Murmúrios do espio: uma leitura sobre o olhar marginal e exilado da escrita de lídia jorge e suas personagens femininas em "A Costa dos Murmúrios"

Murmúrios do espio: uma leitura sobre o olhar marginal e exilado da escrita de lídia jorge e suas personagens femininas em "A Costa dos Murmúrios" Parte-se do pressuposto que o Romance de Lídia Jorge A costa dos Murmúrios, apresenta uma escrita pós-colonial e um posicionamento político feminino em relação à Guerra Colonial de Portugal na África. Assim, o artigo apresenta um breve resumo da obra, para, em seguida, desenvolver questões sobre o posicionamento social das personagens exiladas; depois comentar a vivência da escritora como mulher e exilada e, finalmente, tecer comentários sobre o seu lugar de fala e propósito da obra. Em suma, o artigo pretende interpretar o texto de Lídia Jorge, considerando sua vivência de exílio e relacioná-la ao seu posicionamento político no momento da escritura do romance.

27.10.2010 | por Sumaya Machado Lima

Muros

Muros Quando o Muro de Berlim foi derrubado, quiseram vender-nos a estória de que as barreiras, as fronteiras que dividiam o mundo estavam definitivamente deitadas abaixo. A Nova Ordem Mundial pós-muro seria a da livre circulação das pessoas, das ideias, das mercadorias e da economia mundial globalizada. Doce ilusão.

24.10.2010 | por Luís Leiria

Entre as palavras e memória: o grito silenciado da Guiné Equatorial

Entre as palavras e memória: o grito silenciado da Guiné Equatorial Num país sem imprensa, sem editoras, sem livrarias, em que as bibliotecas existentes são coordenadas pelas cooperações estrangeiras, em que o analfabetismo atinge valores altíssimos, em que os intelectuais sofrem acções persecutórias não é de estranhar esta situação e ainda se estranha menos que acabem escrevendo e publicando no estrangeiro, mesmo quando não abdicam de viver em solo pátrio. Se bem que recente, a sua produção literária já apresenta diversidade tanto em termos de géneros, como de estilos, de conteúdos e de gerações em escrita.

22.10.2010 | por Cátia Miriam Costa

O ensino das Literaturas Africanas e Afro-Brasileira e os desafios à práxis educacional e à promoção humana na contemporaneidade

O ensino das Literaturas Africanas e Afro-Brasileira e os desafios à práxis educacional e à promoção humana na contemporaneidade Discorremos neste texto sobre implicações diversas que a colonização portuguesa legou, sobretudo ao Brasil, e algumas de suas injunções à África em termos literários, bem como o surgimento de uma literatura híbrida e centrada, através de forte viés histórico, em fatos oriundos da colonização de negros africanos.

22.10.2010 | por Robson Dutra

Representações de África na National Geographic

Representações de África na National Geographic Os artigos da National Geographic têm um sentido imperialista, onde se representa sempre um “outro”, sendo esse outro o oposto aos Estados Unidos. A representação que vários artigos e fotos da National Geographic fazem sobre África segue um padrão que representa uma alteridade selvagem versus um mundo civilizado. Esta representação de África cria uma imagem de África como um lugar onde as pessoas podem ir de safari, procurar a exploração e a aventura.

18.10.2010 | por Andrés Cartagena Troche

O ensino de cultura afro-brasileira no Brasil

O ensino de cultura afro-brasileira no Brasil Com a nova lei, os conteúdos curriculares devem abordar a História da África e dos Africanos, considerando a luta dos negros no Brasil, a cultura negra e o(a) negro(a) na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição que deram para o desenvolvimento e crescimento das áreas social, econômica e política, tendo em vista uma educação que articule a garantia dos direitos sociais e o respeito aos direitos humanos.

12.10.2010 | por Shirlei C. Victorino

Literatura oral, performance, memória, multimédia e internet: que relação?

Literatura oral, performance, memória, multimédia e internet: que relação? Dados à estampa em 2010 e referindo-se ao ano de 2008, os Cahiers de Littérature Orale dedicam os seus números 63 e 64 a estas questões: performance, memória, multimédia e internet. Coordenados por Brunhilde Biebuyck, Sandra Bonard e Cécile Leguy e dirigidos por Geneviève Calame-Griaule, estes cadernos têm-se afirmado como uma das mais importantes revistas dentro do panorama da literatura oral, convidando especialistas de várias áreas, com especial ênfase para a literatura, a linguística e a antropologia, com o objectivo de reflectir sobre os desafios que esta disciplina em geral tem vindo a enfrentar.

