PAINEL RACISMO E IMIGRAÇÃO

Uma conversa essencial sobre as formas estruturais do racismo na sociedade portuguesa.
O racismo será abordado não como um fenómeno individual, mas como um mecanismo de controlo social que define quem pode ocupar quais espaços, quais trabalhos e quais direitos.
As convidadas partilharão as suas experiências diretas nos territórios onde atuam: escolas, ruas, campos agrícolas, centros de detenção e mediação comunitária.
Moderador:
Yuri Ataídes (Renovar a Mouraria)
Participantes:
Luana Gomes: Geógrafa, educadora e mediadora linguística e cultural num Agrupamento de Escolas em Portugal, onde vive há mais de seis anos.
Mariana Carneiro: Socióloga, dirigente do SOS Racismo. Acompanha imigrantes em situação de sem-abrigo, nomeadamente timorenses das tendas do Terreiro do Paço e grupo da Igreja dos Anjos. Atua em campos agrícolas, portos do Sul e centros de detenção do Porto.
Farhana Akter: Natural do Bangladesh, em Portugal desde 2020. Mediadora intercultural na Renovar a Mouraria e cofundadora da Cooperativa Bandim, que capacita mulheres migrantes.
19h00 - Suricata da Mouraria
Esta noite recebemos o Suricata da Mouraria, num set especial para dançar e viajar. Do Brasil ao Japão, pela Colômbia ao Irão, dançamos num tapete voador tecido em samba, semba, salsa e funaná, discotecas de Beirut e tambores de Guadalupe. Num encontro sem fronteiras, temos uma noite de puro contrabando.
>>> Banca Benefit | Livraria das Insurgentes
A Livraria das Insurgentes dedica-se à divulgação de obras escritas por mulheres, pessoas trans e não-binárias, com o objetivo de apoiar e amplificar especialmente as vozes frequentemente marginalizadas no mercado editorial e estigmatizadas na sociedade. Têm como objetivo criar um espaço seguro onde se possa abordar temas a partir de uma perspetiva feminista, queer e antirracista, com foco na comunidade e na acessibilidade.

11.06.2026 | por martalanca | imigração, racismo

Carta aberta em defesa do Ensino Português no Estrangeiro

Numa altura em que está em debate uma reestruturação do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), anunciada há vários meses pelo Governo, continuam os protestos. Neste dia 10 de junho, em que se festeja o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o LusoJornal publica mais uma Carta Aberta, da Rede do EPE, que integra Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores.

“Os profissionais da rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) – Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores – vêm manifestar publicamente a sua profunda preocupação perante a proposta de revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro (RJEPE).

O EPE constitui um dos mais importantes instrumentos da política externa cultural portuguesa. Numa língua pluricêntrica e global como o português, o ensino da língua é um elemento essencial da diplomacia cultural de Portugal, contribuindo para o fortalecimento das comunidades portuguesas, da CPLP e da projeção internacional do país.

Ao longo de décadas, esta rede foi construída graças ao trabalho, dedicação e elevada qualificação dos seus profissionais. Foram eles que consolidaram projetos educativos, criaram e fortaleceram parcerias com escolas e universidades, estabeleceram redes de cooperação internacional e garantiram a presença da língua portuguesa em contextos cada vez mais exigentes e competitivos.

É precisamente por reconhecer a importância estratégica desta missão que encaramos com enorme apreensão a nova proposta de revisão do regime jurídico do EPE.

Longe de reforçar a estabilidade, a atratividade e a valorização da rede, esta proposta de alteração ao regime jurídico e enquadramento remuneratório aprofunda a precariedade existente. Mantém os profissionais num regime sem vínculo estável, limita a continuidade das funções desempenhadas e coloca em causa a permanência de centenas de trabalhadores atualmente ao serviço do Estado português no estrangeiro.

Na prática, a proposta determina o fim da continuidade profissional de todos os atuais Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores, independentemente da experiência acumulada, da avaliação do seu desempenho, das necessidades das instituições onde exercem funções ou do interesse estratégico dos projetos que desenvolvem. Para muitos profissionais, após anos ou décadas de serviço, o horizonte deixa de ser a continuidade do trabalho realizado e passa a ser o desemprego ou a sujeição a novos processos concursais para funções que já desempenham com mérito reconhecido.

