"Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global", de Paulo Ramalho

18 de julho de 2026 | 17h00 | Bar Flor do Tejo | Cais de Vila Franca de Xira

Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global, de Paulo Ramalho, pertence à rara categoria das obras que recusam o conforto da literatura de viagem para se transformarem numa interrogação sobre o mundo e sobre nós próprios.

Antropólogo de formação, escritor por necessidade e viajante por inquietação, Paulo Ramalho conhece profundamente a Guiné-Bissau e o arquipélago dos Bijagós, um dos últimos territórios africanos onde a memória ancestral, os rituais, a natureza e a resistência cultural permanecem vivos perante a crescente uniformização do planeta. O seu olhar não é o do turista nem o do repórter ocasional. É o de quem sabe que um povo nunca se descreve apenas pela paisagem, mas pela forma como enfrenta o tempo, a morte, a comunidade e o sagrado.

Neste livro, os Bijagós deixam de ser apenas um arquipélago perdido no Atlântico para se tornarem uma metáfora do nosso tempo. A viagem conduz o leitor para lá da geografia, confrontando-o com as grandes questões do século XXI: o esgotamento do modelo ocidental, a crise ecológica, a desigualdade entre Norte e Sul, o legado do colonialismo e a procura de outras formas de habitar o mundo.

A literatura da Guiné-Bissau ensinou-nos, através de vozes como Abdulai Sila, Tony Tcheka ou Filinto de Barros, que a identidade nasce do diálogo permanente entre memória e futuro. É nesse território de fronteira que Paulo Ramalho inscreve a sua escrita. Sem exotismos nem paternalismos, aproxima-se dos Bijagós com o respeito de quem escuta antes de interpretar, oferecendo ao leitor uma narrativa onde a antropologia e a literatura se cruzam para revelar uma realidade simultaneamente bela, complexa e profundamente humana.

Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, devolve-nos perguntas que preferimos adiar. Que significa viajar quando o mundo parece caminhar para o colapso? O que procuramos no outro que não sejamos capazes de reconhecer em nós? Será o Sul Global apenas uma geografia ou poderá ser também um lugar de resistência, de aprendizagem e de esperança?

Mais do que apresentar um livro, esta sessão propõe um encontro entre leitores, viajantes e todos aqueles que acreditam que a literatura continua a ser um dos poucos lugares onde ainda é possível compreender a complexidade do mundo.

No dia 18 de julho, às 17 horas, o Bar Flor do Tejo, em Vila Franca de Xira, junto à marina, será palco desta conversa. Um espaço de proximidade para ouvir o autor, descobrir as histórias que deram origem ao livro e participar num diálogo sobre a viagem, a cultura, a Guiné-Bissau e os desafios do nosso tempo.

Porque há viagens que terminam quando regressamos a casa.

E há livros que só começam verdadeiramente quando fechamos a última página.

Lançamento de Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global
Paulo Ramalho
Sábado, 18 de julho de 2026 | 17h00
Bar Flor do Tejo –  Cais de Vila Franca de Xira  


13.07.2026 | por martalanca | Bijagós

“Mulheres que carregam”: concurso do Festival do Minuto reflete sobre a força feminina cotidiana

Festival do Minuto convida realizadores a enviarem vídeos de até 60 segundos sobre o tema “Mulheres que carregam”. As inscrições para este e outros concursos temáticos vão até 31 de julho, e os melhores vídeos concorrem ao Troféu Minuto. Clique aqui para assistir à vinheta do concurso. O que uma mulher aguenta carregar? Uma criança, uma família, um país? O mundo inteiro? É nesse vasto campo de possibilidades que o Festival do Minuto lança o concurso temático “Mulheres que carregam”. A proposta é aberta a interpretações diversas, estimulando olhares autorais sobre o tema em vídeos de até um minuto.

Inscrições até 31 de julho “Mulheres que carregam” é um dos 9 concursos temáticos lançados no 1º semestre de 2026 pelo Festival Permanente do Minuto, todos com inscrições abertas até 31 de julho.

Além dos concursos temáticos, o Festival também mantém inscrições abertas para as categorias permanentes mensais: Tema Livre, Animação, Nano Minuto e Minuto Vertical. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site: www.festivaldominuto.com.br. 35 anos de Festival do Minuto

Criado em 1991, o Festival Permanente do Minuto é pioneiro no formato de curtíssima duração, incentivando a criação de vídeos de até 60 segundos antes mesmo do surgimento das redes sociais. Gratuito, online e permanente, passou a alcançar todo o planeta. No Brasil, atinge cidades pequenas, médias e grandes, alcançando o interior, o litoral e as periferias urbanas. Com produções de diferentes sotaques, vivências e contextos, a iniciativa amplia a diversidade no audiovisual e incentiva realizadores amadores e independentes.

Completando 35 anos em 2026, o Festival Permanente do Minuto reafirma seu papel como espaço de experimentação e visibilidade para obras que apostam na síntese e na força expressiva do formato Minuto. Ao longo de sua trajetória, o festival já inspirou iniciativas semelhantes em mais de 50 países.SERVIÇO:

CONCURSOS - FESTIVAL PERMANENTE DO MINUTO ONDE: www.festivaldominuto.com.br

QUANDO: Inscrições até 31 de julho de 2026 CONTATO: thais@festivalminuto.com.br | 43 9874-9580


13.07.2026 | por martalanca | feminina, mulheres

Lançamento do primeiro livro de Orálio Mendes Katchunkuró

A Casa da Cultura da Guiné-Bissau, a LON Edições e o autor @Orálio Mendes Katchunkuró convidam o público para o lançamento de «eu, os Fragmentos e Alentos», a primeira obra publicada pelo autor, um livro de poesia.
A sessão terá lugar no dia 25 de julho de 2026, às 16h30, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (Alameda da Universidade, Cidade Universitária, 1649-014 Lisboa).
A apresentação estará a cargo de Bia Djassi, Michel Té e Tcherno Baldé.
A entrada é livre. Venham celebrar connosco esta estreia literária!

