Lisboa na Rua debate temas da atualidade por intermédio da arte

Até 19 de setembro, a música, o teatro, a dança, o cinema, as artes plásticas, o circo e a magia vão invadir as ruas da cidade lisboeta. As atividades advêm da iniciativa Lisboa na Rua, que este ano explora temas como o ambiente, o feminismo e o desporto.

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Para encerrar o mês de agosto a videoarte, a dança e a magia prepararam um conjunto de apresentações ao ar livre em vários locais da cidade, através do festival Fuso, do ciclo Dançar a Cidade – que nesta edição transforma bibliotecas, museus e monumentos em pistas de dança seguras – e do Lisboa Mágica.

Em setembro é a vez da artista Grada Kilomba inaugurar no MAAT - Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia uma instalação. O objetivo do projeto é recordar histórias e identidades dos nossos antepassados. Simultaneamente, serão ainda resgatados feitos de mulheres portuguesas que marcaram a diferença nas suas épocas, no regresso das Antiprincesas à companhia dos mais novos.

Nesta linha, o CineCidade regressa ainda ao jardim do Museu de Lisboa com quatro filmes para ver ao ar livre. As sessões ocorrem todas as sextas e sábados, a partir das 21h30, numa edição dedicada aos direitos humanos no mundo do desporto. Neste local terá igualmente lugar o primeiro espetáculo escrito e encenado pela rapper Capicua, A Tralha, que nos recorda a urgência das preocupações ambientais.

Ao longo deste mês de programação, destaque ainda para os concertos O Conde de Monte Cristo, interpretado pela Orquestra Orbis, e o concerto de estreia do Maestro Martim Sousa Tavares a dirigir a Orquestra Gulbenkian, para uma “não-edição” do Festival Lisboa Soa, no Castelo de São Jorge, uma exposição de fotografia retrospetiva do projeto Parallel Review

No âmbito do Lisboa Soa será lançado um livro intitulado “Arte Sonora, Ecologia e Cultura Auditiva: Lisboa Soa 2016-2020”, que reúne o trabalho feito ao longo de cinco edições deste festival, por intermédio da arte sonora e de uma série de conversas e textos de artistas que participaram no festival. 

Podes consultar a programação na íntegra aqui

Realce-se que todos os eventos têm entrada gratuita, mas com lotações reduzidas de acordo com as normas de segurança em vigor anunciadas pela Direção Geral de Saúde.

Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) da Câmara Municipal de Lisboa é a responsável pela iniciativa Lisboa na Rua.

Texto de Isabel Marques, originalmente publicado por Gerador, a 27.08.2021

27.08.2021 | por Alícia Gaspar | ambiente, arte, desporto, EGEAC, feminismo, Grada kilomba, lisboa, maat

Dublinense lança aguardado novo romance de Cristina Judar, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura

”Elas marchavam sob o sol”, lançado 4 anos depois de seu último romance, apresenta narrativa sobre aprisionamentos relacionados ao feminino e a corpos dissidentes.

Em continuidade à trajetória iniciada pela autora em seus lançamentos anteriores, Elas marchavam sob o sol, segundo romance de Cristina Judar (ganhadora do Prêmio São Paulo de Literatura 2018 e finalista do Prêmio Jabuti) baseia-se em um extenso trabalho sobre o que é ser mulher no Brasil e no mundo, hoje e nas últimas décadas. 

“Neste romance, eu quis trazer à tona questionamentos sobre os mecanismos de exploração e de produção do corpo-capital, assim como sobre a estigmatização e o aprisionamento dos corpos do ser mulher (sejam elas cisgênero ou transgênero) e de uma infinidade de corpos dissidentes que são, há tempos, usados pelo sistema como território de contínuas invasões e aprisionamento”, declara a autora. 

 

SINOPSE

Elas marchavam sob o sol traz as trajetórias de duas jovens, Ana e Joan, que completarão 18 anos de idade em doze meses. Suas vozes e vivências são apresentadas em paralelo, a cada mês, até a data de aniversário.

