Exposição “Nirivalele hi kuxwela” para visitar em Maputo

A exposição está patente no Centro Cultural Franco-Moçambicano, entre 5 de Julho a 20 de Agosto de 2022.

Pode visitar a Exposição “Nirivalele hi kuxwela” de Hugo Mendes até o dia 20 de Agosto no Centro Cultural Franco-Moçambicano de Maputo.

“Nirivalele hi kuxwela” é uma alegoria para o tempo que a pandemia nos tirou – foram dois longos anos de incertezas e ansiedade – e também brinca com o facto de artistas terem sobre si a conotação (não totalmente infundada) de serem imprevisíveis e com problemas com deadlines.

“Com obras de arte resultantes das reflexões durante o tempo de isolamento causado pela pandemia, e que tencionam representar aspectos do quotidiano, referindo-se à história colectiva dos Moçambicanos.”

Hugo Mendes é um artista visual que nasceu e cresceu em Maputo. Sendo Moçambique um país com uma cultura muito rica e diversa, e com uma forte tradição no artesanato e escultura em madeira, Hugo inspira-se nesses processos. Através do seu trabalho, tenta representar os aspectos do quotidiano, referindo-se à história colectiva dos Moçambicanos, aos seus sonhos, e procurando explorar elementos mais íntimos, relacionados com o lado mais obscuro do seu próprio imaginário.

09.08.2022 | por Alícia Gaspar | arte, centro cultural franco-moçambicano, exposição, hugo mendes, Maputo, Nirivalele hi kuxwela, pandemia

Mundo de Aventuras de José Fonte Santa I Évora

Curadoria de José Alberto Ferreira

Fundação Eugénio de Almeida I Centro de Arte e Cultura, Piso 2


Horário

MAIO - SETEMBRO
De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-19h00

OUTUBRO - ABRIL
De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-18h00

Entrada livre

João Fonte Santa é um dos artistas mais representativos da sua geração. O seu trabalho aborda a incessantemultiplicação de instâncias produtoras de imagens, a sua circulação na cultura de massas e a legibilidadeideológica destes processos. Fonte Santa apropria-se habitualmente de imagens — da banda desenhada aosjornais, da pintura à fotografia, da iconografia popular ao cinema — a partir das quais interroga sentidos,filiações, sensibilidades e identidades.As imagens e os seus modos de circulação integram as formações discursivas que produzem narrativasde poder e de saber. Por elas tanto se mitificam identidades como se caucionam relatos históricos ouhegemonizam discursos. É talvez por isso que elas são o campo privilegiado de questionação e de desafio,análise, desconstrução ou insubmissão por parte de muitos artistas. E é seguramente por isso que estesgestos de apropriação, transformação, re-significação e leitura instalam o acto de criação num territórioonde se cruzam crise e crítica, ética e estética, arte e sociedade.No percurso artístico de João Fonte Santa, a problematização das mitologias nacionais e a desconstruçãoda história, como acontece neste Mundo de Aventuras, tem sido uma constante. Nesta exposição, comefeito, interrogam-se narrativas identitárias em torno de três núcleos. No primeiro, aborda-se a identidadenacional, entre o Berço da nação e A portuguesa, duas peças que tensionam o tempo histórico atravessandoo espaço expositivo.Num segundo núcleo, abordam-se as imagens publicadas no relato dos exploradores portuguesesHermenegildo Capelo e Roberto Ivens, De Angola à contra-costa. As grandes telas que abrema exposição representam imagens daquele livro, originalmente publicado em 1886. Elas evocam a leituraaventurosa desta Descrição de uma viagem através do continente africano compreendendo narrativasdiversas, aventuras e importantes descobertas, como reza o subtítulo encantatório da obra, onde a faunae a flora são analisadas, fotografadas e reproduzidas ilustrando cada passo da travessia continental.Na exposição, é a fauna africana que domina as escolhas do artista, cujas telas de cores fortes e traçopreciso convidam a ler a evidência do mundo natural, submetido pelas armas e pela caça aos exploradoreshumanos. Não um paraíso, mas um paraíso selvagem que as armas domesticam e ordenam.É nesse contexto que se inscreve o terceiro núcleo, no qual o artista trabalha sobre um original debanda-desenhada português anónimo, sem título, datado de 1977, no qual se mitifica o herói branco emação numa África em guerra. A análise, apropriação, re-produção (isto é, literalmente, produção de novo)de vinhetas deste objecto contraria abertamente o eufórico mundo de aventuras que dá título à exposição.Em rigor, desafia-nos a mergulhar nos 31 desenhos da série, em chave serial, iterativa, elíptica e traumática.A exposição apresenta-se como um exercício de desmontagem das imagens de dominação, no queMarie-José Mondzain caracteriza como «descolonização do imaginário». Num mundo fortemente dominadopela imagem, o gesto de criação de (mais) imagens só pode recusar a lógica da acumulação e verter-se emanalítica do imaginário, desafiando-nos a reler as narrativas à luz das suas e das nossas contradições.É este o mundo de aventuras que lhe propomos.

José Alberto Ferreira, curador



Programa Inaugural

Sábado, 9 de julho | 16h00

Alice Geirinhas e José Alberto Ferreira conversam com João Fonte Santa sobre a exposição, seguindo-se uma visita guiada

Entrada livre, limitada à lotação do espaço

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João Fonte Santa

Estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade Clássica de Lisboa. Começou por se dedicar à produção de banda-desenhada underground no contexto do surgimento de fanzines. Lentamente, contudo, o seu trabalho afirmar-se-ia no campo da pintura. Trabalhando a partir de um extenso fundo de imagens e referências de cultura pop, edificaria uma obra que tem tanto de visualmente atraente como de pertinente no modo como apresenta uma visão do mundo particularmente crítica.  

Expõe regularmente desde meados dos anos 90. Das suas exposições individuais, destacam-se: 

Frozen Yougurt Potlash, Galeria VPF Cream Art, Lisboa;

O Aprendiz Preguiçoso, Festival Sonda, Atelier-Museu António Duarte, Caldas da Rainha;
Do Fotorrealismo à Abstração, Salão Olímpico, Porto.
Pintura Para Uma Nova Sociedade, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira;
TODOS OS DIAS A MESMA COISA – CARRO – TRABALHO – COMER – TRABALHO – CARRO – SOFÁ – TV – DORMIR – CARRO – TRABALHO – ATÉ QUANDO VAIS AGUENTAR? – UM EM CADA DEZ ENLOQUECE – UM EM CADA CINCO REBENTA!, Galeria VPF Cream Art, Lisboa;
O Colapso da Civilização, VPF Cream Art, Lisboa;
Bem-vindos à Cidade do Medo, MAAT, Lisboa

Algumas exposições coletivas:

Zaping Ecstazy, CAPC, Coimbra
Plan XX!, G-Mac, Glasgow
Terminal, Fundição de Oeiras, Oeiras
Gabinete Transnatural de Domingos Vandelli, Museu de História Natural da Universidade de Coimbra, Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Café Portugal
, Design Factory, Bratislava; FEA, Évora
Glocalização ou Colapso, Obras na Coleção MG, espaço Adães Bermudes, Alvito
Portugal Portugueses, Museu Afro-Brasil, São Paulo
Utopia/Dystopia, MAAT, Lisboa
Studiolo XXI, FEA, Évora
A Incontornável Tangibilidade do Livro ou o Anti-Livro, MNAC, Lisboa
Cosmo/Política #7, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira;

José Alberto Ferreira
Docente convidado da Universidade de Évora, onde leciona disciplinas da área da história e teoria do teatro. Tem colaboração dispersa em vários jornais e revistas, nacionais e internacionais.  Dirigiu e produziu o Festival Escrita na Paisagem (2004-2012), no âmbito do qual programou projetos e criações de artistas nacionais e internacionais na área do teatro e do transdisciplinar. Foi o curador português do projeto INTERsection: Intimacy and Spectacle, integrado na Quadrienal de Praga. Dirigiu e programa Ciclos de São Vicente, em Évora (2011-2017). É o Director Artístico do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida desde 2018. 

Publicou, além de textos dispersos por catálogos e revistas, Uma Discreta invençam (2004), sobre Gil Vicente, Por dar-nos perdão (2006), sobre teatro medieval, Da vida das Marionetas, sobre os Bonecos de Santo Aleixo (2015). Editor e coeditor de vários títulos, de que destaca Escrita na paisagem (2005), Autos, passos e Bailinhos (2007), Tradução, Dramaturgia, Encenação  (2014), Perpectivas da investigação e(m) artes: articulações (2016), Teatro do Vestido. Um dicionário (2018). Colabora com várias organizações ministrando cursos e seminários.

