Novela gráfica «Caderno de Memórias Coloniais»

Novela Gráfica de Isabela Figueiredo e ilustrações de Júlia Barata volta a trazer para o centro do debate temas como colonialismo, o racismo e a memória histórica. Já nas livrarias.

A apresentação decorrerá na Livraria Fonte das Letras, no dia 18 de setembro, às 18h e contará com a presença de Isabela Figueiredo (texto) e Júlia Barata (ilustração).

Sobre o livro

Dez anos após a sua publicação pela Editorial Caminho, em 2015, «Caderno de Memórias Coloniais» regressa ao centro do debate, com uma nova versão ilustrada, fiel à sua vocação de expor cruamente o colonialismo português em Moçambique. Nesta novela gráfica, ilustrada por Júlia Barata, Isabela Figueiredo revisita o seu texto, aprofundando a reflexão sobre a sua infância e relação com o pai, enquanto reabre uma ferida da nossa história ainda em processo de cicatrização. Num tempo em que factos e vivências individuais são frequentemente questionados ou silenciados ao serviço de determinadas narrativas, esta obra interpela de forma direta a maneira como abordamos temas tão essenciais quanto o colonialismo, o racismo e a memória histórica.

ISABELA FIGUEIREDO nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, hoje Maputo, em 1963, filha de portugueses oriundos da zona Centro-Oeste de Portugal. Após a independência de Moçambique, em 1975, rumou a Portugal. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Especializou-se em Estudos sobre as Mulheres na Universidade Aberta. Trabalhou como jornalista no Diário de Notícias entre 1988 e 1994, onde foi também coordenadora do suplemento DN Jovem. Foi professora de português no ensino secundário. Escreveu Conto É Como Quem Diz, novela que recebeu o primeiro prémio da Mostra Portuguesa de Artes e Ideias, Caderno de Memórias Coloniais, cuja edição francesa foi finalista do Prémio Femina Estrangeiro, e A Gorda, obra que recebeu o Prémio Literário Urbano Tavares Rodrigues. Os seus livros estão publicados em França, Itália, Alemanha, Espanha e Brasil e alcançaram grande êxito junto do público e da crítica, especialmente em Portugal e no Brasil, sendo constantemente reimpressas. Em 2022 publicou Um Cão no meio do Caminho, o seu mais recente romance que é também um sucesso de vendas. 

JÚLIA BARATA nasceu em Portugal, cresceu em Moçambique até 1988 e vive atualmente em Buenos Aires. É arquiteta e autora de banda desenhada. Publicou novelas gráficas em Portugal, Argentina e Espanha.

04.09.2026 | by martalanca | Caderno de Memórias Coloniais, Isabela Figueiredo, Júlia Barata

ROOFTALK Conversa, Música e Artes

ROOFTALK é o encontro da LULENDO no Rooftop do DESTINATION: um espaço onde livros, ideias, música e artes sobem ao terraço para criar conversas que aproximam pessoas e culturas.
Em cada edição, um autor, artista ou criador é o ponto de partida para uma experiência que combina conversa, descoberta e música, num ambiente descontraído e contemporâneo.
ROOFTALK — livros que geram conversa, música que cria ambiente, arte que aproxima.
DESTINATION — Cais do Sodré Uma iniciativa LULENDO

02.09.2026 | by martalanca | conversas

Mário Lúcio de Sousa à conversa

A Livraria Lulendo, livraria africana, apresenta mais uma edição da sua rubrica MUSITERATURA, um encontro onde a literatura e a música se unem para celebrar a criação artística africana. No dia 17 de setembro, o Cine Turim recebe o escritor, compositor e músico Mário Lúcio de Sousa, que apresentará o seu mais recente livro, “Afrocalipse”, numa conversa com a jornalista Marta Lança. No final, haverá venda de livros e sessão de autógrafos com o autor. A noite prossegue com um concerto da BANDA LULENDO, com a participação especial de Mário Lúcio De Sousa, num espetáculo que celebra o diálogo entre a palavra e a música.

02.09.2026 | by martalanca | Mário Lúcio de Sousa

ILUMINAÇÕES DA ALA OCIDENTAL DA RELAÇÃO DE LISBOA, de Sancho Silva

Inaugura dia 3, pelas 17h e fica até 9 de outubro!
“ Quando em outubro a cidade se rendeu e a fúria mortífera da espera nela entrou, os cruzados degolaram o Bispo de Lisboa, pela cor, talvez dos olhos.” Eduardo Petersen
2ª e 6ª 9h30 - 15h30
restantes dias úteis por marcação
info.relacao@gmail.com
Rua do Arsenal, Letra G 1100v-038 Lisboa
Tribunal da Relação de Lisboa

02.09.2026 | by martalanca | exposição

FIC Luanda 2026 apresenta primeiros filmes da Competição Internacional e reforça ambição de Angola no circuito africano de cinema

A Competição Internacional de Ficção do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda) 2026 apresentou hoje os primeiros filmes da sua selecção, com obras provenientes de Portugal, Brasil, África do Sul, Nigéria, República Democrática do Congo, Espanha, entre outros. A decorrer de 28 de Outubro a 2 de Novembro, em Luanda, o festival assume-se como uma nova plataforma de descoberta, circulação e intercâmbio para o cinema africano e internacional.

Luanda, Angola, 28 de Agosto de 2026 – O FIC Luanda regressa 11 anos depois da última edição, num momento de renovação do cinema angolano e de reforço do intercâmbio com outras cinematografias. A Competição Internacional de Ficção integra esta nova etapa do festival, reunindo uma selecção de documentários e de longas e curtas-metragens de realizadores africanos, europeus e sul-americanos, produzidos entre 2025 e 2026.

