Movimento #Fartudibos

Sobre o Lançamento de Álbum de Intervenção Política 

#Fartudibos é um movimento musical de intervenção política que reúne rappers, activistas e poetas guineenses maioritariamente residentes fora da Guiné-Bissau. Foi criado em Julho de 2023 com o objectivo de participar, através da produção da música de intervenção, no combate à ditadura encabeçada por Umaro Sissoco Embaló. Ao longo de três anos, o Movimento produziu 17 canções cujos conteúdos denunciam

raptos, espancamentos, perseguições políticas, prisões arbitrárias, instrumentalização étnico-religiosa, violação da Constituição da República e outras leis do país, assassinatos e outros crimes praticados pelo sissoquismo, hoje camuflado de Comando Militar. Estas músicas são feitas de mensagens que se pretendem afirmar no espaço público como contra-narrativas face ao populismo veiculado pelo autoritarismo no poder na Guiné-Bissau, que também usa a desinformação como instrumento de mobilização política, muitas vezes através da música produzida pelos seus agentes no meio artístico.

Assim, serve esta nota para informar a todas as pessoas que se comprometem com os valores da democracia e liberdade, sejam guineenses ou não, que, depois de três anos de um trabalho realizado com compromisso patriótico e em defesa da dignidade humana, as músicas do álbum intitulado Sissoco na Kai (“Sissoco vai cair”, traduzido da língua guineense) já se encontra disponível em todas as plataformas digitais desde 20 de Junho corrente. Contacto e-mail: fartudibos@gmail.com Kilis ku sta fartu di bos!

23.06.2026 | por martalanca | #Fartudibos

Apresentação do livro "Temptations in Ruin: Sovereign Accumulation and the Making of Post-Genocide Turkey"

Seminários e WorkshopsTer . 23 Jun . 16h00 Sala 2 - ICS-ULisboa Alice von Bieberstein (Humboldt Universität, Berlin)Organização: Irene Peano (ICS-ULisboa)

No próximo dia 23 de Junho, pelas 16h00, terá lugar no ICS-ULisboa (sala 2) a apresentação do livro Temptations in Ruin: Sovereign Accumulation and the Making of Post-Genocide Turkey (University of Pennsylvania Press, 2025) na presença da autora, Alice von Bieberstein (Professora Auxiliar de Antropologia Social, Humboldt Universität, Berlim). 

O livro explora o modo como o genocídio e a espoliação dos arménios, que começaram em 1915, moldaram regimes de propriedade, cidadania e lógicas económicas que continuam a ter repercussões até hoje. O evento é organizado por Irene Peano (ICS-ULisboa) em colaboração com o Grupo de Investigação Impérios e o Urban Transitions Hub.

 

22.06.2026 | por martalanca | Post-Genocide

50 anos depois: revisitar a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção (Estoril, 1976)

Três dias de cinema, conversas e mesas-redondas em Lisboa, convidam a reflectir sobre os potenciais políticos e emancipatórios das práticas cinematográficas.

De 24 a 26 de junho de 2026, o Doc’s Kingdom organiza um programa de encontros e sessões de cinema na Casa do Comum (Bairro Alto) e n’A Voz do Operário (Graça), com o apoio do IFILNOVA, e em colaboração com um grupo internacional de investigadores. 

Em maio de 1976, no Centro de Congressos do Estoril, realizou-se a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção: um festival de nove dias inteiramente dedicado ao cinema militante e ativista. Reunindo mais de 150 filmes politicamente comprometidos provenientes do Sul e do Norte globais, o evento articulou, através do ecrã, lutas anticoloniais, anti-imperialistas, antifascistas e anticapitalistas. Organizado pelo Centro de Intervenção Cultural, no rescaldo imediato da Revolução dos Cravos, contou com a presença de realizadores e coletivos cinematográficos internacionais. Foi o primeiro evento do género desta envergadura a ser realizado na Europa, após iniciativas semelhantes em Montréal ou Argel, por exemplo. Apesar da sua importância histórica, o evento permanece praticamente ausente da historiografia cinematográfica, tanto a nível nacional como internacional.

Cinquenta anos depois, o Doc’s Kingdom – Seminário Internacional de Cinema Documental (organizado pela Apordoc – Associação pelo Documentário) apresenta um programa de filmes e de conversas que revisitam a Mostra, confrontando-a ao presente. O programa não pretende celebrar uma data, mas reabrir questões que a Mostra colocou: o que pode o cinema militante hoje? Que formas são capazes de produzir pensamento e movimento, em vez de confirmação e paralisia? Como se constroem solidariedades cinematográficas entre geografias diferentes, num tempo em que a linguagem da crítica política está sob pressão?

22.06.2026 | por martalanca | cinema de intervenção, Doc’s Kingdom

Warped Tapes, Brassalano Graça

No fundo, é uma questão de perceber o Movimento

perpétuo das palavras. Da Máquina extrema da Linguagem.

Um movimento contra a inércia das Certezas.

O movimento da boca sobre a concentração do rosto

no sismo de um sorriso.

Um sorriso nunca é só um sorriso,

é também uma Oscilação circunstancial de qualquer dor.

O movimento tectónico das mãos sobre o corpo que ama,

e que desliza para a fronteira do Pecado.

Não há um Deus que abocanhe esse movimento da dor,

não há felicidade que suplante o vigor da ferida que arde no peito.

Faz-se o Movimento do fumo rumo ao sítio de concentração da Beleza.

Essa saturação da nossa fragilidade, da nossa impotência

perante o limite dos sentidos,

perante o tremor da Imaginação.

Solo negro, pois,

onde tudo se esvai entre os dedos trémulos

de uma força acabada de nascer,

nascitura das Trevas de um sonho.

A Poesia vem das trevas, tal como a Fotografia –

vêm, saem, das Trevas de uma Visão.

A Arte é isso, uma Visão, uma usurpação da Realidade

pelos Olhos alagados pelo coração.

É essa a Terminologia da Humanidade dilacerada

pela lucidez.

Esta Trilogia - Poesia, Fotografia, Música - é o término das pedras, 

o início dos ventos.

O meio do Sol.

A claridade do Desejo,

sujo como todas as raízes arrancadas da terra.

Aqui inventou-se o terror do Amor.

Brassalano Graça


22.06.2026 | por martalanca | Brassalano Graça

Lisboa à venda: alienação de património público e crise habitacional

Sexta-feira, 19 de Junho, às 18h

Conversa com Luís Mendes e Ana Jara, com moderação por Eugénia Pires.

