Que lugar para África na cena artística portuguesa?

Que lugar para África na cena artística portuguesa? Para começar não me parece que haja propriamente uma cena artística africana em Portugal. Há algumas intervenções, promovidas sobretudo por agentes culturais portugueses (e alguns africanos, sobretudo angolanos), na música, cinema, artes plástica, teatro, mas não consistiu nenhuma « cena artística ». Mas é uma aparição bastante recente e com um grande atraso em relação a outros países. Na década de 80 houve uma grande amnésia, não se falava muito sobre África, ainda na ressaca de descolonização.

Cara a cara

25.10.2021 | por Maud de la Chapelle

Orlando Sérgio, o jovem que todos queremos ser

Orlando Sérgio, o jovem que todos queremos ser A postura singular e imponente (sem ocupar demasiado espaço, equilíbrio que nem sempre é fácil) de Orlando Sérgio é impactante onde quer que ele esteja. A voz com um timbre de sábio e teatro não dramático, manifesta ponderação, profundidade e jovialidade. Gosta de andar pela cidade e reunir-se com artistas, criativos, intelectuais, pessoas com almas inquietas, gosta de sentar-se em conversas prolongadas e a partilhar histórias hilariantes.

Cara a cara

22.09.2021 | por Marta Lança

“Em nome da moral fazem-se guerras”, entrevista a Sarah Maldoror

“Em nome da moral fazem-se guerras”, entrevista a Sarah Maldoror A câmara de Sarah Maldoror captou os primórdios da luta pela libertação de países africanos, ao lado de nacionalistas como Mário Pinto de Andrade, seu marido, Amílcar Cabral ou Agostinho Neto. "Sempre convivi com este problema da mestiçagem. Um mestiço pode ser um africano que defende uma causa. Mas também aprendi com a minha experiência que não devemos lutar pela moral. Em nome da moral fazem-se guerras. Quando me falam de moral eu calo-me. O que é a moral? Há é que falar de respeito."

Cara a cara

17.08.2021 | por Pedro Cardoso

Celebração: dor, raiva, tristeza e muito riso. Entrevista a Zia Soares

Celebração: dor, raiva, tristeza e muito riso. Entrevista a Zia Soares A narrativa construída sobre este episódio é dada pela parte portuguesa, a do “massacre”, que ofusca e apaga o movimento de resistência dos santomenses. Daí ter optado por referi-lo enquanto Guerra da Trindade (1953). Claro que foi desigual, mas houve confronto, os santomenses não se baixaram perante a atitude do governador Carlos Gorgulho. E esse movimento de resistência organizada, pensada e estruturada é algo sobre o qual não se ouve falar.

Palcos

17.05.2021 | por Marta Lança e Zia Soares

Pandemia obriga grupos de teatro a se reiventar

Pandemia obriga grupos de teatro a se reiventar Os teatros, por serem ambientes fechados, com pouca circulação de ar e gerarem aglomerações, estão entre os primeiros espaços que foram fechados, no início da pandemia, em março de 2020, no Brasil. Sem ter onde se apresentar, os artistas precisaram se reinventar. "Exatamente no dia que a gente ia começar o ensaio, foi anunciado o lockdown e a gente pensou que a pandemia duraria 15 dias. Pensamos que logo retomaríamos o ensaio presencial", conta o dramaturgo, roteirista e ator Herton Gustavo Gratto, que escreveu e atuou em O ensaio sobre a perda. Não foi o que aconteceu.

Palcos

03.04.2021 | por Dom Total

“O Teatro Viriato ainda é um oásis no país”

“O Teatro Viriato ainda é um oásis no país” Sento-me em qualquer sítio e toda a gente tem uma história com o Teatro Viriato. O Teatro é da cidade. E, ainda assim, sentimos que há novos públicos, há novas energias, novas possibilidades. É isto que um teatro deve ser. É uma casa onde nos encontramos todos, vindos de não sei de onde. Com coisas em comum para partilhar mas também com coisas que nunca tínhamos visto antes. Por vezes incómodas.

Cara a cara

25.01.2021 | por Mariana Carneiro

"Explorar o outro continua a estar na base das nossas sociedades", entrevista ao escritor malgaxe Jean Luc Raharimanana

"Explorar o outro continua a estar na base das nossas sociedades", entrevista ao escritor malgaxe Jean Luc Raharimanana Existem leis, creio eu, relativas à violação das liberdades. As palavras alienantes podem influenciar as massas, mas estas palavras sempre existiram na história da humanidade. É o espírito crítico que eu penso ser urgente apoiar e desenvolver. Prefiro pensar em termos de possibilidades do que em termos de limitações. Como podemos fornecer a todos as ferramentas para criar uma palavra criativa, um movimento de tecelagem em vez de uma palavra destrutiva, um gesto para rasgar?

