Urban Africa – reflexões sobre cidades africanas

Urban Africa – reflexões sobre cidades africanas Estas novas leituras da urbanidade em África obrigam-nos a reequacionar novos paradigmas, novos modelos de urbanismo como propõe Adjaye, e novas formas de intervenção nas áreas urbanas, que levem em conta a multiplicidade e complexidade que ocorre em cada cidade e que só poderão ser encontradas e geridas localmente. Isto é válido tanto para o que ocorre nos antigos centros das cidades, os seus “corações” que nalguns casos ainda batem, como para as suas réplicas que nasceram posteriormente.

30.05.2011 | por Cristina Salvador

A luta dos moradores do Bairro da Torre. A cultura democrática e a lusofonia

A luta dos moradores do Bairro da Torre. A cultura democrática e a lusofonia Contribuirá a lusofonia para o aprofundamento da democracia nesse espaço que se quer supranacional? A cidadania destes moradores é global, é multicultural, várias nacionalidades cruzam-se numa resposta a um problema que atravessa o globo e que afecta determinadas classes em qualquer parte do mundo, em qualquer tipo de regime político em qualquer tipo de cultura.

28.05.2011 | por Rui Estrela

Urban Africa: Office/MA, Urbanismo Negro

Urban Africa: Office/MA, Urbanismo Negro Mesmo correndo o risco desta acomodação, continuo a achar que é importante debater a questão levantada pelo urbanismo negro. Mesmo o nome – as pessoas me dizem, “Por que você usa o nome urbanismo negro? Por que não chama simplesmente de “urbanismo diferenciado”, ou “urbanismo diverso”, ou “urbanismo cultural”?”. Outra vez, acho isso uma questão legítima, já que urbanismo negro pode gerar muitos mal-entendidos. Mas eu acho que abre espaço para o debate. É deliberadamente um pouco provocativo. “Negro” e “urbanismo”? O que os dois termos têm a ver um com o outro? É exatamente neste ponto que eu quero chegar. Porque quando leio as revistas de arquitetura, não vejo muito de negritude. Vejo branquidão, literalmente. Não vejo muito que seja representativo do que estamos falando – e não estou falando apenas de David Adjaye.

17.05.2011 | por Paul Goodwin

Música, Cidade, Etnicidade: Explorações a Partir de Cenas Musicais em Lisboa

Música, Cidade, Etnicidade: Explorações a Partir de Cenas Musicais em Lisboa O artigo explora cenas musicais actuais em Lisboa, na perspectiva da circulação musical e cultural. Discute os modos como a música e as cidades interagem num contexto acrescido de inter-conexões entre o local e o global. Sugere que a criação e a performação musicais assim como a inovação cultural, não podem ser reduzidas às iniciativas locais ou institucionais. Na base da existência da assim chamada “cultura global”, as cidades reinventam-se, promovendo várias auto-definições (às vezes conflictuais). No caso de Lisboa, esta tendência é acompanhada por um desejo aparentemente acrescido de conectar ou re-conectar o mundo lusófono, que documenta eventualmente as auto-imagens de Lisboa como cidade inclusiva e multicultural. Neste processo, novas formas de etnicidade podem ganhar visibilidade na mercantilização da Luso-World music (ou seja, a World music praticada nos países lusófonos). No horizonte das cidades imaginadas como “megacidades transculturais”, a música tende a ganhar espaço na promoção dos sentimentos de lugar e pertença na, e à cidade.

15.05.2011 | por Jorge de La Barre

Estética das favelas

Estética das favelas Uma diferença fundamental com a cidade planejada diz respeito a relação entre espaços públicos e privados, na favela esses espaços também estão inextricavelmente ligados. Durante o dia as ruelas se tornam a continuação das casas, espaços semi-privados, enquanto a maioria das casas com suas portas abertas se tornam também espaços semi-públicos. A idéia da favela como uma grande casa coletiva é freqüente entre os moradores. As ruelas e becos são quase sempre extremamente estreitos e intrincados o que aumenta a sensação labiríntica e provoca uma grande proximidade física que provoca todo tipo de mistura. Subir o morro é uma experiência de percepção espacial singular, a partir das primeiras quebradas se descobre um ritmo de andar diferente, uma ginga sensual, que o próprio percurso impõe.

27.04.2011 | por Paola Bernstein Jacques

Abençoados pelos mortos

Abençoados pelos mortos É no cemitério do Cairo, mais do que nas pirâmides, que se percebe o culto da morte. E é aí, mais do que no colorido bazar Khan el Khalili, que se vê a força dos vivos. Uma viagem à Cidade dos Mortos quando fazia falta a revolução.

