PORTA 33 | Exposições

PEIXE-PATO

Exposição de [exhibition by] Laetitia Morais e Mattia Denisse.

Inauguração [opening] Sexta-feira 11 de JUNHO às 19h


Tomando como ponto de partida uma viagem relâmpago em tempo de pandemia, a exposição PEIXE-PATO parte de indícios recolhidos em incursões furtivas dos cumes às margens da ilha. Transições e oposições da mais variada índole, tais como os meros que nascem fêmeas e transitam para machos; bananeiras na neve; árvores sexuais e órgãos milenários; montanhas trespassadas; túneis ao inverso; vacas caídas no mar; arestas arquitectónicas a penetrarem o oceano, e outras leituras aquáticas e insulares que subiram à superfície da memória, são algumas das imagens retinianas, que servem de jargão à exposição. “Que peixe será aquele? Em verdade, só por nadar debaixo da água ele parecia um peixe. Se andasse ao cimo da água, ao lume dela, seria pela espécie de penas (eram penas, sem dúvida) que o cobriam, pelas barbatanas que pareciam dois pés, pelos toquinhos de barbatana que pareciam asas, pelo jeito cambaleante e vacilante de mover-se, um pato. Era, portanto, um peixe-pato.”

“Daí em diante, raro era o dia em que ele não ia à pesca e o peixe-pato lhe não aparecia trazendo no bico um dos peixes de que ele mais gostava, para oferecer-lhe, e em que depois o peixe-pato se não deixava apanhar para, sentado o homem à beira de água, ficar no seu colo a receber as festas de que vibrava novamente, ronronando de satisfação.”

excertos do conto História do Peixe-Pato, de Jorge de Sena (in Antigas e Novas Andanças do Demónio, Edições 70)

JULHO NA PORTA33!

Estão de regresso as Oficinas para crianças no âmbito das Artes Plásticas, Expressão Dramática e Movimento. Juntos vamos conhecer e experimentar diferentes técnicas de expressão artística, num processo criativo e lúdico, pensado em estreita relação com a exposição Peixe Pato, de Laetitia Morais e Mattia Denisse.

Estas oficinas decorrerão em espaços interiores e exteriores, seguindo todas as recomendações da DGS no que respeita à COVID-19.
Duração | Segunda a sexta-feira; manhãs e/ou tardes
Destinatários | crianças dos 6 aos 11 anos 
Lotação máxima | 12 participantes

ESCOLA DO PORTO SANTO

Semana de abertura: 21—26 JUNHO

Em breve mais informação

Escola Primária do Porto Santo. Autor desconhecido. Cedência Secretaria do Turismo e Cultura | Direção Regional  do Arquivo e Biblioteca da Madeira. Escola Primária do Porto Santo. Autor desconhecido. Cedência Secretaria do Turismo e Cultura | Direção Regional do Arquivo e Biblioteca da Madeira.

Mais do que uma travessia, um mergulho. Uma imersão de coração inteiro na ilha do Porto Santo, a partir de um lugar de princípio(s): a Antiga Escola da Vila. Não nos esquecemos que foi ali que ateámos o primeiro sopro e fizemos do desejo um projeto de “redesenho”, de encontro com um território tantas vezes remetido para margens invisíveis, da ação e do pensamento. Entendemos que o arquipélago se cirze com a mesma linha e se desenha do afiar do mesmo lápis. Abrimos a Porta para dentro e esticámos as mãos e os braços até ao invisível, até ao outro lado do mesmo corpo. Um só corpo. Este.  
A arte, a escuta, o pensamento e os afetos serão sempre a nossa porta de entrada, e prometemos entrar como quem mergulha, porque a ilha, como nós, será sempre mais fundo do que superfície, mais entrada do que saída.  
É urgente o “Mergulho”. E quem vier por aqui, virá connosco.

*Mais informações em Porta 33 

11.06.2021 | por Alícia Gaspar | arte, exposições, peixe-pato, Porta 33

VOARTE – Dias de Dança, Cinema e Comunidade

1 a 5 de Junho de 2021

Teatro do Bairro


Está a chegar uma semana de programação da VOARTE, com dias dedicados à dança, cinema e comunidade, que visam dar a conhecer o trabalho que a estrutura tem vindo a desenvolver ao longo de 23 anos de projectos artísticos multidisciplinares, inclusivos e inovadores. Decorrerá entre o dia 1 e 5 de Junho, no Teatro do Bairro, e contará com a exibição de filmes, conversas, ações de formação e a estreia do novo espectáculo de dança da CiM – Companhia de Dança.

Dia 1 de Junho (terça-feira) – InShadow _ LittleShadow – teremos uma sessão de animação destinada ao fechada ao público geral e articulada directamente com as escolas, desenvolvida no sentido de suscitar a imaginação e desenvolver a reflexão crítica entre os mais jovens. Um apanhado do melhor que nos tem chegado à Competição Internacional de Animação da secção Little Shadow, em combinação com produções inéditas entre nós. São oito filmes - desde poemas visuais, com o corpo e a abstracção em constante movimento, a apontamentos narrativos de crescente complexidade - assentes em temáticas actuais (da inclusão, à sustentabilidade ambiental), cuja exibição pretende promover o cinema de animação enquanto ferramenta activa no desenvolvimento de mentes e identidades socialmente conscientes.

Dia 2 de Junho (quarta-feira) – Projecto Educativo _ Geração Soma – durante a tarde decorrerá uma ação de formação para professores, sobre práticas artísticas e inclusivas em contexto escola, que terá como ponto de partida o Documentário Geração SOMA. Todas as memórias têm um contexto, um tempo e um espaço. Através do processo criativo do projeto Geração SOMA, iremos explorar um olhar para trás, um mundo onde se multiplicam momentos e uma caixa de memórias onde se somam experiências vividas que resultaram numa aventura inesquecível. Um projeto inclusivo e social que trabalhou com crianças entre os 5 e os 16 anos de escolas do Ensino Básico de Lisboa, integrando também crianças com NEE (Necessidades Educativas Especiais) e os respetivos educadores (professores e pais), através da criação e prática artística. Ao fim do dia, pelas 19h30, será novamente exibido o documentário Geração SOMA, para famílias e público geral.

Dia 3 de Junho (quinta-feira) – Cinema _ Documentário & Vídeo-Dança – Um dia dedicado ao universo cinematográfico de Pedro Sena Nunes, passando pelo formato documentário, pelas 15h - com os filmes A Morte do Cinema e Qualquer Coisa de Belo, que partem da premissa do papel do cinema enquanto potenciador/criador de memórias - e pela sua valência mais cine-coregráfica, às 19h30 – com os filmes Poti Pati, Four Void, Hope e Pequena Desordem Silenciosa, de natureza experimental, povoados pela poesia nas suas mais variadas formas - vocal e imagética, cénica e coreográfica.

Dia 4 de Junho (sexta-feira) – InArt & InShadow _ Documentário & Vídeo-Dança – Um dia dedicado aos Festivais produzidos pela VOARTE, o INART – Community Arts Festival e o InShadow – Lisbon Screendance Festival. A tarde inicia-se às 15h, com os documentários Ícaro e 2 and 2 Are Four de Pedro Sena Nunes, numa alusão ao INART, um festival dedicado à promoção de projectos artísticos baseados na diversidade das comunidades, numa arte plural e participativa. Uma sessão fechada ao público geral e dirreccionada a estudantes de dança. Pelas 19h30, numa exibição dedicada ao Festival InShadow, serão projetados nove vídeo-dança, selecionados de entre aqueles que mais se destacam ao longo de uma década de programação, e que testam os limites da relação cine-coreográfica entre a câmara e corpo nas suas mais variadas formas.

5 de Junho (sábado) – CiM – Companhia de Dança _ Geografia Humana – a fechar a semana, no sábado, às 19h30, haverá a estreia do novo espectáculo produzido pela CiM, Geografia Humana.

“Estudamos as superfícies, um possível território, uma paisagem, um lugar. Observamos a distribuição das coisas, dos movimentos, de fenómenos e ajustamos. Medimos o espaço, criamos memória do corpo que o habita e criamos relações com o meio ambiente. São detalhes em transformação com uma ordem inacabada onde podemos escutar o delicado de um espaço e tempo aberto.”

Gostaria de conhecer melhor os projetos da VOARTE e experienciar uma semana enriquecedora a nível cultural e pessoal? Esperamos por si no Teatro do Bairro, de 1 a 5 de junho!
Bilhetes de cortesia, com preços que variam entre 2€ e 5€, brevemente à venda em teatrodobairro.bol.pt.

A voarte, com 23 anos, nasceu da vontade de produzir, promover e valorizar a criação contemporânea, através do cruzamento de linguagens artísticas. Desde 2007, produz a CiM - Companhia de Dança que integra profissionais com e sem deficiência, assim como a produção dos festivais InShadow – Lisbon Screendance Festival e o InArt – Community Arts Festival. Sob a Direcção Artística de Ana Rita Barata (coreógrafa) e Pedro Sena Nunes (realizador).

