O Centro de Música Negra da Baía

O Centro de Música Negra da Baía É difícil imaginar que se Bach, Mozart, Vivaldi ou Monteverdi são conhecidos há séculos, nenhum músico africano se tenha tornado célebre antes do século XX! Miles Davis, Louis Armstrong, Youssou N’Dour, James Brown, Compay Segundo, Miriam Makeba, Aretha Franklin, Cesaria Evora, Gilberto Gil, Nina Simone, são hoje celebridades mundiais, e é difícil imaginar que ainda nos anos 30 do século XX, na época em que Billie Holiday e Ella Fitzgerald cantavam, a segregação racial era uma realidade nos Estados Unidos, proibindo aos Negros a entrada em certos clubes de jazz, restaurantes, lojas, autocarros, etc...

28.03.2012 | por Nadia Khouri-Dagher

Rap guineense: a Guiné ouvida por todos

Rap guineense: a Guiné ouvida por todos Nova Geração. Masta Tito, os Baloberos, FBMJ, Best Friends, Cientistas Realistas, entre outros, continuam a cantar principalmente em crioulo e, juntando o francês e as “línguas maternas”, conectam o rap/hip hop com as raízes e o mundo. Cantados pelos palcos do país, desde o Lenox de Bissau até às várias discotecas onde as pistas de dança se transformam em “palcos”, em concertos play-back com momentos de free style (se os microfones permitirem), a performance tenta preencher o que a falta generalizada de meios técnicos castiga. Ainda assim, o corpo e a boca no microfone mudo comunicam.

23.03.2012 | por Joana Sousa

As origens do samba - entrevista a Spírito Santo

As origens do samba - entrevista a Spírito Santo o brasileiro Spirito Santo não aceita as verdades estabelecidas sem questioná-las, doa a quem doer: "O ritmo seminal do samba teria tido como origem remota entre ritmos da área da Angola atual. (...) "Ironicamente, se não houvesse racismo no Brasil talvez não existisse samba. (...) Tento colocar em debate a proposta de que a história do negro no Brasil e todo o resto neste campo precisa ser total e urgentemente revisto."

15.03.2012 | por João Belisário

Fetiche de pregos - Nkisi-nkonde

Fetiche de pregos - Nkisi-nkonde O tema nkisi, aplica-se a diferentes categorias de objectos que se inscrevem num sistema global de representações, exprimindo as relações entre os humanos e o sobrenatural e os homens entre si.

15.03.2012 | por Eglantina Monteiro

"Repressão – Rap, Ruas e Resistência", disco de Chullage

"Repressão – Rap, Ruas e Resistência", disco de Chullage Sete anos sem um lançamento oficial mas com muita aprendizagem, muita luta e muita música com várias pessoas que me enriqueceram. Lanço novo disco motivado por aqueles que, encontrando-me nos bairros, ruas, transportes públicos, redes sociais, pediram mais música. Motivado pela minha fome de MC. Acima de tudo motivado pelo actual estado de coisas e falta de Estado nas coisas. Motivado pela resistência e pressão que temos que pôr nas ruas, nas colunas, nos ecrãs através da música, as artes visuais e guerrilha.

13.03.2012 | por Luca Fazzini

Não é contra a censura que lutam. É contra a autocensura

Não é contra a censura que lutam. É contra a autocensura Têm aversão à política porque, sem uma sociedade civil forte, vêem-na associada ao Partido no poder. O seu primeiro gesto, portanto, é artístico.

04.03.2012 | por Ana Dias Cordeiro

Voz de Angola

Voz de Angola O rapper MCK lançou em Janeiro "Proibido Ouvir Isto" e, em quatro horas, de norte a sul de Angola, voaram 10 mil cópias. Fala com eloquência do país que existe para além do Eldorado de petróleo e diamantes. MCK de volta: "Eu avisei que era proibido ouvir isto, mas vocês carregaram play. Estou di volta na caminho di luta, em busca de justiça, paz e liberdade".

01.03.2012 | por Mário Lopes

As transformações estéticas do samba-reggae

As transformações estéticas do samba-reggae A entrada do samba-reggae no mercado fonográfico e a absorção da estética mestiça transformam o perfil dos grupos negros.

21.02.2012 | por Goli Guerreiro

Tribos urbanas da Praia: os casos dos thugs e dos rappers

Tribos urbanas da Praia: os casos dos thugs e dos rappers Reflexão a partir de duas pesquisas, ainda em curso, sobre as sociabilidades e estilos de vida juvenis na cidade da Praia, em Cabo Verde. Uma, teórica e empiricamente mais madura, iniciada em 2006, junto de grupos de jovens associados a comportamentos delinquentes, auto e hetero-denominados thugs e, outra, mais recente, no seio dos rappers.

16.02.2012 | por Redy Wilson Lima

“Fazer música instrumental é uma necessidade espiritual” entrevista a Hernani Almeida

“Fazer música instrumental é uma necessidade espiritual” entrevista a Hernani Almeida Hernani Almeida, um dos jovens guitarristas cabo-verdianos mais conceituados, fala-nos da sua relação com a música e com São Vicente, sua ilha natal. Considerado o melhor instrumentista da actualidade, já produziu álbuns de artistas como Bau, Nácia Gomi, Boy Gé Mendes e Vadú entre outros, conta-nos da timidez em palco e da sua necessidade de fazer música.