08.08.2022 | por Alícia Gaspar | banda desenhada, cinema, Descolonização, exposição, fotografia, joão fonte sana, jornais, mundo de aventuras

Cine Eco | Festival de resistência regressa com cinema de impacto para refletir e (re)agir

São 70 os filmes incluídos na Seleção Oficial da 28ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, que decorre em Seia entre os dias 8 e 15 de outubro. Mais de 25 países estão representados na edição deste ano, sendo Portugal, França, Espanha e Alemanha, os que têm maior número de trabalhos a concurso. Novas ‘pandemias’, doenças emergentes, fraudes alimentares, pecuária sustentável, luta de povos nativos, são algumas das temáticas abordadas.

Após um périplo por Cabo Verde e Portugal (incluindo os Açores) com várias extensões já realizadas este ano em diversas cidades portuguesas, e da participação no Fórum Mundial da Água, no Senegal, no mês de março, avizinha-se uma das mais representativas edições do festival Cine Eco em Seia, após dois anos de Pandemia que, ainda assim, não impediram a realização deste icónico Festival em 2020 e 2021.

Na sua 28ª edição entram em concurso 70 filmes sobre temáticas tão pertinentes como polémicas e que inscrevem o Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela “como um evento de charneira para a divulgação das mais recentes produções documentais sobre os mais prementes desafios ambientais e societais, mas também como um importante espaço de debate e contacto com realidades que imaginávamos pertencer apenas à dimensão das distopias”, afirma a Organização do Cine Eco.

Na Competição Internacional de Longas-Metragens figuram 11 documentários. Será possível ver o filme sensação da edição deste ano do Festival de Cannes, a adaptação do clássico de Robert Bresson, “Au Hasard Balthazar”. O mundo é um lugar misterioso quando observado pelos olhos de um burro e, no filme “EO”, do veterano realizador polaco Jerzy Skolimowski, o animal é libertado de um circo por um movimento de defesa dos animais explorados e, ironicamente, vai parar às mãos de um novo dono e alvo de maus tratos. O animal acaba por observar, em silêncio, o sofrimento, a raiva, o desespero e a solidão humana.

Do coração da Papua Nova Guiné chega o filme de Céline Rouzet sobre “tribos locais presas entre rivalidades de clãs, políticos corruptos e multinacionais aparentemente cínicas” em “140 KM À L’OUEST DU PARADIS” (França; Bélgica). No filme “TAMING THE GARDEN” (Suíça; Alemanha; Geórgia), a realizadora Salomé Jashi leva-nos numa viagem ‘delirante’ de uma árvore centenária transplantada, que atravessa o mar Negro para viver o resto dos seus dias no jardim particular do excêntrico milionário e ex-primeiro-ministro da Geórgia. Em “Aya” (Bélgica; França), o realizador Simon Gillard aborda o dilema interno de uma jovem menina confrontada com a inevitabilidade – abandonar a ilha de Lahou, na Costa do Marfim, devido à subida do nível da água do mar. Do Brasil para o Cine Eco chega a luta dos Yanomami em “A Última Floresta” de Luiz Bolognesi e “A Serra do Roncador ao Poente” de Armando Lacerda. Neste último documentário, o realizador conduz-nos pela arte rupestre dos clãs Xavante, os guardiões da Serra, que materializam os espíritos que os defendem quando “a civilização” se rebela contra eles e as suas terras. Estruturado na narrativa pessoal dos nativos da Virgínia Ocidental, “DEVIL PUT THE COAL IN THE GROUND” (EUA) de Peter Hutchinson e Lucas Sabean retrata o sofrimento e a devastação provocada pela indústria do carvão, a economia em colapso, as feridas provocadas pela epidemia dos opiáceos, a pobreza, a degradação ambiental e o desaparecimento dos Apalaches. Na Competição Internacional de Longas-Metragens concorrem ainda “LA FABRIQUE DES PANDÉMIES” (França) de Marie-Monique Robin, uma viagem por 3 continentes - Ásia, América e África - com a atriz Juliette Binoche. Depois de contactarem com mais de 20 cientistas, as evidências parecem claras: “sem uma rápida resposta, o mundo irá enfrentar uma epidemia de pandemias!”. AMUKA - L’ÉVEIL DES PAYSANS CONGOLAIS (França; Bélgica) de Antonio Spanò enquadra-nos na vida dos “ceifeiros da esperança”, os agricultores da República Democrática do Congo que lutam diariamente contra inimigos invisíveis. Do país vizinho para o Cine Eco chegam ainda dois documentários.

PEDRA I OLI (STONE AND OIL) de Àlex Dioscorides, uma imersão documental sobre o desaparecimento do olival de montanha, na Serra de Tramuntana em Maiorca, e o abandono do trabalho do campo. Já “GANADO O DESIERTO (LIVESTOCK OR DESERT)” de Francisco Vaquero Robustillo retrata o papel do gado na regeneração das pastagens, dos solos, das florestas e da água e documenta o papel do maneio e a pecuária sustentável como solução para o restauro dos ecossistemas e economias rurais.

Na Competição Internacional de Curtas Metragens participam 26 documentários e filmes de ficção de vários países como Irão, Senegal, Chile, Rússia, Austrália, Sérvia, Cuba e vários países europeus. A categoria Séries e Reportagens Televisivas integra 11 trabalhos que versam sobre temáticas tão diversas como a agricultura intensiva, fraude alimentar, novas oportunidades da agricultura sustentável, educação ecológica subaquática, o degelo, o papel das abelhas. Na Competição de Longas-Metragens em Língua Portuguesa figuram 4 películas de Portugal e Brasil; na Competição de Curtas Metragens concorrem 13 filmes e, já na Competição Panorama Regional, estão a concurso 5 trabalhos.

Os programadores deste ano do Cine Eco’22 são Cláudia Marques Santos, Tiago Fernandes Alves e Daniel Oliveira.

Sobre o CineEco

O CineEco é membro fundador e faz parte da direção da Green Film Network, uma plataforma de 40 festivais de cinema ambiental.

O CineEco 2022 é organizado de forma ininterrupta há 27 anos pelo Município de Seia e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e do Departamento de Ambiente das Nações Unidas.

Mais informações.

02.08.2022 | por Alícia Gaspar | cine eco, cinema, cinema ambiental, ecologia, festival de resistência, planeta, serra da estrela

Apresentação e debate da obra “Matchundadi” de Joacine Katar Moreira na UCCLA

Vai decorrer no dia 13 de agosto, pelas 16h30, a apresentação e debate da obra “Matchundadi: Género, Performance e Violência Política na Guiné-Bissau” de Joacine Katar Moreira, no auditório da UCCLA.

Com a chancela da Nimba Edições, o debate terá como oradores a autora Joacine Katar Moreira, o sociólogo Huco Monteiro e o jornalista Tony Tcheka.

A abertura da sessão contará com as intervenções do Secretário-geral da UCCLA, Vitor Ramalho, e do editor Luís Vicente.

Haverá um momento musical pelo músico guineense Guto Pires.

De referir que este evento decorre no âmbito da exposição “Olhares da Guinendade - Artes da Guiné-Bissau” patente na UCCLA - Mais informações aqui.

A sessão terá transmissão em direto da página do Facebook da UCCLA.

Sinopse:

«A cultura di matchundadi tem sido o motor da vida política guineense e sem a exacerbação e a institucionalização desta forma de masculinidade hegemónica, o sumo que tem regado a política guineense desapareceria. Entre tramas, traições, mortes, destituições, eleições, nomeações, transições políticas e golpes de Estado.»

[Joacine Katar Moreira]

Indispensável. Numa palavra seria esta a qualificação do livro de Joacine Katar Moreira que aqui se apresenta. E indispensável por múltiplas razões: porque permitirá à leitora e ao leitor aprender tanto como aprendi eu sobre a história contemporânea da Guiné-Bissau; porque desenvolve uma análise fina e sofisticada de como essa história foi e é, também, organizada por um dos processos primordiais de todas as sociedades humanas – o género; porque aponta claramente um dos elementos centrais, até aqui oculto de toda e qualquer análise sobre a realidade guineense, geradores da instabilidade e violência dos processos sociopolíticos da Guiné-Bissau – as formas de (hiper)masculinidade hegemónica que monopolizam a competição pelo poder estatal.

[Pedro Vasconcelos]

A cultura di matchundadi, hipermasculina, move-se dentro das estruturas do Estado, procurando fazer da matchundadi endémica uma matchundadi sistémica. Ou seja, procura institucionalizar um modus operandi e uma visão do mundo na qual impera a lei do mais forte, do mais poderoso e sobretudo do mais violento, ao mesmo tempo que esta hipermasculinidade traduz as características associadas aos homens e às masculinidades, tais como a redistribuição dos recursos, a protecção (e enriquecimento) do seu clã e a ameaça permanente aos adversários políticos. Assim, a cultura di matchundadi é altamente performativa mas com consequências que colidem com o ambiente democrático e a paz social, pois vive do mimetismo político e assenta no confronto constante, na demonstração de força de uns sobre outros.