20.05.2021 | por Alícia Gaspar | arte, cinema, conversas, dança, Teatro do Bairro, voarte

Companhia de Dança de Almada celebra o Dia da Dança dentro e fora de portas

Para assinalar o Dia da Dança celebrado a 29 de abril, em 2021 a Companhia de Dança de Almada (Ca.DA) aceitou o desafio de se mostrar fora de portas, ao mesmo tempo que apresenta novos talentos à sua cidade natal.

CaDA. Escola.CaDA. Escola.

O programa comemorativo inicia-se a 22 de abril, com a estreia de um espetáculo composto por criações de Maria José Bernardino, Raquel Tavares e Luís Malaquias, coreógrafos residentes nesta cidade, que há vários anos têm demonstrado o seu valor e potencial artístico. O programa tripartido “Amebas Traidoras” + “Gifted” + “Cinza”, da Companhia de Dança de Almada, pode ser visto no Auditório Fernando Lopes-Graça, em Almada, pelas 21h.

A 24 de abril, integrado na primeira edição do festival “Borders of Nature - Borders of Culture” organizado pela companhia Polski Teatr Tańca - Polish Dance Theatre, é apresentado online o videodança “Sete Dias de Inverno”, realizado por Henrique Pina, a partir da coreografia de Bruno Duarte. O videodança pode ser visto durante 48h, com acesso livre, na plataforma VoD do Polish Dance Theatre. Mais informações em http://ptt-poznan.pl/pl/timeline/en

Por sua vez, a 29 de abril em S. João da Madeira, está prevista a apresentação da Companhia de Dança de Almada na “A Cidade Dança”, evento com a curadoria de São Castro. As performances “Marvel”, de Luís Marrafa e “Noir”, de Bruno Duarte compõem um programa bipartido, a ver na Casa da Criatividade, pelas 19h.

Em Almada, o Dia da Dança é assinalado com um espetáculo dedicado a jovens intérpretes formados na Ca.DA Escola. Resultante do trabalho das disciplinas de Repertório Clássico e Dança Contemporânea, o programa foi desenvolvido pelos alunos do Curso Básico e Secundário de Dança (ensino articulado) e do Curso Vocacional, sob a orientação dos professores Maria Franco, Carla Albuquerque e Bruno Duarte. Para ver no Auditório Fernando Lopes-Graça, em Almada, às 21h.

Celebrado desde 1982, a 29 de abril, o Dia da Dança foi instituído pelo CID - Conselho Internacional de Dança, Unesco. É assinalado em todos os países do mundo por milhões de bailarinos, tanto profissionais como amadores. Tem como propósito chamar a atenção para a arte da dança.

CaDA. Comemoração do dia mundial da dança. Pedro SoaresCaDA. Comemoração do dia mundial da dança. Pedro Soares

Amebas Traidoras. CaDA. Joana Casado.Amebas Traidoras. CaDA. Joana Casado.

22 abril | 21:00

Auditório Fernando Lopes-Graça, Almada

Amebas Traidoras + Gifted + Cinza | ESTREIA

Companhia de Dança de Almada

informações e reservas: auditorio@cma.m-almada.pt, 212 724 927/20 (4.ª a 6.ª-feira, das 14h30 às 18h, sáb., das 15h às 18h)

preço do bilhete: 6 euros (-50% para jovens e seniores)

24 abril | 19:00 (hora em Portugal)

Plataforma VoD em https://www.vod.ptt-poznan.pl/

Sete Dias de Inverno (videodança)

Companhia de Dança de Almada

informações: http://ptt-poznan.pl/pl/timeline/en

livre acesso por 48 horas

29 abril | 21:00

Auditório Fernando Lopes-Graça, Almada

Comemoração do Dia da Dança

Ca.DA Escola

informações e reservas: escola@cdanca-almada.pt | 212 500 145 (2.ª a 6.ª-feira, das 16h às 20h)

preço do bilhete: 2,5 euros (preço único)

29 abril | 19:00

Casa da Criatividade, S.João da Madeira

Marvel + Noir

Companhia de Dança de Almada

informações: casadacriatividade@cm-sjm.pt | 962 145 716

CaDA. Cinza. Joana Casado.CaDA. Cinza. Joana Casado.

20.04.2021 | por Alícia Gaspar | Almada, arte, corpo, dança, dia da dança, evento

O Riso dos Necrófagos - Teatro GRIOT

Teatro Griot | O Riso dos Necrófagos Teatro Griot | O Riso dos Necrófagos O Riso dos Necrófagos começa nos vestígios da Guerra da Trindade encontrados na ilha de São Tomé, pela encenadora Zia Soares e pelo músico Xullaji, nas bocas dos que a viveram e dos que a ouviram contar, relatos de memórias desfocadas pela passagem do tempo. 

Nesta guerra os mortos foram amontoados em valas comuns ou no fundo do mar, num exercício de violência, perpetrado pelo invasor que acredita que, ao despojar os mortos dos seus nomes, os condena ao esquecimento. Mas para os santomenses, são presenças na ilha como símbolo encarnado e, para celebrá-los, anualmente no dia 3 de fevereiro, cumprem um itinerário ritualístico, desfilando ao longo de várias horas numa marcha amplificadora de falas, cantos, risos e sons que saem de corpos convulsos.

O Riso dos Necrófagos é prolongamento desse percurso celebratório, entrópico, onde os atuantes manipulam tempos e imagens, desossam e riem do delírio, reconfigurando os vestígios e os fragmentos do morticínio, a partir da ideia de celebração - a festa, a liturgia e os aspetos ritualísticos do quotidiano.

O Teatro GRIOT é uma companhia de atores cujo trabalho se desenvolve a partir da tensão entre corpo e território, imaginários coletivos e individuais, operando num espaço de intersecção de territórios geográficos e simbólicos como ponto nevrálgico de um movimento artístico de contra-memória.

Agenda:

20 ABR 2021
TER 19:00

21 ABR 2021
QUA 19:00

22 ABR 2021
QUI 19:00

23 ABR 2021
SEX 19:00

Mais informações em Culturgest

10.04.2021 | por Alícia Gaspar | arte, o Riso dos Necrófagos, São Tomé e Príncipe, teatro, teatro griot, Zia Soares

Itinerários Sonoros na Performance art: processos de criação e recriação artística

Nos dias 7, 14 e 21 de Abril terá lugar o Seminário Itinerários Sonoros na Performance art: processos de criação e recriação artística (Núcleo de Investigação em História da Arte: Práticas Artísticas Contemporâneas do CITCEM / FLUP) com a participação de Manoel Barbosa, Vítor Rua, António Olaio,  Jaime Reis, Tânia Dinis, Frederico Dinis, António Barros, Gustavo Costa e Ana Cancela.
Este seminário corresponde a uma das etapas da investigação de doutoramento em curso Artes Sonoras na Performance Art em Portugal (Flup / CITCEM) que tem como principal enfoque o estudo e identificação da relação entre a performance art portuguesa e a música/som — sinergias, práticas e arquivo — desenvolvido num arco temporal compreendido entre a década de 1960 do século XX até à atualidade.

Com este seminário pretende-se problematizar e mapear o extenso território onde a performance e as artes sonoras se fundem, através de um cruzamento entre a circulação do saber teórico, do arquivo e da prática artística contemporânea. Assim. este seminário tem como objectivo promover o diálogo entre artistas e investigadores em História da Arte Contemporânea de forma a estabelecer o confronto entre a prática artística e estudos teóricos até agora realizados em Portugal sobre esta temática.
O seminário realizar-se-à via Zoom (https://videoconf-colibri.zoom.us/j/83805523320) com entrada livre.


30.03.2021 | por Alícia Gaspar | arte, artes sonoras na performance art em portugal, CITCEM, contemporânea, entrada livre, FLUP, história da arte, música, online, processos de criação e recriação artística, seminário

Vasco Araújo: LIEBESTOD - Amor e Morte / LIEBSTOD - Love and Death | 17 DE ABRIL DE 2021 ÀS 15:00

“LIEBESTOD - Amor e Morte”
Uma exposição de Vasco AraújoCuradoria de Bruno MarquesSismógrafo (Porto)Abertura: Sábado, 17 de Abril, 15:00-19:00
Patente até 15 de Maio, 2021
*Limite de quatro pessoas à vez e uso obrigatório de máscara protectora no interior do espaço.

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“LIEBESTOD - Love and Death”
An exhibition by Vasco Araújo
Curated by Bruno MarquesSismógrafo (OPorto, Portugal)
Opening: Saturday, April 17, 3:00-7:00pm
Until May 15, 2021
*Limited to four people at a time and mandatory use of a protective mask inside the space.