Entre as obras confirmadas estão “Variations on a theme”, dirigido por Devon Delmar e Jason Jacobs (África do Sul), premiado como o Melhor Filme do Festival Internacional de Cinema de Roterdão 2026; “Sirat”, do realizador Oliver Laxe (Espanha), vencedor do Prémio do Júri do Festival de Cannes, no ano passado; ou “Congo Boy”, do realizador Rafiki Fariala (República Democrática do Congo), estreado este ano na secção “Un Certain Regard” do Festival de Cannes, categoria na qual foi distinguido com o prémio de Melhor Actor.

A lista preliminar já divulgada inclui ainda títulos como “Time to Change”, da realizadora angolana Pocas Pascoal (Portugal); “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho (Portugal); “Amilcar”, de Miguel Eek (Espanha), “Narciso”, de Jeferson De (Brasil) ou “The Odds”, do realizador Kewa Oni (Nigéria).

Em conjunto, as obras estabelecem um diálogo entre diferentes culturas, experiências e formas de contar histórias, com histórias que exploram temas universais como identidade, sobrevivência, sonhos e transformação, revelando a diversidade de vozes que marcam o cinema contemporâneo.

“A selecção destes primeiros filmes reflecte por uma parte a ambição do FIC Luanda de criar uma plataforma capaz de aproximar diferentes cinematografias, colocando Angola em diálogo com o circuito internacional de festivais e promovendo maior circulação de histórias e talentos entre África e o mundo; e por outra a intenção de trazer títulos que refletem o grande momento do cinema africano contemporâneo”, considerou Lara Sousa, programadora do festival.

O FIC Luanda 2026 prevê a apresentação de aproximadamente 120 filmes provenientes de mais de 18 países, distribuídos por secções competitivas nacionais e internacionais e mostras paralelas. A programação inclui ainda actividades complementares destinadas a promover formação e o intercâmbio entre criadores, profissionais da indústria e públicos diversos.

O regresso do FIC Luanda integra um movimento mais amplo de revitalização do sector audiovisual angolano promovido pela Agência Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (ANICC) de Angola. A reabilitação de salas de cinema, a aposta na formação e o reforço das condições para produção, circulação e exibição de obras no âmbito do FIC Luanda 2026 fazem parte desta estratégia para reconstruir uma ligação sustentável entre criadores, indústria e públicos.

Nos próximos anos, o FIC Luanda ambiciona afirmar-se entre os eventos cinematográficos de referência no continente, contribuindo para fortalecer as redes de produção, distribuição e exibição cinematográfica na África Subsaariana.

01.09.2026 | by martalanca | cinema africano, FIC Luanda

O Cinema por Dentro, em Monsanto

O Cinema por dentro, em Monsanto (2ª edição) Descubra o Cinema de uma forma totalmente nova. Neste curso, em quatro sábados à tarde, convidamos os participantes a explorar o mundo do Cinema Europeu através do projeto CINED – Educação Europeia de Cinema para a Juventude.Cada sessão é uma viagem por fotogramas, sons, cadernos pedagógicos e filmes, desafiando todos a sentir, observar, escutar, comparar e criar ligações. É uma experiência pensada e dinamizada, em parceria com a associação Os Filhos de Lumière, para despertar os sentidos e abrir horizontes cinematográficos, proporcionando momentos de partilha, aprendizagem e criação.E quem sabe se não se descobrem novos pequenos e grandes potenciais realizadores!Inscreva-se no curso e deixe o cinema transformar os seus sentidos!


19 set | 10 out | 24 out | 7 nov, das 15h às 18h, no auditório do Centro de Interpretação de Monsanto, Lisboa 4 sábados > 10 anos

No final há entrega de certificado de participação.

mais informação 

01.09.2026 | by martalanca | cinema

FilmLab Moçambique

LABORATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO DE PROJECTOS CINEMATOGRÁFICOS

24 AGOSTO a 5 SETEMBRO I MAPUTO
A primeira edição do FilmLab Moçambique arranca no próximo dia 24 de Agosto, em Maputo, para dar força ao desenvolvimento de novos projectos cinematográficos de jovens realizadores dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor-Leste (PALOP-TL), com formação intensiva em plano de financiamento, pitch e distribuição.A iniciativa é promovida pela REDE de Cinema e Audiovisual PALOP+TL, em colaboração com o KUGOMA 2026. As actividades terão lugar no Campus da Universidade Pedagógica de Maputo, e no Centro Cultural Franco-Moçambicano.

Entre os seleccionados estão os moçambicanos Assane Ramadane João, Mateus Francisco Nhamuche, Melissa Babil Samate Lemos, Américo Júnior e Janado Nazaré Lubrino Cher, e a santomense Jéssica Adelaide Lombá Da Silva e Lima.Segundo Samira Vera-Cruz, Coordenadora de Formação da REDE,, os dois programas terão um plano curricular semelhante, embora adaptado às especificidades de cada contexto cinematográfico. “Há muita coisa em comum” entre os dois países, explica, destacando também a participação de formadores que estarão envolvidos nas duas iniciativas e a presença de participantes de diferentes países dos PALOP e Timor-Leste. A coordenadora destaca ainda que a ligação entre os dois Labs permitirá reforçar a interacção entre profissionais e projectos da região, que teve candidaturas abertas a participantes dos seis países. Em Maputo, a formação será orientada por cinco formadores principais, com experiência no desenvolvimento de projectos cinematográficos nos PALOP. São eles os moçambicanos João Ribeiro e Fábio Ribeiro, as cabo-verdianas Samira Vera-Cruz e Emília Wojciechowska, e Katya Aragão, de São Tomé e Príncipe.Aos orientadores caberá acompanhar os projectos em sessões de grupo e individuais, presenciais, em Maputo, e posteriormente através de sessões individuais à distância, de acordo com as necessidades concretas de cada projecto.

