Alerta de crise alimentar em gestação

Alerta de crise alimentar em gestação Apesar da atual subida dos preços não ter ainda alcançado os níveis de 2008, hoje os riscos são mais elevados para as populações fragilizadas sem condições de melhorar o seu poder de compra

02.04.2011 | por Nicole Guardiola

Inês não é morta

Inês não é morta É sempre escuro no país do futuro porque falta fazê-lo, e ninguém o fará senão nós. Portanto, quanto a Atlânticos e Índicos em todas as suas margens falantes de português, acredito que Inês não é morta. Depende de haver quem fale e quem escute, como podemos escutar Lula Pena e ela ser fado, morna ou Caetano Veloso, sendo única: ela própria.

01.04.2011 | por Alexandra Lucas Coelho

Sair do paradigma da dívida, a partir da leitura de João Vário

Sair do paradigma da dívida, a partir da leitura de João Vário João Vário (João Manuel Varela, 1937-2007), poeta caboverdiano. Em toda a poesia deste autor encontramos o mesmo imenso obstáculo à decifração – perseverança na opacidade, que se gera pela reflexão que hesita e pela atenção ao que vem, o nascer do mundo, na sua irreconhecível e demasiado próxima escrita. Estamos perante uma afirmação da poesia como enigma desencadeador de enigmas, isto é, como pensamento inspirador de pensamento.

31.03.2011 | por Silvina Rodrigues Lopes

A Língua Tamazigh

A Língua Tamazigh No mundo berbere ou amazigh nunca existiu normalização e unificação linguística: não existe uma norma instituída da língua tamazight, mesmo no uso literário da mesma. Cada grupo emprega o seu ou os seus falares locais que, contudo, são usados apenas para a comunicação intra-regional. Perante esta situação de fragmentação, que provém fundamentalmente de diferentes derivações étnicas, os dados estruturais fundamentais permanecem os mesmos em todas as variedades: o grau de unidade, nomeadamente gramatical, “dos falares” berberes é de facto impressionante, tendo em conta as distâncias e vicissitudes históricas de cada um.

29.03.2011 | por Rita Damásio

Kimpa Vita, uma tragédia inacabada

Kimpa Vita, uma tragédia inacabada Na senda da sua tese de doutoramento em antropologia social, sobre os movimentos messiânicos de África subsaariana, o autor estabelece os parâmetros do quadro da inevitável continuidade histórica entre a extraordinária epopeia da jovem « apóstata » kongo (1684 – 1706) e o insuperável proselitismo no qual assistimos, actualmente, nesta parte do continente.

28.03.2011 | por Simão Souindoula

O Islão pelas terras de África

O Islão pelas terras de África Os muçulmanos são quase metade da população da Nigéria, mas na África do Sul constituem uma minoria insignificante. Na Argélia, Sudão e Somália o Islão é religião oficial e nestes três países recrudesce o terrorismo atribuído aos fundamentalistas islâmicos. Cinco casos diversos da África muçulmana.

22.03.2011 | por Nicole Guardiola e António Melo

A ínsula de Juan Tomás Ávila Laurel

A ínsula de Juan Tomás Ávila Laurel Juan Tomás Ávila Laurel escreve para o público lusófono o texto "Fomos enganados" (Nos han engañado, no original), em que, muito ao seu jeito e com toda a sua mestria literária, nos introduz na situação do seu país, a Guiné Equatorial. Recentemente, este escritor tomou um dos maiores desafios da sua vida, tendo começado em 11 de Fevereiro deste ano uma greve de fome, na cidade onde tem vivido ultimamente, Malabo, na ilha de Bioko, na Guiné Equatorial, protestando contra a visita de José Bono Martínez, presidente do Parlamento espanhol, à Guiné Equatorial.

22.03.2011 | por Cátia Miriam Costa

O grande medo do Ocidente

O grande medo do Ocidente Demasiado pouco, demasiado tarde? Até onde irá a revolta? Que regimes irão emergir deste tsunami? Será ainda possível impedir os falcões israelitas de lançar uma guerra preventiva? Será a Turquia ou o Irão o modelo das próximas revoluções? Perguntas por agora sem resposta, porque os jovens já não acreditam na capacidade e vontade dos Estados Unidos e da União Europeia para pôr termo ao conflito israeloárabe, e promover o desenvolvimento e uma nova ordem na região. Mesmo que quisessem.