 

 

04.07.2026 | por martalanca | Orálio Mendes Katchunkuró

Olime, em Lisboa e Sintra

Interpretação | Eliana Rosa - Mynda Guevara - João Branco

Texto Marta Lança | Marinho Pina

Encenação, espaço cénico | João Branco

Figurinos | Simone Rodrigues

Desenho de Luz | Pedro Fonseca

Sonoplastia | Basil da Cunha

Fotografia | Machine Pedro Dinis - Queila Fernandes
Agradecimento especial Henrique Silva. 
Apoio à Criação: República Portuguesa - Ministério da Cultura, Juventude e Desporto / Direção Geral das ArtesResidência Artística: Teatro ViriatoParcerias: BUALA · Associação Caboverdiana de Lisboa · Associação de Intervenção Comunitária, Desenvolvimento Social e de Saúde · Associação de Solidariedade Social do Alto Cova da Moura · Centro Desportivo da Reboleira · RDP África 

COMPRA BILHETE AQUI 

Folha de sala - Processo número 0027/2025

Convocada a uma Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, uma mãe vê-se confrontada com um procedimento “de rotina” que rapidamente se transforma num exame minucioso à sua vida.
Ao longo de sucessivas entrevistas, expõe-se o atrito entre linguagem institucional e a experiência da vida concreta. O técnico responsável pelo processo obedece ao protocolo, interroga, regista e avalia riscos. Do outro lado, Maria Isabel responde, hesita, defende-se, acusa (o Estado, os outros?). Um conjunto de critérios - casa pequena, rendas impossíveis, salário mínimo, trabalho noturno, falência de rede de apoio - associam precariedade a perigo e fazem desta mãe, pobre, negra e do bairro, que ainda por cima ousa ser artista, suspeita.
OLIME constrói um dispositivo cénico depurado, onde a repetição burocrática ganha peso dramático. A frieza do registo oficial contrasta com momentos de exposição íntima e ruptura poética. O espetáculo alterna entre o realismo das entrevistas e interlúdios que abrem o discurso para dimensões mais amplas: identidade, memória colonial, violência policial, documentação e cidadania, pertença a um Cabo Verde imaginado, a família e as redes de apoio que na sociedade neoliberal se deslaçam.
Em palco, Eliana Rosa interpreta Maria Isabel, uma mulher irónica, orgulhosa, contraditória, artistística, e cansada de tanto esforço. João Branco, que também encena, é o funcionário Anselmo, que oscila entre as boas intenções e produto de um sistema que mede, categoriza e decide. A rapper e performer Mynda Guevara assume a função de coro contemporâneo. Através da palavra dita e cantada, introduz dados, memórias e comentários críticos que ampliam o caso individual para uma reflexão coletiva. Integra a estrutura dramatúrgica e tensiona a narrativa com composições que atravessam temas como abuso policial, racismo estrutural, o crioulo e a identidade nacional.
O funcionário é incapaz de desligar a máquina absurda da burocracia e vigilância, e a mãe, por sua vez, move-se num contexto onde qualquer falha pode ser lida como prova de incapacidade. Entre protocolo e sobrevivência, instala-se uma pergunta central: é possível medir o amor? E que instrumentos utiliza o Estado para distinguir risco social de desigualdade estrutural?
A peça é uma produção do coletivo Saaraci, que mantém viva, em Portugal, uma ligação artística e cultural a Cabo Verde. Essa presença manifesta-se na sonoridade, na língua, na memória e no modo como a peça convoca a história partilhada entre Portugal e a colonialidade. A colonialidade infiltra-se nas instituições, nos discursos, nas expectativas e nas formas de classificação social. Ao colocar frente a frente uma mãe precarizada e um técnico do Estado, o espetáculo evita simplificações, despertando a reflexão sobre justiça social, responsabilidade institucional e a criminalização da pobreza. Questiona a fronteira entre cuidado e controlo, entre proteção e punição. Recorda que, em contextos de vulnerabilidade económica e racialização, a parentalidade, sobretudo as mães pobres e radicalizadas, é frequentemente sujeita a um escrutínio acrescido.
Mais do que retratar um caso específico, o espetáculo convoca o público a reconhecer as estruturas invisíveis que moldam decisões e narrativas. Entre a morna e o relatório, entre o palco e o gabinete, OLIME afirma o teatro como espaço de escuta, confronto e pensamento crítico.
Uma criação que cruza teatro, música e intervenção cívica, afirmando o direito à dignidade.
17 e 18 em Lisboa, 25 em Sintra.

 

Marta Lança (codramaturga da peça com Marinho de Pina)

03.07.2026 | por martalanca | Olime

"Essas Pessoas na Sala de Jantar", apresentação com Vasco Santos e Margarida Ferra

Apresentação do meu  livro de crónicas, gostava muito que aparecessem no Bota dia 9 às 18h para comprarem (ou trocarem) o livro e ouvir o Vasco Santos e a Margarida Ferra.

Nunca morei sozinha: sempre partilhei casa, com família ou amigos. Por razões práticas, claro, para dividir despesas e responsabilidades, mas também porque partilhar casa é uma escola intensa em atualização permanente. Dá-nos novas perspetivas sobre aquilo que julgávamos saber; dicas e soluções para pequenos e grandes problemas. Obriga-nos a ceder, a negociar e a constatar que o normal para mim pode ser insuportável para o outro: nomeadamente no que toca a critérios de barulho, limpeza ou acumulação. Uma pequena comunidade doméstica acrescenta-se, ampara-se e, quando alguém perde a chave, há menos hipótese de ficar do lado de fora.

