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Inaugura a 26 de fevereiro, no Hangar - Centro de Investigação Artística, a exposição “Mafolofolo”, do colectivo MADEYOULOOK (Molemo Moiloa e Nare Mokgotho) oriundo de África do Sul, com curadoria de Margarida Mendes. A inauguração é precedida por uma conversa entre os artistas e a curadora.
“Mafolofolo” é uma instalação sonora, que surge após sete anos de investigação no Norte da África do Sul. O colectivo procurou compreender os múltiplos ciclos de perda e retorno relacionados com a terra, interessando-se pelas relações profundas e duradouras com o território que permanecem, apesar da longa duração da existência turbulenta e desestabilizadora da África do Sul. Narram a história particular deste lugar e o seu potencial procurando a intimidade, espiritualidade e a interdependência com a terra e a vida não humana. Através disto, descobrem um trajecto de cura que poderá salvaguardar as terras das quais encontramos sustento.
“Mafolofolo” oferece estratégias para a reparação, através do rastreio histórico da instalação sonora que faz referência a canções populares africanas de resistência pela libertação. Desta forma traça uma história de violência, racismo, exploração e desapropriação contínua, com urgências contemporâneas prementes, ao mesmo tempo que propõe uma oportunidade para fomentar diferentes imaginários de relação com o território.
O coletivo artístico MADEYOULOOK tem exposto, publicado e organizado programas em diversos contextos, incluindo como artistas representantes do Pavilhão da África do Sul na Bienal de Veneza em 2024. A instalação “Mafolofolo” exibida no Hangar é uma iteração de uma comissão da documenta fifteen, que contou com a curadoria de ruangrupa.
Esta exposição estará patente no espaço expositivo do Hangar até ao dia 23 de maio de 2026. A entrada é livre.
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Sobre o coletivo

MADEYOULOOK é um coletivo artístico interdisciplinar sediado em Joanesburgo, formado por Molemo Moiloa e Nare Mokgotho. As obras de MADEYOULOOK partem de práticas quotidianas negras que foram historicamente negligenciadas ou consideradas inconsequentes. Estes trabalhos incentivam uma reobservação e um processo de desfamiliarização do quotidiano da vida urbana sul-africana. Ao retrabalhar e interromper as formas como observamos as experiências vividas negras e o quotidiano, somos “levados a olhar novamente” e a questionar as relações sociais.
Desde 2009, o trabalho de MADEYOULOOK tem abordado temas como modelos de memorialização de histórias e tradições orais, o amor negro e o espaço público urbano, as formas e hierarquias de criação e disseminação do conhecimento, bem como as socialidades da terra e as relações com a vida vegetal. O coletivo desenvolve diferentes abordagens centradas sobretudo em instalações intertextuais, encontros, programas discursivos, investigação e edição/publicação. Embora a prática de MADEYOULOOK esteja significativamente orientada para dinâmicas de sociabilidade e relacionalidade fora do espaço expositivo, estes projetos culminam frequentemente em exposições.
MADEYOULOOK tem exposto, publicado e organizado programas em diversos contextos, incluindo como artistas representantes do Pavilhão da África do Sul na Bienal de Veneza, como artistas do lumbung na documenta fifteen, bem como em colaboração com Njelele (Zimbabué), Frac Pays de la Loire (França), KAdE (Países Baixos), Primary (Reino Unido) e várias iniciativas na África do Sul. Em 2022, foram bolseiros do programa DAAD Artists-in-Berlin. Foram também nomeados para o Vera List Centre Prize for Art and Politics, da The New School, Nova Iorque, em 2017, e para o prémio MTN New Contemporaries, em 2012.
Sobre a curadora Margarida Mendes integrou na equipa curatorial da 11ª Gwangju Biennale, 4ª Istanbul Design Biennial, 11ª Liverpool Biennale, e 3ª Porto Design Biennale. Dirigiu diversas plataformas educacionais, como escuelita, uma escola informal do Centro de Arte Dos de Mayo - CA2M, Madrid; O espaço de projectos artísticos The Barber Shop em Lisboa dedicado à pesquisa transdisciplinar; e a plataforma de pesquisa ecológica Matter in Flux. Foi membro fundador do Laboratório da Torre, um laboratório de cinema independente dedicado ao cinema analógico realizado por artistas no Porto; e participou em vários coletivos artísticos, como o canal online de vídeo exploratório e reportagem documental Inhabitants-tv.org; e Natural Contract Lab, um coletivo que trabalha com justiça restaurativa e direitos fluviais em toda a Europa.
Margarida Mendes é Doutorada pelo Centre for Research Architecture, Goldsmiths University of London, Professora Convidada no Mestrado de Geo-Design na Design Academy Eindhoven, e investigadora afiliada ao ICNOVA. Programa no Hangar o laboratório de investigação artística ‘No Rasto do Lobo’ (2023-2026), e fez a curadoria da exposição ‘A Sphere Of Water Orbiting A Star’ de The Otolith Group (2023).
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