27.09.2010 | por Cátia Miriam Costa

História, identidade e afro-descendência

História, identidade e afro-descendência Argumentos que são resíduos da história recente do continente ditada e escrita pelo Ocidente. Esquecem-se que a população deste continente foi pioneira na história da humanidade em conceber estruturas sociais, económicas e políticas que possam garantir o máximo em termos de sobrevivência humana no contexto de uma natureza material e humana adversa. Estruturas estas ainda prevalentes e que fizeram com que África sobrevivesse à catástrofe do tráfico atlântico de escravos e à ocupação colonial.

14.09.2010 | por Aida Gomes

Um ‘grito abafado’ por ‘ovos metálicos que explodem’: a influência nefasta da guerra na poesia de E. Bonavena e na pintura de Pablo Picasso

Um ‘grito abafado’ por ‘ovos metálicos que explodem’: a influência nefasta da guerra na poesia de E. Bonavena e na pintura de Pablo Picasso Picasso permaneceu na Europa durante a 2ª Guerra Mundial, legou à Humanidade diversas obras detentoras de um expressionismo exorbitante, agrupadas sob a alcunha “Anos de Guerra” (War Years – 1937/1945), sendo o ápice dessa fase o mural “Guernica” (1937). E. Bonavena, pseudônimo literário de Nelson Pestana, em seu livro de poesia "Os limites da luz", brinda-nos com poemas produzidos na diáspora europeia carregados em reminiscências, sonhos e erotismo para propalar o extravio das esperanças angolanas mediante a barbárie de tantos anos de guerra civil angolana.

14.09.2010 | por Ricardo Riso

“Koração lá e korpo ká em Pretugal”. Entre a mestiçagem e a afirmação da negritude

“Koração lá e korpo ká em Pretugal”. Entre a mestiçagem e a afirmação da negritude Propus-me conhecer os modos de sociabilidade dos jovens Red Eyes Gang, um grupo da Arrentela, Seixal, periferia de Lisboa. A maior parte dessa juventude é constituída por filhos de imigrantes africanos dos países que foram outrora colónias portuguesas e vivem em condições sócio-económicas bastante abaixo dos parâmetros portugueses. Todos nasceram ou vieram muito novos para Portugal, não conhecendo os países de origem dos pais. No entanto, a estigmatização e o racismo a que estão sujeitos fazem com que se apropriem de algumas das heranças étnicas e culturais para reelaborarem a sua condição de pobres e negros. Não reproduzem mecanicamente o modo de vida e as referências étnicas das suas famílias, mas reinventam-nas com imaginação, produzindo assim discursos positivos sobre si próprios.

11.09.2010 | por Otávio Raposo

Livro aborda conceito de raça - Brasil

Livro aborda conceito de raça - Brasil "Raça é menos um fato biológico do que um mito social e, como mito, causou severas perdas de vidas humanas e muito sofrimento em anos recentes." A declaração é de 1950, quando, no calor do pós-guerra, das lembranças recentes do Holocausto e dos ecos da política racial de Estados Unidos e África do Sul, a Unesco tentou deslanchar uma campanha mundial contra a discriminação racial.

10.09.2010 | por Vilma Homero

Prefácio a uma Antologia do Conto Angolano

Prefácio a uma Antologia do Conto Angolano De literatura emergente e de combate, a literatura angolana de ficção é hoje uma literatura com uma pujança e uma modernidade que a edição, a crítica, os estudos universitários e a fortuna de leitores têm vindo a solidificar e a confirmar. Jovem, é certo, se comparada com outras – mas literatura com estórias para contar. Estórias vivas – e muitas! –, cheias de gente dentro – com seus dramas, suas alegrias, seus casos e magias, seu(s) humor(es).

06.09.2010 | por Zetho Cunha Gonçalves

O cão, os caluandas e um autor em cima da árvore - pequenas ousadias sobre o texto de Pepetela

O cão, os caluandas e um autor em cima da árvore - pequenas ousadias sobre o texto de Pepetela Que verdade pretende o texto de Pepetela ao desnudar questões fundamentais relacionadas ao projeto de reconstrução da nacionalidade? Que verdade lê seu leitor? Fazemos aqui um parênteses para destacar um outro núcleo de que se compõe, ainda, a novela O Cão e os Caluandas, uma narrativa em paralelo à história levantada pelo autor-personagem: o diário de uma menina, dona e amiga do cão pastor-alemão. Esse diário descreve uma buganvília crescendo sem parar e sufocando tanto quanto a nova ordem e os valores que se instalam entre os caluandas no período pós-independência.

