“Febre do Rato” vence FESTin 2012

Na 3.ª edição do FESTin, o júri constituído por Alberto Rui Machado (Cabo Verde), Andrea Paola Costa Prado (Brasil), António Escudeiro (Portugal), José Carlos de Oliveira (Portugal) e Valdemar Dória (São Tomé) escolheu o filme Febre do Rato, do realizador brasileiro Cláudio Assis, como a Melhor Longa-Metragem em competição.

Os filmes brasileiros Trampolim do Forte, de João Rodrigo Mattos, e Amor?, de João Jardim, foram agraciados pelo júri com menções honrosas ex-aequo.

E Amanhã, do jovem realizador português Bruno Cativo, foi a longa-metragem escolhida pelo público.

Na competição de curtas-metragens, o júri composto por Carlos Manuel Câmara Leme (Portugal), Costa Neto (Moçambique) e Elvis Veiguinha (Angola) elegeu ex-aequo os filmes brasileiros Todos os Balões vão para céu, de Frederico Cabral, e Marcovaldo, de Cíntia Langie e Rafael Andreazza, como as melhores curtas-metragem. Entregou ainda menções honrosas à curta moçambicana A Ponte, de Diana Manhiça, e a Revolução nos Rabelados, do realizador cabo-verdiano Mário Benvindo Cabral

A Fábrica, do realizador brasileiro Aly Muritiba, foi a curta preferida pelo público.

O FESTin termina hoje e agradece a todos os que nos acompanharam ao longo de uma semana de cinema em língua portuguesa!

Mais informações sobre os filmes e júri em:www.festin-festival.com

 

17.05.2012 | por martacacador | Brasil, cinema, cinema brasileiro contemporâneo

Piauí, Brasil: Festluso passa a bienal

O FESTLUSO - Festival de Teatro Lusófono, organizado em Teresina, capital do estado do Piauí, no Brasil, pelo grupo Harém Teatro passa a realizar-se apenas de dois em dois anos. A quinta edição acontecerá em 2013.

De acordo com um comunicado divulgado pela organização esta semana, a decisão de não realizar o Festival em 2012, que chegou a estar prevista para o período de 20 a 26 de Agosto, teve a ver com a dificuldade de captar recursos e com a “não garantia de apoio das entidades de cultura do país (Ministério da Cultura, Governo do Piauí e Prefeitura MUnicipal de Teresina”. A coordenação do Festival acusa mesmo estas entidades de “inércia e marasmo”. Por outro lado, o facto de se tratar de um ano eleitoral torna “quase inviável a realização de eventos neste período em virtude nas normas estabelecidas nas leis para a realização de eventos no período eleitoral”.
Francisco Pellé, coordenador do FESTLUSO, garante no entanto, no mesmo comunicado, que está confirmada a realização da quinta edição do Festival em 2013.

13.05.2012 | por joanapereira | Brasil, Festluso, Piauí

Ocupação Negra - BRASIL

Saiu na Raça Brasil uma matéria sobre o novo espetáculo da Cia Rubens Barbot. Também saiu na edição impressa. Confira o blog.

11.04.2012 | por martalanca | Brasil, teatro

Filmes sobre a ditadura militar no Brasil

Daniel de Oliveira em Daniel de Oliveira em

Entre 1964 e 1985, o Brasil viveu sob um infame regime militar caracterizado pela restrição à liberdade. Foram anos de chumbo, predominando a censura e a perseguição. Centenas de militantes e políticos de esquerda foram torturados, tiveram que fugir ou desapareceram, assassinados pela repressão. Enquanto isso, a propaganda institucional mapeava o país com os slogans “Ninguém segura este país” ou “Brasil, ame-o ou deixe-o”; a dupla Don e Ravel fazia sucesso em rádios e programas de televisão com o refrão: “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo, ninguém segura a juventude do Brasil”; nas escolas, cantava-se “Este é um país que vai pra frente”;  e o hino da Copa de 1970 panfletava “Noventa milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração”. Uma completa farsa.
Ao longo dos séculos, a cultura sempre foi arma de arremesso contra o obscurantismo imposto por todo o tipo de ditaduras, tornando-se o principal catalisador do iluminar de consciências. É precisamente nesta linha de pensamento que surgiram filmes que falam da ditadura militar no Brasil ou das cicatrizes que ficaram, criticando bravamente o sistema repressor dessa época. São longas que transportam para as telas os horrores praticados e vividos por muita gente. Alguns retratam eventos e/ou personagens históricos reais; outros, de ficção, mas ao mesmo tempo possuem um sentido histórico. Publico aqui um levantamento amplo e fundamentado da filmografia que tematiza a ditadura militar brasileira. Confira, assista alguns deles, reflita e, se possível, não permita que o nosso país repita tamanha vergonha.