Livraria Tigre de Papel 

 A crise da habitação é hoje um fator decisivo das desigualdades que afetam o país. Em Lisboa, o caso da alienação de ativos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa prolonga uma estratégia que abdica de reforçar o stock habitacional público e a custos controlados — sem sequer favorecer a sustentabilidade da histórica missão de proteção social da instituição. Nesta sessão, conversamos com o geógrafo Luís Mendes e a arquiteta Ana Jara sobre o artigo que ambos assinam no número de Maio da edição portuguesa do Le Monde diplomatique ‘Lisboa à venda: alienação de património público e crise habitacional’. A moderação ficará a cargo de Eugénia Pires, do Conselho Editorial do Le Monde diplomatique – edição portuguesa.

Rua de Arroios, n.º 25 (Lisboa)

19.06.2026 | por martalanca | habitação, Le Monde diplomatique, lisboa

Sob a força das coisas. Olhares cruzados sobre dinâmicas de subalternidade social: Portugal, França e Bélgica

Virgílio Borges Pereira e Yasmine Siblot (orgs.)

Este livro “procura abrir espaço para o aprofundamento do questionamento sociológico e para um universo de investigação (…) que merece a atenção de quem se interessa por compreender as recomposições sociais vividas nas sociedades estudadas, tendo presente, globalmente, os universos sociais estruturados em torno dos mundos operários industriais e dos empregos de execução, posicionamentos sociais agregadores das regiões do espaço social privilegiadas na análise que, como se saberá, experimentam, nas últimas décadas, reconfigurações sociais muito significativas.”

19.06.2026 | por martalanca | França e Bélgica, Portugal, subalternidade

Germinar encerra com evento dedicado à Feira Semanal de Monte Abraão

Exposição, conversa, oficina e dj set para celebrar a diversidade e o papel comunitário da feira de Monte Abrãao

Depois de dois momentos de programação que deram visibilidade às histórias, práticas e expressões culturais do território de Massamá e Monte Abraão, o ciclo de programação cultural Germinar encerra no próximo dia  27 de junho, com o evento Entre bancas e fronteiras. A partir das 15:00, o espaço Mbongi 67, em Monte Abraão recebe uma programação gratuita que prolonga a experiência da feira para além do seu horário habitual, transformando-se num ponto de encontro entre arte, reflexão, gastronomia e música.
O programa conta com a inauguração de uma exposição de fotografia com obras de Sarita Furtado e Uncle C., resultado de um trabalho de curadoria da Kubata que convidou artistas a refletirem sobre as múltiplas vidas que atravessaram a feira entre migrantes, comerciantes, trabalhadores e visitantes que contribuem diariamente para a construção e vivência deste espaço.
Durante a tarde decorre a conversa Entre bancas e fronteiras: feira, periferia e imaginação comunitária, com a moderação da curadora, jornalista e investigadora Amina Bawa e participação de Ruth Amélia dos Santos Falcão, Milene Pereira e Tarine Carvalho. Uma reflexão sobre a feira enquanto território de encontro, cuidado comunitário, atividade económica e de construção de imaginários periféricos. 
Neste dia decorre ainda a oficina de Dusa Dolls “Bonecas Africanas - Ancestralidade, Arte e Comunidade”, uma atividade inspirada na partilha de saberes de identidade e ancestralidade africana através da criação artesanal de bonecas.
O evento encerra com um dj set de PatiSol, produtora cultural e cofundadora dos projetos Malagheto, Baile Doce e Revoada. Reconhecida pelo cruzamento de ritmos da diáspora africana, sonoridades brasileiras e influências latinas, propõe uma celebração musical que reflete a diversidade cultural presente na feira todos os sábados.
Esta iniciativa pretende afirmar a Feira Semanal de Monte Abraão como um espaço agregador da diversidade do território, promovendo a partilha de experiências e saberes entre os seus intervenientes, ao mesmo tempo que convida à reflexão sobre as desigualdades e barreiras institucionais que continuam a marcar quem pode (ou não) participar plenamente nestes espaços de sociabilidade e sustento.
Entre bancas e fronteiras marca o encerramento de um ciclo de três eventos integrado no projeto Germinar: Vamos à horta? (11 abril) e Educação - Intervenção - Intergeracionalidade (6 Junho).

Programa

15:00
Inauguração da exposição de fotografia e artes visuais
Obras de Sarita Furtado e Uncle C.

16:00
Conversa “Entre bancas e fronteiras: feira, periferia e imaginação comunitária”

17:00
Oficina “Bonecas Africanas – Ancestralidade, Arte e Comunidade”
Dusa Dolls

18:00
DJ Set PatiSol

Sobre a Claraboia

A Claraboia é uma associação cultural juvenil que desenvolve projetos de criação e mediação artística com forte ligação ao território da Linha de Sintra. Através de metodologias participativas e processos de co-criação, a associação tem vindo a afirmar-se pelo desenvolvimento de práticas culturais enraizadas nas comunidades locais, promovendo o encontro entre artistas, residentes e diferentes públicos.

O trabalho d’A Claraboia cruza dimensões artísticas, sociais e educativas, apostando na inclusão, na experimentação e na valorização de contextos frequentemente periféricos no panorama cultural. Com o projeto Germinar, a Claraboia consolida uma abordagem sustentada e continuada, focada na participação ativa, na construção coletiva e no impacto social da cultura.

18.06.2026 | por martalanca | conversa, exposição, Monte Abrãao

Arquivo Vivo – artistas em diálogo com o arquivo pessoal de Mário Pinto de Andrade

Ensaísta, sociólogo, crítico literário, poeta, tradutor e filólogo, Mário Pinto de Andrade foi um intelectual angolano que desempenhou um papel fundamental na divulgação da cultura africana no século XX. Profundamente cosmopolita, o seu percurso foi marcado por trânsitos entre culturas, espaços e geografias diversas, assim como por diversas línguas. Ao mesmo tempo, a sua trajetória intelectual é indissociável do seu empenho político. Promotor de várias organizações anticoloniais de caráter transnacional e um dos fundadores do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual foi também o primeiro presidente, colocou a sua vida ao serviço da luta contra o colonialismo e o neocolonialismo em África.

A excepcionalidade do seu percurso político, intelectual e humano reflete-se na riqueza do seu arquivo pessoal, um fundo que reúne uma quantidade e uma variedade notável de materiais: correspondência, fotografias, esboços de ensaios, documentos relativos às atividades dos movimentos de libertação, recortes de imprensa, bem como cadernos repletos de anotações de natureza variada.

Esta exposição nasce do projeto de investigação de Elisa Scaraggi, dedicado à valorização e revitalização deste acervo. Para além da investigação académica e da produção de conhecimento histórico, o projeto procurou explorar o arquivo como um espaço de memória, criação e imaginação, aberto a novas leituras e interpretações.