03.07.2026 | por martalanca | crónicas, livro

"Oficina de Escrita Criativa - Curativa"

Em alusão ao mês da mulher africana.  Abre-se a “Oficina de Escrita Criativa - Curativa” como um lugar seguro para mulheres transformarem suas emoções e sentimentos em arte.
A partir do sábado - dia 11 de Julho.Em quatro sessões serão partilhadas técnicas de escrita com  intuito de criação de textos, usaremos a escrita como terapia.
Aos sábados de Julho e Agosto pelas 10 horas As vagas são limitadas 
Inscreva - se :WhatsApp 934 442 034
Luz & Leveza

03.07.2026 | por martalanca | escrita, mulher africana

«Feminismo na Periferia» de Mikki Kendall

Apresentação do «Feminismo na Periferia» de Mikki Kendall, editora Kiala com a presença de Nuna, que escreveu o prefácio da edição portuguesa, e de Gisela Casimiro, dia 9 de julho, às 19h na Casa do Comum.

‘O movimento feminista tem um ponto cego e, ironicamente, esse ponto cego são as mulheres. As correntes feministas convencionais raramente encaram a satisfação das necessidades básicas como uma questão feminista e, demasiadas vezes, concentram-se não na sobrevivência das muitas, mas no aumento dos privilégios de poucas. Essa miopia, alimentada por divisões internas e pelo privilégio étnico-racial e de classe, fragiliza a solidariedade entre mulheres e deixa, sobretudo, as mulheres negras e periféricas à margem.
«Como podemos falar de união», questiona Mikki Kendall, «se algumas continuam a oprimir outras?»
Em Feminismo na Periferia, Kendall confronta as falhas do feminismo contemporâneo, partindo da sua própria experiência — marcada pela violência, pela pobreza e pela hipersexualização —, e analisa com lucidez temas como direitos reprodutivos, experiências de abuso, cultura popular e saúde mental.
Feroz, incisivo e profundamente necessário, este livro é tanto uma denúncia de um movimento em transformação como um apelo a todas as mulheres que se reivindicam feministas para que vivam, em pensamento e em ação, segundo o verdadeiro propósito da causa.’

 

02.07.2026 | por martalanca | feminismos na periferia, Kiala editora

'Também os Brancos Sabem Dançar', de Kalaf Epalanga, vai ser adaptado ao cinema

A Wonder Maria Filmes adquiriu os direitos do romance, publicado em 2017, que cruza migração, identidade, música e a transformação cultural de Lisboa, acompanhando também o nascimento dos Buraka Som Sistema. A produção está prevista para 2028. A adaptação cinematográfica está a ser escrita pelo próprio Kalaf Epalanga e por Fernanda Polacow, guionista, realizadora e cofundadora da Wonder Maria Filmes. O projeto conta já com o apoio ao desenvolvimento do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA).

Cruzando autoficção e história cultural da comunidade PALOP em Lisboa, Também os Brancos Sabem Dançar parte da detenção de um músico angolano durante uma viagem entre Gotemburgo, na Suécia, e Oslo, na Noruega, onde deveria atuar num festival. Sem um passaporte válido, o protagonista é levado para uma esquadra e confrontado com a necessidade de explicar quem é, de onde vem e o que o levou até ali.

A partir desse episódio, o romance percorre temas como a imigração, o exílio, a pertença e a experiência de viver entre diferentes países e culturas. Pelo caminho, atravessa a história do kuduro e da kizomba, as memórias pessoais do autor e a Lisboa dos anos 2000, cidade onde diferentes diásporas africanas estavam a transformar profundamente a música, a noite e a cultura urbana. É nesse contexto que surge também a história dos Buraka Som Sistema, grupo cofundado por Kalaf Epalanga e que viria a projetar internacionalmente uma nova linguagem musical nascida do encontro entre Lisboa, Luanda e outras geografias da diáspora.

“Mais do que contar a história de uma banda, queremos retratar uma geração e uma cidade em transformação, marcadas pela presença negra e por uma intensa diversidade cultural. A partir da experiência de Kalaf enquanto membro dos Buraka Som Sistema, o filme atravessa questões que continuam a moldar as sociedades contemporâneas, mostrando como a música e as artes podem funcionar como espaços de resistência e como antídoto à crescente truculência política”, explica Fernanda Polacow.

Kalaf EpalangaKalaf EpalangaFernanda PolacowFernanda Polacow

A adaptação do livro será apresentada na Casa Buraka

No próximo sábado, 4 de julho, a Casa Capitão transforma-se na Casa Buraka, no âmbito das celebrações dos 20 anos dos Buraka Som Sistema e da editora Enchufada. Antes do regresso da banda aos palcos, o encontro reunirá amigos, artistas, colaboradores e o público que acompanhou o seu percurso ao longo destas duas décadas. Às 16h30, Kalaf Epalanga e Fernanda Polacow apresentarão os primeiros detalhes da adaptação cinematográfica de Também os Brancos Sabem Dançar. A conversa contará ainda com a participação de João Pedro Moreira, realizador de Off the Beaten Track, documentário sobre os Buraka Som Sistema, e será moderada pela jornalista Margarida Valença.

 

 

 

02.07.2026 | por martalanca | Buraka Som Sistema, Kalaf Epalanga

Estudo Elife: homens dominam na comunicação digital e as mulheres continuam presas a papéis tradicionais

Análise às publicações do Instagram dos 20 maiores anunciantes em Portugal revela que ainda há um caminho a percorrer na inclusão: idosos, pessoas com deficiência e “plus size” e comunidade LGBTQIAPN+ surgem de forma residual nas campanhas.

