“Os pedaços de madeira de Deus" de Ousmane Sembene

“Os pedaços de madeira de Deus" de Ousmane Sembene Cinco meses de dúvidas, de miséria, mas cinco meses de partilha e de luta. Luta contra o mundo colonial, brutal e completamente ultrapassado pelo formidável espaço de democracia que se cria diante dele, ultrapassado pelo entusiasmo popular pela luta e cuja única resposta, antes de admitir por fim a sua derrota, será a recusa de negociar e a violência. Mas se o texto é tão forte, é porque ele ultrapassa o âmbito espácio-temporal da África e nos mostra o que o homem é capaz de fazer, de criar por um ideal, pelo que ele considera justo para a sua família, para si próprio e para as gerações futuras.

27.07.2010 | por Pierre Gomel

Literaturas emergentes, identidades e cânone

Literaturas emergentes, identidades e cânone O conceito de literaturas emergentes surgiu nas últimas décadas como consequência das chamadas teorias pós-coloniais e alargou-se, por influência da poderosa academia norte-americana, tanto às denominadas literaturas de minorias (étnicas, de género, de orientação sexual), como às literaturas formadas no interior dos processos de colonização e descolonização, independentemente das características destes.

06.07.2010 | por Fátima Mendonça

Reverberações lusotropicais: Gilberto Freyre em África 2

Reverberações lusotropicais: Gilberto Freyre em África 2 Mal ou bem eis os alicerces conceptuais daquilo que seria, após as independências africanas, a lusofonia, cujas linhas de força e definição são ainda objecto de debate. Gilberto Freyre destacou o papel de Portugal na construção de um espaço cultural comum lusotropical, sem perder de vista o protagonismo presente e futuro do Brasil naquele espaço faltando-lhe, no entanto, uma visão mais clara acerca da evolução e o papel a desempenhar por parte dos futuros países africanos. O seu legado ainda hoje reverbera na tentativa de construção de comunidades linguísticas e culturais numa era ambivalentemente pós-colonial, de processos híbridos intensificados e globalização acelerada.

28.06.2010 | por Fernando Arenas

Ser curandeiro em Moçambique: uma vocação imposta?

Ser curandeiro em Moçambique: uma vocação imposta? Em Moçambique, como em vários outros países de diferentes continentes, os “médicos tradicionais” ou “curandeiros” assumem um papel central quer na prestação de cuidados de saúde, quer na regulação da incerteza e dos problemas sociais dos seus utentes. Esses terapeutas são normalmente chamados tinyanga (sing. nyanga) no sul do país e, de acordo com as teorias locais, devem os seus poderes curativos, divinatórios e de eficácia ritual ao facto de serem possuídos por espíritos de defuntos, que com eles formam uma simbiose profissional e ontológica (Honwana 2002).

25.06.2010 | por Paulo Granjo

O sentido comunitário na narrativa africana: o caso de Moçambique

O sentido comunitário na narrativa africana: o caso de Moçambique O sentido comunitário sofreu abalos provocados pela ordem avassaladora da modernidade tecnológica e cultural assimilada, quando não imposta, a partir dos centros difusores do Ocidente, mas é reconhecível - nas práticas do quotidiano, no imaginário e nas criações artísticas - uma ideia de comunhão de origens atracada a formas tradicionais de existência. Na narrativa africana, onde ainda se observa a ressonância de elementos estruturantes de convivência social, de marcas profundas de oralidade, de práticas de partilha de espaços e de bens, e de consciência de pertença a um destino comum, o sentido comunitário da existência impõe-se.

24.06.2010 | por Francisco Noa

Cultura: importa o local de fala?

Cultura: importa o local de fala? Entendemos que o processo de formação subjetiva a partir das manifestações culturais oriundas dos afro-brasileiros deve considerar a dor pela qual os seus atores passaram na constituição deste legado histórico para que não se caia em leituras que as transformem em mais um elemento de massificação.

23.06.2010 | por Muleka Mwewa

Políticas de Juventude e Cultura

Políticas de Juventude e Cultura Desenvolver políticas de valorização do artista para evitar que um jovem pintor tenha que vender seus quadros para poder comprar tintas e pincéis para pintar novo quadro. Outro ciclo vicioso a ser quebrado é o do jovem talentoso que não consegue fazer uma exposição por não ser conhecido e não ser reconhecido por não fazer exibições.

22.06.2010 | por Odair Varela

Pode um homem angolano, militar das forças armadas, herói da batalha do Cuito Cuanavale, ser feminista?

 Pode um homem angolano, militar das forças armadas, herói da batalha do Cuito Cuanavale, ser feminista? “Em Angola a mulher participou lado a lado com o homem na tarefa de luta pela independência nacional com a mesma coragem e passando pelos mesmos sacrifícios que os seus companheiros homens. (...) fardada com rigor militar, a cumprir as mais diversas missões, mesmo a mais arriscadas."

22.06.2010 | por Margarida Paredes

Reprimindo demónios do passado: a reinserção identitária africana e racial nas representações

Reprimindo demónios do passado: a reinserção identitária africana e racial nas representações Como tem sido produzida a identidade do africano na história, qual é o papel dos media nas novas percepções, representação e discurso sobre os africanos e negros? A globalização cultural traz novos modos de representação identitária que vão para além do que é visível, englobando aspectos simbólicos e de fraternidade em relação às diferentes raças. As identidades visíveis entram num caos globalizado.

