Open Call — Des/Codificar Belém

Tens entre os 15 e os 18 anos, interessas-te pelos direitos das comunidade migrantes, racializadas, LGBTQIA+ como membro destas comunidades ou aliada/o e queres experimentar fazer arte ativista?

Então vem conhecer os artistas do projecto Des/Codificar Belém.

Um programa do colectivo FACA que convida jovens a trazer as suas vivências no espaço público para a criação artística. Promovemos trabalhos para compreender temas como a descolonização dos espaços e a possibilidade de reivindicação colectiva, colocando jovens em diálogo com artistas.

Tomamos Belém como espaço para reflectir a herança histórica e colonial através de ações artísticas em co-criação em que trabalharemos em conjunto em workshops, e apoiarás a criação de peças que serão apresentadas no espaço público.

Para participar envia um curto email de apresentação para: FACACOLECTIVO@GMAIL.COM

Projecto financiado pela DGARTES, com o apoio de: Antena2, Buala, Clube Safo, Inmune, Coffee Paste, MAAT, Museu Coleção Berardo e Junta de Freguesia de Belém.  

13.09.2022 | por Alícia Gaspar | Belém, colectivo FACA, comunidade migrante, comunidade racializada, des/codificar belém, direitos, LGBTQIA+, projeto, workshop

Sombras do Império Belém - Projetos, Hesitações e Inércia 1941-1972


Padrão dos Descobrimentos
2 maio de 2022 - 30 de janeiro de 2023

Sombras do Império - Belém, Projetos, Hesitações e Inércia 1941-1972 pretende dar a conhecer a sucessão de planos urbanísticos e projetos de arquitetura cujo centro foi a Praça do Império. Menorizados ou até esquecidos pela historiografia, estes projetos revelam-se hoje particularmente significativos, pela escala e natureza das transformações que anteviam, pela orientação programática que preconizavam, pelo investimento de meios que implicariam, pela extensão do seu período de elaboração, em contraponto com o pouco que foi concretizado. 
A partir de documentação de natureza diversa (desenhos e memórias descritivas, pareceres, ofícios, legislação, fotografias, bibliografia da época) e de investigação académica recente, a exposição mostra um percurso cronológico centrado nos projetos para a Praça do Império e área envolvente e para os designados “Palácio do Ultramar” e “Museu do Ultramar”, considerando ainda outras propostas para grandes edifícios públicos a localizar na orla ribeirinha de Lisboa.
Estes projetos são a base para abordagens distintas e complementares, apresentadas por investigadores de diferentes formações disciplinares, que irão aprofundar a contextualização e ensaiar propostas de leitura crítica: Urbanismo, Arquitetura, Paisagismo, Arte Pública, Património, Propaganda e Ideologia coloniais.

Sombras do Império | Belém - Projetos, Hesitações e Inércia 1941-1972 é organizada em sete núcleos e apresentada em dois tempos:
De 2 de maio a 16 de outubro 2022
1.Cronologia 1941 -1972
2.Da Praia do Restelo à Praça do Império
3.A Exposição do Mundo Português e mais além
4.Uma praça para o Império todo
5.1 Palácio do Ultramar
6.1 Museu do Ultramar e Instituto Superior de Estudos Ultramarinos
7.1 O Museu de Etnologia do Ultramar

De 29 de outubro de 2022 a 30 de janeiro de 2023
1.Cronologia 1941 -1972
2.Da Praia do Restelo à Praça do Império
3.A Exposição do Mundo Português e mais além
4.Uma praça para o Império todo
5.2 Torre de Belém
6.2 Monumento de Sagres e Padrão dos Descobrimentos
7.2 O Museu de Marinha

Coordenação Científica – João Paulo Martins
Mestre em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1995). Doutor em Arquitetura pela Universidade Técnica de Lisboa (2006). Membro do Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design

Equipa de Investigadores
Joana Brites - Mestre em História de Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Doutora em História, variante História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Investigadora integrada do Centro de Estudos Interdisciplinares (CEIS20) da Universidade de Coimbra.

