"há o mal, logo, a dignidade existe", entrevista a João Vário

 "há o mal, logo, a dignidade existe", entrevista a João Vário Chamo a isso o "princípio da mais-valia inversa", os nossos compatriotas são capazes de gastar muito dinheiro numa jantarada mas incapazes de gastar mil escudos para comprar um livro, são manhentos. O Tchalé e o Vasco escreveram uns textos sarcásticos que serão acompanhados pelo novo género musical: a merdrada (vamos lançar não pedradas mas rolos de merda neste charco). O altifalante vai destilar passagens do nosso manifesto que diz o seguinte: "nós sonhamos com uma república moderna de Cabo Verde em que deixará de haver bláblólogos e bláfilólogos" (entenda-se gente que passa o tempo a dizer blá-blá e uma vez que o estado da nação é um bluff...), "em que o cidadão não será mais tratado como pedacinho de merda" (um indivíduo vai a um hospital ou a qualquer repartição pública e é assim que é tratado), "onde o dirigente será um verdadeiro cavalheiro" (que assume a palavra dada, pois a palavra de um cabo-verdiano vale menos do que um...micrograma de merda). Isto está muito mau aqui, ninguém se preocupa com a palavra dada, é uma coisa horrível.

Cara a cara

30.06.2026 | por Marta Lança e António Tavares

Sair do paradigma da dívida, a partir da leitura de João Vário

Sair do paradigma da dívida, a partir da leitura de João Vário João Vário (João Manuel Varela, 1937-2007), poeta caboverdiano. Em toda a poesia deste autor encontramos o mesmo imenso obstáculo à decifração – perseverança na opacidade, que se gera pela reflexão que hesita e pela atenção ao que vem, o nascer do mundo, na sua irreconhecível e demasiado próxima escrita. Estamos perante uma afirmação da poesia como enigma desencadeador de enigmas, isto é, como pensamento inspirador de pensamento.

A ler

31.03.2011 | por Silvina Rodrigues Lopes

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - parte 1

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - parte 1 A experiência poética universalizante valeu ao poeta João Vário a ostracização por parte da generalidade dos literatos e ensaístas nacionalistas e teluricistas caboverdianos da sua geração e da geração seguinte.

A ler

31.08.2010 | por José Luís Hopffer Almada