19.06.2010 | por Gerson Geraldo Machevo

Uma segunda parte para Nelson Mandela

Uma segunda parte para Nelson Mandela A África do Sul está com os nervos à flor da pele. Não é fácil jogar a sua reputação e a de um continente inteiro num simples torneio desportivo, por mais prestigiante que seja. Sente-se obscenamente observada e sabe que não lhe será perdoado nenhum erro. Nunca foram tão obstinadamente postas em dúvida, muitas vezes a partir de simples preconceitos, as capacidades do país anfitrião. Relato de uns dias antes de começar o Mundial.

17.06.2010 | por Boubacar Boris Diop

Todos iguais em África? Não, todos diferentes

Todos iguais em África? Não, todos diferentes No triângulo Europa-América-África da lusofonia, há um elo mais fraco. Os africanos vivem um período de afirmação da língua portuguesa como língua identitária e serão tanto mais iguais quanto forem diferentes.

17.06.2010 | por Susana Moreira Marques

Sinal d'Amor pa B.Léza

Sinal d'Amor pa B.Léza A jornalista paulista Gláucia Nogueira escreveu "O Tempo de B.Léza – Documentos e Memórias", um trabalho de pesquisa de documentos, discografia, entrevistas e episódios da vida do trovador e compositor B.Léza. O professor caboverdiano Brito Semedo comenta o livro. Nós confirmamos: meio século depois, B.Léza, continua a encantar com as suas mornas e serenatas.

14.06.2010 | por Brito Semedo

Guiné-Bissau: se um barco atracasse

Guiné-Bissau: se um barco atracasse Foi o ano passado durante a campanha para a segunda volta das presidenciais na Guiné Bissau. O povo rejeita a violência e teme os militares e o poder do narcotráfico. Impressiona quem chega ao país cheio de preconceitos construídos com base nos ecos do que o mundo diz sobre a Guiné-Bissau, um povo “injustamente rotulado de violento devido à imagem que um grupo restrito de políticos e militares passa lá para fora”, remarca a activista Macária Barai. O jornalista angolano Pedro Cardoso foi lá registar o ambiente que se vivia.

12.06.2010 | por Pedro Cardoso

“Ouçam: a questão já não é a cor da pele!”

“Ouçam: a questão já não é a cor da pele!” O homem que compra bananas no mercado do Soweto está cansado de ouvir falar em tensões raciais na África do Sul. Na África do Sul, em 2010, há brancos com medo e negros com discursos de ódio? Há. Há também negros com medo e brancos com discursos de ódio. Nem uns nem outros são a maioria.

10.06.2010 | por Miriam Alves

O caçador de diamantes

O caçador de diamantes O subsolo da Guiné-Conakry é rico em diamantes e ouro. Acima do solo quase metade da população vive abaixo do nível de pobreza. Um português aliou-se a um guineense para caçar riquezas no coração da África Ocidental.

06.06.2010 | por Cândida Pinto

África em mim

África em mim Em qualquer lado onde se busque a influência política constata-se um vazio ideológico que castra ou mesmo mantém o país aquém do nosso verdadeiro potencial. Qualquer debate nesse sentido é permeado por falsas questões, negação e verdadeiros "braços de ferro" onde todos perdem. A questão do crioulo é um desses tabus que estamos a criar e que remetem para a questão África vs Europa e da identidade. Falsa questão!

02.06.2010 | por Amílcar Aristides Monteiro

GAR

GAR “Geo-archaeological research” (GAR) é uma investigação que teve início em Weimar, Alemanha, e que apresenta já outras fases e locais de pesquisa e trabalho de campo. Esta investigação tenta compreender determinados fenómenos geológicos intercontinentais, propondo a hipótese de uma falha geológica na Europa com várias outras repercussões.

28.05.2010 | por Tânia da Fonte

“Crioulo”: usar com cuidado

“Crioulo”: usar com cuidado Os Crioulos são línguas plenas, com um grau de complexidade, de dinamismo e de eficácia que em nada as distingue das restantes línguas naturais, como o Português, Inglês, Japonês ou outra, cujos recursos infinitos garantem a total satisfação das necessidades de comunicação dos seus falantes. Apesar disso, ainda vão existindo demasiados equívocos quanto à competência destas línguas, nascidas há poucas centenas de anos do contacto entre línguas europeias e africanas.

28.05.2010 | por Fernanda Pratas

Sítios e instituições de memória do mundo negro

A história de África subsaariana foi marcada, por volta do fim do primeiro milénio da nossa era, por um interminável movimento de deportação de mão-de-obra cativa, embarcada ao longo da costa suaheli para o intra ou o além-Oceano Índico. Este fenómeno de expatriação forçada e de submissão social teria a sua réplica nas regiões sahelianas ou sub-sahelianas, onde centenas de milhares de homens, de mulheres e de crianças seriam instalados no setentrião do continente.

27.05.2010 | por Simão Souindoula

Entre o movimento negro e marxismo: genealogia intelectual de uma época

Entre o movimento negro e marxismo: genealogia intelectual de uma época É útil traçar uma genealogia do internacionalismo negro para ajudar perceber o processo da sua formação. As independências de África, além da acção de africanos e africanos na diáspora, devem-se a um conjunto de mudanças estruturais. Se colocarmos a emergência do internacionalismo negro numa perspectiva mais vasta isso permitir-nos-á compreender a mudança de paradigma operada entre os finais do séc. XIX e princípios do séc. XX.

22.05.2010 | por António Tomás