Território e identidade em Cabo Verde: debate sobre a (frágil) construção identitária em contextos recém independentes no mundo globalizado

Território e identidade em Cabo Verde: debate sobre a (frágil) construção identitária em contextos recém independentes no mundo globalizado Com ênfase nos seus desdobramentos no território, relacionaremos a pretendida indústria do turismo em Cabo Verde com os paradigmas do planejamento estratégico. Isto significa a valorização de parcelas específicas do território beneficiando apenas grupos investidores sem tomar em consideração os impactos sociais, culturais e territoriais de grandes empreendimentos imobiliários. A produção de “não-lugares” e o achatamento cultural da arquitetura dos grandes empreendimentos imobiliários, decorrentes deste modelo de ocupação do território, materializa uma assepsia política da questão identitária.

31.01.2013 | por Andréia Moassab

Interações reflexivas sobre o novo plano MARTIM MONIZ

Interações reflexivas sobre o novo plano MARTIM MONIZ No campo das liberdades parece-nos que, em relação a este projecto de requalificação, as comunidades locais estão privadas de algumas liberdades instrumentais de Sen. Nomeadamente a das liberdade políticas, dispositivos económicos, oportunidades sociais e garantias de transparência. A Câmara Municipal de Lisboa optou por uma estratégia que poderá ser válida, mas que parece contraditória com o seu discurso oficial. A história recente da Praça do Martim Moniz conta-nos que a artificialidade do seu uso comercial face ao seu quotidiano deriva em falência, embora tenhamos que expectar pela inauguração e ocupação dos novos edifícios da EPUL para melhor validar a viabilidade económica do novo projecto.

07.10.2012 | por António Guterres

Morte de um teatro em Luanda, vítima dos promotores - Elinga

Morte de um teatro em Luanda, vítima dos promotores - Elinga Um importante centro da cultura angolana, o teatro Elinga, vai desaparecer, como tantas casas antigas do centro da capital. Os arranha-céus, esses, crescem como cogumelos e deslocam para os subúrbios, a toque de bulldozers selvagens e de bastonadas da polícia, os musseques, essas favelas angolanas sem água nem eletricidade em que se amontoa a maior parte dos 6 a 7 milhões de habitantes de Luanda. ”As autoridades pretendem fazer de Luanda o Dubai da África austral, lembra Claudia Gastrow, Mas não se vê a lógica urbanística nem a coordenação. O centro da cidade não é mais que uma fachada. “Copiar o modelo Dubai? Até ao ponto de projetar construir, como no Golfo, ilhas artificiais ao largo de Luanda.

28.09.2012 | por Christophe Châtelot

Luanda por terra água e ar

Luanda por terra água e ar Luanda por terra água e ar foi produzido durante uma viagem de investigação a Angola entre Abril e Junho de 2012, no âmbito do Prémio Távora. No filme, os testemunhos apresentados apontam para um diálogo genuíno entre o bairro e a cidade (e o Mundo). Apontam para um relação recíproca entre privado e coletivo, entre biografia e história. Desafiam o lugar-comum propulsor de uma “cidade global” (rica) rodeada por “bairros pobres” (desesperados). Luanda é muito mais complexa do que isso.

24.09.2012 | por Paulo Moreira

A África que anda a fazer suar Lisboa

A África que anda a fazer suar Lisboa “O B.Leza nasceu de uma história de amor”, em 1995, no Palácio Almada Carvalhais. 12 anos depois, uma ação de despejo contra o Casa Pia Atlético Clube – que subalugava o espaço ao B.Leza – atrapalhou as entrelinhas. Atrapalhou mas não matou. Após cinco anos à procura de casa, hoje revivem-se as noites de morna e coladeira. “Havia saudades do B.Leza”. Por isso é que, para além de um público jovem e renovado, continuam a ver-se os clientes do passado.

28.05.2012 | por Rute Barbedo

Barbeiros, barbearias em Mindelo – Cabo Verde

Barbeiros, barbearias em Mindelo – Cabo Verde Na Tanzânia dos anos 90, nos Estados Unidos de há décadas, em Cabo-Verde, mais e mais, ... as barbearias, os barbershops são ateliês ligados de perto à performance das identificações dos homens, um desses cruzamentos a partir dos quais apreendemos os fluxos complexos que produzem e onde se produzem os homens e os coletivos aos diversos rizomas.

