Os pequenos segredos da raça em "Crítica da Razão Negra", de Achile Mbembe

Os pequenos segredos da raça em "Crítica da Razão Negra", de Achile Mbembe O livro de Achille Mbembe impõe-se como uma reflexão sobre o pensamento da diferença e a condenação do seu culto. Ele continua com uma pertinência impressionante, a sua crítica política, cultural e estética do nosso tempo. O malicioso piscar de olhos do título à Crítica da razão pura de Kant não é neutra: Efetivamente, Achille Mbembe debruça-se sobre uma crença, a crença que fundamenta a desigualdade entre os homens: a raça. E fá-lo, citando claramente Césaire quando evoca a violência da conquista colonial no Discurso sobre o colonialismo: «Não nos libertaremos dele com facilidade».

Mukanda

24.03.2016 | por Olivier Barlet

A cara de Nina Simone

A cara de Nina Simone Simone conseguiu evocar glamour, apesar de tudo o que era dito sobre as mulheres negras como ela. E por isso desfrutou de um lugar especial no panteão da resistência. Não se deve apenas às suas letras ou à sua musicalidade, mas à sua aparência. Simone é mais do que um Bob Marley feminino. Não é simplesmente a voz: foi o mundo que fez aquela voz, toda a mágoa e dor da difamação forjou algo de outro mundo.

A ler

23.03.2016 | por Ta-Nehisi Coates

A Cultura da Colonialidade

A Cultura da Colonialidade Talvez alguém se questione o que tem toda esta estrutura burocrática abusiva estabelecida por um sistema de controlo migratório a ver com descolonizar o museu. É que a colonialidade é um dos elementos centrais no que há de comum entre a burocracia e o museu. E o museu, assim entendido, é um dos espaços centrais para a construção do eurocentrismo, como o sistema de controlo migratório é a estrutura principal da colonialidade na Europa. É a cultura que permite aprender e assumir o migrante e, por sua vez, são os museus que supostamente estabelecem marcos de legitimação do que é ou não cultura, de como é compreendida e difundida. Publicado em "Decolonizing Museums", L’Internationale Online.

Jogos Sem Fronteiras

22.03.2016 | por Daniela Ortiz

Entrevista a Sheila Walker

Entrevista a Sheila Walker É óbvio que os africanos têm de ter instituições que se desenvolvam logicamente a partir do seu passado. Impor um sistema que funciona noutro lugar não funciona. Há todo um raciocínio diferente, as civilizações africanas tinham sistemas políticos e económicos que funcionaram. Teria sido melhor desenvolverem uma modernidade africana sem interferência. Mas houve quatrocentos anos de exportação de africanos. E não eram os mais fracos, os mais estúpidos. Perder tanta gente em tanto tempo foi um problema, e logo a colonização interrompeu todo o processo histórico de todos os países africanos.

Cara a cara

17.03.2016 | por Cláudio Fortuna

"Entre mim e o mundo" - PRÉ-PUBLICAÇÃO

"Entre mim e o mundo" - PRÉ-PUBLICAÇÃO "Entre mim e o mundo" é uma reflexão profunda e pessoal, muitas vezes indignada, sobre o racismo. Numa carta ao filho adolescente, Ta-Nehisi Coates recorda a sua infância e juventude num bairro violento de Baltimore, o despertar intelectual por via dos livros, dos discursos de Malcolm X e de mulheres amadas. Dolorosamente, relembra ainda a perda de um colega de faculdade, também ele negro, vítima de uma perseguição policial. O BUALA publica as primeiras páginas do livro que pôs a América a discutir o racismo.

Mukanda

14.03.2016 | por Ta-Nehisi Coates

Ser africano em Cabo Verde é um tabu

Ser africano em Cabo Verde é um tabu Cabo Verde não é África, os cabo-verdianos são “pretos especiais” e os mais próximos de Portugal. É o país da mestiçagem, a “prova” da “harmonia racial” do luso-tropicalismo. Durante anos esta foi a narrativa dominante. Ser ou não ser africano ainda continua como ponto de interrogação.Pertencente à série especial "Racismo em português", Joana Gorjão Henriques vai em busca de como o colonialismo marcou as relações raciais. Os portugueses foram mais brandos e menos racistas? Racismo em português: como foi, como é?

A ler

14.03.2016 | por Joana Gorjão Henriques

"Alzira está morta" - PRÉ-PUBLICAÇÃO

"Alzira está morta" - PRÉ-PUBLICAÇÃO Era um abril chuvoso. A estiva agitada no cais de Salvador. Não era um bom dia para partir. Alzira estava lá, pronta. Bagagem bem ajeitada em malas de couro e ferro feitas no Taboão. Resistiriam bem àquela rota mítica tantas vezes navegada. Lagos era a meca dos negros da Bahia. Ao menos para aquela intelligentsia que conhece sua história e sua civilização. Ela envaidecida. Tal como outros distintos, conheceria Lagos, Alzira mesma, com todos os seus sentidos. Também ela desfrutaria daquela aura. O livro "Alzira está morta" será lançado a 14 de abril no Hangar, Lisboa.

Mukanda

14.03.2016 | por Goli Guerreiro

"Posto Avançado do Progresso" - entrevista a Hugo Vieira da Silva

"Posto Avançado do Progresso" - entrevista a Hugo Vieira da Silva Desconstruindo de forma sistemática os relatos de viagem e diários dos exploradores, cientistas ou comerciantes europeus que deambulavam pela África tropical no final século XIX, prova-se que os documentos são muitas vezes idealizados ou imprecisos e que na maior parte do tempo estes europeus estariam num estado permanente de êxtase provocado pela doença, altas dosagens de quinino, álcool, opiáceos e outras drogas.

