átimo de criação e tempo no museu-trabalho-e-trabalha-44h-semanais-e-

Recebemos a notícia do fechamento ontem, enquanto andávamos pela zona s. Museu de Arte do Rio pode fechar as portas em setembro 1. Distantes, já não mais lá empregades, com o trabalho vindo de outro lugar. Mas sabe?, uma teoria: depois do museu e durante ele, a noção de tempo alterou-se e nos alterou, tanto individualmente como trabalhando em dupla. Não que estejamos demarcades pelo museu, mas existe uma mudança na percepção sobre quanto algo pode durar. E de ficar uma hora revirando os olhos. Ou de olhos fechados. Mordendo algo.

Nos faltou dizer, então, e fazer a memória da criação nesse lugar fechado.

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Antonio Gonzaga Amador é A, AA, AG, AGA

Daniel Santiso é D, DS, S

Jandir Jr. é J e JJ

max wíllà morais é M, MW, e MWM

uma jornada de trabalho

    (continuamente decide quanto tempo vamos dormir, acordar, quem aguenta a próxima etapa, por onde estudar, passar na rua sem asfalto e ver que tudo aqui costuma ter uma lentidão radical contra a mudança. por outro lado tem a esperança, e aquela fala entre as amigas de que somos os sonhos dos nossos ancestrais, que trabalhando juntas podemos fazer a boca falar em uma continuidade de vida. a fala que um dia teve a boca torturada e fechada2, costurada, mas que também foi rei e rainha da sua complexidade. até porque a fortuna não vem só pelo ouro)

Descrição sumária: atuar em ações voltadas para os seus diferentes públicos, desenvolvendo ações educativas relacionadas às linhas de atuação pedagógicas do museu, com foco em visitas educativas e público espontâneo; realizar visitas e atividades educativas para os diferentes públicos, agendados ou espontâneos (indivíduo ou grupo), a partir de estratégias de mediação nas exposições e projetos artísticos e culturais do museu; atuar no monitoramento dos espaços expositivos; dialogar com o público, buscando, através de estratégias de educação patrimonial, garantir as normas necessárias à conservação das obras de arte e objetos em exposição; orientar o público no espaço expositivo (boas-vindas, contextualização, regras e fluxo de circulação); cuidar do funcionamento dos equipamentos em exposição, ligando e desligando obras ou suportes audiovisuais; atuar, na interface com a museologia, em casos de sinistros envolvendo obras e objetos em exposição; integrar um dos grupos de trabalho, desenvolvendo pesquisas para a concepção de visitas e atividades; preencher avaliações e elaborar relatórios de visitas e atividades3.

'Deixei todas as coisas que trouxe comigo no chão da galeria e cheguei a me afastar delas, expostas como obras quando em minha ausência'. JJ, 2017.'Deixei todas as coisas que trouxe comigo no chão da galeria e cheguei a me afastar delas, expostas como obras quando em minha ausência'. JJ, 2017.

nota.1

Uma pergunta: qual a condição para pessoas artistas e educadoras criarem dentro de um espaço específico e fechado? 

nota.2

Ao fazer em nós inconfortável o decorrer da jornada de trabalho, importa falar nessas linhas sobre um átimo de criação artística na instituição museu e de como ele atuava na vida de quatro educadores artistas. 

nota.2.1

No exercício de duas funções e na hora do almoço: nosso lapso, ora mais célere, ora lento e torturante; os quarenta e cinco minutos antes das seis horas da noite. 

    (lembrei de IahBahia pedindo para abaixarmos o ar condicionado da galeria - quando fez aquela performance da LL4 -, e nós dizendo que não podíamos.) 

nota.2.2

Havia, por vezes, os ataques, ao executarmos os serviços. E quando não os realizávamos era por alguma ordem existente na subversão. Os atos criativos que nos apontavam a ambiguidade naqueles exercícios funcionais. A forma de dizer chiando uma informação pelo rádio comunicador. Uma nova abordagem no contato com os grupos de pessoas. Uma narrativa esquecida como ponto de partida para ler aquelas pinturas e a história de seus donos.

    (que loucura. naquela hora estava editando o texto e fui lembrando de algumas coisas que aconteceram: um visitante pôs um vídeo meu na internet… me senti incapaz de processar o museu.… o visitante. é bem caro isso de processar. aí tive que parar um pouco de mexer com o texto)

Entre nós, algumas já haviam criado o hábito de conversar sobre coisas invisíveis. Existiam também aquelas pessoas que já haviam desaparecido, se entranhando ora na parede, ora na pintura, ora antes, no espaço entre o ônibus e a chegada no trabalho

ou

conservavam uma bolinha de papel posta em cima de uma moldura 

ou

escreviam um lugar com pouca janela é inóspito e diziam aqui não, pode parecer assim uma cadeia para nós

ou

existiam enquanto educadores artistas por 44 horas semanais, sendo quase acervo, como uma escultura proletária.

