“Menino, não fala política”: o país que não se cala na obra de Luís Santos

“Menino, não fala política”: o país que não se cala na obra de Luís Santos Os pés e os dedos funcionam como portas de entrada para a complexidade social que envolve o artista e preparam o olhar para além do belo. Os silenciamentos, as amputações das vozes incómodas, sobretudo dos anónimos sem horizonte de futuro, retiram-lhe o sossego. Não é possível falar apenas de amor, beijos ou flores quando corpos suam no alcatrão quente, descalços, em busca de um lugar melhor. São corpos que votaram e, por isso, reivindicam o direito de apontar o dedo a quem lhes deve serventia. É nessa direcção que apontam os dedos indicadores manchados de tinta, símbolo do exercício soberano do voto.

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10.12.2025 | por Eduardo Quive