24.04.2011 | por Susana Moreira Marques

Ruy Duarte dá nome a escola do Namibe

Ruy Duarte dá nome a escola do Namibe Localizada no Bairro dos Eucaliptos, junto à nova esquadra policial da comuna do Forte Santa Rita e do Centro de Saúde, no Namibe, a sul de Angola, a instituição de ensino chama-se "Escola Rui Duarte de Carvalho", em homenagem àquele que foi a figura catedrática e emblemática do mosaico cultural da terra dos mucubais.

28.03.2011 | por João Upale

Francisco Castro Rodrigues, o arquitecto do Lobito

Francisco Castro Rodrigues, o arquitecto do Lobito Francisco Castro Rodrigues foi premiado pelo júri do Prémio AICA/Ministério da Cultura (Arquitectura) pelo seu trabalho de grande relevância cultural, a maior parte do qual se localiza no Lobito. Lembramos, a propósito deste prémio, a importância do seu percurso pessoal e profissional em Angola de 1953 a 1988 e a sua atitude sempre corajosa, firme e coerente, na época colonial e no pós-independência.

24.03.2011 | por Cristina Salvador

A África das periferias de Lisboa: a produção artística na periferia

A África das periferias de Lisboa: a produção artística na periferia No dia 16 de Março o Chapitô acolheu o BUALA para mais uma calorosa Tertúlia, desta vez sobre a produção cultural na periferia de Lisboa. Aqui ficam umas linhas sobre os nossos convidados e alguns aspectos que partilharam connosco da sua experiência (fragmentos de discurso).

18.03.2011 | por vários

A Praça de Tahrir (repensar o espaço público)

A Praça de Tahrir (repensar o espaço público) O espaço virtual de comunicação através das redes sociais participou na nova configuração da praça, como igualmente interveio o espaço criado pela “janela” que todos abrimos. No entanto, determinante foi a presença física e real dos manifestantes e a sua capacidade de resistência. A ocupação da Praça obriga-nos a repensar o espaço público, mas a pergunta que se impõe é: o que terá que mudar para que a Praça de Tahrir possa manter a configuração que conquistou, local de intervenção, comunicação e encontro e não volte jamais à condição anterior de espaço “museológico” de visita turística e de circulação viária?

16.02.2011 | por Cristina Salvador

revolução: os dias seguintes na praça Tahrir

revolução: os dias seguintes na praça Tahrir "A praça não desarma. Ontem, os militares tentaram afastar os manifestantes, levantar os seus acampamentos, convencê-los a saírem da rua. Mas uma revolução não vai assim para casa de um momento para o outro. "Eu tenho o direito de festejar", disse Asim, de 26 anos, que veio para Tahrir com as duas irmãs. "Estivemos aqui até o regime cair. Agora esta praça é do povo." Paulo Moura

14.02.2011 | por Alexandra Lucas Coelho

Reflexões sobre Cidades: Territórios e relações de poder

Reflexões sobre Cidades: Territórios e relações de poder Partindo do conceito inicial: A arquitectura é uma inscrição política, a conferência arquitectura [in] ]out[ política, debaixo do grande chapéu falemos de casas, surgiu como uma oportunidade “para reflectir e debater sobre a arquitectura como instrumento orientador de processos democráticos e como signo temporal e espacial das suas potencialidades”. Quase em simultâneo, o colóquio políticas de habitação e construção informal, teve como objectivo “proporcionar aos investigadores interessados e aos participantes um diálogo teórico-metodológico sobre as temáticas actualmente abordadas no domínio da habitação, com especial enfoque para a habitação informal (auto-construção) e para uma vertente das políticas de habitação que se prende com as consequências da sua execução para as populações visadas”.

28.01.2011 | por Cristina Salvador

Lisboa

Lisboa Não sei como posso partir de ti sabendo eu que te amo tanto e que viverei atormentado por estas visões o resto da vida que sobra em mim para vivê-las e como hei-de dormir, e como hei-de ler e escrever, e como seguramente poderei cheirar uma flôr, colher algum odor do teu rio, se eu morro a cada instante que o tempo me chega, diminuto, pouquíssimo, intransigente, se eu choro com essa criança por uma boca que já não me serve para dizer outra coisa se não o teu nome e se tenho um homem que se mata e se anicotina em nome do que és e se, finalmente, Lisboa, para mim, deixar-te é incontornavelmente deixar de me exercer.