O FilmLab contará igualmente com a participação de convidados, profissionais do cinema de diferentes origens e experiências, que participarão presencialmente e/ou online, abordando temáticas concretas e transversais e, quando necessário, acompanhando projectos específicos após a capacitação.Entre os convidados estão Welket Bungué, da Guiné-Bissau; Natasha Craveiro, de Cabo Verde; Ery Claver, de Angola; P.J. Marcelino, luso-cabo-verdiano-canadiano; Lorna Zitha, de Moçambique; MUTIM – Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento, de Portugal; Mohamed S. Ouma, director executivo da DocA – Documentary Africa; Miki Redelinghuys e Pragna Parsotam-Kok, da África do Sul; Ana Marques, de Portugal; Rodrigo Diaz Diaz, do Brasil; Nina Tedesco, do Brasil e Erin Ranney, dos Estados Unidos.O plano de formação está estruturado em dois eixos principais: Plano de Financiamento e Plano de Distribuição, com dois momentos públicos de interação entre os participantes e o sector - o Pitch e a Hackathon – Campanha de Impacto.O Pitch Training compreende sessões de preparação, formação e partilha de experiências sobre o desenvolvimento de pitches, culminando numa sessão pública de apresentação dos projectos.O Hackathon – Campanha de Impacto prevê uma sessão pública de desenvolvimento de campanhas de impacto, adaptadas às temáticas e características de cada projecto ou filme. A actividade terá igualmente uma edição em Cabo Verde, sob coordenação de Samira Vera-Cruz.

Integram ainda o programa, três sessões temáticas abertas, nas quais todos os interessados podem participar presencialmente (CCFM) ou online (Zoom). Os temas destas sessões, cruzam o cinema com áreas transversais temáticas que orientam, a REDE no seu trabalho: Conservação e Ambiente (31.08), Género e Representação (01.09) e Cinema de Impacto (02.09). As sessões terão lugar no auditório do CCFM entre as 15h00 e as 18h00 (horário de Moçambique)Em Moçambique, o FilmLab integra a programação da REDE de Cinema e Audiovisual PALOP+TL, contribuindo para o desenvolvimento de competências, a circulação de projectos e a criação de novas ligações entre jovens profissionais do espaço PALOP+TL e a indústria cinematográfica internacional.A REDE de Cinema e Audiovisual PALOP + TL é uma iniciativa coordenada pela Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM), associação cultural moçambicana sem fins lucrativos, implementada com parceiros em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, e com apoio financeiro do Camões, I.P., através do Programa PROCERIS – Programa Cultura e Empreendedorismo com Responsabilidade e Inclusão Social.O FilmLab Moçambique é dirigido a jovens realizadores e profissionais do audiovisual dos PALOP e Timor-Leste, com especial enfoque em Moçambique, que estejam a desenvolver uma curta-metragem e pretendam fortalecer a sua visão autoral, preparar os seus projectos para mercados internacionais e consolidar competências nas áreas de escrita, produção, pitch e distribuição.A iniciativa pretende desenvolver talentos emergentes do espaço PALOP+TL, reforçar a qualidade artística e a viabilidade dos projectos, criar pontes entre criadores e a indústria internacional e promover uma prática cinematográfica ética, inclusiva e sustentável, valorizando vozes diversas, com especial atenção a mulheres e pessoas não-binárias.O projecto arrancou com uma chamada de propostas, tendo sido seleccionados seis projectos cinematográficos. Os projectos abordam, preferencialmente, temáticas relacionadas com direitos fundamentais, sustentabilidade ambiental e questões sociais relevantes.

25.08.2026 | by martalanca | filme, Moçambique

Intérprete - Please, love me!

Procuramos um intérprete que se identifique com o género masculino, entre os 20 e os 45 anos, para integrar a nova criação de Cléo Diára: PLEASE, LOVE ME!

CONDIÇÕES 

Contrato de trabalho a termo certo;

Salário bruto total: aprox. 3.400 €;

Subsídio de alimentação;

Ajudas de custo nos períodos de trabalho fora da cidade de Lisboa;

A produção assegura o alojamento, alimentação e deslocações durante os períodos de trabalho fora de Lisboa.

CALENDÁRIO PREVISTO 

1 a 9 de outubro — Espaço Alkantara, Lisboa
 14 a 22 de outubro — AJIDANHA, Idanha-a-Nova
 2 a 13 de novembro — Sala de Ensaios TBA, Lisboa
 12 a 22 de novembro — Teatro Constantino Nery, Matosinhos
 Estreia absoluta: 21 de novembro
 24 a 29 de novembro — TBA, Lisboa
 Apresentações: 27, 28 e 29 de novembro
 6 a 10 de janeiro de 2027 — Centro Cultural de Lagos (datas a confirmar) 

CANDIDATURAS 

As pessoas interessadas deverão enviar o seu CV e/ou portefólio, acompanhado de fotografias recentes e/ou links para trabalhos anteriores (showreel, espetáculos, curtas-metragens ou outros registos relevantes). Através do link: https://forms.gle/EW ct53Db7BbhT5LN8

Após análise das candidaturas, será realizada uma pré-seleção. Apenas as pessoas selecionadas serão contatadas para a fase seguinte do processo de casting.

Prazo para apresentação de candidaturas: 30 de agosto;

Datas Audição: 3 a 6 setembro, local a anunciar.