Natasha Revez - Mestre em História de Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Diploma de Estudos Avançados (DEA de doutoramento) em História da Arte Contemporânea. Investigadora do Instituto de História da Arte/Estudos de Arte Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais de Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Pedro Rito Nobre - Mestre em Património, variante Património Urbano, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa.

Sebastião Carmo-Pereira – Licenciatura em Arquitetura Paisagista pela Universidade de Évora. Colaboração com diversos arquitetos paisagistas nomeadamente Ribeiro Telles, João Gomes da Silva, Falcão de Campos.

Sofia Diniz - Mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa. Doutoranda em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa Investigadora integrada do Pólo ”História Territórios e Comunidades” na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa.

 

27.04.2022 | por arimildesoares | Belém, exposição, memória, Padrão dos Descobrimentos, Sombras do império

Espaço "Espelho D' Agua" exibe restauração de obras de Rigo 23

Público pode acompanhar o processo de restauro da instalação Torre de Cochim – Uma Armada de Ecos

Uma das obras, Talappana, antes do atual processo de restauroUma das obras, Talappana, antes do atual processo de restauro

Equipa durante o restauroEquipa durante o restauro

Quem passa pela margem do Rio Tejo, ao lado do Padrão dos Descobrimentos, já deve ter percebido as esculturas no lago em frente ao Espaço Espelho D’Agua. Mas nem todos conhecem a história por trás daquele túnel com anéis de bambu, arame e corda ou do tuk-tuk estilizado que ali estão. A instalação Torre de Cochim – Uma Armada de Ecos, do artista madeirense Rigo 23, está a ser restaurada e o grande destaque desta iniciativa é a possibilidade do público acompanhar os bastidores do restauro, uma experiência viva e singular, que restabelece o contato das pessoas com a arte.

Presente desde a inauguração do Espelho D’Agua, em 2014, a instalação é composta por três esculturas: Kappiri, Talappana e Miri. Desenvolvida como uma Armada de Ecos, que dá corpo a histórias e episódios que foram transmitidos oralmente, de geração em geração em Cochim (Índia), a peça abraça a memória popular e cria novos veículos para a celebração da história oral. São ecos da chegada de Vasco da Gama à Índia, capturados in loco 500 anos depois. Uma forma de manifestação da memória, a trazer indagações sobre o passado e perspectivas para o futuro.

Kappiri, feita de tronco de madeira reciclados, é o escravo mártir; Miri, feita com anéis de bambu e arame, é o barco vítima de pilhagem; e Talappana, o tuk tuk, é o anfitrião tradutor. A Armada dos Ecos é uma armada estática. Ela permite ao visitante embarcar em viagens de longo alcance, munido da sua imaginação.

São obras que tiveram necessidades distintas de restauro, Kappiri e Miri foram reparadas em um mês. Talappana é a que mais trabalho e tempo tem exigido – um período de três meses, desde novembro passado, com previsão de finalização a meados de fevereiro. A restauração, a ser conduzida no próprio local desde sempre, tem envolvido dezenas de pessoas, na sua maioria alunos da Escola Superior de Belas Artes e recém-graduados da mesma escola.

“O trabalho está a ser liderado pelo Francisco Côrte, um jovem artista madeirense recém-graduado pela FBAUL (Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa) e que colaborou comigo também no projecto Coroa do Ilhéu em Câmara de Lobos, na Ilha da Madeira”, explica Rigo 23. Além de Francisco, o projecto também contou com o apoio de Christian Haas, um artista e DJ radicado na Califórnia, que foi aluno de Rigo 23 no início dos anos 00, no San Francisco Art Institute. “O Christian deslocou-se a Portugal para dar o seu apoio na fase final da  Coroa do Ilhéu e terminou ficando umas semanas a mais em Lisboa para dar apoio a esta obra de restauro. Este aspecto de transmissão de conhecimentos/estágio profissional é intrínseco à própria obra, uma vez que o mesmo aconteceu em Cochim, na Índia, onde a peça foi originalmente produzida”, revela Rigo 23, que junto com a equipe, utilizou os materiais originais ou o mais aproximados, tais como bambú, madeiras, tecidos, metal, napa, tintas, óleos e lixas.