continuar a ler aqui no blog de António Júnior

 

05.02.2012 | por martalanca | Brasil, ditadura militar

Cartas para Angola

Documentário de Coraci Ruiz e Julio Matos
Neste filme, pessoas separadas por um oceano trocam correspondências - alguns são amigos de longa data, outros nunca se viram. Suas histórias se entrecruzam e contam sobre fluxos de migração, saudade, pertencimento, guerra, preconceitos, exílio, distâncias. A busca da identidade e o fio da memória são conduzidos pela linha da afetividade, que une as sete duplas de interlocutores que o documentário nos apresenta: pessoas que traçaram suas histórias de vida entre Brasil, Angola e Portugal.

+ info

03.01.2012 | por franciscabagulho | angola, Brasil

Manda Brasa festa de um brasil que é já futuro

Zona Franca apresenta: FESTA BRASILEIRA
ao som dos dj K-beça e dj Saravá 
imagens Carpe Diem e outros
comidas caprichadas pelo casal Ana Bolena e Leandro Müller
muitas caipirinhas e animação 
dia 30 de OUTUBRO, a partir das 22h até…  “não deixa o samba morrer não deixa o samba acabar” no zona franca no BARTÔ

27.11.2011 | por martalanca | Brasil, festa

Conferência Agostinho da Silva e a política externa independente do Brasil

13.10.2011 | por martalanca | Agostinho da Silva, Brasil

Seleccionados para o Prémio BES photo 2012

DUARTE AMARAL NETTO | MAURO PINTO | ROSANGELA RENNÓ | CIA DE FOTO

Seleccionados para o Prémio BES photo 2012

O Prémio BES photo2012 tem o prazer de anunciar os nomes dos artistas que irão participar na sua 8ª edição, a segunda duplamente marcada pelo estatuto internacional que o prémio adquiriu - não só pelo alargamento do âmbito de selecção dos artistas que poderão ser de nacionalidade portuguesa, brasileira ou dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP’s), como pela itinerância da exposição que, após ser apresentada no Museu Berardo, estará patente na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

A escolha de quatro artistas internacionais nomeados foi efectuada pelos três membros do Júri de Selecção da 8ª edição do BES photo que acompanharam o panorama expositivo da fotografia no período a que reporta o prémio, e que, individualmente representam o triângulo geográfico referido – Diógenes Moura, curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo (Brasil); Delfim Sardo, curador, crítico de arte e professor (Portugal) e Bisi Silva, curadora e fundadora/directora do Centro de Arte Contemporânea de Lagos, CCA Lagos (Nigéria).

Na opinião do Júri, a nomeação de Duarte Amaral Netto (Portugal), ‘resultou do trabalho que tem vindo a desenvolver ao longo de uma década, e, especificamente, pela qualidade conceptual da exposição ‘The Polish Club Case’, apresentada em Lisboa.’
A escolha do artista Mauro Pinto (Moçambique) prende-se com ‘a forma coerente como tem vindo a efectuar o mapeamento e a representação de Moçambique. Destaca-se o trabalho apresentado na exposição ‘Maputo – Luanda – Lubumbashi’, em Lisboa.’

A nomeação de Rosangela Rennó (Brasil) prende-se com a ‘complexidade da forma como tem desenvolvido uma maturada reflexão sobre a natureza do fotográfico, articulada com o papel da memória. Esta nomeação surge pelas exposições apresentadas na Galeria Vermelho, em São Paulo, e na Galeria La Fábrica, em Madrid.’