Como é que as portuguesas e os portugueses são representados pelos principais anunciantes nas redes sociais? Para responder a esta questão, a Elife uniu-se à Buzzmonitor, a sua plataforma de social listening, para realizar o seu primeiro estudo sobre “Diversidade na comunicação de marcas nas redes sociais em Portugal”. A análise incidiu sobre a presença no Instagram dos 20 principais anunciantes do país, que se traduzem em mais de 90 marcas, cruzando os dados obtidos com a realidade demográfica nacional.

Para este diagnóstico, a Buzzmonitor utilizou as suas ferramentas de Inteligência Artificial para analisar 4.393 publicações abertas no Instagram e sem investimento em media, recolhidas entre 1 de janeiro e 8 de maio de 2026. A metodologia envolveu a classificação automática de imagens para identificar grupos presentes e os contextos de representação, cruzando estes dados com estatísticas oficiais do INE e outros organismos para aferir a fidelidade da comunicação à realidade social.

A investigação focou-se na representação de nove grupos distintos: Brancos, Mulheres, Homens, Negros, Idosos (+65 anos), Asiáticos, Pessoas com Deficiência (PcDs), comunidade LGBTQIAPN+ e pessoas “Plus Size”. Estes perfis foram analisados transversalmente em 16 categorias de mercado, onde se incluem, entre outros, o setor Financeiro, Retalho, Higiene e Beleza, Energia, Bebidas Alcoólicas, Telecomunicações, Turismo ou Automóveis.

Homens, pessoas negras e asiáticas aparecem sobrerrepresentadas

O estudo indica que os homens têm uma presença marcante na comunicação digital, aparecendo em 55,4% das publicações analisadas, um valor que supera a sua representação real de 47,8% na população portuguesa. Os homens surgem associados a figuras de ação, de autoridade e de performance. A representação dominante é uma masculinidade pública e ativa, deixando as representações de vulnerabilidade e afeto para segundo plano.

Também as pessoas negras e asiáticas são representadas nesta análise da Elife em proporções superiores à sua presença estatística na sociedade (4,6% e 2,2% nas publicações, respetivamente). No que toca às pessoas negras, são retratadas de forma positiva, em contextos ligados ao desporto, à música e à moda, bem como a funções operacionais e de atendimento. No entanto, essa visibilidade é frequentemente mais estética do que narrativa, com pouca presença em papéis de liderança. O mesmo se passa relativamente aos asiáticos. A sua presença está muitas vezes ligada a uma estética cuidada e a ambientes modernos, associados a tecnologia e moda, mas nem sempre com protagonismo real. Em vários casos, funcionam mais como elemento visual ou simbólico do que como personagens centrais.

  • Top empresas participação masculina: Sonae, Grupo Nabeiro, Vodafone e MEO

  • Top empresas participação de negros: Jerónimo Martins, Vodafone, Sonae, MEO e Nestlé

  • Top empresas participação de asiáticos: EDP, Mercadona, SONAE, Jerónimo Martins e IKEA

Mulheres ainda representam papéis tradicionais

As mulheres surgem em 37,9 % das publicações analisadas, um valor abaixo da percentagem da sua representação na sociedade portuguesa (52,2%) . As figuras femininas surgem frequentemente associadas a contextos tradicionais como cuidados do lar, maternidade e beleza. A presença em contextos mais diversos existe, mas ainda é minoritária. De realçar ainda a diferença, dentro desta categoria, da presença de mulheres brancas na comunicação das marcas (72,8%) relativamente a mulheres negras (23,6%), idosas (5,1%), asiáticas (3,6%), mulheres com deficiência (0,5%) e Plus Size (0,1%) e LGBTQIAPN+ (0,1%).

  • Top empresas participação feminina: Sonae, EDP, Mercadona e Grupo Nabeiro

Presença residual de idosos, pessoas com deficiência e “Plus size” e comunidade LGBTQIAPN+ 

A análise destaca um fosso significativo no que toca à terceira idade: apesar de representarem 24,3% da população, os idosos surgem apenas em 15,5% dos posts. As pessoas mais velhas são apresentadas como figuras de autoridade, símbolos de memória e vulnerabilidade. Os homens dominam o espaço público e as mulheres estão associadas a tarefas domésticas e de cuidado. A representação recorrente é formal, “branca” e marcada pela fragilidade, com exceções ativas.

Mais crítica é a situação das Pessoas com Deficiência, que constituem 10,9% da população, mas aparecem em apenas 0,8% da comunicação das marcas. Quando surgem, estão frequentemente associadas a narrativas de superação ou acessibilidade. O estudo revela ainda que a representação de pessoas “Plus Size” e da comunidade LGBTQIAPN+ é residual, com apenas 0,1% de presença cada, destinando-se a momentos específicos ou campanhas pontuais.

  • Top empresas participação de idosos: Sonae e Nestlé

  • Top empresas participação de Pessoas com Deficiência: Nestlé e IKEA

  • Marca que inclui pessoas LGBTQIAPN+: Jornal Público

  • Marcas que incluem pessoas “Plus Size”: Shopping Colombo e Gaia Shopping

Diversidade ainda precisa de validação

Os dados mostram também que grupos minoritários aparecem frequentemente com grupos dominantes, sobretudo pessoas brancas: pessoas negras surgem acompanhadas por brancos em 78,4% das publicações e pessoas asiáticas aparecem acompanhadas por brancos em 51% das publicações. Este padrão sugere que a diversidade ainda é enquadrada dentro de contextos padronizados, em vez de surgir de forma autónoma e plenamente representativa. 

