Contos baralhados: doze micro-histórias para miúdos e graúdos

©Gonçalo Pina / Produções Real Pelágio©Gonçalo Pina / Produções Real Pelágio

No dia 18 de abril, às 15h, na Casa Fernando Pessoa,  estreia em Lisboa Contos Baralhados.  

Trata-se do novo conto musicado das Histórias Magnéticas, com texto e música originais de Sérgio Pelágio, para a narração da atriz Isabel Gaivão. A sessão contempla também um ateliê e o lançamento do audiolivro. 

Serão ainda apresentados online doze filmes de vários artistas, criados a partir dos contos. 

Histórias Magnéticas é um projeto dirigido à infância, criado em 2009 por Sérgio Pelágio e que consiste na composição de bandas-sonoras para histórias infantis. O resultado é uma história-contada-concerto para guitarra elétrica (Sérgio Pelágio) e voz (Isabel Gaivão), à qual se segue um ateliê para o público participante. 

Até à data, o repertório das Histórias Magnéticas inclui oito contos de diferentes autores, tais como Umberto Eco, Isabel Minhós Martins, Miguel de Cervantes, Babette Cole, Alice Vieira e Clarice Lispector. E, desde 2019, também textos originais de Sérgio Pelágio, como é o caso deste Contos baralhados que agora vai ter estreia em Lisboa, na Casa Fernando Pessoa.

Contos baralhados assenta numa estrutura diferente das Histórias Magnéticas anteriores, uma vez que esta é composta por doze micro-histórias sem aparente ligação entre si. São histórias muito pequeninas e muito rápidas de contar, com cerca de um minuto e meio cada. Sérgio Pelágio refere que “são uma espécie de apanhados. Situações em que às vezes somos apanhados no nosso dia a dia, mas que são muito divertidas e divertidas de contar também.” Baseadas em acontecimentos inverosímeis do quotidiano vividos pelo autor, estes momentos atravessam sonhos, pensamentos e situações que normalmente desvalorizamos, mas que se neles atentarmos, descobrimos um mundo paralelo muito divertido e surpreendente. Para habitar esse mundo são convocados nadadores-voadores, ciclo-poetas, otorrinolaringologistas e extraterrestres. 

A sessão é também um jogo com 12 cartas ilustradas e baralhadas que cada espectador(a) é desafiado(a) a ordenar enquanto escuta a narração. A sequência obtida será o ponto de partida para uma conversa-ateliê que termina com a montagem de um livro-harmónio.

Histórias Magnéticas é um projeto que se destaca pela sua forte componente pedagógica e pela eficácia junto de diversos públicos. Para além de Portugal, já teve apresentações em países como Espanha, França, Cabo Verde, Japão, Macau e Timor. Afirma Sérgio Pelágio: “Acredito que as crianças, mesmo não compreendendo o significado de todas as palavras que estão a escutar, podem lá chegar por outra via, nomeadamente a música. A presença da música pode ajudar as crianças a compreender o significado de um determinado texto. Pode ajudá-las a perceber, por exemplo, se se trata de um momento mais trágico, ou de um momento mais cómico.”

Contos baralhados é um espetáculo, com Sérgio Pelágio e Isabel Gaivão, que convida as crianças a uma experiência imersiva e que culmina num ateliê participativo, promovendo a imaginação, a expressão e o pensamento crítico. A apresentação de dia 18 de abril, na Casa Fernando Pessoa, integra o lançamento do audiolivro “Contos baralhados”, uma edição das Produções Real Pelágio, com design e ilustrações de Carlos Bártolo, e ainda a divulgação online de doze filmes da autoria de vários realizadores, videastas, artistas plásticos e animadores, que partiram destes contos para a imagem: Paulo Abreu, Sandra Rosa Dias, Diogo Salgado, Mariana Ramos, Patrícia Rego, Sofia Afonso, Gonçalo Pina e João Pedro Gomes. Toda a sessão terá interpretação em LGP. 

O álbum digital foi lançado em dezembro passado e encontra-se disponível na Bandcamp, neste link: https://spelagio.bandcamp.com/album/contos-baralhados.

Contos baralhados seguirá para Évora, em maio, no âmbito da programação regular da Companhia de Dança Contemporânea de Évora, onde será apresentado em duas sessões para escolas.