08.05.2012 | por Guy Massart

Representação de Luanda em "Chico Nhô" de Jacinto de Lemos

Representação de Luanda em "Chico Nhô" de Jacinto de Lemos É a história, sobretudo, da progressiva exigência e consciência da autonomia dessa literatura para com os padrões culturais da metrópole, do reconhecimento da sua originalidade face aos modelos europeus e das tentativas de a recolocar em esquemas interpretativos próprios: Luanda como expressão duma sociedade crioula contraposta ao resto do país ainda profundamente embebido da original cultura banto, ou como elemento extrínseco na sua realidade de cidade fundada por estrangeiros mas pouco a pouco reconquistada pelos legítimos habitantes da terra e a sua cultura; a Luanda da contraposição Baixa-musseques, o coração pulsante da nação liberta mas precipitada numa guerra civil onde as regras existem só para ser enganadas, ou ainda a capital do “petro-capitalismo” descontrolado.

14.04.2012 | por Alice Girotto

Obra do sonho e de uma tragédia - Moçâmedes

Obra do sonho e de uma tragédia - Moçâmedes Bernardino e Soriano, dois homens antes do seu tempo, erguem uma missão quase impossível de colonizar: Moçâmedes, terra inóspita numa Angola que inspirava fascínios e medos. Com eles cruzam-se Benedita, Peter von Sternberg e Kpengla, as figuras imaginárias do romance histórico de João Pedro Marques. Uma Fazenda em África é lançado hoje em Lisboa Pernambuco, 1848. A tragédia dos portugueses numa noite de ataques indiscriminados na onda de violência de que estavam a ser alvo juntou-se ao sonho de um homem, Bernardino de Figueiredo, de criar uma "coisa espantosa" em África.

07.03.2012 | por Ana Dias Cordeiro

Nu kre casa!!! - a habitação como direito no contexto caboverdiano

Nu kre casa!!! - a habitação como direito no contexto caboverdiano Todos os seres humanos têm o direito a um lugar adequado para viver, uma habitação segura, confortável e saudável. A habitação como direito humano fundamental é internacionalmente reconhecida, tendo inclusivamente merecido a designação de uma relatoria especial na ONU, desde 2000. Mais do que um direito, para a sua efectivação ampla e duradoura, a moradia adequada deve ser uma noção política e cultural de cidadania. Estima-se que 1,1 bilhão de pessoas vive em condições inadequadas de moradia, apenas nas áreas urbanas espalhadas pelo mundo. A falta de habitação condigna pressiona o meio ambiente e aumentam os riscos à saúde pública. Apesar de fundamental, a habitação tem sido imensamente negligenciada enquanto direito humano.

08.02.2012 | por Andréia Moassab

Thugs no feminino: um breve olhar sobre o fenómeno

Thugs no feminino: um breve olhar sobre o fenómeno Claramente que o fenómeno da existência de grupos femininos em actividades delituosas não é novo em Cabo Verde, nem a existência de brigas entre “konbossas” (onde o troféu é o homem). No entanto, a adesão de jovens do sexo feminino em actividades grupais de hooliganismo pode ser considerada uma novidade. A moda pode não ter pegado no rap, mas pegou na manifestação thug da violência. De facto, deparo-me hoje na Praia com alguns grupos thugs femininos, em que as principais actividades são o “kasu bodi” e o hooliganismo.

28.12.2011 | por Redy Wilson Lima

Burkina Faso – Uagadugu - a capital das duas rodas

Burkina Faso – Uagadugu - a capital das duas rodas Muitas velhas motorizadas, carros muito antigos, alguns dos quais provisoriamente remendados, e bicicletas povoam a rua. Casas planas e rectangulares, de um piso, por vezes de betão, outras de argila, marcam a paisagem.

11.11.2011 | por Sebastian Prothmann

Pela cidade que já o é: as (des)inscrições da África urbana no mundo

Pela cidade que já o é: as (des)inscrições da África urbana no mundo As cidades africanas são inviáveis. Se antes o chamado continente negro nunca deixaria de ser rural, hoje em dia África vive a mais grave das crises urbanas. Na era da urbanização acelerada, as suas cidades crescem incontrolavelmente. Desordenadas e anárquicas, explodem, excedem-se e falham permanentemente.

14.09.2011 | por Ricardo Cardoso

Londres, quem são os verdadeiros selvagens?

Londres, quem são os verdadeiros selvagens? A hipocrisia não acaba aqui. Cameron pensa aumentar os poderes da polícia sobre redes sociais como Twitter, Facebook e BlackBerry Messenger. Fazendo eco dos regimes autoritários, o primeiro-ministro diz que «a livre circulação de informação pode ser usada para o bem. Mas também pode ser usada para o mal». A ironia não se perdeu em nações estrangeiras, tantas vezes objeto da crítica britânica. A Xinhua, agência de notícias chinesa, comenta: «Podemos questionar-nos porque é que os líderes ocidentais… tendem a acusar indiscriminadamente as outras nações de vigilância, mas… assumem o direito de vigiar e controlar a Internet.»