Comunicação dos resultados: 18 setembro.

foto de Carolina Maiafoto de Carolina Maia

Candidaturas, condições de contratação, calendário completo e restantes informações no formulário: https://forms.gle/EWct53Db7BbhT5LN8 

 

20.08.2026 | by martalanca | audição, cleo diára

A Banalidade da Luz

A Fotografia faz com que o Objecto se desprenda do ordenamento da matériae se transforme na aura do real. Há uma sublimação incutida pela fotografia ao objecto que o impregna de uma profundeza onírica, própria da luz negra de uma visão subtractiva que reduz o mundo a uma mancha imaculada na superfície imponderável do olhar. Como se fosse uma epiderme fronteiriça transfigurada, ou até apocalíptica. É essa a magnitude da banalidade da Fotografia. O seu magnetismo inexplicável, e irresistível. O objecto é corroído por uma espécie de irrepetibilidade mesmo sendo repetível, e por uma espécie de impossibilidade mesmo sendo comprovável. Atrai para uma cratera de gravidade em que o voo do testemunhobate asas de fogo atiçado pelo líquido combustível de uma memória abrupta, inventada pelo poder evocativo de um sonho que decerto sucedera algures alguma vez. Essa urgência do real, do reconhecimento imediato do impossível, é o principal traço da Banalidade da Luz fotográfica. 

Brassalano Graça 

 

18.08.2026 | by martalanca | fotografia

Pocas Pascoal conquista prémio da Francofonia no Festival de Locarno

Realizadora angolana recebe o The Open Doors – OIF-Francophonie Award para o desenvolvimento de filme sobre a pioneira do cinema africano Sarah Maldoror

A realizadora angolana Pocas Pascoal foi distinguida com o The Open Doors – OIF-Francophonie Award, atribuído na noite de 9 de agosto, durante o Festival de Locarno, na Suíça. O prémio, concedido pela Organização Internacional da Francofonia (OIF), destina-se ao desenvolvimento do projeto da longa-metragem Sarah, inspirado na trajetória da cineasta franco-angolana Sarah Maldoror, considerada uma das pioneiras do cinema africano.

O reconhecimento integra a iniciativa Open Doors, um dos programas mais relevantes do Festival de Locarno, dedicado a apoiar cineastas de regiões onde o cinema independente enfrenta maiores desafios e a promover novas vozes da cinematografia mundial. Atualmente, o programa centra-se em realizadores de 42 países africanos, promovendo formação, encontros com a indústria e oportunidades de coprodução internacional.

Durante o festival, Pocas Pascoal também apresentou a curta-metragem Time to Change no Open Doors Short Films Screening, em sessões destinadas a um público formado por cerca de uma centena de diplomatas de diferentes países. A obra propõe uma reflexão sobre os impactos da colonização na relação entre o ser humano e a natureza, estabelecendo uma ligação entre exploração colonial, racismo, destruição ambiental e memória histórica.

Para Pocas Pascoal, o prémio representa muito mais do que um reconhecimento profissional: é um impulso para levar adiante um projeto que pretende recuperar uma das figuras mais importantes e menos conhecidas da história do cinema africano.

“Receber o The Open Doors – OIF-Francophonie Award é uma enorme alegria e uma grande honra. Locarno é um festival de enorme prestígio e estar aqui já era um privilégio. Este apoio dá ainda mais força ao projeto Sarah e à possibilidade de contar uma história que merece ser conhecida por novas gerações”, afirmou a realizadora.

O filme pretende colocar em evidência o legado de Sarah Maldoror, que revolucionou o olhar sobre as lutas de libertação africanas ao dar protagonismo às mulheres que participaram desses movimentos.

“Pretendo pôr em evidência Sarah Maldoror, que, no seu cinema, olhou para quem quase nunca era visto, e também essas mulheres de que a História não falou ou que a História colocou na sombra”, explica Pocas Pascoal.

Fundado em 1946, o Festival de Locarno é considerado um dos mais importantes eventos cinematográficos do mundo, ao lado de Cannes, Veneza e Berlim. Reconhecido por revelar novos talentos e valorizar o cinema de autor, o festival reúne anualmente realizadores, produtores, distribuidores e programadores de dezenas de países, funcionando como uma plataforma estratégica para o desenvolvimento de projetos e para a circulação internacional de obras cinematográficas.

A conquista reforça a projeção internacional de Pocas Pascoal, cuja filmografia é marcada por narrativas que questionam as heranças do colonialismo e recuperam memórias silenciadas. Com o apoio conquistado em Locarno, a realizadora dá um passo importante para concretizar Sarah, um filme que resgata não apenas a trajetória de uma pioneira do cinema africano, mas também a história de mulheres que permaneceram invisíveis nas narrativas oficiais.

10.08.2026 | by martalanca | Pocas Pascoal, Sarah Maldoror

A 4ª edição do PARAÍSO regressa para discutir o passado e o futuro na afrodescendência

Cesária Évora Orchestra com Ceuzany, Elida Almeida, Lucibela e Teófilo Chantre, União Negra das Artes, Kitty Furtado, conversas, dança, cinema, e almoço comunitário são algumas das apostas para este ano

Nos dias 11 e 12 de setembro, a cidade de Braga volta a receber o PARAÍSO, um programa artístico com enfoque na celebração e discussão das expressões artísticas afrodescendentes e lusófonas. Sob o tema central Passado e Futuro na Afrodescendência, a edição deste ano propõe uma reflexão coletiva sobre as formas de existir entre a herança recebida e as realidades em construção. Através dos eixos da Performance, do Pensamento e da Mediação, a programação cruza áreas como o cinema, a música, a dança, o debate crítico e a gastronomia. 

Em setembro, o PARAÍSO volta a habitar os palcos do Theatro Circo e do gnration, estendendo-se novamente à Livraria Centésima Página procurando ampliar a rede de partilha entre criadores, investigadores e o público local. As curadorias especializadas contam com a colaboração da BANTUMEN, de Rosa Cabecinhas pelo projeto CONCILIARE do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, além do olhar de Kitty Furtado no cinema, e com coordenação curatorial de Nuno Abreu.