Ana é diurna e contemporânea, é a mulher bombardeada por anúncios, pelo consumismo, pelas pressões de ordem estética e comportamental dos nossos dias. Joan é noturna, traz referências da ancestralidade, dos ritos de passagem e do entendimento sobre os ciclos da vida e da morte, do inconsciente e do imaginário popular. 

No decorrer da narrativa, são apresentadas as vozes de outras personagens relacionadas às protagonistas, assim como à vivência do cárcere e a tortura em diferentes níveis, inclusive com referência às experiências de prisioneiras políticas durante o período da ditadura militar no Brasil. Elas marchavam sob o sol é um romance sobre violência, perseguição religiosa, perda de liberdade e direitos, além de ser um libelo sobre a necessidade dos ritos, dos sonhos e da ressignificação dos corpos, questionando papeis sociais através da linguagem vibrante e singular de sua autora.

SOBRE A AUTORA

Cristina Judar nasceu em São Paulo, é escritora e jornalista, autora do romance Oito do Sete, ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura 2018 e finalista do Prêmio Jabuti do mesmo ano. Escreveu o livro de contos Roteiros para uma vida curta (Menção Honrosa no Prêmio SESC de Literatura 2014) e as HQs Lina e Vermelho, vivo. Seus textos curtos também figuraram em diversas antologias publicadas no Brasil e no exterior. Elas marchavam sob o sol é o seu segundo romance.

OPINIÕES SOBRE O LIVRO

“Em Elas marchavam sob o sol, Cristina Judar construiu uma narrativa poética e pungente, numa linguagem-punhal que entra na pele, que tudo desfaz e reordena. Não há como fugir ou sair incólume. Um belíssimo romance, para se ler como quem sonha.” – Carola Saavedra

“Escritoras do porte de Cristina Judar são necessárias pela capacidade de imprimir uma identidade, pela busca de caminhos sem facilidades para desconcertar o leitor, pela coragem de experimentar e envolver com ficção temas cuja natureza a sociedade ainda não conseguiu assimilar.” – Sérgio Tavares

“Com ‘Elas marchavam sob o sol’, Cristina Judar executa na sua ficção o que o filósofo Paul Preciado sugeriu ao refletir sobre produções artísticas, que é preciso pensar produções de contraficções capazes de questionar modos dominantes de vermos a norma e o desvio. Nesse romance, Judar arquiteta – retorce, flameja, dança – nomes e significados não descobertos (ou redescobertos) e corpos falantes que se reinventam. Mas se trata de uma arquitetura de existências fluidas. As medidas de tempo localizadas no livro são, na minha leitura, um derramar sonoro da imaginação da escritora.” – Raimundo Neto

10.05.2021 | por Alícia Gaspar | corpos dissidentes, Cristina judar, feminismo, livro, mulher, romance

Monólogos da Vagina

Teatro Armando Cortez 

De terça-feira 3 novembro 2020 - quarta-feira 11 novembro 2020

Os monólogos da vagina são compostos por vários textos. Cada um deles lida com a experiência feminina, abordando assuntos como sexo, prostituição, imagem corporal, amor, menstruação, mutilação genital feminina, masturbação, nascimento, orgasmo. Um tema recorrente em toda a peça é a vagina como uma ferramenta de capacitação feminina e a personificação máxima da individualidade. Todos os anos, um novo monólogo é adicionado para destacar uma questão actual que afecta as mulheres em todo o mundo.

Endereço

Estrada da Pontinha, 7
Lisboa
1600-583

Mais informações e bilhetes em: http://www.teatroarmandocortez.pt/

02.11.2020 | por martalanca | corpo, empoderamento, feminismo, sexualidade

Chamada de artigos e ensaios visuais para a RLC nº 54 (Primavera/Verão 2021) – Mulheres nas descolonizações: modos de ver e saber

Encontra-se aberto até 15 de Janeiro de 2021 o processo de submissão de artigos para a Revista de Comunicação e Linguagens, editada por Maria do Carmo Piçarra (ICNOVA — NOVA FCSH), Ana Cristina Pereira (CES – U. Coimbra) e Inês Beleza Barreiros (investigadora independente), subordinada ao tema “Mulheres nas Descolonizações: modos de ver e saber”.