05.09.2010 | por Edna Bueno

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - 2

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - 2 Felizmente, a literatura caboverdiana logrou superar, e com inegável sucesso, as reais e supostas crises de identidade que marcaram o processo da sua emergência, da sua autonomização e da sua consolidação como sistema literário, aliás concomitantes com a constituição histórica do povo que lhe vem servindo de esteio e com o processo, ainda em curso, se bem que acelerado, da sua plena consolidação como nação crioula soberana, sendo notáveis a pluralidade de estéticas e de estilos que caracterizam a nossa contemporaneidade literária e o pleno e descomplexado exercício da liberdade de criação que esse estado plural das coisas estéticas vem propiciando ao labor dos escritores caboverdianos.

04.09.2010 | por José Luís Hopffer Almada

21 MC

21 MC O projecto é de S. Francisco. Yego Moravia e Emeka Alams vêem na herança cultural e ascendência africanas matéria substancial para reforçar o movimento “black and proud”. Desta aposta nasceu a "21st Century Maroon Colony: roupa com raça".

03.09.2010 | por Carla Isidoro

"O outro pé da sereia": o diálogo entre história e ficção na representação da África contemporânea

"O outro pé da sereia": o diálogo entre história e ficção na representação da África contemporânea O texto consiste em uma análise de "O outro pé da sereia", de Mia Couto, focalizando o diálogo entre a história e a ficção, no intuito de mostrar o tratamento dado pelo autor às principais questões do mundo contemporâneo: a identidade, o sentido de pertencimento, o pós-colonialismo e o choque entre culturas. Ao fazê-lo, Mia busca desconstruir os arquétipos acerca da África e seus povos.

31.08.2010 | por Shirley de Souza Gomes Carreira

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - parte 1

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - parte 1 A experiência poética universalizante valeu ao poeta João Vário a ostracização por parte da generalidade dos literatos e ensaístas nacionalistas e teluricistas caboverdianos da sua geração e da geração seguinte.

31.08.2010 | por José Luís Hopffer Almada

"Queremos um tsunami!", a voracidade de Miguel Gullander

"Queremos um tsunami!", a voracidade de Miguel Gullander São pois o cepticismo e ironia que prefazem a linguagem de "Perdido de Volta" de Miguel Gullander, onde não há heróis e todos são traídos, acusados pelas suas máscaras e papéis sociais: drogados, ambientalistas, bancários, salvadores hipócritas do Terceiro Mundo. O tom de denúncia dirige-se também à indústria do desenvolvimento, disfarçada de razões humanitárias mas sempre de olho no negócio em África, que continua a exportar fileiras de jovens ocidentais à procura de experiências exóticas e que, além dos objectivos carreiristas, vivem África como um “campo de férias” sem alcançar nada da sua profundidade e complexidade.

31.08.2010 | por Marta Lança

No coração dos Andes há um país cuja selecção nacional mais parece de uma nação africana

No coração dos Andes há um país cuja selecção nacional mais parece de uma nação africana  Além fronteiras, a imagem de marca é a de um Equador andino, de rasgos índios e de um paraíso natural chamado Galápagos, ilhas justamente consideradas uma das reservas naturais mais bonitas do mundo. No entanto, há um Equador de cor negra e ritmos africanos que ainda tende a ficar esquecido.

30.08.2010 | por Sílvia Norte

Fala i Storias - Conversas e histórias de mulheres

Fala i Storias - Conversas e histórias de mulheres É a singularidade de cada história, relatada na primeira pessoa, que permite chegar ao colectivo das histórias de vida de mulheres guineenses – e, até, da História do país. Histórias de valência e sobrevivência – seja o relato da jovem que foge com a filha à guerra civil de 98; ou a história de algumas das muitas ex-combatentes que Amílcar Cabral reconheceu mas a História ainda não fixou; ou ainda a realidade, hoje na Guiné-Bissau, de uma prática como a mutilação genital feminina.

27.08.2010 | por Sandra Oliveira