Moçambique é uma fantasia pós-colonial

Moçambique é uma fantasia pós-colonial Das múltiplas chaves de entrada em tão eficaz dramaturgia destaco a desconstrução liminar do sistema assistencialista das organizações de ‘ajuda humanitária aos africanos’, a exploração dos refugiados sob o pretexto de um trabalho dignificante, as cenas de contracena e faz-de-conta clássicas à maneira de Molière, a energia contagiante dos ‘números coreográficos’ mimetizando danças de resistência moçambicanas e um trabalho perfeito sobre os equívocos que conduzem a posições racistas quando a identificação de alguém por um colono se sobrepõe à identidade que o ex-colonizado reclama para si.

Palcos

21.08.2017 | por António Pinto Ribeiro

Notas estratégicas quanto aos usos políticos do conceito de lugar de fala

Notas estratégicas quanto aos usos políticos do conceito de lugar de fala Se o conceito de lugar de fala se converte numa ferramenta de interrupção de vozes hegemônicas, é porque ele está sendo operado em favor da possibilidade de emergências de vozes historicamente interrompidas. Assim, quando os ativismos do lugar de fala desautorizam, eles estão, em última instância, desautorizando a matriz de autoridade que construiu o mundo como evento epistemicida; e estão também desautorizando a ficção segundo a qual partimos todas de uma posição comum de acesso à fala e à escuta.

Corpo

19.07.2017 | por Jota Mombaça

Descolonizar os currículos na SOAS, Filosofias do Mundo

Descolonizar os currículos na SOAS, Filosofias do Mundo Da mesma forma, o profundo pensamento filosófico desenvolvido ao longo de milhares de anos na China pode passar sem uma única menção em muitos currículos de filosofia no ocidente. Os estudantes de filosofia devem ser encorajados a travar contacto com o trabalho desafiador de pensadores como Kwami Anthony Appiah, Franz Fanon, Achille Mbembe, Valentin-Yves Mudimbe, Enrique Dussell e Walter Mignolo do mesmo modo que o fazem com Parfit e Strawson. Ou não devemos nós todos assumir a tarefa de nos envolvermos, para citar Nietzsche, com “o que pode ser pensado contra o nosso pensamento”?

Mukanda

04.04.2017 | por World Philosophies

"Papéis da prisão", entrevista a Margarida Calafate Ribeiro

"Papéis da prisão", entrevista a Margarida Calafate Ribeiro O Tarrafal tem de ser compreendido no sistema de campos que o colonialismo português activou ou reactivou justamente para conter as rebeliões, não pode ser visto individualmente, mas no conjunto de campos e prisões de Angola, Moçambique, Guiné, das antigas colónias mas também das cadeias portuguesas onde estavam presos políticos africanos.

Cara a cara

25.02.2016 | por Marta Lança

De Re Vegetalia (desdobramentos e deslocações da tropicalidade em e além da pós-colonialidade)

De Re Vegetalia (desdobramentos e deslocações da tropicalidade em e além da pós-colonialidade) O potencial das obras apresentadas em 'Arquipélago' consiste em entender a paisagem tropical como algo construível; não como um reflexo de imaginários políticos determinados, mas como espaço da potencialidade de ação, da prática de 'environmental citizenship'. Essas “paisagens” evocam a participação e a vontade, a capacidade transformativa do humano e “das coisas”, no caráter processual, matizado e azarento que subjaz às grandes configurações de sentido.

Vou lá visitar

18.12.2014 | por Carlos Garrido Castellano

Os fantasmas do colonialismo regressam

Os fantasmas do colonialismo regressam Na actualidade, a situação de subalternidade para onde o capitalismo empurrou todos os subalternos, ou seja, quase toda a humanidade, faz com que pensemos que talvez se esteja a caminhar em direcção a um “devir-negro” à escala global que já não identifica somente todas as pessoas de origem africana mas toda a humanidade que estiver na situação de subalternidade.

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09.03.2014 | por António Pinto Ribeiro

A Cidade e o Pós-colonial - parte II

A Cidade e o Pós-colonial - parte II Os passados coloniais continuam pre­sentes nos contextos pós-coloniais de várias formas, as quais podem ser encontradas quer na cultura pública, quer em luga­res inesperados do quotidiano e na esfera do mundano, mostrando que os entendimentos comuns em relação ao Império, no período pós-descolonizações, se articulam com uma grande variedade de canais e instituições

Cidade

18.11.2013 | por Nuno Domingos e Elsa Peralta

Feminismo e tradução cultural: sobre a colonialidade do gênero e a descolonização do saber

Feminismo e tradução cultural: sobre a colonialidade do gênero e a descolonização do saber De que forma as teorias feministas no contexto latino-americano “traduzem” e descolonizam a crítica pós-colonial? Que tipos de mediação são necessários nessas traduções feministas e latino-americanas do pós-colonial? Quais são seus limites? Estas são algumas indagações a respeito das tendências teóricas contemporâneas dentro do feminismo que explorarei a seguir na tentativa de mapear – necessariamente de forma abreviada – possíveis rumos para os estudos de gênero e feminismo no contexto latino-americano/brasileiro.