No âmbito do internacionalismo que suportou as lutas de libertação em todo o mundo, as mulheres usaram a imagem – através da câmara fotográfica ou de filmar – como uma arma. De certo modo, essa prática política, engajada, foi uma resposta ao uso feito pela propaganda política, científica, económica, que sustentou a ordem e ideologia colonialistas.

Nos países de língua portuguesa, entre as mulheres que fotografaram ou fizeram filmes com propósitos políticos, destacaram-se Augusta Conchiglia, Margareth Dickinson, Ingela Romare, Sarah Maldoror e Suzanne Lipinska. Aos materiais filmados – e não apenas por mulheres – foi dado sentido pelas montadoras Jacqueline Meppiel, Cristiana Tullio-Altan ou Josefina Crato, esta última a única mulher dos quatro jovens guineenses enviados por Amílcar Cabral para estudar cinema em Cuba.

De Augusta Conchiglia – Augusta Conchiglia com Iki Carrera, junho de 1968, Este de AngolaDe Augusta Conchiglia – Augusta Conchiglia com Iki Carrera, junho de 1968, Este de Angola

Margarida Cardoso, Pocas Pascoal, Maria João Ganga, Isabel Noronha, com as suas ficções cinematográficas; Kamy Lara, Ana Tica, Diana Andringa e Catarina Laranjeiro, através de obras documentais; Eurídice Kala, Vanessa Fernandes, Filipa César, Mónica de Miranda, Ângela Ferreira, Luciana Fina, Jota Mombaça e Grada Kilomba com os projectos, instalações, performances e criações na área das artes visuais dão hoje contributos determinantes para reflectir sobre as memórias e vivências (pós-)coloniais, modos de descolonizar o arquivo e de re-imaginar o colonialismo português e a luta contra o mesmo.

Mulheres combatentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAICG). Foto, Le Nouvel Afrique -Asie, Paris Mulheres combatentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAICG). Foto, Le Nouvel Afrique -Asie, Paris

Nesta edição especial pretendemos reunir contributos para reavaliar a imaginação, pelas mulheres, do colonialismo nos países de língua portuguesa, já que raramente se incluem as suas contribuições no processo de descolonização ou o ponto de vista das mulheres envolvidas nos movimentos anticoloniais ou mesmo o das mulheres que faziam parte da estrutura da autoridade colonial. Nenhuma história da descolonização ou das praxes descolonizadoras está completa sem as mulheres. Acolhemos, nesse sentido, abordagens históricas, teóricas e também propostas artísticas, sob a forma de ensaios visuais, para analisar criticamente:

Como é que as mulheres olharam as lutas de libertação nas ex-colónias portuguesas? Como é que os seus olhares foram integrados ou não na imaginação do colonialismo? Houve um olhar específico das mulheres sobre a libertação do colonialismo português? Que saber e consciência temos de/sobre esses olhares? E como é que esses olhares se cruzam com os das realizadoras, artistas, curadoras e académicas que hoje questionam os arquivos, públicos e privados, interrogam e recriam visualmente as suas memórias e re-imaginam o colonialismo? Que acção é que a investigação académica, as políticas de conservação de arquivos, os gestos de programação e curadoria podem ter no questionamento ou, pelo contrário, no prolongamento das “políticas (oficiais) da memória”?

Os contributos podem abordar, entre outros, os seguintes tópicos:

– Mulheres nos movimentos de libertação nacional;
–  Modos coloniais de ver e saber de artistas e cientistas (passado e presente);
– Políticas sexuais e geografias da intimidade dos impérios (Stoler);
– Feminismo, nacionalismos e descolonização;
– Raça, género e sexualidade (sexualidade como instrumento de poder);
– Direitos do Homem, Direitos das mulheres;
– Exotização e emancipação dos corpos “colonizados” de mulheres;
– Mulheres realizadoras de cinema militante/cinema político;
– Re-imaginação do colonialismo e práticas artísticas;
– Modos de “descolonizar” o arquivo e a re(a)presentação do(s) corpo feminino(s) colonizado(s);
– Teorias e métodos anti-coloniais e decoloniais produzidos por mulheres.