Sexta-feira, dia 11 de setembro, às 18h00, na Livraria Centésima Página, a conversa com a assinatura da BANTUMEN Que formas de existir entre o que herdamos e o que construímos?, junta David Ferreira (Secção de Estudantes Africanos da Universidade do Minho), Isabel Macedo (CONCILIARE) e Saidatina Khady Dias (Conquista Vontades – Associação dos Imigrantes Senegaleses em Portugal), com moderação de Marisa Rodrigues, para conhecer o trabalho de campo que organizações e pessoas têm feito nesta área na cidade de Braga. Mais tarde, às 21h30, o gnration acolhe a exibição gratuita do filme Si Destinu (2015), da realizadora Vanessa Fernandes, seguida de uma conversa sobre as variantes do Black Gaze entre a realizadora e a investigadora Kitty Furtado.

No sábado, dia 12 de setembro, as atividades começam às 11h00 no gnration com a apresentação pública do processo de criação do Manual Antirracista para as Artes e Educação, dinamizada por Dori Nigro, Melissa Rodrigues e Raquel Lima em representação da União Negra das Artes. Segue-se, às 13h00, um momento de celebração com o almoço comunitário preparado pela Chef cabo-verdiana Ana Teresa Correia, com cachupa rica e cachupa vegetariana e com ambiente musical assegurado pelo DJ angolano Chipula. 

À tarde, a partir das 15h00, o debate regressa ao gnration com a sessão curada pelo CONCILIARE Arte, participação e práticas de contestação da colonialidade: o papel da criação coletiva na construção de futuros alternativos que reúne os jovens António Zaqueu, Luege D’ Olim e Sarina Azevedo sob a moderação de Luiza Lins, numa partilha das suas vivências pessoais para refletir sobre participação, memória, identidade e pertença no espaço público.

Às 16h30, Eddie Folige orienta um workshop de dança focado nas raízes da kizomba, novamente acompanhado por DJ Chipula. 

O encerramento do PARAÍSO acontece às 21h30, no Theatro Circo, com o concerto da Cesária Évora Orchestra, uma sentida homenagem à “Diva dos Pés Descalços” que junta em palco as vozes de Ceuzany, Elida Almeida, Lucibela e o compositor Teófilo Chantre. 

Todas as iniciativas são de acesso gratuito (com exceção do concerto de Cesária Évora Orchestra), requerendo o almoço inscrição prévia pelo e-mail participaca@fazcultura.pt.com.

Bilhetes disponíveis no Theatro Circo, locais habituais, e online em https://www.bol.pt  

 

Programa PARAÍSO 

Passado e Futuro na Afrodescendência 

11 e 12 set 

 

Sexta 11 setembro 

18h -> Conversas do Paraíso 

Que formas de existir entre o que herdamos e o que construímos? 

com David Ferreira, Isabel Macedo e Saidatina Khady Dias 

com moderação de Marisa Rodrigues (BANTUMEN) 

Livraria Centésima Página (gratuito) 

 

21h30 -> Cinema + Conversa 

Si Destinu (2015) de Vanessa Fernandes 

Conversa com Kitty Furtado e Vanessa Fernandes 

gnration (gratuito) 

 

Sábado 12 setembro 

11h -> Mediação 

Manual antirracista para as artes e educação: Apresentação do processo  

com Dori Nigro, Melissa Rodrigues e Raquel Lima (União Negra das Artes) 

gnration (gratuito) 

 

13h -> Gastronomia 

Almoço Cachupa - Chef Ana Teresa Correia + DJ Chipula 

gnration (gratuito mediante inscrição) 

 

15h -> Conversas do Paraíso
Arte, participação e práticas de contestação da colonialidade: o papel da criação coletiva na construção de futuros alternativos  

António Zaqueu, Luege D’ Olim, Sarina Azevedo com moderação de Luiza Lins (CONCILIARE) 

gnration (gratuito) 

 

16h30 -> Workshop e Música 

Workshop Dança c/ Eddie Folige e DJ Chipula  

gnration (gratuito)

21h30 -> Música 

Cesária Évora Orchestra 

com Ceuzany, Elida Almeida, Lucibela e Teófilo Chantre 

Theatro Circo

 

 

 

 

10.08.2026 | by martalanca | Braga, Paraíso

Cineasta angolana Pocas Pascoal apresenta "Time to Change" durante o Festival de Locarno

 Curta integra a programação “Open Doors Short Films Screening”, reafirmando o diálogo entre cinema, diplomacia e justiça climática

O cinema africano ganha protagonismo num dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo. A realizadora angolana Pocas Pascoal apresenta o curta-metragem “Time to Change” durante o “Open Doors Short Films Screening”, dia 7 de agosto, no Festival de Locarno, durante sessão que contará com cerca de 100 diplomatas de diferentes países. A exibição integra uma programação dedicada a obras que promovem reflexão sobre desafios globais contemporâneos, reforçando o papel do cinema como ferramenta de diálogo intercultural e transformação social.

Em sua estreia na Suíça, “Time to Change” propõe uma poderosa reflexão sobre os impactos da colonização na relação entre seres humanos e natureza. A partir de uma linguagem visual poética e contundente, o filme retrata como a exploração da terra e do homem remontam a tempos coloniais, alertando que é urgente mudar o rumo da pegada humana no planeta. A produção mostra como a colonização conduz à devastação, à desolação e à subjugação da fauna, da flora e das populações. A obra amplia o debate sobre memória, exploração dos territórios e justiça ambiental, temas que atravessam fronteiras e dialogam diretamente com a agenda internacional.

O convite para integrar a sessão “Open Doors” marca mais um capítulo da relação de Pocas Pascoal com o Festival de Locarno. Em 2014, o seu primeiro longa-metragem de ficção, Alda e Maria, participou do programa e conquistou sete prémios internacionais, consolidando a realizadora como uma das vozes mais relevantes do cinema lusófono contemporâneo. Agora, a angolana regressa ao Festival com uma obra que reafirma o seu compromisso artístico com narrativas de forte dimensão política, histórica e humana.