[Joacine Katar Moreira]

Biografia da autora:

Joacine Katar Moreira é historiadora e política nascida na Guiné-Bissau em 1982. É Doutorada em Estudos Africanos, mestre em Estudos do Desenvolvimento e licenciada em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Foi deputada independente do Parlamento Português durante a XIV Legislatura e candidata às eleições europeias em 2019. Feminista interseccional e anti-racista, as suas áreas de estudo são os Estudos de Género, a violência, a política e a descolonização. Mentora e fundadora do INMUNE - Instituto da Mulher Negra em Portugal, tem participado ativamente no debate público sobre o Colonialismo, a Escravatura e o Racismo. Como política a sua agenda pautou-se pelo alargamento dos Direitos Constitucionais, o combate ao racismo e à pobreza e pela luta contra as alterações climáticas.

02.08.2022 | por Alícia Gaspar | guto pires, huco monteiro, joacine katar moreira, luís vicente, masculinidade, matchundadi, novo livro, tony tcheka, uccla, vítor ramalho

Vozes Indígenas na saúde: trajetórias, memórias e protagonismos

 Co-edição da Piseagrama com a Editora Fiocruz, Vozes Indígenas na saúde: trajetórias, memórias e protagonismos é uma coletânea de depoimentos de lideranças indígenas de diversas povos e regiões do Brasil.

 

A partir das trajetórias e experiências pessoais de treze lideranças, o livro reúne temas, eventos e situações sociopolíticas que resgatam a história e as particularidades da atuação do movimento indígena e seu protagonismo na formulação e na implementação da atual política de saúde para os povos indígenas no Brasil.

Vozes indígenas traz ainda uma conversa entre as jovens lideranças Célia Xakriabá e Luiz Eloy Terena, que revisitam as narrativas da coletânea e refletem sobre seu conteúdo a partir de uma perspectiva contemporânea de luta.

 
Os textos são acompanhados por desenhos do artista Wapichana Gustavo Caboco, que trafegam entre os mundos da medicina indígena e da biomedicina ocidental, nos conduzindo, a cada página, pelas muitas confluências e caminhos que os saberes de cura pressupõem.

Com coordenação editorial da Piseagrama, Vozes Indígenas na Saúde é organizado por Ana Lúcia de Moura Pontes, Vanessa Hacon, Luiz Eloy Terena e Ricardo Ventura Santos.

O livro impresso será vendido pelo preço especial de custo de R$ 35,00, e todo o dinheiro arrecadado com as vendas será destinado a organizações indígenas. O livro também estará disponível para download gratuito em nosso site.

 

Ficha técnica

VALOR R$ 35,00
TIPO brochura
FORMATO 14 × 21 cm
PÁGINAS 384
ISBN 978-65-89833-04-8
978-65-5708-131-0
ORGANIZADORES Vanessa Hacon, Ana Lúcia de Moura Pontes, Luiz Eloy Terena e Ricardo Ventura Santos
TEXTO DE ORELHA Joênia Wapichana
TEXTOS Ailton Krenak, Álvaro Tukano, Carmen Pankararu, Célia Xakriabá, Chico Apurinã, Clóvis Ambrósio Wapichana, Davi Kopenawa Yanomami, Iolanda Pereira Macuxi, Ivani Gomes Pankararu, Jacir de Souza Macuxi, Letícia Yawanawá, Lourenço Krikatí, Luiz Eloy Terena, Megaron Txucarramãe Mebêngôkre, Zezinho Kaxararí
DESENHOS Gustavo Caboco

01.08.2022 | por martalanca | índigenas

CALL FOR PAPERS "BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA BRASILEIRA: REFLEXÕES E PERSPETIVAS"

Call for Papers para Encontro de Jovens Investigadores

Iscte – Instituto Universitário de Lisboa  11 de novembro de 2022

Celebram-se este ano os 200 anos da Independência do Brasil. Aproveitando esta efeméride, o  Centro de Estudos Internacionais (CEI-Iscte) e o Centro de Investigação e Estudos em Sociologia (CIES-Iscte) do Iscte-Instituto Universitário de Lisboa, com o apoio do Doutoramento em História Moderna e Contemporânea e do Doutoramento em Estudos Internacionais, organizam um colóquio subordinado ao tema “Bicentenário da Independência brasileira: reflexões e perspetivas”, que será um espaço de reflexão e debate sobre temas relativos à independência e evolução histórica do Brasil desde 1822 até ao presente.

No âmbito deste evento, iremos organizar a 11 de novembro de 2022, um encontro destinado à participação de jovens investigadores (doutorandos ou recém-doutorados), onde pretendemos debater as problemáticas que envolvem os 200 anos do Brasil independente, tendo como base uma perspetiva no âmbito da História e das Relações Internacionais do Brasil.

Convidamos todos os interessados a apresentar propostas de comunicação considerando três áreas temáticas:

As diferentes independências do Brasil” – neste tópico incluímos as diferentes perspetivas acerca da independência do Brasil, como foi percecionada, quer no momento, quer também no impacto que teve ao longo do tempo, em termos de grupos sociais particulares (mulheres, indígenas, negros, grupos profissionais ou grupos políticos, etc.).

O Brasil e as suas relações atlânticas” – um dos objetivos do encontro é enquadrar a independência brasileira no seu contexto regional e analisar o seu impacto, no tempo e no espaço. Este painel poderá abordar questões como o impacto das independências das restantes colónias ibero-americanas ao longo do século XIX, as relações que se estabeleceram entre si, as relações pós-coloniais com os países ibéricos, entre outros.

O Brasil como ator global” – esta é uma temática que procura sobretudo refletir o papel do Brasil como ator internacional, não só do ponto de vista regional, mas também global. Como se irá comportar internacionalmente o Brasil, depois de ser claramente identificado como uma das potências emergentes do início do séc. XXI? Qual o impacto que a mudança na liderança política e o resultado eleitoral de outubro de 2022 poderá ter na política externa brasileira? O que poderemos esperar do Brasil como potência regional? Estes serão alguns dos temas deste painel.

As propostas, indicando claramente o painel em que desejam participar, devem ser enviadas até ao dia 31 de agosto de 2022 para bicentenariobrasil.iscte@gmail.com, contendo um resumo com até 300 palavras, um CV resumido (até 100 palavras) do/a autor/a e até quatro palavras-chave. Serão aceites propostas em português, espanhol, inglês e francês.

Os resultados de aceitação das propostas serão enviados aos autores até o dia 20 de setembro de 2022.

Comissão científica:

Prof. Doutora Ana Mónica Fonseca, CEI-Iscte

Prof. Doutora Maria João Vaz, CIES-Iscte

Prof. Doutor Luís Miguel Carolino, CIES-Iscte

Prof. Doutor Luís Nuno Rodrigues, CEI-Iscte              

Prof. Doutor Paulo Teodoro de Matos, CIES-Iscte

01.08.2022 | por martalanca | Brasil, independência

Já está disponível segundo volume da VOLTA para tua terra

Após edição de sucesso em poesia (2021), 34 autores estrangeiros apresentam seus textos em prosa

Pré-venda.

 

Já está disponível em pré-venda o segundo volume da ‘VOLTA PARA TUA TERRA’O livro, que desta vez contém textos em prosa, une-se ao primeiro volume de poesia publicado em 2021, compondo a coleção publicada pela Editora Urutau, de naturalidade brasileira com sede em Portugal e Galiza. A coleção se propõe a selecionar textos de escritores estrangeiros que residem em Portugal com a temática antifascista, antiracista, antixenofobia e anticolonial a partir de uma open call, e desta vez foram escolhidos 34 contos, crônicas, ensaios e relatos de autoria de escritores de oito países, entre eles Brasil, Italia, Angola, Colombia, Guiné Bissau, Argentina e Espanha.

Este livro inaugura uma nova fase, já que aquilo que pretendia-se apenas um livro cresceu para tornar-se uma coleção, ou um circuito. O editor Wladimir Vaz explica que não era um plano um segundo volume, mas o livro em prosa tornou-se um processo orgânico. “Não pensávamos em uma coleção de antologias, mas após a publicação do primeiro volume de poesia sentimos como ela serviu para estimular as vozes dissonantes que produzem literatura em Portugal, como um abrigo. Temos uma temática urgente e um perfil urgente de escritores que necessitam ter sua voz amplificada neste País”, contou Wladimir Vaz, editor e curador.

