Encontros PICHA Bienal de Lubumbashi

Direcção artística: Simon Njami

De 13 a 17 de Outubro de 2010

O ano de 2010 marcará, para dezassete países de África, entre os quais a República Democrática do Congo, meio século de independência. No caso de Lubumbashi, esta comemoração coincide com a do centenário da criação desta cidade mineira. Celebrar o centenário de Lubumbashi leva, por isso, a lembrar meio século de expansão colonial e industrial que andou de mãos dadas com uma forte segregação cujas marcas se encontram no urbanismo (vejam-se os trabalhos de Johan Lagae) e nas convulsões sociais que surgiram imediatamente após a segunda guerra mundial. Mas os últimos cinquenta anos marcam igualmente a “nacionalização”, depois das independências, da cidade pelos congoleses. A independência congolesa será imediatamente acompanhada de fortes tensões entre diferentes facções que culminarão na secessão Catanguesa entre outras, onze dias apenas depois da Bélgica ter oficialmente reconhecido a soberania do povo congolês.

 

Lubumbashi torna-se, então, a capital de um Estado que tem como uma das razões de ser a perpetuação dos interesses económicos dos industriais ocidentais e da União Mineira do Alto Catanga. Esta história estende-se ao longo de cinquenta anos, desde o assassinato de Patrice Lumumba, a 17 de Janeiro de 1961, até à tomada do poder por Mzee Kabila que fez a declaração da tomada do poder a partir de Lubumbashi, feudo da sua rebelião.

Instalações industriais abandonadas de Lubumbashi e acumulação de escória, foto de Sammy BalojiInstalações industriais abandonadas de Lubumbashi e acumulação de escória, foto de Sammy Baloji

Nascida da Bienal de Lubumbashi em 2008, a Associação PICHA (imagem, em língua swahili) é a responsável pelo projecto, uma bienal que reúne, em redor de exposições de fotografia e de projecções vídeoarte, alguns fotógrafos e videastas vindos de várias regiões do mundo. Presidida por Sammy Baloji, oferece um lugar de intercâmbio entre os profissionais e os jovens artistas locais. A associação tem no seu activo: a organização de ateliês de formação de artistas e exposições, a promoção das mulheres artistas no meio rural da aldeia de Makwacha; o trabalho sobre a reapropriação do património material e intangível da região do Catanga; a coordenação do sector artístico do ateliê de serigrafia Salama, em colaboração com a empresa francesa Mignotgraphie, um centro de arte em Lubumbashi. 

Nesse mesmo ano, a associação PICHA organizou a primeira edição da Bienal. O acontecimento estava deslocalizado em diversos locais da cidade: a Câmara, o mercado de l’Étoile, o Museu de Lubumbashi, a Comunidade Helénica. Contavam-se 16 exposições, 40 projecções, 11 instalações vídeo, 20 artistas de renome internacional. A primeira edição dos Encontros PICHA permitiu à população descobrir uma outra faceta da fotografia e do vídeo.

Em 2010, a cidade de Lubumbashi vai ser palco desta segunda edição de PICHA. O conceito artístico desenvolver-se-á através do seu urbanismo, da sua arquitectura, da sua população, num percurso que mergulha o espectador em tempos passados através de produções contemporâneas.

Os lugares de exposição (fachadas de edifícios, construções coloniais e sítios industriais) serão escolhidos em função da sua possibilidade de interacção com a vida quotidiana e a população, de modo a que sejam preferencialmente as exposições a ir até ao público e não o contrário, como quase sempre acontece. Os meios privilegiados serão a fotografia, o filme e o vídeo, mas também as instalações efémeras e as performances.

O conceito pretende transformar Lubumbashi numa “África em miniatura”, na qual estejam representadas as principais regiões do continente. Assim, os artistas seleccionados, ao apoiarem-nos numa experiência pessoal, apresentar-nos-ão obras que são eco tanto da história local como de uma história mais ampla, para fazer com que esta memória a que apelamos seja polissémica. Durante cinco dias, a cidade será transformada num grande patchwork que acolherá as obras dos seguintes artistas (sob reserva) seleccionados sob o comissariado artístico de Simon Njami: Adama Bamba (Mali), Dimitri Fagbohoun (Togo), Jellel Gasteli (Tunísia), Kiluanji Kia Henda (Angola), Kiripi Katembo Siku (R.D.Congo), Mouna Karray (Tunísia), Pierrot Men (Madagáscar), Zineb Sedira (Argélia), Zwelethu Mthethwa (Africa do Sul) em fotografia. Bili Bidjoka (Camarões), Jimmy Ogonga (Quénia), Kader Attia (Argélia), Moataz Nasr (Egipto), Myriam Muhindou (Gabão) em vídeoarte. Num itinerário que conduzirá os visitantes a lugares carregados de história, serão explorados três temas:

Zona neutra que recorda a separação entre a cidade “branca” e a cidade “negra” no mapa da cidade durante a época colonial.

Poder para os três tipos de autoridade que estruturaram a cidade e a sociedade de Lubumbashi quer durante o período colonial quer durante 50 anos de independência (poder religioso, o poder económico, o poder do estado)

Cultura ao longo de um percurso de edifícios que ou foram desviadas da sua missão de difusão cultural ou que estão degradadas.

Para as projecções de vídeo ou instalações, o público será acolhido durante cinco noites nos seguintes locais: O espaço Salama, o teatro de Kamalondo, a Basílica Santa Maria, o Museu Nacional e o Palácio da Justiça. A equipa dos Encontros PICHA está à sua inteira disposição para qualquer informação adicional.

 

Contacto: Avenue Adoula 588, Lubumbashi. [+243 810723284 /+243 997726984]. Email: rencontrespicha@gmail.com. Alexandre Mulongo Finkelstein, responsável de comunicação: alexmulongofink@hotmail.com

 

Translation:  Maria José Cartaxo

por association PICHA
Vou lá visitar | 15 Setembro 2010 | arte africana contemporânea, Congo, Simon Njami