12.02.2012 | por Odair Varela

A abolição da escravatura e o teatro português (sécs XVIII- XIX) - a polémica, o exemplo, e a utopia

A abolição da escravatura e o teatro português (sécs XVIII- XIX) - a polémica, o exemplo, e a utopia O debate sobre a abolição da escravatura que se instaura em Portugal, na segunda metade do século XVIII até o princípio do século XIX, teve no teatro um palco privilegiado para a propaganda oficial ao mesmo tempo que promoveu a personagem do Negro - até lá figura cómica herdada do teatro vicentino - a verdadeiro protagonista ou pelo menos objeto da acção teatral

12.02.2012 | por Anne-Marie Pascal

A história de Alcides Nascimento e de um cometa chamado "Pensamento"

A história de Alcides Nascimento e de um cometa chamado "Pensamento" Aos 27 anos, Alcides Nascimento gravou "Pensamento", o único CD da sua carreira, produzido por Paulino Vieira. O efeito foi imediato. Era a grande revelação da música tradicional de Cabo Verde, decorria o ano de 1997. Um CD histórico, escreveram outros. A voz era a de um verdadeiro crooner da morna: grave, doce, suave, tranquila, um autêntico diamante em bruto que se revelava neste jovem com cara de bebé.

06.02.2012 | por Joaquim Arena

Kota Bonga, "democracia e harmonia nessa nossa família"

Kota Bonga, "democracia e harmonia nessa nossa família" Há 40 anos que faz música de Angola, tem quase 500 temas gravados e muitos quilómetros de estrada. Sente-se hoje compensado por todo esse esforço e colaboração. O novo disco de Bonga, Hora Kota apela à mais profunda identidade africana, valorizando ensinamentos e princípios ancestrais, na escuta das estórias dos mais-velhos, que podem contribuir com alguma clarividência num mundo confuso.

20.01.2012 | por Marta Lança

3 actores à procura de um papel

3 actores à procura de um papel Numa curta série de espectáculos em Lisboa, “ 3 Actores à Procura de um Papel”, com João Cabral, Oceana Basílio e Ângelo Torres. O texto de Joaquim Paulo Nogueira traz-nos cinco pequenos contos teatrais onde sobressaem temas como a morte, a política, a identidade de género, a música, a crise financeira e social, que se interligam através da história de 3 actores que se encontram para fazerem um casting público.

13.01.2012 | por vários

Onde está Suleiman? Rabih Mroué, Looking for a missing employee

Onde está Suleiman? Rabih Mroué, Looking for a missing employee Através da história de Suleiman, Rabih Mroué, este ano artista convidado da DOCUMENTA e pela primeira vez em tournée nos Estados Unidos traça, com uma enorme seriedade e uma não menos grande ironia, um excelente retrato do Líbano e do mundo em que vivemos.

11.01.2012 | por Ana Bigotte Vieira

Luanda é bonita

Luanda é bonita A peça “Tanta Asneira Para Dizer Luanda É Bonita” foi recebida com uma chuva de aplausos durante a primeira temporada no Nacional Cine-Teatro. Em palco, tudo começa com um assalto. Na vida real Orlando Sérgio, actor, Nuno Milagre, autor e Miguel Hurst, encenador, são cúmplices neste crime.

10.01.2012 | por Joana Simões Piedade

A globalização do hip-hop: homogeneização e diferenciação cultural

A globalização do hip-hop: homogeneização e diferenciação cultural Pode ouvir-se uma música ecoar de forma ubíqua em vários pontos do planeta, consumir-se alimentos idênticos, ver-se exactamente os mesmos filmes, assistir-se diariamente aos mesmos programas de televisão, acompanhar-se as mesmas notícias, entre muitos outros exemplos que poderíamos aqui evocar, mas tudo isto não significa que se tenha anulado a diversidade cultural e que se viva hoje num mundo necessariamente homogéneo.

28.12.2011 | por José Alberto Simões

“Canta mais alto, por detrás do lamento…”, sobre Maiúca

 “Canta mais alto, por detrás do lamento…”, sobre Maiúca à espera de outros fazendo coro e “cantando mais alto por detrás do lamento” celebrando a vida, pausadamente, lucidamente, convocando as mulheres e os homens de boa vontade, cabeça limpa e bom coração para outro modelo, nesta existência trôpega, agressiva, cada vez mais sem razões que lhe dêem um sentido; à espera que exemplos como o teu frutifiquem e que as gerações seguintes saibam que, mesmo num tempo cinzento, às vezes bafiento e triste, houve gente a cantar, a encantar, a trabalhar, a amar, a viver, plena e inteiramente

20.12.2011 | por Carlos Ferreira (Cassé)

Observar o Tchiloli do grupo Boa Ventura

Observar o Tchiloli do grupo Boa Ventura "Quis dar-lhes [ao grupo Boa Ventura do bairro da Boa Morte] a conhecer alguns exercícios ocidentais de teatro sobre a preparação do actor, proporcionando-lhes ferramentas válidas para o seu trabalho como intérpretes. São, basicamente, exercícios de aquecimento e de concentração: para aquecer o corpo e a voz, seguindo a técnica de Augusto Boal, do Teatro do Oprimido."

07.12.2011 | por Íris Toivola Cayatte

A produção cultural vive de relações humanas, entrevista a Irlando Ferreira

A produção cultural vive de relações humanas, entrevista a Irlando Ferreira  Saiu de Cabo Verde há uns anos para se formar em Lisboa em produção cultural. Estagiou no Teatro Nacional e trabalhou no Teatro Trindade como produtor (2009 – 2011) e fez acontecer muitos espectáculos. Encontra-se neste momento a fazer um estágio nos Estados Unidos de seis meses, pelo programa Inovartes, onde vive na pele a exigência de uma grande companhia de teatro. Mas foi com as associações em Cabo Verde que começou a ganhar gosto pela ideia de ajudar a materializar aspectos artísticos e pela dinâmica de equipa

26.08.2011 | por Marta Lança