Os artigos podem ser escritos em inglês, francês, espanhol ou português e serão submetidos a revisão cega por pares. A formatação deve ser feita em conformidade com as diretrizes de submissão da revista e a submissão feita através da plataforma OJS até 15 de Janeiro de 2021.

Para consultas, entre em contacto com as editoras Maria do Carmo Piçarra (carmoramos@gmail.com), Ana Cristina Pereira (kitty.furtado@gmail.com) e Inês Beleza Barreiros (barreiros.ines@gmail.com).

Directrizes para submissão e instruções para autores:

http://www.fcsh.unl.pt/rcl/index.php/rcl/about/submissions#onlineSubmissions

Formato dos ensaios visuais:

Até 12 páginas. O ensaio poderá ser inteiramente visual ou combinar imagem e texto; o elemento visual do ensaio deve ser parte integrante do argumento ou das ideias expressas e não servir como exemplo ou ilustração dos mesmos. A submissão deve incluir um texto introdutório (150-300 palavras) que ajude a compreender o ensaio e a sua pertinência no âmbito do tema. Deve ser dada particular atenção à paginação das imagens/textos, pelo que o ensaio deve ser acompanhado de um ficheiro PDF com paginação sugerida para 17×24,5cm e resolução de 300ppi.

(informação útil: https://catoolkit.herts.ac.uk/toolkit/the-visual-essay/)

 

19.10.2020 | por martalanca | chamada de artigos e ensaios visuais, feminismo, lutas de libertação, revista de comunicação e linguagens

"1 Million Rosen für Angela Davis" | Kunsthalle im Lipsiusbau, Dresden

Local de emissão: https://www.skd.museum/besuch/lipsiusbau/

Tempo de execução: 10 Out. 2020 / 24 Jan. 2021

1 milhão de rosas para Angela Davis 


Nos trabalhos - fotografias, vídeos, esculturas, instalações sonoras e obras conceituais - uma jovem geração de artistas foca no compromisso contínuo de Davis com a justiça social, a sua luta contra o racismo e o sexismo, bem como a introdução da sua imagem icónica numa história global de resistência.

Curadora da exposição: Kathleen Reinhardt 

Mais informação disponível em: https://lipsiusbau.skd.museum/ausstellungen/1-million-rosen-fuer-angela-davis/

08.10.2020 | por martalanca | Angela Davis, exposição, feminismo, racismo, sexismo

Artistas e educação radical na América Latina

Feminismo, Mulheres e Escolas de Arte

22 de outubro 2019 | 18h

com Hilary Robinson, Professor of Feminism, Art and Theory, Director of the Centre for Doctoral Training: Feminism, Sexual Politics, and Visual Culture, Loughborough University (U.K.) | Seminário em inglês

A relação entre mulheres, feminismo e escolas de arte é complexa e com especificidades geográficas. Enquanto o desenvolvimento do American women ́s art movement na década de 1970 é muitas vezes associado a programas particulares (i.e. o Feminist Art Program [Fresno State College 1970-1993; CalArts 1971-1975]) e à definição de instituições alternativas (i.e. o Feminist Studio Workshop [LA, 1973-1981]; New York Feminist Art Institute [1979-1990]), no Reino Unido a experiência foi muito diferente. Aí, as mulheres tenderam a organizar-se em grupos auto-didactas fora das escolas de arte, e com a excepção do MAFEM de Griselda Pollock em Leeds (1993-2003), a influência do feminismo na educação artística em escolas de arte restringiu-se a programas ad-hoc, seminários ou à influência de alguns professores. Contudo, os números e as percentages de alunas de arte cresceram exponencialmente desde os anos 1970 até à actualidade. Ancorando a discussão na história específica da experiência no Reino Unido, e partindo da minha experiência prévia enquanto Directora, esta comunicação irá analisar a situação de artistas mulheres em escolas de arte no Reino Unido na actualidade. Cinco décadas após a aplicação das primeiras pedagogias informadas pelo Movimento de Libertação das Mulheres, que pedagogias estão a ser utilizadas para formar grupos predominantemente femininos? O que podem ser estratégias feministas?