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08.10.2013 | por Cláudia de Lima Costa

Entrevista com Ella Shohat e Robert Stam

Entrevista com Ella Shohat e Robert Stam Argumentamos no livro que os dois termos são impróprios, que a América "Latina" também é indígena, africana e asiática, da mesma maneira que a América supostamente "anglo-saxã" é também indígena, africana e asiática. O projeto de nosso livro é ir além dos estados-nação etnicamente definidos, para uma visão relacional, transnacional das nações como palimpsésticas e múltiplas.

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25.09.2013 | por Emanuelle Santos e Patricia Schor

Epistemologias do Sul

Epistemologias do Sul A relação global etno-racial do projecto imperial do Norte Global vis à vis o Sul Global – metáfora da exploração e exclusão social – é parte da relação global capitalista. Esta hierarquização de saberes, juntamente com a hierarquia de sistemas económicos e políticos, assim como com a predominância de culturas de raiz eurocêntrica, tem sido apelidada por vários investigadores de ‘colonialidade do poder’. Uma das expressões mais claras da colonialidade das relações de poder acontece com a persistência da colonização epistémica, da reprodução de estereótipos e formas de discriminação. A entrada no século XXI, porém, exige uma etnografia mais complexa, que torne visíveis alternativas epistémicas emergentes. Um dos elementos mais críticos desta etnografia é a estrutura disciplinar do conhecimento moderno.

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02.09.2013 | por Boaventura de Sousa Santos e Maria Paula Meneses

Na “Zona Quente” pós-colonial

Na “Zona Quente” pós-colonial A forma particular, histórica, como aparece a regulação das posições de gênero em Moçambique, não dissimula, é óbvio, o caráter estrutural das disposições simbólicas que são necessárias para produzir a sujeição/subjetificação de um sujeito dispersivo e heteróclito que chamaríamos “a mulher”. Desse modo, ampla engenharia social e todo o poder das disposições simbólicas, e da violência, foram mobilizados para reconformar/reconhecer a mulher como um sujeito (assujeitado) no interior das estruturas em transformação do Estado em construção.

Corpo

09.04.2013 | por Osmundo Pinho

Do silêncio a um outro hino, artistas portugueses com discurso pós-colonial

Do silêncio a um outro hino, artistas portugueses com discurso pós-colonial Vídeos de artistas portugueses – Daniel Barroca, Jorge Santos, José Carlos Teixeira, Maria Lusitano, Monica de Miranda, Paulo Mendes e Rui Mourão – nascidos na década de 70 e descendentes de um país com um passado colonial do qual já não participaram, propõem-nos uma reflexão artística sobre certos mitos, marcas e percursos que um certo passado ligado a África deixou num certo Portugal pós-colonial.

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04.01.2013 | por Rui Mourão

Um silêncio colado à língua - ‘imigrantes’ afro-moçambicanos em Portugal

Um silêncio colado à língua - ‘imigrantes’ afro-moçambicanos em Portugal Quantas vezes pensamos no retorno, no passado, e permanecemos quietos, mudos, perante um silêncio colado aos dias que passam, quotidianamente, pelo calendário das nossas vidas e afectos? Quantos rostos e vozes serão necessários para construirmos uma imagem possível e verdadeira deste Portugal pós-colonial?

Jogos Sem Fronteiras

20.12.2011 | por Sheila Khan

Viagens da teoria antes do pós-colonial

Viagens da teoria antes do pós-colonial Os textos aqui publicados apontam para um modo alternativo de utilizar a diferença, na medida em que sublinham outros momentos distintivos, anti-coloniais, face a discursos legitimadores – na pós-colonialidade – de processos de interdependência inevitável, embora geradores de desigualdades económicas, sociais, políticas e raciais. Nesse sentido, os actuais debates em torno do multiculturalismo, da interculturalidade ou da hibridização/mestiçagem não transcendem, em parte, as premissas que enformaram os discursos coloniais e as reacções – anti-coloniais – a estes.

