Django Unchained (2012) de Quentin Tarantino

Django Unchained (2012) de Quentin Tarantino Tarantino quer aproveitar o lado fantasioso sério do cinema para exorcizar a culpa ocidental, para matar racistas e pôr negros a chicotear brancos. Porque pensa que merecem. Porque sabe que nós sempre teremos Paris, mas também sempre teremos Candyland. É isto, ou pouco mais do que isto. E como no filme sobre os nazis, esse flashback regenerador em relação ao passado não poder ser feito a não ser no cinema. Mais uma vez estamos no centro da relação história/cinema pois não há género tão racista quanto o western. Há assim também que reabilitar a história do cinema.

13.02.2013 | por Carlos Natálio

De braços nem tão abertos

De braços nem tão abertos O crescimento da economia do Brasil vem transformando a vida de muitos brasileiros. E também atraindo imigrantes do mundo inteiro, incluindo africanos que falam português. Mas, esperando encontrar uma sociedade aberta e multirracial, ao chegarem ao país esses imigrantes descobrem um lado oculto da sociedade brasileira: o racismo. Esse é o mote do documentário Open Arms, Closed Doors (Braços Abertos, em português), que integra a série de seis documentários autorais Viewfinder Latin America, um programa que tem como objetivo revelar e treinar documentaristas independentes ao redor do mundo e veicular suas produções.

06.02.2013 | por Juliana Borges e Fernanda Polacow

A vida a preto e branco em Lourenço Marques que a censura não deixou ver

A vida a preto e branco em Lourenço Marques que a censura não deixou ver “Interessavam-lhe os filmes de propaganda subjugados à lógica do desenvolvimento branco, das infra-estruturas e desenvolvimento que os colonos tinham levado a África. O que englobava as populações negras”, aponta José Manuel Costa, “era mostrado sob um ponto de vista folclórico, pretensamente etnográfico”. É daí, diz Maria do Carmo Piçarra, que nasce a ideia do país menos racista e mais simpático para os outros povos. “Catembe é censurado porque apresenta uma visão disruptiva do que o cinema de propaganda propunha. Numa das sequências, quase totalmente censurada, mostra uma mulata, Catembe, apaixonada por um pescador pobre. Mostra [em cena também censurada] a convivência racial nos bares de Maputo, com pretos e brancos dançando uns com os outros. Todo um ambiente que nada tinha a ver com ‘Fado, Fátima e Futebol’”.

18.01.2013 | por Mário Lopes

Será Django Libertado o filme mais negro de sempre?

Será Django Libertado o filme mais negro de sempre?  Estará a América realmente pronta para confrontar-se com a sua história da escravatura? Por cada Rambo, um Django? Desta vez Tarantino foi mais longe e pôs meio-mundo a discutir raça, racismo e escravatura, o legado da guerra civil e a violência que está na génese da formação dos Estados Unidos.

15.01.2013 | por Raquel Ribeiro

Tabu de Miguel Gomes

Tabu de Miguel Gomes A visão redutora e condescendente de uma África pseudo-paradisíaca, ainda a celebramos ao maravilharmo-nos com Out of Africa e todos os seus avatares de aventura e de exotismo em que o africano não é mais que um cenário, exatamente como seguimos com voluptuosidade os amores incestuosos de Ventura e Aurora numa África de papelão. Gomes conduz-nos assim habilidosamente pelo terreno movediço das nossas visões pós-coloniais. Faz isso com uma liberdade impressionante, que é sua mas respeita a nossa, uma forma de afirmar a sua fé no cinema das origens, o de Murnau.

12.12.2012 | por Olivier Barlet

Filmes da África e da diáspora: Imagens, narrativas, músicas e discursos

Filmes da África e da diáspora: Imagens, narrativas, músicas e discursos Os textos reunidos neste livro resultam de um exercício hermenêutico coletivo sobre um mesmo objeto: os filmes da África e de suas diásporas. São textos analíticos tecidos a partir de perspectivas diversas: antropológica, literária, sociológica, estética e política. Depois de ter despertado o interesse dos críticos ávidos de novidade, as obras dos cineastas africanos acabaram se constituindo em valiosos objetos de estudo para os pesquisadores universitários. Em resenhas, teses, dissertações e outros trabalhos acadêmicos, os filmes africanos são estudados como “textos” e pretextos a partir dos quais se elaboram reflexões teóricas abrangentes sobre questões identitárias, culturais e ideológicas que formam o bojo do pensamento pós-colonial e dos cultural studies.

