Contemporânea leva a Lisboa e ao Porto um programa de performances sobre memória resistência e transformação

Com curadoria de Alexandra Balona, MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM reúne, entre 19 de setembro e 10 de outubro, obras de Sammy Baloji, Shahd Wadi, James Newitt, Noor Abed, Haig Aivazian, Ali Cherri, Ana Isabel Castro e Marcelo Reis.

A Contemporânea apresenta, entre 19 de setembro e 10 de outubro, em Lisboa e no Porto, um programa de performances que cruza memória colonial, exílio, resistência palestiniana, transformação geológica e modos alternativos de perceção. Intitulado MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM, o ciclo tem curadoria de Alexandra Balona, integra o projeto ON HYBRIDITY AND THE POETICS OF RESISTANCE e desenvolve-se sob direção artística de Celina Brás.

O título parte de The Heart of the Heart of Another Country, obra publicada em 2005 pela artista e poeta libanesa Etel Adnan, cuja escrita atravessa experiências de conflito, migração, exílio e identidades híbridas. A frase escolhida — «O meu centro não está no sistema solar» — serve de ponto de partida para um programa que procura deslocar centros, escalas e narrativas dominantes. Em vez de uma geografia fixa, propõe um campo de relações entre o Atlântico e o Mediterrâneo, ligando Europa, Ásia ocidental e norte de África através de histórias marcadas por diferentes regimes de poder, mobilidade e visibilidade.

Ao reunir artistas com práticas e percursos distintos, o programa interroga versões eurocêntricas da história e os limites das fronteiras políticas e ideológicas. A performance surge aqui como linguagem capaz de aproximar corpo, voz, som, imagem e matéria, mas também de ensaiar outras temporalidades. São obras em que o passado não aparece como capítulo encerrado: persiste nos museus e nos arquivos, na paisagem, na garganta, na lama, nos gestos quotidianos e nas formas de escutar.

O ciclo organiza-se em três momentos. O primeiro decorre a 19 de setembro, no anfiteatro ao ar livre do CAM — Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, coincidindo com o segundo aniversário da reabertura do espaço. Seguem-se duas jornadas no Porto: a 3 de outubro, no Mosteiro de São Bento da Vitória, no programa da sua reabertura; e a 10 de outubro, na Rampa, espaço de arte independente.

Sammy Baloji revisita cinco séculos de relações entre a Europa e o Reino do Congo

A abertura, no CAM, faz-se com a estreia nacional de Missa Utica (2024), do artista congolês Sammy Baloji. A obra é um novo capítulo de Fragments of Interlaced Dialogues, investigação de longa duração desenvolvida a partir de objetos do Congo levados para a Europa ao longo dos últimos cinco séculos e hoje conservados em diferentes museus.

Depois de etapas em cidades como Florença e Paris, o percurso conduz Baloji a Utica, na Tunísia. Foi ali que, no século XVI, foi nomeado o primeiro bispo africano, num contexto de intensos intercâmbios entre a Europa cristã — em particular Portugal — e o Reino do Congo. A partir desta história, Missa Utica cruza o texto poético de Fiston Mwanza Mujila, a criação musical de Pytshens Kambilo e Barbara Drazkov, a interpretação de Bwanga Pilipili e a instalação cenográfica de Baloji. Entre concerto, instalação e performance, a obra aproxima memória colonial, espiritualidade e música, interrogando também os percursos dos objetos e as instituições que os guardam.

Palestina memória e voz no Mosteiro de São Bento da Vitória

O segundo momento do programa reúne, a 3 de outubro, três obras no Mosteiro de São Bento da Vitória. A tarde começa com a estreia absoluta de Matei o Pássaro (2026), leitura-performance de Shahd Wadi com o artista australiano James Newitt. Entre memória, luto, escrita e herança palestiniana, Wadi parte da figura do pássaro como símbolo de esperança e liberdade para perguntar o que acontece quando as metáforas deixam de responder à dimensão da catástrofe. A criação atravessa poemas, canções, vozes ancestrais, fantasmas e símbolos da resistência palestiniana, procurando aquilo que pode permanecer vivo depois do fim da esperança.

Segue-se a estreia nacional de Nothing Will Remain Other than the Thorn Lodged in the Throat of this World (2025), de Noor Abed e Haig Aivazian. A performance nasce de uma correspondência continuada entre os dois artistas, feita de reflexões, episódios quotidianos, leituras, poemas, canções e recitações. Em cena, esse arquivo transforma-se numa partitura de som, texto e movimento.

O corpo é simultaneamente instrumento e arquivo. Suspiros, tosses, murmúrios e sibilos percorrem o nariz, a boca, a laringe, a traqueia e os pulmões, fazendo da voz um lugar de memória e resistência. Ao convidarem o público a participar em alguns momentos da experiência sonora, Abed e Aivazian procuram construir uma câmara de ressonância coletiva, um coro heterogéneo perante a violência genocida que atravessa as trajetórias de ambos.

A jornada prossegue com The Book of Mud (2025), estreia nacional do artista libanês Ali Cherri. A lama — matéria situada entre a terra e a água, associada tanto à origem da construção como a paisagens temidas e fantasmagóricas — conduz uma reflexão sobre civilização, poder, geologia e memória. Ao percorrer narrativas de pântanos, águas estagnadas e planícies, Cherri pergunta o que a matéria guardaria se tivesse memória própria e o que escolheria recordar. O encontro termina com um momento de convívio em torno da mesa.

Duas estreias na Rampa encerram o ciclo

A 10 de outubro, a Rampa recebe duas obras inéditas. Em street tease (2026), Ana Isabel Castro propõe um exercício de observação assente na proximidade e na disponibilidade perante aquilo que nos rodeia. A performance prolonga questões de Adoçar (2025), trabalho em que a palavra «adoçar» — usada, no lugar de onde vem a artista, como sinónimo de lavar — designa a retirada do sal e do suor do corpo com água doce. Se nesse projeto a limpeza abria espaço à observação, street tease aproxima esse gesto do público e procura torná-lo mais direto, íntimo e igualitário.

O programa encerra com Barragem dos Minutos (2026), vídeo-performance de Marcelo Reis que dá continuidade à sua investigação sobre o ruído. Depois de trabalhar com quedas de água, o artista procura agora um ruído não sonoro num corpo de água, encontrado à primeira luz da manhã na Barragem dos Minutos, em Montemor-o-Novo. Uma voz sintetizada convoca autores como Hito Steyerl, Aaron Zwintscher e Warren Weaver e explora a tensão entre ruído e apofenia — a tendência para reconhecer padrões onde eles não existem. No limite do audível, a própria voz deixa em aberto a dúvida sobre aquilo que é realmente escutado e aquilo que a imagem e as legendas levam o público a ouvir.

Entre Lisboa e Porto, MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM constrói assim uma cartografia descontínua, feita de histórias coloniais, deslocações, matéria, perda e persistência. Mais do que oferecer respostas comuns, o programa aproxima práticas que usam a performance para descentrar o olhar e tornar sensíveis relações que as narrativas dominantes tendem a apagar.

