Homenagem a Adolfo Gutkin e ¡Que viva Cuba!

Nesta sessão especial do FITEI e homenageamos – e agradecemos a - Adolfo Gutkin (Buenos Aires, 1936 — Lisboa, 2025), a quem o teatro tanto deve.

E aproveitamos para conversar sobre as renovadas ameaças que assolam Cuba hoje, passadas mais de seis décadas de resistência, revisitando o seu legado político, social e simbólico. ¡Que Viva Cuba!

Organização: FITEI Curadoria: Ana Bigotte Vieira, no âmbito do projecto RESONANCE*

O projeto RESONANCE é apoiado pelo Programa Regional Lisboa 2030, Portugal 2030 e a União Europeia (LISBOA2030-FEDER-00914500), e pela FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.Preferência 2023.17624.ICDT, DOI https://doi.org/10.54499/2023.17624.ICDT

Homenagem a Adolfo Gutkin  Adolfo Gutkin é é uma figura chave na renovação da prática teatral em Cuba, Portugal, Angola, Cabo Verde e Moçambique, contribuindo como pedagogo para o surgimento de várias geração de actores em diversos países. Impulsionado pelas suas convicções estéticas e sociais a sua vida e a sua obra, entre as décadas de 1960 e 1980, abarcaram a América Latina, a Europa e a África. Examinar sua trajetória permite revisitar as redes teatrais e artísticas entre os três continentes.  Gutkin foi um dos encenadores “estrangeiros” que chegaram a Portugal nos idos de 70 com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e infiltraram o teatro que se fazia nas universidades com experiências de trabalho de criação baseada no corpo e na visão plástica da cena.

17h | Adolfo Gutkin: um experimentalismo que se desdobra entre a Argentina, Cuba, Portugal, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe , Angola e Guiné Bissau por Ana Bigotte Vieira (PT)

17h20 | Breve Historia de un Teatrista Argentino en Santiago de Cuba por Carlos Padrón Montoya (CUBA)

17h30 | Recital de guitarra por Carlos Gutkin (CUBA-PT)

18h ¡Que viva Cuba! 

Não obstante a actual intensificação do bloqueio, José António Cerejo e Raquel Ribeiro estiveram recentemente em Cuba (Raquel Ribeiro integrou mesmo a flotilha humanitária que recentemente se deslocou ao país), e partilham connosco a situação do país, a mais de seis décadas da Revolução Cubana, por ocasião dos sessenta anos da Conferência Tricontinental, discutindo o seu legado, bem como a resistência e as ameaças que Cuba hoje enfrenta.

José António Cerejo (lido por Pedro Cerejo) Raquel Ribeiro 

BIOGRAFIAS

José António Cerejo foi durante quase 30 anos, José António Cerejo foi grande repórter no jornal “Público”. É conhecido pelo trabalho na área da investigação, na qual tratou casos como o do Freeport e escândalos na política

Raquel Ribeiro tem uma Licenciatura em Ciências da Comunicação na NOVA FCSH e um Doutoramento em Estudos Hispânicos na Universidade de Liverpool, Reino Unido (2009). Obteve uma bolsa de Pós-doutoramento – Nottingham Advanced Research Fellowship (Universidade de Nottingham, Reino Unido, 2010-2012), para desenvolver um projecto sobre a memória da presença de Cuba na guerra civil de Angola. Foi Visiting Fellow de St Peter’s College, Universidade de Oxford (2013-2014) onde leccionou Literatura Brasileira, e docente de Estudos Portugueses na Universidade de Edimburgo (Prof. Auxiliar e Prof. Associada, entre 2014-2021). Em Edimburgo, desenvolveu vários projectos colaborativos financiados pelo AHRC: “Afro-Latin (in)visibility and the UN Decade: Cultural politics in motion in Nicaragua, Colombia and the UK” e “Visibilizing Afro Cultural Connections and Geopolitical Dynamics in Nicaragua, Colombia, San Andrés and Providencia“; e “Ixchel: Building understanding of the physical, cultural and socio-economic drivers of risk for strengthening resilience in the Guatemalan cordillera” (financiado pelo National Environment Research Council/NERC). Em 2021, foi Fellow do Leverhulme Trust (Reino Unido). Regressou a Portugal para um contrato de Investigadora Júnior no Instituto de História Contemporânea (2022), antes de vencer um Concurso de Estímulo ao Emprego Científico (CEEC) da FCT, como Investigadora Principal também no Instituto de História Contemporânea (2023-2025). Desde Novembro de 2025 é Professora Auxiliar de História Ibero-Americana no Departamento de Línguas, Culturas e Literaturas Modernas da NOVA FCSH.

