A Maldição do Açúcar

Sessão pública do primeiro episódio da série com a presença da realizadora Mathilde Damoisiel e do Historiador Miguel Bandeira Jerónimo, na Quarta-Feira dia 4 de Março às 18h no Museu do Aljube, em Lisboa. 

A série conta com 2 episódios de 52 mins é uma coprodução Wonder Maria Filmes (Portugal), Inicia Filmes (Espanha) e Hauteville (França), para a ARTE, RTP, Movistar+, RTS e está disponível no RTP Play.

SINOPSE 

Conhecemos os seus malefícios, mas não a sua história… Em cinco séculos, o açúcar construiu um império e moldou o nosso mundo. Escravatura, trabalho forçado, exploração da terra: nos lugares sacrificados à sua monocultura, ontem como hoje, esta investigação histórica revela o amargo preço da nossa dependência coletiva da sua doçura.

 

25.02.2026 | par martalanca | açúcar, escravatura

Mafolofolo

Artistas: MADEYOULOOK
Curadoria: Margarida Mendes

Abertura: 26 de fevereiro às 18h

Conversa com os artistas dia 26 de fevereiro às 17h
Patente até 23 de maio de 2026
Horário: de quarta a sábado das 15h às 19h

 

Inaugura a 26 de fevereiro, no Hangar - Centro de Investigação Artística, a exposição “Mafolofolo”, do colectivo MADEYOULOOK (Molemo Moiloa e Nare Mokgotho) oriundo de África do Sul, com curadoria de Margarida Mendes. A inauguração é precedida por uma conversa entre os artistas e a curadora.

“Mafolofolo” é uma instalação sonora, que surge após sete anos de investigação no Norte da África do Sul. O colectivo procurou compreender os múltiplos ciclos de perda e retorno relacionados com a terra, interessando-se pelas relações profundas e duradouras com o território que permanecem, apesar da longa duração da existência turbulenta e desestabilizadora da África do Sul. Narram a história particular deste lugar e o seu potencial procurando a intimidade, espiritualidade e a interdependência com a terra e a vida não humana. Através disto, descobrem um trajecto de cura que poderá salvaguardar as terras das quais encontramos sustento.

“Mafolofolo” oferece estratégias para a reparação, através do rastreio histórico da instalação sonora que faz referência a canções populares africanas de resistência pela libertação. Desta forma traça uma história de violência, racismo, exploração e desapropriação contínua, com urgências contemporâneas prementes, ao mesmo tempo que propõe uma oportunidade para fomentar diferentes imaginários de relação com o território.

O coletivo artístico MADEYOULOOK tem exposto, publicado e organizado programas em diversos contextos, incluindo como artistas representantes do Pavilhão da África do Sul na Bienal de Veneza em 2024. A instalação “Mafolofolo” exibida no Hangar  é uma iteração de uma comissão da documenta fifteen,  que contou com a curadoria de ruangrupa.

Esta exposição estará patente no espaço expositivo do Hangar até ao dia 23 de maio de 2026. A entrada é livre.

 

Sobre o coletivo


 

MADEYOULOOK é um coletivo artístico interdisciplinar sediado em Joanesburgo, formado por Molemo Moiloa e Nare Mokgotho. As obras de MADEYOULOOK partem de práticas quotidianas negras que foram historicamente negligenciadas ou consideradas inconsequentes. Estes trabalhos incentivam uma reobservação e um processo de desfamiliarização do quotidiano da vida urbana sul-africana. Ao retrabalhar e interromper as formas como observamos as experiências vividas negras e o quotidiano, somos “levados a olhar novamente” e a questionar as relações sociais.

Desde 2009, o trabalho de MADEYOULOOK tem abordado temas como modelos de memorialização de histórias e tradições orais, o amor negro e o espaço público urbano, as formas e hierarquias de criação e disseminação do conhecimento, bem como as socialidades da terra e as relações com a vida vegetal. O coletivo desenvolve diferentes abordagens centradas sobretudo em instalações intertextuais, encontros, programas discursivos, investigação e edição/publicação. Embora a prática de MADEYOULOOK esteja significativamente orientada para dinâmicas de sociabilidade e relacionalidade fora do espaço expositivo, estes projetos culminam frequentemente em exposições.

MADEYOULOOK tem exposto, publicado e organizado programas em diversos contextos, incluindo como artistas representantes do Pavilhão da África do Sul na Bienal de Veneza, como artistas do lumbung na documenta fifteen, bem como em colaboração com Njelele (Zimbabué), Frac Pays de la Loire (França), KAdE (Países Baixos), Primary (Reino Unido) e várias iniciativas na África do Sul. Em 2022, foram bolseiros do programa DAAD Artists-in-Berlin. Foram também nomeados para o Vera List Centre Prize for Art and Politics, da The New School, Nova Iorque, em 2017, e para o prémio MTN New Contemporaries, em 2012. 

 

Sobre a curadora
Margarida Mendes integrou na equipa curatorial da 11ª Gwangju Biennale, 4ª Istanbul Design Biennial, 11ª Liverpool Biennale, e 3ª Porto Design Biennale. Dirigiu diversas plataformas educacionais, como escuelita, uma escola informal do Centro de Arte Dos de Mayo - CA2M, Madrid; O espaço de projectos artísticos The Barber Shop em Lisboa dedicado à pesquisa transdisciplinar; e a plataforma de pesquisa ecológica Matter in Flux. Foi membro fundador do Laboratório da Torre, um laboratório de cinema independente dedicado ao cinema analógico realizado por artistas no Porto; e participou em vários coletivos artísticos, como o canal online de vídeo exploratório e reportagem documental Inhabitants-tv.org; e Natural Contract Lab, um coletivo que trabalha com justiça restaurativa e direitos fluviais em toda a Europa.