Programa

CAM — Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Sábado, 19 de setembro

  • 20h00 — Sammy Baloji, Missa Utica (2024), estreia nacional

Mosteiro de São Bento da Vitória, Porto

Sábado, 3 de outubro

  • 16h00 — Abertura
  • 16h30 — Shahd Wadi com James Newitt, Matei o Pássaro (2026), estreia absoluta
  • 17h30 — Noor Abed e Haig Aivazian, Nothing Will Remain Other than the Thorn Lodged in the Throat of this World (2025), estreia nacional
  • 18h30 — Ali Cherri, The Book of Mud (2025), estreia nacional
  • 20h00 — Convívio

Rampa, Porto

Sábado, 10 de outubro

  • 15h00–19h00 — Ana Isabel Castro, street tease (2026), estreia absoluta
  • 19h00 — Marcelo Reis, Barragem dos Minutos (2026), estreia absoluta

18.09.2026 | by martalanca | performance, Sammy Baloji, Shahd Wadi

De Noémia Delgado a Margaret Tait, de Brigitte Bardot a Lino Brocka

Em outubro, já feita a rentrée, a Cinemateca Portuguesa conta com dois ciclos que tocam no lado mais poético do cinema: o cinema etnográfico, literário e fantástico da realizadora e artista portuguesa Noémia Delgado e a abordagem pessoal e experimental da cineasta e poeta escocesa Margaret Tait. A programação mensal conta ainda com um ciclo dedicado a Brigitte Bardot, Lado B.B., e a retrospetiva Lino Brocka – Matem o Artista Nacional. O mês não termina sem um revisitar das paragens da Viagem ao Fim do Mudo e a celebração do Dia Mundial do Património Audiovisual com a exibição, entre outros títulos, de A LENDA DE MIRAGAIA, um dos primeiros filmes de animação em Portugal, dado como perdido até à sua descoberta em maio e subsequente doação à Cinemateca.   

O Lado B.B. decorre de 1 a 17 de outubro e explora a carreira de Bardot no cinema francês, da eclosão na Nouvelle Vague à instituição da iconicidade da sua imagem. A programação mostra a amplitude da sua filmografia, com filmes como ET DIEU… CRÉA LA FEMME, LE MÉPRIS, DEAR BRIGITTE, VIE PRIVÉE, LE REPOS DU GUERRIER, VIVA MARIA! e LA VÉRITÉ. O ciclo, apresentado em colaboração com a Festa do Cinema Francês, inclui ainda um “Spécial Bardot”, e A SIMPLE FAVOR, de Paul Feig, filme que contém três canções de Bardot (incluindo um dueto com Serge Gainsbourg). 

Em concomitância, acontece de 2 a 14 de outubro, Noémia Delgado, O Cinema no Singular, o ciclo dedicado à realizadora portuguesa, com um programa extremamente abrangente da sua obra, do seu trabalho na área do cinema (documental sobretudo, mas também ficcional, enquanto assistente de realização ou montadora) aos seus trabalhos televisivos (como em “Palavras Herdadas” ou “Contos Fantásticos”) relacionados com a cultura e o património portugueses. A retrospetiva, que inicia e termina com MÁSCARAS (o seu primeiro e mais reconhecido título enquanto realizadora) reflete o seu cinema poético e etnográfico, marcado por muitos escritores, que adapta ou a cuja obra dedica parte dos seus filmes (figuras como Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Camilo Pessanha e Almeida Garrett). Destacamos a apresentação integral dos seus sete “Contos Fantásticos”, que fizeram de Noémia uma pioneira de um género pouco comum em Portugal, o cinema fantástico, estando o seu nome associado a um importante prémio para o cinema de terror no feminino. Estão também presentes curtas-metragens e séries que realizou sobre arte, arquitetura, património e artesanato – com MAFRA E O BARROCO EUROPEU, “Arte Nova e Déco no Norte de Portugal” e “Trabalho do Ouro e da Prata no Norte” –, e outras raridades, sublinhando como foi sempre transitando entre o cinema, a escultura, a pintura o desenho e a escrita.

   

Lino Brocka – Matem o Artista Nacional é a retrospetiva programada em conjunto pela Cinemateca e o DocLisboa e que será apresentada nas salas da Barata Salgueiro, escancarando as portas do cinema de Lino Brocka entre 16 e 30 de outubro. Organizada em diálogo com Khavn De La Cruz, artista filipino multifacetado e especialista na obra de Brocka, é apresentado um conjunto significativo da obra do realizador filipino. Percorrem-se diferentes géneros e momentos da sua filmografia, mostrando a amplitude da sua produção cinematográfica – do infinitamente pessoal ao social e político numa escala mais alargada – como INSIANG, MACHO DANCER, CAIN AND ABEL, WANTED: PERFECT MOTHER, MY MOTHER, MY FATHER, ORAPRONOBIS, JAGUAR ou MANILA IN THE CLAWS OF LIGHT. Durante o ciclo será publicado um Caderno da Cinemateca sobre o trabalho do cineasta.

No final do mês, de 26 a 31 de outubro, teremos um ciclo dedicado à obra secreta de Margaret Tait, realizadora e poeta escocesa cujos filmes são marcados por uma abordagem diarística, experimental e naturalmente poética. O programa reúne curtas-metragens (muitas delas a exibir em cópias de 16mm), retratos, diários e trabalhos ligados à memória, aos lugares e à experiência quotidiana, como THREE PORTRAIT SKETCHES, COLOUR POEMS, WHERE I AM IS HERE, ou MY ROOM. VIA ANCONA 21. Mas nem só de filmes assinados por Tait se faz este ciclo, que estabelece ligações com outros filmes que dialogam com as obras da realizadora. Um exemplo recente é AFTERSUN, de Charlotte Wells, que cita um dos livros de Tait (Poems, Stories and Writings), sendo que Wells assumiu a influência desta no seu trabalho. Outro diálogo surge através do emparelhamento de ONE IS ONE (1951) de Tait com VIAGGIO IN ITALIA (1954) de Rossellini, já que Tait estudou cinema em Itália entre 1949 e 1952 e conheceu pessoalmente o cineasta italiano. O programa inclui, claro, a única longa-metragem de Margaret Tait, o belíssimo palimpsesto geracional BLUE BLACK PERMANENT, bem como filmes-homenagem assinados por autores como Luke Fowler, Ute Aurand e Peter Todd. Todd, grande especialista na obra de Tait, estará em Lisboa para acompanhar o ciclo e apresentar os seus próprios filmes.

O ciclo Viagem ao Fim do Mudo em outubro desdobra-se nas exibições de EROTIKON, de Mauritz Stiller, RAPSODIA SATANICA, de Nino Oxilia, e FRAU IM MOND, de Fritz Lang, três filmes mudos europeus que exploram uma dimensão experimental. Sempre com acompanhamento ao piano.

O Dia Mundial do Património Audiovisual, a 27 de outubro, decorre este ano em ligação direta com o programa de comemoração dos 30 anos do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento. A data será marcada com a exibição de A LENDA DE MIRAGAIA (de Raul Faria da Fonseca e António Cunhal), um dos primeiros filmes de animação em Portugal, dado como perdido até à sua descoberta no passado mês de maio e subsequente doação à Cinemateca. Juntam-se na mesma sessão uma seleção de curtas-metragens portuguesas de animação: TÓ E TINA (Servais Tiago), CANTIGA DA LAGARTA (Artur Correia e Ricardo Neto), ESTÓRIA DO GATO E DA LUA (Pedro Serrazina), A NOITE (Regina Pessoa) e CLANDESTINO (Abi Feijó), numa celebração do cinema de animação português. No mesmo dia, mas noutra sessão, é apresentado LETTY LYNTON (1932, Clarence Brown), protagonizado por Joan Crawford, filme que esteve embargado mais de 90 anos e que só recentemente é possível mostrar.