Trata-se de uma medida com efeitos práticos equivalentes aos de um despedimento coletivo de profissionais altamente qualificados que têm sido responsáveis pela construção e consolidação da rede EPE. A proposta ignora o conhecimento especializado adquirido ao longo de anos, compromete a continuidade pedagógica e institucional dos projetos em curso e fragiliza relações de confiança construídas com comunidades portuguesas, escolas, universidades e entidades parceiras em todo o mundo.

Paralelamente, a possibilidade de recrutamento através de mecanismos simplificados e com menores exigências de qualificação profissional levanta sérias dúvidas quanto à preservação da qualidade pedagógica e científica do Ensino Português no Estrangeiro.

Mantêm-se igualmente por resolver problemas estruturais relacionados com a valorização profissional dos recursos humanos da rede: remunerações desatualizadas, subsídios de residência e apoios à instalação, inexistentes e/ou desajustados às responsabilidades exercidas e ao custo de vida dos países de colocação. Muitos profissionais acumulam funções docentes, científicas, culturais, administrativas e de representação institucional sem o correspondente reconhecimento material. Esta acumulação de funções implica ainda um aumento significativo da carga horária semanal, também este não compensado. Importa ainda assinalar a inexistência de redução da componente letiva em função da idade para os profissionais do EPE, ao contrário do que sucede em Portugal, gerando mais uma situação de inequívoca desigualdade.

De referir que esta proposta afeta não só os profissionais da rede EPE, mas também as suas famílias. Ao longo dos anos, muitos docentes, leitores, adjuntos e coordenadores construíram os seus projetos de vida no estrangeiro com base na expectativa de continuidade das suas funções, integrando os seus agregados familiares nas comunidades de acolhimento e tomando decisões pessoais e profissionais para permanecerem unidos. A instabilidade agora criada coloca em causa não apenas percursos profissionais, mas também a segurança e o futuro de famílias inteiras que confiaram no compromisso do Estado português.

Prometeu-se uma reforma orientada para a estabilidade, a valorização e a atratividade. No entanto, o que emerge desta proposta é uma rede mais precária, mais instável e menos capaz de atrair e reter profissionais qualificados.

Apelamos ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, ao Camões I.P. e a todas as forças políticas para que promovam um processo de diálogo efetivo com os profissionais da rede e procedam à revisão desta proposta, garantindo a estabilidade profissional, a valorização das condições de trabalho, a continuidade dos projetos educativos e a sustentabilidade do Ensino Português no Estrangeiro.

Defender a rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) é defender a língua portuguesa, as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e a presença internacional de Portugal. Não é possível fortalecer a projeção internacional da língua portuguesa enfraquecendo aqueles que diariamente a representam além-fronteiras.

A REDE EPE – Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores

ASSINE A Petição AQUI 

10.06.2026 | por martalanca | vários

Seminário Internacional Arte, Arquitetura e (in)Visibilidades Africanas em Portugal

15 de junho de 2026 Auditório B3, Torre B (Av. Berna), NOVA FCSH (Lisboa)

O projeto MAKING PORTUGAL | Desafiando o passado. Mecenato e agência dos Africanos e Afro-descendentes nas artes e na arquitetura de época moderna em Portugal durante o tráfico negreiro transatlântico (1486-1836) (https://doi.org/10.54499/2023.12349.PEX) desafia o passado. Desafia uma ideia, uma narrativa sobre o passado. Interroga a história moderna da arte e da arquitetura, que negou, à partida, às pessoas e comunidades africanas e afrodescendentes a possibilidade de terem participado ativamente na construção do património nacional português dos séculos XVI-XVIII, enquanto patronos, patrocinadores, fundadores e criadores.