Margarida Mendes é Doutorada pelo Centre for Research Architecture, Goldsmiths University of London, Professora Convidada no Mestrado de Geo-Design na Design Academy Eindhoven, e investigadora afiliada ao ICNOVA. Programa no Hangar o laboratório de investigação artística ‘No Rasto do Lobo’ (2023-2026), e fez a curadoria da exposição ‘A Sphere Of Water Orbiting A Star’ de The Otolith Group (2023).

 
 

24.02.2026 | par martalanca | África do Sul, Mafolofolo

"Aqueçam-me para que eu possa partir para casa", Terra Batida 2025

Filme documental produzido pela plataforma Terra Batida com Lilly Baniwa, Olinda Yawar Tupinambá, Ziel Karapotó, Brisa Flow e Denilson Baniwa, 2025. Realização coletiva com imagens de Violena Ampudia e edição de Ian Capillé. Vídeo-documentário. Aprox. 6 min. Obra apresentada no contexto da exposição “Contra-feitiço”, de Denilson Baniwa, nas Galerias Municipais de Lisboa - Galeria Quadrum, instalada a partir do ciclo de performances “Nosso Wayuri”, em 15 de novembro de 2025. Todos os direitos reservados.

24.02.2026 | par martalanca | Terra batida

"Aqueçam-me para que eu possa partir para casa", Terra Batida 2025

Filme documental produzido pela plataforma Terra Batida com Lilly Baniwa, Olinda Yawar Tupinambá, Ziel Karapotó, Brisa Flow e Denilson Baniwa, 2025. Realização coletiva com imagens de Violena Ampudia e edição de Ian Capillé. Vídeo-documentário. Aprox. 6 min. Obra apresentada no contexto da exposição “Contra-feitiço”, de Denilson Baniwa, nas Galerias Municipais de Lisboa - Galeria Quadrum, instalada a partir do ciclo de performances “Nosso Wayuri”, em 15 de novembro de 2025. Todos os direitos reservados.

24.02.2026 | par martalanca | Terra batida

Episódios de fantasia e violência, p. feijó

Livraria Aberta e as edições Orfeu Negro convidam para a apresentação do livro EPISÓDIOS DE FANTASIA & VIOLÊNCIA, de p. feijó, no dia 27 de Fevereiro, sexta-feira, às 18h00, na Livraria Aberta, Porto. A autora p. feijó estará à conversa com Paulo Brás, livreiro e investigador em Literatura Comparada.

Os trovões lá fora tremem cá dentro. O retumbar está comigo, é eu.
Por um momento, o tempo pára na escuridão.

— p. feijó

Ensaio-poema autoteórico, EPISÓDIOS DE FANTASIA & VIOLÊNCIA estreou-se como leitura-performance em várias salas intimistas, entre Lisboa e Porto, e ganha nesta edição nova materialidade enquanto objecto-livro. p. feijó fala-nos de um mundo violento para com o que não é binário ou, em geral, não encaixa na experiência masculina dominante. Rememorando alguns episódios, tenta entender o papel e a natureza da fantasia pornográfica violenta, obscena, errada, e presta atenção ao corpo em metamorfose que incita a fantasia e a transformação noutros corpos. Esse processo contagioso de experimentação somática voluntária e involuntária é também uma monstruosidade que anuncia o fim deste mundo.
Sexta-feira, 27 de Fevereiro, apresentação de EPISÓDIOS DE FANTASIA & VIOLÊNCIA com p. feijó e Paulo Brás, às 18h, na Livraria Aberta, Porto.

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Sábado, 28 de Fevereiro, p. feijó volta a apresentar a sua leitura-performance,
às 18h, no espaço do colectivo Asterisco, Rua de Pinto Bessa 409, Porto.

Ler um excerto do livro.

 

23.02.2026 | par martalanca | livro, p. feijó

Era das Repressões

Ciclo de conversas | Maneiras de Ver #11
Sexta-feira, 20 de Fevereiro, às 18h00
Conversa com António Brito Guterres, António Avelãs e Maria Grazia Rossi, com moderação de Fernando Ramalho
Livraria Tigre de Papel
Rua de Arroios, n.º 25 (Lisboa)

Liberdades de associação ou de reunião, sindicais ou universitárias, de consciência ou de expressão: há vários meses que o poder passou à ofensiva em toda a Europa. Em França, tem como alvo os habitantes dos bairros populares, que já lutam para fazer valer os seus direitos mais básicos. As autoridades britânicas prendem os defensores da Palestina, enquanto, na Nova Caledónia, Paris criminaliza qualquer forma de contestação. A exceção torna-se regra, o estado de emergência torna-se normal, sem que qualquer contrapoder realmente o impeça. Tudo isso em nome de uma segurança erigida como imperativo, mas reduzida às suas aceções militar e policial.