A curadora e organizadora Manuella Bezerra de Melo concorda quanto à urgência dos temas propostos. “Os imigrantes são uma grande parcela deste País, entretanto só pensa-se em imigrantes para funções específicas, nunca como produtores de conhecimento, de cultura. A VOLTA nos fez notar o quanto estas temáticas precisam de investimento dentro do campo literário, é um investimento necessário no campo simbólico, e o momento político só nos mostra cada vez mais essencial”, explicou Manuella Bezerra de Melo, organizadora e curadora da coleção juntamente a Wladimir Vaz.

Nas duas open calls foram recebidas centenas de textos, o que só comprova um grande fluxo produtivo de literatura entre imigrantes,  e com este segundo volume, a coleção já textos publicados de 70 escritores oriundos de 12 países, todos residentes em Portugal. A pré-venda segue até o lançamento oficial do segundo volume da VOLTA para tua terra, que está agendado para o próximo dia 15 de outubro, às 14h, no Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, instalado na antiga cadeia do Aljube, e hoje, símbolo da resistência antifascista e democrática de Portugal. Também haverá um evento no Norte, ainda sem data nem local.


29.07.2022 | por Alícia Gaspar | antifascismo, antiracismo, editora urutau, literatura, livro, prosa, volta para tua terra

Género, domesticação e imigração contados por uma empregada de mesa em "Um Fado Atlântico"

A editora Urutau apresenta Um Fado Atlântico, novo livro da brasileira radicada em Portugal, Manuella Bezerra de Melo. O livro, publicado em Portugal e Brasil com distribuição para toda Europa, deve gerar algumas polêmicas em território português. Isto porque, a partir de uma personagem comum, uma empregada de mesa, o conto trata sobre questões espinhosas da imigração em Portugal. 


No prefácio que escreveu para o volume de poesia da antologia Volta para tua terra, Manuella Bezerra de Melo afirma que “A imigração é um labirinto”. Esta é a primeira pista para uma possível leitura de Um fado Atlântico, que conta a história de uma mulher imigrante presa neste labirinto. Empregada de mesa precarizada, esta personagem sem nome deixa sua cidade do outro lado do oceano para viver num país que, logo percebe, é muito diferente daquilo que imaginava. O que encontra é o subemprego e o preconceito, e passa por uma dificultosa adaptação onde é preciso muito esforço emocional para reconstruir seu lugar no mundo. 

Um Fado Atlântico é sobre a dimensão de gênero da imigração, principalmente para as mulheres brasileiras, mas também sobre a domesticação e a assimilação a que são submetidas as pessoas imigradas, evidenciando o sofrimento psíquico de alguém que se esforça para tornar-se aquilo que nunca poderá ser por uma tentativa inútil de se encaixar, de ser aceita, ou de minimamente não ser violentamente ferida. 

A autora delimita o livro a um tipo de ficção autobiográfica, género literário que tem sido explorado na produção contemporânea, principalmente no que tange a produzida por mulheres. E para Manuella, literatura e política são impossíveis de se distanciar. “Tudo na vida de uma mulher é político, não há uma fronteira que delimita o que é uma coisa e o que é outra”, explica. 

Segundo antecipa, a personagem do conto tem muito de si: a imigração, o trajeto que percorre, algumas experiências da vida prática. Entretanto a história é ficcional, e não há como ter certeza do que foi inventado e do que é real. “Neste livro, meu pacto com o leitor é deixá-lo livre para imaginar o que disto tudo pode ser da autora e o que pode ser somente dela, da personagem que também narra esta história, mas principalmente o que pode ser de todas nós, mulheres imigradas”, finaliza.

 A ilustração de capa é da artista eslovaca Zuzana Brakociová, e o livro está em venda no site da editora Urutau.

“há os poucos que perguntam de onde sou, o que faço aqui, normalmente as mulheres que, vez por outra, vem a seus papéis de esposa a constranger a imigrante da colônia que serve pratos aos maridos todos os dias. Respondo com educação, sucinta, calada, econômica. Quem era ela, econômica nas palavras. Evito olhar nos olhos para não ser mal interpretada. Respondo olhando para o chão, porque é para o chão olham as empregadas de mesa, e para onde devem olhar, é assim que rege o estatuto internacional deste ofício, principalmente o estatuto das imigrantes que servem mesas em tascas.” 

(Um fado Atlântico, IX, página 28 e 29) 

Minibiografia

Autora de Pés Pequenos pra Tanto Corpo (Urutau, 2019), Pra que roam os cães nessa hecatombe (Macabea,2020) e Um Fado Atlântico (Urutau,2022), Manuella Bezerra de Melo organizou a coleção de antologias VOLTA Para Tua Terra (Urutau, 2021; 2022). Participou de antologias poéticas, entre elas a Um Brasil ainda em chamas (Contracapa, 2022), e tem poemas e contos publicados em revistas literárias no Brasil, Portugal, Argentina, Colômbia, México, Equador e EUA. Para 2022 está previsto também seu primeiro livro de ensaio sobre a nova poesia brasileira no ciclo do Golpe de 2016 pela editora Zouk. É graduada em Comunicação Social com especialização em Literatura Brasileira, mestre em Teoria da Literatura e Literaturas Lusófonas e frequenta o Programa Doutoral em Modernidades Comparadas da Universidade do Minho, no norte de Portugal, onde vive desde 2017.

28.07.2022 | por Alícia Gaspar | Brasil, domesticação, editora urutau, género, imigração, livro, manuella bezerra de melo, Portugal, um fado atlântico

Visita o Aljube!

30 de julho de 2022 - 10H30
Museu do Aljube Resistência e Liberdade

Vem conhecer a exposição longa duração do Museu do Aljube Resistência e Liberdade, e as histórias da resistência à ditadura em Portugal até à revolução do 25 de Abril de 1974.

A exposição de longa duração do Museu apresenta aos visitantes no piso -1 uma mostra arqueológica com vestígios encontrados aqui.

No piso 0, o memorial de homenagem aos presos políticos, a história do edifício e a exposição temporária “Adeus Pátria e Família”.

No piso 1, a caracterização do regime ditatorial português (1926-1974), os seus meios de repressão e opressão (a Censura, as polícias e os tribunais políticos).

No piso 2, a resistência das oposições (semi-legais e clandestinas), a prisão, a tortura, os curros de isolamento.

No piso 3, a luta anticolonial e os movimentos independentistas de libertação, o derrube da ditadura e o 25 de Abril de 1974 e no piso 4, a exposição temporária “A Sagrada Família”.

Duração aproximada: 1h

Entrada livre, sujeita a inscrição em: inscricoes@museudoaljube.pt

27.07.2022 | por Alícia Gaspar | 25 de abril, cultura, exposição, museu do aljube, visita guiada

Cinalfama | Lisbon International Film Festival

25 julho a 29 julho 2022

Grupo Sportivo Adicense

O Bairro de Alfama recebe a primeira edição do Cinalfama – Lisbon International Film Festival. Um evento anual de cinema, com diversas categorias competitivas, programação indoor e outdoor e um programa educativo. O objetivo é celebrar o cinema e o Bairro, convocando realizadores de todo o mundo e dinamizando espaços e recantos esquecidos deste lugar histórico da cidade.

O Festival decorre em locais emblemáticos do Bairro de Alfama, como a histórica sede do Grupo Sportivo Adicense, as Escadinhas de São Miguel, o Beco do Loureiro e a Rua dos Corvos.

Programação completa aqui.

25.07.2022 | por Alícia Gaspar | alfama, bairro, bairro de alfama, bairros de lisboa, cinalfama, cinema, lisbon international film festival

Resistência Visual Generalizada - Livros de fotografia e movimentos de libertação: Angola,Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo-Verde, anos 1960-80

Desde 2019, Catarina Boieiro e Raquel Schefer têm desenvolvido uma investigação com vista a preparar um projeto de exposição em torno dos livros de fotografia realizados no contexto dos Movimentos de Libertação em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde (1960-80). Os livros compõem um corpus inédito e rico para analisar a história destas longas lutas pela independência, assim como para refletir acerca do potencial político da imagem.

Os livros de fotografia foram produzidos no contexto das lutas anticoloniais nos países africanos de língua portuguesa. Concebidas no âmbito dos movimentos de libertação (MPLA, FRELIMO, PAIGC) ou por fotógrafos, jornalistas e cineastas estrangeiros empenhados, estas publicações pouco conhecidas são acompanhadas por imagens, documentos políticos e filmes da época, ao mesmo tempo que são confrontadas com a criação artística e as lutas políticas do presente.

