A quem pertence...?

A quem pertence...? No seu ensaio, Kertész deixa clara a grande distância crítica que o separa de muitas formas de apropriação e mesmo instrumentalização da memória do Holocausto por uma segunda ou terceira geração, mas isso não turva a lucidez com que analisa o processo nos termos que referi e, particularmente, a consciência clara de que, sendo a memória um legado, a forma que a apropriação desse legado poderá assumir não é legislável pelo seu detentor original. Esta lucidez não é universalmente partilhada.

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29.11.2020 | por António Sousa Ribeiro

Com a boca cheia de sangue: da responsabilidade dos intelectuais

Com a boca cheia de sangue: da responsabilidade dos intelectuais Uma maneira de resistir a este esvaziamento do âmago daquilo que significa ser-se humano é manter a memória e não deixar que a morte imponha o silêncio. Quando George Floyd, Marielle Franco, Bruno Candé, e tantos outros, são assassinados abertamente, temos que resistir ao medo, invocar as memórias de resistência, e falar. Tal como Morrison também assevera, o fascismo acaba por destruir todos, passo a passo. Mesmo que as nossas bocas estejam cheias de sangue ao testemunhar as violências sistemáticas sobre os nossos companheiros seres humanos, ao assistir à sua degradação, à sua desumanização, e ao seu assassínio, temos de continuar a falar.

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19.10.2020 | por Paulo de Medeiros

Quem define as memórias que cabem na Europa?

Quem define as memórias que cabem na Europa? Este crescimento da extrema-direita tem parasitado o modo como a acumulação neoliberal cria, em significativas parcelas da população, um cenário de expectativas socioeconómicas minguantes. Um tal quadro favorece populismos de direita que se declaram anti-sistema ao mesmo tempo que mantêm o extrativismo capitalista a salvo. A estratégia consiste em mobilizam preconceitos contra alvos de expiação concretos: LGBTQ+, imigrantes, negros, ciganos, Estado Social, corrupção, etc.

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08.10.2020 | por Bruno Sena Martins

Amílcar Cabral: itinerários, memórias, descolonização

Amílcar Cabral: itinerários, memórias, descolonização Para muitos jovens, hoje, em Cabo Verde, na Guiné-Bissau, em Portugal, em França, no Brasil, nos Estados Unidos da América, Cabral surge como uma possibilidade de crítica a várias formas de poder, de afirmação identitária e de resistência, confirmando, assim, que a originalidade do seu pensamento e da sua ação residia em articular e contrariar várias dimensões da dominação e da violência, desde o neocolonialismo à discriminação com base no género.

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04.08.2018 | por Sílvia Roque

O intervalo entre o espectador e o filme como gesto que desenha um espaço comum. Entrevista a Luciana Fina

O intervalo entre o espectador e o filme como gesto que desenha um espaço comum. Entrevista a Luciana Fina O gesto é político e o que nos apresenta rejeita qualquer hipótese informativa, propondo-nos um filme numa linguagem cinematográfica muito percetiva e relacional, que não cai em descrições e narrativas da diferença e preserva a intimidade da vida e do espaço privado. A matéria do cinema, o movimento que nasce do conhecimento e da relação para a criação de universos que partilhamos a partir do som e da imagem é um gesto profundamente político, porque move lugares e reifica histórias, dando conta de uma partilha do sensível.

Cara a cara

15.06.2017 | por Mariana Pinho