Nesta sessão partimos do dossiê «Era das Repressões», um conjunto de artigos publicados no número de janeiro da edição portuguesa do Le Monde diplomatique que procuram dar conta dessa ofensiva repressiva e autoritária contra movimentos políticos, sindicatos, ação coletiva, liberdades de associação, pensamento e expressão. Contaremos com a participação de António Brito Guterres, assistente social e militante da Vida Justa, António Avelãs, professor e dirigente sindical do SPGL – Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, e Maria Grazia Rossi, académica e ativista da PUSP – Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina. A moderação ficará a cargo de Fernando Ramalho.

19.02.2026 | par martalanca | Le Monde diplomatique, repressão

A obra de Kamal Aljafari, no Batalha, Porto

A obra de Kamal Aljafari, realizador palestiniano e nome fundamental do cinema contemporâneo, debruça-se sobre a reconstituição da memória pessoal e coletiva, nomeadamente do povo palestiniano.

Nascido em Ramla, desenvolveu uma linguagem cinematográfica que expande os limites do cinema documental e ensaístico, transformando imagens de arquivo em ferramentas políticas e estéticas. Os seus filmes, exibidos em inúmeros festivais de cinema e celebrados pela crítica, centram-se em temas como a despossessão, a memória, o exílio e a importância material e simbólica do “arquivo”. É no contra-arquivo em construção — definido pelo realizador como “a câmara dos despossados” — que Aljafari permite a reiteração no mundo de histórias e de presenças que a ideologia sionista sistematicamente procura silenciar ou apagar — mas que sempre resistem.
No Batalha, recebemos o cineasta para a apresentação de uma masterclass e a exibição de uma seleção compreensiva da sua obra em cinema, incluindo a estreia no Porto do seu novo filme, With Hasan in Gaza.
Curadoria de Rita Morais

Rita Morais Realizadora e programadora. Mestre pelo Artists’ Film & Moving Image MA, na Goldsmiths, University of London, é membro da Cooperativa Laia, estrutura de apoio à criação artística, e do Laboratório da Torre, laboratório de cinema analógico gerido por artistas na cidade do Porto. Co-dirige a Miragem - arte cinemática na paisagem, na ilha do Pico, Açores. Os seus trabalhos têm sido exibidos nacional e internacionalmente em espaços e festivais como o Open City Docs (Londres, UK); Berwick Film & Media Arts Festival (Berwick, UK) Rockaway IFF (Nova Iorque, EUA), S8 - Mostra de Cinema Periferico (A Coruña, ES), SIM Gallery (Reykjavik, IS), A.P.T. Gallery (Londres, UK), entre outros.

Sessões

With Hasan in Gaza, Kamal Aljafari25fev202619:15FilmeMasterclass com Kamal Aljafari26fev202615:30MasterclassA Fidai Film, Kamal Aljafari14mar202619:15FilmeIt’s a Long Way from Amphioxus + An Unusual Summer20mar202619:15FilmeWith Hasan in Gaza, Kamal Aljafari25mar202615:15FilmeUNDR + Recollection26mar202619:15FilmeBalconies + The Roof29mar202617:15Filme

16.02.2026 | par martalanca | Kamal Aljafari

Arte, tecnologia e cosmologias contemporâneas em diálogo na nova programação da Escola das Artes

Curado por Joasia Krysa, com Nuno Crespo, Daniel Ribas e José Alberto Gomes

Artistas, tecnólogos criativos, curadores, escritores e pensadores reúnem contributos que atravessam múltiplas áreas temáticas: do espiritual e do mítico às infraestruturas sociotecnológicas e às lógicas (des)coloniais, projetando futuros especulativos. Entre fevereiro e maio de 2026, a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa apresenta “Art + Tech x Cosmos =”, um ciclo que integra conferências, concertos, exposições e performances. A conferência de abertura realiza-se a 19 de fevereiro, com Joasia Krysa, curadora do programa, que estará à conversa com as curadoras de arte digital Val Ravaglia e Pita Arreola.

O programa “Art + Tech x Cosmos =” tem curadoria de Joasia Krysa com Nuno Crespo, Daniel Ribas e José Alberto Gomes, e explora como a arte e a tecnologia estão interligadas, como as práticas criativas respondem à crescente complexidade do mundo e como histórias e futuros diversos convergem para gerar novas formas. “Como o título sugere, o programa adota uma abordagem cosmológica, envolvendo-se com o pensamento tecnológico não ocidental e realidades multidimensionais partilhadas,” salientam os curadores.


“’Art + Tech x Cosmos =’ resulta do envolvimento da Escola das Artes com práticas artísticas experimentais no interior dos quais nascem diálogos e relações entre investigação, criação artística e os desafios sociais e culturais contemporâneos,” salienta Nuno Crespo, curador e diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa

Art + Tech x Cosmos = | Performances, Conferências, Concertos

Serão duas as performances ao longo do programa. A primeira realiza-se no dia 26 de fevereiro pelas 18h30. Danielle Brathwaite-Shirley apresenta uma performance imersiva e participativa que cruza o videojogo, a animação, o som e a narrativa ficcional. Através de tecnologias digitais interativas, a artista cria um espaço de confronto crítico e reflexão sobre identidade, poder e opressão sistémica. A 8 de abril é a vez de Günseli Yalcinkaya. Esta sessão propõe uma reflexão híbrida entre pensamento crítico e prática artística, cruzando investigação cultural, ficção especulativa e performance. Num formato que desafia as fronteiras entre conferência académica e acontecimento performativo, a artista convoca narrativas contemporâneas para questionar tecnologia, poder e imaginação coletiva, convidando o público a uma experiência simultaneamente intelectual e sensorial.