A exposição teve a sua primeira versão em Paris em (2021/2022), em parceria com o INHA (Institut National d’Histoire de l’Art) e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

Galerias Municipais de Lisboa – Torreão Nascente da Cordoaria Nacional  
Edifício Cordoaria Nacional, Av. da Índia,  1700-019 Lisboa

28/09 - 27/11/2022
Entrada livre

25.07.2022 | por martalanca | Catarina Boieiro, movimentos de libertação, Raquel Schefer

Festival Internacional de Teatro de São Tomé

Tchiloli uma tragedia actual. ©JoseMoraRamosTchiloli uma tragedia actual. ©JoseMoraRamos

Começa esta quinta-feira, 21 de Julho, em São Tomé, a primeira edição do Festival Internacional de Teatro de São Tomé, no âmbito do RECITE, um projecto liderado pelo Ministério do Turismo e Cultura de São Tomé e Príncipe, em parceria com a AEGUI - Associação de Escritores da Guiné-Bissau. Ao longo de 10 dias, o público são-tomense vai poder assistir a nove espectáculos, de cinco grupos nacionais e dois grupos vindos de Moçambique e Portugal.

O Festival, cuja sessão de abertura é presidida pelo Primeiro-Ministro de São Tomé e Príncipe Jorge Bom Jesus, começa com a estreia de “Tchiloli, uma tragédia actual”, exercício-espectáculo que resulta de um Laboratório Teatral dirigido pelo encenador Andrzej Kowalski. A partir de um texto original, criado colectivamente no seio do grupo, oito actores e actrizes são-tomenses revisitam a tradição do Tchiloli e reflectem sobre a actualidade do país. O espectáculo é apresentado em duas sessões, a 21 e a 22 de Julho, no auditório do Arquivo Histórico, sempre às 19h00.

Ao longo dos dias seguintes, quatro grupos nacionais apresentam os seus trabalhos, todos também no Arquivo Histórico e sempre às 19h00: “Kinté de Motxi”, pelo Legi Tela (23 de Julho); “O Guloso Mentiroso”, pelo grupo Os Parodiantes da Ilha (24 de Julho); “Um olhar direccionado”, do Caravana Africana (25 de Julho); e “A busca do sonho”, pelo Surpresa da Madrugada (27 de Julho).

As participações internacionais nesta primeira edição do Festival são asseguradas pelo espectáculo “Pois é, vizinha” (Moçambique), com encenação de Maria Atália (26 de Julho, 19h00, no Arquivo Histórico) e por dois espectáculos da companhia portuguesa Teatro Meridional: “O Sr. Ibrahim e as Flores do Corão” (29 de Julho, 19h00, Arquivo Histórico) e “Elas”, um recital de poesia de língua portuguesa com Natália Luiza (30 de Julho, 19h00, Centro Cultural Brasil – São Tomé e Príncipe).

A 31 de Julho, domingo, pelas 16h00, o Festival encerra com o Tchiloli, pela Florentina de Caixão Grande.

O projecto RECITE

O projecto RECITE – Rede de Centros de Intercâmbio Teatral nos países de língua portuguesa é uma parceria entre o Ministério do Turismo e Cultura de São Tomé e Príncipe e a AEGUI – Associação de Escritores da Guiné-Bissau que assume como objectivo central a consolidação dos Centros de Intercâmbio Teatral de São Tomé e de Bissau, enquanto plataformas de intercâmbio e apoio à actividade das comunidades teatrais dos respectivos países. Para além de acções de formação (os laboratórios teatrais), de exercícios-espectáculo e de festivais internacionais de teatro nos dois países, o projecto prevê ainda acções de valorização e divulgação de manifestações artísticas tradicionais de São Tomé e Príncipe e da Guiné-Bissau e o arranque de projectos de qualificação ou de criação de espaços cénicos nas duas capitais.

Em São Tomé e Príncipe, a estreia do exercício-espectáculo e o Festival Internacional de Teatro são os primeiros momentos de partilha com o público do trabalho que vem sendo realizado desde Janeiro de 2022. Até Junho de 2024 (período de implementação do projecto), a acção estender-se-á à documentação (com a constituição de uma nova biblioteca de teatro no CIT-STP e realização de uma oficina de técnicas documentais), à disponibilização ao público de um acervo fotográfico sobre o Tchiloli e o Auto de Floripes e à qualificação do espaço polivalente da Casa da Cultura, melhorando as condições ao dispor da comunidade teatral e dos públicos de São Tomé.

O projecto RECITE é executado no âmbito do PROCULTURA, acção do programa PALOP-TL e UE, financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Camões, I.P.

PROGRAMA
AUDITÓRIO DO ARQUIVO HISTÓRICO 
   21 de Julho, quinta-feira
   18h30 - Cerimónia de abertura
   19h00 - Tchiloli, uma tragédia actual | exercício-espectáculo do Laboratório Teatral (STP)

   22 de Julho, sexta-feira
   19h00 - Tchiloli, uma tragédia actual | exercício-espectáculo do Laboratório Teatral (STP)

   23 de Julho, sábado
   19h00 - Kinté de Motxi | Legi Tela (STP)

   24 de Julho, domingo
   19h00 - O Guloso Mentiroso | Parodiantes da Ilha (STP)

   25 de Julho, segunda-feira
   19h00 - Um olhar direccionado | Caravana Africana (STP)

   26 de Julho, terça-feira
   19h00 - Pois é, vizinha | enc. Maria Atália (MZ)

   27 de Julho, quarta-feira
   19h00 - A Busca do Sonho | Surpresa da Madrugada (STP)

   29 de Julho, sexta-feira
   19h00 - O Sr. Ibrahim e as Flores do Corão | Teatro Meridional (PT)

CENTRO CULTURAL BRASIL - SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
   30 de Julho, sábado
   19h00 - Elas [Recital de Poesia] | Teatro Meridional (PT)

CASA DA CULTURA      31 de Julho, domingo
   16h00 - Tchiloli | Florentina de Caixão Grande (STP)

20.07.2022 | por Alícia Gaspar | cultura, festival internacional de teatro de são tomé, projeto RECITE, São Tomé e Príncipe, tchiloli, teatro

Não há cura

Alice Marcelino / Carlota Bóia Neto / Daniela Vieitas /  Gabriela Noujaim / Indira Grandê / Pamina Sebastião / Sofia Yala

 21 de julho - 3 setembro

Performance “Na Porta ao Lado” de Daniela Vieitas.

Sessões | 19h-20h-21h

DJ Mistah Isaac apresenta“Wako Kungo Sessions” Hosted by Diaza 18h-22h

Galeria MOVART em Lisboa apresenta uma nova interpretação da exposição NÃO HÁ CURA, a coletiva que há um ano inaugurou no Instituto Camões em Luanda. A exposição é agora transportada para uma outra cidade, num outro país e continente. Embora num contexto sócio-político diferente, NÃO HÁ CURA reúne um conjunto de obras que refletem sobre problemáticas universais, e que fazem sentido serem agora mostradas no espaço lisboeta da Galeria MOVART.

A conversa e a desconstrução são os pontos de partida desta mostra que questiona a imposição dos espaços, das diretrizes curatoriais e das convenções sociais. Um diálogo, por ora, sem fim à vista, que se propõe redescobrir e resignificar o eu, o corpo e a mulher, procurando relançar e repensar radicalmente o papel da arte.

A exposição, inicialmente comissariada por Keyezua, conta com a participação de Alice Marcelino (Angola), Carlota Bóia Neto (Portugal), Daniela Vieitas (Portugal), Gabriela Noujaim (Brasil), Indira Grandê (Angola), Pamina Sebastião (Angola) e Sofia Yala (Angola) que irão apresentar obras inusitadas entre instalação, performance, fotografia, video e colagem.

Galeria MOVART,  Rua João Penha 14A, 1250 - 131 Lisboa

18.07.2022 | por Alícia Gaspar | alice marcelino, arte, Carlota Bóia Neto, cultura, Daniela Vieitas, exposição, feminismo, gabriela noujaim, Indira Grandê, movart, NÃO HÁ CURA, Pamina Sebastião, Sofia Yala

Sessão evocativa de Mário Domingues: 18 julho, 18h30, Paços do Concelho

O vereador Rui Tavares tem o prazer de convidar a assistir à sessão evocativa de Mário Domingues que irá decorrer no próximo dia 18 de julho, a partir das 18h30, na Câmara Municipal de Lisboa. Um dos autores pioneiros sobre a afirmação negra e a questão colonial, Mário Domingues será evocado por ocasião dos 100 anos de publicação da série “Para uma História da Colonização Portuguesa” no jornal “A Batalha”.

O evento contará com a presença de José Luís Garcia, Inocência Mata e Rui Tavares e irá também decorrer uma sessão de leitura de textos de Mário Domingues.