AM propôs seu próprio corpo como obra do acervo do Museu de Arte Moderna do Rio e foi recusado5. Mas, já que fomos aceites, e o que vem são fragmentos, temos algo a dizer.

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no final do dia

Uma notícia do fim do dia sempre nos batia às 5 para as 18h. Primeiro, porque para nós era muito difícil ficar num cômodo fechado durante 44h semanais esperando o fim do dia acontecer. Segundo, porque quando não estávamos esperando o fim, ficávamos na espera da diminuição oficial da jornada de trabalho. Um de nós contava as saídas e as chegadas, revendo seus horários. Outra procurava por janelas e por incendiar documentos. Tem quem deixou de usar sapatos, escorregando pelos cantos, desapossado do compromisso cordial.

A sala quase sempre branca, quase sempre gelada quase sempre repleta de obras apresentava a vontade construtiva6 de uma instituição ao colecionar/marcar uma genealogia do tempo: cores, formas, traços, endereçamentos. Antes de ser um período escasso de produção de sentidos - por vir a criação na revelia do conforto -, quando éramos estagiáries em educação, criar era mais próximo da quantificação inexata das horas. 

Tínhamos 1 hora de almoço e 30 minutos de intervalo e duas folgas por semana quando nos tornamos CLT. O primeiro trabalho remunerado de muitas pessoas entre nós. Muitas negras, que vinham da zona oeste, zona norte e baixada. Pessoas que também se consideravam artistas e para as quais trabalhar no museu era aprendizado, não numa certa desculpa para o alpinismo social mas, quem sabe, para compreender como se faz para chegar e se manter aqui? ou repetir sucessivamente MP em acreditarmos num exercício experimental da liberdade7, sucessivamente repetir que acreditamos na liberdade.

No período em que nos tornamos CLT, certa exigência na instituição nos transformava num educador-monitor, educador-segurança, educador-artista. A dupla função mais conhecida como híbrido. Ou mesmo precarização. 

Educador-monitor era o artista-etc. que nos cabia, RB8.

Nessa rotina de hibridismo, o tempo - vivo e sua hora morta - era gerenciado de maneira criativa-empresarial, não a todo custo nem momento, mas subterrâneo, melindrosamente, dentro de algum universo material da arte, mediado pelos sentidos da imaterialidade, da historiografia e das inventividades artísticas para pessoas visitantes ou não.

Salvaguardamos objetos sim e não monolíticos, e convivemos com seguranças que não podiam sentar. 

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    (é, tínhamos essa percepção das seguranças e dos seguranças que nos contavam das suas vidas, todos os dias uma história diferente e um bom dia. todo o dia uma pessoa diferente rendendo o posto de outra. nosso pensamento sobre educação e arte - a maioria da equipe de seguranças negra - era que a hierarquia esteve no cerne da linguagem educativa brasileira na sua escala de subvalorização epidérmica… sem perceberem… é…….  dizer quem é que mais morre e quem mais nasce, quem mais enlouquece e quem é preso, quem quer mais matar… mais morre. e…. não há inocentes nessas Organizações Sociais. quando recebemos o contra-cheque, o tempo despendido não fecha. todas elas nos devem, nos devem muito)

    (eu teria mais tempo para namorar se…. só tenho pensado trabalho. a bolsa do mestrado garante 2 anos, não passo fome, ela atrasa pouco, não deixo de ir para pós - caso cortarem as verbas da educação de novo… Bolsonaro congelou há pouco tempo todas elas… eu trabalho até às 22h, quando chego do centro. eu agradeço muito… queria gozar… no entanto… ao trabalho ao trabalho ao trabalho e ao agradecimento. eu já até… eu estudo todos os dias, danço todos os dias… comer dormir também é uma regularidade e um prazer, um hobby diário)

(achamos que, por todas as expectativas, esse desempenho não deveria ser punitivo. trabalho, trabalho, trabalho. odiei os brancos no poder com todas as forças e, mesmo assim, todo o perdão disponível para eles nos ensina que se estabelece na recompensa do céu e do ouro)

    (ninguém acredita no choro nem na falta injustificada de quem estava sentindo indisposição em falar) 

Trabalho9

O Trabalho (2017) usa a inscrição do tempo trabalhado através da biometria registrada na máquina de ponto da instituição museu. Recurso artístico, pela via extrema da assertividade, na aproximação igualitária dos números, dos minutos aos dias. 

da série O educativo está presente. mwm, 2016.da série O educativo está presente. mwm, 2016.AA se esforçava em pousar seu dedo no ponto biométrico somente nos momentos exatos em que o numeral dos minutos fosse idêntico ao daquele dia trabalhado. Dessa maneira, era regular ver em sua folha de ponto, ao final de cada mês, sua entrada às 9:9 no dia nove de março; seu almoço às 12:25 no vigésimo quinto dia do mês de abril; sua saída do museu somente às 18:31, em um dia 31 qualquer, com todos nossos salários quase findando. Seus papéis gozavam de regularidade, o RH do museu o conhecia pelo nome e sabia quando sua presença se daria. Naquele momento, ele está empregado, é nomeado Educador 1, supervisor de D, J e M. 