Sobre a selecção do colectivo CIA de Foto (Brasil), o júri realça ‘a qualidade da série ‘Carnaval’ (apresentada no âmbito do ‘New York Photo Fest’), num processo de trabalho que revela segurança técnica e, sobretudo poética. Trata-se da preparação de uma segunda camada para a memória de cada uma das imagens, ou da série, como um todo. Este exercício extende-se ao vídeo que acompanha o trabalho, ao fazer com que cada personagem avance para o olhar do espectador criando um outro tempo num plano mais fechado.’

O Banco Espírito Santo, Museu Berardo e Pinacoteca do Estado de São Paulo juntam-se assim com o intuito de promover a criatividade e integração dos artistas plásticos contemporâneos de língua portuguesa no panorama internacional e com a ambição de construírem aquele que será o maior prémio de arte contemporânea do Atlântico Sul.

À semelhança das edições anteriores, o critério de selecção dos artistas em questão requer que estes tenham efectuado uma exposição de obras de suporte fotográfico e/ou a edição de uma publicação durante o período de 12 meses anterior à data de reunião do Júri de Selecção.

À semelhança da passada edição que marcou a internacionalização do Prémio, os artistas seleccionados apresentarão os seus trabalhos no Museu Colecção Berardo numa primeira exposição com inauguração prevista para 13 de Março, e que, itinerará para a Pinacoteca do Estado de São Paulo onde será apresentada entre Junho e Agosto de 2012.

Numa primeira fase, cada um dos artistas seleccionados recebe uma bolsa de produção para a realização da exposição BES photo. Num segundo momento, que corresponde à fase de premiação, o Júri de composição internacional com nacionalidade distinta das representadas pelos artistas seleccionados elegerá, a partir da exposição efectuada no Museu Colecção Berardo, o vencedor da 7ª edição, cujo valor pecuniário do prémio é de 40.000 euros.

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27.09.2011 | por joanapires | artistas plásticos contemporâneos, Bes Photo, Brasil, Moçambique, Portugal

FESTin 2012 – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa

O FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa regressa ao Cinema São Jorge, em Lisboa, de 9 a 20 de maio de 2012, incluindo uma Mostra de Cinema Brasileiro Contemporâneo, a propósito do Ano do Brasil em Portugal. 

O Brasil será o país homenageado nesta 3ª edição, sucedendo a Moçambique (2010) e a Portugal (2011), no entanto, a partir do próximo ano, o festival passará a integrar sempre na sua programação a Mostra de Cinema Brasileiro anteriormente produzida pela Fundação Luso-Brasileira.

As inscrições para a Selecção Oficial Competitiva de Cinema de Expressão Portuguesa (longas e curtas metragens) estão abertas até 31 de janeiro de 2012 e o regulamento pode ser consultado no site do FESTin.

Para além das secções competitivas de longas e curtas-metragens e de mostras temáticas paralelas, o FESTin promove ainda debates e oficinas para crianças e jovens. No próximo ano a organização do evento pensa alargar as suas atividades às comunidades de língua portuguesa espalhadas pelo mundo.

O FESTin foi criado em 2010 com o objetivo de celebrar e fortalecer a cultura de expressão portuguesa através do cinema, num ambiente de partilha, intercâmbio e inclusão social. É organizado pela Padrão Actual, em co-produção com a Fundação Luso-Brasileira e a EGEAC – Cinema São Jorge.

Em 2011, a 2ª edição do festival realizou-se entre 26 de Abril e 1 de Maio e exibiu 78 produções dos oito membros da Comunidade de Países da Língua Portuguesa, que foram vistos por mais de 3000 espectadores. A longa-metragem vencedora da 2ª edição foi “Hortas di Pobreza”, da jovem realizadora Sara de Sousa Correia.