15.07.2022 | por Alícia Gaspar | câmara municipal de lisboa, Inocência Mata, jornal a batalha, jornalismo, josé luis garcia, mário domingues, negritude, pós-colonialismo, rui tavares

Virgínias

Lançamento do projeto “Virgínias”, um coletivo de mulheres que procura dar voz a textos inéditos escritos por mulheres (cis, trans ou não-binárias).

OPEN CALL:
Textos inéditos escritos por mulheres (cis, trans ou não-binárias) residentes no Algarve. Datas: de 4 a 24 de julho. www.casuloartesperformativas.pt/virginias

“Fazem alguma ideia de quantos livros se escrevem sobre mulheres no curso de um ano? Fazem ideia de quantos são escritos por homens?” in “Um quarto só seu”, Virginia Woolf

Quase 100 anos depois da publicação da obra literária “Um quarto só seu”, de Virginia Woolf, sabemos que as respostas a estas questões estão ainda longe de serem representativas e igualitárias tanto no panorama de criação literária, como em tantos outros. Foi a partir desta reflexão sobre a escrita de e sobre mulheres que nasceu o projeto “Virgínias”, um coletivo artístico que pretende dar voz a textos inéditos escritos por mulheres (cis, trans ou não-binárias).

A primeira incursão na busca destes textos originais – que não podem ter sido publicados, editados ou representados – será feita na região do Algarve, a partir do Cineteatro Louletano. Podem concorrer todas as mulheres (cis, trans ou não-binárias) que residam nesta região e que escrevam em qualquer uma das variantes da língua portuguesa, inclusive usando o género neutro. O envio de textos pode ser feito até dia 24 de julho, através deste site, e deve também incluir uma carta de apresentação e um texto original. Serão aceites diversas formas literárias, como ensaios, crónicas, contos, material biográfico, declarações artísticas, textos para cena, manifestos, cartas, etc, que privilegiem as temáticas de Identidade, Memória e Género.

Serão selecionados oito textos para serem trabalhados juntamente com o coletivo “Virgínias”, que posteriormente os levarão a palco numa leitura encenada. O trabalho de criação, edição, encenação e apresentação ao público será desenvolvido durante uma residência artística em Loulé, entre os dias 11 e 23 de agosto. A leitura encenada dos textos marca o encerramento da residência com uma apresentação que integra diversos grupos da comunidade local e que será gratuita e aberta ao público. Emmanuel Guilho

NOTA DE IMPRENSA

“Desejamos, enquanto coletivo de mulheres com experiências variadas no mundo artístico e editorial, encetar um trabalho de incentivo à criação e de divulgação de textos inéditos escritos por mulheres (cis, trans ou não-binária), levando-os a cena e publicando-os. É urgente contrariar a história da literatura que perpetua o privilégio de homens (geralmente brancos e de classe média) e corrigir o viés ideológico e social desta tendência. É necessário ampliar o universo de obras disponíveis para que haja uma representação da mulher e da comunidade LGBTQIA+ mais igualitária. Para isso é necessário descobrir, resgatar, reclamar esse espaço, dando voz e corpo a esses textos”, lê-se no comunicado do coletivo que inicia agora o seu trabalho.

Do coletivo “Virgínias” fazem parte Flávia Gusmão, Helena Ales Pereira, Inês Oneto, Madalena Palmeirim, Marlene Barreto e Patrícia Soso.

Esta residência é financiada pelo Cineteatro Louletano, produzida pelo Casulo, Artes Performativas e Audiovisuais e conta com os seguintes parceiros: Câmara Municipal de Loulé, Loulé Criativo, Mákina de Cena, Casa Cultura de Loulé, Grémio Dramático Povoense e Bô Dixam Bai Associação.

Para pedidos de informação, fotografias ou entrevistas, contactar com: Helena Ales Pereira
E-mail: helena.ales@gmail.com

14.07.2022 | por martalanca | feminismo, literatura, residência, Virgínias

Programa de Energias Renováveis para Mulheres: cada projecto uma história para votação

São doze mulheres, provenientes de São Tomé e Príncipe, de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, que ao longo dos últimos seis meses trabalharam diariamente para desenvolverem projetos de energia sustentável a serem implementados nas suas comunidades locais.

Da instalação de sistemas de energia solar ou de irrigação, a projectos educativos e de capacitação, ou projetos que permitam a possibilidade de conservação de alimentos, cada um destes projectos ajudará a desenvolver a economia local, a contribuir para o empoderamento e para a igualdade de género ou, até, gerar impacto social e ambiental nas comunidades abrangidas. Até ao dia 19 de Julho, estão abertas as votações para que o público ajude a eleger o projecto vencedor. Convidamo-lo a ouvir as histórias destas mulheres e a contribuir com o seu voto. Saiba mais aqui.

13.07.2022 | por Alícia Gaspar | cabo verde, empoderamento, energias renováveis, energias renováveis para mulheres, feminismo, Guiné Bissau, igualdade de género, São Tomé e Príncipe, votação

"Mirages and Deep Time" exposição de Mónica de Miranda

Mónica de Miranda inaugura a 21 de julho nas Galerias Municipais - Galeria Avenida da Índia : “Mirages and Deep Time”

Exposição reúne obras inéditas e estrutura-se em torno de A Ilha, um vídeo inspirado na “Ilha dos Pretos”, uma denominação de tradição oral dada no séc. XVIII a uma comunidade de pessoas de origem africana que se fixou junto ao rio Sado 

Mirages and Deep Time (Miragens e Tempo Profundo)

de: Mónica de Miranda

curadoria: Azu Nwagbogu

 

Galerias Municipais - Galeria Avenida da Índia

21 julho a 25 setembro 2022

terça a domingo: 10h -13h e 14h -18h

***

Inaugura no dia 21 de julho a nova exposição individual de Mónica de Miranda nas Galerias Municipais - Galeria Avenida da Índia, intitulada “Mirages and Deep Time” (Miragens e Tempo Profundo), com curadoria de Azu Nwagbogu.

A exposição, reúne obras inéditas de Mónica de Miranda, cuja prática informada pela pesquisa investiga as convergências entre política, identidade, género, memória e lugar através de geografias de afeto, arqueologias urbanas, narrativas pós-coloniais e estratégias artísticas de subversão. A exposição estrutura-se em torno da obra vídeo “A Ilha” (2022), inspirada na “Ilha dos Pretos”, uma denominação de tradição oral dada no séc. XVIII a uma comunidade de pessoas de origem africana que se fixou junto ao rio Sado. 

Mirages and Deep Time de Monica de Miranda circunscreve os problemas com os tropos decoloniais, é uma busca contínua e não mitigada, que requer hiper-vigilância e sugere uma compreensão dos limites da história aprendida. Mirages and Deep Time dá espaço aos aspetos espirituais e metafísicos sobre o reenquadramento da história e identidade negra na história portuguesa. Também avança a conversa em direção à natureza e a novas formas de conhecimento na abordagem do maior desafio do mundo contemporâneo em relação as alterações climáticas na era do Antropoceno.

A exposição é também composta por trabalhos fotográficos, que, em diálogo com o filme, exploram várias relações entre feminilidade, natureza e histórias esquecidas por um sistema hegemónico. Expondo um olhar oposto para a história colonial e patriarcal, as obras avançam importantes questões sobre pertença e sobre a construção da identidade na era contemporânea.

As esculturas apresentadas, cobertas por terra e plantas, exploram a metáfora da ilha, a artista vê a terra ou o território como um detentor de memória, história, uma reciprocidade entre presente, passado e futuro. A terra contém dentro dela o tempo e o espaço, visto como matéria que está sempre a mudar, que não é estática.

O filme “A Ilha” apresenta a história de um lugar utópico, que reside no espaço entre a ficção e a realidade, onde as potencialidades para reescrever histórias e pensar o futuro são reunidas através das personagens e das suas viagens. O nome deste lugar, situado entre ficção e a realidade, e uma reapropriação das histórias locais de uma aldeia portuguesa (São Romão de Sádão) que foi pejorativamente chamada “a ilha dos Pretos” durante os séculos XVII e XVIII. As histórias desconhecidas de gerações de populações escravas em Portugal são procuradas e reescritas nestes espaços onde viveram, participaram ativamente e contribuíram para o desenvolvimento das sociedades que as escravizaram e discriminaram. A viagem à Ilha requer uma viagem física e interior para cada uma das personagens, a um estado superior que exige a redenção do passado e a capacidade de imaginar um futuro. A mulher, que escapa às memórias do passado ao confrontar os seus carrascos. A arqueóloga que investiga a memória a fim de compreender o presente e para que erros semelhantes não se repitam na Ilha. O homem capitalista que, na sua eterna insatisfação, reflete sobre como se tornou o opressor, o colonizador. As crianças, que com a sua força pura e vital energizam todas as outras personagens através da sua fantasia e sonhos.