Dentro desse espaço fechado, A estava fora. Ou entrava às vezes para render as pessoas que precisavam comer, ir ao banheiro; entrava também para substituir as que faltavam. Assim, no quadro da gerência de educação tinham os supervisores, Educadores Plenos e Educadores 1, e os supervisionados, os Educadores-monitores que supervisionavam objetos, sinistros etc. Todas essas funções eram híbridas, algumas mais que outras, outros com mais janelas que alguns, algumas pessoas mais distantes, outras mais próximas da rua. 

O espaço fechado existe por conta da hiper-seguridade, dos objetos artísticos e dos discursos históricos. Um caminho que poucas vezes se consegue contornar, negociar a preservação conjugando o conforto das pessoas, junto a urgência de exterioridade humana - se é que humanidade não seja a qualidade afirmativa da vida de poucas pessoas em detrimento da vida de muitas: morrer, uns em frente aos outros, em favor da conservação do museu-é-um-mundo. A clausura indefensável. 

No trabalho, todas as pessoas da gerência de educação passaram certo tempo, um pouco mais um pouco menos, dentro do espaço fechado. 

As horas extras estavam em torno de AGA, num acordo com o tempo empresarial, circunscrito pelo relógio, controlando a paridade das durações, a equivalência dos dias com os números. Uma série como um inventário da seguridade, da manutenção na vida trabalhista, de continuar com salário. Refazendo um projeto fictício de acordar às horas aos dias. O artista estabeleceu seu trabalho na ordem do calendário coletivo e ocidental.

era ele um dos chefes?

Quando nos conhecemos, A não contava as horas de seu almoço nem as colecionava. Registrado em pontos de trabalho, de frequência, seu banco de horas foi sendo acumulado, sendo nomeado por Trabalho em 2017 na sua carteira, na mesa de casa, posteriormente tornou-se quadro, obras, nessa irmandade que pode existir entre contratante e contratado. Essa maneira de continuar no sono acordado, de inventar uma simetria entre uma hora e outra e o dia, entre a saída e a chegada, no almoço e o depois. As férias, o décimo terceiro, o plano de saúde, a não demissão. 

Uma precisão sobretudo, quase nenhum erro na matemática, uma diferença mínima entre as contagens numéricas. 

E não é sobre ele cumprir ou não exatamente ao pé da letra sua função, mas da sua criação poética, artística, habitar em uma zona tácita da assinatura contratual. Linha ríspida traçante de alguma disputa velada e interna. Linha cortante de assinatura a cada mês, que todes nós participamos.

AG atendia os telefonemas, dava oficina, fazia formação de equipe, ouvia artistas e curadores. Ele estava próximo de artistas e curadores. Nós também estávamos. No entanto, na imagem trabalhista desse desempenho, a hierarquia; no cumprimento das regras demandadas, em torno do tempo, lá estava A a criar um modo de chegada e de saída específico. 

Como chegar no tempo proposto todo dia morando longe? E o trânsito? E o cansaço? E o metrô cheio? A falta de ônibus. O milésimo de atraso matinal acontecia quase sempre. Com AA poucas vezes o milésimo do erro na contagem interferiu seu trabalho e o Trabalho, e quando ele andava para o trabalho ele andava com o Trabalho. O dedo, o corpo, suas histórias de família nordestina, certa pressa.

Na duplicidade dos nomes e das ações, na rotina, o educador e artista ia associando o tempo final da sua saída com o tempo final da sua chegada. Todo dia. Ele acumulava os comprovantes da aproximação entre dia e números, e quando reclamava no RH era sobre alguma irregularidade que, insistentemente, perpassava os registros do banco de hora.

não.

dúvida desse não 

Trabalho (2017). Maiúsculo, temporal, diário… O artista e educador com carteira assinada. Seu trabalho implicado em determinada poética de vida, desenvolvendo projetos coletivos comissionados pela Organização Social/museu, não como artista, mas sim na rotina e remuneração de Educador 1 - sem galeria, sem marchand, sem patrocínio dessa empresa cultural -, com direitos sindicais, com autonomia funcional limitada. 

Trabalho (2017): um desempenho na empresa, nas linhas do acordo, criação de um sistema simbólico e imaterial da vida artística conservada. Ação de liberdade particular e exercício experimental vivendo e trabalhando e trabalha a contar o tempo.