A presença de “Time to Change” no Festival de Locarno reforça o reconhecimento internacional da obra de Pocas Pascoal e evidencia a crescente visibilidade do cinema africano em espaços de influência cultural e diplomática. Ao reunir representantes de dezenas de países em torno da exibição da curta, a sessão demonstra como a linguagem cinematográfica pode estimular conversas urgentes sobre colonialismo, sustentabilidade, memória e futuro comum.

Pocas Pascoal Pocas Pascoal Nascida em Luanda, Pocas Pascoal tornou-se a primeira mulher operadora de câmara de Angola antes de se mudar para França, onde se formou em montagem e trabalhou durante quinze anos como editora. A sua filmografia reúne documentários, ficções e instalações audiovisuais apresentadas em importantes bienais e festivais internacionais. Em 2021, o documentário “Blow” recebeu o Prémio Árvore da Vida para Melhor Filme no IndieLisboa. Em 2024, integrou o projeto GREENHOUSE, que representou Portugal na 60.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza. Paralelamente à circulação internacional de “Time to Change”, a realizadora desenvolve atualmente o longa-metragem “Sarah Maldoror”, dedicado à cineasta franco-angolana considerada uma das pioneiras do cinema africano.

06.08.2026 | by martalanca | Pocas Pascoal

“Era uma vez, numa meia-noite sombria…”: O cinema clandestino de Pere Portabella no final do Franquismo

O ciclo The Ongoing Seminar, organizado pelo Doc’s Kingdom em Lisboa ao longo do ano, recebe Pablo La Parra Pérez (Filmoteca de Catalunya) por ocasião do centenário do cineasta catalão Pere Portabella, nos dias 3 e 4 de Setembro, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. 

No final do franquismo Pere Portabella alternou entre o cinema underground e a participação ativa na oposição antifranquista e deixou para trás um conjunto de filmes que desafiam a categorização: nos quais a crítica feroz ao regime coexiste com uma requintada experimentação formal em torno das possibilidades expressivas e políticas do cinema.
O diretor da Filmoteca da Catalunha, Pablo La Parra Pérez, irá falar da obra clandestina de Portabella, apresentando dois filmes (El sopar [versão de 1974] (1974, 60’) e Umbracle (1972, 85’)) e vários materiais de arquivo do espólio do realizador recentemente depositados na Filmoteca da Catalunha. 
Este programa insere-se no programa internacional do centenário de Pere Portabella, Acció Portabella. 
Mais informações sobre os dois dias de sessões em anexo e no website

05.08.2026 | by martalanca | cinema

Fred Moten na Dentu Zona,

É com enorme alegria que, no dia 2 de agosto, às 13h, recebemos Fred Moten na Dentu Zona, na Cova da Moura, para uma conversa com p.feijó em torno da sua obra e, em particular, d’OS SUBCOMUNS: PLANEAMENTO FUGITIVO E ESTUDO NEGRO, livro recentemente publicado pela Maio Maio e pelas Edições da Snob.
O trabalho de Fred Moten circula entre a poesia, o estudo da Tradição Radical Negra, a história da música e a Teoria Crítica. Escreveu uma vasta obra de poesia e Teoria Crítica e, com Stefano Harney, OS SUBCOMUNS e TUDO INCOMPLETO.
p.feijó é a editora convidada d’OS SUBCOMUNS, tendo contribuído com um texto introdutório e participado em todo o processo de edição deste livro. É também escritora, investigadora e militante.

30.07.2026 | by martalanca | Fred Moten, subcomuns

Cortejo, a primeira exposição individual de Anthony Mazza

A Kolibri Gallery tem o prazer de apresentar Cortejo, a primeira exposição individual de Anthony Mazza na Europa. Com abertura na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, às 18h00, a exposição reúne dez pinturas de pequeno formato, realizadas em óleo sobre linho e em óleo e cera de abelha sobre tela. Cortejo ficará patente na Kolibri Gallery, em Lisboa, até 28 de agosto de 2026.

Em Cortejo, Mazza trata a pintura como um campo temporal em camadas. As obras não pretendem apresentar a paisagem como descrição direta ou cenário fixo. Em vez disso, constroem imagens nas quais o lugar surge através de vestígios, intervalos e recordações parciais. Horizontes, água, campos escuros, fragmentos arquitetónicos e formas suspensas são mantidos em composições reduzidas, permitindo que cada pintura permaneça entre o aparecimento e a dissolução.

O título Cortejo refere-se a uma procissão silenciosa. Ao longo da exposição, as pinturas parecem mover-se em relação umas às outras, transportando ecos entre imagem, superfície e memória. A sua pequena escala concentra esse movimento. As obras pedem uma atenção próxima a subtis variações de tom, densidade material e suspensão espacial, em vez de se expandirem em vistas panorâmicas.

O uso de óleo, linho, tela e cera de abelha por Mazza reforça esta condição de instabilidade. Em várias obras, a cera confere à superfície uma profundidade tátil e contida, enquanto a trama visível do linho mantém a imagem materialmente aberta. A paisagem torna-se menos um tema do que um lugar de passagem: um espaço onde luz, matéria e recordação permanecem por resolver.

Apresentada em Lisboa, Cortejo marca um momento importante na trajetória do artista como a sua primeira exposição individual na Europa. A exposição posiciona a prática pictórica recente de Mazza através de um corpo compacto de obras íntimas na escala, mas conceptualmente precisas, reunindo questões de lugar, memória, superfície e suspensão temporal.