O programa de conferências de “Art + Tech x Cosmos =” reúne um conjunto de vozes de referência no cruzamento entre arte, tecnologia e pensamento crítico. Ao longo do ciclo, Legacy Russell, Diana Policarpo, Tabita Rezaire, o coletivo Keiken (representado por Hana E. Amori) e João Melo propõem reflexões que atravessam identidade, poder, espiritualidade, memória, ecologias digitais e futuros especulativos, explorando práticas artísticas e investigativas que questionam as infraestruturas tecnológicas e culturais contemporâneas. O programa encerra com uma conferência conjunta de Joasia Krysa e Libby Heany, que reúne perspetivas curatoriais e artísticas sobre arte, ciência e tecnologia, convidando à reflexão sobre práticas emergentes, investigação e imaginação de futuros possíveis.

A nova temporada dos Dashed Concerts prolonga-se até maio de 2026. O próximo concerto está agendado para dia 5 de março com Lime68k. A 16 de abril está confirmada a presença de Luca Argel, assim como João Pimenta Gomes (30 de abril) e Nuno Loureiro (14 de maio).

Até ao final do primeiro semestre de 2026, a Escola das Artes apresenta duas novas exposições integradas neste programa: uma dos Teatro Praga com inauguração em março e uma de Rodrigo Cass em maio.

De 29 de junho a 3 de julho, decorrerá a oitava edição da Porto Summer School on Art & Cinema, este ano em associação com XVI Lisbon Summer School for the Study of Culture.  O tema em destaque será “Disobedience” enquanto prática artística e ideia, explorando as suas múltiplas formas, dinâmicas e limites.

Todos os momentos irão decorrer no Católica Art Center, estrutura que integra a Rede Portuguesa de Arte Contemporânea. O Católica Art Center integra a Sala de Exposições; o Auditório Ilídio Pinho, que tem programação semanal de cinema e encontros com artistas; e a Blackbox mais vocacionada para as artes performativas.

Mais informações e programa disponíveis aqui: Art + Tech x Cosmos = Concertos, conferências, exposições e performances

09.02.2026 | par martalanca | escola das artes

Seminário: Diálogos Construtivos sobre o Património Colonial

Seminário 12 Fevereiro 2026 — 9h00 - 17h00Local Anfiteatro Manuel Valadares | Museu

Seminário do Projeto Contested Desires: Constructive Dialogues

Contested Desires: Constructive Dialogues (CDCD) é um projeto apoiado pela União Europeia que aborda os desafios atuais da Europa e do mundo. Reúne curadores de museus, artistas e investigadores que celebram a diversidade e promovem a inclusão, o diálogo e a colaboração criativa.

Este projeto visa sobretudo reunir artistas contemporâneos e comunidades locais que moldam e representam o património colonial europeu, através de um programa aprofundado de reinterpretação, acesso e reparação.
Este seminário apresentará algumas das residências artísticas realizadas no MUHNAC, promovendo simultaneamente a discussão e a reflexão crítica sobre o papel das artes na abordagem do legado colonial europeu.

PROGRAMA Program in english

09h00 - Acreditação

09h30 - Boas-vindas e introdução
Marta Lourenço | Diretora MUHNAC

10h00 - Projeto Contested Desires: Constructive Dialogues (CDCD) e o D6: Culture in Transit 
Clymene Christoforou | Diretora D6: Culture in Transit

10h30 - O Museu enquanto parceiro do projeto
Ana Godinho | Curadora da coleção de Etnografia, MUHNAC
Sofia Marçal | Coordenadora do Programa Arte, Natureza e Ciência, MUHNAC

10h45 - Pausa para café

11h00 - Legados invisíveis – O impacto da ciência colonial nas nossas perceções de beleza e identidade
Maya Louhichi | Artista Independente

11h30 - Residências artísticas no Museu: Partilha de experiências
Amaia Molinet | Espanha
Charmaine de Heij | Países Baixos
Claudio Beorgia | Itália
Paul Nataraj | Reino Unido

12h30 - Discussão 
Moderação: 
Catarina Simões | NOVA-FCSH / CHAM Centro de Humanidades
Sofia Marçal | Coordenadora do Programa Arte, Natureza e Ciência, MUHNAC

13h00 - Almoço

14h30 - O “Projeto Living Legacies”: Aproximar a coleção de instrumentos musicais coloniais do MUHNAC das comunidades de origem
Raquel Barata | Coordenadora do Núcleo Educativo e de Exposições, MUHNAC
Rocio Guerrero Marin | Artista
Letícia Brito | Coordenadora do projeto Heranças Vivas: Recontando a História

15h00 - Reflexões sobre o património colonial em Portugal e na Europa: Estado da Arte
Catarina Simões | NOVA FCSH / CHAM – Centro de Humanidades

15h30 - Pausa para café

15h45 - Património colonial e arte contemporânea
Marcio Carvalho | Investigador independente
Nuno Silas | Curador, IHC — UÉ / IN2PAST
Osias André | Artista visual

16h45 - Discussão final e sessão de encerramento
Moderação: Marta Lourenço | Diretora MUHNAC

18h00 - Inauguração das exposições das residências artísticas

Comunicações em inglês
Participação livre, com inscrição prévia obrigatória até 6 fevereiro
geral@museus.ulisboa.pt | 213 921 808

08.02.2026 | par martalanca | Património Colonial

PISA NO CHÃO DEVAGAR: Workshop com Joana Levi

Dias 14 e 15 de fevereiro / das 15h às 18h
Local: Espaço Parasita - Av. Infante Dom Henrique 334, Lisboa
Inscrições gratuitas: joana.levi@gmail.com
Este workshop está inserido no contexto da pesquisa de Joana Levi para sua nova criação “Câncer em Saturno”. A idéia de uma dramaturgia simbiótica será guia para experimentar e articular práticas e conceitos, poéticos e científicos. Exercícios que estimulam a simbiose entre corpo e voz, palavra e ação. Uma escrita performativa composta por pedaços de percursos, espaços, discursos que mobilizam afectos e contextos, que riscam, traçam, desdobram e dobram as palavras-sons de um corpo situado. Quando pensamos que corpos movemos?