    (consigo ficar bastante tempo de olhos fechados ou revirados)

AG não era um dos chefes, mas na hierarquia era uma das pessoas que decidia nossa rotina. Tanto regulador do funcionamento quanto igualmente regulado pela máquina10 Organização Social. Em sua prática diária, a alucinação dos colecionadores de tempo na carteira assinada: ter horas que sobram, pouco a pouco, decidindo não faltar, ir, correndo para chegar na sua pontualidade candelária. Ter tempo no tempo qualquer que fosse ser o educador e o artista. E ele, como D e M, foi demitido no primeiro corte de verbas em 2017. J continuou até 2019.

    (eu alimentei muito rancor quando entendi que trabalho corporativo é uma raiva que tem seu valor; ele nos indica os limites da própria vida)

(tem gente que quando cresce na empresa se torna violenta, essa merda toda que um trabalho pode constituir, ludibriar; essa merda toda que o dinheiro inventa, um papel do tronco de uma árvore, um papel todo queimado para, um nado, depois carvão, tinturas e impressões, depois minério, depois gente, um átimo de força desprendida de qualquer sentido e dedicação para o bem estar comum)

    (NTU,  MUNTU,  KINTU,  HANTU, KUNTU. são as  formas  dos  princípios filosóficos de uns Bantos11. nos escapa dessa força motriz escravocrata)

    (a tranquilidade de hoje inventada nos ajuda a elaborar isso a melhor distância de tão perto que isso é)

    (a abreviação de nossos nomes perfaz nossa ficção)

    (desde a infância com meus pais reclamando de trabalho; lembro do patrão do meu pai gritando com ele; lembro de meu pai bebendo todo dia depois do trabalho por conta que… ele tinha um machucado na perna imenso e bebia para que passasse a dor. até aos 16 anos eu não via meu pai a não ser entrando e saindo pro trabalho, de casa pro trabalho. e depois cachaça)

    (habitando essa jornada, logo outro sentimento formado entre nós; e ele será como um bote e menos agressivo, sem comparsas de violência policial, feitoral, pastoral)

    (família pode ser um ato imaginativo de algo, uma ligação não normativa, coletivizada, um trabalho que, na invisibilidade mesmo, se compromete com condições de vida menos obrigatórias)

pausa

O museu é um mundo12 e uma empresa em condição histórica escravocrata. É preciso destruir sua manutenção neocolonial. Nos põem como cachorros, ume atrás da outre, quando trabalhamos. Atribuição de cargos que nos vem para desarticular. Batalhão de “guardadores” de obra e educadores que se ocupam, acima de tudo, de proteger o bem privado do público13. E de protegê-lo uns das outres. O tom policialesco que domina em qualquer ambiente de trabalho.

Será que estamos dispostes mesmo, ou melhor, somos capazes de criar museus em que artistas e funcionáries respirem juntes?14 (um curador perguntou). 

pausa.2

Outra instituição. Sabe-se lá em que momento. AG era monitor em suas exposições. Na entrada delas dizia a cada visitante entregando um panfleto qualquer: senhor, é permitido escalar as paredes. Senhora, não é permitido respirar.

    (para nós é lembrar inventando)

    (ninguém sai perdendo nem ganhando nesse jogo. o trabalho é uma adequação da jornada de vida)

As pessoas pouco escutavam o que ele dizia. Assentiam, meneavam a cabeça para cima e para baixo, concordavam com qualquer absurdo dito. Aí tivemos certeza da engrenagem nos pescoços de todes esses visitantes que nos disseram ‘sim, sim’. De sua mecânica, das organizações da fala, da comunicação. Aqueles lampejos pouco empáticos da conversa coletiva quando vamos embora e fica o quadro contando uma paisagem do séc. XIX ou uma abstração insistindo procedimentos metafísicos.

pausa.3

Com S e M surgiram dentro do museu anotações, planejamentos, e fora, ainda depois, durante, vídeo-cartas. Com JJ, a trégua esperada e a lentidão com a duração do tempo demorou a vir - foram levadas em uma bandeira branca15, e seus cabelos brancos, no ombro caindo. Ele acumulava objetos da rua - aquela purpurina do carnaval de 201616 e a bolinha de gude17 que estava na ponta da mesa de casa - para depois despachar tudo; a experiência do se despedir e na intensidade o ter de voltar no outro dia. Hastear o corpo, deitá-lo com a bandeira. J dizia vivo a urgência dos dias. 

Em Trabalho, AG fazia durar uma membrana de sobrevida contratual, ou em ocasião dos desenhos de caneta, a intrínseca relação entre continuar a viver e as sobre-vidas de homens em plantações de cana18: a glicose vendida e a glicemia analisada todo dia em seu sangue diabético19

MW, por outro lado, serve nada20 com o relógio marcando hora até que acorde. Revirando os olhos para o transe de uma exaustão e de um silêncio. DS escreve coletivamente respostas sobre a democracia e pelo direito ao ócio21. Até porque na presença de um trabalho artístico acontece uma condição mental-de-estar-fora de um lugar fechado que os atos criativos lembram e esquecem de dormir, cantar, correr… o dia e a noite se comprimem. 

