O Tempo das Huacas

O Tempo das Huacas Apesar do papel social dos museus ter um crescente escrutínio público, muitos museus europeus de arqueologia e etnografia continuam a deter nas suas colecções objectos de outras culturas adquiridos em contextos coloniais e imperiais, em situações de desigualdade entre os coleccionadores, investigadores ou curiosos europeus e as comunidades locais. Esta é uma história com quase dois séculos.

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04.01.2019 | por Filipa Cordeiro e Rui Mourão

A restituição das obras: um passo decisivo no processo de descolonização

A restituição das obras: um passo decisivo no processo de descolonização Nas duas últimas décadas têm vindo a irromper no campo artístico obras e discursos que vêm sinalizando a urgência de questionar a presença do património artístico e cultural dos africanos, asiáticos e latino-americanos na Europa, problematizando e apelando para o fim deste “exílio forçado” como o designou um historiador senegalês, que representava o Ministro da Cultura do Senegal, Abdou Latif Coulibaly, no colóquio “Sharing Past and Future – Strengthening African-European Connections”, realizado no passado mês de Setembro, em Bruxelas, e organizado pelo AfricaMuseum e pelo Egmont – Royal Institute for International Relations.

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23.12.2018 | por António Pinto Ribeiro e Margarida Calafate Ribeiro

Angola quer as suas bonecas de volta

Angola quer as suas bonecas de volta A discussão sobre a devolução de obras etnográficas, de valor artístico ou documental e até de despojos humanos aos países de origem não é nova, mas ganhou força redobrada há duas semanas com o anúncio da decisão de Emmanuel Macron de devolver ao Benim uma coleção de bronzes, retirados do país no final do século XIX no âmbito de uma expedição militar punitiva contra os reinos da África Ocidental.

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13.12.2018 | por vários

Lisboa e a Memória do Império Património, Museus e Espaço Público

Lisboa e a Memória do Império  Património, Museus e Espaço Público analisar várias instâncias pelas quais são construídas e reproduzidas “imagens” de memória associadas à história imperial de Portugal, entendida este enquanto eixo articulador fundamental da identidade nacional portuguesa. O foco está, portanto, dirigido a uma “memória-imagem”, ou a uma memória-representação, chancelada pelo Estado, pelas corporações e pelas instituições de cultura pública,

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20.06.2018 | por Elsa Peralta

Patrimónios de Influência Portuguesa: Modos de Olhar

Patrimónios de Influência Portuguesa: Modos de Olhar A influência portuguesa é assim um espaço que extravasou na geografia e no tempo os limites formais das sucessivas configurações geopolíticas do antigo Império, produzindo transculturalidades intensas e difusas, celebradas e ocultas, ostensivas e sensíveis, que o pós-colonialismo vai fragmentadamente absorvendo.

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15.09.2015 | por Margarida Calafate Ribeiro e Walter Rossa

Morte de um teatro em Luanda, vítima dos promotores - Elinga

Morte de um teatro em Luanda, vítima dos promotores - Elinga Um importante centro da cultura angolana, o teatro Elinga, vai desaparecer, como tantas casas antigas do centro da capital. Os arranha-céus, esses, crescem como cogumelos e deslocam para os subúrbios, a toque de bulldozers selvagens e de bastonadas da polícia, os musseques, essas favelas angolanas sem água nem eletricidade em que se amontoa a maior parte dos 6 a 7 milhões de habitantes de Luanda. ”As autoridades pretendem fazer de Luanda o Dubai da África austral, lembra Claudia Gastrow, Mas não se vê a lógica urbanística nem a coordenação. O centro da cidade não é mais que uma fachada. “Copiar o modelo Dubai? Até ao ponto de projetar construir, como no Golfo, ilhas artificiais ao largo de Luanda.

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28.09.2012 | por Christophe Châtelot

Centro Histórico de Luanda

Centro Histórico de Luanda A génese pluriétnica da cidade de Luanda exige uma visão estratégica que promova a multiculturalidade que, no caso específico, tem sido alvo de polémica em múltiplos sectores da sociedade civil.

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15.06.2011 | por Ângela Mingas

WHPO: uma Rede Mestiça e (esta sim) um verdadeiro “PIN”

WHPO: uma Rede Mestiça e (esta sim) um verdadeiro “PIN” A Universidade de Coimbra acolheu duas importantes reuniões internacionais designadas World Heritage Portuguese Origin (WHPO), a primeira sucedeu em 2006 e a segunda acabou de ocorrer (entre 23 e 26 de Outubro de 2010), no quadro das quais se fundou uma rede orientada para a conservação do património arquitectónico e urbano de influência portuguesa, espalhado pelos muitos - certamente mais que quatro - cantos do Mundo.

Cidade

22.12.2010 | por Ana Amendoeira e José Aguiar, ICOMOS-Portugal

Cine-Teatro Monumental - Palco de memórias

Cine-Teatro Monumental - Palco de memórias Durante largos anos, o Monumental é o único cinema a funcionar em Benguela. Só mais tarde surgem o Cine-Benguela e o Kalunga. Na altura da independência, passa a ser propriedade do Estado e após décadas a marcar gerações, entra em decadência durante a guerra. Em 2004 volta a abrir as portas. O primeiro filme projectado, em DVD, é “Matrix”. A casa enche com bilhetes a 50 kz, mas o preço é incomportável e a afluência diminui.

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25.11.2010 | por Maria João Falé

Luanda, virada para o futuro negligencia o seu passado

Luanda, virada para o futuro negligencia o seu passado Os “sobrados” são as últimas casas que datam do tempo da escravatura. “O soalho destas casas era feito com a madeira com a qual se enchiam os porões dos navios de escravos que voltavam vazios do Brasil”, conta Ângela Mingas. “E as paredes eram em adobe (uma técnica à base de terra crua), fabricados com uma mistura de terra e de conchas apanhadas pelos pescadores da Ilha. São características que já não se encontram …” e cujos últimos vestígios estão em vias de desaparecer: “Em três anos, metade dos sobrados que restavam em Luanda foram destruídos. Hoje só restam 14…”

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01.10.2010 | por Cécile de Comarmond

Nós, os do Grande Hotel da Beira

Nós, os do Grande Hotel da Beira Como qualquer casa ocupada tem as suas regras de convivência e de organização. Ali a ordem tem os seguintes representantes: o secretário de unidade, o de corredor, quarteirão e bloco (andar), os quais se reúnem para resolver problemas dos inquilinos, e dirigem o tribunal de moradores numa ex-suíte do hotel, onde se discute quem tem mais direito à casa (uma mulher com crianças leva vantagem) ou que fulano anda a atirar água suja para a varanda de sicrano. Duas regras são fundamentais: “manter a limpeza e o respeito”.

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14.05.2010 | por Marta Lança