02.10.2012 | por Mahomed Bamba e Alessandra Meleiro

Mama Goema: O ritmo da Cidade do Cabo em cinco andamentos, 2011

Mama Goema: O ritmo da Cidade do Cabo em cinco andamentos, 2011 O ritmo Goema teve influências dos Khoi e dos escravos, trazidos do Sul da Ásia e de outros países Africanos, e tem também semelhanças com um ritmo encontrado em Kerala, no Sul da Índia, mas o Goema apresenta uma textura distintamente Africana.

27.09.2012 | por Justin Davy

Reeducação de Mulheres, entrevista a Licínio Azevedo sobre o filme "Virgem Margarida"

Reeducação de Mulheres, entrevista a Licínio Azevedo sobre o filme "Virgem Margarida" Estreou dia 9 deste mês no Festival de Cinema de Toronto, e passará por Londres, Rio, Amiens, Córdoba e Dubai antes de brindar as salas portuguesas. Licínio Azevedo conta-nos da sua admiração por estas mulheres e das peripécias de um filme que traz a lume um episódio negro do período pós-independência moçambicano, quando o governo da Frelimo quis reeducar milhares de “anti-sociais”, dissidentes intelectuais, Jeovás, homossexuais, crimininosos, mães solteiras e prostitutas.

13.09.2012 | por Marta Lança

O cinema africano ao norte e ao sul do Saara (3ª parte)

O cinema africano ao norte e ao sul do Saara (3ª parte) Os filmes da geração mais jovem são cada vez mais autobiográficos, explorando as questões imediatas do exílio e da identidade, promovendo inovações na estrutura narrativa. Em parte como resultado de sua liberdade em relação a muitas das vitais preocupações sociais e políticas de seus antecessores (pensamos no contraste entre os dois mauritanos, Med Hondo e Abderrahmane Sissako), esses cineastas recém-chegados têm mostrado, nas palavras de Tahar Chikhaoui, “mais confiança na câmera e na realidade, daí o espaço dedicado à força sugestiva da imagem, libertada do processo narrativo, e o crescente interesse pelo documentário”. Eles também demonstram uma verdadeira disposição para explorar as novas possibilidades oferecidas pela tecnologia de vídeo.

28.08.2012 | por Roy Armes

O cinema africano ao norte e ao sul do Saara (2ª parte)

O cinema africano ao norte e ao sul do Saara (2ª parte) O fator unificador deve-se ao ímpeto e ao financiamento da produção cinematográfica – principalmente francesa – como parte da política do governo de manter estreitos laços culturais e econômicos com suas antigas colônias africanas. Um outro argumento é que há uma unidade entre os cineastas ao norte e ao sul do Saara, embora sejam em geral considerados mundos bastante distintos pelos críticos ocidentais, particularmente dos EUA. Compartilho com o crítico tunisiano Hédi Khelil a crença de que “os cineastas da Tunísia, Marrocos, Argélia, Mali, Burkina Fasso e Senegal são muito próximos uns dos outros nas questões que propõem e nas maneiras como as propõem” (KHELIL, 1994). Certamente, apesar das diferenças históricas e dos processos para obter a independência, o cinema começou simultaneamente nos quatro territórios, no final dos anos 1960, com um total de 20 longas-metragens produzidos entre 1965 e 1969.

28.08.2012 | por Roy Armes

O cinema africano ao norte e ao sul do Saara (1ª parte)

O cinema africano ao norte e ao sul do Saara (1ª parte) Os primeiros cineastas subsaarianos, liderados pelo marxista Ousmane Sembène, eram em geral hostis ao que viam como abusos tirânicos do Islã, enquanto no norte, como observou o diretor tunisiano Mahmoud Ben Mahmoud, “praticamente nenhum intelectual rico tem raízes na cultura muçulmana” (AMARGER, 2002). No entanto, graças à preocupação dos cineastas com as realidades da vida cotidiana na cultura muçulmana, o Islã tem estado presente constantemente nos filmes ao norte e ao sul do Saara.

28.08.2012 | por Roy Armes

"Virgem Margarida", a insurreição das mullheres

"Virgem Margarida", a insurreição das mullheres A violência do conflito e os desafios quotidianos impostos pela natureza hostil acabam por aproximar os pólos opostos, que se descobrem prisioneiros das mesmas cadeias. Juntas, militares e prostitutas acabam por se opor a um comando superior que se revela verdadeiramente corrupto e optam pelo perigoso caminho da sua libertação.

22.08.2012 | por vários

A dádiva no contexto de filme documental

A dádiva no contexto de filme documental “o actor da dádiva não postula o controlo ou a redução das incertezas a seu favor, ele cria-as permanentemente e implica-se nelas, sujeitando-se aos seus custos e riscos. É que a principal aspiração do doador não é que o retorno – relativo à sua dádiva – seja o mais mecânico e garantido, mas que seja, sobretudo, um retorno livre, logo incerto e inseguro. É na base deste tipo de troca livre e incerta, permanentemente renovada, que emerge, se reproduz, e se consolida, horizontal e verticalmente, a coesão social primária e derivadas, a macro coesão estatal e a micro coesão mercantil.”