27.09.2011 | por joanapires | Brasil, cinema, cinema brasileiro contemporâneo, cultura de expressão, festin, Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa

"Cinderelas, lobos e um príncipe encantado", de Joel Zito Araújo + debate

Sexta-feira, 27 de Maio às 21h na Casa do Brasil

Rua Luz Soriano, 42 BAIRRO ALTO Lisboa

organização BUALA 

Cerca de 900 mil pessoas são traficadas pelas fronteiras internacionais a cada ano exclusivamente para fins de exploração sexual. Entretanto, apesar de todos os perigos, jovens mulheres brasileiras, ao entrar no mundo do turismo sexual, acreditam que vão mudar de vida e sonham com o seu príncipe encantado. Uma minoria até consegue encontrar um grande amor e casar. O filme vai do nordeste brasileiro a Berlim buscando entender os imaginários sexuais, raciais e de poder das jovens cinderelas do sul e dos lobos do norte. Temas polêmicos, como turismo sexual, racismo e abuso sexual de crianças e adolescentes são o centro do documentário. Em Cinderelas, lobos e um príncipe encantado, viajando pelo Brasil e também pela Europa, na Itália e Alemanha, o diretor discute o sonho de várias mulheres brasileiras de encontrar um marido europeu. Muitas migram e se tornam dançarinas em apresentações de ritmos ligados ao Brasil. Sem estudo ou formação profissional, outras se transformam, ainda, em prostitutas e raramente realizam o sonho. Embora, no filme, também haja finais felizes. 


Joel Zito Araújo, doutor em Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP, realizou A Negação do Brasil, documentário ganhador do Festival é Tudo Verdade (2000). Nele, o diretor documenta a discriminação racial na televisão brasileira. Em 2004, com As Filhas do Vento, e um elenco todo formado por negros, arrebatou oito prêmios em Gramado, inclusive o de melhor filme, melhor diretor e prêmio da crítica. Joel Zito Araújo diz que seu novo filme não tem intenção de explicar todos os fenômenos que retrata. Também nega qualquer intenção de julgamento de suas personagens. “Algumas se tornam trabalhadoras do sexo, outras não. Meu filme busca revelar a complexidade do mundo do turismo sexual”.

Equipe Técnica: 
Direção e Produção Executiva: JOEL ZITO ARAÚJO. Fotografia: ALBERTO BELLEZIA. Captação de som: ANTONIO MURICY. Produção e Assistência de direção: LUIS CARLOS DE ALENCAR. Montagem: MÁRCIA WATZL. Roteiro: Joel Zito Araújo & José Carvalho. Arte: Fábio Arruda e Rodrigo Blaque – Cubículo. Consultores: EMMA CERVONE, HELENA OLIVEIRA SILVA, FABIANA GORENSTEIN. Finalização de Imagem: TELEIMAGE. Finalização de Som: Luis Adelmo - Casablanca Soud.
Duração: 107’52’’ /Cor / HD


Paula Togni É natural de Minas Gerais e vive em Lisboa desde 2004. Doutoranda em Antropologia pelo ISCTE,- Instituto Ciências do Trabalho e Empresa, colaborou em associações de imigrantes, nomeadamente a Casa do Brasil de Lisboa (2005-2008) na mediação com imigrantes brasileiros.  Seu trabalho direciona-se para a compreensão dos fenômenos de mobilidade, principalmente os relacionados com as migrações internacionais,  priorizando  as relações entre categorias de diferenciação como gênero e nacionalidade, em contextos transnacionais. 

24.05.2011 | por martalanca | Brasil, turismo sexual

5° CINEPORT - Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa

Será realizado na cidade de João Pessoa, Paraíba, Brasil, de 26/08/2011 a 04/09/2011.O Festival é uma realização da Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho e tem como objetivos:

- integrar o mercado cinematográfico dos países de língua portuguesa e promover os filmes realizados em português e dialetos falados nas nações africanas que formam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa-CPLP, bem como reunir personalidades ligadas ao audiovisual desses países, estimulando o intercâmbio cultural, promovendo encontros, seminários, painéis, debates, conferências, mostras, lançamentos de publicações, DVDs, filmes e vídeos.

+ info

15.04.2011 | por martalanca | Brasil, cinema, festival, João Pessoa

A curta-metragem “Viagem a Cabo Verde” integra a selecção oficial da mostra competitiva do festival “É tudo verdade” em São Paulo

Realizado pelo português José Miguel Ribeiro, a obra, com 17 minutos, é produzida pela “Sardinha em Lata”.

 

São Paulo - O curta-metragem  integra a selecção oficial da mostra competitiva do festival “É tudo verdade”, que decorre simultaneamente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro (Brasil). A animação ambientada em Cabo Verde terá sua primeira exibição nesta terça-feira, 5, em São Paulo.