Neste contexto, três artistas foram convidados a desenvolver trabalhos inéditos a partir do contacto com documentos do arquivo de Mário Pinto de Andrade. O desafio para cada um consistiu em estabelecer um diálogo pessoal com esses materiais, fazendo com que deixassem de ser apenas testemunhos do passado para se tornarem matéria de criação artística no presente.

O resultado é Arquivo Vivo, uma exposição que reúne formatos e linguagens distintas através das obras de Lino Damião, Raquel Lima e João Ana. As suas propostas revelam novas formas de reimaginar e reapropriar o passado e convidam o público a pensar o arquivo como um espaço vivo e em transformação.

A exposição está patente na Casa do Comum, um espaço que se quer ponto de encontro da cidade com a cultura, atento às grandes questões do mundo e sensível às preocupações de artistas — um lugar de reflexão, partilha e ação, frequentado por uma audiência transversal em termos de geração, nacionalidade, profissão e proveniência social.

Programação

17 de junho, 18h — Inauguração na Casa do Comum

Às 19h, projeção da curta-metragem Monangambééé (1969), de Sarah Maldoror.

21 de junho — Performance Alvorada de Olhares Íntimos, de Raquel Lima

Construída a partir do cruzamento de correspondência selecionada de Mário Pinto de Andrade e da própria vivência da artista.

3 de julho, 18h — Conversa: arquivos pessoais, história e prática artística

Encontro com investigadoras, arquivistas e artistas que trabalham com arquivos relacionados com o passado colonial português e com as lutas de libertação das antigas colónias africanas. (Mais informações em breve.)

5 de julho — Lançamento do livro Os Papéis do Leste

Organizado por Elisa Scaraggi e Nelson Pestana, o livro reúne documentos produzidos por Mário Pinto de Andrade durante ou em consequência da sua experiência junto dos guerrilheiros da Frente Leste (1971–72). Publicado pela Tigre de Papel, na coleção Buala.

16.06.2026 | por martalanca | Mário Pinto de Andrade

MORADA ABERTA – Onde o Gesto Cura de Tânia Dinis

19 + 20.06.2026 21H30, Rampa
Entrada gratuita sujeita à lotação do espaço

Morada Aberta – Onde o Gesto Cura desenvolve-se em diferentes linguagens e espaços, cruzando projeções de vídeo digital e analógico com técnicas de cinema expandido e composição de imagens em tempo real. A obra organiza-se em três momentos interligados, atravessando diferentes tempos, atmosferas e modos de presença.
O projeto parte de histórias e memórias — pessoais e coletivas — e da observação sensível do quotidiano, assumindo um olhar imagético e poético sobre os territórios, os corpos e os gestos. A pesquisa nasce das memórias da artista e das histórias do lugar onde cresceu, expandindo-se aos territórios do Norte de Portugal, do Alto e Baixo Minho, da Galiza e do litoral atlântico.
Acompanhando o dia a dia de mulheres trabalhadoras, guardiãs de saberes ancestrais ligados à terra, ao mar, aos ciclos naturais e às formas de cuidado transmitidas entre gerações, a obra aproxima-se de gestos invisíveis que sustentam comunidades e mantêm vivas formas de conhecimento não oficializadas.
Entre o documentário e o ficcional, o trabalho interroga a doença e a cura no imaginário popular, entendendo a cura não apenas como rito ou palavra, mas também como gesto, trabalho, classe, cultivo e relação íntima com a natureza e com o outro. Observa práticas e movimentos que atravessam gerações, preservando a energia do sagrado, da resistência, da ausência, do mistério, e propondo um espaço de escuta, memória e partilha.
Depois da recolha e apresentação em Braga, este novo formato distribui-se por três eixos de apresentação - Porto, Corunha, Vila do Conde.

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Tânia Dinis  (Vila Nova de Famalicão, 1983) é realizadora e artista de artes performativas, desenvolvendo um percurso interdisciplinar entre cinema experimental, documental e práticas artísticas contemporâneas. A sua investigação centra-se na utilização de imagens de arquivo, memória familiar e metodologias performativas para a construção de narrativas alternativas, com especial atenção às histórias de mulheres e a contextos de trabalho historicamente invisibilizados.
Doutoranda em Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, concluiu o Mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas (2015) na mesma instituição. É licenciada em Estudos Teatrais pela ESMAE e realizou formação na Escuela Internacional de Cine y TV (Cuba), especializada em criação cinematográfica a partir da memória familiar.
A sua obra tem sido apresentada e distinguida em festivais nacionais e internacionais. Destaca-se o filme Tão pequeninas, tinham o ar de serem já crescidas, premiado no IndieLisboa e no MDOC em 2024, bem como em festivais internacionais em 2025. Trabalhos anteriores, como Laura e Não são favas, são feijocas, confirmam a consistência do seu percurso autoral.
Paralelamente, desenvolve projetos de investigação-criação como Operariada, Corpografia, Álbuns de Guerra, Linha de Tempo e Morada Aberta, frequentemente em colaboração com instituições culturais e artísticas. O seu trabalho explora práticas colaborativas, ativação de arquivos e construção de memória coletiva em contextos comunitários.
É docente nas áreas do cinema e do teatro, tendo lecionado na Universidade do Minho e na ESAP. Integra regularmente júris de festivais de cinema e o seu trabalho faz parte da Coleção de Arte Contemporânea do Município do Porto. 

 
Direção artística, pesquisa, edição, imagem e intérprete: Tânia Dinis
Produção: Patrícia Gonçalves 
Apoio à produção (Galiza) - A p a l l e i r A
Assistência imagem: Tales Frey 
Espaço Cénico: Tânia Dinis, Tales Frey 
Espaço sonoro: Marina Leite Soares 
Telas projecção: Sofia Pereira
Figurino: Svenja Tiger 
Infusão de flor de sabugueiro: José Luís Araújo
Construção e desenho escultura looper 16mm: Filipe Ferreira
Construção e desenho escultura looper super 8mm: Joaquim Dinis e Tânia Dinis
Vídeo mapping - Inês Costa 
Operação imagem analógica - Tânia Dinis 
Acompanhamento científico: Prof.ª Rosa Pinho
Coreografia: Ángela Diaz Quintela 
Comunicação: Bruno Moreira 
Design Gráfico: Dayana Lucas 
Registo imagem em movimento - Rodrigo de Carvalho
Fotografia de Cena - José Caldeira
Com: Lola Diaz, Amélia Dinis, Olívia Pereira, Isabel Carneiro, Luísa Gomez, Emília Pinto, Ermelinda Dinis, Lurdes Carneiro.
Gestão de projecto e produção: Associação Cultural - Tenda de Saias
Residências Artísticas:  2023 - Programa de Residências Artísticas CRL – Central Elétrica - 1ª mostra de Processo; 2026 - CRL - Central Eléctrica; A p a l l e i r A
Acolhimento: RAMPA 
Co-Produção: Braga25 - Desejar
Apoio:  Criatório da Ágora – Cultura e Desporto do Porto, E.M., S.A, Fundação GDA, Curtas de Vila do Conde, TEP -Teatro Experimental do Porto, Casa do Xisto - Residência de Cinema e Artes Visuais
Agradecimentos: Armindo Carvalho Alves, Bando à Parte, Elvira Lobo, ESAP, José Marques Moreira, Rui Brito, Teatro da Didascália, Juliana Julieta, TUP

15.06.2026 | por martalanca | performance, Rampa

Uma carta em um minuto: Festival do Minuto lança concurso de vídeo-carta

Tem coisa que não cabe no papel: o concurso temático “Vídeo-carta” propõe transformar

cartas em vídeos de até 60 segundos. As inscrições vão até 31 de julho de 2026, e os

melhores trabalhos concorrem ao Troféu Minuto.