©Gonçalo Pina / Produções Real Pelágio©Gonçalo Pina / Produções Real Pelágio

Sérgio Pelágio é um guitarrista conceituado, com um percurso entre o jazz e a música improvisada. 

Iniciou os seus estudos musicais em guitarra clássica aos 12 anos. Mais tarde, descobriu o Jazz e a música improvisada e tocou, entre outros, com David Liebman, Andy Sheppard, Norma Winston, John Abercrombie, Sylvia Cuenca, Bernardo Sassetti e Mário Laginha, com quem gravou o CD “Hoje” (1994). Em 1992, criou o grupo Idefix e editou o CD “Idefix live”. Compôs para os coreógrafos Paulo Ribeiro, Paula Massano, João Galante, Teresa Prima, entre outros. Em 1997, fundou com Sílvia Real as Produções Real Pelágio, e a dupla criou a trilogia Casio Tone, Subtone e Tritone. Apresentou-se em vários países na Europa, Brasil e EUA. Em 2002, editou “Bandas Sonoras para peças de Francisco Camacho e Vera Mantero 1993-97” (2002). Toca regularmente com o contrabaixista Mário Franco, com quem gravou o CD Our Door, Mário Franco Trio (2014) e “Rush”, Mário Franco Quinteto (2017). Editou, pela RP, o CD RIFF OUT (2022), e o CD “Para Gust 9723” (2023). Criou em 2009 o projeto para a infância Histórias Magnéticas, para o qual criou 9 contos musicados (apresentações em Portugal, Macau, Timor, Espanha, Cabo Verde, França e Japão), editou o CD “Histórias Magnéticas” (2018), e o livro e audiolivro “Não se deixem enganar! Um conto panfletário de 2019” (2023). Em dezembro de 2025, estreou “Contos baralhados”, a segunda história magnética com texto de sua autoria, no Palácio do Sobralinho, Vila Franca de Xira. 

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“O casamento” de Patrícia Rego

https://vimeo.com/1161138879?share=copy&fl=sv&fe=ci

“Sorte de uns” de João Pedro Gomes

https://vimeo.com/1156968782?share=copy&fl=sv&fe=ci

“O pica-pau” de Paulo Abreu

https://vimeo.com/1143033987?share=copy&fl=sv&fe=ci

CONTOS BARALHADOS

Sábado, 18 de abril, das 15h às 16h30

Casa Fernando Pessoa, Lisboa

M/6

Sessão com interpretação em LGP

Bilhetes: 5€ 

Ficha técnica 

Sérgio Pelágio :: texto original, composição, direção e guitarra elétrica

Isabel Gaivão :: narração

Carlos Bártolo :: design gráfico

Mariana Dias :: produção executiva

Susana Martins :: comunicação

Levina Valentim :: assessoria de imprensa

Apoios:: Antena 2, Câmara Municipal de Lisboa, Câmara Municipal de Castelo Branco, SIB A Voz do Operário

PRODUÇÕES REAL PELÁGIO é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes

MAIS INFORMAÇÕES

Website: https://www.realpelagio.org/hist%C3%B3rias-magn%C3%A9ticas

Facebook: https://www.facebook.com/ashistoriasmagneticas

Instagram: @real.pelagio

08.04.2026 | por martalanca | contos, infância

Brincar - apresentação do projecto e lançamento do super poster -Tigre de Papel

dia 17 de dezembro às 18h na Tigre de Papel

BRINCAR é um projecto de investigação histórica e artística que procura trabalhar sobre - e a partir de - experiências artísticas e sociais ocorridos com - e para - a infância nos anos que rodeiam a Revolução de Abril de 1974 e o final do séc. XX. Disto são exemplo, experiências como as de A Comuna – Centro Cultural Casa da Criança, Centro de Arte Infantil do ACARTE/FCG, Oficina da Criança de Benfica, em Lisboa, ou Oficina da Criança de Montemor-o-Novo, para referir algumas, apenas a sul.

Nesta sessão apresentaremos o projecto inaugurando um poster que de seguida ficará à venda na Tigre de Papel.