JOANA LEVI (Rio de Janeiro, 1975) Criadora, performer e dramaturga, radicada em Lisboa desde 2017. É formada em Filosofia/ USP e mestra em Estética/ FCSH-Universidade Nova de Lisboa. Dedica-se a projetos experimentais e colaborativos que forjam uma cena atravessada por diferentes linguagens (da performance ao teatro, da dança ao pensamento filosófico) e que evocam relações de tensão, expressas em contextos e conflitos urbanos, coloniais e de género. Recentemente, criou as performances Primárias e Exóticas (2023) e Rasante (2020), e colaborou com Sónia Baptista, Ritó Natálio, Carlota Lagido, Gustavo Ciríaco, entre outres.  É artista integrante da PENHASCO Arte Cooperativa e da APNEIA COLECTIVA.
O projeto CÂNCER EM SATURNO conta com apoio da República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto I DGARTES – Direção-Geral das Artes e Fundação Calouste Gulbenkian. Coprodução: Teatro do Bairro Alto.

06.02.2026 | par martalanca | Joana Levi

Historiador apresenta livro sobre o 25 de Novembro em Faro

Ricardo Noronha vai apresentar o seu livro “A Ordem reina sobre Lisboa. Uma história do 25 de Novembro” esta sexta-feira, 6 de Fevereiro, no auditório do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), em Faro. A sessão é organizada pela CÍVIS – associação para o aprofundamento da cidadania.


Em 2025 cumpriram-se 50 anos do 25 de Novembro de 1975. No seu livro, editado pela Tigre de Papel, o historiador reflete sobre o que descreve como «mito fundador» deste marco histórico na consolidação da democracia e de como «o esforço para o converter numa data fundadora do regime democrático é um logro a vários títulos».

Ricardo Noronha (1979) é doutorado em História Económica e Social Contemporânea (2011), pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

É investigador do Instituto de História Contemporânea (NOVA FCSH). Entre os seus tópicos de investigação encontram-se a conflituosidade social, a história intelectual e as transformações da economia política durante a segunda metade do Século XX.

Está neste momento a conduzir uma investigação sobre o planeamento económico em Portugal, desde o Estado Novo até aos primeiros anos da democracia. 

A entrada é livre.

05.02.2026 | par martalanca | 25 de Novembro, história, Ricardo Noronha

Nós Estamos Contigo na Casa

Encontro “Nós Estamos Contigo na Casa” acolhe múltiplos ângulos da presença histórica, lutas e barreiras sempre impostas às trabalhadoras domésticas. Investigadores, ativistas, coletivos, escritores e cineastas, o resultado de um trabalho incrível de curadoria da Inês Brasão e Mafalda Araújo, com o apoio do Nuno Dias e do José Soeiro, além de muit@s outr@s que ajudaram a concretizar este Encontro. No dia 6, às 11h, a Conferência Inaugural será proferida pela Leopoldina Fortunati e Alessandra Mezzadri para discutir “THe Arcane of Reproduction”. À noite, na Casa do Comum, a realizadora Coline Grando vai passar o seu filem “Le Balai Liberé”. Vamos estar na Nova FCSH, na Casa do Comum, e no Centro Cultural de Cabo Verde. Na sexta à noite, antes do filme, a cachupa será servida pela Associação Moinho da Juventude. O CiCS_Nova e o IHC são os Centros de Investigação que nos apoiaram. 

 

 

03.02.2026 | par martalanca | casa

Visitas Participadas | Coletivo Tributo aos Ancestrais PT | janeiro a junho 2026

Convite — Visitas Participadas às Reservas Etnográficas Africanas do Museu Nacional de Etnologia

 

Coletivo Tributo aos Ancestrais PT, em parceria com o Museu Nacional de Etnologia (MNE), em Belém, Lisboa, tem a honra de convidá-lo(a) a participar nas visitas participadas às reservas etnográficas africanas do Museu.

Esta iniciativa proporciona uma oportunidade exclusiva de acesso a uma das maiores reservas de artefactos africanos existentes em Portugal, composta por aproximadamente 8.000 objetos provenientes de 28 países: África do Sul, Angola, Botsuana, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Egito, Eritreia, Etiópia, Gabão, Gana, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Mali, Marrocos, Madagáscar, Moçambique, Quénia, Nigéria, República Centro-Africana, República do Congo, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe, Senegal, Sudão, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.

A visita inclui a observação de artefactos, tais como:

* Máscaras, esculturas e trajes cerimoniais de iniciação e de sociedades de caráter reservado: Mwelo (Bayaka, África Central); Ge Gon (pássaro cerimonial Dan, Costa do Marfim); Bakama (sociedade secreta de Cabinda).