Clique aqui para assistir à vinheta do concurso.

Sugerido pelo educador Lucas Lespier, da Universidade Anhembi Morumbi, o concurso

temático “Vídeo-carta” convida à criação de vídeos de até 1 minuto que explorem o que

pode ser dito quando imagem e som assumem o lugar da escrita.

Inscrições até 31 de julho

“Vídeo-carta” é um dos 9 concursos temáticos lançados no 1º semestre de 2026 pelo

Festival Permanente do Minuto, todos com inscrições abertas até 31 de julho. Além dos

concursos temáticos, o Festival também mantém inscrições abertas para as categorias

permanentes mensais: Tema Livre, Animação, Nano Minuto e Minuto Vertical. As

inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo sitewww.festivaldominuto.com.br.

35 anos de Festival do Minuto

Criado em 1991, o Festival Permanente do Minuto é pioneiro no formato de curtíssima

duração, incentivando a criação de vídeos de até 60 segundos antes mesmo do surgimento

das redes sociais. Gratuito, online e permanente, passou a alcançar todo o planeta. No

Brasil, atinge cidades pequenas, médias e grandes, alcançando o interior, o litoral e as

periferias urbanas. Com produções de diferentes sotaques, vivências e contextos, a

iniciativa amplia a diversidade no audiovisual e incentiva realizadores amadores e

independentes.

Completando 35 anos em 2026, o Festival Permanente do Minuto reafirma seu papel como

espaço de experimentação e visibilidade para obras que apostam na síntese e na força

expressiva do formato Minuto. Ao longo de sua trajetória, o festival já inspirou iniciativas

semelhantes em mais de 50 países.

SERVIÇO:

CONCURSOS - FESTIVAL PERMANENTE DO MINUTO

ONDE: www.festivaldominuto.com.br

QUANDO: Inscrições até 31 de julho de 2026

CONTATO: thais@festivalminuto.com.br | 43 9874-9580

13.06.2026 | por martalanca | carta video

PAINEL RACISMO E IMIGRAÇÃO

Uma conversa essencial sobre as formas estruturais do racismo na sociedade portuguesa.
O racismo será abordado não como um fenómeno individual, mas como um mecanismo de controlo social que define quem pode ocupar quais espaços, quais trabalhos e quais direitos.
As convidadas partilharão as suas experiências diretas nos territórios onde atuam: escolas, ruas, campos agrícolas, centros de detenção e mediação comunitária.
Moderador:
Yuri Ataídes (Renovar a Mouraria)
Participantes:
Luana Gomes: Geógrafa, educadora e mediadora linguística e cultural num Agrupamento de Escolas em Portugal, onde vive há mais de seis anos.
Mariana Carneiro: Socióloga, dirigente do SOS Racismo. Acompanha imigrantes em situação de sem-abrigo, nomeadamente timorenses das tendas do Terreiro do Paço e grupo da Igreja dos Anjos. Atua em campos agrícolas, portos do Sul e centros de detenção do Porto.
Farhana Akter: Natural do Bangladesh, em Portugal desde 2020. Mediadora intercultural na Renovar a Mouraria e cofundadora da Cooperativa Bandim, que capacita mulheres migrantes.
19h00 - Suricata da Mouraria
Esta noite recebemos o Suricata da Mouraria, num set especial para dançar e viajar. Do Brasil ao Japão, pela Colômbia ao Irão, dançamos num tapete voador tecido em samba, semba, salsa e funaná, discotecas de Beirut e tambores de Guadalupe. Num encontro sem fronteiras, temos uma noite de puro contrabando.
>>> Banca Benefit | Livraria das Insurgentes
A Livraria das Insurgentes dedica-se à divulgação de obras escritas por mulheres, pessoas trans e não-binárias, com o objetivo de apoiar e amplificar especialmente as vozes frequentemente marginalizadas no mercado editorial e estigmatizadas na sociedade. Têm como objetivo criar um espaço seguro onde se possa abordar temas a partir de uma perspetiva feminista, queer e antirracista, com foco na comunidade e na acessibilidade.

11.06.2026 | por martalanca | imigração, racismo

Carta aberta em defesa do Ensino Português no Estrangeiro

Numa altura em que está em debate uma reestruturação do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), anunciada há vários meses pelo Governo, continuam os protestos. Neste dia 10 de junho, em que se festeja o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o LusoJornal publica mais uma Carta Aberta, da Rede do EPE, que integra Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores.

“Os profissionais da rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) – Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores – vêm manifestar publicamente a sua profunda preocupação perante a proposta de revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro (RJEPE).

O EPE constitui um dos mais importantes instrumentos da política externa cultural portuguesa. Numa língua pluricêntrica e global como o português, o ensino da língua é um elemento essencial da diplomacia cultural de Portugal, contribuindo para o fortalecimento das comunidades portuguesas, da CPLP e da projeção internacional do país.

Ao longo de décadas, esta rede foi construída graças ao trabalho, dedicação e elevada qualificação dos seus profissionais. Foram eles que consolidaram projetos educativos, criaram e fortaleceram parcerias com escolas e universidades, estabeleceram redes de cooperação internacional e garantiram a presença da língua portuguesa em contextos cada vez mais exigentes e competitivos.

É precisamente por reconhecer a importância estratégica desta missão que encaramos com enorme apreensão a nova proposta de revisão do regime jurídico do EPE.

Longe de reforçar a estabilidade, a atratividade e a valorização da rede, esta proposta de alteração ao regime jurídico e enquadramento remuneratório aprofunda a precariedade existente. Mantém os profissionais num regime sem vínculo estável, limita a continuidade das funções desempenhadas e coloca em causa a permanência de centenas de trabalhadores atualmente ao serviço do Estado português no estrangeiro.