18.09.2026 | by martalanca | De Noémia Delgado, Margaret Tait

De Noémia Delgado a Margaret Tait, de Brigitte Bardot a Lino Brocka

Em outubro, já feita a rentrée, a Cinemateca Portuguesa conta com dois ciclos que tocam no lado mais poético do cinema: o cinema etnográfico, literário e fantástico da realizadora e artista portuguesa Noémia Delgado e a abordagem pessoal e experimental da cineasta e poeta escocesa Margaret Tait. A programação mensal conta ainda com um ciclo dedicado a Brigitte Bardot, Lado B.B., e a retrospetiva Lino Brocka – Matem o Artista Nacional. O mês não termina sem um revisitar das paragens da Viagem ao Fim do Mudo e a celebração do Dia Mundial do Património Audiovisual com a exibição, entre outros títulos, de A LENDA DE MIRAGAIA, um dos primeiros filmes de animação em Portugal, dado como perdido até à sua descoberta em maio e subsequente doação à Cinemateca.   

O Lado B.B. decorre de 1 a 17 de outubro e explora a carreira de Bardot no cinema francês, da eclosão na Nouvelle Vague à instituição da iconicidade da sua imagem. A programação mostra a amplitude da sua filmografia, com filmes como ET DIEU… CRÉA LA FEMME, LE MÉPRIS, DEAR BRIGITTE, VIE PRIVÉE, LE REPOS DU GUERRIER, VIVA MARIA! e LA VÉRITÉ. O ciclo, apresentado em colaboração com a Festa do Cinema Francês, inclui ainda um “Spécial Bardot”, e A SIMPLE FAVOR, de Paul Feig, filme que contém três canções de Bardot (incluindo um dueto com Serge Gainsbourg). 

Em concomitância, acontece de 2 a 14 de outubro, Noémia Delgado, O Cinema no Singular, o ciclo dedicado à realizadora portuguesa, com um programa extremamente abrangente da sua obra, do seu trabalho na área do cinema (documental sobretudo, mas também ficcional, enquanto assistente de realização ou montadora) aos seus trabalhos televisivos (como em “Palavras Herdadas” ou “Contos Fantásticos”) relacionados com a cultura e o património portugueses. A retrospetiva, que inicia e termina com MÁSCARAS (o seu primeiro e mais reconhecido título enquanto realizadora) reflete o seu cinema poético e etnográfico, marcado por muitos escritores, que adapta ou a cuja obra dedica parte dos seus filmes (figuras como Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Camilo Pessanha e Almeida Garrett). Destacamos a apresentação integral dos seus sete “Contos Fantásticos”, que fizeram de Noémia uma pioneira de um género pouco comum em Portugal, o cinema fantástico, estando o seu nome associado a um importante prémio para o cinema de terror no feminino. Estão também presentes curtas-metragens e séries que realizou sobre arte, arquitetura, património e artesanato – com MAFRA E O BARROCO EUROPEU, “Arte Nova e Déco no Norte de Portugal” e “Trabalho do Ouro e da Prata no Norte” –, e outras raridades, sublinhando como foi sempre transitando entre o cinema, a escultura, a pintura o desenho e a escrita.

   

Lino Brocka – Matem o Artista Nacional é a retrospetiva programada em conjunto pela Cinemateca e o DocLisboa e que será apresentada nas salas da Barata Salgueiro, escancarando as portas do cinema de Lino Brocka entre 16 e 30 de outubro. Organizada em diálogo com Khavn De La Cruz, artista filipino multifacetado e especialista na obra de Brocka, é apresentado um conjunto significativo da obra do realizador filipino. Percorrem-se diferentes géneros e momentos da sua filmografia, mostrando a amplitude da sua produção cinematográfica – do infinitamente pessoal ao social e político numa escala mais alargada – como INSIANG, MACHO DANCER, CAIN AND ABEL, WANTED: PERFECT MOTHER, MY MOTHER, MY FATHER, ORAPRONOBIS, JAGUAR ou MANILA IN THE CLAWS OF LIGHT. Durante o ciclo será publicado um Caderno da Cinemateca sobre o trabalho do cineasta.

No final do mês, de 26 a 31 de outubro, teremos um ciclo dedicado à obra secreta de Margaret Tait, realizadora e poeta escocesa cujos filmes são marcados por uma abordagem diarística, experimental e naturalmente poética. O programa reúne curtas-metragens (muitas delas a exibir em cópias de 16mm), retratos, diários e trabalhos ligados à memória, aos lugares e à experiência quotidiana, como THREE PORTRAIT SKETCHES, COLOUR POEMS, WHERE I AM IS HERE, ou MY ROOM. VIA ANCONA 21. Mas nem só de filmes assinados por Tait se faz este ciclo, que estabelece ligações com outros filmes que dialogam com as obras da realizadora. Um exemplo recente é AFTERSUN, de Charlotte Wells, que cita um dos livros de Tait (Poems, Stories and Writings), sendo que Wells assumiu a influência desta no seu trabalho. Outro diálogo surge através do emparelhamento de ONE IS ONE (1951) de Tait com VIAGGIO IN ITALIA (1954) de Rossellini, já que Tait estudou cinema em Itália entre 1949 e 1952 e conheceu pessoalmente o cineasta italiano. O programa inclui, claro, a única longa-metragem de Margaret Tait, o belíssimo palimpsesto geracional BLUE BLACK PERMANENT, bem como filmes-homenagem assinados por autores como Luke Fowler, Ute Aurand e Peter Todd. Todd, grande especialista na obra de Tait, estará em Lisboa para acompanhar o ciclo e apresentar os seus próprios filmes.

O ciclo Viagem ao Fim do Mudo em outubro desdobra-se nas exibições de EROTIKON, de Mauritz Stiller, RAPSODIA SATANICA, de Nino Oxilia, e FRAU IM MOND, de Fritz Lang, três filmes mudos europeus que exploram uma dimensão experimental. Sempre com acompanhamento ao piano.

O Dia Mundial do Património Audiovisual, a 27 de outubro, decorre este ano em ligação direta com o programa de comemoração dos 30 anos do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento. A data será marcada com a exibição de A LENDA DE MIRAGAIA (de Raul Faria da Fonseca e António Cunhal), um dos primeiros filmes de animação em Portugal, dado como perdido até à sua descoberta no passado mês de maio e subsequente doação à Cinemateca. Juntam-se na mesma sessão uma seleção de curtas-metragens portuguesas de animação: TÓ E TINA (Servais Tiago), CANTIGA DA LAGARTA (Artur Correia e Ricardo Neto), ESTÓRIA DO GATO E DA LUA (Pedro Serrazina), A NOITE (Regina Pessoa) e CLANDESTINO (Abi Feijó), numa celebração do cinema de animação português. No mesmo dia, mas noutra sessão, é apresentado LETTY LYNTON (1932, Clarence Brown), protagonizado por Joan Crawford, filme que esteve embargado mais de 90 anos e que só recentemente é possível mostrar.

18.09.2026 | by martalanca | De Noémia Delgado, Margaret Tait

NA MARÉ, de César Schofield Cardoso, no CNAD

Exibição do filme documentário NA MARÉ, de César Schofield Cardoso, no dia 25 de setembro, pelas 19h00, no Pátio Multiuso Vasco Martins, CNAD (Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design).

Após a projeção, será realizado um debate com dois convidados: a professora investigadora da Universidade de Cabo Verde, Celeste Fortes e o psicólogo e cineasta, Olavo da Luz.

