Angola – o nascimento de um movimento pelo Direito à Habitação, e a importância da integração de lutas locais, nacionais e globais

Angola – o nascimento de um movimento pelo Direito à Habitação,  e a importância da integração de lutas locais, nacionais e globais É certo que as demolições e despejos forçados vão continuar em Angola, mas também é certo que as comunidades e os movimentos se estão a fortalecer, à custa de muita coragem, mas também por saírem do isolamento em que viviam.

20.08.2010 | por Rita Silva

Luanda e Salvador rediscutem seus laços por meio da arte

Luanda e Salvador rediscutem seus laços por meio da arte Salvador, na Bahia, e Luanda, em Angola, são cidades primas. Mas são como primas distantes: elas têm uma forte ligação familiar, mas perderam o contato uma com a outra com o passar dos anos. Por meio dessa imagem, o artista plástico e curador angolano Fernando Alvim sintetiza sua visão sobre as relações entre a capital de Angola e a capital da Bahia, o estado com maior presença negra no Brasil.

09.08.2010 | por Juliana Borges

Ciudad Sur de Pablo Brugnoli

Ciudad Sur de Pablo Brugnoli Reflexões em torno da entrevista e da conferência CIUDAD SUR apresentada por Pablo Brugnoli no Próximo Futuro. Conforme então afirmou, CIUDAD SUR é a revisão de ideias, práticas e projectos de colectivos de arquitectos e artistas, com trabalhos recentes de reinterpretação de cidades do cone sul da América (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) que apostam na valorização da reconstrução comunitária, tanto nos processos como nas dinâmicas sociais e culturais.

12.07.2010 | por Cristina Salvador

Homens inseguros que fazem de 'seguranças'

Homens inseguros que fazem de 'seguranças' Em Luanda, onde a febre da segurança lateja à luz de um sol dengoso e desmotivante, há avenidas que são autênticas caixas-fortes – de um lado e doutro, dezenas de guardas ganham (mal) a vida sentados em cadeiras improvisadas, bancos e bancadas, onde fazem de tudo um pouco: dormem, trocam ideias e comem, trabalham. A sua utilidade é duvidosa (têm falta de formação adequada, muitas vezes não estão armados nem alimentados convenientemente) mas a verdade é que estes homens fazem parte da paisagem e dinâmica da capital angolana.

21.06.2010 | por Miguel Gomes

Mindelo: entre a Ficção e a Realidade

Mindelo: entre a Ficção e a Realidade Descoberta em 1462 por Diogo Gomes, S.Vicente manteve-se praticamente deserta até princípios do séc. XIX, apesar de várias tentativas de colonização, realizadas durante o séc. XVIII. Tentativas frustradas pelas secas que, numa ilha tão escassa em água potável, tornavam a sobrevivência praticamente impossível. Assim é que, em 1813, a população de S. Vicente, estava reduzida a um punhado de “aventureiros, pastores de rebanhos alheios, prostitutas e degregados”.

17.06.2010 | por Ana Cordeiro

Tambor rebentando o silêncio amargo, a vida cultural na Mafalala

Tambor rebentando o silêncio amargo, a vida cultural na Mafalala Ali viveu Craveirinha e Eusébio aprendeu a jogar. Moraram lá Machel, Chissano, Mocumbi. É só estrelas no bairro que tem nome de dança macua - Li-Fa-La-La -, pronto para receber os turistas do Mundial de Futebol. A história do bairro da Mafalala faz-se ainda muito de relatos orais, por isso um passeio para ver pelos seus olhos, ouvir com os seus ouvidos e sentir tudo o resto será melhor do que ler esta reportagem.

03.06.2010 | por Marta Lança

Praia, Movendo, Arte

Praia, Movendo, Arte A cidade da Praia tem hoje cinco vezes mais gente do que há trinta anos atrás. Gente que veio de toda a parte: de outras cidades e vilas de Cabo Verde, de outros países africanos que ouviram dizer que aqui há paz e prosperidade, da China os comerciantes, da Europa os investidores externos, jovens e aventureiros atraídos pela curiosidade ou por contágio, deram com este país e alguns aqui deixaram marcas. Continua. Este pequeno país está nas bocas do mundo. Cineastas fazem filmes em Cabo Verde e sobre Cabo Verde, encenadores peças de teatro, qualquer canto de cada ilha já foi fotografado milhentas vezes, vários livros foram escritos, há colóquios internacionais sobre nós, a nossa língua, o nosso caso de sucesso no mundo.