Logo após um museu fechar restam as educadoras desligando os aparelhos das galerias ou a ronda das seguranças com as luzes apagadas.

comunicação 

DS gravava as noites. Ou em suas folgas, no trajeto do ônibus-trem, com uma cybershot, suas leituras, as pessoas, as casas, as ruas do Valqueire e do Engenho Novo e o seu corpo. 

A bicha trocava cartas com M e os dias se prolongavam naquelas situações de viver em dupla. Após às 19h festança… Ufa, saí! No ditado, dizem como quem acorda pra vida, pulando, em uma jornada de segunda a domingo - e o tempo da juventude e a contribuição pra Previdência Social de mãos dadas - cansade e pressa - os dedos escorregadios. Acordar no milésimo da não antecedência. No trabalho, lá, lá já… sabe? Preguiça. Pátio, entre as paredes do museu, na calçada. Alongar, dormir… entretanto… Quem pode ver? Quem é que sabe? Ninguém diria que nunca fez isso de trocar o dia pela noite.

os ditos dos 

Enquanto D e M erguem as faixas nos sinais durante 1h, os objetos, os terrenos, os nomes e os ganhos roubados não foram restituídos nem os traumas coloniais oficialmente pronunciados.

D e M começaram a reescrever em 1. tudo aqui é ar tudo aqui é sólido (…) e em 4. outra escala outra perspectiva22. São manifestos apresentados em duas faixas erguidas nos sinais de trânsito, em manifestações, em espaço de ensino, museu… Movimentações que afirmam uma reconfiguração do poder de aparecer e desaparecer nas palavras; o que será esquecido e lembrado de fragmentos de histórias e nos poemas. 

Reinscrever/contra-perceber os ditos dos homens brancos modernistas.

riscando

Duas bichas escreviam nas cadeiras com a ponta de suas chaves.

    (ouço Obaluaiê de Serena23)

Ler em um lugar fechado pode ser um dos pensamentos que brota nas pessoas egressas na universidade (a primeira da família) do tipo, quando: já que estou aqui e há mesmo tanto tempo vago; não há nada para fazer além de observar visitantes e obras; eu bem que poderia passar o tempo lendo livros já que se não for aqui será no trem; ninguém se incomoda com quem lê livros até que… Olha: uma pessoa tentando escapar do compromisso do trabalho pela leitura. Eiii, eii, eii… vou fazer reclamação na gerência heim (pausa) quem é sua gerente garoto? (pausa) porqueeee (pausa) enquanto você está lendo (pausa) as pessoas tão tocando em tudo (pausa) vai lá (pausa) isso daqui é uma herança (pausa) para todo mundo (pausa)24.

umas das contextualizações históricas dessa herança é que

Pessoas negras a ameaçam frequentemente tal como nos revela Paulo Maluf em seu medo no crescimento da população negro-diaspórica (pausa) essa gente não deveria votar (pausa) esse povo não deveria nascer (pausa) tá crescendo (pausa) tá nascendo (pausa) tá demais (pausa) bota controle de natalidade (pausa) presses (pausa) e vocês continuam aqui25.

Ouvinte do mundo

Quem leu os documentos em um cômodo particular? Quem se incomodaria se alguém começasse a ler em um lugar fechado? E ler aqui nessa terra até para as famílias pobres negras é engrandecedor ou coisa de viado. Kafka, Mondrian, existencialismo, arte barroca, clássica, Kazimir Malevich (sempre foram elevados)… Um dia, de toda forma, ABG, uma das referências para MWM em Exercícios de Névoa (2016)26, estava sendo lida.

O Ouvinte do mundo III (2005)27. Um ouvido, umas pilastras ou papiros. Mundo partido dourado ou prateado… Tem azul, rastros, duas esferas abertas. Outro livro. Um corpo desprendido passando na exterioridade do mundo. Dois mapas cortados, circulares… Lembram-nos os pilotis, as vigas que sustentam uma instituição, as dobraduras das portas, as envergaduras da coluna, os ossos em contato com o banco e quando as pessoas educadoras ficam sentadas esperando passar entre as horas, as horas e o fim do expediente. 

O cair do dia. 

Essa consequência da passagem entre os destroços e ouvir o barulho recordado, outra vez, enquanto situação antiga desse nosso mundo.

sobre esse mundo entre as pilastras

Nenhum fim é sempre esperado e até então escondemos os sentimentos terríveis, refazendo-os várias vezes, o fim e os sentimentos, para voltar dos mortos.

Exercícios de névoa

Primeiro são iniciados quando M se reunia com grupos escolares, posteriormente estão em desenhos de carvão. 