Logo após a estreia na capital paulista, o filme ganha uma reapresentação na quinta-feira, 7, para já na sexta-feira e no domingo, 8 e 10, ser exibido no Rio de Janeiro.

“O curta é uma crónica de viagem muito livre pelos caminhos de Cabo Verde. Abandonando o telemóvel, o relógio e os planos, reduz-se a bagagem ao mínimo essencial, para descobrir as montanhas, o mar, as tartarugas, as cabras, a música, os habitantes e, quem sabe, também uma parte essencial de si mesmo”, descreve a sinopse do filme.

Realizado pelo português José Miguel Ribeiro, a obra, com 17 minutos, é produzida pela “Sardinha em Lata”.

 

Ler mais em Africa 21

05.04.2011 | por ritadamasio | animação, Brasil, cabo verde, ciclo cinema, cinema português

Trèsor, de Rita Brás

“O Tesouro da Juventude é uma colecção que nos traz a memória de um tempo feliz. Descobri-o no meu terceiro quarto em Belo Horizonte, indício de uma herança cultural comum. Tal como aponta Otávio Paz nos seus escritos políticos: “si nada nos dice sobre nuestro origen, como puede enseñarnos a morir?”.
Fiz este filme para capturar a impressão da minha primeira viagem ao Brasil.
Em Minas Gerais, onde fiquei, foi através da história de uma família que eu senti uma conexão com um património único: a vida e a morte de um passado comum, o português que veio para tirar o ouro da terra, a música negra nas ruas, a minha própria experiência tatuada no corpo. Uma dádiva que eu tinha de pagar, uma morte que tinha de acontecer. Este filme, minha primeira longa-metragem, é em si mesmo uma viagem de vertigem para reconquistar a sensação de riqueza que está para além da dor da colonização, da escravidão, do poder: as pessoas e os lugares que eu conheci.” (Rita Brás)

 

passa no dia 3 de abril no cinema São Jorge às 19h (Lisboa), Festival Panorama

27.03.2011 | por martalanca | Brasil, documentário, Rita Brás

Obama foi anulado pelo conservadorismo de bordel dos EUA

A economista Maria da Conceição Tavares fala sobre a visita de Obama ao Brasil, a situação dos Estados Unidos e da economia mundial. Para ela, a convalescença internacional será longa e dolorosa. A razão principal é o congelamento do impasse econômico norte-americano, cujo pós-crise continua tutelado pelos interesses prevalecentes da alta finança em intercurso funcional com o moralismo republicano. ‘É um conservadorismo de bordel’, diz. E acrescenta: “a sociedade norte-americana encontra-se congelada pelo bloco conservador, por cima e por baixo. Os republicanos mandam no Congresso; os bancos tem hegemonia econômica; a tecnocracia do Estado está acuada”.

Quando estourou a crise de 2007/2008, ela desabafou ao Presidente Lula no seu linguajar espontâneo e desabrido: “Que merda, nasci numa crise, vou morrer em outra”. Perto de completar 81 anos – veio ao mundo numa aldeia portuguesa em 24 de abril de 1930 - Maria da Conceição Tavares, felizmente, errou. Continua bem viva, com a língua tão afiada quanto o seu raciocínio, ambos notáveis e notados dentro e fora da academia e esquerda brasileira. A crise perdura, mas o Brasil, ressalta com um sorriso maroto, ao contrário dos desastres anteriores nos anos 90, ‘saiu-se bem desta vez, graças às iniciativas do governo Lula’. 