NA MARÉ foi realizado no âmbito de uma residência de investigação artística, desenvolvida entre janeiro e maio de 2026, na comunidade de Salamansa, em Mindelo, em preparação para o projeto que o autor apresentará na Bienal de Sharjah 17, nos Emirados Árabes Unidos, em janeiro de 2027.O filme conta com a participação de Alcinda Évora, Arlindo David, Auxílio Matias, Daniel Bandeira, Daniel David, Joanita Gomes, Manuel Évora e Manuel dos Santos.Na equipa técnica, participam David Medina, Alex de Figueiredo, Natalia Andrade, Cátia Lush e Eurittse Silva.

17.09.2026 | by martalanca | Artesanato e Design, Celeste Fortes, Centro Nacional de Arte, César Schofield Cardoso, Olavo da Luz

MEU SEMBA, de Hugo Salvaterra. hoje no Cinema Ideal

Quinta, 17, 21:30 - MEU SEMBA, no Cinema Ideal, Lisboa, com a presença do realizador

Uma sinfonia urbana, crua e vibrante, sobre Luanda e os 70% que sustentam a cidade sem ocuparem o seu centro. Entre o documentário e o manifesto, Meu Semba acompanha X e os irmãos Lelé e Maria pelos ritmos, conflitos e contradições da capital angolana. O rap transforma o quotidiano em palavra política e a cidade numa batida coletiva: trabalho precário, sobrevivência, família, orgulho e o sonho de chegar ao grande palco.

Primeira longa-metragem de Hugo Salvaterra, produzida pela Geração 80, Meu Semba é um filme sobre quem constrói Luanda todos os dias — e reclama o direito de ser visto, ouvido e representado. Depois de integrar a Tiger Competition do Festival de Roterdão, venceu o prémio de Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Innsbruck.

Cinema angolano pulsante, feito de resistência e voz coletiva.


 

17.09.2026 | by martalanca | CinemaAngolano, Geração80, HugoSalvaterra, Luanda, MeuSemba

Não Resta Nada, de André Godinho

Ficção : 126’ / Amizade, Distopia, Comunidade, Mistério, Paisagem, Queer, Corpos

Um grupo de pessoas queer é raptado e largado no meio do nada. Será um campo de concentração? Foram deixadas a apodrecer? Ou estão ali para serem caçadas? Quando não resta nada, a única coisa que podemos fazer é encontrar a nossa maneira de resistir.

.Exibição Lisboa 22 de Setembro | 19h00 | Cinema São Jorge - Sala Manoel de Oliveira, com a presença do cineasta André Godinho

 

16.09.2026 | by martalanca | André Godinho, filme

Intimate Distance, Uncaptured City, Edson Chagas

Curadoria de Ana Balona de Oliveira 

Em Intimate Distance, Uncaptured City, Edson Chagas apresenta vários corpos de trabalho desenvolvidos ao longo das duas últimas décadas: Found Not Taken (2008-2014, Londres, Newport, Luanda), Archives of Absence: Involuntary Images (2019, Namibe), e Common Walls (2022-2024, Lisboa, Brescia). A exposição coloca em diálogo séries fotográficas formalmente muito distintas que, contudo, se aproximam conceptualmente. Através delas, o fotógrafo tem refletido não só sobre o próprio meio fotográfico, as possibilidades imaginativas e afetivas da fotografia e os limites do documental, mas também sobre a experiência corpórea e emocional, física e psíquica, de habitar os espaços urbanos que têm marcado a sua biografia. Através de várias estratégias de abstração, as obras evocam diferentes modos de habitar Luanda (onde nasceu, viveu e aonde continua a regressar), Lisboa, Londres e Newport (cidades onde viveu e estudou fotografia), assim como frequentes passagens pela cidade do Namibe, no sul de Angola, e pela cidade de Brescia, no norte de Itália. 

Tais modos de habitar e se deslocar entre cidades a Norte e a Sul implicaram, ao longo do tempo, experiências múltiplas de partida, chegada, permanência e regresso, e processos de construção e desconstrução de novas e antigas familiaridades. A experiência diaspórica e migratória com frequência tornou distante o que era íntimo (sem, contudo, apagar a intimidade), transformando em íntimo o que era distante (sem, contudo, anular a inescapável distância). Consequentemente, o olhar fotográfico de Chagas e, em particular, das séries que compõem esta exposição evidencia a complexidade afetiva de tais experiências, da sua memória, e da sua representação visual e fotográfica. A exposição revela a opacidade inerente à recusa da cidade em deixar-se capturar e à recusa do fotógrafo em procurar tal captura. 

Edson Chagas, Found Not Taken, London, 2014Edson Chagas, Found Not Taken, London, 2014

EN

In Intimate Distance, Uncaptured City, Edson Chagas presents several bodies of work developed over the last two decades: Found Not Taken (2008–2014, London, Newport, Luanda), Archives of Absence: Involuntary Images (2019, Namibe), and Common Walls (2022–2024, Lisbon, Brescia). The exhibition brings into dialogue photographic series that are formally very distinct yet closely related conceptually. Through them, the photographer has reflected not only on the medium of photography itself, its imaginative and affective possibilities and the limits of the documentary, but also on the bodily and emotional, physical and psychic experience of inhabiting the urban spaces that have shaped his life. Through various strategies of abstraction, the works evoke different ways of inhabiting Luanda (the city where he was born, lived and to which he continues to return), Lisbon, London and Newport (cities where he lived and studied photography), as well as frequent visits to the city of Namibe, in southern Angola, and the city of Brescia, in northern Italy. 

Over time, such ways of living and moving between cities in the North and South have entailed multiple experiences of departure, arrival, permanence and return, as well as the construction and deconstruction of new and old forms of familiarity. The diasporic and migratory experience has frequently distanced what was once intimate (without, however, erasing that intimacy), while making intimate what was once distant (without, however, negating the inescapable distance). Consequently, Chagas’ photographic gaze – particularly the one shaping the series in this exhibition – highlights the emotional complexity of such experiences, of their memory, and of their visual and photographic representation. The exhibition reveals the opacity inherent in the city’s refusal to allow itself to be captured and in the photographer’s refusal to seek such capture.

 

09.09.2026 | by martalanca | Ana balona de oliveira, arte contemporânea angolana, Edson Chagas

Novela gráfica «Caderno de Memórias Coloniais»

Novela Gráfica de Isabela Figueiredo e ilustrações de Júlia Barata volta a trazer para o centro do debate temas como colonialismo, o racismo e a memória histórica. Já nas livrarias.

Dez anos após a sua publicação pela Editorial Caminho, em 2015, «Caderno de Memórias Coloniais» regressa ao centro do debate, com uma nova versão ilustrada, fiel à sua vocação de expor cruamente o colonialismo português em Moçambique. Nesta novela gráfica, ilustrada por Júlia Barata, Isabela Figueiredo revisita o seu texto, aprofundando a reflexão sobre a sua infância e relação com o pai, enquanto reabre uma ferida da nossa história ainda em processo de cicatrização. Num tempo em que factos e vivências individuais são frequentemente questionados ou silenciados ao serviço de determinadas narrativas, esta obra interpela de forma direta a maneira como abordamos temas tão essenciais quanto o colonialismo, o racismo e a memória histórica.

Várias apresentações com a presença das autoras Isabela Figueiredo (texto) e Júlia Barata (ilustração).