Local: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa Auditório 3, torre B | Avenida de Berna 26, 1069-061 Lisboa

13.10.2019 | por martalanca | educação, feminismo, género, Hilary Robinson, Movimento de Libertação das Mulheres

A importância das mulheres africanas e afrodescendentes na luta pela igualdade de género

No âmbito das celebrações do Dia Internacional das Mulheres, 8 de Março,enquadradas no evento Women Talks promovido pela Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e outras organizações da sociedade civil, a FEMAFRO - Associação de Mulheres Negras, Africanas e Afrodescendentes em Portugal, organizará uma sessão de reflexão e debate sobre o papel histórico das mulheres africanas e afrodescendentes na luta pela igualdade de género. Neste contexto, a sessão pretende apresentar uma análise profunda acerca da visibilidade destas mulheres na sociedade atual, assim como lançar novas formas de ação, vinculadas à questão da igualdade e da diversidade, ao espaço de emancipação e reconhecimento de lutas comuns. 
Oradoras: Regina Queiroz e Raquel Rodrigues
08 de Março 12h00 - 13h00
Sala dos Doutoramentos. Reitoria da Universidade de Lisboa - Alameda da Universidade, Lisboa

 

05.03.2017 | por martalanca | feminismo, mulheres africanas

Eventos no Centro de Cultura e Intervenção Feminista (CCIF/UMAR)

Na próxima semana, dias 18 e 20 de Abril, a UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta promove duas actividades no Centro de Cultura e Intervenção Feminista (CCIF/UMAR) em Alcântara, Lisboa.

2.ª feira, 18 de Abril às 18h30 // Apresentação do livro recém-publicado de Virgínia Baptista Protecção e Direitos das Mulheres Trabalhadoras em Portugal 1880-1943 por Anne Cova, historiadora e investigadora no ICS – Instituto de Ciências Sociais, com a presença da autora.

4.ª feira, 20 de Abril às 18h30 // Intervenção de Luzia Oca González, antropóloga galega e Prof.ª na UTAD desde 2004, sobre (o mito d)a integração das cabo-verdianas entre 1978 e 2008 no município de Burle, na Galiza. 

A sua obra Caboverdianas en Burela. Migración, relacións de xénero e intervención social recebeu o Prémio Vicente Risco de Ciências Sociais 2014.

Parceria: UMAR e Centro de Estudos Galegos da FCSH-UNL. Com o apoio da Xunta de Galicia.

Mais informações em:

https://www.facebook.com/UMARfeminismos
http://www.umarfeminismos.org/

Entrada livre.

17.04.2016 | por claudiar | apresentação livro, feminismo, umar

Arte e Feminismo & WikiD Edit a Thon Lisboa 2015

Encontro de edição colectiva na Wikipedia

7 de Março das 10h às19h

Local: Labart | Universidade Lusófona, Campo Grande

Entrada livre

Inscrições: editathonlx@gmail.com

Em 2011 a Wikimedia Foundation realizou um inquérito sobre quem editava  na Wikipédia e descobriu que menos de 10% dos seus contribuintes se identificava como feminino. Enquanto as razões para esta discrepância entre géneros pode ser um assunto de debate, o seu efeito prático é objectivo.  A falta de participação feminina na produção de artigos na Wikipedia gera uma distorção nos conteúdos disponíveis, o que representa uma ausência alarmante na construção deste repositório de partilha de conhecimento cuja importância é cada vez maior.  Os problemas de género na Wikimédia encontram-se bem documentados. (inquérito em + informação)

É neste contexto que surge Arte e Feminismo & WikiD | Edit a Thon Lisboa 2015, encontro que conjuga numa só 1ª edição os dois eventos que se realizam  em Nova Iorque dias 7 e 8 de Março: Art+Feminism Edit-a-Thon no Museum of Modern Art dia 7 e  WikiD –Women Wikipedia Design organizado por ArchiteXX dia 8.

