 | por Djaimilia Pereira de Almeida

PRÉ-PUBLICAÇÃO Crítica da Razão Negra

PRÉ-PUBLICAÇÃO Crítica da Razão Negra Da potencial fusão do capitalismo e do animismo resultam algumas consequências determinantes para a nossa futura compreensão da raça e do racismo. Desde logo, os riscos sistemáticos aos quais os escravos negros foram expostos durante o primeiro capitalismo constituem agora, se não a norma, pelo menos o quinhão de todas as humanidades subalternas. Depois, a tendencial universalização da condição negra é simultânea com a instauração de práticas imperiais inéditas que devem tanto às lógicas esclavagistas de captura e de predação como às lógicas coloniais de ocupação e exploração, ou seja, às guerras civis ou razzias de épocas anteriores.

30.09.2014 | por Achille Mbembe

A subida eleitoral da extrema direita na Europa

A subida eleitoral da extrema direita na Europa A elite conservadora de direita portuguesa sustentou e suporta, ainda hoje, todas as teorias do lusotropicalismo e de angolanidade de Mário António, só desta forma consegue defende a ideia de um Portugal historicamente virado para o Atlântico ou mar, recusando, por conseguinte, valorizar o papel político de Portugal na Europa.

09.07.2014 | por Plataforma Gueto

Da injustiça da escravidão dos negros, considerada em relação aos seus senhores - PRÉ-PUBLICAÇÃO

Da injustiça da escravidão dos negros, considerada em relação aos seus senhores - PRÉ-PUBLICAÇÃO Em 1781, o iluminista Condorcet escrevia um violento libelo contra a escravatura, que se converteria numa obra clássica de denúncia. Ensaio intemporal, famoso pela posição veemente do autor e publicado sob pseudónimo, «Reflexões sobre a Escravidão dos Negros» é, em última instância, uma condenação das injustiças e um apelo ao fim da indiferença social, para que cessem os ultrajes aos princípios que norteiam a Humanidade. A presente edição inclui ainda os textos «Ao Corpo Eleitoral, contra a Escravidão dos Negros», destinado a apaziguar os receios económicos dos colonos da época, e «Sobre a Admissão de Deputados dos Plantadores de São Domingos à Assembleia Nacional», que põe em causa o direito dos esclavagistas à representação parlamentar.

21.01.2014 | por Condorcet

Carta ao Presidente de Moçambique

Carta ao Presidente de Moçambique Quem deixa andar o crime, a violência e a pobreza, quem deixa andar a corrupção, o compadrio e as associações criminosas? Quem nomeia, ou aceita a nomeação, de um criminoso condenado a prisão maior para comandante de uma das principais forças policiais no centro do país? Quem se apropria de toda a riqueza e ao povo maravilhoso oferece discursos e dessse maravilhoso povo quer retirar (ou gerir, como o senhor diz) qualquer expectativa? Quem só se preocupa com os recursos que estão em baixo do solo, mandando passear as pessoas,os problemas e as opções de vida construídas em cima desse solo? Quem privatiza os benefícios económicos e financeiros dos grandes projectos, e depois mente dizendo que ainda não existem?

06.11.2013 | por autor desconhecido

Ausência de escritores negros brasileiros na Feira de literatura de Frankfurt

Ausência de escritores negros brasileiros na Feira de literatura de Frankfurt Para além do epistemicídio e do racismo institucional que tal postura desvela, a partir da violação de direitos constitucionais, acrescentamos a perversa relação que há entre as grandes editoras – capital privado –, seus catálogos e o apoio estatal evidenciado na lista da Feira de Frankfurt/2013. Por esses motivos, reafirmamos nossa posição contrária a qualquer ação ou evento que signifique e que resulte na exclusão da literatura negra nos anais culturais nacionais e internacionais.

11.10.2013 | por autor desconhecido