25.06.2026 | por martalanca | comunicação digital, género, inclusão

Novas Narrativas da Caça - projeção e conversa, Jardins de Verão, Gulbenkian

Estúdio do Centro de Arte Moderna, entrada gratuita

27 de junho, 18h Moamba, de Luís Almeida
Conversa com Luís Almeida, Gonçalo Cabral e Joana Gorjão Henriques,
moderação Marta Lança 

Moamba, o episódio piloto da antologia “Novas Narrativas de Caça”, é o ponto de partida para uma conversa entre o realizador Luís Almeida, o ator Gonçalo Cabral e a jornalista Joana Gorjão Henriques sobre o raciscmo enraizado e o legado da colonização.

Angola é independente há mais de meio século. Mas terá essa mudança acontecido também dentro de nós? Ou permanecem, silenciosas, certas ideias de império a viver debaixo da nossa pele?

Em Moamba, quatro personagens encontram-se à mesa para um almoço onde o passado irrompe no presente. Entre silêncios, desconfortos e ironias, revelam-se diferentes níveis de consciência sobre formas de agressão que muitos ainda não conseguem ou preferem não ver.

Perante isto, a pergunta impõe-se: queremos continuar protegidos pela ideia de que “Portugal não é racista”? Ou está na altura de debater verdadeiramente o legado da colonização portuguesa?

Para a conversa que se segue ao episódio juntam-se Luís Almeida, realizador e autor desta comédia inspirada em factos reais; Gonçalo Cabral, ator e bailarino que dá vida a uma das personagens e que traz consigo experiências pessoais de racismo, mais ou menos explícito; e Joana Gorjão Henriques, jornalista que tem dedicado o seu trabalho a investigar as colónias, os retornados e as várias expressões de racismo na sociedade portuguesa.

28 de junho, 18h Recursos Humanos, de Gisela Casimiro
Conversa com Gisela Casimiro, Flávio Almada e Nuna,
moderação Marta Lança 

Recursos Humanos, episódio da série “Novas Narrativas de Caça”, dá o mote para uma conversa em que a argumentista Gisela Casimiro, a atriz e ativista Nuna e o ativista e MC Flávio Almada, abordam a discriminação em contexto laboral e a falta de oportunidades no mercado de trabalho.

Em Recursos Humanos, Gisela Casimiro revisita o tempo em que trabalhava numa cadeia de fast food – um tempo em que “a carne mais barata do mercado é a carne negra”, como ficou imortalizado pela voz de Elza Soares.

Vinte anos passados, qual o estado das coisas? O mercado de trabalho evoluiu, mudou, ou os velhos padrões continuam a repetir-se, apesar de terem novas roupagens?

Nesta conversa sem tabus, Gisela Casimiro, argumentista deste episódio, Nuna, a atriz que interpreta Taís, e Flávio Almada, o ativista, criador e dinamizador de oficinas de formação para jovens que trará para a conversa mais factos do que perceções, não hão de fugir a perguntas difíceis, abordando todo o tipo de temas, desde as oportunidades e do acesso, à tão proclamada – e tantas vezes ilusória – meritocracia. 

 

4 de julho, 18h 

Codé, de Cláudia Semedo

Conversa com o ator Daniel Martinho e o ativista Yussef Gomes, moderação da curadora Alexandra Matos.


5 de julho, 18h

Limbo, de Fábio Silva 

conversa com Fábio Silva, o ator Pedro Lopes, a escritora Telma Tvon, moderação de Alexandra Matos.


11 de julho, 18h
Undeu, de Diogo “Gazella” Carvalho
Conversa com Diogo “Gazella” Carvalho, Mavá José e António Brito Guterres

 

11 de julho, 20h30
Sobrevivente, de Dércio Tomás Ferreira
Conversa com Dércio Tomás Ferreira e Marco Mendonça

 

12 de julho, 18h00
Once You Go Black, de Lara Mesquita
Conversa com Lara Mesquita, Catarina Amaral e Raquel Lima

24.06.2026 | por martalanca | cinema, Novas Narrativas da Caça

Jerónimo Pizarro apresenta Minha Querida Mamã: A Mãe de Fernando Pessoa, de João Pedro George

29 de junho, 17h30, na Biblioteca Nacional de Portugal  

«[…] a senhora possuía um conjunto de manuscritos muito antigos, o que não era nada de extraordinário, não fosse tratar-se de uma série de poemas escritos na África do Sul […] e por serem da autoria de Maria Madalena […], mãe do poeta português mais famoso em todo o mundo: Fernando Pessoa.»
 Em Minha Querida Mamã, A Mãe de Fernando Pessoa, João Pedro George toca um ponto sensível: o papel de Maria Madalena na vida do filho Fernando Pessoa nem sempre tem sido tido em devida conta pelos especialistas na obra do poeta.
Graças à descoberta de um conjunto de poemas da mãe de Pessoa, que sobreviveram inéditos durante perto de 100 anos, este livro (que inclui outros poemas e excertos de cartas nunca publicados) vem resgatá-la dos porões do esquecimento, lançando uma luz poderosa, impregnada de um tom sépia, sobre a mulher mais importante da vida do artista que se desdobrou em Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis ou Bernardo Soares.
Organizada e apresentada pelo autor de O Super-Camões. Biografia de Fernando Pessoa, esta obra abre uma janela sobre o passado mais longínquo do genial poeta português, permitindo ao leitor ver a família de Pessoa através dos olhos da mãe.
Já nas livrarias.