Evento de Abertura
Receção de abertura: quarta-feira, 5 de agosto de 2026, 18h00
Kolibri Gallery: Rua Passos Manuel 64A, 1150-260 Lisboa, Portugal

Datas da Exposição
5-28 de agosto de 2026

Obras
Dez pinturas de pequeno formato
Óleo sobre linho; óleo e cera de abelha sobre tela

30.07.2026 | by martalanca | Anthony Mazza

vítimas na Europa do tráfico transatlântico

Resultados recentes da investigação sobre as primeiras vítimas conhecidas na Europa do tráfico transatlântico de escravizados (Valle da Gafaria)
Sábado, 25 de julho, às 17h (MUNHAC)
No Valle da Gafaria, em Lagos, Portugal, os arqueólogos descobriram os restos mortais de 158 africanos escravizados. Este continua a ser o mais antigo e o maior sítio de enterramento associado ao tráfico atlântico de escravos na Europa.
Ao sintetizar as evidências resultantes de múltiplas análises isotópicas, esta apresentação explora a origem destas pessoas, reconstrói as suas histórias de vida e revela novos conhecimentos sobre mobilidade, deslocação e experiências humanas durante as primeiras fases do tráfico transatlântico de escravos.
Com: Dra. Vicky M. Oelze (Professora Associada no Departamento de Antropologia da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, EUA) 
Sessão em Inglês. PowerPoint em português.
Participação livre, limitada à lotação da sala.
Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC). 

23.07.2026 | by martalanca | escravatura

"Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global", de Paulo Ramalho

18 de julho de 2026 | 17h00 | Bar Flor do Tejo | Cais de Vila Franca de Xira

Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global, de Paulo Ramalho, pertence à rara categoria das obras que recusam o conforto da literatura de viagem para se transformarem numa interrogação sobre o mundo e sobre nós próprios.

Antropólogo de formação, escritor por necessidade e viajante por inquietação, Paulo Ramalho conhece profundamente a Guiné-Bissau e o arquipélago dos Bijagós, um dos últimos territórios africanos onde a memória ancestral, os rituais, a natureza e a resistência cultural permanecem vivos perante a crescente uniformização do planeta. O seu olhar não é o do turista nem o do repórter ocasional. É o de quem sabe que um povo nunca se descreve apenas pela paisagem, mas pela forma como enfrenta o tempo, a morte, a comunidade e o sagrado.

Neste livro, os Bijagós deixam de ser apenas um arquipélago perdido no Atlântico para se tornarem uma metáfora do nosso tempo. A viagem conduz o leitor para lá da geografia, confrontando-o com as grandes questões do século XXI: o esgotamento do modelo ocidental, a crise ecológica, a desigualdade entre Norte e Sul, o legado do colonialismo e a procura de outras formas de habitar o mundo.

A literatura da Guiné-Bissau ensinou-nos, através de vozes como Abdulai Sila, Tony Tcheka ou Filinto de Barros, que a identidade nasce do diálogo permanente entre memória e futuro. É nesse território de fronteira que Paulo Ramalho inscreve a sua escrita. Sem exotismos nem paternalismos, aproxima-se dos Bijagós com o respeito de quem escuta antes de interpretar, oferecendo ao leitor uma narrativa onde a antropologia e a literatura se cruzam para revelar uma realidade simultaneamente bela, complexa e profundamente humana.

Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, devolve-nos perguntas que preferimos adiar. Que significa viajar quando o mundo parece caminhar para o colapso? O que procuramos no outro que não sejamos capazes de reconhecer em nós? Será o Sul Global apenas uma geografia ou poderá ser também um lugar de resistência, de aprendizagem e de esperança?

Mais do que apresentar um livro, esta sessão propõe um encontro entre leitores, viajantes e todos aqueles que acreditam que a literatura continua a ser um dos poucos lugares onde ainda é possível compreender a complexidade do mundo.

No dia 18 de julho, às 17 horas, o Bar Flor do Tejo, em Vila Franca de Xira, junto à marina, será palco desta conversa. Um espaço de proximidade para ouvir o autor, descobrir as histórias que deram origem ao livro e participar num diálogo sobre a viagem, a cultura, a Guiné-Bissau e os desafios do nosso tempo.

Porque há viagens que terminam quando regressamos a casa.

E há livros que só começam verdadeiramente quando fechamos a última página.

Lançamento de Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global
Paulo Ramalho
Sábado, 18 de julho de 2026 | 17h00
Bar Flor do Tejo –  Cais de Vila Franca de Xira  


13.07.2026 | by martalanca | Bijagós

“Mulheres que carregam”: concurso do Festival do Minuto reflete sobre a força feminina cotidiana

Festival do Minuto convida realizadores a enviarem vídeos de até 60 segundos sobre o tema “Mulheres que carregam”. As inscrições para este e outros concursos temáticos vão até 31 de julho, e os melhores vídeos concorrem ao Troféu Minuto. Clique aqui para assistir à vinheta do concurso. O que uma mulher aguenta carregar? Uma criança, uma família, um país? O mundo inteiro? É nesse vasto campo de possibilidades que o Festival do Minuto lança o concurso temático “Mulheres que carregam”. A proposta é aberta a interpretações diversas, estimulando olhares autorais sobre o tema em vídeos de até um minuto.

Inscrições até 31 de julho “Mulheres que carregam” é um dos 9 concursos temáticos lançados no 1º semestre de 2026 pelo Festival Permanente do Minuto, todos com inscrições abertas até 31 de julho.

Além dos concursos temáticos, o Festival também mantém inscrições abertas para as categorias permanentes mensais: Tema Livre, Animação, Nano Minuto e Minuto Vertical. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site: www.festivaldominuto.com.br. 35 anos de Festival do Minuto

Criado em 1991, o Festival Permanente do Minuto é pioneiro no formato de curtíssima duração, incentivando a criação de vídeos de até 60 segundos antes mesmo do surgimento das redes sociais. Gratuito, online e permanente, passou a alcançar todo o planeta. No Brasil, atinge cidades pequenas, médias e grandes, alcançando o interior, o litoral e as periferias urbanas. Com produções de diferentes sotaques, vivências e contextos, a iniciativa amplia a diversidade no audiovisual e incentiva realizadores amadores e independentes.