Lisboa alia-se deste modo a mais de 30 cidades ao realizar este encontro global de edição na Wikipédia focada em assuntos relacionados com arte, arquitectura e feminismo. Queremos ajudar a mudar a situação. Quer colaborar e participar? Faça parte.

Haverá um workshop de inicio à edição na Wikipédia, materiais de referência, debate e uma sessão colectiva de edição. Traga o seu laptop, ficha para ligação à corrente, ideias e artigos para entradas na Wikipédia a precisar de edição ou para novas entradas a serem criadas. 


As inscrições estão abertas até dia 5 de Março. Todos os materiais e demais informações relacionadas com o evento serão enviados aos inscritos. 

+ informação:
a nossa página Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:Encontro/Edicao/Lisboa/Artefeminismo                              Facebook: https://www.facebook.com/artefeminismolx/info?tab=page_info&edited=nameorganizadores: http://artandfeminism.tumblr.com/ e https://www.facebook.com/events/416274511860793/evento pelo mundo: http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Meetup/ArtAndFeminisminquérito 2011: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/76/Editor_Survey_Report_-_April_2011.pdf

26.02.2015 | por martalanca | arte, feminismo, WikiD

Hetero qb, Museu do Chiado, LISBOA

CURADORIA: Emília Tavares & paula roush

PROGRAMA (até 14 de Abril): Zanele Muholi & Peter Goldsmid (África do Sul). Difficult Love, 2010, vídeo, cor, som, 47’33’’. Cortesia da artista e Stevenson Gallery, Cape Town e Joanesburgo

“Esta programação apresenta um conjunto internacional de obras em vídeo realizadas por mulheres, sobre temáticas que vão desde o feminismo, ao lesbianismo e transgénero. A seleção de trabalhos abrange países e realidades consideradas “periféricas”, em relação ao discurso e prática do feminismo clássico euroamericano, usualmente mais conotado como progressista na defesa da igualdade das mulheres e do género. Sociedades em que as tensões históricas, culturais, sociais, políticas e naturais sobre o género têm sido, nas últimas décadas, disputadas e reivindicadas sob outros moldes, desafiantes da própria história do movimento feminista.

Por outro lado, esta programação revela alguns dos debates mais importantes sobre as questões dos feminismos ou pós-feminismo, assim como todo o âmbito das diversidades queer, desde o lesbianismo, bissexualidade, transsexualidade ou transgénero, que têm sido fundamentais para o esclarecimento e a constituição de uma nova cultura e mentalidade sobre estas realidades.

Um desses debates tem sido o protagonizado por Judith Butler, cuja teorização histórica sobre estas questões veio, recentemente, advogar uma aproximação dos movimentos feministas e transgénero na partilha de uma série de valores, contrariando um latente conflito entres as muitas facções da identidade sexual, a favor duma sociedade que reconfigure as distinções entre vida interior e exterior, evitando as abordagens patológicas da identificação de género cruzada. Para Butler, os termos de designação do género são uma categoria histórica e estão continuamente em processo de remodelação, o que deixa em aberto outras possibilidades para o seu entendimento, já que o “sexo” e a “anatomia” também não escapam às regulações e normativas culturais. O “masculino” e o “feminino” estão permanentemente sujeitos à mudança, cada um desses termos tem histórias sociais que mudam radicalmente segundo as fronteiras geopolíticas e as obrigações culturais.

Outro debate, tem oposto a hegemonia do discurso feminista euroamericano em países e culturas negras, índias, chinesas ou árabes, denunciado as dicotomias inerentes ao discurso feminista “branco” como forma de perpetuar as relações estruturais de poder do sistema capitalista e de identificar uma abordagem ocidental de superioridade sobre o “outro”.