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29.05.2011 | por Manuela Ribeiro Sanches

Recomeçar a partir da Ásia, pós-colonialismo na China

Recomeçar a partir da Ásia, pós-colonialismo na China Como estabelecer uma ética da diferença no quadro da diferença na produção cultural, nas nossas sociedades que prezam a diferença mas são incapazes de criar a diferença? Estaremos a viver uma tirania do ‘outro’? As exposições internacionais erguem uma “cacofonia de vozes” e “espaços de negociação de vários valores”, mas reproduzem discursos e negligenciam a criatividade artística independente e os mundos imaginários alternativos. São algumas das críticas-reflexões apontadas pelos organizadores da Trienal de Cantão.

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08.01.2011 | por Marta Lança

Murmúrios do espio: uma leitura sobre o olhar marginal e exilado da escrita de lídia jorge e suas personagens femininas em "A Costa dos Murmúrios"

Murmúrios do espio: uma leitura sobre o olhar marginal e exilado da escrita de lídia jorge e suas personagens femininas em "A Costa dos Murmúrios" Parte-se do pressuposto que o Romance de Lídia Jorge A costa dos Murmúrios, apresenta uma escrita pós-colonial e um posicionamento político feminino em relação à Guerra Colonial de Portugal na África. Assim, o artigo apresenta um breve resumo da obra, para, em seguida, desenvolver questões sobre o posicionamento social das personagens exiladas; depois comentar a vivência da escritora como mulher e exilada e, finalmente, tecer comentários sobre o seu lugar de fala e propósito da obra. Em suma, o artigo pretende interpretar o texto de Lídia Jorge, considerando sua vivência de exílio e relacioná-la ao seu posicionamento político no momento da escritura do romance.

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27.10.2010 | por Sumaya Machado Lima

Espécies de espaços. Lugares, não-lugares e espaços identitários na obra videográfica de Ângela Ferreira.

Espécies de espaços. Lugares, não-lugares e espaços identitários na obra videográfica de Ângela Ferreira. - sobre três vídeos d’Ângela Ferreira « Untitled » (1998), « Pega » (2000), « Joal la Portugaise » (2004). Se a dualidade territorial, indissociável de um certo percurso biográfico, das deslocações constantes entre África - Moçambique e a África do Sul - e a Europa, marca, indubitavelmente, a obra de Ângela Ferreira, é precisamente essa dualidade territorial que vem inscrever a história no espaço indeterminado do discurso videográfico, apontando para questões relacionadas com a geopolítica e remetendo-nos, simultaneamente, para o trabalho de desconstrução da iconografia e do imaginário coloniais e pós-coloniais que vem sendo sistematicamente desenvolvido pela artista.

Afroscreen

04.08.2010 | por Raquel Schefer

A lusofonia é uma bolha

A lusofonia é uma bolha Que identidades culturais partilham estes países para além da especificidade da língua (que já é muito) e do destino de emigração ser a antiga metrópole? Porque têm de ser tomados em conjunto, como um pacote de países, estas diferentes culturas a quem aconteceu terem sido esquartejadas em países colonizados pelo mesmo poder central? E de que se trata quando se pretende fortalecer a “nossa forma de estar no mundo”? Que olhar é esse nosso olhar? Quem é este nós? À partida um ‘nós’ é feito de coisas muito diversas e, se referido ao português, devia ser o oposto de um motivo de orgulho.

Jogos Sem Fronteiras

26.05.2010 | por Marta Lança

Lisboa pós-colonial e outras fortalezas na modernidade

Lisboa pós-colonial e outras fortalezas na modernidade Como praticar o cosmopolitismo, se a cidade persiste em criar barreiras entre aqueles que pertencem e os que dela são excluídos? Se os bairros lisboetas tradicionais têm vindo a acolher imigrantes recentes, estes também são rapidamente imobilizados em territórios específicos, como o Martim Moniz, a Praça de S. Domingos, os Restauradores, algumas partes de Alfama, antigo gueto mouro e judeu. Algo que testemunha o carácter sempre multicultural da cidade; tanto os seus momentos mais tolerantes como racistas. Mas, por sua vez, aqueles que vivem há mais tempo em Portugal e cujos filhos já nasceram em Lisboa parecem ter sido relegados, banidos, para não-lugares, as banlieues, locais de ostracismo, bairros sociais que fornecem a matéria-prima que apimenta as noticias sensacionalistas que os repórteres gostam de inventar em torno da criminalidade, violência e diferença.

Cidade

13.05.2010 | por Manuela Ribeiro Sanches