Torre de Cochim - Uma Armada de Ecos não está exposta em Belém, à beira do Rio Tejo, de onde saíram os conquistadores portugueses, por uma mera casualidade. Segundo o artista, as obras têm o poder de agir como objectos interculturais de resistência a narrativas que considera fantasiosas e imperiais. “Ao lado de uma história oficial esculpida em brilhante e opressiva pedra branca, ao serviço de uma ideologia violenta de domínio e apagamento histórico da cultura de outros povos, estas obras são feitas de materiais frágeis e necessitam de cuidados regulares para perdurarem”, enfatiza.

Mário de Almeida, dono do Espaço Espelho D’Agua, revela que expor obras de Rigo 23 era um desejo antigo. “O projeto Espaço Espelho D’Agua, desde o seu início, teve histórias e coincidências muito interessantes. Uma dessas coincidências foi o Rigo 23 ter solicitado à CML para expor esta instalação no lago em frente ao Espaço, pouco tempo depois de termos ganho o concurso público da concessão. É um artista que queria conhecer desde 2009 – época em que abri uma galeria de arte contemporânea em São Paulo/Brasil (SOSO Arte contemporânea africana) – , o que só veio acontecer aqui em Lisboa, e acabamos por inaugurar o Espaço com a exposição da instalação Torre de Cochim - Uma Armada de Ecos, de obras no exterior, e com obras do artista no interior”, conta Mário.

História da obra

A peça foi produzida a convite da edição inaugural da Bienal de Kochi-Muziris 2012 — a primeira bienal de arte contemporânea organizada na Índia. Membros da comunidade local, em colaboração com jovens universitários a trabalhar na Bienal, formaram a equipe de Rigo 23 à época.

Torre de Cochim é uma referência à Torre de Belém, construída no início do século XVI, que celebra o período das Descobertas Portuguesas e a abertura da primeira rota marítima entre a Europa e a Índia.

Kaappiri, feita com troncos de madeira reciclados de Chinese Fishing Nets e elementos esculpidos de madeira local, é uma alusão aos africanos levados como escravos, pelos portugueses, para Cochim.

Miri, feita de bambu, arame, corda de fibra de coco e 270 lamparinas de kerosene, faz referência ao barco de peregrinos que se destinava a Mecca, mas foi interceptado, pilhado e incendiado pela armada de Vasco da Gama, rumo a Cochim, em 1502. 400 pessoas a bordo, nenhum sobrevivente.

Talappana é o primeiro nome do sumo sacerdote que recebeu Vasco da Gama e foi seu tradutor à sua primeira chegada à Índia, em 1498. Ele foi torturado, mutilado e enviado para morrer pelos homens de Vasco da Gama, na sua segunda viagem em 1502. A obra Talappana é construída a partir de um tuk-tuk. Com lona e chapa metálica, foram incorporadas asas e bico de corvo; orelhas de cão e ainda um par de pés humanos em madeira.

Sobre Rigo 23

Rigo 23 colabora frequentemente com indivíduos e colectivos na implementação de operações de arte concebidas para contextos específicos, privilegiando o diálogo solidário intercultural e intercomunitário.

Natural da Madeira – ilha vulcânica produtora de emigração e receptora de turismo – a sua poética tem origem aí: nas experiências abismais de deslocação, desencontro e saudade; na claustrofobia das relações assimétricas de poder e na imensidão propiciada pela libertação das mesmas.