A narrativa visual de Mónica de Miranda gira em torno de um motivo central: o espelho. Concreto (através do objeto feito) ou natural (por reflexão na água), os espelhos aparecem repetidamente na representação da ilha. Revelando verdades invisíveis e desejos mais profundos, o espelho na obra de Miranda torna-se um intrincado nó polifónico: tanto dobra como desdobra uma narrativa de várias camadas. Através de um filme e uma série de fotografias, de Miranda utiliza o espelho como um dispositivo estruturante que lhe permite sondar, em toda a sua complexidade e multiplicidade, ideias de identidade (eu e alteridade) e história (passado, presente e futuro potencial). Enquanto o espelho, como motivo, é um tropo bem estabelecido na história da arte, com este projeto de Miranda empreende uma re-apropriação do espelho como uma poderosa forma metafórica contemporânea. De facto, de Miranda ‘recupera o espelho’ e atualiza os seus valores simbólicos à luz das suas posições descoloniais, feministas e ecológicas.

De Miranda não só “recupera o espelho” como um aparelho, mas também subverte o seu significado, recusando-se a olhar para o outro lado, dando origem a uma história contada pelas forças dominantes, o espelho torna-se um epítome de agência. “Há poder no olhar”, como os ganchos dos sinos afirmaram - de facto, para Mónica de Miranda, o olhar no espelho rebelde é uma estratégia de olhar e ser olhado com uma agência de pertença.

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Bio

Mónica de Miranda (Porto, 1976) é uma artista portuguesa de origem angolana que vive e trabalha entre Lisboa e Luanda. Artista e pesquisadora, seu trabalho é baseado em temas de arqueologia urbana e geografia pessoal. Trabalha de forma interdisciplinar utilizando desenho, instalação, fotografia, filme, vídeo e som em suas formas expandidas e dentro dos limites entre ficção e documentário. Mónica é cofundadora do Hangar (Centro de Investigação Artística, Lisboa 2014) e em 2019 foi nomeada para o Prémio EDP Novos Artistas (MAAT, Lisboa) e em 2014 para o Prémio Novo Banco de Fotografia. A sua obra está representada em diversas coleções públicas e privadas, nomeadamente: Calouste Gulbenkian, MNAC, MAAT, FAS, Nesr Art Foundation e Arquivo Municipal de Lisboa. Entre as suas exposições mais recentes destacam-se: Europa Oxala (CAM, Lisboa; Mucem, França, 2022)  , Thinking about possible futures,(Biennale del Sur,2021), African Cosmologies, Houston Fotofest (2020), Taxidermy of the future (Biennale Lubumbashi,2019), Architecture and Manufacturing, at MAAT in Lisbon (2019), Tales from the water margins, (Biennale Internationale de l’Art Contemporain de Casablanca,2018); Daqui Pra Frente, Caixa Cultural (Rio de Janeiro and Brasília, 2017-2018); Dakar Biennial in Senegal (2016); Bienal de Casablanca (2016), Addis Photo Fest (2016); Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira (2017), Bamako Encounters – African Biennale of Photography (2015); MNAC (2015); 14th Biennale di Architettura di Venezia (2014); São Tomé e Príncipe Biennale (2013); Estado Do Mundo, Fundação Calouste Gulbenkian (2008), entre outras.
www.monicademiranda.org

11.07.2022 | por Alícia Gaspar | A ilha, arte, cultura, exposição, ilha dos pretos, Mirages and Deep Time, Monica de Miranda, negritude, rio sado

Black Brazil Art abre inscrições para Residência Artística Virtual Compartilhada

Com o tema Fluxos(In)Fluxo: Transitoriedade, evento aceita trabalhos até 15 de agosto de 2022

A Black Brazil Art anuncia chamada para a segunda edição da Residência Artística Virtual Compartilhada (RAVC). Em uma parceria com a Njabala Foundation, fundação voltada para a difusão e experimentação de trabalhos artísticos de mulheres com o tema Fluxos(In)Fluxo: Transitoriedade.

A residência conta com mentores do Brasil, França, Uganda, Reino Unido, Portugal e Estados Unidos.

Inscrição: As inscrições acontecem até 15 de agosto de 2022 pelo site blackbrazilart.com.br/ravc2.

A segunda edição está organizada em um contexto de mundo abalado pela crise do Covid-19 que ainda persiste e pelos processos migratórios forçados no mundo por guerras e conflitos. “A Covid-19 nos lembrou, inversamente, o quanto o ecossistema das artes, e em particular as trocas via residências, estão ligadas a um bem comum crucial, a liberdade de deslocamento - os fluxos que fazemos”, aponta a curadora Patricia Brito.

A residência abre espaços criativos para conscientização sobre o “êxodo” contemporâneo e desenvolverá reflexões teórico-práticas do ponto de vista artístico para pensar coletivamente sobre práticas artísticas socialmente engajadas e relacionais ao mesmo tempo.

As inscrições custam entre R$ 65,00 (individual) e R$ 150,00 (coletivos de até cinco pessoas) e são abertas para artistas, curadores, pesquisadores, educadores, ativistas, entre outros. As vagas são limitadas e a residência tem duração de três meses.

A atividade vai explorar e abordar a noção de “transitoriedade ou senso de lugar e pertencimento” através da representação visual na história, na memória e na arte dos residentes. Uma das grandes atrações da residência será a aula inaugural que conta com a participação do Dr. Antonio Cuyler, fundador da Curley Consulting LLG. e Diretor do Programa de Mestrado e Professor Associado de Administração de Artes da Florida State University (FSU) e da Ugandense Martha Kazungu, fundadora da Njabala Foundation, curadora e historiadora de arte. Ela é mestre em artes verbais e visuais africanas com foco em curadoria e mídia na África pela Universidade de Bayreuth, Alemanha.

O que é:

(RAVC) é um programa de experimentação artística teórico-prático de três meses projetado para focar no processo de criação de novos trabalhos e desenvolvimento coletivo e cooperativo de artistas.

O que faz:

Explora um modelo alternativo de residência no espaço digital, promovendo um espaço criativo para os artistas experimentarem, trocarem ideias e habilidades, colaborarem em projetos, compartilharem recursos para dialogar com outros artistas, fornecer feedback e responsabilizar uns aos outros no cumprimento de prazos e oportunidades.

Como será:

Repensar as práticas artísticas além dos limites geográficos com a organização digital implementada na prática diária dos artistas. Totalmente online terá mentores fixos e convidados.

Quanto tempo: Serão três meses divididos em 13 semanas - o que dará de seis a oito horas por semana.

Aulas:

Serão três encontros por semana e um sábado a cada mês, 30 horas por mês e 90 horas totais de curso-residência.

Requisitos para Participar:

Não há. Diferentes de outros processos de residência artística, essa chamada, busca democratizar acesso e produção incluindo novos protagonistas em criações coletivas.

Chamada para:

Artistas, curadores, pesquisadores, coletivos, educadores, ativistas, entre outros.

Tem custo:

O curso-residência será ofertado de forma totalmente gratuita, mas existe uma taxa de inscrição.

Taxa de Inscrição:

Individual R$ 65,00 Coletivo (até cinco pessoas) R$ 150,00

Como será a Seleção:

Serão 100 vagas. A seleção se dará por análise do formulário, taxa de inscrição paga e a entrevista por vídeo.

E o Resultado:

Projetos serão selecionados para ingressar na 3a edição da Bienal Black; terão participação híbrida em exposição na rede internacional de museus femininos (International Association of Women’s Museums) e poderão receber cedência em espaço físico para a criação do projeto desenvolvido na residência.

Serviço:

2ª Residência Artística Virtual Compartilhada (RAVC-2) | Fluxos(in)Fluxo: Transitoriedade

Inscrição:

Até 15 de agosto de 2022

Programação:

blackbrazilart.com.br/ravc2

Black Brazil Art Site oficial:

blackbrazilart.com.br | Facebook: /BlackBrazilArt Instagram: @bienalblackbrazilart | Twitter: @blackbrasilart | YouTube: /BlackBrazilArt

Sobre a Black Brazil Art

A Black Brazil Art (BBA) tem a missão de promover a diversidade cultural nas artes e na cultura, promovendo o reconhecimento e a inclusão de todos os artistas e práticas artísticas, dando uma atenção especial às mulheres, cuja história absteu-se durante tempos. A BBA procura manter uma presença vigilante e crítica em relação às políticas e ações dos corpos artísticos e cultural, com o objetivo de melhor reconhecer os artistas e oportunizar espaço de reflexão e troca. A BBA trabalha para conscientizar a comunidade cultural sobre os obstáculos sistêmicos que impedem o desenvolvimento equitativo de artistas e das chamadas organizações de diversidade.