Este é um âmbito de renovação dos discursos feministas que vem permitir novas formas de militância e teorização. Estudos e trabalhos concretos sobre o feminismo negro ou no Islão têm sido precursores de uma nova abordagem heterogénea e descentralizadora do discurso clássico feminista, aproximando-se em muitos dos seus aspectos da realidade dos países do sul da Europa, ao fazer confluir o debate e a prática para zonas de acção que englobam vertentes como o íntimo e o biográfico a cultura popular ou os costumes, em detrimento dum discurso filosófico e teorizante.

Este programa não pretende estabelecer nenhum discurso panfletário sobre as questões de género, mas considera que o enquadramento da heterossexualidade na sociedade contemporânea tem um papel normalizador e regulador duma autoridade patriarcal, permitindo grandes margens de desigualdade no seu exercício. Disso mesmo é exemplo a múltipla abordagem artística que em díspares meios sociais tem sido efectuada nas últimas décadas, utilizando diferentes linguagens para confrontar, denunciar, divulgar ou apenas divagar sobre a complexidade do género e da sua vivência.

O tema constitui ainda um tabu de contornos pouco esclarecidos em diferentes sociedades e por diferentes razões, mas um recente dossier sobre o tema, publicado pela revista Le Magazine Littéraire colocava uma pertinente questão “ devemos ter medo do género ou pelo contrário aproveitar a destabilização que o mesmo coloca às nossas normas de pensamento para transformar/melhorar a nossa sociedade.” O género é também uma doutrina em formação, cujos contornos de debate e investigação têm tido nos últimos anos uma exponenciação relevante, bem como têm interferido de forma fracturante na organização moral, ética e social das sociedades contemporâneas, o que por si só justifica a atenção que o tema nos merece.

A teoria do género tem sido debatida e questionada em vários meios mais científicos e intelectualizados, mas a realidade é que também se instalou no debate público entre interrogação e condenação sobre os novos modelos de vivência da sexualidade, e o seu consequente enquadramento legal e político.”

Emília Tavares (Curadora)

ARTISTAS: Ana Bezelga, Ana Pérez-Quiroga e Patrícia Guerreiro, Ana Pissarra, Carla Cruz, Catarina Saraiva, Célia Domingues, Cristina Regadas, Elisabetta di Sopra, Hong Yane Wang, Itziar Okariz, Joana Bastos, Lilibeth Cuenca Rasmussen, Maimuna Adam, Mare Tralla, Maria Kheirkhah, Maria Lusitano, Mónica de Miranda, Nilbar Güres, Nisrine Boukhari, Oreet Ashery, Patrícia Guerreiro, paula roush & Maria Lusitano, Pushpamala N, Rachel Korman, Razan Akramaw, Rita GT, Roberta Lima, Sükran Moral, Susana Mendes Silva, Tejal Shah, Zanele Muholi.

+ info sobre exposição


10.04.2013 | por franciscabagulho | feminismo, lesbianismo, queer, video art

Matchuburro

O power das Tchipie!

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dica de Redy Wilson para completar o artigo Thugs no feminino.

 

13.02.2012 | por franciscabagulho | cabo verde, feminismo, hip hop

programação do Centro de Cultura e Intervenção Feminista

No Sábado, após a realização do Curso Livre  sobre Feminismos Árabes e Islâmicos (programa completo, aqui), decorrerá um debate em torno da recente publicação de Lúcia Serralheiro, o livro Mulheres em Grupo Contra a Corrente, com Anne Cova e João Esteves. O convite pode ser consultado neste link.
Outras actividades fora do CCIF são divulgadas no site e na página de Facebook, da UMAR.

21.11.2011 | por martalanca | feminismo, umar

Revista (IN)VISÍVEL

A Revista (IN)VISÍVEL tem por objectivo principal a criação de novas interpretações acerca de temáticas culturais e sociopolíticas a partir de um tratamento multidisciplinar entre variadas linguagens,  de forma a alargar o acesso ao  conhecimento a um público mais vasto.