23.06.2026 | por martalanca | fernando pessoa, Jerónimo Pizarro, João Pedro George

Artista cabo-verdiana Zubikilla Spencer confirmada nos Jardins de Verão

Zubikilla SpencerZubikilla Spencer

A atuação está marcada para o próximo dia 28 de junho num dos mais prestigiados festivais culturais de Portugal, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Representa mais um importante passo no percurso artístico de uma jovem criadora que tem vindo a afirmar-se, de forma consistente, nos palcos nacionais e internacionais. Nesta apresentação, Zubikilla será acompanhada por uma talentosa formação musical composta por Khaly (piano e direção musical), Jery Bidan (guitarra), Heber Pires (baixo), Ariel Rosa (bateria) e Jörg Demel (saxofone). Juntos dão corpo ao universo sonoro da artista, contribuindo para uma experiência musical rica, contemporânea e profundamente enraizada na diversidade de influências que caracterizam a nova música cabo-verdiana.

A cantora Sílvia Medina é a convidada especial da Zubikilla Spencer, reforçando o caráter singular deste show de celebração da música e da diversidade cultural. Reconhecida pela sua identidade musical singular, que cruza Nu Soul, Hip Hop, ritmos urbanos e influências da tradição musical cabo-verdiana, Zubikilla Spencer tem

conquistado públicos diversos através de uma proposta artística autêntica, inovadora e profundamente ligada às suas raízes. Zubikilla Spencer participou no mês passado, no XXI Seia Jazz & Blues Festival, em Portugal, um dos eventos culturais de referência da região da Serra da Estrela e tem ao longo dos últimos anos, participado em importantes eventos culturais, entre os quais o Atlantic Music Expo (AME), o Kriol Jazz Festival, o Festival Músicas del Mundo, em Palma de Maiorca, o Mindel Summer Jazz e o Festival Sete Sóis Sete Luas, consolidando uma carreira marcada pela criatividade, sensibilidade artística e capacidade de diálogo entre diferentes universos culturais.

A presença de Zubikilla Spencer no Jardim de Verão assume um significado especial para a artista, e para Cabo Verde. Trata-se do reconhecimento do talento de uma nova geração de criadores cabo-verdianos que continua a levar a cultura nacional para além das fronteiras do arquipélago, contribuindo para a projeção internacional do país e para o fortalecimento dos laços culturais no espaço lusófono. A edição de 2026 do Jardim de Verão destaca particularmente as expressões culturais dos países africanos de língua portuguesa, do Brasil e de Portugal. A programação musical foi concebida sob a curadoria do músico e produtor luso-cabo-verdiano Dino D’Santiago, uma das vozes mais influentes da atualidade na promoção da diversidade cultural e do diálogo entre os povos que partilham a língua portuguesa. A seleção de Zubikilla Spencer para integrar este cartaz constitui, por isso, um reconhecimento particularmente significativo do seu talento e potencial artístico.Ao lado de outros nomes de referência da música lusófona, a presença de Zubikilla

Spencer neste importante festival confirma o crescente reconhecimento da sua obra e reforça o papel da música cabo-verdiana como veículo de afirmação cultural, inovação e aproximação entre povos.

Para Cabo Verde, esta participação representa mais um motivo de orgulho e demonstra a capacidade dos seus artistas de conquistarem espaços de grande relevância no panorama cultural internacional, levando consigo a criatividade, a identidade e a riqueza cultural do arquipélago.

Mais informações: Instagram de Zubikilla Spence, Casa Municipal da Cultura de Seia

Para contactos: Whatsup: +238 920 49 40

Zubikilla SpencerZubikilla Spencer

 

23.06.2026 | por martalanca | Zubikilla Spencer

Novos nacionalismos e a negação da história

10 jul 2026 sexta, 18:00 Auditório 3 Fundação Calouste Gulbenkian

Nesta conferência, Orlando Serrano e Marta Lança vão debater acerca da crescente emergência de movimentos nacionalistas e do seu papel na negação de episódios da história que põem em causa visões celebratórias e panegíricas do passado.

Nos últimos anos, temos assistido a uma crescente polarização e radicalização do debate político e público sobre a história, o que inviabiliza a criação de um entendimento comum sobre o passado, relativizando a violência verbal e física e legitimando o uso da força contra posições diferentes daquela que se pretende normativa.

Estes extremismos são frequentemente acompanhados por visões nacionalistas que defendem narrativas históricas celebratórias que apagam ou negam determinados episódios do passado. É o caso das negações do Holocausto, das relativizações da história do tráfico transatlântico de escravizados ou da celebração da “missão civilizadora” dos impérios coloniais europeus.

Embora estas visões distorcidas do passado não sejam novidade no espaço público, a sua disseminação tem vindo a acelerar com o impacto das redes sociais. Como resultado, são cada vez mais mobilizadas para legitimar determinados discursos políticos, propostas legislativas e, em casos extremos, iniciativas violentas que colocam em causa as instituições democráticas e a própria democracia.

A Fundação Calouste Gulbenkian e o Slave Wrecks Project convidam Orlando Serrano (Museu Smithsonian de História Norte-Americana) e Marta Lança (Buala) para uma conversa que cruza as realidades norte-americana e portuguesa, e na qual se vai refletir sobre a  emergência de novos nacionalismos que põem em causa direitos que há muito se julgavam cimentados nas sociedades democráticas ocidentais.

Mais infos. 

 

23.06.2026 | por martalanca | nacionalismos, negação história

Movimento #Fartudibos

Sobre o Lançamento de Álbum de Intervenção Política 

#Fartudibos é um movimento musical de intervenção política que reúne rappers, activistas e poetas guineenses maioritariamente residentes fora da Guiné-Bissau. Foi criado em Julho de 2023 com o objectivo de participar, através da produção da música de intervenção, no combate à ditadura encabeçada por Umaro Sissoco Embaló. Ao longo de três anos, o Movimento produziu 17 canções cujos conteúdos denunciam

raptos, espancamentos, perseguições políticas, prisões arbitrárias, instrumentalização étnico-religiosa, violação da Constituição da República e outras leis do país, assassinatos e outros crimes praticados pelo sissoquismo, hoje camuflado de Comando Militar. Estas músicas são feitas de mensagens que se pretendem afirmar no espaço público como contra-narrativas face ao populismo veiculado pelo autoritarismo no poder na Guiné-Bissau, que também usa a desinformação como instrumento de mobilização política, muitas vezes através da música produzida pelos seus agentes no meio artístico.