15.01.2011 | por Eduardo White

WHPO: uma Rede Mestiça e (esta sim) um verdadeiro “PIN”

WHPO: uma Rede Mestiça e (esta sim) um verdadeiro “PIN” A Universidade de Coimbra acolheu duas importantes reuniões internacionais designadas World Heritage Portuguese Origin (WHPO), a primeira sucedeu em 2006 e a segunda acabou de ocorrer (entre 23 e 26 de Outubro de 2010), no quadro das quais se fundou uma rede orientada para a conservação do património arquitectónico e urbano de influência portuguesa, espalhado pelos muitos - certamente mais que quatro - cantos do Mundo.

22.12.2010 | por Ana Amendoeira e José Aguiar, ICOMOS-Portugal

Cinema dos tempos que já lá vão...

Cinema dos tempos que já lá vão... As casas de cinema em Angola são referências das cidades que as acolhem. E são muitas, já que aquele tipo de infra-estruturas está espalhado um pouco por todo o país, tendo surgido muito antes ainda da independência do país, o que permitia às autoridades coloniais portuguesas levar entretenimento, mas sobretudo propaganda do regime, às diferentes regiões. Da história ficam os marcos arquitectónicos, o gosto pelo espectáculo e as salas multi-usos.

13.12.2010 | por Miguel Gomes

Algumas cidades da África contemporânea e os rituais e experiências no bifronte tradição versus modernidade: Cidade do Cabo, Accra, Kigali (muti, haucá, hutu).

Algumas cidades da África contemporânea e os rituais e experiências no bifronte tradição versus modernidade: Cidade do Cabo, Accra, Kigali (muti, haucá, hutu). Olhar para algumas das cidades da África contemporânea é enfrentar os desdobramentos de sua dilaceração colonial, é atentar para as repercussões que o poder, essa articulação dimensional da dominação, imprime naqueles em que toca. A proporcionalidade da resposta, da interação, está diretamente ligada à sua efusão. Tais vestígios são sempre contundentes, pois se inscrevem na carne como um pontiagudo arabesco de sangue, pus e baba. Ao desespero de sua emergência contrapõe-se em quase tudo, quase tudo, a racionalidade do poder que o encetou. Restarão fios delicados a nos lembrar que esses outros estão atentos às limitações racionalistas de seus algozes inspirados e que depois serão transpirados como suor, como sangue, como nervos.

27.11.2010 | por Eduardo Bonzatto

Angola: dicas para o sucesso da 1 milhão de casas

Angola: dicas para o sucesso da 1 milhão de casas Em Luanda vive um terço da população de Angola. O desafio de se construir um milhão de fogos em 4 anos poderá constituir uma viragem de página, quer na redução dos preços exorbitantes das habitações, permitindo o surgimento de uma indústria de materiais de construção, quer no reforço institucional na interacção das administrações municipais, imobiliárias e ordens profissionais.

22.11.2010 | por Ilídio Daio

Funeral de Jazz em Nova Orleães

Funeral de Jazz em Nova Orleães Em Nova Orleães, depois de abolida a escravatura, formaram-se "Social Aid and Pleasure Clubs" - clubes de beneficência que organizavam actividades sociais e os funerais dos seus membros, ajudando assim a manter viva a tradição. Quando muitos duvidaram de que Nova Orleães pudesse renascer do furacão Katrina, foi essa e muitas tradições enraizadas na psique do povo que motivou muitos a regressar e a reconstruir as suas vidas na cidade que amam.

16.11.2010 | por José Fernandes

Falemos de House in Luanda

Falemos de House in Luanda A propósito do concurso A HOUSE IN LUANDA: PATIO AND PAVILION, falemos de casas e falemos de Luanda. Pretendendo com esta fala juntar algumas reflexões ao debate lançado pela Trienal de Arquitectura de Lisboa, em parceria com a Trienal de Luanda, sobre a forma como os arquitectos podem intervir na solução do problema urbanístico e habitacional desta cidade, que tem crescimento explosivo, ao ritmo do crescimento das desigualdades sócio-territoriais.

14.11.2010 | por Cristina Salvador

Maputo, Cidade Vibrante

Maputo, Cidade Vibrante A capital moçambicana tem um circuito de cultura de fazer inveja a qualquer cidade. Uma cena artística alternativa, com grandes talentos na música, teatro, literatura e artes plásticas. Uma agenda intensa com programas para todos os gostos, desde cinema ao ar livre, jazz ao vivo, contadores de histórias, exposições internacionais, lançamentos de livros ou festivais de música. Restaurantes a borbulhar de gente, discotecas abertas até ao raiar do sol, festas privadas com muito glamour... Residentes e turistas, nacionais ou estrangeiros, todos vibram com a movida de Maputo.

03.11.2010 | por Cristiana Pereira