Prefácio a uma Antologia do Conto Angolano

Prefácio a uma Antologia do Conto Angolano De literatura emergente e de combate, a literatura angolana de ficção é hoje uma literatura com uma pujança e uma modernidade que a edição, a crítica, os estudos universitários e a fortuna de leitores têm vindo a solidificar e a confirmar. Jovem, é certo, se comparada com outras – mas literatura com estórias para contar. Estórias vivas – e muitas! –, cheias de gente dentro – com seus dramas, suas alegrias, seus casos e magias, seu(s) humor(es).

06.09.2010 | por Zetho Cunha Gonçalves

O cão, os caluandas e um autor em cima da árvore - pequenas ousadias sobre o texto de Pepetela

O cão, os caluandas e um autor em cima da árvore - pequenas ousadias sobre o texto de Pepetela Que verdade pretende o texto de Pepetela ao desnudar questões fundamentais relacionadas ao projeto de reconstrução da nacionalidade? Que verdade lê seu leitor? Fazemos aqui um parênteses para destacar um outro núcleo de que se compõe, ainda, a novela O Cão e os Caluandas, uma narrativa em paralelo à história levantada pelo autor-personagem: o diário de uma menina, dona e amiga do cão pastor-alemão. Esse diário descreve uma buganvília crescendo sem parar e sufocando tanto quanto a nova ordem e os valores que se instalam entre os caluandas no período pós-independência.

05.09.2010 | por Edna Bueno

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - 2

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - 2 Felizmente, a literatura caboverdiana logrou superar, e com inegável sucesso, as reais e supostas crises de identidade que marcaram o processo da sua emergência, da sua autonomização e da sua consolidação como sistema literário, aliás concomitantes com a constituição histórica do povo que lhe vem servindo de esteio e com o processo, ainda em curso, se bem que acelerado, da sua plena consolidação como nação crioula soberana, sendo notáveis a pluralidade de estéticas e de estilos que caracterizam a nossa contemporaneidade literária e o pleno e descomplexado exercício da liberdade de criação que esse estado plural das coisas estéticas vem propiciando ao labor dos escritores caboverdianos.

04.09.2010 | por José Luís Hopffer Almada

21 MC

21 MC O projecto é de S. Francisco. Yego Moravia e Emeka Alams vêem na herança cultural e ascendência africanas matéria substancial para reforçar o movimento “black and proud”. Desta aposta nasceu a "21st Century Maroon Colony: roupa com raça".

03.09.2010 | por Carla Isidoro

"O outro pé da sereia": o diálogo entre história e ficção na representação da África contemporânea

"O outro pé da sereia": o diálogo entre história e ficção na representação da África contemporânea O texto consiste em uma análise de "O outro pé da sereia", de Mia Couto, focalizando o diálogo entre a história e a ficção, no intuito de mostrar o tratamento dado pelo autor às principais questões do mundo contemporâneo: a identidade, o sentido de pertencimento, o pós-colonialismo e o choque entre culturas. Ao fazê-lo, Mia busca desconstruir os arquétipos acerca da África e seus povos.

31.08.2010 | por Shirley de Souza Gomes Carreira

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - parte 1

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - parte 1 A experiência poética universalizante valeu ao poeta João Vário a ostracização por parte da generalidade dos literatos e ensaístas nacionalistas e teluricistas caboverdianos da sua geração e da geração seguinte.

31.08.2010 | por José Luís Hopffer Almada

"Queremos um tsunami!", a voracidade de Miguel Gullander

"Queremos um tsunami!", a voracidade de Miguel Gullander São pois o cepticismo e ironia que prefazem a linguagem de "Perdido de Volta" de Miguel Gullander, onde não há heróis e todos são traídos, acusados pelas suas máscaras e papéis sociais: drogados, ambientalistas, bancários, salvadores hipócritas do Terceiro Mundo. O tom de denúncia dirige-se também à indústria do desenvolvimento, disfarçada de razões humanitárias mas sempre de olho no negócio em África, que continua a exportar fileiras de jovens ocidentais à procura de experiências exóticas e que, além dos objectivos carreiristas, vivem África como um “campo de férias” sem alcançar nada da sua profundidade e complexidade.