Por que razão somos ainda vítimas das ilusões e desilusões do amor romântico? Esta é uma das questões que Liebestod de Vasco Araújo nos suscita. Apresentada pela primeira vez em 2019, em Baku, no Azerbaijão, trata-se de uma instalação vídeo meta-operática. Duas lendas primordiais de amor trágico, perpectuadas na tradição oral e fixadas por poetas e trovadores há muitos séculos atrás, acabaram por dar o título a duas óperas emblemáticas. Tristão e Isolda e Leyli e Madjnun surgem lado a lado no seu filme, mostrando que, não obstante o “choque civilizacional” entre Ocidente e Médio Oriente - ou entre Cristianismo e Islão -, ambas constituem avatares de um mesmo arquétipo, senão de um mesmo modelo da psique humana.

Liebestod - Amor e Morte explora o amor romântico, a paixão e a impossibilidade de os dois amantes estarem juntos. Esses assuntos são revelados através do prisma de entrevistas a psicanalistas do Azerbaijão e da Alemanha que examinam e comparam os enredos das duas óperas e respondem a uma série de questões colocadas pelo artista sobre a definição do amor, a projecção das dificuldades dos protagonistas na actualidade ou o aconselhamento profissional sobre como se deve agir quando a ilusão choca com a realidade. Combinado com letras profundas, música comovente e sinistras paisagens nocturnas de antigos cemitérios, castelo abandonado e florestas virgens, estas conversas mergulham o espectador na reflexão sobre se a morte é a única salvação para o amor eterno.
No dia de abertura será lançado o livro da exposição: edição numerada e assinada pelo artista, com design da autoria de Maria João Macedo e Dário Cannatà e um ensaio de Bruno Marques. Ao tomar a forma (e função) de um libreto, esta publicação propicia, do ponto de vista conceptual e da recepção estética, uma estrita relação com a instalação vídeo, constituindo uma extensão da mesma.

-Vasco Araújo, nasceu em Lisboa, em 1975. Concluiu a licenciatura em Escultura pela FBAUL., frequentou o Curso Avançado de Artes Plásticas da Maumaus em Lisboa. Integrou ainda programas de residências, como Récollets (2005), Paris; Core Program (2003/04), Houston. Em 2003 recebeu o Prémio EDP Novos Artistas, Portugal.
Desde então tem participado em diversas exposições individuais e colectivas tanto nacional como internacionalmente: “Momento à parte”, MAAT – Fundação EDP, Lisboa, Portugal (2019); Vasco Araújo”, M-Museum, Leuven, Belgica, (2018); “Decolonial desires”, Autograph ABP, Londres, U.K. (2016); “Potestad”, MALBA - Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina.(2015) “Under the Influence of Psyche”, The Power Plant, Toronto (2014); “Debret”, Pinacoteca do Estado de S. Paulo, S. Paulo (2013); “Eco” Jeu de Paume, Paris (2008); “Em Vivo Contacto”, 28º Bienal de S. Paulo, São Paulo (2008); “Experience of Art”; La Biennale di Venezia. 51th International Exhibition of Art, Veneza (2005); “The World Maybe Fantastic” Biennale of Sydney (2002), Sydney.
O seu trabalho está publicado em vários livros e catálogos e representado em várias colecções, públicas e privadas.

www.vascoaraujo.org

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Why are we still the victims of the illusions and disillusions of romantic love? This is one of the questions raised by Vasco Araújo’s video and installation Liebestod. Shown for the first time in 2019 in Baku, Azerbaijan, this piece is a meta-operatic work. Two primordial legends of tragic love, preserved in the oral tradition and fixed by poets and troubadours many centuries ago, provided the title of two emblematic operas. Tristan and Isolde and Leyli and Majnun appear side by side in his film to demonstrate that despite the “civilizational clash” between the West and the Middle-East (viz. between Christianity and Islam), both constitute not only the avatars of the same archetype but perhaps of the same model of the human psyche.

Liebestod - Love and Death explores romantic love, passion, and the impossibility of the two lovers being together. These issues presented through the identification prism of psychoanalysts from Azerbaijan and Germany who examine and compare the plots of the two operas and go through a series of questions raised by the artist about the definition of love, projection of the difficulties of the protagonists today, or the professional advice on how to act when the illusion collides with reality. Combined with deep lyrics, moving music, and sinister night landscapes of old cemeteries, an abandoned castle, and virgin forests, these conversations immerse the viewer in the thoughts on whether death is the only salvation for eternal love.On the opening, will be released an exhibition book: a numbered edition signed by the artist, with design by Maria João Macedo and Dário Cannatà and an essay by Bruno Marques. By taking the form (and function) of a libretto, this publication provides, from a conceptual point of view and aesthetic reception, a strict relationship with the video installation, constituting an extension of it.

-Vasco Araújo was born in 1975 in Lisbon. Completed his first degree in Sculpture in 1999 at FBAUL, and attended the Advanced Course in Visual Arts at Maumaus in Lisbon. Also took part in residency programmes, such as The University of Arts, Philadelphia (2007); Récollets, Paris (2005); and the Core Program (2003/04), Houston. In 2003, he was awarded the EDP Prize for New Artists, Portugal.
Since then, he has participated in various solo and group exhibitions both in Portugal and abroad: “Momento à parte”, MAAT – Fundação EDP, Lisboa, Portugal (2019); Vasco Araújo”, M-Museum, Leuven, Belgica, (2018); “Decolonial desires”, Autograph ABP, Londres, U.K. (2016); “Potestad”, MALBA - Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina.(2015) “Under the Influence of Psyche”, The Power Plant, Toronto (2014); “Debret”, Pinacoteca do Estado de S. Paulo, S. Paulo (2013);“Em Vivo Contacto”, 28º Bienal de S. Paulo, São Paulo (2008); “Experience of Art”, La Biennale di Venezia. 51st International Exhibition of Art, Venice; “The World Maybe Fantastic” Sydney Biennial (2002), Sydney.
His work has been published in various books and catalogues and is represented in several public and private collections.

www.vascoaraujo.org
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Apoio à programação do Sismógrafo / Support to Sismógrafo programme:
Direção Geral das Artes (DGArtes); Apoio Criatório (CMP), Casa das Artes/DRCultura do Norte; Artworks

18.03.2021 | por Alícia Gaspar | arte, exposição, liebestod, porto, vasco Araújo

Contemporânea lança “Comunidade enquanto Imunidade” para apoiar a produção artística

A Contemporânea abre no dia 24 de março o programa de Comunidade enquanto Imunidade, um projeto que envolve 20 autoras e autores na criação e edição de conteúdos inéditos que vão refletir sobre a produção artística em contexto de crise.

Comunidade enquanto Imunidade é um projeto transdisciplinar dedicado à reflexão e produção artística sobre as várias dimensões críticas do presente na sua, inevitável, relação com a pandemia COVID-19. Foi criado pela Contemporânea, a publicação portuguesa especializada em arte contemporânea, e entre março e dezembro promove um programa com atividades públicas e gratuitas, que conta com contributos de 20 artistas, curadores, académicos, jornalistas, músicos e outras autoras e autores:

Alejandro Alonso Díaz, Ana Margarida Abrantes, Andreia Santana, António Poppe, Carolina Ellis, Cátia Sá, Diana Policarpo, Djaimilia Pereira de Almeida, Gisela Casimiro, Hugo Canoilas, Jack Mugler, Miguel Mesquita, Odete, Pedro Barateiro, Peter Hanenberg, Rita Natálio, Rodrigo Ribeiro Saturnino, Sofia Lemos, Tita Maravilha e Vítor Belanciano.

 

Ana Cristina Cachola, curadora e diretora artística de Comunidade enquanto Imunidade, destaca que o projeto surge “neste momento crítico”, “de crise e de necessidade (da) crítica”, com o principal objetivo de “construir comunidade enquanto forma de imunidade social e cultural perante os diversos desafios, as incertezas e as diferentes precariedades que são instaladas pela(s) crise(s)”.

O programa integra um ciclo de workshops temáticos, a edição de um número especial da Contemporânea – associado a um programa online com publicações, conversas e performances –, e de um jornal de distribuição gratuita. Todas as atividades serão de acesso livre e gratuito e vão acontecer maioritariamente online.

No dia 24 de março, às 10h, realiza-se o primeiro dos cinco workshops do ciclo, que será dedicado à mediação e reflexão sobre o tema “Proximidade à distância: Modelos (pré)existentes”. Os workshops pretendem promover o diálogo e a cooperação entre as autoras e autores convidados, apoiar o processo de criação autoral e abrir ao público a discussão sobre os vários temas que o projeto propõe explorar. Serão transmitidos no canal do MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia no YouTube e abertos à participação de todas as pessoas que desejem acompanhar o desenvolvimento desta comunidade.

O projeto Comunidade enquanto Imunidade é desenvolvido com o apoio da Direção-Geral das Artes / Ministério da Cultura e em parceria com uma rede de organizações culturais portuguesas e estrangeiras.

