Massiv – o próximo Blog___
O século XXI é um século decisivo para África. É um século em que África ou se esclarece solidamente como potência Económica e Cultural que a constitui de modo intrínseco, ou perde-se penosamente para as forças retrógradas que a desejam subalterna e inconsequente no cenário internacional. Aí estão já as forças extremas, de visão castrante quanto às possibilidades emancipatórias e inventivas dos africanos. A imigração massiva de africanos para a Europa, mais do que servir como rampa de aprendizagem e enriquecimento para África, tem funcionado como uma oportunidade perdida para África, uma vez que os seus Emigrantes pouco ambicionam do ponto de vista da rentabilização da sua experiência e testemunho para a revitalização económica, cívica e cultural de África. A maioria da emigração africana comporta-se como desistente de África, crente na Europa e no Ocidente como seu último habitat, horizonte e baluarte existencial – mais preocupada como os seus direitos como imigrantes do que com os seus deveres como africanos. Entre as vozes extremistas do Ocidente e a letargia reactiva da Imigração africana surgem vozes inquietas – de Negros de todas as raças que revelam uma nova ambição projectual para África e para a Cultura negra. São vozes da diáspora, vozes ocidentais e vozes resistentes em África, que questionam, propõem e avançam novas formas de pensar, representar e acreditar em África e no seu futuro. Na sua superação. Porque depende de uma renascença africana o respeito pela Identidade e Imagem dos Negros à escala global. Sem essa ascensão de África os negros continuarão a ser alvos de racismos mais ou menos velados, mais ou menos estruturais. Essas vozes percebem que a Imigração de africanos para a Europa ou para a América, não é solução para os seus problemas identitários, que estão radicados em África. Apenas uma mudança estrutural e congénita em África pode alterar a Imagem dos negros no mundo. São vozes imbuídas dessa visão e compreensão que importa ouvir. Vozes futuristas e de Vanguarda, para além das tradições e convenções usuais, em certa medida até silenciadas pelos próprios africanos. Vozes que são cada vez mais uma minoria audível, de todas as raças, que urge atender e escutar. Vozes que não dizem apenas o que a maioria dos negros gosta de ouvir, mas o que precisa de ouvir. Elas estão aí – na Política, no Pensamento, na Economia, na Ciência, na Arte, na Cultura. É sobre elas que se debruça o projecto – Blog - que aqui se apresenta e propõe.

Não mais culpar o colonialismo pelos problemas de África. Na sua maioria os ‘problemas’ de África não são problemas, são erros.
Assentes nesse pressuposto, concebe-se a criação de um blog, de uma plataforma digital, configurada para ser um «think tank». Um sistema operativo de ideias de ruptura com o pensamento usual sobre questões africanas.
Ao contrário de vários outros ‘sites’ ou ‘media’, dedicados à África e afluentes culturais negros, este projecto não se destina à promoção da cultura ou identidade africana, nem à sua celebração. Não será celebratório, será interrogatório. Não será sentimentalista e lutuoso em relação à memória identitária de África. Será lutador e questionador.
Será um blog com um foco – África e o século 21. Que futuro? Será um blog crítico (pensamento) e criativo.
Nele serão pelejadas e depositadas ideias e soluções. Propostas imperiosas para África. Nele não serão relevantes questões como a imigração ou o racismo – questões tão ingentes nos quadrantes intelectuais e activistas sobre África, sempre prontos a apontar o dedo culpabilizador ao Ocidente.
A imigração será observada a montante, não a jusante. Não importará como assunto interno dos países acolhedores, mas como sintoma de patologias próprias de África. O racismo será despiciendo, uma vez que os seus efeitos hoje são módicos e, a existirem, projectam-se numa imagem negativa ou apoucada, generalizada de África no mundo – o que o projecto tenciona combater (em África).
Nele serão ouvidas vozes superiores – académicas, culturais, mediáticas, científicas, económicas, religiosas e políticas. Contestatárias, marginais, radicais. Depositárias de um sentido extremo de urgência para o tempo que resta para o levantamento global de África.
Serão textos (ensaios, entrevistas, crónicas, poemas, memórias, artigos), imagens (fotografia, gravura, graffiti e outras) e vídeo (vídeo-arte, peças, documentos curtos, testemunhos, monólogos).
Mais do que a (e)imigração africana, interessará a diáspora negra, enquanto foco de pressão política sobre a(s) governação(ões) de África. A diáspora deverá ser o ponto de partida tanto de pressão, como de quadros para uma urgente requalificação, revitalização e credibilização globais de África.
Ideologicamente o projecto postula uma ruptura com uma esquerda tendencialmente paternalista em relação à responsabilidade dos africanos quanto aos seus próprios destinos, e tolerante quanto aos erros dos africanos na gestão dos seus caminhos, definindo-se como de uma esquerda pós-socialista.
O projecto pressupõe de igual modo uma ruptura com o paradigma do ‘humanitarianismo’, defendendo a responsabilização máxima dos africanos pelos seus destinos, e uma vigilância drástica das ajudas ao continente por entidades internacionais claramente exigentes e neutras.
Jornalisticamente o blog inspirar-se-á em publicações como a ‘Third Text’, ‘New York Review of Books’ ou a defunta e inesquecível ‘Revue Noire’.