Assim, serve esta nota para informar a todas as pessoas que se comprometem com os valores da democracia e liberdade, sejam guineenses ou não, que, depois de três anos de um trabalho realizado com compromisso patriótico e em defesa da dignidade humana, as músicas do álbum intitulado Sissoco na Kai (“Sissoco vai cair”, traduzido da língua guineense) já se encontra disponível em todas as plataformas digitais desde 20 de Junho corrente. Contacto e-mail: fartudibos@gmail.com Kilis ku sta fartu di bos!

23.06.2026 | por martalanca | #Fartudibos

Apresentação do livro "Temptations in Ruin: Sovereign Accumulation and the Making of Post-Genocide Turkey"

Seminários e WorkshopsTer . 23 Jun . 16h00 Sala 2 - ICS-ULisboa Alice von Bieberstein (Humboldt Universität, Berlin)Organização: Irene Peano (ICS-ULisboa)

No próximo dia 23 de Junho, pelas 16h00, terá lugar no ICS-ULisboa (sala 2) a apresentação do livro Temptations in Ruin: Sovereign Accumulation and the Making of Post-Genocide Turkey (University of Pennsylvania Press, 2025) na presença da autora, Alice von Bieberstein (Professora Auxiliar de Antropologia Social, Humboldt Universität, Berlim). 

O livro explora o modo como o genocídio e a espoliação dos arménios, que começaram em 1915, moldaram regimes de propriedade, cidadania e lógicas económicas que continuam a ter repercussões até hoje. O evento é organizado por Irene Peano (ICS-ULisboa) em colaboração com o Grupo de Investigação Impérios e o Urban Transitions Hub.

 

22.06.2026 | por martalanca | Post-Genocide

50 anos depois: revisitar a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção (Estoril, 1976)

Três dias de cinema, conversas e mesas-redondas em Lisboa, convidam a reflectir sobre os potenciais políticos e emancipatórios das práticas cinematográficas.

De 24 a 26 de junho de 2026, o Doc’s Kingdom organiza um programa de encontros e sessões de cinema na Casa do Comum (Bairro Alto) e n’A Voz do Operário (Graça), com o apoio do IFILNOVA, e em colaboração com um grupo internacional de investigadores. 

Em maio de 1976, no Centro de Congressos do Estoril, realizou-se a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção: um festival de nove dias inteiramente dedicado ao cinema militante e ativista. Reunindo mais de 150 filmes politicamente comprometidos provenientes do Sul e do Norte globais, o evento articulou, através do ecrã, lutas anticoloniais, anti-imperialistas, antifascistas e anticapitalistas. Organizado pelo Centro de Intervenção Cultural, no rescaldo imediato da Revolução dos Cravos, contou com a presença de realizadores e coletivos cinematográficos internacionais. Foi o primeiro evento do género desta envergadura a ser realizado na Europa, após iniciativas semelhantes em Montréal ou Argel, por exemplo. Apesar da sua importância histórica, o evento permanece praticamente ausente da historiografia cinematográfica, tanto a nível nacional como internacional.

Cinquenta anos depois, o Doc’s Kingdom – Seminário Internacional de Cinema Documental (organizado pela Apordoc – Associação pelo Documentário) apresenta um programa de filmes e de conversas que revisitam a Mostra, confrontando-a ao presente. O programa não pretende celebrar uma data, mas reabrir questões que a Mostra colocou: o que pode o cinema militante hoje? Que formas são capazes de produzir pensamento e movimento, em vez de confirmação e paralisia? Como se constroem solidariedades cinematográficas entre geografias diferentes, num tempo em que a linguagem da crítica política está sob pressão?

22.06.2026 | por martalanca | cinema de intervenção, Doc’s Kingdom

Warped Tapes, Brassalano Graça

No fundo, é uma questão de perceber o Movimento

perpétuo das palavras. Da Máquina extrema da Linguagem.

Um movimento contra a inércia das Certezas.

O movimento da boca sobre a concentração do rosto

no sismo de um sorriso.

Um sorriso nunca é só um sorriso,

é também uma Oscilação circunstancial de qualquer dor.

O movimento tectónico das mãos sobre o corpo que ama,

e que desliza para a fronteira do Pecado.

Não há um Deus que abocanhe esse movimento da dor,

não há felicidade que suplante o vigor da ferida que arde no peito.

Faz-se o Movimento do fumo rumo ao sítio de concentração da Beleza.

Essa saturação da nossa fragilidade, da nossa impotência

perante o limite dos sentidos,

perante o tremor da Imaginação.

Solo negro, pois,

onde tudo se esvai entre os dedos trémulos

de uma força acabada de nascer,

nascitura das Trevas de um sonho.

A Poesia vem das trevas, tal como a Fotografia –

vêm, saem, das Trevas de uma Visão.

A Arte é isso, uma Visão, uma usurpação da Realidade

pelos Olhos alagados pelo coração.

É essa a Terminologia da Humanidade dilacerada

pela lucidez.

Esta Trilogia - Poesia, Fotografia, Música - é o término das pedras, 

o início dos ventos.

O meio do Sol.

A claridade do Desejo,

sujo como todas as raízes arrancadas da terra.

Aqui inventou-se o terror do Amor.