–—

Juntamos as mãos de mais de 17 pessoas para ler um mapa; em duplas miramos os olhos de alguém em nossa frente e desenhamos o que estava por trás de nós lá no fundo desse espelho; vendamos o rosto e nos movimentamos de quatro com pedras entre as mãos nos batendo e as pedras a cada andada. Em uma fila as pessoas sentavam dizendo um segredo ouvido atrás de cada costa num sussurro.

feito do lado de fora

Em 2015, D e M fazem o vídeo para o dia, para a noite28, em que saem de casa pro museu, e do museu saem para casa. Trabalho: dia. Casa: noite. Depois fazem em 2016 o vídeo entre as guerras29. Apontam uma câmera, trocando-a sucessivamente de mão, e os dois museus, para tudo o que passa, o que dura, e também o tempo arrastado, decorrido, agora-fora/ em instantes/ o reanunciar da saída.

Recordamos vendo estes vídeos que:

1. No primeiro, os trechos dos livros mencionados foram lidos, muitas e muitas vezes, imaginamos que escondidos no período de trabalho, ou se foram lidos no período de casa, ou na rua: de dia, correndo para bater o ponto, ou coisa qualquer que vemos pessoas fazerem no trem-ônibus - até que numa parada brusca risca toda a página de anotação. 

2. Aqui no Rio de Janeiro ainda não é uma ocorrência tão grande em trem cheio ver pessoas negras lendo. Esse vídeo é uma conversa com o corpo correndo e acelerado, sempre fazendo algo com a mão quase livre. É um díptico: o dia dentro da noite e a noite dentro do dia. Ou seja, a tela da noite está dentro da tela do dia e vice versa. Uma operação da montagem fílmica. Uma velocidade muito grande essa de estar saindo de um lugar para depois chegar no horário de 9h da noite pro dia. O horário do trabalho não espera. O dia está repetido na noite e vice versa sucessivamente.

2.1. Ruídos, sem voz, legendados e baixa qualidade. Com um tablet, passado entre es dues, Engenho Novo-Praça Mauá. Ficamos aqui se nessa correria, nessa ode ao dia e à noite, não se faça presente um pedido para que tanto o dia quanto a noite sejam parados na sua mais brutal violência e alegria.

2.2. Escondidos dentro do uniforme, e abertos a despeito das câmeras de vigilância - postas mais para nos observar que para observar qualquer outra situação…. Haja vista as tantas vezes em que advertências nos foram dadas com base nas imagens fílmicas… dos atrasos, de ter de marcar a consulta do médico no dia de folga.

3. Em 2016, nos jogos30, instalaram câmeras, e equiparam a entrada do museu; vasculharam as bolsas - calma, calma aí, a bomba que espere! O escarcéu era monitorar a zona de atentados terroristas no dia-a-dia, na duração do tempo mesmo sabe, provocar racismo institucional ou prevenção sabe; atiçar a vontade de tirar foto de Tarsila31 por muitas visitantes e criar esse sentimento de hiper-seguridade ao ver um trabalho artístico; sentir um quê de (pausa) sim, algumas pessoas e histórias estão um pouco mais a salvo. 

3.1. Nossa senhora!!!!… vocês estavam em alguma sala? Onde vocês estavam???? 

3.1.2. Você nos viu girar? Nos viu andar de um lado pro outro? Um deus nos acuda!!! 

3.2. Filas e mais filas para nos revistar e também para ficar durante 1h hora mais ou menos vendo as exposições. Tem aquela contagem que diz que visitante fica mais de meia hora. É importante aqui relembrar que ficávamos mais de… semanais nesse lugar com… E a bomba? Ela não… mas o quantitativo de guardas? 

3.2.1. Os agentes do Centro Presente, cê quer dizer?32 

3.2.1.1. Aumentou. 

3.3. Os agentes do Centro Presente já revistaram de maneira vexatória M e D para… as bichas balançaram o cabelo, mostraram se tinham escondido algo na roupa, no pé - os caras eram todos pretos também e estavam com bicicleta e câmera na mão - e elas disseram poh não temos nada… e a arma vocês tão e nos apontam, abaixa isso poh… e a câmera. e o helicóptero… o carro Caveirão da Polícia Civil do Rio de Janeiro metralha um monte e tudo é por causa de… baixa isso poh. uns dizem umas coisas outros dizem outras. 

3.4. Aumenta não só o ódio mas essa consciência de que é preciso mudar para pretos, brancos, indígenas…….modificar a divisão das terras, a jornada de trabalho, a redistribuição de renda e a contabilidade do dinheiro no fim de todo mês…… é preciso uma força que mexa por dentro, repatrie os acervos, redistribua os saldos e os furtos, e que acabe com tudo isso que estamos acostumades. 

3.4.1. e você acorda e sabe que é muito pouco esse espaço que ganhamos na vida para ser entre nós todas dividido como se fosse tudo o que sempre quisemos. 

3.5. DS uma vez foi parar na delegacia porque tava filmando um policial sendo escroto com um cara preto. Leva pra cadeia! (…) Quem tirou D de lá foi alguém da gerência do museu.

