Baralho de Cartas 36

Baralho de Cartas 36 Tropecei na tua frase “o tempo morto arrancado como dente podre”, um minuto antes de abrir a boca ao dentista. Enquanto as suas mãos de luvas suaves se empenham em perfurar o meu osso maxilar, imagino obras em andamento, terras a serem rebentadas, barrigas de baleia esventradas, mandíbulas de tubarão que são estruturas cartilagem, não osso. Confirmo que o cheiro do próprio sangue não perturba tanto como o dos outros.

Mukanda

01.09.2026 | por Marta Lança