Jardins Secretos de Lisboa
— Ela devia odiar-me, Brigitte. E tinha carradas de razão.
António Henrique não conseguiu disfarçar a tremura das mãos quando Brigite lhe entregou a fotografia de Amália, que esta lhe confiara, anos antes, na véspera do seu casamento com Manuel Esteves. Depois, e para além da tremura das mãos, nem um músculo do seu rosto cor de cinza se moveu durante longo tempo. Estava um dia triste. Chuva, vento, uma atmosfera pegajosa e desconfortável. Brigite espreitou pela janela e achou que as pessoas na rua, quatro andares abaixo, pareciam pequenas pinceladas de cores tristes, a furar a tarde embaciada com a ponta dos guarda-chuvas. Tal como lhe prometera, aguardava-o, no Salão e, quando ele chegou, levou-o para a sua sala de estar privada, a biblioteca onde a virgindade de Amália tinha sido disputada num leilão insólito estendeu-lhe a fotografia:
— Tome. Ainda se deve lembrar desta mulher. Não há muitas como ela.
Sentia-se inexplicavelmente zangada, como se quisesse ajustar as contas atrasadas do desespero branco da rapariga que lhe aparecera num luminoso dia de Outubro, desfeita de amor, a dizer:
— Se não posso ser de quem eu quero, vou ser de todos os que me quiserem.
Ou qualquer coisa assim do género, melodramático, mas tão carregado de sentimento. E Brigite, para quem a história lhe fora indiferente, para além do facto, não negligenciável de ter ganho magníficos proveitos em resultado dela, deu por si, tantos anos depois, a cobrar de António Henrique as dores já esquecidas de Amália.
— Como podia esquecer? — murmurou ele.
Pela voz, parecia a pontos de chorar. Finalmente, suspirou, pediu-lhe licença para fumar, e encostou-se no sofá:
— Que é feito dela?
Tinha os olhos rasos de lágrimas.
Ela calou-se, a boca apertada numa linha de amuo, os olhos acusadores, os braços cruzados.
— Brigite, ande lá, como é que você conheceu a Amália? — insistiu.
Durante muito tempo, ela formara dele uma imagem de tal forma nítida, que agora, a confrontá-la com a realidade palpável do homem à sua frente, tinha dificuldade em responder-lhe. Quando Amália lhe falara no engenheiro da casa dos óculos, no pai da menina, no marido da senhora, no seu amor impossível, ela imaginou-o como um safado ou um doente. Perverso, em ambos os casos: «Só um tarado é que deixa uma mulher neste estado e lhe vira as costas. Fotografa nus, estou a ver o género. Das duas uma, ou é impotente, ou homossexual. De qualquer maneira, gosta de fazer sofrer.» Mas o homem que estava à sua frente, com a cara riscada de lágrimas, dedos longuíssimos e mãos de príncipe a segurar a fotografia com gestos trémulos, como se não pudesse suportar o peso terrível daquela folha de papel, não se encaixava na imagem do monstro que ela formulara.
— A Amália está ótima e mais bonita do que nunca. Casou com um homem muito bom, muito rico, que a adora e a quem ela ama. Saiu-lhe a sorte grande e a lotaria. Mas sim, ainda trabalhou cá em casa uns bons três anos — respondeu finalmente, num tom desabrido.
— Ela devia odiar-me… — disse ele numa voz rouca de tão baixa, como se estivesse a depor o fardo insuportável das suas recordações.
— Engana-se. Amália nunca lhe quis mal.
— Fui horrível para ela, e, no entanto, queria-lhe tanto bem. Nunca lhe toquei num fio de cabelo, sabe?
— Se sei, António Henrique. Se sei.
— Não foi por falta de vontade, entende?
— Não.
— Eu respeitava-a tanto… não imagina o que tive de me controlar. Não podia oferecer-lhe nada de sério, e decente. E não se transforma uma mulher daquelas numa concubina. Ainda lhe quis pagar um curso, mas ela nem admitiu falar no assunto. Eu queria ter ficado com a educação dela a meu cargo, ela é que não quis.
