O discurso colonial hegemónico da ditadura do Estado Novo não desassociou a língua da representação e da narrativa do processo de construção imperial. Partindo da análise de um dos órgãos mais importantes da propaganda colonial Salazarista, inquirimos sobre as formas de representação apoteótica da língua como expressão do “sentido colonizador” português e a consequente sacralização da ideia de atrelar as então colónias à esfera de uma “tradição” expressa pela cultura da língua.
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05.12.2011 | por Victor Barros
Muitos lhe admiram o profissionalismo e a consistência com uma idade tão jovem. Uma voz doce e firmeza na guitarra, alma de poeta e convicção no sonho de uma Angola com maior horizonte e igualdade, Aline Frazão já conquistou o coração de muitos ouvintes. Fala de uma particular forma de sentir e criar, da qual resulta o seu primeiro disco "Clave Bantu", cujo lançamento está em curso nas suas várias geografias afectivas.
Cara a cara
09.11.2011 | por Marta Lança
...incorporo a lusofonia como um debate, algo que se distancia de qualquer substância, um foco virtual que, tendo como referência a língua portuguesa, adquire uma dinâmica própria em distintos contextos nacionais. Longe de estarmos diante de um pensamento consensual, a lusofonia paira sobre situações de tensão que colocam estes distintos contextos em contato.
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03.07.2011 | por Omar Thomaz Ribeiro
Se eu decidir vir trabalhar de fato e gravata ou de bubu, nenhuma das opções deve chocar ou ser inadequada. Todos temos de encontrar na pluralidade e diferença os elementos de escolha e de inclusão, e preparar a nossa mente para aceitar a diversidade.
Cara a cara
08.05.2011 | por Marta Lança
Hall deslocou-se de uma posição de radical negro para o campo do híbrido, não existe um sujeito negro inocente que possa usar a etnicidade como uma força de resistência legítima, e o racismo é uma força ambivalente porque atravessada por posições de género, etnicidade e desejos especulares. Gilroy desafia tanto o essencialismo (por exemplo, as reivindicações de autenticidade dos afrocentrismos) quanto o anti-essencialismo que vê a negritude como uma construção; a sua alternativa é a contemplação de um Atlântico Negro como uma contracultura hibridizadora. Bhabha vê o nacionalismo como algo que nunca é homogéneo ou unitário, e localiza a agência no acto de enunciação interruptiva (interruptive enunciation) de Derrida, focando na intersticialidade das identidades criadas nos confrontos coloniais.
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08.05.2011 | por Miguel Vale de Almeida
A crioulização tem claramente a sua base no estudo do complexo Afro-Americano e nas sociedades de plantação das Caraíbas, talvez apenas com ramificação para o Brasil como instância comparativa. Na sua review da antropologia da Afro-América Latina e Caraíbas, Yelvington (2001) diz que a actual preocupação antropológica com os processos de globalização, dispersão, migração e transnacionalidade, com o colonialismo, o hibridismo, etc., elide muitas vezes a produção fundacional que remete para os estudos da diáspora africana nas Américas.
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06.05.2011 | por Miguel Vale de Almeida
Escravatura ou liberdade, homogeneidade cultural europeia e diversidade africana, desequilíbrios de género, criação de grupos intermediários são, pois, determinantes. Para Mintz e Price, o conceito de “crioulização” surgiu como um útil substituto de “aculturação” e “assimilação”, pois descreve uma expressão sincrética que leva ao surgimento de novas formas culturais, tal como no passado aconteceu na Europa.
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06.05.2011 | por Miguel Vale de Almeida
É inegável que existe em Lisboa uma aproximação natural dos falantes da língua portuguesa, que não portugueses, mesmo quando não partilham a mesma raça e cultura. As diferenças nacionais diluem-se em virtude da discriminação a que todos estão submetidos. E faz todo o sentido pensar nesta diluição como necessidade de resistência à discriminação, no sentido em que a metrópole torna homogéneos todos os ex-colonizados, arrumando-os nas categorias de “pretos”, “negros”, “imigrantes”.