19.03.2011 | por Nicole Guardiola

Kikulacho kimo maungoni mwako: Kanga, da tradição à contemporaneidade

Kikulacho kimo maungoni mwako: Kanga, da tradição à contemporaneidade   Capulana no sul de Moçambique, Kanga no Quénia e Zanzibar, pagne no Congo e Senegal, lappa na Nigéria, leso em Mombaça. Um pano rectangular geralmente de 150 cm por 110 cm, estampado industrialmente em toda a sua superfície e que se diferencia de país para país pelos motivos africanos de cores contrastantes, formas antropomórficas, zoomórficas ou abstractas e padrões geométricos e figurativos variáveis que ilustram a cultura, a tradição, a contemporaneidade, os rituais, as ideias, a emoção, o silêncio, a revolta, a luta, a paixão. As Kangas são a “voz do silêncio feminino” (Beck, 2005).

08.03.2011 | por Sofia Vilarinho

Conspirações de Silêncio: Portugal e o fim do império colonial

Conspirações de Silêncio: Portugal e o fim do império colonial   As versões públicas autorizadas que sancionam o esquecimento destes passados por via da sua integração intencional num esquema de recordação abrangente e trivial, bem como os pactos de silêncio que se mantêm no tecido social, são destabilizados por incómodas e imprevistas erupções da memória que trazem à superfície as ambiguidades dos legados problemáticos.

06.03.2011 | por Elsa Peralta

Poderá o Ocidente aprender?

Poderá o Ocidente aprender? Vista do Fórum Social Mundial, a crise do Norte de África significa o colapso da segunda fronteira da Europa desenvolvida. A primeira é constituída pela Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda. Com as duas fronteiras em crise, o centro torna-se frágil. dez anos depois de o FSM ter alertado para a situação, o Fórum Económico Mundial (FEM), reunido há semanas em Davos, veio declarar que o agravamento das desigualdades sociais é o risco mais grave (mais grave que o risco da degradação ambiental) que o mundo corre nas próximas décadas. O que o FEM não diz é que tal risco decorre das políticas económicas que ele defendeu, ao longo de toda a década. Como um bom clube de ricos, pode ter assomos de má consciência, mas não pode pôr em causa a sua escandalosa acumulação de riqueza.

27.02.2011 | por Boaventura de Sousa Santos

Luandino Vieira

Luandino Vieira Luandino Vieira é caso paradigmático do divórcio entre interesse do público e ensino da literatura. Conheci muito pouca gente que tivesse conseguido ler Luandino Vieira, tirando naturalmente os escritores que assumem terem sido influenciados por ele, como Albino Carlos, Ondjaki, ou o moçambicano Mia Couto.

26.02.2011 | por António Tomás

Um livro de rara alegria para Angola

Um livro de rara alegria para Angola Não é necessário conhecer a infância musical de Paulo Flores, saber-lhe o currículo académico e existencial para sentir que a sua voz e a sua música têm memória. O que em termos artísticos em geral – e na música particularmente – é tão importante como saber ouvir os outros. Só assim – nesta envolvente procura no que de melhor se faz “fora-de-portas” e na leitura atenta e crítica do passado-terá sido possível chegar, por exemplo, a Xê Povo- uma obra ímpar, fundamental.

22.02.2011 | por Jerónimo Belo

Edouard Glissant (1928-2011), um legado magnífico

Edouard Glissant (1928-2011), um legado magnífico  Enquanto os filósofos africanos gastam um energia louca e vão a correr atrás da sombra, Edouard Glissant afronta Hegel de forma oblíqua. A esta visão totalizante, pretensamente universal, Edouard Glissant opõe a Opacidade, o Diverso, o Rizoma e, sobretudo, a Relação. Esta recusa dos sistemas constituirá ao longo de toda a sua vida, a sua marca. Deste ponto de vista, o pensamento de Glissant, que é uma ode à fraternidade, corrobora, em alguns aspectos, os de Derrida e Levinas: dois pensamentos do Outro, mas também dois discursos da opacidade. Mas enquanto os filósofos profissionais propõem tratados, Glissant apresenta o fragmento, o estilhaço, o aforismo, subvertendo os géneros