— O seu respeito ia dando com a rapariga em doida, como deve ter percebido. Foi uma grande maldade — retorquiu Brigite.
A sala estava quase às escuras e ela levantou-se para acender os candeeiros com os seus quebra-luz de seda. António Henrique continuava pálido, o rosto cor de cera, os olhos pisados e cheios de febre.
— Eu não podia fazer nada. Se você soubesse — murmurou.
Ela teve pena dele. Sorriu, e num tom de voz mais alegre, disse-lhe:
— Agora o que importa é que acabou por ser bom para toda a gente. Ela fez um casamento de amor e agora é uma princesa. O marido tem rios de dinheiro e eu ganhei uma pipa de massa com esta história toda. Não lhe disse? Setecentos contos e um monte de diamantes. Ela apareceu-me aqui, para trabalhar, falou de um amor impossível, e eu andei com ela ao colo, durante mais de dois meses…
—Ao colo? Não parece seu.
—Que é como quem diz. Ensinei-a a falar, a comer, a andar, levei-a ao cabeleireiro, à manicura, à depilação ao salão de beleza da Madame Campos, vesti-a dos pés à cabeça, e leiloei-lhe a virgindade.
Ele olhou-a como se não acreditasse no que estava a ouvir. Depois disse numa voz sufocada:
— Eu ouvi essa história em Luanda! Toda a gente falava nisso. Depois soube-se que tinha sido um fazendeiro de Malange que comprou a rapariga, mas…
— Um fazendeiro, sim. Humberto Peixoto. Conhece o homem?
— Toda a gente conhecia. Pelo menos de nome. Mas sim, estive com ele em Luanda meia dúzia de vezes, e cá em Portugal outras tantas, conhecidos comuns. Não posso dizer que era um amigo. Extraordinário, foi mesmo verdade. Corriam histórias, naquela terra, tão extraordinárias que às vezes era difícil acreditar em tudo. Humberto Peixoto, quem havia de dizer. Mataram-no, há pouco tempo, sabia?
—Não. Quando?
— Nos finais de 79, princípios de 80. Ele continuava lá, em Angola. As suas fazendas eram um estado dentro do estado, com exército privado e tudo, como no tempo da outra senhora. Dizia-se que precisavam dele por causa dos contactos.
— Para?
— A história dos diamantes. Ele conhecia toda a gente que é gente no meio. Em Antuérpia e Amesterdão. Era uma peça importantíssima naquele xadrez. De resto, e depois do 25 de Abril, alinhou na nova ordem de coisas, pelo lado do FNLA, mas tinha amigos em todas as fações, e gabava-se de poder escolher onde e com quem queria ficar. Além disso, continuava a vir a Portugal com regularidade, era amigo, soit-disant, do Wanderley Coutinho…
— Esse vendido? — a voz de Brigitte transpirava de desprezo.
— Sim, o general, um dos capitalistas revolucionários emergentes da nova era, que acumula, em simbiose exemplar, o espírito proletário com a costela da reação. Está riquíssimo. É dono das fábricas de parafusos e dobradiças, e a empresa de importação-exportação que controla tudo o que entra e sai de Angola. Sempre nas cimeiras políticas, a negociar com os movimentos de libertação, mas o que se diz é que é testa de ferro do Kremlin e uma emanação do KGB. O certo, é que é dono de uma fortuna incalculável.
— Não se perca, António Henrique. O Humberto Peixoto. Quem é que o matou? Os tipos dos outros movimentos?
— Não, Brigite. Não foi o MPLA, nem a Unita. A versão oficial disse «acidente com arma de fogo», mas foi um filho, imagine.
– Eu só ouvi falar de filhas. Duas, parece.