Na prática, a proposta determina o fim da continuidade profissional de todos os atuais Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores, independentemente da experiência acumulada, da avaliação do seu desempenho, das necessidades das instituições onde exercem funções ou do interesse estratégico dos projetos que desenvolvem. Para muitos profissionais, após anos ou décadas de serviço, o horizonte deixa de ser a continuidade do trabalho realizado e passa a ser o desemprego ou a sujeição a novos processos concursais para funções que já desempenham com mérito reconhecido.

Trata-se de uma medida com efeitos práticos equivalentes aos de um despedimento coletivo de profissionais altamente qualificados que têm sido responsáveis pela construção e consolidação da rede EPE. A proposta ignora o conhecimento especializado adquirido ao longo de anos, compromete a continuidade pedagógica e institucional dos projetos em curso e fragiliza relações de confiança construídas com comunidades portuguesas, escolas, universidades e entidades parceiras em todo o mundo.

Paralelamente, a possibilidade de recrutamento através de mecanismos simplificados e com menores exigências de qualificação profissional levanta sérias dúvidas quanto à preservação da qualidade pedagógica e científica do Ensino Português no Estrangeiro.

Mantêm-se igualmente por resolver problemas estruturais relacionados com a valorização profissional dos recursos humanos da rede: remunerações desatualizadas, subsídios de residência e apoios à instalação, inexistentes e/ou desajustados às responsabilidades exercidas e ao custo de vida dos países de colocação. Muitos profissionais acumulam funções docentes, científicas, culturais, administrativas e de representação institucional sem o correspondente reconhecimento material. Esta acumulação de funções implica ainda um aumento significativo da carga horária semanal, também este não compensado. Importa ainda assinalar a inexistência de redução da componente letiva em função da idade para os profissionais do EPE, ao contrário do que sucede em Portugal, gerando mais uma situação de inequívoca desigualdade.

De referir que esta proposta afeta não só os profissionais da rede EPE, mas também as suas famílias. Ao longo dos anos, muitos docentes, leitores, adjuntos e coordenadores construíram os seus projetos de vida no estrangeiro com base na expectativa de continuidade das suas funções, integrando os seus agregados familiares nas comunidades de acolhimento e tomando decisões pessoais e profissionais para permanecerem unidos. A instabilidade agora criada coloca em causa não apenas percursos profissionais, mas também a segurança e o futuro de famílias inteiras que confiaram no compromisso do Estado português.

Prometeu-se uma reforma orientada para a estabilidade, a valorização e a atratividade. No entanto, o que emerge desta proposta é uma rede mais precária, mais instável e menos capaz de atrair e reter profissionais qualificados.

Apelamos ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, ao Camões I.P. e a todas as forças políticas para que promovam um processo de diálogo efetivo com os profissionais da rede e procedam à revisão desta proposta, garantindo a estabilidade profissional, a valorização das condições de trabalho, a continuidade dos projetos educativos e a sustentabilidade do Ensino Português no Estrangeiro.

Defender a rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) é defender a língua portuguesa, as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e a presença internacional de Portugal. Não é possível fortalecer a projeção internacional da língua portuguesa enfraquecendo aqueles que diariamente a representam além-fronteiras.

A REDE EPE – Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores

ASSINE A Petição AQUI 

10.06.2026 | por martalanca | vários

Seminário Internacional Arte, Arquitetura e (in)Visibilidades Africanas em Portugal

15 de junho de 2026 Auditório B3, Torre B (Av. Berna), NOVA FCSH (Lisboa)

O projeto MAKING PORTUGAL | Desafiando o passado. Mecenato e agência dos Africanos e Afro-descendentes nas artes e na arquitetura de época moderna em Portugal durante o tráfico negreiro transatlântico (1486-1836) (https://doi.org/10.54499/2023.12349.PEX) desafia o passado. Desafia uma ideia, uma narrativa sobre o passado. Interroga a história moderna da arte e da arquitetura, que negou, à partida, às pessoas e comunidades africanas e afrodescendentes a possibilidade de terem participado ativamente na construção do património nacional português dos séculos XVI-XVIII, enquanto patronos, patrocinadores, fundadores e criadores.

MAKING PORTUGAL ilumina silêncios, revela exclusões e restitui nomes, ações e impactos a protagonistas esquecidos/as pela narrativa canónica do conhecimento histórico. O olhar desloca-se das obras para as pessoas que, por detrás delas, as materializaram e financiaram, mas cujos rostos e ações foram ignorados e relegados para a sombra. Ao colocar novas perguntas, MAKING PORTUGAL trilhou caminhos poucos explorados ou totalmente invisibilizados: Quem foi Vitória de Jesus, mulher negra escravizada, fundadora de uma igreja e de um recolhimento? Quem foi José, homem negro escravizado, que ergueu uma pequena capela? Qual foi o impacto da construção da Capela do Espírito Santo em Lisboa? Quem mandou entalhar a estátua de São Benedito? Quem encomendou a pintura de Nossa Senhora do Rosário? Quem inventou novas músicas e encenações?

Este seminário final do projeto exploratório MAKING PORTUGAL pretende partilhar e debater os dados produzidos pela investigação, com vista a ampliar e aprofundar a pesquisa futura, sempre em diálogo com a sociedade civil. Pretende, igualmente, apresentar as experiências de educação participativa e de ciência cidadã desenvolvidas em colaboração com a Escola Secundária de Amora (Seixal), como possíveis inspirações para outros contextos e colaborações.

09.06.2026 | por martalanca | arquitectura

Frida Orupabo: Cloud of Confusion, curadoria de Marta Mestre

03.06 — 01.11.26 Piso -1 MAC/CCB


Na sua primeira exposição individual em Portugal, Frida Orupabo revisita o vasto arquivo de imagens que reuniu na sua conta de Instagram, composto por tensões entre intimidade e violência, imagens de uso privado e mass media, para instaurar um espaço crítico. Cloud of Confusion parte de um gesto que todos reconhecemos — o scroll de um feed de Instagram — e, em diálogo com a arquitetura do MAC/CCB, desenha um percurso linear de oito momentos, à semelhança do deslizamento contínuo entre ecrãs que caracteriza a experiência digital. O título evoca não só a nuvem digital onde armazenamos imagens e dados mas também a névoa de informação, memória e esquecimento que aquela implica, à semelhança do fluxo digital que enfatiza o «abismo» das imagens — a sua estranheza e a sua reverberação dispersa. 

Transpondo a lógica digital para o espaço do museu, a exposição assume-se como uma sequência descontínua de imagens, pontuada por obras tridimensionais, onde o scroll habitual se transforma em deslocação física. A montagem e a edição, que Frida Orupabo entende como gestos relacionais, só se revelam plenamente a um espectador presente, com corpo e tempo.