Completando 35 anos em 2026, o Festival Permanente do Minuto reafirma seu papel como espaço de experimentação e visibilidade para obras que apostam na síntese e na força expressiva do formato Minuto. Ao longo de sua trajetória, o festival já inspirou iniciativas semelhantes em mais de 50 países.SERVIÇO:

CONCURSOS - FESTIVAL PERMANENTE DO MINUTO ONDE: www.festivaldominuto.com.br

QUANDO: Inscrições até 31 de julho de 2026 CONTATO: thais@festivalminuto.com.br | 43 9874-9580


13.07.2026 | by martalanca | feminina, mulheres

Lançamento do primeiro livro de Orálio Mendes Katchunkuró

A Casa da Cultura da Guiné-Bissau, a LON Edições e o autor @Orálio Mendes Katchunkuró convidam o público para o lançamento de «eu, os Fragmentos e Alentos», a primeira obra publicada pelo autor, um livro de poesia.
A sessão terá lugar no dia 25 de julho de 2026, às 16h30, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (Alameda da Universidade, Cidade Universitária, 1649-014 Lisboa).
A apresentação estará a cargo de Bia Djassi, Michel Té e Tcherno Baldé.
A entrada é livre. Venham celebrar connosco esta estreia literária!

 

 

04.07.2026 | by martalanca | Orálio Mendes Katchunkuró

Olime, em Lisboa e Sintra

Interpretação | Eliana Rosa - Mynda Guevara - João Branco

Texto Marta Lança | Marinho Pina

Encenação, espaço cénico | João Branco

Figurinos | Simone Rodrigues

Desenho de Luz | Pedro Fonseca

Sonoplastia | Basil da Cunha

Fotografia | Machine Pedro Dinis - Queila Fernandes
Agradecimento especial Henrique Silva. 
Apoio à Criação: República Portuguesa - Ministério da Cultura, Juventude e Desporto / Direção Geral das ArtesResidência Artística: Teatro ViriatoParcerias: BUALA · Associação Caboverdiana de Lisboa · Associação de Intervenção Comunitária, Desenvolvimento Social e de Saúde · Associação de Solidariedade Social do Alto Cova da Moura · Centro Desportivo da Reboleira · RDP África 

COMPRA BILHETE AQUI 

Folha de sala - Processo número 0027/2025

Convocada a uma Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, uma mãe vê-se confrontada com um procedimento “de rotina” que rapidamente se transforma num exame minucioso à sua vida.
Ao longo de sucessivas entrevistas, expõe-se o atrito entre linguagem institucional e a experiência da vida concreta. O técnico responsável pelo processo obedece ao protocolo, interroga, regista e avalia riscos. Do outro lado, Maria Isabel responde, hesita, defende-se, acusa (o Estado, os outros?). Um conjunto de critérios - casa pequena, rendas impossíveis, salário mínimo, trabalho noturno, falência de rede de apoio - associam precariedade a perigo e fazem desta mãe, pobre, negra e do bairro, que ainda por cima ousa ser artista, suspeita.
OLIME constrói um dispositivo cénico depurado, onde a repetição burocrática ganha peso dramático. A frieza do registo oficial contrasta com momentos de exposição íntima e ruptura poética. O espetáculo alterna entre o realismo das entrevistas e interlúdios que abrem o discurso para dimensões mais amplas: identidade, memória colonial, violência policial, documentação e cidadania, pertença a um Cabo Verde imaginado, a família e as redes de apoio que na sociedade neoliberal se deslaçam.
Em palco, Eliana Rosa interpreta Maria Isabel, uma mulher irónica, orgulhosa, contraditória, artistística, e cansada de tanto esforço. João Branco, que também encena, é o funcionário Anselmo, que oscila entre as boas intenções e produto de um sistema que mede, categoriza e decide. A rapper e performer Mynda Guevara assume a função de coro contemporâneo. Através da palavra dita e cantada, introduz dados, memórias e comentários críticos que ampliam o caso individual para uma reflexão coletiva. Integra a estrutura dramatúrgica e tensiona a narrativa com composições que atravessam temas como abuso policial, racismo estrutural, o crioulo e a identidade nacional.
O funcionário é incapaz de desligar a máquina absurda da burocracia e vigilância, e a mãe, por sua vez, move-se num contexto onde qualquer falha pode ser lida como prova de incapacidade. Entre protocolo e sobrevivência, instala-se uma pergunta central: é possível medir o amor? E que instrumentos utiliza o Estado para distinguir risco social de desigualdade estrutural?
A peça é uma produção do coletivo Saaraci, que mantém viva, em Portugal, uma ligação artística e cultural a Cabo Verde. Essa presença manifesta-se na sonoridade, na língua, na memória e no modo como a peça convoca a história partilhada entre Portugal e a colonialidade. A colonialidade infiltra-se nas instituições, nos discursos, nas expectativas e nas formas de classificação social. Ao colocar frente a frente uma mãe precarizada e um técnico do Estado, o espetáculo evita simplificações, despertando a reflexão sobre justiça social, responsabilidade institucional e a criminalização da pobreza. Questiona a fronteira entre cuidado e controlo, entre proteção e punição. Recorda que, em contextos de vulnerabilidade económica e racialização, a parentalidade, sobretudo as mães pobres e radicalizadas, é frequentemente sujeita a um escrutínio acrescido.
Mais do que retratar um caso específico, o espetáculo convoca o público a reconhecer as estruturas invisíveis que moldam decisões e narrativas. Entre a morna e o relatório, entre o palco e o gabinete, OLIME afirma o teatro como espaço de escuta, confronto e pensamento crítico.
Uma criação que cruza teatro, música e intervenção cívica, afirmando o direito à dignidade.
17 e 18 em Lisboa, 25 em Sintra.

 

Marta Lança (codramaturga da peça com Marinho de Pina)

03.07.2026 | by martalanca | Olime