Cara a cara

11.01.2021 | por Alícia Gaspar e Jean Luc Raharimanana

“Qualquer lugar é um lugar potencial para o teatro acontecer” entrevista a Joana Craveiro

“Qualquer lugar é um lugar potencial para o teatro acontecer” entrevista a Joana Craveiro A fundadora e diretora artística do Teatro do Vestido, Joana Craveiro, fala, entre outras matérias, sobre a reivindicação do espaço público, de poder fazer teatro em qualquer sítio. (...) Continua a ser difícil para uma artista criar em Lisboa? As e os artistas continuam a ser empurrados para fora? Tenho de ser sincera, foi sempre muito difícil em Lisboa. Estamos a falar das estruturas de programação da cidade. Éramos completamente underground não por opção, mas porque, objetivamente, e durante muitos anos, não conseguíamos uma única coprodução em Lisboa. Esta era a nossa realidade até aqui há uns anos atrás. Aí as coisas começaram a mudar e conseguimos aceder a essas estruturas que têm dinheiro para financiar a criação dos artistas.

Cara a cara

10.11.2020 | por Mariana Carneiro

"Qualquer expressão artística é uma luta contra o obscurantismo da ditadura"

"Qualquer expressão artística é uma luta contra o obscurantismo da ditadura" Quando falamos das políticas da memória temos de perceber que estamos sempre a falar de escolhas que, evidentemente, são ideológicas. E se formos acusados pela extrema-direita de estarmos a ensinar a História que queremos transmitir temos de ser capazes de dizer “Sim, estou a assumir que este é o facto histórico que quero relatar”. Não há História neutra. Isso não existe. Políticas da memória, como o nome indica, implica que há uma escolha, uma edição sobre o que é que quero que fique gravado, que História quero que as crianças aprendam na escola.

Cara a cara

01.11.2020 | por Mariana Carneiro

Aurora Negra

Aurora Negra É o ano em que todas as máscaras se tornam visíveis. Em palco, há uma que nos acompanha o tempo todo. Vemos através dela. A pandemia não nos permite tirar as nossas. As do racismo vão caindo. As pretas ocupam a casa. Irrompem caixa preta adentro. Falam com os seu fantasmas e os nossos, confrontam-nos. Confrontam-nos a nós, público. Aqui, o público é parte do problema e da solução. Não se iludam: Aurora Negra diz e faz o óbvio, o que é esperado, o que é desejado. O que foi solicitado. Por quem? Para quem?

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12.09.2020 | por Gisela Casimiro

Subversões da memória

Subversões da memória Para ativar a discussão sobre a relação entre memória e criação artística os organizadores, Maria João Brilhante e Tiago Rodrigues, propuseram três eixos de aproximação ao tema que, resumidamente, questionavam: (1) como o próprio fazer teatral desenvolve-se como um trabalho da memória; (2) como o teatro produz e performa memórias; e (3) em que medida a memória torna-se matéria do teatro, isto é, como o teatro elabora e relaciona memórias coletivas e individuais e pode assim construir contra-versões das “histórias oficiais” produzidas pelas sociedades.

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04.11.2019 | por Joana Levi

Ingmar Bergman, o caminho contra o vento de Cristina Carvalho

Ingmar Bergman, o caminho contra o vento de Cristina Carvalho Este livro é como uma radiografia e nela transparece e impressiona uma incómoda presença da humanidade, quase repulsa da mesma depois de a ter conhecido, uma necessidade de esquecer fantasmas (constantes sombras nas paredes) e, como pano de fundo, o desejo de esquecer o peso insuportável da popularidade, e de esquecer os pesadelos de uma infância dura e traumática.

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16.10.2019 | por José Manuel Castanheira

Memórias do colonialismo português encenadas por Hotel Europa

Memórias do colonialismo português encenadas por Hotel Europa Fortemente política, em confronto aberto com a dimensão onírica da nacionalidade portuguesa, a trilogia nasce das perplexidades pessoais do autor e da vontade de contextualizar a história dos seus pais, que viveram em Moçambique colonial. A dimensão individual desta criação extravasa largamente o espaço íntimo e familiar para assumir o palco de um espaço público que o autor quer confrontar e com o qual quer refletir.