A convalescença internacional, porém, será longa, adverte. “E dolorosa”. A razão principal é o congelamento do impasse econômico norte-americano, cujo pós-crise continua tutelado pelos interesses prevalecentes da alta finança em intercurso funcional com o moralismo republicano. ‘É um conservadorismo de bordel’, dispara Conceição que não se deixa contagiar pelo entusiasmo da mídia nativa com a visita do Presidente Barack Obama, que chega ao país neste final de semana. 
Um esforço narrativo enorme tenta caracterizar essa viagem como um ponto de ruptura entre a ‘política externa de esquerda’ do Itamaraty – leia-se de Lula, Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães - e o suposto empenho da Presidenta Dilma em uma reaproximação ‘estratégica’ com o aliado do Norte. Conceição põe os pingos nos is. Obama, segundo ela, não consegue arrancar concessões do establishment americano nem para si, quanto mais para o Brasil. ‘Quase nada depende da vontade de Obama, ou dito melhor, a vontade de Obama quase não pesa nas questões cruciais. A sociedade norte-americana encontra-se congelada pelo bloco conservador, por cima e por baixo. Os republicanos mandam no Congresso; os bancos têm hegemonia econômica; a tecnocracia do Estado está acuada”. O entusiasmo inicial dos negros e dos jovens com o presidente, no entender da decana dos economistas brasileiros, não tem contrapartida nas instâncias onde se decide o poder americano. “O que esse Obama de carne e osso poderia oferecer ao Brasil se não consegue concessões nem para si próprio?”, questiona e responde em seguida: ‘Ele vem cuidar dos interesses americanos. Petróleo, certamente. No mais, fará gestos de cortesia que cabem a um visitante educado’. 

O desafio maior que essa discípula de Celso Furtado enxerga é controlar “a nuvem atômica de dinheiro podre” que escapou com a desregulação neoliberal – “e agora apodrece tudo o que toca”. A economista não compartilha do otimismo de Paul Krugman que enxerga na catástrofe japonesa um ponto de fuga capaz, talvez, de exercer na etapa da reconstrução o mesmo efeito reordenador que a Segunda Guerra teve sobre o capitalismo colapsado dos anos 30. “O quadro é tão complicado que dá margem a isso: supor que uma nuvem de dinheiro atômico poderá corrigir o estrago causado por uma nuvem nuclear verdadeira. Respeito Krugman, mas é mais que isso: trata-se de devolver o dinheiro contagioso para dentro do reator, ou seja, regular a banca. Não há atalho salvador’.

Leia a seguir a entrevista exclusiva de Maria da Conceição Tavares à Carta Maior.

CM- Por que Obama se transformou num zumbi da esperança progressista norte-americana?

Conceição - Os EUA se tornaram um país politicamente complicado… o caso americano é pior que o nosso. Não adianta boas idéias. Obama até que as têm, algumas. Mas não tem o principal: não tem poder, o poder real; não tem bases sociais compatíveis com as suas idéias. A estrutura da sociedade americana hoje é muito, muito conservadora – a mais conservadora da sua história. E depois, Obama, convenhamos, não chega a ser um iluminado. Mas nem o Lula daria certo lá.

CM- Mas ele foi eleito a partir de uma mobilização real da sociedade….

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17.03.2011 | por martalanca | Brasil, Dilma, Estados Unidos da América, Lula, Obama

Deus e o Diabo na serra

1. Sidney falou-me do Apocalipse. Voltávamos de São José do Vale do Rio Preto e era de noite. Já tínhamos deixado Vinicius de Moraes em casa.
A realidade está sempre um passo à nossa frente.Nos últimos anos em que Tom Jobim foi para São José do Vale do Rio Preto, o gerente do banco local falou-lhe de um menino chamado Vinicius de Moraes que morava ali perto, em Areal. Jobim quis conhecê-lo mas nunca aconteceu.Agora o menino tem 32 anos. Apareceu-me com Sidney ao volante para subirmos o Rio Preto, mas não chegámos ao fundo do poço nem ao fim do caminho. “Ainda não tem passagem para o sítio do Tom Jobim”, disse a mãe daquele rapaz que salvou aquela rapariga do cãozinho puxando-a por uma corda.Como não acreditar em Deus?E como acreditar em Deus?Um pouco antes dessa mãe, um pouco antes da cidade de São José, havia um fusca ao lado de um sofá, os dois na lama, diante de uma Assembleia de Deus.Deus não coube no enquadramento, ou eu não soube enquadrar.Sou apenas europeia.