— Duas filhas da mulher legítima. E uma legião de filhos homens, das negrinhas que lhe traziam de todo o lado, e que ele criava com privilégios nas suas roças. Este, que o matou, ou que dizem que o matou, é filho de uma princesa mucubal. Parece que o Humberto a abandonou, ou expulsou de casa. Grávida dele.
— Não é possível, tão rocambolesco! Que idade teria esse filho?
— Uma criança. Doze anos, parece. Estava na Unita. Conta-se que a mãe, quando o Humberto a expulsou, foi para a Jamba, para um dos acampamentos do Galo Negro, e fez-se guerrilheira nas fileiras do doutor Savimbi. Está a ver o filme. O rapaz ouviu dizer cobras e lagartos do pai, desde que nasceu. Cresceu na mata, a brincar com armas, aprendeu a atirar antes de saber andar direito. E um dia, achou que estava na hora de acertar contas com o progenitor. Uma tragédia autêntica grega.
— Não faz sentido. Como é que o rapaz furou a vigilância, e iludiu o exército do pai?
— Ele entrou, com a mãe, pela porta principal, e pouco faltou para terem uma passadeira encarnada! O Humberto estava de braços abertos à espera dos dois, e isso é que é o mais esquisito.
— Como assim?
— Aquela mucubal foi a grande paixão do fazendeiro, mas o homem tinha casado com uma mulher da metrópole, que estava para chegar, e não quis confusões logo no início… mas depois, já nem dormia com ela, e continuou a fazer filhos como quem semeia café. O caso é que não a esqueceu, e logo que soube da chegada dos dois preparou-se para assumir a sua amada e o filho. Uma verdadeira tragédia.
— E depois? Não havia segurança à volta do homem?
— Ele tinha preparado uma festa para os receber, Brigite! O rapaz matou o pai logo que chegou junto dele, e só conseguiu fugir porque a mãe se pôs-se à frente dele quando seguranças do fazendeiro perceberam o que estava a acontecer. A mãe ficou logo ali, num charco de sangue. Caiu para cima do Humberto Peixoto, como se estivessem abraçados… dizia-se que ela também era muito apaixonada por ele. Por isso o odiou tanto. Ah, Brigite o amor é uma coisa tão perigosa.
— É demasiado rebuscado para se acreditar.
— O que é estranho é que ele teve tantos filhos mulatos, que lhes perdeu a conta, mas parece que os registava a todos, até os mandava batizar! Ouvi eu, da boca dele. Mas a este só o ia conhecer agora… Ai, Brigite, se você soubesse as histórias que corriam naquela terra. […]
— […] Diga-me. Como é que ele tratou a Amália?
— Deixou-lhe um calhau de presente, na mesa de cabeceira, quando se foi embora na madrugada daquela primeira noite. Ela nunca mandou lapidar a pedra. E se aquilo era um diamante!
— Ela era mulher para o fazer perder a cabeça! Não voltaram a estar juntos?
— A Amália era estranha. O homem chegava aqui, com a cara ratada das bexigas, e as raparigas ficavam histéricas. Saltavam-lhe ao pescoço, miavam, esfregavam-se-lhe nas pernas, pareciam gatas num ataque de cio. Todas… menos ela, que ficava na mesma. Um sorriso, um beijinho, se ele lhe falasse, ela respondia, se não dissesse nada, nem olhava para a cara dele. Não era por mal. Era assim. Os diamantes, as caçadas, as guerras, o algodão, os leopardos que ele passeava à trela…
— Eram chitas, Brigite.
— O que fossem, bom, as histórias dele, numa palavra, deixavam-na completamente indiferente. Ela não ficava siderada de admiração, diante dele. Para começar, detestava conversas sobre a guerra. Depois não achava graça aos relatos das caçadas. Ainda por cima, a fortuna dele não a impressionava, como às outras. E ele percebia e ficava pior que estragado.
— Não a tratou mal, pois não?