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16.06.2018 | por Hélia Santos

quando quebra queima, coletivA ocupação: explosão, levante político-artístico e revolução do cotidiano

 quando quebra queima, coletivA ocupação: explosão, levante político-artístico e revolução do cotidiano peça construída por estudantes que viveram o processo de ocupações e manifestações do movimento secundarista em 2015 e 2016. Frutos da primavera secundarista, 14 corpos insurgentes deslocam para a cena a experiência dentro das escolas ocupadas, criando uma narrativa coletiva e comum a partir da perspectiva de quem viveu intensamente o cotidiano dentro do movimento. Ocupando o tempo presente, a ColetivA provoca de maneira pulsante o universo que compõe esse movimento que transformou o corpo e vida de todos que participaram.

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13.05.2018 | por Jean Tible

A propósito do espectáculo "O Olhar de Milhões" de Raquel Castro

A propósito do espectáculo "O Olhar de Milhões" de Raquel Castro Ora se o consumo é ele próprio um trabalho que é ele próprio uma guerra, não é de admirar que a situação adquira permanentemente tons de excepcionalidade e proliferem fronteiras entre os sujeitos, os territórios, as classes. “Viver ao máximo”, “atrever-se ao impossível”, “arriscar”, “ser único”, “pensar fora da caixa”, “destacar-se dos demais”... compõem um conjunto de situações para as quais não pode nem deve haver paralelo, sendo impossíveis de partilhar, porque absolutamente únicas uma vez que desenhadas on demand para o utilizador individualizado – i.e. para o consumidor que é pensado nos seus desdobramentos ad infinitum.

Palcos

18.11.2017 | por Ana Bigotte Vieira

Libertação

Libertação Este trabalho contribui para uma re-escrita da nossa história colonial e ajudar à discussão de problemas actuais que advêm de questões coloniais não debatidas. Faz parte de um movimento atravessa a sociedade portuguesa pelas universidades, as artes, os jornais, associações e que olha para o passado porque quer alterar o presente e a forma como se conta esse passado.

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26.10.2017 | por André Amálio

O olhar de milhões

O olhar de milhões Fomos crescendo cada vez com mais dilemas, com a falsa ideia de que podemos escolher e ser livres, mas estamos presos ao dinheiro, à precariedade, a uma sociedade que nos molda para sermos os melhores em tudo o que fazemos. Será que somos mais felizes do que os que vieram antes de nós? E os que vierem a seguir? Serão eles mais felizes do que nós fomos? Poderemos pelo menos dizer que fomos felizes a tentar?

Palcos

22.10.2017 | por vários

Moçambique é uma fantasia pós-colonial

Moçambique é uma fantasia pós-colonial Das múltiplas chaves de entrada em tão eficaz dramaturgia destaco a desconstrução liminar do sistema assistencialista das organizações de ‘ajuda humanitária aos africanos’, a exploração dos refugiados sob o pretexto de um trabalho dignificante, as cenas de contracena e faz-de-conta clássicas à maneira de Molière, a energia contagiante dos ‘números coreográficos’ mimetizando danças de resistência moçambicanas e um trabalho perfeito sobre os equívocos que conduzem a posições racistas quando a identificação de alguém por um colono se sobrepõe à identidade que o ex-colonizado reclama para si.

Palcos

21.08.2017 | por António Pinto Ribeiro

Teatro em Angola, uma brevíssima síntese

Teatro em Angola, uma brevíssima síntese Falar de teatro em Angola é quase sinónimo de lamentar a falta de teatro em Angola. Vale a pena fazer um levantamento muito sucinto que dê a conhecer as pontas soltas - grupos, atores, encenadores, espaços - que têm mantido o teatro angolano vivo nestes 41 anos de Independência.

Palcos

18.07.2017 | por Marta Lança

Reflexões Pós-Parto. Uma crítica a Parto Rosa de Renata Torres

Reflexões Pós-Parto. Uma crítica a Parto Rosa de Renata Torres O presente texto debruça-se sobre a peça Parto-Rosa, da qual Renata Torres é autora e intérprete. A encenação é de Torres e Matamba Joaquim. Parto Rosa estreou em Luanda, no Centro Cultural Brasil Angola, no dia 31 de Março, numa apresentação única. O que trazemos aqui não é um resumo da peça com citações transcritas, mas uma curta análise do trabalho da autora, cuja visão crítica interessa reflectir um pouco.

Palcos

20.04.2017 | por Maria-Gracia Latedjou