MAKING PORTUGAL ilumina silêncios, revela exclusões e restitui nomes, ações e impactos a protagonistas esquecidos/as pela narrativa canónica do conhecimento histórico. O olhar desloca-se das obras para as pessoas que, por detrás delas, as materializaram e financiaram, mas cujos rostos e ações foram ignorados e relegados para a sombra. Ao colocar novas perguntas, MAKING PORTUGAL trilhou caminhos poucos explorados ou totalmente invisibilizados: Quem foi Vitória de Jesus, mulher negra escravizada, fundadora de uma igreja e de um recolhimento? Quem foi José, homem negro escravizado, que ergueu uma pequena capela? Qual foi o impacto da construção da Capela do Espírito Santo em Lisboa? Quem mandou entalhar a estátua de São Benedito? Quem encomendou a pintura de Nossa Senhora do Rosário? Quem inventou novas músicas e encenações?

Este seminário final do projeto exploratório MAKING PORTUGAL pretende partilhar e debater os dados produzidos pela investigação, com vista a ampliar e aprofundar a pesquisa futura, sempre em diálogo com a sociedade civil. Pretende, igualmente, apresentar as experiências de educação participativa e de ciência cidadã desenvolvidas em colaboração com a Escola Secundária de Amora (Seixal), como possíveis inspirações para outros contextos e colaborações.

09.06.2026 | por martalanca | arquitectura

Frida Orupabo: Cloud of Confusion, curadoria de Marta Mestre

03.06 — 01.11.26 Piso -1 MAC/CCB


Na sua primeira exposição individual em Portugal, Frida Orupabo revisita o vasto arquivo de imagens que reuniu na sua conta de Instagram, composto por tensões entre intimidade e violência, imagens de uso privado e mass media, para instaurar um espaço crítico. Cloud of Confusion parte de um gesto que todos reconhecemos — o scroll de um feed de Instagram — e, em diálogo com a arquitetura do MAC/CCB, desenha um percurso linear de oito momentos, à semelhança do deslizamento contínuo entre ecrãs que caracteriza a experiência digital. O título evoca não só a nuvem digital onde armazenamos imagens e dados mas também a névoa de informação, memória e esquecimento que aquela implica, à semelhança do fluxo digital que enfatiza o «abismo» das imagens — a sua estranheza e a sua reverberação dispersa. 

Transpondo a lógica digital para o espaço do museu, a exposição assume-se como uma sequência descontínua de imagens, pontuada por obras tridimensionais, onde o scroll habitual se transforma em deslocação física. A montagem e a edição, que Frida Orupabo entende como gestos relacionais, só se revelam plenamente a um espectador presente, com corpo e tempo.

A PALAVRA À CURADORA:

Frida Orupabo nasceu em 1986 em Sarpsborg, na Noruega, e vive e trabalha atualmente em Oslo. O seu trabalho desenvolve-se no campo digital, alimentando-se de imagens encontradas na internet, que reconfigura através da descontextualização e da colagem. 

Entre 2013 e 2016, Frida Orupabo manteve a conta de Instagram @nemiepeba, um fluxo de imagens e pequenos vídeos em loop que Arthur Jafa descreveu como «implacável» e «incandescente». O artista norte-americano referia-se ao olhar de escafandrista de Frida Orupabo, que, tanto na superfície saturada como nas suas camadas mais profundas, esquadrinha e recolhe relações intensas entre imagens. 

O trabalho da artista propõe uma lógica de montagem e colagem que não apenas se desenvolve de forma narrativa como também aprofunda e faz exceder a sua matéria-prima, tal como um poema. As imagens, na sua interrelação, cruzam arquivos coloniais, cinema, televisão, sistemas algorítmicos, violência, maternidade ou estéticas musicais. Na obra de Orupabo, a recombinação e o deslocamento abrem novas leituras sobre o imaginário visual negro, restituindo, em particular, uma forma de soberania aos corpos — e às vidas — que essas imagens historicamente capturaram. Como refere a artista, trata-se de criar trabalhos que «olham de volta» e questionam um olhar branco e a sua perceção do corpo negro.

Esta exposição coloca a hipótese de transpor o feed de Instagram para o espaço do museu, explorando a sua experiência ao longo das salas, cuja configuração linear parece já conter, em si, essa possibilidade. Nesta passagem, a montagem e a edição, às quais a artista atribui uma qualidade relacional, tornam-se legíveis apenas na vivência de um espectador implicado e corporalmente situado no espaço e no tempo. A lógica do gesto contínuo do scroll organiza-se numa sequência descontínua, pontuada por obras tridimensionais da artista. 