2. Dizem-me que existem, e sei que existe até uma associação, mas até agora ainda não encontrei um brasileiro ateu.Como não dirijo, ando de ónibus, e os motoristas dão graças a Deus antes das viagens, e as pessoas respondem em coro. Nos terminais, há homens de músculo a dizer “Sorria, Jesus te ama.” Leio na camisa deles. Todos os meus amigos brasileiros acreditam em Cristo, Umbanda, Candomblé ou que tudo isso será uma coisa só. Entre voltar de Nova Friburgo e partir para São José do Vale do Rio Preto, fui ao Circo Voador ouvir Jorge Mautner e ele falou de Hannah Arendt, Auguste Comte, AfroReggae, Gilberto Gil, Jards Macalé, Caetano Veloso, a catástrofe na Região Serrana e Deus.Tudo era de facto uma coisa só.Dor dá flor. Diz que deu, diz que dá, diz que Deus dará, não vou duvidar.Nietzsche desviado pelo Brasil dá música.
3. Em Nova Friburgo dormi no convento que há 117 anos é das doroteias e antes era um hotel para males de peito, que não os de amor. A família imperial também lá dormiu, contou-me a superiora. Cheguei de noite, quando muita gente já dormia. Além de mim havia dezenas de abrigados, incluindo o bispo e 14 irmãs de clausura que tinham saído da sua casa junto ao morro depois da estrada rachar.No dormitório das mulheres, passei parte da noite a sussurrar à janela com a irmã Ana Paula. Nunca vi o cabelo dela, porque estas irmãs de clausura usam um pano branco a cingir o rosto, até para dormir, pelo menos perante estranhas.Mas éramos estranhas, eu e ela?Ana Paula, 28 anos, olhava o céu, incapaz de dormir. Eu pisara lama que ainda cobria corpos. A cidade estava deserta, desolada. E em volta os bairros, como matéria bíblica.Perguntei a Ana Paula por Deus ela respondeu-me com os homens: a catástrofe era um erro da construção humana. Depois Deus ajuda-nos a ver a dor do outro. Faz-nos dar.

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23.01.2011 | por martalanca | Brasil, Deus

Brasil 84

o filme “BRASIL’84” feito por PHILL NIBLOCK durante a sua estadia pela Bahia naquele tempo passou sabado à noite na Zé Dos Bois em Lisboa.

17.01.2011 | por martalanca | Brasil

Respirar é possível, por Boaventura de Sousa Santos

FOLHA DE S. PAULO - 02-11-10


Para governos desalinhados do  continente e para as classes sociais que os levaram ao poder, as eleições no Brasil foram um sinal de esperança


As eleições no Brasil tiveram uma importância internacional inusitada. As razões diferem consoante a perspectiva geopolítica que se adote. Vistas da Europa, as eleições tiveram significado especial para os partidos de esquerda. 

A Europa vive uma grave crise, que ameaça liquidar o núcleo duro da sua identidade: o modelo social europeu e a social-democracia. Apesar de estarmos diante de realidades sociológicas distintas, o Brasil ergueu nos últimos oito anos a bandeira da social-democracia e reduziu significativamente a pobreza. Fê-lo reivindicando a especificidade do seu modelo, mas fundando-o na mesma ideia básica de combinar aumentos de produtividade econômica com aumentos de proteção social. 

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05.11.2010 | por martalanca | Brasil, crise, eleições, Europa

Zezé Motta, grande actriz brasileira, em A Divina Saudade

Zezé Motta em Temporada Popular no SESC Tijuca - 06 e 07/10 - 20h

06.10.2010 | por martalanca | Brasil, Zezé Motta

Paulo Moura (1932–2010)

Uma forte rajada sobre a cidade do Rio de Janeiro anunciava à noite o desfecho de uma lenta agonia…
No sábado, dia 10 de julho, Paulo Moura ainda conseguiu reunir forças para tocar uma última música – “Doce de Côco”, de Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho – com seu parceiro de longa data Wagner Tiso, ao lado de sua mulher Halina, o filho Domingos, o sobrinho Gabriel, amigos e admiradores, e alguns pacientes da Clínica São Vicente, maravilhados com aquela inusitada e comovente celebração musical, organizada pelos músicos Cliff Korman e Humberto Araújo.
Uma réstia de sol fazia da folhagem das jaqueiras um cenário cintilante para a varanda do hospital.
O maestro, sereno e sorridente, vestia uma camisa azul e cobria as pernas inchadas e inertes com um manto púpura.
Lembrei-me da última estrofe de um poema que lhe dediquei alguns anos atrás, homenagem diminuta e insuficiente frente à imensa alegria que sua música me proporcionara e ao doce convívio que tive o privilégio de gozar:

    mistura e manda
    o maestro
    pra lá
    das bandas
    do rio
    preto:
    aéreo conduz
    e sopra
    por onde zoar
    o pássaro azul
    púrpura

Ele se foi na calada da noite, sua memória, no entanto, não há de se calar jamais em nossos corações e ouvidos. Paulo Moura não passou, não passará: virou pássaro alvissareiro… para todos e para sempre.