21.02.2011 | por Boniface Mongo-Mboussa

Inebriantes metáforas consagram a escrita etílica do poeta - Filinto Elísio – Li Cores & Ad Vinhos

Inebriantes metáforas consagram a escrita etílica do poeta - Filinto Elísio – Li Cores & Ad Vinhos Explosões dos sentidos, êxtase do verbo. Tais sensações encontram-se após a travessia instigante, surpreendente e prazerosa pelos cinquenta e três poemas do livro de poesia de Filinto Elísio, com o etílico e sugestivo nome Li Cores & Ad Vinhos. Este é o seu quinto título em poesia; constata-se, comparando ao anterior “Das Frutas Serenadas”, o aprofundamento metafórico e a semântica concupiscente das palavras buscando novos significados que vão além dos sentidos inertes impostos pelo discurso estabelecido.

21.02.2011 | por Ricardo Riso

Bijagós: sociedade matriarcal?

Bijagós: sociedade matriarcal? Na sociedade Bijagó, a mulher tem poder para decidir como se faz a cerimónia, quais os rituais, para que fins e em que momento. É seguida por um grupo de mulheres que, durante um certo tempo, não se dedicam ao trabalho produtivo, ao qual estão tradicionalmente destinadas, mas a si próprias. Entre si discutem o que acharem conveniente, dentro de determinadas regras sociais que são impostas aos Bijagós, mas só entre si; e isso por vezes pode levar meses. O tempo, elas é que decidem.

19.02.2011 | por Paula Fortes

Arménio Vieira, o poema, a viagem, o sonho

Arménio Vieira, o poema, a viagem, o sonho "Em ti há um marinheiro demandando uma ilha onde ninguém ainda esteve. Também em ti encontrarás o mapa, a bússola e o navio. Há coisas a que não deves atribuir nomes. A tua ilha não tem nome.”

18.02.2011 | por Ricardo Riso

Luta identitária- mais que uma preservação cultural, a sobrevivência de um povo: o caso de Cabília (Argélia)

Luta identitária- mais que uma preservação cultural, a sobrevivência de um povo: o caso de Cabília (Argélia) Os berberes ou "imazighen" (que quer dizer homens livres na língua berbere: o Tamazight) têm vindo a empreender várias formas de luta no sentido de se afirmarem anti-arabização. O propósito fundamental das suas lutas nada tem a ver com religião ou política, trata-se antes de mais da preservação de uma identidade cultural, sobretudo linguística. E da sobrevivência de um povo.

17.02.2011 | por Rita Damásio

O Mundo do Funk Carioca de Hermano Vianna

O Mundo do Funk Carioca de Hermano Vianna Foi quase por um acaso que Hermano Vianna participou numa festa funk no Rio de Janeiro. Não estava à procura de um objecto de estudo, queria apenas presenciar uma grande festa de que tinha ouvido falar na rádio. Impressionado com o que viu, escreveu um artigo para o Jornal do Brasil sobre a música negra internacional e a sua influência no Carnaval de Salvador e nos subúrbios cariocas. Muito rapidamente, Vianna passou a fazer parte desse mundo dos bailes funk, transformando-se no seu principal tradutor para os jornalistas e curiosos que, vivendo na mesma cidade, sempre demonstram um enorme desconhecimento por tudo o que se passa nos subúrbios e nas favelas do Rio.

13.02.2011 | por Francisca Bagulho

A Urgência do Crioulo Guineense

A Urgência do Crioulo Guineense  Na literatura na Guiné-Bissau, os termos em crioulo são cada vez mais utilizados, existindo já obras de poesia exclusivas nesta língua. Alguns intelectuais guineenses têm vindo a assumir cada vez mais uma postura de contestação à nacionalização da língua portuguesa. A música popular desde cedo se manifestou em crioulo. Dinamizada primeiramente por José Carlos Schwarz, que teve a ousadia de cantar nesta língua durante a guerra de libertação, este movimento continuou a ter força com bandas como os SuperMamajombo ou TabancaJazz.

13.02.2011 | por