01.06.2010 | por César Shofield Cardoso

Sem Sol - Regresso à Guiné-Bissau

Sem Sol - Regresso à Guiné-Bissau “Cinco Áfricas/Cinco Escolas”, a representação portuguesa na 8ª Bienal de Arquitectura de São Paulo, reflecte as diferentes realidades dos países africanos cuja língua oficial é a portuguesa. Para cada um deles, um protótipo de escola desenvolvido por outras tantas equipas de arquitectura. Para a Guiné-Bissau, Pedro Maurício Borges projectou uma Escola Básica na cidade de Cacheu. Num contexto de pobreza extrema, a possibilidade de construir uma escola será uma acção suficiente para suspender qualquer outro tipo de consideração crítica. Não obstante, para lá do eventual valor humanitário da iniciativa, fica a arquitectura. Num lugar onde ela se cinge – como tudo o resto – ao limiar do que existe, é necessário fazer com pouco. Mas também com muitas outras coisas: com as memórias de um país que interessou o mundo.

16.05.2010 | por Diogo Seixas Lopes

A Cidade Camaleão - extractos de um hypomnèmata

A Cidade Camaleão - extractos de um hypomnèmata Os corpos estão fechados, quase fechados. Os corpos são ilhas fantásticas isoladas na matéria. As ilhas são sérias à força de fixarem o horizonte. O horizonte, linha curva e cruel que nos interdita o que está para lá. no Mindelo...

16.05.2010 | por Mattia Denisse

Nós, os do Grande Hotel da Beira

Nós, os do Grande Hotel da Beira Como qualquer casa ocupada tem as suas regras de convivência e de organização. Ali a ordem tem os seguintes representantes: o secretário de unidade, o de corredor, quarteirão e bloco (andar), os quais se reúnem para resolver problemas dos inquilinos, e dirigem o tribunal de moradores numa ex-suíte do hotel, onde se discute quem tem mais direito à casa (uma mulher com crianças leva vantagem) ou que fulano anda a atirar água suja para a varanda de sicrano. Duas regras são fundamentais: “manter a limpeza e o respeito”.

14.05.2010 | por Marta Lança

Lisboa pós-colonial e outras fortalezas na modernidade

Lisboa pós-colonial e outras fortalezas na modernidade Como praticar o cosmopolitismo, se a cidade persiste em criar barreiras entre aqueles que pertencem e os que dela são excluídos? Se os bairros lisboetas tradicionais têm vindo a acolher imigrantes recentes, estes também são rapidamente imobilizados em territórios específicos, como o Martim Moniz, a Praça de S. Domingos, os Restauradores, algumas partes de Alfama, antigo gueto mouro e judeu. Algo que testemunha o carácter sempre multicultural da cidade; tanto os seus momentos mais tolerantes como racistas. Mas, por sua vez, aqueles que vivem há mais tempo em Portugal e cujos filhos já nasceram em Lisboa parecem ter sido relegados, banidos, para não-lugares, as banlieues, locais de ostracismo, bairros sociais que fornecem a matéria-prima que apimenta as noticias sensacionalistas que os repórteres gostam de inventar em torno da criminalidade, violência e diferença.

13.05.2010 | por Manuela Ribeiro Sanches

O sonho de Niemeyer e o Universo Paralelo

O sonho de Niemeyer e o Universo Paralelo Novembro de 1975, num relâmpago milhares de pessoas abandonam a cidade. Termina a colónia, recomeça a contagem. Luanda, capital de Angola, na costa ocidental de África é agora um espaço vazio e aguarda, ansiosa, pelos novos inquilinos. Novos habitantes, nova liberdade. Tal como “ocupas” hoje dentro de edifícios marcados por momentos, recordações, odores de outrora, Luanda antecipa o conceito e recebe de portas abertas os novos ocupantes.

13.05.2010 | por Kiluanji Kia Henda