PROGRAMA:

MAR – ABR | Workshops

Quartas-feiras das 10h – 11h

Sessões em Português

Acesso livre através do canal do MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia no YouTube. 

24 MAR WKS 1 Proximidade à distância: Modelos (pré)existentes 

31 MAR WKS 2 Participação em e para além da Presença 

07 ABR WKS 3 Comunidade e Imunidade – a partir de Paul B. Preciado 

14 ABR WKS 4 Curadoria e Cura: Virulência e contágio no pensamento contemporâneo 

21 ABR WKS 5 O Poder e a Ação da Programação Cultural: Manifestos e manifestações 

28.ABR – 11.JUL | Edição e programa online 

24.SET | Lançamento do Jornal 


FICHA TÉCNICA:

Coordenação Editorial: Celina Brás 

Direção Artística: Ana Cristina Cachola 

Curadoria de Comunicação: Sílvia Escórcio

Design Gráfico: Vera Velez 

Programação Web: Tiago Balas

 

PARCERIAS:

Alkantara

CECC - Centro de Estudos de Comunicação e Cultura | Universidade Católica Portuguesa

DuplaCena

Fluent  

Galeria Zé dos Bois

Guimarães

Hangar – Centro de Investigação Artística

MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia

Solar - Galeria de Arte Cinemática

O Armário

 

APOIO:

Direção-Geral das Artes / Ministério da Cultura

 

Sobre a Contemporânea: 

A plataforma editorial Contemporânea foi fundada por Celina Brás em abril de 2015. É dedicada à divulgação da arte contemporânea e um espaço aberto ao pensamento, à reflexão crítica e ao entendimento da criação contemporânea e da inscrição das suas práticas num contexto global. Promove e divulga a arte contemporânea que é produzida em Portugal, não descurando outras perspetivas no âmbito das várias práticas artísticas contemporâneas que privilegiem o debate e a reflexão crítica. Publica formatos como crítica, ensaio, entrevista e reflexões várias sobre arte, integra projetos de artistas e acompanha a agenda nacional de exposições. 

A versão impressa da Contemporânea surge em 2018, numa vertente temática, com o objetivo de criar edições de cariz curatorial. Para tal, são endereçados convites a curadores e curadoras, com o objetivo de criar conteúdos diferenciados, privilegiando formatos e visões singulares, em função da especificidade de cada tema.

18.03.2021 | por Alícia Gaspar | académicos, Alejandro Alonso Díaz, Ana Margarida Abrantes, Andreia Santana, António Poppe, arte, artistas, autoras, Carolina Ellis, Cátia Sá, comunidade, contemporânea, curadores, Diana Policarpo, Djaimilia Pereira de Almeida, Gisela Casimiro, Hugo Canoilas, Jack Mugler, jornalistas, maat, Miguel Mesquita, músicos, Odete, Pedro Barateiro, Peter Hanenberg, projeto, Ritá Natálio, Rodrigo Ribeiro Saturnino, Sofia Lemos, Tita Maravilha, Vítor Belanciano, workshops

ELA-Espaço Luanda Arte

O ´ELA-Espaço Luanda Arte´ participa em duas feiras internacionais de arte, ainda em 2020.

A primeira, de nome ´African Galleries Now´/´Galerias Africanas Agora´  é uma nova feira de arte online a decorrer via o site www.artsy.net, com a Associação de Galerias de África - do qual é membro-fundador - entre os dias 23 de Novembro e 13 de Dezembro de 2020. O ´ELA-Espaço Luanda Arte´ apresenta uma exposição colectiva intitulada ´ÁFRICA ATLÂNTICA´ com o trabalho de quatro artistas: três Angolanos e um da República do Congo. Como refere Dominick A Maia Tanner: “um corpo de trabalho coletivo, mostrando um corte transversal de algumas das práticas únicas em desenvolvimento na arte contemporânea desta região geográfica da Costa Atlântica da África. Todas as obras abrangem ficção e não ficção; incorporando temas e comentários pessoais, políticos, económicos, culturais, sociais e mitológicos”. Adianta: “nunca o papel da arte foi tão importante para fomentar novas questões e debates, novas noções e narrativas dos muitos fios emergentes da ´ÁFRICA ATLÂNTICA´”.

 

A segunda, de nome ´Prizm Miami´ é uma feira de arte online com base física nos EUA, a decorrer entre os dias 30 de Novembro e 21 de Dezembro de 2020. Com curadoria da Africana-Americana Mikhaile Solomon, o tema este ano é: “´Noir, Noir: Meditações sobre o Cinema Africano e sua Influência nas Artes Visuais´, através das lentes de obras selecionadas de artistas visuais contemporâneos de locais globais, que irão expor as intersecções entre a prática dos artistas visuais contemporâneos e o espectro das tradições cinematográficas africanas / diaspóricas. Ao fazer referência à tradição cinematográfica de vanguarda africana, bem como aos cineastas africanos / diaspóricos contemporâneos, exploraremos como os artistas visuais criaram corpos de trabalho inspirados por narrativas, estéticas, notas culturais e comentários sociais poeticamente reproduzidos nas várias modalidades cinematográficas.” O ´ELA-Espaço Luanda Arte´ apresenta uma exposição individual do artista Angolano Francisco Vidal em torno da obra ´Sambizanga´ - uma homenagem do pintor à cineasta Africana Sarah Maldoror realizadora do filme com igual título. Como refere Dominick A Maia Tanner: “tanto quanto financeiramente possível, é importante que a Arte Angolana mantenha o seu esforço e a sua presença de querer participar nestes certames internacionais,  não só para continuar a alcançar novos feitos, como para não deitar fora todo o esforço desenvolvido até hoje de forma a colocar Arte Angolana entre os  primeiros dos seus pares pan-africanos, e consistentemente no palco internacional.”.

25.11.2020 | por martalanca | arte, exposição online, feiras internacionais de arte, galeria africana

Harmonia e contraste, exposição do artista Mumpasi

na Galeria MOVART, Luanda, de 10 de outubro a 2 de dezembro de 2019.

Amor maternoAmor materno«Bebendo do estilo impressionista da arte francesa do século XIX, o artista MUMPASI nos oferece belíssimas composições poéticas policromáticas, porém não esquece o compromisso com a anatomia e a proporção. A sua arte é preenchida de cores puras que nos recorda também “As Feras” ou “Le Fauves”. Mas tanto os impressionistas como os fauvistas europeus do século XIX nada mais fizeram do que uma tradução da chamada “pintura primitiva africana” para o seu quotidiano. Pois a crise burguesa e social europeia a todos os níveis obrigou com que os artistas “menos vistos” deixassem na margem as velhas formas de representar o belo corporal anatómico e a arte de estúdio. Na verdade o que MUMPASI nos quer recordar é este compromisso e visão do artista africano em captar e retratar a essência (alma) em vez de simplesmente substância que esta em constante e profunda transformação.

Encontramos nas obras criadas para essa exposição, repouso, conforto e harmonia, sendo que o artista exclui-se da agressividade e mais do que impor ele propõe de maneira suave o seu estilo explorando, sobretudo a Forma (mensagem plástica), mais do que o tema.» Excertos do texto curatorial de Filipe A. Vidal, Professor de História das Artes.

Pôr-do-solPôr-do-sol

MUMPASI Natural do Zaire, o artista aprendeu o oficio de pintar mosaico de pedra com o pai, o pintor Mumpasi Zameso. Licenciado em Pintura pela Academia de Belas Artes de Kinshasa, na República Democrática do Congo, em 2009, Mumpasi realizou a sua primeira exposição individual “Mosaico Impressionista” cinco anos depois de terminar a formação na Galeria Tamar Golan, em Luanda. Em 2015 participou do livro “A Face da Arte Angolana Contemporânea” – projecto da Fundação Arte e Cultura, que juntou 40 obras de 20 artistas nacionais, e em 2016, foi um dos artistas selecionados para a 5a Edição da residência artística JAANGO – Jovens Artistas Angolanos.