* Instrumentos musicais tradicionais: cimboa (Cabo Verde); pwita (tambor de fricção); kora (corá); hungu (arco musical); kisanji/mbira; ocisumba (lira); marimba/balafon; trompetes de chifre.

* Tronos de banco de madeira (Ashanti/Asante, Cokwe).

* Cestos de adivinhação (ngombo).

* Chapéus e insígnias de autoridade real.

* Divindades vinculadas à natureza e ao culto aos espíritos ancestrais (nkisi, egungun).

* Amuletos de fecundidade e de realização da maternidade (Nyaneka, Owambo, Herero).

Para além da observação do acervo, estas visitas são também momentos de reflexão crítica sobre a história colonial, a presença africana em Portugal, os silêncios institucionais e as vozes que se pretende recuperar e dignificar. Trata-se, assim, de um convite ao diálogo, à escuta crítica e à co-construção de memórias partilhadas.

Contamos consigo para fazer parte deste momento histórico. Venha connosco resgatar histórias e honrar o nosso legado.

Inscrições ou mais informações: tributoaosancestraispt@gmail.com

O projeto vai até junho!

02.02.2026 | par martalanca | Tributo aos Ancestrais

A língua portuguesa em Angola

A língua portuguesa em Angola - Isced - Huíla

01.02.2026 | par martalanca | Isced - Huíla

ESTREIA DE OURO NEGRO

5 FEVEREIRO / CINEMATECA PORTUGUESA

“No sul profundo da Índia, um gesto íntimo — pentear, cortar, oferecer cabelo — liga fé, corpo e economia global. OURO NEGRO, de Takashi Sugimoto, acompanha Saraswathi num acto de devoção que revela uma cadeia invisível onde alguém, algures no mundo, lucra sempre. O misticismo do filme não foi indiferente na sua passagem pelos festivais de Tallin Black Nights e Cinema Etnográfico de Belgrado, onde arrecadou o Prémio do Júri e o Grand Prix, respectivamente.

Takashi conduz-nos numa viagem onde o sagrado se agarra às fibras de cada ser e convida-nos a testemunhar o percurso de cada fio de cabelo. O livro SPIRITUS, que será apresentado num formato de double bill, encarrega-se de compilar estas provas da convivência e intimidade feitas entre 2017 e 2022, durante o processo de pesquisa e rodagem do filme.

SINOPSE

Numa zona rural do sul profundo da Índia, a poderosa divindade hindu Balaji exerce uma forte influência sobre Saraswathi. Como muitas mulheres da sua aldeia, ela penteia os longos cabelos escuros das suas jovens filhas num ritual diário. O excesso de cabelo ganha valor monetário quando os Narikurava, uma tribo marginal de caçadores de pássaros, visitam as aldeias para recolher cabelo em troca de objectos domésticos.

OURO NEGRO é cabelo humano. Um dia, Saraswathi decide oferecer o seu precioso cabelo comprido à divindade Balaji, num templo, para realizar um desejo. Uma vez mais, alguém, algures no mundo, lucra com o seu ato espiritual.

DATA DE ESTREIA  5 de Fevereiro  19:00 - Apresentação livro - SPIRITUS 21:30 - Estreia filme OURO NEGRO  Cinemateca Portuguesa (R. Barata Salgueiro, nº39, 1269-059 Lisboa)
 

27.01.2026 | par martalanca | Ouro Preto

"Colonialismo vs. Descolonização", de Maria Clara Anacleto e Raquel Ascensão

A partir da Coleção Folhetos Políticos, do Fundo José Neves Águas, à guarda do Arquivo Municipal de Lisboa apresenta-se uma seleção de documentos datados en-tre as décadas de 1950 e 1980 que incidem sobre a questão colonial. Estes documentos permitem obser-var a intensificação da oposição à política colonial do Estado Novo e as suas repercussões na propaganda oficial do regime. O corpus abrange ainda o período revolucionário subsequente, marcado pelo processo de transição democrática e pela rutura do sistema co-lonial português, bem como os ecos da descolonização que permanecem no regime democrático.

Colonialismo vs. Descolonização: A questão colonial na Coleção Folhetos Políticos de José Neves Águas (1951-1985)“Colonialismo vs. Descolonização: A questão colonial na Coleção Folhetos Políticos de José Neves Águas (1951-1985)”, de Maria Clara Anacleto e Raquel Ascensão

Ler aqui o artigo completo..

N.º 24 (2025): Colonizar e descolonizar: Relações Europa-África nos séculos XIX e XX

Coordenação científica:
Isabel Castro Henriques
Universidade de Lisboa, Portugal

Imagem de capa: Alfredo Cunha

Publicado: 16-07-2025

 

27.01.2026 | par martalanca | colonialismo, Descolonização

Set-up: Podcast sobre dança contemporânea portuguesa anuncia terceira temporada

O podcast Set-up, dedicado à dança contemporânea portuguesa, regressa com a sua terceira temporada, a 18 de fevereiro de 2026. Criado pela Sekoia – Artes Performativas, o projeto continua a afirmar-se como um espaço de memória, reflexão e partilha em torno dos percursos artísticos e humanos de criadores fundamentais da dança em Portugal. O podcast estará disponível no YouTube, no Spotify e Apple Podcasts. 

Lançado em 2023, o Set-up tem como missão a construção de um arquivo sonoro e visual que documenta histórias de vida, processos criativos e trajetórias profissionais de diferentes gerações e linguagens artísticas. A nova temporada aprofunda esse objetivo, reunindo onze nomes cujos trabalhos têm marcado de forma significativa o panorama da dança contemporânea.