13.08.2012 | por Rita Brás

Entrevista a Daoud Aoulad Syad sobre o filme 'A Mesquita' (A Jamaâ)

Entrevista a Daoud Aoulad Syad sobre o filme 'A Mesquita' (A Jamaâ) Como cenário construiu-se, em Marrocos, uma mesquita que deve ser destruída no final da rodagem. No entanto, os vizinhos da zona começam a utilizá-la e querem que perdure, apesar de não cumprir com as normas básicas da arquitectura islâmica. Com esta anedota real, o director decide rodar uma história de ficção utilizando imagens documentais para tratar, com humor, questões importantes para toda a comunidade.

19.07.2012 | por Olivier Barlet

Fronteira de amor e ódio

Fronteira de amor e ódio Em 2008 eclodiu inesperadamente na África do Sul, país que acolhe um grande número de emigrantes dos países vizinhos, uma onda de Xenofobia contra estes. Cerca de 50 pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas entre as quais moçambicanos. Milhares de estrangeiros viram os seus familiares agredidos e mortos, as suas casas e bens queimados e foram obrigados a fugir sem nada. Este documentário relata a história dramática de três destas pessoas que regressaram à sua terra natal fugindo da violência.

10.07.2012 | por Camilo de Sousa

O que significa ser documentarista africana num meio cinematográfico amplamente dominado por homens?

O que significa ser documentarista africana num meio cinematográfico amplamente dominado por homens? As mulheres documentaristas, na maioria, têm-se revelado engajadas. Existem inúmeros obstáculos para os documentaristas africanos, que se prendem com o desenvolvimento dos países africanos, entre outros, a fraca industrialização, a má governação, a alta taxa de desemprego, a falta de infra-estruturas, a persistente pobreza. A crise financeira mundial dos últimos anos apenas agudizou a situação destes cineastas que vivem, actualmente, muitos problemas para trabalhar.

10.07.2012 | por Soxna Amar

BAB SEBTA, mudar a percepção das migrações, entrevista a Pedro Pinho

BAB SEBTA, mudar a percepção das migrações, entrevista a Pedro Pinho "O filme é sobre a espera, sobre os tempos de espera. Se pode haver diferenças entres as acções das pessoas de cá e as pessoas de lá, a espera permite-nos reconhecer uma unidade e uma semelhança. Por definição, quando esperamos estamos dependentes de alguma coisa exterior que não controlamos e de que estamos dependentes e esse estado de vulnerabilidade é universal. O quotidiano da espera é comum a todas as pessoas do mundo e facilmente reconhecível e identificável." Pedro Pinho

10.07.2012 | por Marta Lança

Lisboa Mestiça, de José Manuel de S. Lopes, João Vilhena e Vitor Belanciano

Lisboa Mestiça, de José Manuel de S. Lopes, João Vilhena e Vitor Belanciano Um dia na cidade de Lisboa. Do nascer do dia à noite e os lugares mágicos da cidade, cheios de história e prontos a receber novas memórias. O nascimento, o casamento, a refeição, a morte, actos principais e comuns à humanidade, aqui observados nas várias comunidades imigrantes de Lisboa, fragmentos da história diária.

20.06.2012 | por José Manuel de S. Lopes

Património Fotográfico: Quem é Dono da Memória do "Antes"?

Património Fotográfico: Quem é Dono da Memória do "Antes"? Um pouco por todo o continente africano assiste-se ao renascer de uma indústria da cultura e da memória, mesmo de um culto da memória. E talvez seja uma boa novidade.

10.05.2012 | por Pedro F Marcelino

A mídia, as cotas e o sempre bom e necessário exercício da dúvida

A mídia, as cotas e o sempre bom e necessário exercício da dúvida 'Tudo isso que está sendo defendido hoje pelos que são contra as cotas, esses homens da classe de cor dos séculos XIX e XX também já defenderam, em vários momentos, coagidos ou de livre vontade. Quando livres, porque os escravos eram proibidos de frequentar a escola pública, brigaram por educação de qualidade e, quando tinham a oportunidade de estudar, agarravam-se a ela como a única esperança de um futuro mais digno. Esperança que morreu frente ao descaso, a promessas nunca cumpridas, à constatação de que seus sonhos de serem cidadãos plenos e de direito, iguais a todos os outros como sempre pregou a constituição, nunca esteve nos planos de quem os governava.'

08.05.2012 | por Ana Maria Gonçalves