02.10.2019 | por martalanca | arte, Mumpasi

Problematizar a realizar - encontros entre cinema e arte

PROGRAMA 6 28.02.2019 | 18h30

Goethe-Institut, Auditório, Campo dos Mártires da Pátria 37, 1169-016 Lisboa Une jeunesse allemande (2015, 93 Min.) de Jean-Gabriel Périot
Discussão: Alain Brossat, Jean-Gabriel Périot

As obras de arte, nomeadamente aquelas que trabalham a partir de material documental, podem oferecer um apelo particularmente desafiante para refletir sobre a realidade. Enquanto a ligação indexante à realidade que abordam garante ao som e à imagem uma credibilidade especifica, a postura do artista, a sua escolha estética, temática e política, bem como a posição autorreflexiva, podem gerar uma avaliação critica sobre a constituição dessa realidade. É neste ponto que a arte encontra a filosofia. A reflexão sobre a relação entre o mundo factual e a sua apropriação subjetiva, questionando as reivindicações hegemónicas de objectividade e autoridade e problematizando as contradições inerentes à sociedade, são, por imanência, questões filosóficas. Problematizar a realidade – encontros entre arte, cinema e filosofia é um conjunto de programas que decorre de uma parceria entre IFILNOVA (CineLab) / FCSH / UNL, Goethe-Institut Portugal e Maumaus / Lumiar Cité e em colaboração com Apordoc / Doc’s Kingdom. Estes encontros internacionais entre artistas e investigadores focam-se no momento em que a arte, o cinema e a filosofia se entrelaçam num diálogo produtivo.
No sexto programa o encontro é entre o filósofo Alain Brossat e o cineasta Jean-Gabriel Périot, numa discussão em torno do filme Une jeunesse allemande (Jean-Gabriel Périot,

2015). Através de uma complexa montagem de diversos materiais audiovisuais - incluindo filmes experimentais de estudantes da DFFB (Deutsche Film - und Fernsehakademie Berlin), excertos de programas de televisão e de atualidades, e extratos de proeminentes filmes de autor das décadas de 1960 e 1970 -, Une jeunesse allemande procura traçar a politização das gerações mais jovens da então Alemanha Ocidental. Em última instância, esta politização levou à formação do grupo Baader-Meinhof e à sua luta armada, bem como à sua ligação com a política de representação e a produção de imagens. Imagens de protestos por movimentos de esquerda contra as duradouras estruturas fascistas da Alemanha capitalista, no período pós-nazi, são entrelaçadas com declarações de intelectuais e artistas. Estes, por sua vez, são colocados perante imagens que denotam o enviesamento ideológico da comunicação social e as reações das autoridades, invariavelmente exigindo um aumento da repressão estatal. A constelação resultante não só permite uma abordagem dialética do clima político tenso da época, como também convida a uma reflexão crítica sobre o uso político das imagens e a instrumentalização de noções como terrorismo, democracia, esfera pública e resistência.

Alain Brossat (1946) vive e trabalha em Paris. É Professor no Departamento de Filosofia da Université Paris VIII. O seu trabalho abrange os campos da topografia do terror, da deportação e internamento na Europa de Leste e na União Soviética, dos regimes terroristas e pessoas desaparecidas, bem como da estética e das políticas do cinema, com foco em autores como Michel Foucault, Gilles Deleuze, Hannah Arendt, Walter Benjamin, Norbert Elias, Pierre Clastres, Zygmint Bauman, Jacques Rancière, Alain Badiou e Giorgio Agamben. As suas publicações mais recentes incluem: “Ce que peut le cinéma – conversation” (com Jean-Gabriel Périot, 2018), “Interroger l’actualité avec Michel Foucault, Téhéran 1978 / Paris 2015?” (com Alain Naze, 2018), “Le plébéien enragé. Une contre-histoire de la modernité de Rousseau à Losey” (2013), “Autochtone imaginaire, étranger imaginé : Retour sur la xénophobie ambiante” (2012), “Biopolitics, ethics and subjectivation” (editado com Yuan-Horng Chu, Rada Ivekovic and Joyce C.H. Liu, 2011).

Jean-Gabriel Périot, Une jeunesse allemande, 2015. Local FilmsJean-Gabriel Périot, Une jeunesse allemande, 2015. Local Films

Jean-Gabriel Périot (1974) vive e trabalha em Paris. Entre o documentário, a animação e o cinema experimental, a maioria do seu trabalho aborda a violência e a história. Realizou diversas curtas-metragens, desenvolvendo um estilo particular no trabalho de montagem a partir de arquivos. O seu trabalho de curta duração, incluindo Dies Irae (2005), Eût-elle été criminelle… (2006), Nijuman no norei (2007) e The Devil (2012), foi exibido em inúmeros festivais e homenageado com prémios. Une jeunesse allemande (2015), o seu primeiro documentário de longa-metragem, abriu a secção Panorama da Berlinale 2015, recebeu prémios em vários festivais e foi posteriormente lançado nas salas de cinema francesas, alemãs e suíças. Natsu no hikari (Summer Lights, 2016), a sua primeira longa-metragem de ficção, estreou no Festival de Cinema de San Sebastian, em 2016, e foi exibido noutros festivais antes de ser lançado nas salas de cinema francesas, em 2017.

Duração da sessão: 150 Min. | M/12 | Entrada livre, sujeita à lotação da sala.

Para mais informações, por favor contactar:
Tel: +351 21 352 11 55 | info@problematisingreality.com | www.problematisingreality.com www.facebook.com/ProblematisingReality

18.02.2019 | por martalanca | arte, cinema, filosofia

CHAMADA DE TRABALHOS PARA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL GÉNERO NA ARTE DE PAÍSES LUSÓFONOS: CORPO, SEXUALIDADE, IDENTIDADE, RESISTÊNCIA

27 - 28 OUTUBRO 2017 (6ª feira - Sábado) FCSH- Universidade Nova de Lisboa 

Tony GumTony GumA conferência internacional Género na Arte de Países Lusófonos: Corpo, Sexualidade, Identidade, Resistência integra-se num conjunto de eventos organizados pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC-MC), pelo Centro de História de Arte e Investigação Artística (CHAIA) da Universidade de Évora (UE) e Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL) que têm como objetivo principal debater de um modo transdisciplinar as questões de género no panorama artístico de países lusófonos contemporâneo (século XXI) desafiando assim os modelos tradicionais de produção de conhecimento do Norte Global. Com esta conferência procuramos juntar pessoas de diferentes contextos e proveniências que debatam estas questões de modo a contribuir para a construção de uma plataforma de troca de ideias, de experiências, de oportunidades de criação, de partilha e de solidariedade. As contribuições vindas de académicos, artistas, curadores, activistas, entre outras pessoas que demonstrem interesse em reflectir sobre estes temas são bem-vindas.

TÓPICOS

Esta conferência pretende reunir pessoas de diferentes países das lusofonias, vindas da academia, do activismo e de outras áreas, para reflectirem e dialogarem, de um modo crítico, transdisciplinar e sistémico, sobre a questão do género no foro da arte e da cultura contemporâneas. 
As contribuições devem focar-se na área das artes e da cultura e abordar, entre outras questões relevantes:
● O cruzamento da arte focado no género com perspectivas feministas, LGBTI, queer e pós-colonialistas;
● Representações de corporalidades e performatividades que questionam as categorias fixas de sexo, género, identidade sexual e desejo fazendo emergir novos discursos culturais identitários de subjectivação e autodeterminação, assertivos e autónomos;
● O género enquanto dimensão intrinsecamente ligada a outras, como a raça, a orientação sexual, a classe, a cultura, a idade, a (dis)capacidade e a educação, que conjuntamente produzem dinâmicas interaccionais específicas hierarquizadas;
● Num mundo globalizado, a combinação, de modo diversificado e complexo, de múltiplos hábitos sexuais e regimes de género, vindos de pessoas com diferentes pertenças no que respeita à cultura, nação e religião, multiplicam as configurações e variações das dimensões de género em que é possível viver;
● O modo como os corpos das minorias descriminadas como as mulheres, os gays, as lésbicas, transgénero e transsexxuais, entre outros, são afectados pela desigualdade de género que os oculta;
● Histórias de vida - herstories, e queerstories – em espaços e temporalidades concretas que mostram por meio de múltiplos suportes artísticos as suas vivências, passando-as do silêncio à representação revelando o que anteriormente fora proibido, escondido e ignorado no campo do desejo e da sexualidade;
● A dimensão de género na esfera íntima - nas relações, decisões e gestos da vida quotidiana - enquanto espaço onde se exerce o poder;
● Grupos culturais alternativos ligados ao apoio e divulgação de práticas artísticas centradas em identidades não heteronormativas sublinhando e revelando as ficções, as construções sociais e relações de poder em torno das categorias de género binárias;
● Os discursos que defendem a ‘naturalidade’ das identidades e sexualidades normativas que procuram impor;
● O «devenir» (tornar-se, transformar-se) beauvoiriano do género –desvendando as estruturas e processos responsáveis pela própria formação do género;
● O pós-pornográfico enquanto discurso e espaço de afirmação da vontade de criação que se distancia e recusa o discurso pornográfico heteronormativo;
● Personae e máscaras de género que rompem e questionam os discursos sociais, nomeadamente os dos meios de comunicação de massas, considerados responsáveis pela alienação, deturpação e criação de estereótipos de género, e pela percepção das sexualidades como meras mercadorias dessubjectivadoras.

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01.07.2017 | por martalanca | arte, CPLP, género

Convite // 26 de Janeiro // Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made

26 de Janeiro, 21. Espaço Alkantara (Calçada Marquês Abrantes 99, Lisboa) 
[entrada livre]

Lançamento do livro “Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made” + Conversa + Performance

O título do livro dá nome a este encontro, que parte do conceito de “greve humana” do coletivo Claire Fontaine para pensar a intervenção estética como prática política de um “artista ready-made”. 