— Vê-se mesmo que não chegou a conhecer a Amália. Não era possível tratar mal uma mulher daquelas. Ele ficava atordoado diante dela. Parecia um cãozinho, à espera de festas. Ela era tão bonita, tão bonita, António, que os homens pareciam parvos, sem tino, só de olhar para ela. O que não era nada bom para o negócio, deixe-me que lhe diga.
Ele abriu a boca, para lhe responder, mas ficou em silêncio. Depois voltou a tentar dizer qualquer coisa, mas era como se as palavras não lhe saíssem da boca. Brigite teve pena dele:
— Desabafe, ande lá. Você não me conhece, mas eu sou um túmulo. E acabei por gostar muito, muito, da Amália. A princípio, devo confessar-lhe, foi só negócio. Ela também era um diamante em bruto, entende? Uma joia por lapidar. Mas era impossível não nos envolvermos com ela. Vou-lhe dizer uma coisa, que já tinha dito ao Gilberto. Mesmo que ficasse aqui o resto da vida, aquela rapariga nunca foi, nem seria, uma puta. Entende?
António Henrique abanou a cabeça, sem lhe responder. A noite tinha caído por completo, um vento áspero carregado de chuva fina fustigava as janelas. Brigite levantou-se, e antes de fechar as portadas de madeira, olhou por momentos para a sombra triste do Castelo. «Estamos a ficar todos tão velhos», pensou com uma inexplicável melancolia. Então, ele começou a chorar. Continuava sentado, com aquelas palavras todas embrulhadas no peito, mas o único som que conseguia soltar era a sua respiração sufocada e entrecortada de soluços. Brigite nunca tinha visto um homem chorar assim, porque ele lembrava-lhe de algum modo uma criança, desamparada e perdida no ermo da sua insuportável solidão.
Comovida, sentou-se ao lado dele, e embalou-o como uma mãe aflita, estendendo-lhe o seu lenço de cambraia bordado com o monograma MªA, de Maria do Amparo e não Brigite, lembrando-se de súbito, ao olhar as letras entrelaçadas, que perdera a conta aos anos que já não ouvia ninguém tratá-la dessa maneira, e murmurou-lhe ao ouvido, pronto, pronto, pronto, sossegue, foi uma história com final feliz, até que ele conseguiu abrir caminho para deixar as palavras saírem-lhe da boca, num desabafo torrencial que a colheu de surpresa:
— Eu não podia, eu não posso! Sabe há quanto tempo não tenho uma mulher nos meus braços? Há mais de vinte anos anos, quando a minha filha nasceu e a Astrid ficou tão doente, tão doente, pensámos que morria. Não morreu, mas ficou com tanto ódio. Tanta raiva. Ainda hoje pensa que durante a gravidez, a nossa pobre filha, a Alicinha, lhe devorou as entranhas. E não foram só as entranhas, o peito, um deles, ah, meu Deus! O que ela sofreu, temos quartos separados, foi uma paixão tão grande, quando a conheci contei-lhe uma história, ela é norueguesa e odiava Portugal…
Falava aos arranques, como se extirpasse do peito infetado, por entre dores insuportáveis, uma alga tentacular carregada do veneno das suas memórias tristes. Havia duas princesas na vida daquele homem. Uma feita de neve, outra de carne e osso. Ele magoara as duas, de morte. Sem querer, e sem poder fazer nada. A primeira acusava-o, silenciosamente, de ter pacto no mal que lhe minara o corpo. Não tinha sido um bebé a roer-lhe o ventre e os seios, como é evidente, mas Astrid quis aliviar o peso da sua tragédia, fazendo do marido e da filha cúmplices do que lhe acontecera.
— Ia acabando por destruir a Alice. A minha filha, a Alicinha estava a morrer de fome quando fomos para Luanda, tinha 14 anos, ia fazer 15, pesava o mesmo que aos dez anos.
Camas separadas. Quartos separados. Vidas separadas.
— Nunca mais lhe pude tocar.
Loira, bela, inacessível, Astrid… e tão ferida, rasgada, no seu corpo terrestre de deusa.