Aliando investigação de arquivo e trabalho artístico, a sua equipa nuclear é composta por artistas plásticos, historiadores, antropólogos, designers, professores, livreiros, pais, filhos, vizinhos…  convidados a desenvolver com a equipa propostas específicas a partir daquilo a que temos chamado “unidades mínimas do brincar” como o gesto, o som, a rima, o salto, a cambalhota, a linha, a letra, a palma, etc. 

Mais do que uma fusão das artes, ou de propostas de entretenimento complexas e elaboradas para um público com determinada faixa etária, procura-se aqui resgatar ideias simples de brincadeira e fugir de uma profissionalização do brincar que escusa os demais de o fazer e separa quem tem crianças de quem não tem. Tem igualmente a ver com questionar o lugar que hoje se deixa para as crianças e seus cuidadores, fechadas em escolas e dispersas por actividades especializadas por faixas etárias –experiência muito distinta da que encontramos nos arquivos, quando empreendemos pesquisa sobre o dia a dia dos artistas no pós-revolução de 1974. E, de facto, o desaparecimento das crianças do espaço público, a separação cada vez mais hiper especializada em faixas etárias e competências especializadas, e a diminuição da prática de brincadeira livre são muito notórios, o que faz pensar na própria forma de organização da cidade e da vida de hoje no seu conjunto.

desenho de Júlia Arandadesenho de Júlia Aranda 

Historial

Nos anos a seguir ao 25 de abril de 1974, foi fundada a Casa da Criança, no edifício de teatro a Comuna, em Lisboa, onde as crianças desfavorecidas dos circundantes bairros da lata passavam os seus tempos livres. Uns anos mais tarde, foi fundada em Montemor-o-Novo a Oficina da Criança, projeto que ainda hoje continua e que haveria de ser decisivo para a cultura local. Em 1984, abre portas o Centro de Arte Infantil do ACARTE na Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), também conhecido por “centrinho”, lugar que se cruzaria com todos os outros, pelos apoios e formações que prestará uma rede de lugares onde a infância é vivida como infância - sem a infantilizar - e permitindo aos adultos o acesso à brincadeira. No “centrinho” culminam décadas de experimentação pedagógica de Madalena Perdigão e da sua equipa. Desta rede farão parte uma série de grupos, escolas e oficinas, um pouco por todo o país.

Tenho-me cruzado repetidas vezes com materiais de arquivo destas experiências desde a minha tese de Doutoramento sobre o Serviço ACARTE da FCG (de que fazia parte o “centrinho”) até, recentemente, aos arquivos das companhias de Teatro Independente de 1970-19780 no âmbito do projecto FCT ARTHE/Arquivar o Teatro, de que sou Co-Investigadora Responsável. Tenho igualmente feito uma série de entrevistas de História Oral (tanto para a tese como no ARTHE) em que estas experiências me são relatadas. Este projecto, que se chama Brincar em homenagem à exposição de Salette Tavares na Galeria Quadrum em 1979, parte da pesquisa de arquivo, tanto no Teatro A Comuna/Casa da Criança e na Oficina da Criança, em Montemor-o-Novo, num primeiro momento, como dos arquivos familiares de Salette Tavares ou do Teatro O Bando, num momento posterior para, reunindo um conjunto de artistas, os reinventar com eles.

Curadoria Ana Bigotte Vieira

Equipa Ana Bigotte Vieira, Isabel Lucena, Rosa Baptista, Pedro Cerejo, Maria Prata e convidad*s

Design Isabel Lucena

Produção Maria Folque Guimarães

Parceria Oficinas do Convento, BUALA, Tigre de Papel, O Espaço do Tempo

Brincar teve apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, através do Programa de Apoio Simplificado 2023.

16.12.2024 | por martalanca | Ana Bigotte Vieira, brincar, infância, pedagogia

Tá faltando mundo aí: Literatura, infância e representações culturais

©Renato Parada©Renato Parada

Antropóloga, escritora, editora e consultora brasileira, Heloisa Pires Lima estará no CCB, no dia 6 de abril, às 18h30, a apresentar a conferência Tá faltando mundo aí: Literatura, infância e representações culturais, na qual irá falar sobre as dinâmicas do circuito livreiro infantojuvenil, destacando o caso da origem continental africana.