 Como escritora e jornalista freelance publicou em vários media (Portugal, Reino Unido, Luxemburgo e na América Latina). Foi bolseira de Gabriel García Márquez de Periodismo Cultural, atribuída pela Fundación Nuevo Periodismo Latinoamericano (Colômbia) e é membro do Cuba Research Forum (Nottingham).

Ana Bigotte Vieira é co-Investigadora Responsável do projeto FCT Archiving Theatre e, juntamente com Maria João Brilhante, ajudou a desenhar e implementar a linha de apoio em parceria CET-DGARTES Arquivos das Artes de Performativas. Presentemente é investigadora associada dos projectos  LISBOA2030-FEDER-00914500: “Epistemologias da Documentação de Formas de Afeto e Devir nas Manifestações Culturais em Performance (1969-1979)”* and “Performance y curadoría: transformaciones performativas del comisariado, el coleccionismo y la espectaduría desde una perspectiva comparada: España, Portugal, Brasil y Argentina, 2003-2028” (PID2024-156472NB-I00). Publicou A Caixa Preta e Outros Mal Entendidos - Histórias do Experimental (Sistema Solar 2025), Uma Curadoria da Falta - ACARTE 1984-1989 (Sistema Solar 2022) e Dança Não Dança – arqueologias da nova dança em Portugal (FCG-IN) com João dos Santos Martins, Ana Dinger e Carlos Manuel Oliveira, com quem organizou recentemente o programa, ciclo de (re)performances e exposição do mesmo nome, VII edição do projeto Para Uma Timeline a Haver, que coordena com João dos Santos Martins. 

Em 2011 recebeu uma menção honrosa PSi Dwight Conquergood em 2011 e, em 2016, a sua tese de Doutoramento recebeu Menção Honrosa Prémio Mário Soares. Foi Visiting Scholar no departamento de Performance Studies da NYU entre 2009 e 2012. Investigadora do IHC e colaboradora do CET, a sua investigação tem incidido sobre a relação entre experimentalismo nas artes e as transformações culturais e urbanas. Licenciou-se em História Moderna e Contemporânea (ISCTE), especializando-se em Ciências da Comunicação - Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias (UNL-FCSH), e em Estudos de Teatro (UL). Iniciou recentemente BRINCAR, um projecto colectivo de investigação histórica e artística que procura trabalhar sobre – e a partir de – experiências artísticas e sociais radicais ocorridos com – e para – a infância nos anos que rodeiam a Revolução de Abril de 1974 e o final do séc. XX. Traduz teatro e filosofia. Entre 2018 e 2023 fez parte da equipa de programação do Teatro do Bairro Alto. Integra a Associação BUALA e o IRI - Institute of Radical Imagination

Carlos Padrón Montoya (Santiago de Cuba, 1947) é um actor, encenador, dramaturgo, argumentista e realizador cubano. Licenciado em História (Universidade de Oriente, 1980), iniciou a sua carreira no Conjunto Dramático de Oriente. É fundador da Tele Rebelde (1967), do Cabildo Teatral Santiago (1965) e do Calibán Teatro (1986).  Desde 1989 trabalha no teatro, rádio e televisão em Havana. Participou em 41 filmes em Cuba, Canadá, Venezuela, Espanha, Estados Unidos, Suíça, União Soviética e França. Entre 1993 e 2014 foi presidente da Associação de Artistas de Cena da UNEAC - União de Escritores e Artistas de Cuba. É professor de História do Teatro Cubano e Latino-Americano na Escola Nacional de Teatro e na Faculdade de Teatro da Universidade das Artes.

Carlos Gutkin é professor de Guitarra na Escola de Música do Conservatório Nacional. Estudou em Cuba sob a orientação de Flores Chaviano, prosseguindo os seus estudos com Demetrio Ballesteros no Real Conservatório Superior de Música de Madrid, onde obteve os títulos de concertista e professor superior. Tem actuado como solista e em conjuntos de Cuba, Espanha e Portugal.

19.05.2026 | por martalanca | Adolfo Gutkin, Cuba