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21.01.2011 | por António Tomás
A voz vai mudando do outro lado do telefone – escritores, cantores, Lisboa, Rio de Janeiro – mas mantém-se o tom: ninguém sabe dizer o que é, ao certo, a lusofonia, se existe, e ainda que exista, talvez não baste. É preciso discutir, discordar, estrebuchar, concordar, amar perdidamente, ficar insatisfeito, porque bom, bom, era a utopia, aquela dos tempos de “descobrir” o mundo. Como se o mundo não existisse antes de nós o dizermos – em português.
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07.01.2011 | por Susana Moreira Marques
Quanto do que hoje é brasileiro foi português antigo que Portugal perdeu? Como o cardápio em Portugal encolheu, certamente por falta de apetite! E eles continuam a vir, dietistas, higienistas, fiscais-de-contas, reduzindo a língua a um quartinho, e de colarinho: não respire, não respire.
Avé a poesia, cheia de fome.
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03.01.2011 | por Alexandra Lucas Coelho
A retórica tradicional da lusofonia tem persistido, não raras vezes, numa espécie de nostalgia do império, subvalorizando a diversidade cultural que cinco séculos de aventuras associaram à experiência de todos os cidadãos que pensam, sentem e falam em língua portuguesa. Será, por isso, importante - e talvez também urgente – que todo um conjunto de políticos, intelectuais e académicos, que têm trazido à luz numerosas pistas sobre a complexa construção da identidade lusófona, reflicta sobre o contributo que o ciberespaço oferece à reconfiguração de uma lusofonia mais englobante e mais plural.
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02.01.2011 | por Lurdes Macedo
Companhias e artistas viajam para apresentarem os seus trabalhos uns aos outros e a um público que refresca o olhar do seu habitual nicho de mercado, nos territórios nacionais. O trabalho ganha em visibilidade e reflexão, pois o debate entre pessoas da área ajuda a desenvolver critérios de exigência e de comunicação sobre aquilo que se apresenta. Um Festival tem uma dimensão festiva, não menos importante que tudo o resto, e contribui para esse intercâmbio no espaço lusófono, entre agentes culturais e representações das realidades de cada um.
Palcos
24.12.2010 | por Marta Lança
Como se situa "Portuguesia contraantologia" (Minas entre os povos da mesma língua...), obra organizada pelo poeta Wilmar Silva, relativamente aos tópicos do “bom gosto” e de uma, por assim dizer, particular “orientação curatorial”? Nesse verdadeiro corso antropoético de 500 páginas, que abriga 101 poetas, Wilmar põe em questão o sentido estrito de tais categorias. A qualidade literária, a bem de verdade, não está descartada, mas apenas ficou em segundo plano, porquanto um dos traços de Portuguesia é a justaposição em nível de igualdade de toda uma rosácea de vozes que se correspondem desde o lugar transcultural de uma poesia multifária de matriz lusófona.
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26.11.2010 | por Ronald Augusto
Janelo da Costa é líder de uma banda que na década de 90 pôs Portugal a pular com canções e ritmos novos: os Kussondulola. Entre portugueses e africanos vindos dos Países Africanos de Língua Portuguesa, não há quem não conheça esta banda, fusão de reggae com outros sons, que se popularizou tanto em Portugal. Quem não vibrava mal ouvia os primeiros acordes de "Pim Pam Pum"?
Palcos
02.11.2010 | por Jorge Ramos
Argumentos que são resíduos da história recente do continente ditada e escrita pelo Ocidente. Esquecem-se que a população deste continente foi pioneira na história da humanidade em conceber estruturas sociais, económicas e políticas que possam garantir o máximo em termos de sobrevivência humana no contexto de uma natureza material e humana adversa. Estruturas estas ainda prevalentes e que fizeram com que África sobrevivesse à catástrofe do tráfico atlântico de escravos e à ocupação colonial.
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14.09.2010 | por Aida Gomes