4. O segundo filme, entre as guerras (2016), foi feito numa zona árida, dentro de um roteiro cultural, como num passeio em que as pessoas amadas não dão a mão, e sim o anel, a ferramenta, o binóculo, o pau-de-selfie. Diferente do primeiro, D e M estão a passos lentos. Seus corpos fazem um aspecto de atrito com a  paisagem, silenciosamente, entre  as filas, no chão, nos cercos de obras, com a Baía de Guanabara, com os ferros, com o jardim e o navio que vem. 

4.1. O período era de jogos mundiais, já dissemos, e a dança beirada na cidade palimpsesta de sangue lavado …uma vista que ……muitos pretos e nordestinos trabalham por aí ….escorraçados na jornada sempre extrema né (…) para algumas pessoas verem a vista reformada né (…) e os inimigos inventados dormem com os olhos bem abertos e reais presse porto né (…) segunda capital do Império né (…) tem tanta gente que moraria por aqui. 

4.2. O Valongo é esse cais soterrado. Estiveram muitos negros numa travessia numa prisão em alto mar. Comunidades indígenas anteriores e as de agora sendo paulatinamente exterminadas. Andamos onde está tudo debaixo da terra e sendo incendiado e apesar disso pessoas e histórias ainda hoje são encontradas vivas. 

4.3. Sem termos todes nascido com nossos nomes de família escolhidos, nos rebatizamos em nome de nós mesmes contra uma lei de morte e a favor de outra que surge vivendo, e que se desperta antes dos papéis e até nos lugares fechados, para que assim nossos nomes estejam a nascer; para que eles brotem na mensura dos nossos corpos; para que nossos corpos se modulem a cada novo chamamento.

4.4. Andamos lembrando que não estamos danadas ao inferno nem ao céu, e que entre Ayé e Orum existe tantos níveis de existência disponíveis para nós. 

5. Nesses dois vídeos D e M não falam verbalmente, porque elas estão cobertas por palavras de outras pessoas, lidas durante as paragens do dia e da noite.

5.1. Para o dia… as palavras de outras pessoas tornam-se modificações de leituras ambivalentes que legendam as cenas; e quem quer que pare não consegue identificar certamente o início nem o fim do pensamento nem muito bem quem o enunciou… Para a noite… Carolina de Jesus? Clarice Lispector?  As pessoas cruzam as cenas, som ruidoso, estrondo, imagem escorregadia.  

5.2. Nos dois vídeos, as duas pessoas trocam a câmera… passam no final ou no início na zona do porto novo, ali onde é a terra transportada. Ali onde estão os ossos jogados em covas rasas à flor da pele, dos vadios e das rainhas e reis pretos novos aqui estamos nós. com os grupos indígenas? com as comunidades?  

5.3. Samba dizem os nossos que não morre. 

6. O caminho de casa até o trabalho, se com qualidade de vida, se com abertura para errâncias, em um período de café da manhã generoso para quem trabalha, acarreta sempre  atrasos. O trem, a espera, em seguida a transa, em seguida a conversa, em seguida o estresse.

7. Os atrasos são utilizados como justificativa para mais desarticulação entre nós, para mais raiva contra quem atrasou algum rendimento do almoço ou do descanso.

8. Nos culpam, e semeiam a ânsia em nos culpar.

9. Protagonizamos verdadeiros filmes no circuito fechado de televisão do trabalho.

10. Como quando S com sua cabeça repousada nas paredes; como quando deitou no chão imitando um sapo; esteve agarrado, pernas e braços envolvendo uma das pilastras, suspenso do chão.

11. Como as coisas que M fazia, esculpidas pequenas com língua, linha e algodão. Deixava-as babadas para visitantes, no banco, para educadoras, entre os espaços em que estávamos.

12. MWM rabiscava nos cantos da galeria, partes do chão, desenhos miúdos. Dizendo de uma parte do tempo, de uma carne menos crua debaixo de todo o uniforme. Muito próxima aos livros também escondidos embaixo de todos nossos uniformes.

(13. esses filmes muitas vezes são difíceis de assistir do início ao fim. longuíssimos 10, 20 min… vigilantes na guarita e seus patrões, sonolentos. não nos esforçamos em sermos atores para as câmeras. cinema difícil demais para essa audiência)

(no entanto a carniça já estava aí antes. meio morta meio viva. cintilando veneno na mão que bate e na boca que assopra depois de morder)

em seguida ao usar sapatos

Ele começou a andar descalço, por alguma ciência ancestral e próxima. Planejava a nudez pública, com pouco ou nenhum apego.