Participa da primeira colectiva aos 18 anos – Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (1984). Pouco depois, parte para a California – BFA-San Francisco Art Institute (1991); MFA-Stanford University (1995).

A sua obra toma formas distintas de acordo com o projecto, mas a paixão pelo desenho, trabalho manual e experimentação são constantes na sua obra.

Tem sido convidado a participar em várias bienais e trienais de arte contemporânea e continua a produzir obras de arte pública internacionalmente. No momento prepara trabalho para a estação do Metro de Beverly Hills, na Califórnia, que será inaugurada em 2025.

Sobre o espaço “Espelho D’ Agua”

O Espaço Espelho D’Agua resulta de um concurso público organizado em 2012 pela Associação de Turismo de Lisboa – ATL para a exploração de parte de um edifício localizado na emblemática zona de Belém, em frente ao rio Tejo. O espaço compõe uma área de 1.200 m2 e foi inicialmente construído em 1940 durante a Exposição do Mundo Português.

O mote do projeto é o de que neste local, onde há cinco séculos os portugueses partiram para o mundo, seja agora uma plataforma de conexões culturais aonde se traga as culturas contemporâneas das diferentes regiões por onde os portugueses andaram nessa aventura durante as grandes navegações.

Desta forma criou-se um espaço onde se desenvolve atividades de gastronomia, exposição de arte e design, música, cinema e vídeo, entre outras formas de divulgação cultural. Tendo presente todo enquadramento histórico do local, e o que ele representa na atual conjuntura mundial, visa criar um ambiente artístico e cultural que reflita sobre a relação dos portugueses com o mundo e do mundo com os portugueses.

Apresentar neste local as mais variadas formas de expressão cultural contemporânea dos países que se relacionam historicamente com Portugal é a principal premissa do projeto que esteve na base da criação do Espaço Espelho D’Agua.

Serviço

Torre de Cochim — Uma armada de ecos

Local: Espaço Espelho D’Agua

Endereço: Av Brasília, Edifício Espelho D’Agua (ao lado do Padrão dos Descobrimentos) Horário de visitação: diariamente

02.02.2022 | por Alícia Gaspar | arte, Belém, espaço espelho d'agua, rigo 23

Julho no Padrão dos Descobrimentos

“No Padrão dos Descobrimentos há fotografias para debater impérios e colonialismo”—Vasco Rosa, Observador

A fotografia foi um elemento fundamental da história do moderno colonialismo português. Sem ela, a idealização e o conhecimento sobre os territórios coloniais, seus recursos e populações, teriam sido diferentes. Visões do Império, com curadoria de Joana Pontes e Miguel Bandeira Jerónimo, dá-nos um vislumbre dos contextos de produção e dos usos da fotografia, relacionando-os com alguns dos eventos e processos mais relevantes da história do império colonial português.

25 julho, 11 horas - Visita Conversada com Joana Pontes e Miguel Bandeira Jerónimo

O que aconteceu a Belém depois da Exposição do Mundo Português? 
Este é mote para o próximo passeio Lembrar Belém, dia 18 de julho, às 10h30, uma das muitas atividades propostas pela equipa de Serviço Educativo, entre oficinas para os mais novos, passeios em família e visitas guiadas. Mais informações através do email se@padraodosdescobrimentos.pt

No passado dia 10 de junho, apresentamos em parceria com o Instituto de História Contemporânea da NOVA-FCSH o Prémio Amílcar Cabral, destinado a promover a investigação científica sobre as resistências anticoloniais. O prémio consiste numa bolsa atribuída anualmente a um/a investigador/a recém-doutorado/a numa universidade estrangeira ou nacional. As candidaturas estão a decorrer até ao dia 1 de outubro. 

13.07.2021 | por Alícia Gaspar | Belém, colonialismo, exposição, Padrão dos Descobrimentos, prémio Amilcar Cabral, visões do império