31.08.2010 | por Marta Lança

No coração dos Andes há um país cuja selecção nacional mais parece de uma nação africana

No coração dos Andes há um país cuja selecção nacional mais parece de uma nação africana  Além fronteiras, a imagem de marca é a de um Equador andino, de rasgos índios e de um paraíso natural chamado Galápagos, ilhas justamente consideradas uma das reservas naturais mais bonitas do mundo. No entanto, há um Equador de cor negra e ritmos africanos que ainda tende a ficar esquecido.

30.08.2010 | por Sílvia Norte

Fala i Storias - Conversas e histórias de mulheres

Fala i Storias - Conversas e histórias de mulheres É a singularidade de cada história, relatada na primeira pessoa, que permite chegar ao colectivo das histórias de vida de mulheres guineenses – e, até, da História do país. Histórias de valência e sobrevivência – seja o relato da jovem que foge com a filha à guerra civil de 98; ou a história de algumas das muitas ex-combatentes que Amílcar Cabral reconheceu mas a História ainda não fixou; ou ainda a realidade, hoje na Guiné-Bissau, de uma prática como a mutilação genital feminina.

27.08.2010 | por Sandra Oliveira

A transição de Neto a dos Santos: os discursos presidenciais sobre as relações internacionais de Angola e o conflito com a UNITA (1975-1988)

A transição de Neto a dos Santos: os discursos presidenciais sobre as relações internacionais de Angola e o conflito com a UNITA (1975-1988) pretende-se fazer um balanço dos discursos feitos por Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola e do MPLA e, posteriormente, por seu sucessor José Eduardo dos Santos, naquilo que tange as relações internacionais de Angola, e o conflito com a UNITA – desde o momento da proclamação da independência, em 1975, até a assinatura dos Acordos de Nova Iorque, em 1988.

23.08.2010 | por Kelly Araújo

Da colonização à convivência

Da colonização à convivência Não existe verdadeiramente “consciência lusófona”, excepto talvez nalguns intelectuais ou políticos. O angolano ou o moçambicano médio, mesmo artista ou universitário, nunca utilizará esta palavra para se definir, enquanto para um africano francófono, o termo “francofonia” tem significado, e até uma dimensão política supranacional.

23.08.2010 | por Ariel de Bigault

Os retornados estão a abrir o baú

Os retornados estão a abrir o baú Foi preciso esperar mais de 30 anos para que as feridas abertas pelo retorno dos colonos em África começassem a sangrar. Muitos decidiram agora escrever sobre o estigma de "retornado". Fundamental para se perceber o que é ser português, hoje

19.08.2010 | por Raquel Ribeiro

Os processos socio-históricos em acção nas artes contemporâneas africanas

Os processos socio-históricos em acção nas artes contemporâneas africanas Dak’Art deve ampliar o seu público e aliar-se cultural e artisticamente à América do Sul, para inscrever as artes contemporâneas africanas num contexto global, numa abordagem prospectiva cuja aposta é conseguir desbloquear e alargar a esfera de produção e de visibilidade das artes contemporâneas africanas.

12.08.2010 | por Boubacar Traoré

Sangare Okapi – e a revisitação do corpo literário moçambicano em “Mesmos Barcos”

Sangare Okapi – e a revisitação do corpo literário moçambicano em “Mesmos Barcos” Embora com toda a violência da ditadura salazarista e a indefectível mentira do império ultramarino, os poetas moçambicanos procuraram desconstruir os cânones impostos pelo colonizador europeu enaltecendo, por meio do verbo poético, o chão moçambicano e a pluralidade étnica. Rui Knopfli, Noémia de Sousa, José Craveirinha, Virgílio de Lemos, Fernando Couto e, nos primórdios, no século XIX, Campos Oliveira. A partir de um Índico hibridizado, confluente oriente/ocidente, denota-se a busca identitária.