Afroscreen

14.03.2016 | por António Pinto Ribeiro

A pele de Cavaco e os milagres de Marcelo

A pele de Cavaco e os milagres de Marcelo Grande não seria Portugal romper o ufanismo? De que adianta suturar, unir e rir, se por baixo a coisa continuar preta? Enquanto alguém quiser o pastiche de uma nau ou um museu para “celebrar os Descobrimentos” não teremos avançado. Portugal continuará a repetir os velhos mitos que o confortam e adiam, ora desconfiado, ora ufano, nunca mudando o ponto de vista. Não se trata de celebrar ou largar o passado, mas de o encarar a partir do que investigadores têm feito e, espera-se, continuarão a fazer (...). Incorporar esse refazer da história nas escolas, na política, na diplomacia, sem saudade e sem lamento, seria a coragem que ainda não houve.

Mukanda

13.03.2016 | por Alexandra Lucas Coelho

Entrevista a Elikia M'Bokolo

Entrevista a Elikia M'Bokolo Os “afrodescendentes” que se encontram na América, nas Antilhas, na Europa e na Índia, são os conservadores de valores do continente africano, por via da religião, dos sentimentos de solidariedade, da visão do futuro, das resistências. Nas minhas aulas de história africana, no que diz respeito à Diáspora africana, considero que a África de fora joga um papel muito importante para o interior do continente. Na década de 1950 e 1960, nota-se que a Diáspora, de fora e a do interior do continente, tiveram uma forte ligação.

Cara a cara

11.03.2016 | por Cláudio Fortuna

PRÉ-PUBLICAÇÃO "Cartas de Amílcar Cabral a Maria Helena: a outra face do homem"

 PRÉ-PUBLICAÇÃO "Cartas de Amílcar Cabral a Maria Helena: a outra face do homem" Cartas que Amílcar Cabral escreveu a Maria Helena Vilhena Rodrigues, no período de 1946 a 1960, marcando a relação amorosa e as tensões e conflitos histórico-existenciais da relação do casal no contexto de um Portugal, na altura, fascista e colonial, no qual imperava o racismo e a segregação. O livro também faz um apanhado sobre o afrontamento anticolonial em torno da geração de africanos então presentes em Lisboa e da famosa Casa dos Estudantes do Império, onde germinariam os grandes líderes africanos da segunda metade do século XX. A obra traz novos paradigmas de diálogos interculturais e inter-raciais, com elementos matriciais de uma interpelação humanista susceptíveis de provocar interesse em face dos atuais acontecimentos mundiais.

Mukanda

09.03.2016 | por vários

Jogos sem Fronteiras #2 - Editorial

Jogos sem Fronteiras #2 - Editorial Luta-se hoje contra a pobreza crescente, contra formas mutantes e disfarçadas de exploração capitalista administrada sob o véu das “políticas de austeridade” na Europa e outros lugares. Mas resistir – re/existir, numa etimologia de algum modo ficcional – também significa inventar modos de existência. Inventar não é criar algo a partir do nada, mas agregar forças já presentes (sociais, espaciais, materiais e simbólicas) – invenção, neste sentido, corresponde a uma recomposição de forças. REVISTA JSF#2

Jogos Sem Fronteiras

08.03.2016 | por Sandra Lang

Jogos Sem Fronteiras #2 – espaços de resistência e práticas de invenção

Jogos Sem Fronteiras #2 – espaços de resistência e práticas de invenção Devendo o seu nome ao programa de televisão Jeux Sans Frontières, a mais longa co-produção da história da televisão Europeia, a acção desta plataforma – sem fronteiras de linguagens – tem-se pautado pelo seu carácter situado e relacional, em articulação estreita com o contexto e o momento histórico em que ocorre. Neste quadro, tem vindo a privilegiar uma abordagem curatorial e de convite/encomenda à realização de trabalhos artísticos e teóricos (que por vezes se traduz numa abordagem editorial) temática, agrupando sob conjuntos de ideias-chave uma série propostas que incluem muitas vezes a criação de conteúdos originais, em diversos suportes – e sua posterior tradução e itinerância. REVISTA JSF#2

Jogos Sem Fronteiras

07.03.2016 | por Ana Bigotte Vieira, Nuno Leão e Sandra Lang

A Migração do Norte de África para a Europa: da Líbia rumo à Europa

A Migração do Norte de África para a Europa: da Líbia rumo à Europa Num mundo em constante transformação, continuar a considerar as migrações apenas com base no seu carácter espacial, na sua duração e até mesmo no seu controlo tem vindo a tornar-se um pouco vago. Os fluxos migratórios são, atualmente, muito mais amplos, diversificados e muitas vezes dramáticos, movidos por fatores económicos, étnicos, ambientais, religiosos, políticos e bélicos.

Jogos Sem Fronteiras

01.03.2016 | por Cláudia Rodrigues

O Poder em Angola, entrevista a Paulo Inglês

O Poder em Angola, entrevista a Paulo Inglês Acho que a nação é menos conversão política de “partilhas primordiais” do que arranjos políticos. Se um sistema conseguir produzir consensos tácitos a longo prazo pode fundar-se uma nação; é claro que a história comum ajuda. No caso de Angola, já existiam muitos elementos comuns que tornariam possíveis consensos suficientes para o país dar certo; faltou audácia política.

Cara a cara

27.02.2016 | por Marta Lança