ISABELA FIGUEIREDO nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, hoje Maputo, em 1963, filha de portugueses oriundos da zona Centro-Oeste de Portugal. Após a independência de Moçambique, em 1975, rumou a Portugal. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Especializou-se em Estudos sobre as Mulheres na Universidade Aberta. Trabalhou como jornalista no Diário de Notícias entre 1988 e 1994, onde foi também coordenadora do suplemento DN Jovem. Foi professora de português no ensino secundário. Escreveu Conto É Como Quem Diz, novela que recebeu o primeiro prémio da Mostra Portuguesa de Artes e Ideias, Caderno de Memórias Coloniais, cuja edição francesa foi finalista do Prémio Femina Estrangeiro, e A Gorda, obra que recebeu o Prémio Literário Urbano Tavares Rodrigues. Os seus livros estão publicados em França, Itália, Alemanha, Espanha e Brasil e alcançaram grande êxito junto do público e da crítica, especialmente em Portugal e no Brasil, sendo constantemente reimpressas. Em 2022 publicou Um Cão no meio do Caminho, o seu mais recente romance que é também um sucesso de vendas. 

JÚLIA BARATA nasceu em Portugal, cresceu em Moçambique até 1988 e vive atualmente em Buenos Aires. É arquiteta e autora de banda desenhada. Publicou novelas gráficas em Portugal, Argentina e Espanha.

 

04.09.2026 | by martalanca | Caderno de Memórias Coloniais, Isabela Figueiredo, Júlia Barata

ROOFTALK Conversa, Música e Artes

ROOFTALK é o encontro da LULENDO no Rooftop do DESTINATION: um espaço onde livros, ideias, música e artes sobem ao terraço para criar conversas que aproximam pessoas e culturas.
Em cada edição, um autor, artista ou criador é o ponto de partida para uma experiência que combina conversa, descoberta e música, num ambiente descontraído e contemporâneo.
ROOFTALK — livros que geram conversa, música que cria ambiente, arte que aproxima.
DESTINATION — Cais do Sodré Uma iniciativa LULENDO

02.09.2026 | by martalanca | conversas

Mário Lúcio de Sousa à conversa

A Livraria Lulendo, livraria africana, apresenta mais uma edição da sua rubrica MUSITERATURA, um encontro onde a literatura e a música se unem para celebrar a criação artística africana. No dia 17 de setembro, o Cine Turim recebe o escritor, compositor e músico Mário Lúcio de Sousa, que apresentará o seu mais recente livro, “Afrocalipse”, numa conversa com a jornalista Marta Lança. No final, haverá venda de livros e sessão de autógrafos com o autor. A noite prossegue com um concerto da BANDA LULENDO, com a participação especial de Mário Lúcio De Sousa, num espetáculo que celebra o diálogo entre a palavra e a música.

02.09.2026 | by martalanca | Mário Lúcio de Sousa

ILUMINAÇÕES DA ALA OCIDENTAL DA RELAÇÃO DE LISBOA, de Sancho Silva

Inaugura dia 3, pelas 17h e fica até 9 de outubro!
“ Quando em outubro a cidade se rendeu e a fúria mortífera da espera nela entrou, os cruzados degolaram o Bispo de Lisboa, pela cor, talvez dos olhos.” Eduardo Petersen
2ª e 6ª 9h30 - 15h30
restantes dias úteis por marcação
info.relacao@gmail.com
Rua do Arsenal, Letra G 1100v-038 Lisboa
Tribunal da Relação de Lisboa

02.09.2026 | by martalanca | exposição

FIC Luanda 2026 apresenta primeiros filmes da Competição Internacional e reforça ambição de Angola no circuito africano de cinema

A Competição Internacional de Ficção do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda) 2026 apresentou hoje os primeiros filmes da sua selecção, com obras provenientes de Portugal, Brasil, África do Sul, Nigéria, República Democrática do Congo, Espanha, entre outros. A decorrer de 28 de Outubro a 2 de Novembro, em Luanda, o festival assume-se como uma nova plataforma de descoberta, circulação e intercâmbio para o cinema africano e internacional.

Luanda, Angola, 28 de Agosto de 2026 – O FIC Luanda regressa 11 anos depois da última edição, num momento de renovação do cinema angolano e de reforço do intercâmbio com outras cinematografias. A Competição Internacional de Ficção integra esta nova etapa do festival, reunindo uma selecção de documentários e de longas e curtas-metragens de realizadores africanos, europeus e sul-americanos, produzidos entre 2025 e 2026.

Entre as obras confirmadas estão “Variations on a theme”, dirigido por Devon Delmar e Jason Jacobs (África do Sul), premiado como o Melhor Filme do Festival Internacional de Cinema de Roterdão 2026; “Sirat”, do realizador Oliver Laxe (Espanha), vencedor do Prémio do Júri do Festival de Cannes, no ano passado; ou “Congo Boy”, do realizador Rafiki Fariala (República Democrática do Congo), estreado este ano na secção “Un Certain Regard” do Festival de Cannes, categoria na qual foi distinguido com o prémio de Melhor Actor.

A lista preliminar já divulgada inclui ainda títulos como “Time to Change”, da realizadora angolana Pocas Pascoal (Portugal); “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho (Portugal); “Amilcar”, de Miguel Eek (Espanha), “Narciso”, de Jeferson De (Brasil) ou “The Odds”, do realizador Kewa Oni (Nigéria).

Em conjunto, as obras estabelecem um diálogo entre diferentes culturas, experiências e formas de contar histórias, com histórias que exploram temas universais como identidade, sobrevivência, sonhos e transformação, revelando a diversidade de vozes que marcam o cinema contemporâneo.

“A selecção destes primeiros filmes reflecte por uma parte a ambição do FIC Luanda de criar uma plataforma capaz de aproximar diferentes cinematografias, colocando Angola em diálogo com o circuito internacional de festivais e promovendo maior circulação de histórias e talentos entre África e o mundo; e por outra a intenção de trazer títulos que refletem o grande momento do cinema africano contemporâneo”, considerou Lara Sousa, programadora do festival.

O FIC Luanda 2026 prevê a apresentação de aproximadamente 120 filmes provenientes de mais de 18 países, distribuídos por secções competitivas nacionais e internacionais e mostras paralelas. A programação inclui ainda actividades complementares destinadas a promover formação e o intercâmbio entre criadores, profissionais da indústria e públicos diversos.

O regresso do FIC Luanda integra um movimento mais amplo de revitalização do sector audiovisual angolano promovido pela Agência Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (ANICC) de Angola. A reabilitação de salas de cinema, a aposta na formação e o reforço das condições para produção, circulação e exibição de obras no âmbito do FIC Luanda 2026 fazem parte desta estratégia para reconstruir uma ligação sustentável entre criadores, indústria e públicos.

Nos próximos anos, o FIC Luanda ambiciona afirmar-se entre os eventos cinematográficos de referência no continente, contribuindo para fortalecer as redes de produção, distribuição e exibição cinematográfica na África Subsaariana.

01.09.2026 | by martalanca | cinema africano, FIC Luanda

O Cinema por Dentro, em Monsanto

O Cinema por dentro, em Monsanto (2ª edição) Descubra o Cinema de uma forma totalmente nova. Neste curso, em quatro sábados à tarde, convidamos os participantes a explorar o mundo do Cinema Europeu através do projeto CINED – Educação Europeia de Cinema para a Juventude.Cada sessão é uma viagem por fotogramas, sons, cadernos pedagógicos e filmes, desafiando todos a sentir, observar, escutar, comparar e criar ligações. É uma experiência pensada e dinamizada, em parceria com a associação Os Filhos de Lumière, para despertar os sentidos e abrir horizontes cinematográficos, proporcionando momentos de partilha, aprendizagem e criação.E quem sabe se não se descobrem novos pequenos e grandes potenciais realizadores!Inscreva-se no curso e deixe o cinema transformar os seus sentidos!


