O mundo está em chamas e é inconcebível que África permaneça à margem dos grandes debates que decidirão o futuro do planeta ou que, quando está presente, a sua voz continue a ser marginal. Fala-se frequentemente do "futuro de África", associando-o ao crescimento demográfico do continente. Mas esse discurso é profundamente utilitarista. Interessa-se menos pelos africanos do que pelo enorme mercado consumidor que África poderá representar. É uma visão profundamente capitalista que, à semelhança do diktat de Berlim, continua a excluir os próprios africanos da definição desse futuro.
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02.08.2026 | por Apolo de Carvalho