Brassalano Graça


22.06.2026 | por martalanca | Brassalano Graça

Lisboa à venda: alienação de património público e crise habitacional

Sexta-feira, 19 de Junho, às 18h

Conversa com Luís Mendes e Ana Jara, com moderação por Eugénia Pires.

Livraria Tigre de Papel 

 A crise da habitação é hoje um fator decisivo das desigualdades que afetam o país. Em Lisboa, o caso da alienação de ativos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa prolonga uma estratégia que abdica de reforçar o stock habitacional público e a custos controlados — sem sequer favorecer a sustentabilidade da histórica missão de proteção social da instituição. Nesta sessão, conversamos com o geógrafo Luís Mendes e a arquiteta Ana Jara sobre o artigo que ambos assinam no número de Maio da edição portuguesa do Le Monde diplomatique ‘Lisboa à venda: alienação de património público e crise habitacional’. A moderação ficará a cargo de Eugénia Pires, do Conselho Editorial do Le Monde diplomatique – edição portuguesa.

Rua de Arroios, n.º 25 (Lisboa)

19.06.2026 | por martalanca | habitação, Le Monde diplomatique, lisboa

Sob a força das coisas. Olhares cruzados sobre dinâmicas de subalternidade social: Portugal, França e Bélgica

Virgílio Borges Pereira e Yasmine Siblot (orgs.)

Este livro “procura abrir espaço para o aprofundamento do questionamento sociológico e para um universo de investigação (…) que merece a atenção de quem se interessa por compreender as recomposições sociais vividas nas sociedades estudadas, tendo presente, globalmente, os universos sociais estruturados em torno dos mundos operários industriais e dos empregos de execução, posicionamentos sociais agregadores das regiões do espaço social privilegiadas na análise que, como se saberá, experimentam, nas últimas décadas, reconfigurações sociais muito significativas.”

19.06.2026 | por martalanca | França e Bélgica, Portugal, subalternidade

Germinar encerra com evento dedicado à Feira Semanal de Monte Abraão

Exposição, conversa, oficina e dj set para celebrar a diversidade e o papel comunitário da feira de Monte Abrãao

Depois de dois momentos de programação que deram visibilidade às histórias, práticas e expressões culturais do território de Massamá e Monte Abraão, o ciclo de programação cultural Germinar encerra no próximo dia  27 de junho, com o evento Entre bancas e fronteiras. A partir das 15:00, o espaço Mbongi 67, em Monte Abraão recebe uma programação gratuita que prolonga a experiência da feira para além do seu horário habitual, transformando-se num ponto de encontro entre arte, reflexão, gastronomia e música.
O programa conta com a inauguração de uma exposição de fotografia com obras de Sarita Furtado e Uncle C., resultado de um trabalho de curadoria da Kubata que convidou artistas a refletirem sobre as múltiplas vidas que atravessaram a feira entre migrantes, comerciantes, trabalhadores e visitantes que contribuem diariamente para a construção e vivência deste espaço.
Durante a tarde decorre a conversa Entre bancas e fronteiras: feira, periferia e imaginação comunitária, com a moderação da curadora, jornalista e investigadora Amina Bawa e participação de Ruth Amélia dos Santos Falcão, Milene Pereira e Tarine Carvalho. Uma reflexão sobre a feira enquanto território de encontro, cuidado comunitário, atividade económica e de construção de imaginários periféricos. 
Neste dia decorre ainda a oficina de Dusa Dolls “Bonecas Africanas - Ancestralidade, Arte e Comunidade”, uma atividade inspirada na partilha de saberes de identidade e ancestralidade africana através da criação artesanal de bonecas.
O evento encerra com um dj set de PatiSol, produtora cultural e cofundadora dos projetos Malagheto, Baile Doce e Revoada. Reconhecida pelo cruzamento de ritmos da diáspora africana, sonoridades brasileiras e influências latinas, propõe uma celebração musical que reflete a diversidade cultural presente na feira todos os sábados.
Esta iniciativa pretende afirmar a Feira Semanal de Monte Abraão como um espaço agregador da diversidade do território, promovendo a partilha de experiências e saberes entre os seus intervenientes, ao mesmo tempo que convida à reflexão sobre as desigualdades e barreiras institucionais que continuam a marcar quem pode (ou não) participar plenamente nestes espaços de sociabilidade e sustento.
Entre bancas e fronteiras marca o encerramento de um ciclo de três eventos integrado no projeto Germinar: Vamos à horta? (11 abril) e Educação - Intervenção - Intergeracionalidade (6 Junho).

Programa

15:00
Inauguração da exposição de fotografia e artes visuais
Obras de Sarita Furtado e Uncle C.

16:00
Conversa “Entre bancas e fronteiras: feira, periferia e imaginação comunitária”

17:00
Oficina “Bonecas Africanas – Ancestralidade, Arte e Comunidade”
Dusa Dolls

18:00
DJ Set PatiSol

Sobre a Claraboia

A Claraboia é uma associação cultural juvenil que desenvolve projetos de criação e mediação artística com forte ligação ao território da Linha de Sintra. Através de metodologias participativas e processos de co-criação, a associação tem vindo a afirmar-se pelo desenvolvimento de práticas culturais enraizadas nas comunidades locais, promovendo o encontro entre artistas, residentes e diferentes públicos.

O trabalho d’A Claraboia cruza dimensões artísticas, sociais e educativas, apostando na inclusão, na experimentação e na valorização de contextos frequentemente periféricos no panorama cultural. Com o projeto Germinar, a Claraboia consolida uma abordagem sustentada e continuada, focada na participação ativa, na construção coletiva e no impacto social da cultura.

18.06.2026 | por martalanca | conversa, exposição, Monte Abrãao