19 set | 10 out | 24 out | 7 nov, das 15h às 18h, no auditório do Centro de Interpretação de Monsanto, Lisboa 4 sábados > 10 anos

No final há entrega de certificado de participação.

mais informação 

01.09.2026 | by martalanca | cinema

FilmLab Moçambique

LABORATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO DE PROJECTOS CINEMATOGRÁFICOS

24 AGOSTO a 5 SETEMBRO I MAPUTO
A primeira edição do FilmLab Moçambique arranca no próximo dia 24 de Agosto, em Maputo, para dar força ao desenvolvimento de novos projectos cinematográficos de jovens realizadores dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor-Leste (PALOP-TL), com formação intensiva em plano de financiamento, pitch e distribuição.A iniciativa é promovida pela REDE de Cinema e Audiovisual PALOP+TL, em colaboração com o KUGOMA 2026. As actividades terão lugar no Campus da Universidade Pedagógica de Maputo, e no Centro Cultural Franco-Moçambicano.

Entre os seleccionados estão os moçambicanos Assane Ramadane João, Mateus Francisco Nhamuche, Melissa Babil Samate Lemos, Américo Júnior e Janado Nazaré Lubrino Cher, e a santomense Jéssica Adelaide Lombá Da Silva e Lima.Segundo Samira Vera-Cruz, Coordenadora de Formação da REDE,, os dois programas terão um plano curricular semelhante, embora adaptado às especificidades de cada contexto cinematográfico. “Há muita coisa em comum” entre os dois países, explica, destacando também a participação de formadores que estarão envolvidos nas duas iniciativas e a presença de participantes de diferentes países dos PALOP e Timor-Leste. A coordenadora destaca ainda que a ligação entre os dois Labs permitirá reforçar a interacção entre profissionais e projectos da região, que teve candidaturas abertas a participantes dos seis países. Em Maputo, a formação será orientada por cinco formadores principais, com experiência no desenvolvimento de projectos cinematográficos nos PALOP. São eles os moçambicanos João Ribeiro e Fábio Ribeiro, as cabo-verdianas Samira Vera-Cruz e Emília Wojciechowska, e Katya Aragão, de São Tomé e Príncipe.Aos orientadores caberá acompanhar os projectos em sessões de grupo e individuais, presenciais, em Maputo, e posteriormente através de sessões individuais à distância, de acordo com as necessidades concretas de cada projecto.

O FilmLab contará igualmente com a participação de convidados, profissionais do cinema de diferentes origens e experiências, que participarão presencialmente e/ou online, abordando temáticas concretas e transversais e, quando necessário, acompanhando projectos específicos após a capacitação.Entre os convidados estão Welket Bungué, da Guiné-Bissau; Natasha Craveiro, de Cabo Verde; Ery Claver, de Angola; P.J. Marcelino, luso-cabo-verdiano-canadiano; Lorna Zitha, de Moçambique; MUTIM – Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento, de Portugal; Mohamed S. Ouma, director executivo da DocA – Documentary Africa; Miki Redelinghuys e Pragna Parsotam-Kok, da África do Sul; Ana Marques, de Portugal; Rodrigo Diaz Diaz, do Brasil; Nina Tedesco, do Brasil e Erin Ranney, dos Estados Unidos.O plano de formação está estruturado em dois eixos principais: Plano de Financiamento e Plano de Distribuição, com dois momentos públicos de interação entre os participantes e o sector - o Pitch e a Hackathon – Campanha de Impacto.O Pitch Training compreende sessões de preparação, formação e partilha de experiências sobre o desenvolvimento de pitches, culminando numa sessão pública de apresentação dos projectos.O Hackathon – Campanha de Impacto prevê uma sessão pública de desenvolvimento de campanhas de impacto, adaptadas às temáticas e características de cada projecto ou filme. A actividade terá igualmente uma edição em Cabo Verde, sob coordenação de Samira Vera-Cruz.

Integram ainda o programa, três sessões temáticas abertas, nas quais todos os interessados podem participar presencialmente (CCFM) ou online (Zoom). Os temas destas sessões, cruzam o cinema com áreas transversais temáticas que orientam, a REDE no seu trabalho: Conservação e Ambiente (31.08), Género e Representação (01.09) e Cinema de Impacto (02.09). As sessões terão lugar no auditório do CCFM entre as 15h00 e as 18h00 (horário de Moçambique)Em Moçambique, o FilmLab integra a programação da REDE de Cinema e Audiovisual PALOP+TL, contribuindo para o desenvolvimento de competências, a circulação de projectos e a criação de novas ligações entre jovens profissionais do espaço PALOP+TL e a indústria cinematográfica internacional.A REDE de Cinema e Audiovisual PALOP + TL é uma iniciativa coordenada pela Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM), associação cultural moçambicana sem fins lucrativos, implementada com parceiros em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, e com apoio financeiro do Camões, I.P., através do Programa PROCERIS – Programa Cultura e Empreendedorismo com Responsabilidade e Inclusão Social.O FilmLab Moçambique é dirigido a jovens realizadores e profissionais do audiovisual dos PALOP e Timor-Leste, com especial enfoque em Moçambique, que estejam a desenvolver uma curta-metragem e pretendam fortalecer a sua visão autoral, preparar os seus projectos para mercados internacionais e consolidar competências nas áreas de escrita, produção, pitch e distribuição.A iniciativa pretende desenvolver talentos emergentes do espaço PALOP+TL, reforçar a qualidade artística e a viabilidade dos projectos, criar pontes entre criadores e a indústria internacional e promover uma prática cinematográfica ética, inclusiva e sustentável, valorizando vozes diversas, com especial atenção a mulheres e pessoas não-binárias.O projecto arrancou com uma chamada de propostas, tendo sido seleccionados seis projectos cinematográficos. Os projectos abordam, preferencialmente, temáticas relacionadas com direitos fundamentais, sustentabilidade ambiental e questões sociais relevantes.

25.08.2026 | by martalanca | filme, Moçambique

Intérprete - Please, love me!

Procuramos um intérprete que se identifique com o género masculino, entre os 20 e os 45 anos, para integrar a nova criação de Cléo Diára: PLEASE, LOVE ME!

CONDIÇÕES 

Contrato de trabalho a termo certo;

Salário bruto total: aprox. 3.400 €;

Subsídio de alimentação;

Ajudas de custo nos períodos de trabalho fora da cidade de Lisboa;

A produção assegura o alojamento, alimentação e deslocações durante os períodos de trabalho fora de Lisboa.

CALENDÁRIO PREVISTO 

1 a 9 de outubro — Espaço Alkantara, Lisboa
 14 a 22 de outubro — AJIDANHA, Idanha-a-Nova
 2 a 13 de novembro — Sala de Ensaios TBA, Lisboa
 12 a 22 de novembro — Teatro Constantino Nery, Matosinhos
 Estreia absoluta: 21 de novembro
 24 a 29 de novembro — TBA, Lisboa
 Apresentações: 27, 28 e 29 de novembro
 6 a 10 de janeiro de 2027 — Centro Cultural de Lagos (datas a confirmar) 

CANDIDATURAS 

As pessoas interessadas deverão enviar o seu CV e/ou portefólio, acompanhado de fotografias recentes e/ou links para trabalhos anteriores (showreel, espetáculos, curtas-metragens ou outros registos relevantes). Através do link: https://forms.gle/EW ct53Db7BbhT5LN8

Após análise das candidaturas, será realizada uma pré-seleção. Apenas as pessoas selecionadas serão contatadas para a fase seguinte do processo de casting.