A relevância de um projecto editorial neste âmbito, justifica-se a partir da constatação da ausência de espaços públicos de comunicação que estabeleçam um diálogo acessível acerca de temas que aqui consideramos “invisíveis”.

A invisibilidade que aqui destacamos origina-se a partir de dois principais eixos: de um lado pela forma de tratamento descontextualizado e “espectacular” realizado pelos média e de outro, pela rigidez excludente da linguagem científica. Diante do quadro exposto, a criação deste projecto surge também como tentativa de colaborar com a diminuição do fosso existente entre as linguagens académica e jornalística que, em muitos casos, seja de um lado ou seja do outro, acabam por restringir o potencial comunicativo de suas produções textuais.

A Revista, na sua primeira fase, contemplará o espaço lusófono e terá sua apresentação em formato digital com participação de colaborares/as de diferentes orientações profissionais. A periodicidade será trimestral e sua distribuição gratuita.

PRIMEIRO TEMA: PORNOGRAFIA

O tema de abertura do projecto é a Pornografia. Apesar de existirem diversos debates acerca das diferenciações socioculturais entre o que é ou não pornografia, não é interesse desta edição balizar qualquer tipo de definição certeira. E sim, experimentar as diversas formas de significação deste conceito. Uma delimitação interessante da emergência do conceito de pornografia e sua consolidação enquanto prática dá-se a partir do contexto histórico do surgimento das tecnologias de impressão “ao colocar em circulação reproduções baratas, criando um próspero mercado para o obsceno” (Moraes, 2003). Esta, segundo Moraes (2003) é uma das teses centrais da colectânea de ensaios “A invenção da pornografia – A obscenidade e as origens da modernidade, 1500-1800, organizado por Lynn Hunt (1999). Importa também realçar que o interesse deste projecto editorial afirma-se a partir das inúmeras possibilidades interpretativas deste conceito. E neste caso, prevalece a própria representação da pornografia a partir da visão escolhida pelos autores desta edição diante de uma impossibilidade delimitadora de tal prática.

O lançamento do Número Zero da Revista (IN)VISÍVEL decorrerá dia 28 de Setembro, pelas 15.30h (hora de Portugal), através de uma transmissão em directo, pela Internet.

11.09.2011 | por martalanca | feminismo, pornografia

Mulheres artistas de África

O texto “Criando um espaço de liberdade: mulheres artistas de África de N’Goné Fall prossegue uma linha iniciada com o de Kobena Mercer. Se este último desenvolve a sua argumentação em torno da questão da identidade sexual, o ensaio de N’Goné Fall introduz o tópico do género a fim de assinalar o modo como ‘ser-se mulher’ em África constitui uma condição que em nada corresponde a uma essência, mas um condicionalismo e também uma possibilidade para o trabalho artístico. Este não se resume evidentemente a questões de género, mas também é sobredeterminado pelos contextos, distintos, em que as artistas trabalham.

Extraído do catalogo da exposição Global Feminisms que teve lugar no Museu de Brooklyn de Nova Iorque no ano de 2007, o texto chama também a atenção para o modo como o feminismo não corresponde a um programa universalmente global, mas assume características distintas, nas suas manifestações locais, apesar das interdependências entre os dois planos.

Com este texto, cria-se também uma relação com a exposição virtual “Partilhando linguagens: duas gerações de artistas em Lisboa”, em que o critério de selecção dos trabalhos se orientou - não só, mas também –por questões de género.

Serve esta abordagem, tal como os textos anteriores sobre o conceito de ‘arte africana’, para salientar que a arte e os discursos em torno da sua definição ou canonização não são política nem economicamente neutros, mas dependem de contextos de poder que também contribuem para determinar o que deve ser incluído ou excluído do campo da arte e o que deve ser remetido para o estatuto de mero testemunho individual ou colectivo, ou seja, de interesse ‘etnográfico’.

ler artigo no Artafrica

19.10.2010 | por martalanca | artistas africanas, feminismo, mulher, N’Goné Fall