A PALAVRA À CURADORA:

Frida Orupabo nasceu em 1986 em Sarpsborg, na Noruega, e vive e trabalha atualmente em Oslo. O seu trabalho desenvolve-se no campo digital, alimentando-se de imagens encontradas na internet, que reconfigura através da descontextualização e da colagem. 

Entre 2013 e 2016, Frida Orupabo manteve a conta de Instagram @nemiepeba, um fluxo de imagens e pequenos vídeos em loop que Arthur Jafa descreveu como «implacável» e «incandescente». O artista norte-americano referia-se ao olhar de escafandrista de Frida Orupabo, que, tanto na superfície saturada como nas suas camadas mais profundas, esquadrinha e recolhe relações intensas entre imagens. 

O trabalho da artista propõe uma lógica de montagem e colagem que não apenas se desenvolve de forma narrativa como também aprofunda e faz exceder a sua matéria-prima, tal como um poema. As imagens, na sua interrelação, cruzam arquivos coloniais, cinema, televisão, sistemas algorítmicos, violência, maternidade ou estéticas musicais. Na obra de Orupabo, a recombinação e o deslocamento abrem novas leituras sobre o imaginário visual negro, restituindo, em particular, uma forma de soberania aos corpos — e às vidas — que essas imagens historicamente capturaram. Como refere a artista, trata-se de criar trabalhos que «olham de volta» e questionam um olhar branco e a sua perceção do corpo negro.

Esta exposição coloca a hipótese de transpor o feed de Instagram para o espaço do museu, explorando a sua experiência ao longo das salas, cuja configuração linear parece já conter, em si, essa possibilidade. Nesta passagem, a montagem e a edição, às quais a artista atribui uma qualidade relacional, tornam-se legíveis apenas na vivência de um espectador implicado e corporalmente situado no espaço e no tempo. A lógica do gesto contínuo do scroll organiza-se numa sequência descontínua, pontuada por obras tridimensionais da artista. 

O título Cloud of Confusion («nuvem de confusão») é retirado de uma das muitas imagens do Instagram da artista, na qual boiam palavras como que numa sopa de letras. Que leitura do mundo, então, se torna possível quando a construção da memória cede a uma lógica digital de «armazenamento» — ou quando dissolvemos a experiência humana na confusão da cloud?

Marta Mestre Curadora da exposição

SOBRE A ARTISTA:

Frida Orupabo, nascida em 1986 em Sarpsborg, na Noruega, vive e trabalha em Oslo. Estudou Estudos do Desenvolvimento e Sociologia na Universidade de Oslo (2005–2011). Entre as suas exposições individuais destacam-se as que realizou no Fotomuseum Winterthur, Winterthur (2022); Museu Afro Brasil, São Paulo (2021); Kunsthall Trondheim, Trondheim (2021); Huis Marseille, Amesterdão (2020); Portikus, Frankfurt am Main; e Kunstnernes Hus, Oslo (ambas em 2019). Orupabo participou na 34.ª Bienal de São Paulo (2021), bem como na 58.ª Bienal de Veneza (2018). Em 2025, foi distinguida com o prémio SPECTRUM — Internationaler Preis für Fotografie.

Com formação em sociologia, Orupabo começou a recolher imagens da internet enquanto trabalhava num centro de apoio a vítimas de tráfico humano e profissionais do sexo. Este arquivo encontrou expressão pública, em primeiro lugar, no Instagram e, posteriormente, na colagem física. A manipulação destas imagens inscreve-se numa tradição de fotomontagem em que a artista corta, reorganiza, inverte e sequencializa em loop imagens fixas e em movimento. Tão poderosas quanto perturbadoras, estas intervenções dão origem a releituras imaginativas e incisivas de motivos visuais que procuram desafiar noções coloniais ainda enraizadas nas estruturas sociais, económicas e políticas, permitindo uma reflexão sensível sobre temas como raça, género, sexualidade e laços familiares.

PROGRAMAS PÚBLICOS:
02.06.26

18h30 Conversa com a curadora Marta Mestre no Auditório MAC/CCB
19h00 Inauguração no piso -1
20h00 DJ Arrlomp no Foyer do Grand Hall
Arrlomp nasceu em Cabo Verde e, como um relâmpago, percorre o mundo partilhando a sua música, criando ligações geográficas entre ritmos e grooves que se acompanham e misturam, sempre com muito amor e a delicadeza de uma descarga de energia positiva.
03.06.26 > 01.11.26
Sala de Leitura e Escuta
Esta sala, localizada ao fundo da exposição, acolhe ativações periódicas e oferece um espaço onde o público pode consultar bibliografia e projetos editoriais relacionados com o universo referencial de Frida Orupabo. 
Conceção e dinamização: colectivoFACA (Andreia Coutinho e Maribel Mendes Sobreira) e Ícaro Lira
21.06.26 | 27.09.26 11h00
Visita guiada à exposição
Participação gratuita mediante inscrição prévia para servico.educativo.museu@ccb.pt
18.07.26 14h00
Oficina
Cartonera de Livros Artesanais
Oficina de produção artesanal de livros, orientada por EVA Cartonera, com recurso a materiais reciclados cujo conteúdo se relaciona com a obra de Frida Orupabo.
Duração: 4 horas. Máximo: 10 adultos. Participação gratuita mediante inscrição prévia.
19.09.26 15h00
Visita guiada à exposição com a curadora Marta Mestre
Participação gratuita mediante inscrição prévia para servico.educativo.museu @ccb.pt
19.09.26 18h00
Conversa: MANAS no CCB
Práticas artísticas, inclusão e produção de contra-arquivos. Conversa pública dedicada às relações entre práticas artísticas, inclusão, participação e produção de contra-arquivos no interior das instituições culturais.
Coletivo MANAS — Grupo de Apoio Mútuo
Duração: 1 hora e 30 minutos
Participação gratuita mediante inscrição prévia.

MAIS INFORMAÇÕES: Manuela Costa manuela.costa@ccb.pt + 351 925 313 416

02.06.2026 | por martalanca | Frida Orupabo, marta mestre

Novela gráfica «Caderno de Memórias Coloniais», de Isabela Figueiredo e ilustrações de Júlia Barata

Dez anos após a sua publicação pela Editorial Caminho, em 2015, «Caderno de Memórias Coloniais» regressa ao centro do debate, com uma nova versão ilustrada, fiel à sua vocação de expor cruamente o colonialismo português em Moçambique.

Nesta novela gráfica, ilustrada por Júlia Barata, Isabela Figueiredo revisita o seu texto, aprofundando a reflexão sobre a sua infância e relação com o pai, enquanto reabre uma ferida da nossa história ainda em processo de cicatrização.

Num tempo em que factos e vivências individuais são frequentemente questionados ou silenciados ao serviço de determinadas narrativas, esta obra interpela de forma direta a maneira como abordamos temas tão essenciais quanto o colonialismo, o racismo e a memória histórica.