Prazo para apresentação de candidaturas: 30 de agosto;

Datas Audição: 3 a 6 setembro, local a anunciar.

Comunicação dos resultados: 18 setembro.

foto de Carolina Maiafoto de Carolina Maia

Candidaturas, condições de contratação, calendário completo e restantes informações no formulário: https://forms.gle/EWct53Db7BbhT5LN8 

 

20.08.2026 | by martalanca | audição, cleo diára

A Banalidade da Luz

A Fotografia faz com que o Objecto se desprenda do ordenamento da matériae se transforme na aura do real. Há uma sublimação incutida pela fotografia ao objecto que o impregna de uma profundeza onírica, própria da luz negra de uma visão subtractiva que reduz o mundo a uma mancha imaculada na superfície imponderável do olhar. Como se fosse uma epiderme fronteiriça transfigurada, ou até apocalíptica. É essa a magnitude da banalidade da Fotografia. O seu magnetismo inexplicável, e irresistível. O objecto é corroído por uma espécie de irrepetibilidade mesmo sendo repetível, e por uma espécie de impossibilidade mesmo sendo comprovável. Atrai para uma cratera de gravidade em que o voo do testemunhobate asas de fogo atiçado pelo líquido combustível de uma memória abrupta, inventada pelo poder evocativo de um sonho que decerto sucedera algures alguma vez. Essa urgência do real, do reconhecimento imediato do impossível, é o principal traço da Banalidade da Luz fotográfica. 

Brassalano Graça 

 

18.08.2026 | by martalanca | fotografia

Pocas Pascoal conquista prémio da Francofonia no Festival de Locarno

Realizadora angolana recebe o The Open Doors – OIF-Francophonie Award para o desenvolvimento de filme sobre a pioneira do cinema africano Sarah Maldoror

A realizadora angolana Pocas Pascoal foi distinguida com o The Open Doors – OIF-Francophonie Award, atribuído na noite de 9 de agosto, durante o Festival de Locarno, na Suíça. O prémio, concedido pela Organização Internacional da Francofonia (OIF), destina-se ao desenvolvimento do projeto da longa-metragem Sarah, inspirado na trajetória da cineasta franco-angolana Sarah Maldoror, considerada uma das pioneiras do cinema africano.

O reconhecimento integra a iniciativa Open Doors, um dos programas mais relevantes do Festival de Locarno, dedicado a apoiar cineastas de regiões onde o cinema independente enfrenta maiores desafios e a promover novas vozes da cinematografia mundial. Atualmente, o programa centra-se em realizadores de 42 países africanos, promovendo formação, encontros com a indústria e oportunidades de coprodução internacional.

Durante o festival, Pocas Pascoal também apresentou a curta-metragem Time to Change no Open Doors Short Films Screening, em sessões destinadas a um público formado por cerca de uma centena de diplomatas de diferentes países. A obra propõe uma reflexão sobre os impactos da colonização na relação entre o ser humano e a natureza, estabelecendo uma ligação entre exploração colonial, racismo, destruição ambiental e memória histórica.

Para Pocas Pascoal, o prémio representa muito mais do que um reconhecimento profissional: é um impulso para levar adiante um projeto que pretende recuperar uma das figuras mais importantes e menos conhecidas da história do cinema africano.

“Receber o The Open Doors – OIF-Francophonie Award é uma enorme alegria e uma grande honra. Locarno é um festival de enorme prestígio e estar aqui já era um privilégio. Este apoio dá ainda mais força ao projeto Sarah e à possibilidade de contar uma história que merece ser conhecida por novas gerações”, afirmou a realizadora.

O filme pretende colocar em evidência o legado de Sarah Maldoror, que revolucionou o olhar sobre as lutas de libertação africanas ao dar protagonismo às mulheres que participaram desses movimentos.

“Pretendo pôr em evidência Sarah Maldoror, que, no seu cinema, olhou para quem quase nunca era visto, e também essas mulheres de que a História não falou ou que a História colocou na sombra”, explica Pocas Pascoal.

Fundado em 1946, o Festival de Locarno é considerado um dos mais importantes eventos cinematográficos do mundo, ao lado de Cannes, Veneza e Berlim. Reconhecido por revelar novos talentos e valorizar o cinema de autor, o festival reúne anualmente realizadores, produtores, distribuidores e programadores de dezenas de países, funcionando como uma plataforma estratégica para o desenvolvimento de projetos e para a circulação internacional de obras cinematográficas.

A conquista reforça a projeção internacional de Pocas Pascoal, cuja filmografia é marcada por narrativas que questionam as heranças do colonialismo e recuperam memórias silenciadas. Com o apoio conquistado em Locarno, a realizadora dá um passo importante para concretizar Sarah, um filme que resgata não apenas a trajetória de uma pioneira do cinema africano, mas também a história de mulheres que permaneceram invisíveis nas narrativas oficiais.

10.08.2026 | by martalanca | Pocas Pascoal, Sarah Maldoror

A 4ª edição do PARAÍSO regressa para discutir o passado e o futuro na afrodescendência

Cesária Évora Orchestra com Ceuzany, Elida Almeida, Lucibela e Teófilo Chantre, União Negra das Artes, Kitty Furtado, conversas, dança, cinema, e almoço comunitário são algumas das apostas para este ano

Nos dias 11 e 12 de setembro, a cidade de Braga volta a receber o PARAÍSO, um programa artístico com enfoque na celebração e discussão das expressões artísticas afrodescendentes e lusófonas. Sob o tema central Passado e Futuro na Afrodescendência, a edição deste ano propõe uma reflexão coletiva sobre as formas de existir entre a herança recebida e as realidades em construção. Através dos eixos da Performance, do Pensamento e da Mediação, a programação cruza áreas como o cinema, a música, a dança, o debate crítico e a gastronomia. 

Em setembro, o PARAÍSO volta a habitar os palcos do Theatro Circo e do gnration, estendendo-se novamente à Livraria Centésima Página procurando ampliar a rede de partilha entre criadores, investigadores e o público local. As curadorias especializadas contam com a colaboração da BANTUMEN, de Rosa Cabecinhas pelo projeto CONCILIARE do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, além do olhar de Kitty Furtado no cinema, e com coordenação curatorial de Nuno Abreu.

Sexta-feira, dia 11 de setembro, às 18h00, na Livraria Centésima Página, a conversa com a assinatura da BANTUMEN Que formas de existir entre o que herdamos e o que construímos?, junta David Ferreira (Secção de Estudantes Africanos da Universidade do Minho), Isabel Macedo (CONCILIARE) e Saidatina Khady Dias (Conquista Vontades – Associação dos Imigrantes Senegaleses em Portugal), com moderação de Marisa Rodrigues, para conhecer o trabalho de campo que organizações e pessoas têm feito nesta área na cidade de Braga. Mais tarde, às 21h30, o gnration acolhe a exibição gratuita do filme Si Destinu (2015), da realizadora Vanessa Fernandes, seguida de uma conversa sobre as variantes do Black Gaze entre a realizadora e a investigadora Kitty Furtado.