Claire Fontaine é um colectivo artístico sediado em Paris, fundado em 2004. Roubando o seu nome a uma marca popular de cadernos escolares, Claire Fontaine declarou-se um “Artista Readymade” e começou a elaborar uma arte Neo-Conceptual que frequentemente se assemelha ao trabalho de outros. Utilizando materiais como néon, vídeo, escultura, pintura e texto, a sua prática pode ser descrita como uma contínua interrogação sobre a impotência política e a crise da singularidade que parecem hoje definir a arte contemporânea. Mas se o artista hoje é o equivalente subjectivo de um urinol ou de uma caixa Brillo – tão descolocado, tão privado de valor-de-uso e tão trocável quanto os produtos que produz – há sempre a possibilidade a que Claire Fontaine chama “Greve Humana.” Claire Fontaine utiliza a sua frescura e juventude para fazer de si próprio uma singularidade-qualquer e um terrorista existencial em busca de emancipação subjectiva.


21h // Conversa com Leonardo Araujo, Pedro Bismarck e Miguel Cardoso
Moderação: Mariana Pinho

Leonardo Araujo
Do que o Artista Contemporâneo Mundial no Império corre?

Se a Greve Humana não é a experiência mas a evidência da miséria social, da falta de experiência no Deserto - a vida no Império -, o que o artista estaria a fazer hoje senão a denunciar as mazelas e negligências das instituições de poder? Há, dentro do espectro de produção da arte contemporânea de cunho político e, algumas vezes militante, uma certa dificuldade em imaginar outros lugares, ideias e organizações que corroborem para a simples possibilidade de imaginar. O artista, neste caso, não é outro qualquer - singularidade quaisquer -, que ao tornar pública a sua obra, evidencia a nossa própria ausência afectiva, crítica e de comunhão? 

Pedro Bismarck
Uma língua de saltimbancos

Os Claire Fontaine fizeram da sua prática-de-artista um exercício de reflexão permanente sobre a relação entre a arte e a vida. E, no entanto, o tempo que atravessam (o tempo que atravessamos) é o da absoluta dissolução dessa ligação: “grandes barricadas colocadas entre a arte e a vida, entre o saber e o viver”. Talvez seja por isso que os seus objectos pareçam sempre ruínas e fragmentos de uma guerra em curso. Mas não. Mais do que despojos de um tempo passado, eles parecem ser os vestígios de um tempo por vir. Objectos desinventados (para usar um termo de Manoel de Barros) à procura de um novo idioma, uma nova linguagem (uma “língua de saltimbancos”?) que, enfim, “materialize a possibilidade de dançar numa corda bamba e de combater”.

Miguel Cardoso
Deste hábito de participar no desastre: uma dialéctica da degradação

A noção de ‘degradação’ (do que degrada, do degradado, do degradante) surge apenas de passagem nos escritos de Claire Fontaine. Contudo, vou testá-la aqui como ponto de entrada para algumas das tensões inscritas num conjunto amplo de termos que servem a Claire Fontaine para descrever o ‘estado das coisas’ (das subjectividades, das relações sociais), desde as mais conceptualmente carregadas– reificação, despossessão, equivalência – às de uso mais corrente – empobrecimento, indigência, miséria. O que pode surgir a partir do que é/está/foi ‘degradado’? Podemos articular, a partir desta noção, e deixando de lado os usos mais moralistas do termo, uma poética, ou mesmo uma política?


a decorrer
// Performance de Sílvia
O [omniadversus. self-actualizing the subject]
‘O’ consiste numa experiência heteronímica imersiva num único corpo. Explora a identidade múltipla criando processos de subjetivação - linhas de fuga que transgridem as condicionantes do sujeito oficializado - através de uma prática imanente e impessoal, fora da dualidade caracteíristca do sujeito. ‘O’ promove uma intensa nomadologia que se prende com a vida. Integrados em circuitos sociais específicos, os heterónimos existem como persona viva em constate devir, assumindo a intermitência da autoria. 
‘O’ pretende desconstruir a medula da produção do sujeito e do autor. fomentando imprevisíveis atos de imanência do sujeito ou de objetos artísticos. Indagadora da funcionalidade do Eu, a plataforma ‘O’ prolifera como base para exercer a vacuidade do ser, incentivando o ser zero como mediação social e artística, expresso num presente multiplicável. 

*

Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made é um livro de autoria do coletivo francês, produzido pela GLAC Edições, editado por Alex Flynn e Leonardo Araujo, com traduções de Aurore Zachayus, Fabio Morais, Lucas Parente, Noara Quinta, Luhuna de Carvalho, Mariana Pinho e Nuno Rodrigues. 

A GLAC edições surge da união entre Leonardo Araujo e Gustavo Colombini. Desde 2011 os dois produzem publicações independentes das ideias e textos dos seus trabalhos conjuntos. A GLAC tenciona tornar público trabalhos que tenham o texto como objeto específico de produção, que lidem de modo experimental com a linguagem e que articulem o livro como objecto, criando projectos gráficos que atendam as demandas inclusas nas experimentações linguísticas dos textos. Actualmente a GLAC segue com três frentes de trabalhos: os livros gráfico-textuais produzidos pelos seus editores e convidados; edição, tradução e adaptação de textos anónimos e de artistas estrangeiros de carácter político; e o exercício de editar textos literários e dramatúrgicos de novos escritores no formato códex.

Mais informações em: 

Buala
Alkantara
facebook

25.01.2017 | por marianapinho | arte, Claire Fontaine, greve humana, política, Ready-Made, singularidade qualquer, zero

Happy Together | 2016 | Mala Voadora Porto

Happy Together é um programa concebido pela mala voadora que reúne a especulação teórica e a artística, em torno da ideia de “felicidade em comum”. Todos os anos convidamos um ou dois artistas para as conferências do Fórum do Futuro, organizado pela Câmara Municipal do Porto, e lançamos uma convocatória para a produção de obras, feitas por artistas portugueses, que se relacionem com (1) as obras dos artistas convidados, (2) o tema anual do Fórum do Futuro ou (3) o próprio programa Happy Together.
Este ano o tema do Fórum do Futuro é “ligações”. Menos por isso e mais porque andamos concentrados em África (estreamos recentemente Moçambique, uma saga política a partir da biografia de Jorge Andrade), convidámos Samuel Fosso e Teddy Goitom, dois artistas que contribuem para a reinvenção biográfica e cultural de África e a veiculação de uma imagem cosmopolita daquele continente.
A​ ​programação​ ​da​ ​malavoadora.porto​ ​e​ ​os​ ​espetáculos​ ​de​ ​teatro​ ​da​ ​mala​ ​voadora​ ​são duas​ ​vertentes​ ​do​ ​nosso​ ​trabalho​ ​que​ ​queremos,​ ​por​ ​vezes,​ ​coincidentes​ ​– porque​ ​a​ ​nossa relação​ ​com​ ​o​ ​mundo​ ​quer-se​ ​instável​ ​mas​ ​não​ ​tem​ ​um​ ​interruptor​ ​binário,​ ​e​ ​porque​ ​tudo alimenta​ ​tudo. O programa HAPPY TOGETHER é também importante para a malavoadora.porto na medida em que é um momento em que o edifício da Rua do Almada 277 é ocupado por várias artes, e não exclusivamente pelas performativas. O sítio de onde viemos não é necessariamente o sítio aonde queremos chegar.
A expressão “Happy Together” (retirada do filme de Wong Kar Wai) que dá título ao programa é quase uma definição de “política” no seu sentido original. Definir modelos de convivência com vista à felicidade comum é a tarefa na qual radica o objetivo do tipo de pensamento e de prática a que chamamos “política”.
(design Marta Ramos)(design Marta Ramos)

Como referimos, Happy Together tem duas vertentes: uma centrada nas conferências ou entrevistas aos artistas convidados, outra na exposição ou apresentação das obras selecionadas na convocatória. Este ano, a exposição e apresentação de performances inaugura na malavoadora.porto, na Rua do Almada 277, no dia 2 de Novembro às 18.00 (e estará aberta ao público, com entrada livre, até ao final do dia 5). As duas conferências realizam-se, respectivamente, a 3 e 4 de Novembro, no Rivoli.
As 4 obras selecionadas pelo júri da convocatória são: Letter Landscape de Andreia Santana e Henrique Loja; One Way to Pandora de Diogo Bessa e Xana Novais; Turning Backs de Rita Vilhena, Lígia Soares e Diogo Alvim; e (Un)Balanced de João Dias-Oliveira, Nuno Mota, Patrick Hubbman e Rossana Ribeiro.

Letter Landscape Letter Landscape
Letter Lanscape
 é uma instalação de duas projeções simultâneas que, através de exercícios que convocam a oralidade e de tutoriais de manipulação e mapeamento 3D, constrói um diálogo entre linguagem e território como construtores de espaços de proximidade. Em LETTER LANDSCAPE, paisagem e território permeiam-se à rasura de fronteiras e fragmentam distâncias, construindo apenas contiguidades onde a palavra é habitada pelo palimpsesto da partilha.”