14.09.2011 | por Lara Pawson

A herança de Kalidas

A herança de Kalidas Desde tempos remotos que cidadãos indianos de cultura hindu se estabeleceram em Moçambique, dinamizando o comércio e influenciando a cultura através da gastronomia, da música e do cinema. Oriundos em grande parte do estado de Gujarat, contam com importantes templos em Maputo, Inhambane e Ilha de Moçambique. Existe ainda o mítico «mandir» de Salamanga, erguido em homenagem ao santo Kalidas.

06.07.2011 | por Cristiana Pereira

Centro Histórico de Luanda

Centro Histórico de Luanda A génese pluriétnica da cidade de Luanda exige uma visão estratégica que promova a multiculturalidade que, no caso específico, tem sido alvo de polémica em múltiplos sectores da sociedade civil.

15.06.2011 | por Ângela Mingas

Notas em torno da África Urbana de David Adjaye

Notas em torno da África Urbana de David Adjaye O que mais impressiona a quem sobrevoa o continente africano é a força e variedade da sua natureza, nas cinco “categorizações geográficas” claramente apresentadas por David Adjaye na sua exposição e aqui sublinhadas por Cristina Salvador - a floresta, o deserto, a savana, o prado, a montanha, bem como todas as situações híbridas, entre umas e outras. As cidades moldam-se a estas distintas paisagens, mais concentradas na linha do litoral africano, e esboçam, elas próprias, novas paisagens territoriais, também elas diversificadas e crescentes.

02.06.2011 | por Isabel Raposo

Urban Africa – reflexões sobre cidades africanas

Urban Africa – reflexões sobre cidades africanas Estas novas leituras da urbanidade em África obrigam-nos a reequacionar novos paradigmas, novos modelos de urbanismo como propõe Adjaye, e novas formas de intervenção nas áreas urbanas, que levem em conta a multiplicidade e complexidade que ocorre em cada cidade e que só poderão ser encontradas e geridas localmente. Isto é válido tanto para o que ocorre nos antigos centros das cidades, os seus “corações” que nalguns casos ainda batem, como para as suas réplicas que nasceram posteriormente.

30.05.2011 | por Cristina Salvador

A luta dos moradores do Bairro da Torre. A cultura democrática e a lusofonia

A luta dos moradores do Bairro da Torre. A cultura democrática e a lusofonia Contribuirá a lusofonia para o aprofundamento da democracia nesse espaço que se quer supranacional? A cidadania destes moradores é global, é multicultural, várias nacionalidades cruzam-se numa resposta a um problema que atravessa o globo e que afecta determinadas classes em qualquer parte do mundo, em qualquer tipo de regime político em qualquer tipo de cultura.

28.05.2011 | por Rui Estrela

Urban Africa: Office/MA, Urbanismo Negro

Urban Africa: Office/MA, Urbanismo Negro Mesmo correndo o risco desta acomodação, continuo a achar que é importante debater a questão levantada pelo urbanismo negro. Mesmo o nome – as pessoas me dizem, “Por que você usa o nome urbanismo negro? Por que não chama simplesmente de “urbanismo diferenciado”, ou “urbanismo diverso”, ou “urbanismo cultural”?”. Outra vez, acho isso uma questão legítima, já que urbanismo negro pode gerar muitos mal-entendidos. Mas eu acho que abre espaço para o debate. É deliberadamente um pouco provocativo. “Negro” e “urbanismo”? O que os dois termos têm a ver um com o outro? É exatamente neste ponto que eu quero chegar. Porque quando leio as revistas de arquitetura, não vejo muito de negritude. Vejo branquidão, literalmente. Não vejo muito que seja representativo do que estamos falando – e não estou falando apenas de David Adjaye.

17.05.2011 | por Paul Goodwin

Música, Cidade, Etnicidade: Explorações a Partir de Cenas Musicais em Lisboa

Música, Cidade, Etnicidade: Explorações a Partir de Cenas Musicais em Lisboa O artigo explora cenas musicais actuais em Lisboa, na perspectiva da circulação musical e cultural. Discute os modos como a música e as cidades interagem num contexto acrescido de inter-conexões entre o local e o global. Sugere que a criação e a performação musicais assim como a inovação cultural, não podem ser reduzidas às iniciativas locais ou institucionais. Na base da existência da assim chamada “cultura global”, as cidades reinventam-se, promovendo várias auto-definições (às vezes conflictuais). No caso de Lisboa, esta tendência é acompanhada por um desejo aparentemente acrescido de conectar ou re-conectar o mundo lusófono, que documenta eventualmente as auto-imagens de Lisboa como cidade inclusiva e multicultural. Neste processo, novas formas de etnicidade podem ganhar visibilidade na mercantilização da Luso-World music (ou seja, a World music praticada nos países lusófonos). No horizonte das cidades imaginadas como “megacidades transculturais”, a música tende a ganhar espaço na promoção dos sentimentos de lugar e pertença na, e à cidade.

15.05.2011 | por Jorge de La Barre