No sábado, dia 12 de setembro, as atividades começam às 11h00 no gnration com a apresentação pública do processo de criação do Manual Antirracista para as Artes e Educação, dinamizada por Dori Nigro, Melissa Rodrigues e Raquel Lima em representação da União Negra das Artes. Segue-se, às 13h00, um momento de celebração com o almoço comunitário preparado pela Chef cabo-verdiana Ana Teresa Correia, com cachupa rica e cachupa vegetariana e com ambiente musical assegurado pelo DJ angolano Chipula. 

À tarde, a partir das 15h00, o debate regressa ao gnration com a sessão curada pelo CONCILIARE Arte, participação e práticas de contestação da colonialidade: o papel da criação coletiva na construção de futuros alternativos que reúne os jovens António Zaqueu, Luege D’ Olim e Sarina Azevedo sob a moderação de Luiza Lins, numa partilha das suas vivências pessoais para refletir sobre participação, memória, identidade e pertença no espaço público.

Às 16h30, Eddie Folige orienta um workshop de dança focado nas raízes da kizomba, novamente acompanhado por DJ Chipula. 

O encerramento do PARAÍSO acontece às 21h30, no Theatro Circo, com o concerto da Cesária Évora Orchestra, uma sentida homenagem à “Diva dos Pés Descalços” que junta em palco as vozes de Ceuzany, Elida Almeida, Lucibela e o compositor Teófilo Chantre. 

Todas as iniciativas são de acesso gratuito (com exceção do concerto de Cesária Évora Orchestra), requerendo o almoço inscrição prévia pelo e-mail participaca@fazcultura.pt.com.

Bilhetes disponíveis no Theatro Circo, locais habituais, e online em https://www.bol.pt  

 

Programa PARAÍSO 

Passado e Futuro na Afrodescendência 

11 e 12 set 

 

Sexta 11 setembro 

18h -> Conversas do Paraíso 

Que formas de existir entre o que herdamos e o que construímos? 

com David Ferreira, Isabel Macedo e Saidatina Khady Dias 

com moderação de Marisa Rodrigues (BANTUMEN) 

Livraria Centésima Página (gratuito) 

 

21h30 -> Cinema + Conversa 

Si Destinu (2015) de Vanessa Fernandes 

Conversa com Kitty Furtado e Vanessa Fernandes 

gnration (gratuito) 

 

Sábado 12 setembro 

11h -> Mediação 

Manual antirracista para as artes e educação: Apresentação do processo  

com Dori Nigro, Melissa Rodrigues e Raquel Lima (União Negra das Artes) 

gnration (gratuito) 

 

13h -> Gastronomia 

Almoço Cachupa - Chef Ana Teresa Correia + DJ Chipula 

gnration (gratuito mediante inscrição) 

 

15h -> Conversas do Paraíso
Arte, participação e práticas de contestação da colonialidade: o papel da criação coletiva na construção de futuros alternativos  

António Zaqueu, Luege D’ Olim, Sarina Azevedo com moderação de Luiza Lins (CONCILIARE) 

gnration (gratuito) 

 

16h30 -> Workshop e Música 

Workshop Dança c/ Eddie Folige e DJ Chipula  

gnration (gratuito)

21h30 -> Música 

Cesária Évora Orchestra 

com Ceuzany, Elida Almeida, Lucibela e Teófilo Chantre 

Theatro Circo

 

 

 

 

10.08.2026 | by martalanca | Braga, Paraíso

Cineasta angolana Pocas Pascoal apresenta "Time to Change" durante o Festival de Locarno

 Curta integra a programação “Open Doors Short Films Screening”, reafirmando o diálogo entre cinema, diplomacia e justiça climática

O cinema africano ganha protagonismo num dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo. A realizadora angolana Pocas Pascoal apresenta o curta-metragem “Time to Change” durante o “Open Doors Short Films Screening”, dia 7 de agosto, no Festival de Locarno, durante sessão que contará com cerca de 100 diplomatas de diferentes países. A exibição integra uma programação dedicada a obras que promovem reflexão sobre desafios globais contemporâneos, reforçando o papel do cinema como ferramenta de diálogo intercultural e transformação social.

Em sua estreia na Suíça, “Time to Change” propõe uma poderosa reflexão sobre os impactos da colonização na relação entre seres humanos e natureza. A partir de uma linguagem visual poética e contundente, o filme retrata como a exploração da terra e do homem remontam a tempos coloniais, alertando que é urgente mudar o rumo da pegada humana no planeta. A produção mostra como a colonização conduz à devastação, à desolação e à subjugação da fauna, da flora e das populações. A obra amplia o debate sobre memória, exploração dos territórios e justiça ambiental, temas que atravessam fronteiras e dialogam diretamente com a agenda internacional.

O convite para integrar a sessão “Open Doors” marca mais um capítulo da relação de Pocas Pascoal com o Festival de Locarno. Em 2014, o seu primeiro longa-metragem de ficção, Alda e Maria, participou do programa e conquistou sete prémios internacionais, consolidando a realizadora como uma das vozes mais relevantes do cinema lusófono contemporâneo. Agora, a angolana regressa ao Festival com uma obra que reafirma o seu compromisso artístico com narrativas de forte dimensão política, histórica e humana.

A presença de “Time to Change” no Festival de Locarno reforça o reconhecimento internacional da obra de Pocas Pascoal e evidencia a crescente visibilidade do cinema africano em espaços de influência cultural e diplomática. Ao reunir representantes de dezenas de países em torno da exibição da curta, a sessão demonstra como a linguagem cinematográfica pode estimular conversas urgentes sobre colonialismo, sustentabilidade, memória e futuro comum.

Pocas Pascoal Pocas Pascoal Nascida em Luanda, Pocas Pascoal tornou-se a primeira mulher operadora de câmara de Angola antes de se mudar para França, onde se formou em montagem e trabalhou durante quinze anos como editora. A sua filmografia reúne documentários, ficções e instalações audiovisuais apresentadas em importantes bienais e festivais internacionais. Em 2021, o documentário “Blow” recebeu o Prémio Árvore da Vida para Melhor Filme no IndieLisboa. Em 2024, integrou o projeto GREENHOUSE, que representou Portugal na 60.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza. Paralelamente à circulação internacional de “Time to Change”, a realizadora desenvolve atualmente o longa-metragem “Sarah Maldoror”, dedicado à cineasta franco-angolana considerada uma das pioneiras do cinema africano.

06.08.2026 | by martalanca | Pocas Pascoal

“Era uma vez, numa meia-noite sombria…”: O cinema clandestino de Pere Portabella no final do Franquismo

O ciclo The Ongoing Seminar, organizado pelo Doc’s Kingdom em Lisboa ao longo do ano, recebe Pablo La Parra Pérez (Filmoteca de Catalunya) por ocasião do centenário do cineasta catalão Pere Portabella, nos dias 3 e 4 de Setembro, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. 

No final do franquismo Pere Portabella alternou entre o cinema underground e a participação ativa na oposição antifranquista e deixou para trás um conjunto de filmes que desafiam a categorização: nos quais a crítica feroz ao regime coexiste com uma requintada experimentação formal em torno das possibilidades expressivas e políticas do cinema.
O diretor da Filmoteca da Catalunha, Pablo La Parra Pérez, irá falar da obra clandestina de Portabella, apresentando dois filmes (El sopar [versão de 1974] (1974, 60’) e Umbracle (1972, 85’)) e vários materiais de arquivo do espólio do realizador recentemente depositados na Filmoteca da Catalunha. 
Este programa insere-se no programa internacional do centenário de Pere Portabella, Acció Portabella. 
Mais informações sobre os dois dias de sessões em anexo e no website

05.08.2026 | by martalanca | cinema