One Way to PandoraOne Way to Pandora
“A instalação-performance One Way To Pandora parte de uma onda fotográfica e de uma savana artificial para recriar dois momentos que comemoram a partida da cidade, a frescura de uma zona de conforto e a partilha entre corpos humanos numa dimensão inspirada nas raízes africanas, sul-americanas e em todas as selvas meta-amazónicas, meta-cyborg, meta-verdadeiras.”

Turning BacksTurning Backs
Turning Backs
é um projeto que visa a materialização do paradoxo: todos estamos incluídos na exclusão. A instalação proposta é de participação obrigatória mas apenas num dos lados. São duas linhas de assentos que não têm costas e obrigam cada espetador a utilizar as costas do outro como encosto. Afinal, estar costas com costas é encostar a alguém, sendo que esse alguém é exatamente a pessoa a quem virámos costas.”

(Un)Balanced(Un)Balanced
(Un)Balanced
é um artefacto mecânico motivador de reflexão sobre equilíbrio, força, peso, pressupondo um par ação-reação. É uma instalação interativa de carácter lúdico que proporciona um momento de diversão. É uma analogia sobre as relações humanas, sociais e políticas, uma demonstração de que o equilíbrio depende da relação harmoniosa entre partes.”

Depois da inauguração, no dia 2, a exposição abrirá também no dia 4, às 16.00 e no dia 5, às 14.00. Finaliza, nesse dia com uma conversa com todos os artistas participantes, às 18.00.
No dia 3, convidámos Catarina Simão, artista e investigadora que vive entre Lisboa e Moçambique, para entrevistar Samuel Fosso. Fosso é um fotógrafo camaronês que se tornou conhecido pelos autorretratos, nos quais produz transformações performativas do seu corpo, inventando uma multiplicidade de identidades politicamente subversivas, “pós-coloniais”.
Teddy Goitom (Stocktown)Teddy Goitom (Stocktown)
No dia seguinte, Teddy Goitom, cineasta e produtor, apresenta-nos a plataforma Afripedia (www.afripedia.com) que desafia os modos como a arte africana é percepcionada pelo mundo e liga efetivamente talentos e artistas africanos à escala global, veiculando para o mundo a vibração de um continente cosmopolita.
Happy Together liga fotografia, cinema, performance, instalação, pensamento, música e vídeo. Liga o percurso de artistas “reconhecidos” com percursos mais recentes. Liga – são apenas 500 metros de percurso! – o Rivoli e a Rua do Almada. A malavoadora.porto a confiar tudo nos artistas e nas artes todas.

[Texto escrito por Mala Voadora]

31.10.2016 | por marianapinho | Andreia Santana, arte, Catarina Simão, Diogo Alvim, Diogo Bessa, felicidade em comum, Happy Together, Henrique Loja, João Dias-Oliveira, ligações, Lígia Soares, Mala Voadora, Nuno Mota, Patrick Hubbman, política, pós-colonialismo, Rita Vilhena, Rossana Ribeiro, Samuel Fosso, Teddy Goitom, Xana Novais

Oficina de Imaginação Política

32ª Bienal de São Paulo
uma proposta de Amilcar Packer, com Jota Mombaça, Michelle Mattiuzzi, Rita Natálio, Thiago de Paula, Valentina Desideri

Oficina de Imaginação Política é uma proposta de Amilcar Packer para a 32ª Bienal. Partindo das palavras que dão nome ao projeto - oficina, imaginação e política - e junto a um grupo de colaboradores composto por Diego Ribeiro, Jota Mombança (Monstra Errátika), Michelle Matiuzi, Rita Natálio, Thiago de Paula e Valentina Desideri, Packer programou sessões de trabalho, apresentações públicas e debates ao longo dos três meses de duração da exposição. A Oficina, instalada no pavilhão, reúne pesquisa, produção e aprendizado como um lugar de convívio e elaboração coletiva de ferramentas para intervenção na esfera pública. Ao criar uma zona temporária e autônoma com os participantes, as ações concebidas pela Oficina visam ocupar espaços da cidade, do parque e das mídias, indo contra tentativas de captura e controle macropolíticos. Entendendo que há na imaginação uma potência de reivenção de territórios conceituais e reformulação de perguntas, narrativas e práticas dentro do que compreendemos como política, e diante do atual contexto sociopolítico nacional e internacional, a Oficina busca resgatar a potência de transformar imagens em ação como ferramenta de resistência e atuação política, e como forma de requalificar a experiência com a arte. 
Mais informações, aqui

Programa:

21 outubro, 14h
Palestra com Acácio Augusto / Anarquia no brasil: revolta e antipolítica dos “estrangeiros indesejáveis” para nação
A anarquia chega ao Brasil com os operários vindos de terras europeias, aqui são logo perseguidos como elementos indesejáveis que, em meio suas práticas e experimentações de liberdade, atiçam revoltas e instauram a antipolítica. A cultura libertária se dissemina e segue potente até os dias de hoje, em pesquisas, práticas educativas, estilos de via e inéditas formas de contestação pública. Seguem como indesejáveis às variadas formas da política contemporânea.

Bio:
Acácio Augusto é doutor em Ciência Sociais pela PUC-SP, professor credenciado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da UVV-ES e Programa de Psicologia Institucional da UFES, pesquisador no Nu-Sol (Núcleo de Sociabilidade Libertária do Programa de Pós Graduação da PUC-SP) e bolsista Pós-Doc CAPES na UVV-ES. Autor de Política e polícia: cuidados, controles e penalizações de jovens, Rio de Janeiro: Lamparina, 2013.


27 e 28 outubro (14h às 18h)
Oficina com Barbara Glowczewski / Cartografar Existências
Nas Nações Unidas, a expressão “povos indígenas” (do francês peuples autochtones) tende apenas a designar os povos colonizados que se identificam e são identificados assim devido a sua economia, baseada em atividades de subsistência como a caça, a coleta, a horticultura e o pastoreio, com uma visão muitas vezes holística e sagrada da terra, e por serem considerados minoria em suas próprias terras. Esses critérios parecem corresponder a milhares de grupos linguísticos espalhados pelo planeta, e que representam pelo menos 6% da população global. O pedido para que recebam o estatuto de povos soberanos já vem sendo discutido na ONU há mais de trinta anos e, enquanto isso, seus modos de vida, quer seja na Amazônia, na Sibéria, na Mongólia ou no deserto de Kalahari, são ameaçados pela violência de Estado, ou pela engenharia florestal e pelas empresas de mineração. Na África, o reconhecimento do estatuto de “povos indígenas” relaciona-se aos povos tuaregues, berberes, bosquímanos, pigmeus, fulas e massais, mas exclui os grupos étnicos que praticam a agricultura ou que foram historicamente deslocados, ou seja, a maioria do continente. Na América do Norte, na Austrália e na Nova Zelândia, muitos povos indígenas vivem hoje em cidades ou reservas antigas que se tornaram comunidades autogeridas. Em uma mesma família, a realização social de alguns – através da arte, da educação, do esporte, da ação social ou da política – contrapõe-se ao desespero e à angústia suicida de outros. Ainda assim, esses que conseguem geralmente exigem sua indianidade e o direito ao reconhecimento cultural e legal de sua diferença como os primeiros australianos; eles lutam politicamente para trazer à luz a especificidade dos problemas que afetam as comunidades de onde vêm. Alguns grupos exploram diversas estratégias discursivas sobre a sua relação com a natureza e aceitam, por exemplo, o papel de guardiães ecológicos a fim de tentar recuperar um modelo público e economicamente justo de governo.” (trecho de “Entre o espetáculo e a política: singularidades indígenas”, de Barbara Glowczewski, publicado em 2011, no nº 13 do Cadernos de Subjetividade. pp. 120-142).

Bio: 
Pesquisadora do Laboratoire d’Anthropologie Sociale (CNRS/ EHESS/ Collège de France) é autora de diversos livros entre os quais “Du rêve à la loi chez les Aborigènes - mythes, rites et organisation sociale en Australie”, (PUF, 1991), “Les rêveurs du désert - peuple warlpiri d’Australie” (Actes SUD, 1996), “Rêves en colère avec les Aborigènes australiens” (Plon, Terre Humaine, 2004) e “Devires totêmicos” (N-1). Trabalhou com Felix Guattari nos ano 1980 e realizou diversas estadas de campo entre diferentes povos indígenas da Austrália. Nesta conferência, ela propõe realizar um percurso crítico a partir de lições extraídas da observação da criatividade da resistência dos Aborígenes australianos, de povos colonizados pela França e de cultos de matriz africana no Brasil.

29 outubro, 14h
Palestra com Barbara Glowczewski / De pé com a Terra
Mais informações em breve.