— Fui com ela a vários médicos, explicaram-lhe que não tinha nada a ver com a gravidez, nem com o parto, e que, apesar das operações, ela tinha tido uma sorte imensa, e que podia voltar a ter uma vida quase normal, de casada, quero dizer. Mas nem queria ouvir, não queria simplesmente ouvir, rasgou as fotografias todas que eu lhe fiz, eu não sou esta, eu não sou esta, eu já não sou esta que tu conheceste.
Amália.
— Eu quis aquela mulher desde que a vi. Era deslumbrante, tão cheia de vida, a Amália… eu fotografo nus, há muito tempo, eu preciso do corpo da mulher, Brigite, mas nunca tocava em ninguém, acho uma deslealdade, a Astrid não tem culpa, e eu…
Amália.
— Às vezes pensava que se tudo tivesse sido diferente, podia ter-me casado com uma rapariga daquelas, com um coração pronto a explodir de alegria, uma mulher morena como a nossa terra, Brigite, sem nostalgia de neves e gelos, com braços feitos para abraçar a vida, para afagar crianças, para me embalar a mim.
O Jardim Secreto. O poiso dos sonhos. O pequeno paraíso onde dezenas, centenas, de fotografias pairam exaltando o corpo da mulher, imagens carregadas de desejo, estáticas, imóveis, luminosas para sempre.
— Mas eu não podia, eu não posso… era trair as duas, era trair-me a mim, depois perdia-me de uma vez por todas na minha galeria de espelhos, e ficava sem saber o caminho de volta, meu Deus! estou tão sozinho, tão sozinho.
No dia seguinte, Brigite recebeu um ramo descomunal de gerberas cor de fogo e cor de açafrão, numa mistura cromática perfeita, acompanhadas de uma pequena carta, onde António Henrique lhe agradecia o apoio inexcedível do seu ombro. Não o voltou a ver. Meses mais tarde, quando fez anos, convidou-o para a sua festa, na casa da Lapa. António Henrique fez chegar às suas mãos um ramo de tulipas de cor púrpura, quase negra, e uma pulseira de rubis da Índia, com um cartão onde se desculpava por não poder estar presente, prometendo visitá-la em breve.
incêndio do Chiado 1988
Às vezes, Brigite perguntava por ele ao seu amigo Jorge, que aparecia para jogar. Jorge, contudo, também já não estava com António Henrique há bastante tempo. No final dos anos 80, mais ou menos na altura em que Brigite resolveu encerrar, de vez, as portas do seu Salão, o Chiado sofreu um incêndio brutal. E ela soube que o estúdio de fotografia do engenheiro da casa dos óculos, o antigo amor de Amália, ardera por completo. Sentiu uma estranha aflição. Mal chegara a conhecê-lo, e contudo, conhecera-o tão bem. Provavelmente, num fim de tarde que se estendera pela noite, chegara a conhecê-lo melhor do que todos os que o rodeavam.
Depois, soube que ele tinha morrido.
Um dia, disse ao seu amigo Jorge, que numa das últimas sessões de jogo no Casino ganhara uma quinta, no Douro:
— Se conhecer a filha do engenheiro, aquele seu amigo que fazia fotografia e vendia óculos, traga-ma. Gostava de falar com ela. Pode ser que lhe dê informações que a ajudem na vida.
— Não me diga. Afinal, não vai despedir as putas e fechar os salões?
Brigite levantou-lhe a mão:
— Se estivesse mais perto, levava um par de estalos que não lhe passa pela cabeça. Não se faça de parvo, não lhe acho graça nenhuma quando se põe com essas coisas. Tome nota. Se um dia conhecer a rapariga, não se esqueça do que lhe disse. Eu gostava muito daquele homem. Tenho pena de o ter conhecido tão tarde e por tão pouco tempo. Talvez possa ajudar a filha dele.
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(pp. 367-376 do livro Jardins Secretos de Lisboa, de Manuela Gonzaga, Gradiva 2026.)