09.08.2010 | por Ricardo Riso

Representações da África e dos africanos nos séculos XIX e XX - a evolução no campo do marxismo

Representações da África e dos africanos nos séculos XIX e XX - a evolução no campo do marxismo De Hegel a Lenine, o capitalismo sofre mutações, assim como a situação africana e a luta no terreno dos povos africanos contra os colonizadores. Vimos como a África e os africanos passaram de objectos a sujeitos no pensamento marxista. A partir de quando, e de que forma, o marxismo passou a ser um sujeito em África?

07.08.2010 | por Cristina Portella

“Os pedaços de madeira de Deus" de Ousmane Sembene

“Os pedaços de madeira de Deus" de Ousmane Sembene Cinco meses de dúvidas, de miséria, mas cinco meses de partilha e de luta. Luta contra o mundo colonial, brutal e completamente ultrapassado pelo formidável espaço de democracia que se cria diante dele, ultrapassado pelo entusiasmo popular pela luta e cuja única resposta, antes de admitir por fim a sua derrota, será a recusa de negociar e a violência. Mas se o texto é tão forte, é porque ele ultrapassa o âmbito espácio-temporal da África e nos mostra o que o homem é capaz de fazer, de criar por um ideal, pelo que ele considera justo para a sua família, para si próprio e para as gerações futuras.

27.07.2010 | por Pierre Gomel

Literaturas emergentes, identidades e cânone

Literaturas emergentes, identidades e cânone O conceito de literaturas emergentes surgiu nas últimas décadas como consequência das chamadas teorias pós-coloniais e alargou-se, por influência da poderosa academia norte-americana, tanto às denominadas literaturas de minorias (étnicas, de género, de orientação sexual), como às literaturas formadas no interior dos processos de colonização e descolonização, independentemente das características destes.

06.07.2010 | por Fátima Mendonça

Reverberações lusotropicais: Gilberto Freyre em África 2

Reverberações lusotropicais: Gilberto Freyre em África 2 Mal ou bem eis os alicerces conceptuais daquilo que seria, após as independências africanas, a lusofonia, cujas linhas de força e definição são ainda objecto de debate. Gilberto Freyre destacou o papel de Portugal na construção de um espaço cultural comum lusotropical, sem perder de vista o protagonismo presente e futuro do Brasil naquele espaço faltando-lhe, no entanto, uma visão mais clara acerca da evolução e o papel a desempenhar por parte dos futuros países africanos. O seu legado ainda hoje reverbera na tentativa de construção de comunidades linguísticas e culturais numa era ambivalentemente pós-colonial, de processos híbridos intensificados e globalização acelerada.

28.06.2010 | por Fernando Arenas

Ser curandeiro em Moçambique: uma vocação imposta?

Ser curandeiro em Moçambique: uma vocação imposta? Em Moçambique, como em vários outros países de diferentes continentes, os “médicos tradicionais” ou “curandeiros” assumem um papel central quer na prestação de cuidados de saúde, quer na regulação da incerteza e dos problemas sociais dos seus utentes. Esses terapeutas são normalmente chamados tinyanga (sing. nyanga) no sul do país e, de acordo com as teorias locais, devem os seus poderes curativos, divinatórios e de eficácia ritual ao facto de serem possuídos por espíritos de defuntos, que com eles formam uma simbiose profissional e ontológica (Honwana 2002).

25.06.2010 | por Paulo Granjo

O sentido comunitário na narrativa africana: o caso de Moçambique

O sentido comunitário na narrativa africana: o caso de Moçambique O sentido comunitário sofreu abalos provocados pela ordem avassaladora da modernidade tecnológica e cultural assimilada, quando não imposta, a partir dos centros difusores do Ocidente, mas é reconhecível - nas práticas do quotidiano, no imaginário e nas criações artísticas - uma ideia de comunhão de origens atracada a formas tradicionais de existência. Na narrativa africana, onde ainda se observa a ressonância de elementos estruturantes de convivência social, de marcas profundas de oralidade, de práticas de partilha de espaços e de bens, e de consciência de pertença a um destino comum, o sentido comunitário da existência impõe-se.

24.06.2010 | por Francisco Noa