Há precisamente cinquenta anos, entre a comoção do poder estatal para se fazer valer perante o "povo" e a cooperação internacional e os ideais revolucionários do Partido-Único para a construção do "novo homem", uma possível via de atuação no setor da construção civil foi experimentada. Um modo de fazer construção civil que, com todas as suas limitações, tinha uma relação direta com a formação do que se considerava ser, naquele momento histórico, a necessária sociedade civil.
A ler
07.10.2026 | por Hugo Lopes
O que torna uma cidade verdadeiramente ética? Mais do que uma questão de boa governação ou de inovação tecnológica, este ensaio propõe pensar a cidade como um espaço de constituição da cidadania e de produção do comum. Partindo de autores como Étienne Balibar, Jacques Rancière, Richard Sennett, David Harvey e Saskia Sassen, o texto percorre as transformações da cidade contemporânea — da globalização à smart city, do capitalismo algorítmico ao novo municipalismo — para defender que a eticidade de uma cidade se mede pela sua capacidade de acolher o conflito democrático, ampliar a participação política e tornar visíveis novas formas de cidadania. Entre a reflexão teórica e exemplos como Lisboa, Génova, Barcelona ou Nápoles, o ensaio propõe uma leitura da cidade como um projeto político em permanente construção.
Cidade
13.07.2026 | por Stefano Rota
Passadas as celebrações dos cinquenta anos de independência e conquistado esse lugar de respeito internacional, as interrogações internas são muitas. O que fazer com o sucesso democrático? A estabilidade é muito boa, mas não basta. A quem chega o crescimento e a prosperidade? Se há salários de trabalhadores hoteleiros que equivalem ao preço de uma noite nesse mesmo hotel, a quem beneficia afinal o turismo, a única indústria nas ilhas? Existe um pensamento estratégico sobre cultura ou esta tem sido tratada como mero ornamento? A língua materna continuará a ser tolerada como «língua dos afetos», institucionalmente secundarizada? Há condições para a juventude ficar nas ilhas ou segue no vapor di imigrason? A diáspora é apenas fonte de remessas e fábrica de saudades, ou será chamada a participar realmente na reinvenção do país?
A ler
22.06.2026 | por Marta Lança
Muita gente se declarou de “alma lavada” com a agressão de Datena em Marçal. O discurso de ódio tem o poder de despertar o pior não só naqueles que corroboram com ele, mas também naqueles que discordam veementemente e que, de tão ultrajados, acabam por também cair na barbárie. Datena, mesmo se ainda não ostentasse cabelos brancos da experiência e quase meio século de carreira, jamais poderia ter agido através da violência. Para agravar, ainda publicou nota admitindo o erro porém dizendo não se arrepender. Se aqueles que se propõem a representar o povo não procederem através e não confiarem nas instituições de justiça, que futuro terá o país além do caos?
Cidade
16.09.2024 | por Gabriella Florenzano
Continuarem a defender os nossos princípios e o programa de ação. Os Cidadãos por Lisboa defendem uma visão política de uma cidade, aberta, e que não deixa ninguém para trás. E temos bem claro que há valores e grupos que merecem a nossa especial atenção, particularmente no que toca às condições de vida das pessoas mais vulneráveis e com menos visibilidade na nossa sociedade. Estamos com estas pessoas, independentemente de uma ideia de cidade que se quer impor em Lisboa e que não as considera, como as que foram defendidas pelo Chega nesta sessão da Assembleia Municipal.
Cara a cara
16.02.2023 | por vários
Imediatamente pensei em toda a campanha da direita e da extrema direita nos países da América do Sul nestes últimos quatro anos. Nas mentiras, na vontade de romper com o consenso mínimo do diálogo democrático e lançar a sociedade civil numa guerra de todos/as contra todos/as. É o momento preciso para tomar consciência do papel histórico das forças democráticas; de opor-nos fortemente à naturalização da violência política na América do Sul.
A ler
07.09.2022 | por Menara Guizardi
Nos EUA, o governo federal realiza as eleições para o Congresso pelo menos duas vezes, de dois em dois anos. Mas eleições locais e estaduais são por vezes vinculadas às eleições federais, mas não na maioria dos casos.
Os americanos elegem mais de meio milhão de representantes/deputados no total, desde o presidente até ao legista do condado. (É difícil comparar este número com outros países, que poderiam colocar mais assentos legislativos a voto, mas não, digamos, inspetor de minas ou engenheiro do condado). Um exemplo particularmente estranho num contexto global: “Nenhuma outra democracia no mundo utiliza as eleições para escolher juízes ou procuradores”, disse Richard Pildes, um perito eleitoral de Nova Iorque. Em vez disso, outros funcionários/deputados nomeiam normalmente os juízes e procuradores de um país.
Jogos Sem Fronteiras
21.11.2021 | por German Lopez
Sabemos que há eleitores imunes às sondagens – são os que votam sempre… e sempre no mesmo partido (ou sempre em branco/nulo), e os que ficam sempre em casa. Todos os outros serão em alguma medida influenciáveis pelas sondagens direta ou indiretamente. Ou seja, concordo inteiramente com o autor quando diz que as sondagens não são neutras quanto às suas consequências. Se é ou não lícito aceitá-las como parte do jogo político democrático, é algo que vale sempre a pena discutir e acrescento aqui algumas notas.
A ler
06.10.2021 | por João Homem Cristo António
O cinema pode ser uma ferramenta privilegiada para combater e romper com esses modelos hegemônicos de ver, pensar e representar o outro dentro de uma lógica de opressão. Ver-se em outra perspectiva, imaginar-se, descrever-se e reinventar-se pelo cinema é uma forma de descolonizar imaginários, interrogar as matrizes de representação opressoras e criar estratégias para a construção de outras, que em vez de reduzir, multiplicam as possibilidades de existência na ideia de diversidade.