André Vallias
Rio, 13 de julho de 2010

 

 

Site do artista

16.07.2010 | por martalanca | Brasil, paulo moura

Simbolein, da Cia Enki de Dança Primitiva

Escrita corporal

Mesmo quando ainda não existia civilização, nem leis, nem tecnologia, já havia no mundo a necessidade humana de ultrapassar a vida comum e se comunicar. A expressão escrita, falada ou gesticulada presente no início da história se tornou alvo de estudos da Cia Enki de Dança Primitiva Contemporânea, que estréia o espetáculo Simbolein, uma tradução corporal de um antigo dialeto africano.

O coreógrafo Paulo Fernandes disparou sem rodeios: “A expressão é a música do corpo”. Como membro da Cia Enki e professor de Dança na Escola de Teatro e Dança Fafi, Fernandes explica que Simbolein partiu de um estudo feito sobre um antigo dialeto da Etiópia, o Ge’ez.

Falado há mais de dois mil anos e que, pela forte resistência etíope à colonização europeia, manteve-se vivo até hoje em algumas localidades do país, a língua serviu de inspiração ao coreógrafo para entender a relação do homem com a escrita. “O homem é sempre traduzido por um gesto de expressão, que é linguagem universal”, explica. Expressão ligadas a um senso de corporalidade implícita que são invocadas na dança.

“É a partir dessa percepção de que a origem da escrita se apropria da visão do homem da imagem da natureza. O modo como vê a folha se relaciona com a sua mão”, comenta Fernandes. Em seus estudos, Fernandes se aprofundou em detalhes da composição da linguagem Ge’ez e descobriu relações matemáticas para traduzir a relação da expressão com o corpo e o espaço.

“O alfabeto deles é fantástico porque tem letras e números, feitos em estrutura circular e em progressão geométrica”, conta ele. A partir dessa relação matemática entre letras e significados é que Simbolein (“símbolo” em grego), tenta redesenhar essa estrutura de expressões, seguindo a percepção de que as escritas antigas obedecem a observação do homem com a natureza.

O espetáculo segue uma escritura emocional do alfabeto Ge’ez pelo corpo, pelo espaço e pela música. Até a trilha sonora caminha nesse sentido, acompanhando uma estrutura matemática proporcional a formação alfabética.

Segundo o coreógrafo, essa reflexão acerca da matemática do corpo tem um objetivo mais forte que é o de repensar o significado das culturas antigas diante de um sistema que descarta tais conhecimentos. “A idéia do projeto é trazer uma cosmovisão da África para o mundo ocidental e, quem sabe, talvez seja até uma reflexão importante para a educação”, pondera.

Com essa proposta, Simbolein recebeu incentivo do Fundo Nacional das Artes (Funarte) para apoio de montagem e circulação: foi o único espetáculo do estado a ser contemplado no Prêmio Klauss Vianna. Sem o prêmio, Fernandes admite que seria um pouco difícil realizar este gênero de espetáculo pelo tamanho de sua profundidade, mas ressalta a importância que os estudos das culturas antigas tem para questionar os conflitos contemporâneos. “O foco desse tipo de provocação é trazer a simplicidade e a profundidade que tem nesses elementos e fazer uma avaliação do que é o conhecimento pra gente”, completa.

Simbolein, da Cia Enki de Dança Primitiva Contemporânea, dia 3, 19:30  e domingo (4), às 16:30 às 19h30, no Auditório da Fafi. Av. Jerônimo Monteiro, 656, Centro, Vitória. Entrada franca.

03.07.2010 | por martalanca | Brasil, dança