ISABELA FIGUEIREDO nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, hoje Maputo, em 1963, filha de portugueses oriundos da zona Centro-Oeste de Portugal. Após a independência de Moçambique, em 1975, rumou a Portugal. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Especializou-se em Estudos sobre as Mulheres na Universidade Aberta. Trabalhou como jornalista no Diário de Notícias entre 1988 e 1994, onde foi também coordenadora do suplemento DN Jovem. Foi professora de português no ensino secundário. Escreveu Conto É Como Quem Diz, novela que recebeu o primeiro prémio da Mostra Portuguesa de Artes e Ideias, Caderno de Memórias Coloniais, cuja edição francesa foi finalista do Prémio Femina Estrangeiro, e A Gorda, obra que recebeu o Prémio Literário Urbano Tavares Rodrigues. Os seus livros estão publicados em França, Itália, Alemanha, Espanha e Brasil e alcançaram grande êxito junto do público e da crítica, especialmente em Portugal e no Brasil, sendo constantemente reimpressas. Em 2022 publicou Um Cão no meio do Caminho, o seu mais recente romance que é também um sucesso de vendas.

JÚLIA BARATA nasceu em Portugal, cresceu em Moçambique até 1988 e vive atualmente em Buenos Aires. É arquiteta e autora de banda desenhada. Publicou novelas gráficas em Portugal, Argentina e Espanha.

Apresentação na Feira do Livro de Lisboa l Praça LeYa l 31 de março l 19h00

29.05.2026 | por martalanca | novela gráfica

A cultura nos Açores tem agora o seu próprio radar

Radar Cultural

Angra do Heroísmo, 27 de maio de 2026 — É lançado nos Açores o Radar Cultural, uma plataforma dedicada à mediação e capacitação do setor cultural e criativo. Criada pela gestora cultural Daniela Silveira, a plataforma nasce para dar resposta a uma realidade que persiste no arquipélago: menos de 1% das entidades culturais acede a financiamento externo.

O Radar Cultural surge num contexto em que o setor cultural e criativo açoriano nunca dispôs de um serviço de apoio estruturado ao acesso a financiamento externo. Apesar das reivindicações históricas do setor, e do papel que diversas entidades regionais poderiam ter assumido nesta matéria, essa resposta nunca chegou a concretizar-se. O Radar Cultural nasce, assim, como uma iniciativa privada que preenche um vazio há muito sentido e também há muito esperado.

O Radar Cultural recolhe, trabalha e comunica ao setor as oportunidades de apoio, concursos e financiamentos disponíveis — nacionais e internacionais — tornando a informação mais acessível, organizada e estratégica para quem trabalha na cultura e nos setores criativos.

A plataforma opera através de três linhas de atuação. A primeira é a informação, assegurada por uma newsletter mensal e uma página de instagram e linkedin com curadoria de oportunidades relevantes para o setor. A segunda é a formação, com sessões regulares, em formato presencial e digital, que capacitam artistas, associações e estruturas culturais para aceder a apoios e financiamentos, garantindo que a distância geográfica não é impedimento para nenhum agente cultural do arquipélago, e fora dele. A terceira é o acompanhamento, através de um serviço de consultoria e apoio direto a projetos em fase de candidatura.

“Nos Açores, o problema nunca foi a falta de talento ou de projetos. Foi sempre a falta de acesso à informação e às ferramentas certas para chegar ao financiamento disponível”, afirma Daniela Silveira, fundadora do Radar Cultural. “Esta plataforma existe para mudar isso.”

Um percurso que começou antes do Radar

O lançamento do Radar Cultural não surge do zero. Desde outubro de 2025 que Daniela Silveira dinamiza formações direcionadas ao setor cultural e criativo dos Açores. O percurso iniciou-se com um ciclo de três sessões sobre financiamento europeu, realizadas numa altura estratégica — a anteceder a abertura do Europa Criativa, o maior programa europeu de apoio ao setor cultural e criativo. Uma aposta deliberada em preparar o terreno antes de a janela de oportunidade se abrir.

As próximas formações

Em junho, o Radar Cultural inicia o seu programa de formações com um ciclo dedicado aos programas de apoio da Direção-Geral das Artes — nomeadamente o Programa de Apoio às Bandas de Música e Filarmónicas e o Programa de Apoio Sustentado. As sessões decorrerão em horário pós-laboral.

As datas já confirmadas são:

5 de junho Startup Angra — Ilha Terceira

13 de junho Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada — Ilha de São Miguel

Estão previstas mais formações ao longo do ano, abrangendo temas como gestão cultural, elaboração de projetos artísticos e construção de dossiers de candidatura, entre outros. As sessões serão disponibilizadas também em formato digital, por forma a chegar a agentes culturais de todas as ilhas do arquipélago.

Sobre Daniela Silveira Daniela Silveira é gestora e produtora cultural com cerca de 15 anos de experiência no setor criativo açoriano. Ligada a diversos projetos e casas de cultural é uma das mais dinâmicas agentes culturais da região.

Sobre o Radar Cultural O Radar Cultural é uma plataforma de mediação e capacitação do setor cultural e criativo, sediada nos Açores. Atua através de newsletter mensal, formações presenciais e digitais, e serviços de consultoria e acompanhamento de candidaturas a financiamento.

Mais informações em @radarcultural.pt 

Contacto de imprensa Daniela Silveira — Radar Cultural 

Danielasilveira.cultura@gmail.com

+351 911084772

27.05.2026 | por martalanca | Radar

Ecologias de Cura e do Bem Viver: Plantas, Imagem e Processos Participativos de Pesquisa em Saúde

DATE

15/06/2026 - 17/06/2026

LOCALIZATION

Iscte, Ed.4 sala 202

WITH

Emiliano Dantas (FMUSP/CRIA Iscte) 

paula roush (msdm)

ORGANIZATION

Paulo Raposo (CRIA Iscte) | Laboratório de Audiovisual - LAV | CRIA 

INGRESS

Atividade sujeita a inscrição

Esta oficina/curso nasce de um encontro entre práticas artísticas, saberes populares, pedagogias de saúde coletiva e reflexão académica. Em vez de introduzir conhecimento de forma vertical, a proposta ativa aquilo que já existe — memórias, práticas domésticas, relações com plantas que atravessam geografias, culturas e histórias de cuidado. O encontro entre imagem e planta é aqui entendido como um espaço de mediação: não se trata de ilustrar o mundo vegetal, mas de tornar visível uma relação.