Bio:
Pesquisadora do Laboratoire d’Anthropologie Sociale (CNRS/ EHESS/ Collège de France) é autora de diversos livros entre os quais “Du rêve à la loi chez les Aborigènes - mythes, rites et organisation sociale en Australie”, (PUF, 1991), “Les rêveurs du désert - peuple warlpiri d’Australie” (Actes SUD, 1996), “Rêves en colère avec les Aborigènes australiens” (Plon, Terre Humaine, 2004) e “Devires totêmicos” (N-1). Trabalhou com Felix Guattari nos ano 1980 e realizou diversas estadas de campo entre diferentes povos indígenas da Austrália. Nesta conferência, ela propõe realizar um percurso crítico a partir de lições extraídas da observação da criatividade da resistência dos Aborígenes australianos, de povos colonizados pela França e de cultos de matriz africana no Brasil.

19 de Novembro
Palestra com Wallidah Imarisha  / Sonhando novos futuros: Ficção científica e mudança social
Como o co-editora da antologia “Octavia’s Brood: Science Fiction Stories From Social Justice Movementsl”, Walidah Imarisha se conecta à ideia de mudança social. A premissa básica de “Octavia’s Brood” é que toda organização é ficção científica. Para construir novos futuros apenas, é precisamos primeiro ser capazes de imaginá-los coletivamente. Nós também temos que ser capazes de imaginar diferentes maneiras de nos envolver uns com os outros, de partilhar o poder, de construir instituições, de estar em comunidade, que pode ser tão estranho para nós como viver em Marte. Para construir, como diz o Black Lives Matter, movimentos líderes que são visionário, devemos criar espaços onde todos nós compartilhemos ideias coletivamente, liderança, e trabalho, para trazer nossos sonhos de libertação para fora do éter para a realidade.

Bio:
Walidah Imarisha é educadora, escritora, professoea e poeta. É editora de duas antologias incluíndo “Octavia’s Brood: Science Fiction Stories From Social Justice Movements”. Imarisha escreveu o livro de não-ficção “Angels with Dirty Faces: Three Stories of Crime, Prison and Redemption” e da coleção de poesias “Scars/Stars”. É professora do programa de Escrita e retórica da Universidade de Standford, E.U.A.

3 de Dezembro
Palestra e lançamento do livro “Homo Modernus” com Denise Ferreira da Silva
Mais informações em breve.

Bio:
Denise Ferreira da Silva ensina no Instituto de Gênero, Raça, Sexualidade e Justiça Social (GRSJ) da Universidade de British Columbia, no Canadá. Sua escrita aborda os desafios conceituais, éticos e políticos do presente global, por meio de uma perspectiva radical feminista e negra. Ela intervém nas áreas de teoria política, teoria crítica legal, estudos de crítica racial e étnica, estudos pós-coloniais e globais, e estudos culturais. Publicou “Toward a Global Idea of Race” (University of Minnesota Press, 2007) e como coeditora, ” Race, Empire, and the Subprime Crisis ” (Johns Hopkins 2013) e Notes Towards the End of time (Living Commons Collective, 2016). Dentre seus artigos recentes, destacamos “To Be Announced: Radical Praxis of Knowing at/the Limits of Justice” (Social Text, 2013), “Transversing the Circuit of Dispossession.”, (The Eighteenth Century: Theory and Interpretation, 2014) e “Toward a Black Feminist Poethics: The Quest(ion) of Blackness Towards the End of the World” (The Black Scholar, 2014). Ela também coedita a série de livros da eitora Routledge Law and the “Postcolonial: Ethics, Politics, and Economy” e “Indigenous Peoples and the Law”.

18.10.2016 | por marianapinho | arte, cidade, Convívio, Elaboração Coletiva, Imaginação, Intervenção, oficina, política, Potência

Arte e Politica Reloaded? O Direito à Cidade

Dia 5 a 8 Junho em Lisboa, no Espaço da Penha - Rumo de Fumo | Fórum Dança - no Hangar e no ISCTE, irá decorrer o encontro internacional de artistas, activistas e investigadores Arte e Politica Reloaded? O Direito à Cidade. 

Para mais informações, ver aqui.

20.05.2016 | por claudiar | arte, artistas, encontro, política

V Colóquio Internacional "O que é a Arte?"

A Associação Filosófica O que é? com o apoio do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, convida a assistir a mais um colóquio em que se tenta responder à questão que dá título ao V colóquio sobre o mesmo tema. Desta vez será em Sintra, dia 14 de maio pelas 10h, e o filósofo Nigel Warburton é o convidado inaugural desta sessão.

Para mais informações, ver aqui.

11.05.2016 | por claudiar | arte, colóquio

Faustin Linyekula - Artista na Cidade

Durante a preparação do programa Artista na Cidade 2016, o coreógrafo Faustin Linyekula exprimiu a vontade de apresentar o seu trabalho a públicos dos bairros limítrofes da região da Grande Lisboa. Depois da apresentação memorável de Le Cargo na Cova da Moura em janeiro passado, o Teatro Maria Matos coorganiza este evento: Le Cargo será apresentado numa praça do Bairro Padre Cruz em Carnide, no contexto do primeiro Festival de Arte Urbana.

A entrada é livre.

Para mais informações, ver aqui.

04.05.2016 | por claudiar | arte, dança, eventos culturais

Arte e Feminismo & WikiD Edit a Thon Lisboa 2015

Encontro de edição colectiva na Wikipedia

7 de Março das 10h às19h

Local: Labart | Universidade Lusófona, Campo Grande

Entrada livre

Inscrições: editathonlx@gmail.com

Em 2011 a Wikimedia Foundation realizou um inquérito sobre quem editava  na Wikipédia e descobriu que menos de 10% dos seus contribuintes se identificava como feminino. Enquanto as razões para esta discrepância entre géneros pode ser um assunto de debate, o seu efeito prático é objectivo.  A falta de participação feminina na produção de artigos na Wikipedia gera uma distorção nos conteúdos disponíveis, o que representa uma ausência alarmante na construção deste repositório de partilha de conhecimento cuja importância é cada vez maior.  Os problemas de género na Wikimédia encontram-se bem documentados. (inquérito em + informação)

É neste contexto que surge Arte e Feminismo & WikiD | Edit a Thon Lisboa 2015, encontro que conjuga numa só 1ª edição os dois eventos que se realizam  em Nova Iorque dias 7 e 8 de Março: Art+Feminism Edit-a-Thon no Museum of Modern Art dia 7 e  WikiD –Women Wikipedia Design organizado por ArchiteXX dia 8.

Lisboa alia-se deste modo a mais de 30 cidades ao realizar este encontro global de edição na Wikipédia focada em assuntos relacionados com arte, arquitectura e feminismo. Queremos ajudar a mudar a situação. Quer colaborar e participar? Faça parte.

Haverá um workshop de inicio à edição na Wikipédia, materiais de referência, debate e uma sessão colectiva de edição. Traga o seu laptop, ficha para ligação à corrente, ideias e artigos para entradas na Wikipédia a precisar de edição ou para novas entradas a serem criadas. 


As inscrições estão abertas até dia 5 de Março. Todos os materiais e demais informações relacionadas com o evento serão enviados aos inscritos. 

+ informação:
a nossa página Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:Encontro/Edicao/Lisboa/Artefeminismo                              Facebook: https://www.facebook.com/artefeminismolx/info?tab=page_info&edited=nameorganizadores: http://artandfeminism.tumblr.com/ e https://www.facebook.com/events/416274511860793/evento pelo mundo: http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Meetup/ArtAndFeminisminquérito 2011: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/76/Editor_Survey_Report_-_April_2011.pdf

26.02.2015 | por martalanca | arte, feminismo, WikiD

Arte e memória coletiva - 22/1 LISBOA

Uma mesa-redonda com Ângela Ferreira, David Santos, Irene Pimentel, Mariana Pinto dos Santos, Pedro Lapa.

Com a modernidade, as práticas artísticas visuais preteriram o recurso a uma função mnemónica como forma particular de estruturar uma experiência coletiva.A história, a narrativa, o documento e o comentário tornaram-se formas proscritas. Recentemente, muitos artistas têm vindo a reclamar para o objeto artístico uma dimensão mnemónica, contra a sua instrumentalização mercantil, para que este possibilite formas diferentes da experiência e da própria subjetividade.

Uma atividade realizada no âmbito da exposição Da solidão do lugar a um horizonte de memórias, patente no Museu Coleção Berardo até 28 de abril de 2013.Entrada livre, sem marcação prévia. Para mais informações contacte o Serviço Educativo: t. 213612800, f. 213612900, servico.educativo@museuberardo.pt .

 

18.01.2013 | por martalanca | arte, memória

9 de Junho | Carpe Diem Arte e Pesquisa - Inauguração de exposições

04.06.2012 | por joanapereira | arte, carpe diem, exposição, inauguração