Patrice Lumumba, 60 Anos Depois

Patrice Lumumba, 60 Anos Depois No dia 30 de junho de 1960, na cerimónia de proclamação de independência do Congo, houve três discursos: do rei Baudouin da Bélgica, antiga potência colonizadora, do Presidente do Congo, Joseph Kasavubu, e de Patrice Lumumba, primeiro-ministro, este último, numa intervenção não prevista no protocolo inicial. Foi um discurso curto de cerca de doze minutos, escrito numa linguagem acessível e incisiva, performativa e visual, um discurso que, como defende o historiador Jean Omasombo Tshonda, “funda o Congo independente”. Os primeiros oito minutos são a mais clara definição do que é o colonialismo do ponto de vista de um continente, de um país, de uma comunidade, de uma pessoa.

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30.01.2021 | por Margarida Calafate Ribeiro

Morreu Lumumba, para que África viva!

Morreu Lumumba, para que África viva! Também nas nossas terras, onde sofremos a miséria, a fome, a escravidão, as nossas riquezas são exploradas pelos colonialistas e pelos “trusts” imperialistas. Apesar da bárbara repressão colonialista, conseguimos formar o PARTIDO AFRICANO DA INDEPENDÊNCIA, que é o único partido que não faz distinção de raças, origens, etc. O PARTIDO AFRICANO DA INDEPENDÊNCIA procura a UNIDADE dos nossos povos para a LUTA contra o colonialismo e contra o imperialismo.

Mukanda

15.01.2021 | por Amílcar Cabral

A tristeza da terra e a voz das imagens

A tristeza da terra e a voz das imagens Nas obras artísticas da pós-memória, são comuns os casos em que o artista revisita o passado colonial fazendo apelo a uma reinterpretação dos arquivos históricos marcantes, muitos deles silenciados ou esquecidos pelas gerações seguintes. Um dos eventos que tem dado lugar a uma série de fecundas representações artísticas é o das mãos cortadas, um dos episódios mais medonhos do período colonial da Bélgica no Congo, em que os colonizadores cortaram as mãos dos africanos, especialmente as crianças, como castigo e exemplo de autoridade.

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02.05.2020 | por Felipe Cammaert

O jardim

O jardim The Garden está a par das imagens domésticas de Deana Lawson. Adão e Eva estão ainda em casa, nesta aldeia do Congo. Mas, na casa de quem? Serão dois amantes deixados pernoitar em casa de amigos? Estarão na casa de todos, que é toda parte e lado nenhum? O que é uma casa, pergunta Eva. Deixa-te de perguntas, meu amor, responde Adão.

Mukanda

28.10.2019 | por Djaimilia Pereira de Almeida

Resenha animada sobre a novela gráfica “Arsène Schrauwen”

Resenha animada sobre a novela gráfica “Arsène Schrauwen” Inspirado no tom de realismo mágico da novela, este artigo-animado estabelece um paralelismo o com o avô da narradora desenhada, que deixa Portugal para ir trabalhar para Moçambique durante a ditadura salazarista. Uma micro reflexão sobre o passado colonial no qual os brancos que foram para as "colónias", movidos por diferentes motivos e com posturas distintas perante os regimes coloniais europeus estavam, inevitavelmente, dessincronizados com os ambientes e culturas africanos nos quais desembocaram.

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20.05.2019 | por Júlia Barata

Três comentários ao filme Enjoy Poverty, de Renzo Martens

Três comentários ao filme Enjoy Poverty, de Renzo Martens Durante dois anos, o artista holandês, qual Conrad, viaja pelo profundo Congo, ferida aberta do xadrez de interesses em mais uma das suas guerras civis. De câmara à mão, foi escarafunchar na indústria da pobreza que beneficia tanta gente à excepção dos pobres: empresas que enriquecem à custa dos recursos que os pobres não podem reivindicar, o ouro e coltan, ong’s que empregam os jovens sem trabalho na Europa, os media que vendem essas imagens e os especialistas em resolução de conflitos. Vimos o filme em tempos diferentes e juntamos aqui os nossos comentários.

Afroscreen

05.01.2019 | por Ricardo Falcão, Marta Lança e Joana Areosa Feio

Congoleses e congolesas,

Congoleses e congolesas, (No acto de proclamação da independência do Congo, não foi dada a palavra a Patrice Lumumba. Mas ele levantou-se e falou, dirigindo-se ao seu povo, não tratando o rei da Bélgica por «majestade» mas por «Sire»)

Mukanda

26.05.2012 | por Patrice Émery Lumumba

As Milongas da Rainha Njinga

As Milongas da Rainha Njinga O «diálogo» entre portugueses e africanos nas guerras do Congo e de Angola (séculos XVI-XVII). A motivação principal para os portugueses iniciarem seus contactos com as populações da África central foi, oficialmente, a conversão dos reis autóctones ao cristianismo. De facto, a evangelização das populações autóctones fazia parte das condições impostas pelo Papa às potências ibéricas quando repartiu o «mundo» entre eles (Tratado de Tordesilhas: 1494). Ora, uma leitura mesmo superficial dos relatórios portugueses da conquista da Área Congo-Angola demonstra que as preocupações que ocupavam realmente a atenção dos conquistadores eram bem diferentes. Nos matos e nas savanas de Angola desenvolveu-se uma guerra permanente entre os portugueses, ávidos de conseguir o maior número possível de peças para a exportação, e os «reis» ou senhores autóctones, que procuravam, embora de maneira amiúde contraditória, defender a sua soberania e também, às vezes, a sua própria posição no comércio escravista.

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16.05.2011 | por Martín Lienhard

Encontros PICHA Bienal de Lubumbashi

Encontros PICHA Bienal de Lubumbashi Celebrar o centenário de Lubumbashi leva, por isso, a lembrar meio século de expansão colonial e industrial que andou de mãos dadas com uma forte segregação cujas marcas se encontram no urbanismo (vejam-se os trabalhos de Johan Lagae) e nas convulsões sociais que surgiram imediatamente após a segunda guerra mundial. Mas os últimos cinquenta anos marcam igualmente a “nacionalização”, depois das independências, da cidade pelos congoleses.

Vou lá visitar

15.09.2010 | por association PICHA