(atotô. nosso silêncio não compactua com o silêncio de um museu. com essa história de um lugar fechado. de criar e morrer sem condições de vida. três toques com as pontas dos dedos no chão gasto. atotô)

Ele também contava em quais lugares do museu poderia bater os pés para que aquela simpatia de desprezo e de esquecimento se tornasse igualmente uma solicitação para um tempo menos exaustivo. Abandonar os calçados nos corredores administrativos. Entre os pés sujos, os grãos continuavam entre os dedos. Sua camisa rasgada e branca do lado de fora ao contrário de seu uniforme cinza do lado de dentro. Calça branca do lado de fora e calça jeans e sapato dentro de uma irritante regularidade.

Descalço, não lhe faltavam motivos para lhe ameaçarem com uma denúncia ou advertência.  Monitores: peças de museu que não se empoeiram33. JJ quase não falava mais além de sorrir e ficar parado.

     (pusemos pedrinhas brancas nas pilastras e desenhamos nas pranchetas que deveriam portar documentos)

     (Stephanie pedia dinheiro na galeria. uma distância entre nós e ela no que podemos notar que morar na rua traz mais sujeira nos pés, entre os cobertores, na esquina e o frio, a tuberculose, o descaso de todos que a ameaçava sempre. ali no museu estávamos cumprindo horas e recebendo todo mês protegides por um plano de saúde e vale refeição; e conversávamos e Stephanie conosco na mitigação da velha ordem de quem pode ou não falar de arte) 

JJ esvaziava os bolsos e colocava tudo que estava dentro deles no chão - monitorando os próprios utensílios. E deixou, por um milésimo de tempo, o rádio transmissor em um buraco. 

     (esquecer de bater o ponto é uma promessa, um abaixo-assinado para a vida. lembro do abaixo-assinado que DS34 realizou  para a diminuição das horas trabalhistas e do educativo está presente35 de M para a diminuição, se todos aprovassem, das horas de 8h para 4h diárias já) 

J machucou os dedões por trabalhar de chinelos. 

    (finjo que não vi as coisas serem tocadas)

    (hoje uso capacetes para me proteger dessas suas obras de arte)

    (fotografamos com flash as imagens que gostaríamos de destruir. queimar algumas, substituir essa narração da história)

    (não ameaçar com morte ninguém. demos uma cabeçada acidental em uma cúpula de vidro)

JJ ficou quase sem roupa antes de formalizar o pedido de demissão. 

    (percebemos a luz que vaza do teto do museu às 11:05 da manhã somente cinco anos depois de termos começado a trabalhar nele)

    (tocamos em todas as molduras e no chão, começamos a desenhar, quebrando o pavimento onde ficam os fios e ninguém vê)

    (fiz pouco ou nenhum rombo e hoje deve ter quem faça janelas e portas em lugares não anunciados) 

    (raiva de manhã dava gastrite. daí quando o sol batia nessa clareira chamada vida de quem ganha pouco era momento de agradecer alguma coisa violenta nomeada trabalho-44h-semanais-plano-de-saúde-vale-alimentação-e carregamos nossos crachás na ponta dos dedos)

    (espalhei poesias pelo chão craquelado. não sei se distinguiram do que já estava lá; com as inundações o teto cedia)

JJ viu uma advertência justificada por filmagem não autorizada por ele.36

(teve gente que fez greve37. furam os pés de visitantes. transam no espaço do serviço)

    (teve quem trabalhou sob efeito das substâncias transformadoras da consciência cósmica. foi demitida. pediu demissão. continua por lá)

como dois seguranças

Eles dois estão avessos aos visitantes nesta situação em que, parados em uma porta com olhos fechados, todas as pessoas passam por eles38. Vestem uniformes de segurança, mas, sabemos que não seriam contratados nessa condição de não abrir os olhos. É no entanto dessa condição que pertence o trabalho artístico - a de não poder salvaguardar a todo custo39; e o nível e o período em que se dá a invisibilidade e a visibilidade de uma ação. A frequência de um ato criativo. A duração do tempo: estender ou não as situações adversas e abusivas. 

AA e JJ estavam parados com as cabeças viradas para a parede em outro momento, na abertura de uma festa, quando todes estavam comemorando um carnaval40

(sonhei que saíam bois imensos com chifres do mar e engoliam um homem. mas esse homem não morria. ele amedrontava toda a cidade e as bruxas que tinham tentado matá-lo estavam sendo perseguidas)

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    (já não digo que se passou pouco tempo porque isto não se curva a mágoa nem a vitimismo: as condições trabalhistas só pioram)

    (não decorada a voz de algumas pessoas nem os seus nomes, entramos lá de mãos dadas como se nem tivéssemos trabalhado ou quando lembramos vemos na real que não é um caso específico: todo trabalho tem um tanto de museu. todo trabalho resguarda seus bens. por conta disso, as pessoas que estão se auto-chamando por outros nomes só crescem, e algumas delas vêm cobrar que se divida o ouro, que se reparta a fortuna)

por Jandir Jr e max wíllà morais
Cidade | 28 Agosto 2019 | museu, obra, precariedade, segurança, tempo, trabalho