Esta palestra inaugura o ciclo Visualidades Negras, com curadoria e moderação de Filipa Lowndes Vicente (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), que propõe várias reflexões sobre a relação entre visualidade e negritude, com Billy Woodberry (13 abril), Deborah Willis (27 abril), Kenneth Montague (4 maio) e Ruth Wilson Gilmore (18 maio).

Com o apoio da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.

20% desconto para estudantes (mediante apresentação de cartão de estudante ou comprovativo. Desconto válido apenas para bilhetes de sessão)

31.03.2022 | por Alícia Gaspar | heloisa pires lima, infância, literatura, representações culturais

AS CRIANÇAS, UM TEATRO E UMA CIDADE

O LU.CA – Teatro Luís de Camões é o primeiro espaço em Portugal exclusivamente dedicado às artes performativas para a infância e para a adolescência. Esta responsabilidade motivou-nos a propor uma reflexão conjunta com outros programadores de instituições com características semelhantes, artistas com circulação internacional, educadores, académicos e com as próprias crianças.

Queremos ouvir e pensar em conjunto sobre como é criar, construir e programar para e com as crianças e adolescentes; que opções culturais existem para esta faixa da população e que implicações têm nas cidades. Como são pensados e que lugares de escuta são dados a cada criança; que formas de fazer educação são mais amigas de uma educação integral e partilhada entre escolas, comunidades familiares (ou outras) e instituições culturais; o que tem trazido aos artistas o trabalho para estes públicos e, finalmente, mas da máxima importância, o que pensam as crianças e adolescentes de tudo isto? Que contributos podem dar para construir um espaço que lhes é dedicado?

Catarina Sobral (ilustradora/PT), Cristina Costa (professora Escola Básica Homero Serpa/PT), Fabrice Melquiot (diretor do Théatre Am Stram Gram/SW), Gabriela Trevisan (professora Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti/PT), Gino Coomans (BRONKS Theater for a Young Audience/BE); Helena Singer (socióloga/BR), Jorge Ramos do Ó (professor Instituto da Educação UL/PT), Manuel Sarmento (professor e investigador Instituto da Educação UM/PT), Pedro Penim (ator e encenador/PT), Virgílio Varela (facilitador nas áreas da Capacitação, Participação e Criatividade/PT).

PROGRAMA:

5.ª feira, 24 janeiro 2019

14h00 -14h30

ABERTURA

Susana Menezes (diretora artística do LU.CA – Teatro Luís de Camões) e Liliana Coutinho (curadora e investigadora IHC)

14h30 – 16h00

TEATROS PARA INFÂNCIA E PÚBLICO JOVEM

Oradores:

Fabrice Melquiot – Théâtre Am Stram Gram, Teatro para a Infância e para a Juventude, Genebra/Suíça

Gino Coomans, Bronks – Teatro para o Público Jovem, Bruxelas/ Bélgica

Susana Menezes – moderação

16h30 -17h00

O QUE DIZEM AS CRIANÇAS

Coordenado por Virgílio Varela.

Com alunos do 4.º ano da Escola Básica Homero Serpa de Lisboa e a colaboração da professora Cristina Costa.

17h00 – 18h00

CRIAR PARA CRIANÇAS

Oradores:

Catarina Sobral, ilustradora e autora de livros infantis, Portugal

Pedro Penim, ator e encenador, Portugal

Susana Menezes – moderação

6.ª feira, 25 janeiro 2019

10h00 – 13h00, Casa da América Latina

ESCUTA E PARTILHA

Virgílio Varela – moderação

Sessão prática de debate e diálogo participativo, através da metodologia World Café

14h30 – 16h30

A CIDADE, UM TEATRO E A EDUCAÇÃO

Oradores:

Manuel Sarmento – professor e investigador, Portugal

Helena Singer – socióloga, Brasil

Jorge Ramos do Ó – professor, Portugal

Liliana Coutinho – moderação

17h00 – 18h00

RELATO E CONCLUSÕES

Oradora:

Grabriela Trevisan, investigadora e professora, Portugal

ENCERRAMENTO

Susana Menezes e Liliana Coutinho

Download do programa completo da conferência As crianças, um teatro e uma cidade

INFORMAÇÕES ARTÍSTICAS

CURADORIA LILIANA COUTINHO E SUSANA MENEZES 

25.01.2019 | por martalanca | infância, teatro