À semelhança das edições anteriores, as conversas são moderadas por Ana Rocha e estarão disponíveis em formato áudio no Spotify e Apple Podcasts, bem como em vídeo no YouTube, com tradução para inglês e interpretação em Língua Gestual Portuguesa, reforçando o compromisso do projeto com a acessibilidade e a internacionalização.

A terceira temporada contará com a participação de: Ângela Guerreiro, Aurora Pinho, Diana Niepce, Flávio Rodrigues, Henrique Furtado, Inês Campos, Marta Cerqueira, Né Barros, Paulo Ribeiro, São Castro e Teresa Silva. Um conjunto diverso de artistas que representa diferentes visões, práticas e gerações da dança contemporânea portuguesa.

Com duas temporadas já lançadas, o Set-up consolidou-se como uma plataforma de encontro entre criadores, público e investigadores, promovendo o diálogo intergeracional e dando visibilidade à pluralidade de percursos que constroem este campo artístico.

 

26.01.2026 | par martalanca | dança

Ateliê Mutamba, Luanda

É com grande alegria que anunciamos esta chamada aberta, para 5• edição do Ateliê Mutamba.

És artista emergente(entre 18 e 29 anos), vive em Angola, Moçambique ou São Tomé e Príncipe e deseja participar de uma imersão artística de 45 dias na capital Luandense?

A Residência acontecerá entre 06/03 e 08/04.

* É importante que haja disponibilidade presencial a partir do dia 28/02.

* Leia o regulamento.

Para dúvidas ou informações:associacaokinoyetu@gmail.com.

A 5• edição do Ateliê Mutamba é uma realização KinoYetu, com financiamento Fundação Calouste Gulbenkian e apoio da Geração80.

 

25.01.2026 | par martalanca | Luanda, Mutamba

Palestras na Nova FCSH

organização Inês Beleza Barreiros (ICNOVA) e Margarida Rendeiro (CHAM).

Pensado os sentidos do desvario antropocêntrico a partir de uma imaginação sensorial multiespécies

No livro The Great Derangement, Amitav Ghosh argumenta que a ficção de tradição realista se revela incapaz de imaginar adequadamente as transformações desencadeadas pelo Antropoceno. Essa insuficiência decorre, em grande medida, da centralidade conferida ao humano nesse modelo narrativo — a mesma centralidade que está na raiz da própria crise antropocênica. Ao observar esta “nova era geológica”, Ghosh destaca a emergência de vozes que desafiam não apenas a primazia humana, mas também o apagamento de coletividades que incluem modos de existência não humanos. Partindo da noção de um sensorium relacional e interespécies, esta palestra investiga como a literatura contemporânea e as artes visuais têm respondido às limitações apontadas por Ghosh. Propõe-se, assim, refletir sobre a ideia de um sensorium multiespécies como possível horizonte estético e epistemológico capaz de tensionar a imaginação hegemônica do Antropoceno. A partir da leitura de textos e obras de escritores e artistas indígenas e afrodescendentes, buscarei rastrear como certas formas de sensorialidade — que atravessam distintos modos de ser e perceber e imaginar/criar — instituem outras maneiras de imaginar o mundo, desestabilizando a supremacia do humano e abrindo caminho para contranarrativas ao paradigma antropocênico.

Leila Lehnen é Professora Associada no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Brown University (EUA). É especialista em literatura e cultura contemporâneas do Brasil e da América Latina, com interesses de pesquisa que abrangem as humanidades ambientais, o extrativismo, as práticas textuais e visuais contracoloniais, além de literaturas e produções culturais indígenas. Sua obra analisa, de modo crítico, o papel da literatura e das artes na expansão de imaginários democráticos, na contestação às formações autoritárias e no enfrentamento dos legados persistentes da colonialidade. Seu livro, Citizenship and Crisis in Contemporary Brazilian Literature, examina como a literatura brasileira contemporânea representa e problematiza formas diferenciadas de cidadania. Seu segundo livro investiga as interseções entre a literatura brasileira e a vida democrática, examinando como textos culturais articulam e reconfiguram imaginários democráticos, especialmente no tocante aos direitos ambientais e indígenas. Publicou textos acadêmicos sobre ecocrítica, literatura indígena, decolonialidade, literatura afro-brasileira, cidadania e direitos humanos em contextos brasileiros e latino-americanos. Permanecendo com o problema: possibilidades trans*amazônicas líquidas

Frente a atual crise ecológica e ontológica mundial, esta apresentação argumenta que as performances du Uyra (Emerson Pontes) posicionam a comunidade trans* como permanecendo com a Amazônia, encarnando um compromisso de reimaginar as possibilidades do agora. Uyra nas suas performances evita o discurso da futuridade para “permanecer com o problema” (Haraway), recusando a paralisia tanto do desespero quanto do otimismo ingênuo. Esta recusa é estratégica. Uyra posiciona-se para fora e além da oposição binária entre a não-futuridade queer e o futurismo hetero-reprodutivo (Edelman) ou entre um porvir distópico inevitável e um futuro technotopia que salve a sociedade, o mundo. Em vez disso, Uyra (re)imagina um presente fluido, molhado queer como simultaneamente imbuído do desejo de Julio Esteban Muñoz por novas formas de ser, fazer e relacionar-se, isto é, cuir como possibilidade. Ao mesmo tempo, o filme não ignora a realidade material da perda. Nas performances, Uyra reconhece o que foi, é, e será a destruição (Halberstam, Pratt), fluindo pela tensão entre possibilidade e perda, entre esses dois polos, essas forças contraditórias. Através da interconexão / intercalação de comunidades humanas e além-humanas, ecossistemas trans* e amazônicos, Uyra convida os espectadores a “permanecer com o problema”, “dwell in the dissolve” (Alaimo) a re-imaginar possibilidades líquidas no agora, não num futuro distante ou abstrato.