Inscrição: www.cria.org.pt/pt/cursos-cria

Programa:

15 de junho

09h30 – 12h30 Abertura e apresentações — paula roush “Imagem, publicação e herbário expandido” — Emiliano Dantas Círculo cultural e pedagogia da prevenção

14h00 – 18h00 Oficina Herbário Metabólico Facilitação: paula roush

16 de junho

09h30 – 12h30 Oficina Herbário Metabólico Facilitação: paula roush

14h00 – 17h00 Oficina Herbário Metabólico + Círculo Cultural Facilitação: paula roush e Emiliano Dantas

17 de junho

09h30 – 12h30 Oficina Círculo Cultural Facilitação: Emiliano Dantas

14h00 – 17h00 Oficina Círculo Cultural Facilitação: Emiliano Dantas

17h00 – 18h00 Debate final e sistematização Encerramento

18h30 Projeção de Céu Vermelho

19h30 Conversa com equipe de diretoras Marina Thomé e Marcia Mansur

27.05.2026 | por martalanca | CRIA, plantas

MEXTO e WAAU reforçam presença na ARCOlisboa 2026 com programação dedicada à arte africana contemporânea

Entre os dias 28 e 31 de maio, a MEXTO e a WAAU (World African Artists United) integram a programação da ARCOlisboa 2026, reforçando a ligação que ambas têm vindo a construir com a Feira Internacional de Arte Contemporânea.

Fundadas pelo curador e filantropo Elson Angélico, a MEXTO e a WAAU assumem papéis distintos no contexto da feira. A MEXTO participa pelo quinto ano consecutivo como patrocinadora oficial da ARCOlisboa, enquanto a WAAU, associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da arte africana contemporânea, volta a integrar a programação cultural da edição deste ano.

A exposição apresentada pela WAAU propõe uma reflexão sobre perspetivas afro-atlânticas através de práticas artísticas contemporâneas marcadas pela memória, transformação e intercâmbio cultural. Desenvolvida em colaboração com a ABLAKASSA e a THIS IS NOT A WHITE CUBE, a apresentação reúne obras de Aristide Kouamé, Gonçalo Mabunda, Nelo Teixeira, Ricardo Piedade aka Blac Dwelle e Yvanovitch Mbaya.

Com recurso a diferentes linguagens visuais e abordagens materiais, os artistas exploram temas como identidade, pertença, resiliência e memória coletiva, propondo novas leituras sobre as narrativas culturais africanas e afrodescendentes contemporâneas.

 Fragmentos da Chicala, 2021 Fragmentos da Chicala, 2021

Além da exposição, a WAAU integra também a programação paralela da ARCOlisboa com a mesa-redonda “Memória Decolonial e Educação Artística”, que terá lugar no dia 29 de maio. Moderada por Ana Balona de Oliveira, a conversa contará com a participação da artista Ângela Ferreira, de Amanda de la Garza, vice-diretora do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, da curadora Cindy Sissokho e do curador Kwasi Ohene-Ayeh. A sessão propõe uma reflexão sobre os legados coloniais na educação artística e sobre a construção de narrativas mais plurais, inclusivas e representativas na arte contemporânea.

Através da sua ligação à ARCOlisboa e do apoio a projetos culturais e artísticos, como a WAAU, a MEXTO reforça o seu envolvimento com iniciativas que promovem o diálogo entre arte, arquitetura, cidade e comunidade.

“Continuamos a investir em iniciativas que aproximam arte, comunidade e cidade, promovendo experiências criativas com impacto cultural no espaço urbano. A participação na ARCOlisboa reforça a nossa missão de criar pontes entre artistas africanos, instituições culturais e públicos internacionais, promovendo uma maior visibilidade para práticas artísticas ainda sub-representadas nos circuitos tradicionais da arte contemporânea”, afirma Elson Angélico, fundador da MEXTO e da WAAU e membro do Comité de Honra da ARCOlisboa.

Num momento em que arte, arquitetura e lifestyle se cruzam de forma cada vez mais natural, a criação artística assume um papel cada vez mais relevante na forma como experienciamos os espaços, contribuindo para a valorização cultural e identitária de projetos urbanos e imobiliários.

Organizada pela IFEMA MADRID e pela Câmara Municipal de Lisboa, a ARCOlisboa, que decorre na Cordoaria Nacional, volta a transformar Lisboa num dos principais pontos de encontro da arte contemporânea europeia, reunindo galerias, artistas, colecionadores e profissionais do setor de diferentes partes do mundo.

A MEXTO é uma promotora imobiliária focada no desenvolvimento de projetos que combinam inovação, identidade e impacto urbano. Com uma abordagem orientada para a criação de espaços contemporâneos e sustentáveis, a MEXTO tem vindo a afirmar-se através de projetos que valorizam a ligação entre arquitetura, cidade e experiência humana.

Paralelamente à sua atividade principal no setor imobiliário, a MEXTO desenvolve iniciativas ligadas à cultura, criatividade e lifestyle, entendendo a arte e a cultura como elementos fundamentais na valorização dos espaços e na construção de comunidades mais dinâmicas e inspiradoras. 

A WAAU é uma associação sem fins lucrativos fundada por Elson Angélico, dedicada à promoção da arte contemporânea africana e das suas diásporas. Através de exposições, conversas e projetos culturais, a associação cria plataformas de encontro entre artistas, curadores, instituições e públicos internacionais.

Com uma abordagem centrada na representatividade e no pensamento contemporâneo, a WAAU desenvolve iniciativas que cruzam arte, educação e comunidade, contribuindo para uma maior visibilidade de narrativas africanas e afrodescendentes no panorama cultural internacional.

PARA MAIS INFORMAÇÕES, CONTACTE:

LLYC Portugal | 21 923 97 00 

Cristina Girão | cgirao@llyc.global

Francisca Rodrigues | frodrigues@llyc.global

Beatriz Freitas-Branco | beatriz.branco@llyc.global

26.05.2026 | por martalanca | WAAU

A Festa do Pensamento — FesThink

A Festa do Pensamento — FesThink é uma iniciativa da Kees Eijrond Foundation Portugal que reúne mais de 20 vozes, entre filósofos, artistas, investigadores e arquitetos, para pensarmos juntos novas formas de habitar a cidade.
O evento integra o New European Bauhaus Festival, NEB Festival, e chega à sua terceira edição com o apoio do Centro Português de Fundações.
Venha pensar connosco. Nesta festa, só é proibido não questionar e, sobretudo, não nos questionarmos a nós próprios. Uma ideia contrária à nossa pode provocar um azedume figadal, mas também pode ser divertida.
Dia 13 de junho, em Lisboa.
Consulte a programação completa aqui.

26.05.2026 | por martalanca | FesThink

Lançamento do livro de Álvaro Vasconcelos, volume 3

Uma conversa importante sobre a banalidade do mal colonial, a hospitalidade, o brutalismo que ameaça a democracia e como prevenir o apocalipse climático, da guerra e da IA.

25.05.2026 | por martalanca | memórias de amnésia