Sobre a Curadoria

Patrícia Brito

Curadora independente, museóloga, mãe, comunicóloga, empreendedora e pesquisadora de gênero e raça nas artes. É consultora na Enciclopédia do Itaú Cultural, membro da Associação de Curadores de Museus de Arte de Nova York e da Associação Internacional de Museus Femininos.

Sobre Njabala Foundation

Njabala é uma campanha multifacetada que se inspira em um mito popular de Njabala de Uganda para facilitar conversas sobre feminilidade. Nossa responsabilidade é fazer a curadoria de exposições periódicas, bem como organizar um programa público de atividades destinadas a criar espaços seguros para que artistas femininas prosperem e floresçam.

Créditos

Curadoria: Patrícia Brito (RS)

Apoio: Association of Art Museum Curators (AAMC), International Association of Women’s Museums (IAWM)

Parceria: Njabala Foundation

08.07.2022 | por Alícia Gaspar | black brazil art, Brasil, cultura, fluxos(In)Fluxo: Transitoriedade, njabala foundation, open call, patrícia brito, residência artística virtual, residência online, workshop

Exposição de Yola Balanga: "Quadros de Guerra, Corpos de Luto"

O “ELA - Espaço Luanda Arte” tem o prazer de o(a) convidar para a exposição individual e inaugural em Angola da jovem Artista Angolana Yola Balanga de nome “QUADROS DE GUERRA, CORPOS DE LUTO” esta sexta-feira dia 8 de Julho a partir das 18h. A entrada é livre.

BALANGABALANGA 

De acordo com Yola Balanga e Zaci Dombaxi Xinavane: ”Existem corpos que mereçam luto público e há corpos se apresentam desde sempre como precárias?, apropriando-se do discurso da filósofa Judith Butler que tem como marca de sua obra um pensamento transgressor e peculiar sobre questões de gênero, Yola Balanga traz a tona questões camufladas e romantizadas pelos centros de poder e olhares canonizados. Imbuída na redenção e desconstrução de (pre)conceitos que fazem parte da sua vivência como mulher, tais como corpo, gênero, cultura, religião e espiritualidade, a artista levanta o véu contra as ideias políticas de uma sociedade que rege e manipula esses conceitos como ferramenta de imposição, subjugação e limitação de corpos femininos.

A exposição reúne 9 (nove) pinturas, 6 (seis) fotografias, 1 (uma) performance e 1 (uma) instalação, totalizando 17 (dezassete) obras, como referem: “resultado de reflexões a partir da romantização da zungueira, da mão leve para se resolver os problemas como a fuga a paternidade, estupro, pedofilia, violência doméstica, maternidade, aborto bem como outras reflexões ou quadros de guerra e corpos de luto que afectam o universo da mulher.”

Mais, Yola Balanga e Zaci Dombaxi Xinavane adiantam: “Dessas reflexões sobre o enquadramento do valor desses corpos surge uma ligação original entre a Guerra e as guerras contra todas as normatividades que nos constrangem e limitam, tal como enfatiza Butler “guerras servem como cenário para o desenvolvimento de uma filosofia política”. É neste cenário que a artista usa e coloca o seu corpo como objecto de combate, arma da revolução, Balanga faz emergir questões pertinentes aos espectadores e a sociedade, os quais todos os dias o noticiário também interpela: Quais corpos merecem luto público e quais corpos se apresentam desde sempre como precárias?

BALANGABALANGA 

Yola Balanga é o nome artístico que usa Margarida Celestino Balanga. Descreve-se como uma “artista transdisciplinar”. Começou o seu contacto com as ´artes´ dentro do teatro e da moda, e mais tarde com a licenciatura em Artes Visuais e Plásticas pelo Instituto Superior de Artes / ISARTES, agora Faculdade de Artes. Utiliza principalmente a linguagem ´peformance´ para traduzir as suas propostas artísticas, assim como fotografia, video, instalação e pintura. Explora conceitos sobre espiritualidade e transcendência, corpo feminino, violência de género, questões sócio-políticas religiosas e culturais. É representada em Angola pela galeria ´ELA-Espaço Luanda Arte´.

O “ELA” é um espaço de arte contemporânea com mais de 7 anos de existência e após 2 anos de fecho devido à pandemia por COVID-19, re-abriu as suas portas ao grande público em 2022 no armazém Cunha & Irmão SARL / ex-Escola Portuguesa, situado na Rua Alfredo Troni 51/57, na baixa de Luanda ao lado do Ministério das Relações Exteriores. 

Depois da inauguração, esta mostra poderá ser visitada entre terça e domingo, das 12h às 20h, até 1 de Setembro.

06.07.2022 | por Alícia Gaspar | arte, arte contemporânea, exposição, quadros de guerra corpos de luto, yola balanga

Estreia internacional | “A Letter from Yene” de Manthia Diawara

Manthia Diawara

A Letter from Yene

Institut français du Royaume-Uni, Londres

21.07, 19h00

A estreia internacional de “A Letter from Yene” (2022), vídeo-ensaio da autoria de Manthia Diawara, acontece no Institut français du Royaume-Uni (Londres). Com produção de Maumaus/Lumiar Cité, o vídeo-ensaio resulta de uma comissão de Serpentine, MUBI e PCAI Polygreen Culture & Art Initiative, no âmbito do programa interdisciplinar Back to Earth da Serpentine, e conta com cofinanciamento de Direção-Geral das Artes/Ministério da Cultura e apoio de Heinrich-Böll-Stiftung, Dakar.

À apresentação do vídeo-ensaio segue-se uma conversa entre o artista e Hans Ulrich Obrist, diretor artístico da Serpentine.

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“A Letter from Yene” acontece a partir de conversas com a comunidade que habita a cidade de Yene, na costa do Senegal, onde o artista vive parte do ano. A área era ocupada por pescadores e agricultores mas, nas últimas décadas, tem sido sujeita à erosão costeira e à urbanização descontrolada. O peixe tornou-se escasso e, como as pirogas, barcos tradicionais de pesca, não se podem deslocar até ao alto mar, os seus proprietários procuraram novas ocupações. A pesca moderna requer barcos motorizados e grandes redes feitas de fio não-biodegradável que se tornam letais quando se emaranham com os corais púrpura e os detritos humanos, acabando por dar à costa como criaturas tecidas pelo mar. As mulheres que costumavam tratar do peixe fumado e preservá-lo como parte de um modo de vida sustentável, agora vendem seixos aos proprietários das casas recém-construídas. A areia, o granito, as conchas e os seixos que os proprietários compram para construir, decorar e proteger as suas casas contra os ventos e o sal do mar contribuem, ironicamente, para a degradação das camadas inferiores do oceano e intensificam a erosão costeira.

O vídeo-ensaio desenvolve-se como se fosse uma carta escrita pelo artista ao espectador. O artista não é apenas o contador de histórias, mas também o proprietário de uma das casas ao longo da praia. A sequência de encontros entre os pescadores, as mulheres que apanham seixos e o artista explora a forma como as suas vidas entrecruzadas contribuem, coletiva e inconscientemente, para o enfraquecimento do ambiente que partilham.

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Manthia Diawara (Mali) vive e trabalha entre Abu Dhabi, Nova Iorque e Dakar. É Professor de Literatura Comparada na NYU Abu Dhabi. Entre os seus trabalhos em suporte filme ou vídeo, destacam-se: “Uma Ópera do Mundo” (2017); “Negritude, um Diálogo entre Soyinka e Senghor” (2015) “Édouard Glissant: Um Mundo Em Relação” (2009), “Maison Tropicale” (2008), “Rouch in Reverse” (1995) e, em conjunto com Ngugi wa Thiong’o, “Sembene Ousmane: The Making of the African Cinema” (1994). Entre as suas publicações, destacamse: “Cinema Africano - Novas Formas Estéticas e Políticas” (com Lydie Diakhaté, 2011), “Não Arredamos Pé” (2008/”We Won’t Budge: An African Exile in the World”, 2003), “BlackAmerican Cinema: Aesthetics and Spectatorship” (1993), “African Cinema: Politics and Culture” (1992) e “In Search of Africa” (1998). Os seus ensaios sobre a cultura das diásporas africanas foram publicados no The New York Times Magazine, LA Times, Libération, Mediapart, Artforum, entre outros.

Institut français du Royaume-Uni

17 Queensberry Pl

South Kensington

London

SW7 2DT

06.07.2022 | por Alícia Gaspar | a letter from yene, ecologia, estreia internacional, humanidade, Institut français du Royaume-Uni, lumiar cité, MANTHIA DIAWARA, Maumaus, senegal