Jeremy Lehnen é diretor da Brazil Initiative no Watson Institute e diretor do Center for Language Studies na Brown University. Atuou como diretor interino do programa de Estudos de Gênero e Sexualidade e diretor associado interino do Centro de Pembroke para Ensino e Pesquisa sobre Mulheres, também na Brown U. Atualmente, é editor executivo do Journal of Lusophone Studies. O seu livro Neo-authoritarian Masculinity in Brazilian Crime Film foi publicado pela University of Florida Press em 2022. Fez seu doutorado na University of New Mexico em estudos latino-americanos e lecionou na University of New Mexico, no Macalester College e na University of Colorado, Boulder. Tem ensaios publicados na Luso-Brazilian Review, Journal of Lusophone Studies, e Mexican Studies, entre outras revistas acadêmicas. Seus principais interesses de pesquisa abordam questões de gênero e sexualidade, particularmente a construção da masculinidade, no cinema latino-americano contemporâneo, produção cultural, e humanidades digitais.

23.01.2026 | par martalanca | CHAM, palestras

METEORIZAÇÕES, Filipa César et al

JAN – MAI 2026 Fundação Serralves, Porto 

Meteorizações, a primeira exposição antológica da artista Filipa César em Portugal, reúne mais de quinze anos de pesquisa, produção e colaborações com cineastas, artistas e investigadores como Sana na N’Hada, Sónia Vaz Borges, Marinho de Pina, Louis Henderson, et al.  A mostra apresenta filmes, objetos e documentos que evocam eventos históricos como a desobdiência antifascista portuguesa e a resistência anticolonial guineense, atravessando os arquivos audiovisuais do período das lutas de libertação, reflexões sobre o mangal, políticas da ótica e da tecelagem, e o pensamento agropoético de Amílcar Cabral.
O título remete para um conceito geológico usado por Cabral para pensar a relação entre território, história e transformação, orientando o percurso da exposição e a forma como são apresentados imagens, sons e memórias. Meteorizações articula diferentes épocas e materiais, convidando o público a refletir sobre processos e poéticas de resistência e a sua utilidade no presente.
A exposição é organizada pela Fundação de Serralves — Museu de Arte Contemporânea, com curadoria de Inês Grosso, curadora-chefe do Museu de Serralves, e de Paula Nascimento, curadora convidada. A arquitetura da exposição, concebida em colaboração com o atelier Barbosa Mateus Arquitetos, recorre a materiais naturais e integra uma paisagem sonora criada por João Polido Gomes.


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Meteorisations, Filipa César’s first anthological exhibition in Portugal, brings together more than fifteen years of research, production and collaborations with filmmakers, artists and researchers such as Sana na N’Hada, Sónia Vaz Borges, Marinho de Pina, Louis Henderson, et al..The exhibition presents films, objects and documents that evoke historical events such as Portuguese anti-fascist disobedience and Guinean anti-colonial resistance, drawing on audiovisual archives from the period of liberation struggles, reflections on the mangrove, the politics of optics and weaving, and the agropoetic thinking of Amílcar Cabral.
The title refers to a geological concept used by Cabral to think about the relationship between territory, history, and transformation, guiding the exhibition’s trajectory and the way images, sounds, and memories are presented. Meteorisations articulates different times and materials, inviting the public to reflect on processes and poetics of resistance and their use in the present.
The exhibition is organised by the Serralves Foundation — Museum of Contemporary Art, curated by Inês Grosso, chief curator of the Serralves Museum, and Paula Nascimento, guest curator. The exhibition’s architecture - designed in collaboration with Barbosa Mateus Arquitetos - uses natural materials and incorporates a soundscape created by João Polido Gomes.

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Filipa César (Porto, 1975) desenvolve uma prática multidisciplinar que habita o território entre o cinema e as artes visuais. O seu trabalho explora os aspetos ficcionais do documentário e as políticas e poéticas da imagem em movimento, questionando as fronteiras entre realidade e representação. Integrada numa geração que utiliza o vídeo como ferramenta de registo e de expressão, César constrói narrativas deliberadamente ambíguas, onde a perceção se torna um campo de investigação estética e política.
Desde 2011, a artista dedica-se à investigação do cinema militante da Guiné-Bissau através do projeto coletivo Luta ca caba inda (A luta ainda não acabou), que examina o legado visual e político desse movimento. Este trabalho afirma-se como uma plataforma crítica sobre o passado colonial português e as suas reverberações contemporâneas, consolidando Filipa César como uma das vozes mais relevantes na reflexão pós-colonial em Portugal.
A exposição — a sua primeira grande antologia — marca o regresso da artista ao Museu de Serralves e apresenta um percurso abrangente da sua obra, funcionando também como ponto de partida para uma retrospetiva dedicada ao seu trabalho fílmico.

 

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07.01.2026 | par martalanca | filipa césar