Afroscreen
15.09.2021 | por Fernanda Polacow
No seu livro, Applebaum reproduz uma conversa telefónica em que Stenner lhe disse que “a ‘predisposição autoritária’ que identificou não é exactamente a mesma coisa que uma mente fechada.” “Seria melhor descrita”, explica, “como uma mente simplória: as pessoas costumam ser atraídas por ideias autoritárias porque a complexidade as incomoda. Não gostam da divisão. Preferem a unidade. Uma ofensiva repentina de diversidade — diversidade de opiniões, diversidade de experiências — deixa-as irritadas. Procuram soluções numa nova linguagem política que as faça sentirem-se mais seguras e protegidas.”
Os populistas conhecem bem esta psicologia e é com base nela que constroem as suas tácticas: alimentam o desconforto e o medo e com poucas mensagens, curtas e simples, “vendem” segurança e protecção.
Jogos Sem Fronteiras
12.02.2021 | por Maria Vlachou
O que me chocou, no início da pandemia, foi o quanto o debate se focou na desresponsabilização do ser humano. Ali, no sudeste asiático, são sociedades totalitárias e conformistas, usam máscara de qualquer maneira. Esse discurso é de divisão e este paralelo entre a migração se deixar explicar como algo vindo de fora e o vírus como algo apenas biológico e não político. A divisão nasce da ilusão de que na Europa do norte fomos atingidos e, como tal, não só não reconhecemos a causa destes problemas como também caímos nos nossos nacionalismos para resolver este problema, não para o mundo mas para nós.
Jogos Sem Fronteiras
18.11.2020 | por Gisela Casimiro
A afiação da luta de classes e os surtos revolucionários reais ou potenciais eram o pressuposto dos fascismos.O esmagamento do movimento operário, a supressão dos sindicatos independentes, a proibição e a aniquilação dos partidos de esquerda foram prioridades da sua acção, numa tentativa de resolver a luta de classes com proscrições e repressão. Os fascismos ofereceram ao capital o fim do "caos" de greves e revoltas, para evitar o "perigo comunista" e para o substituir por uma ordem inabalável favorável aos seus lucros. Grandes secções das grandes empresas financiaram, acompanharam e beneficiaram da ascensão do extremo direito ao poder.
A ler
06.11.2020 | por Daniel Campione
Declaramos solidariedade com a deputada Joacine Katar Moreira e apelamos ao sentido de responsabilidade cidadã dos portugueses e das instituições públicas, para que não deixem impor-se a linguagem do ódio e da desconfiança onde deve apenas haver lugar para a vigilância crítica, o debate aberto e a vontade de ir mais longe na construção de um futuro melhor para todos.
Mukanda
09.11.2019 | por vários
Quando proponho a experiência estética como algo que nos coloca a ver a democracia – e aqui penso estética como Rancière a propõe em sua partilha do sensível, ou seja: como aquilo que possibilita a estese – em consonância com o título da intervenção estadunidense contra a anestesia de uma posse fascista, o que proponho de fato nada mais é do que observar aquilo que difere.
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01.07.2019 | por Allende Renck
Resistir à tentação de trocar humanidade por segurança, de trocar disparidade por homogeneidade, de trocar o desencanto da modernidade pela canção das sereias fascistas. E essa luta travamo-la na nossa cabeça todos os dias. Travamo-la quando sentimos a tentação de falar em deportar brasileiros que votaram Bolsonaro ou quando sentimos a tentação de o defender porque ganhou umas eleições democráticas.
Mukanda
31.10.2018 | por Simão Cortês
Esse continuum escravocrata não tolera as brechas criadas e conquistadas – provocando uma tragédia com o Brasil, jogando-o numa espiral recessiva e numa sobreposição de crises (política, econômica, social, existencial). A fome – seu fim como símbolo maior das conquistas do período Lula – volta a rondar muita gente.A austeridade, criminosa em qualquer canto do planeta, ganha outras camadas de perversidade por essas bandas.
Mukanda
13.09.2018 | por Jean Tible
Nas democracias liberais, o “desejo de apartheid” e o “desejo de uma comunidade sem estrangeiro” parecem encontrar conforto moral no seu passado colonial e esclavagista.O demónio colonial reconfigura-se a nível planetário numa exacerbação da clausura entre um “nós” originário e os “outros”. A histeria identitária e o “desejo de fascismo” estimulado pelos populismos, assim como a pulsão autoritária, presentes um pouco por toda a parte, representam um perigo para qualquer projeto de liberdade
A ler
16.01.2018 | por Mamadou Ba
Com "Chaves das portas do social (notas de pesquisa e reflexão)", Carlos Serra, um dos mais intervencionistas sociólogos, revisita as manifestações de 2008 e 2010, que para ele são merecedoras de pesquisa aturada. Nesta viagem pelo “político-social”, que incidiu sobre os “cismos sociais”, passando pelos linchamentos, desafios dos nossos políticos e intelectuais, assim como pela questão da insegurança e direitos humanos, Serra esclarece que as suas abordagens não consistem em defender as “massas” acusando os governantes.
Cara a cara
17.07.2011 | por Celso Ricardo
A civilização africana opunha-se à civilização cristã ocidental? Não. Não havia choque até haver uma política de colonização. E o mesmo se pode dizer de outras situações.
O que cria antagonismos culturais é uma rede muito complexa de circunstâncias e escolhas, e para compreender isso é necessário ver as relações políticas, históricas, sociais e morais. Tem muito mais a ver com a forma como evoluíram as relações entre essa culturas - o que é uma discussão histórica - do que com a natureza da cultura ou da civilização, em si.
Cara a cara
14.11.2010 | por Alexandra Lucas Coelho