O título Cloud of Confusion («nuvem de confusão») é retirado de uma das muitas imagens do Instagram da artista, na qual boiam palavras como que numa sopa de letras. Que leitura do mundo, então, se torna possível quando a construção da memória cede a uma lógica digital de «armazenamento» — ou quando dissolvemos a experiência humana na confusão da cloud?

Marta Mestre Curadora da exposição

SOBRE A ARTISTA:

Frida Orupabo, nascida em 1986 em Sarpsborg, na Noruega, vive e trabalha em Oslo. Estudou Estudos do Desenvolvimento e Sociologia na Universidade de Oslo (2005–2011). Entre as suas exposições individuais destacam-se as que realizou no Fotomuseum Winterthur, Winterthur (2022); Museu Afro Brasil, São Paulo (2021); Kunsthall Trondheim, Trondheim (2021); Huis Marseille, Amesterdão (2020); Portikus, Frankfurt am Main; e Kunstnernes Hus, Oslo (ambas em 2019). Orupabo participou na 34.ª Bienal de São Paulo (2021), bem como na 58.ª Bienal de Veneza (2018). Em 2025, foi distinguida com o prémio SPECTRUM — Internationaler Preis für Fotografie.

Com formação em sociologia, Orupabo começou a recolher imagens da internet enquanto trabalhava num centro de apoio a vítimas de tráfico humano e profissionais do sexo. Este arquivo encontrou expressão pública, em primeiro lugar, no Instagram e, posteriormente, na colagem física. A manipulação destas imagens inscreve-se numa tradição de fotomontagem em que a artista corta, reorganiza, inverte e sequencializa em loop imagens fixas e em movimento. Tão poderosas quanto perturbadoras, estas intervenções dão origem a releituras imaginativas e incisivas de motivos visuais que procuram desafiar noções coloniais ainda enraizadas nas estruturas sociais, económicas e políticas, permitindo uma reflexão sensível sobre temas como raça, género, sexualidade e laços familiares.

PROGRAMAS PÚBLICOS:
02.06.26

18h30 Conversa com a curadora Marta Mestre no Auditório MAC/CCB
19h00 Inauguração no piso -1
20h00 DJ Arrlomp no Foyer do Grand Hall
Arrlomp nasceu em Cabo Verde e, como um relâmpago, percorre o mundo partilhando a sua música, criando ligações geográficas entre ritmos e grooves que se acompanham e misturam, sempre com muito amor e a delicadeza de uma descarga de energia positiva.
03.06.26 > 01.11.26
Sala de Leitura e Escuta
Esta sala, localizada ao fundo da exposição, acolhe ativações periódicas e oferece um espaço onde o público pode consultar bibliografia e projetos editoriais relacionados com o universo referencial de Frida Orupabo. 
Conceção e dinamização: colectivoFACA (Andreia Coutinho e Maribel Mendes Sobreira) e Ícaro Lira
21.06.26 | 27.09.26 11h00
Visita guiada à exposição
Participação gratuita mediante inscrição prévia para servico.educativo.museu@ccb.pt
18.07.26 14h00
Oficina
Cartonera de Livros Artesanais
Oficina de produção artesanal de livros, orientada por EVA Cartonera, com recurso a materiais reciclados cujo conteúdo se relaciona com a obra de Frida Orupabo.
Duração: 4 horas. Máximo: 10 adultos. Participação gratuita mediante inscrição prévia.
19.09.26 15h00
Visita guiada à exposição com a curadora Marta Mestre
Participação gratuita mediante inscrição prévia para servico.educativo.museu @ccb.pt
19.09.26 18h00
Conversa: MANAS no CCB
Práticas artísticas, inclusão e produção de contra-arquivos. Conversa pública dedicada às relações entre práticas artísticas, inclusão, participação e produção de contra-arquivos no interior das instituições culturais.
Coletivo MANAS — Grupo de Apoio Mútuo
Duração: 1 hora e 30 minutos
Participação gratuita mediante inscrição prévia.

MAIS INFORMAÇÕES: Manuela Costa manuela.costa@ccb.pt + 351 925 313 416

02.06.2026 | por martalanca | Frida Orupabo, marta mestre