Somos todos uma singularidade qualquer

Somos todos uma singularidade qualquer É a possibilidade de descobrir que todos somos uma singularidade qualquer, igualmente amável e terrível, prisioneira das malhas do poder, à espera de uma insurreição que nos permita mudar a nós mesmos.Que amemos o comunismo quer dizer que acreditamos que as nossas vidas, empobrecidas pelo comércio e pela informação, estão prontas a elevarem-se como uma onda e a reapropriarem-se dos meios de produção do presente.

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17.01.2017 | por Claire Fontaine

C L A I R E / F O N T A I N E

C L A I R E / F O N T A I N E A propósito do lançamento do livro "Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made” em Portugal, o Buala organiza uma conversa com um dos organizadores, Leonardo Araujo, Miguel Cardoso, Pedro Bismack, e uma performance de Silvia. A partir do conceito de greve humana, que percorre todo o pensamento de Claire Fontaine, pretende-se pensar a intervenção estética como prática política de um “artista ready-made”.

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16.01.2017 | por vários

Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made

Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made Lançamento do livro + Conversa + Performance // O título do livro dá nome a este encontro que parte do conceito de "greve humana" do coletivo Claire Fontaine para pensar a intervenção estética como prática política de um "artista ready-made".

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12.01.2017 | por vários

Lugares onde Portugal foi buscar escravos

Lugares onde Portugal foi buscar escravos A proposta da viagem era ir aos lugares de onde foram tirados esses africanos. Muitos já tinham sido escravizados por senhores locais, que com o interesse dos europeus incrementaram a prática; muitos outros foram aprisionados pela primeira vez; mas a exposição não entra por estes antecedentes. Concentra-se no que o fotógrafo foi encontrando da memória afro-brasileira: castelos, fortalezas, pelourinhos, rituais, danças, festas. Aquilo que foi levado para o Brasil, mas também o que do Brasil voltou para África, com os escravos libertos no século XIX, os retornados, chamados de agudás no Benim, amarôs no Togo e na Nigéria, ou tabons no Gana. Acontece terem nomes como Almeida, Silva. Fazem churrasquinho, feijoada, carnaval.

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05.01.2017 | por Alexandra Lucas Coelho

Deslubrante Estupefação

Deslubrante Estupefação A sua impregnação de um forte espírito de revolta contra as injustiças e os abusos correntes numa sociedade arcaica marcada pela escravocracia e pelo latifúndio (morgadio na linguagem dos textos e da tradição popular caboverdiana, relevando-se neste contexto os morgadios de Ribeirão Manuel e de Monte Negro) e correlativa condenação tanto moral como também em actos corajosos e efectivos de resistência colectiva ou individual.

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04.01.2017 | por José Luís Hopffer Almada

Red Africa - Things Fall Apart

Red Africa - Things Fall Apart Things Fall Apart foca especialmente o cinema como um meio para desenvolver uma estética militante, uma estética orientada para imaginar um futuro independente das potências coloniais, bem como para criar elos internacionais entre os países africanos e os mundos comunista e em desenvolvimento.

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21.12.2016 | por vários

Pela Branca, Máscaras Negras: sobre o “Decolonial Desire” de Vasco Araújo

Pela Branca, Máscaras Negras: sobre o “Decolonial Desire” de Vasco Araújo A re-primitivização dos corpos africanos como objetos inanimados naquilo que o artista imagina que o "outro colonizado" possa pensar torna esta exposição ainda mais ofensiva, fetichista e auto-indulgente do projeto colonial. E não é a quantidade de colaborações com mulheres trans-experiência negras, ou citações de Franz Fanon ou de Edward Said que tornará este trabalho descolonial. Não se pode enganar o árduo trabalho que todos devemos fazer para desafiar o nosso próprio condicionamento, as posições de privilégio e cumplicidade na violência racializada que continua a ser decretada através do capitalismo e da economia global.

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19.12.2016 | por Efua Bea

Em Moçambique, antes de mais a paz

Em Moçambique, antes de mais a paz Sendo este movimento social muito relevante, não deixa de apresentar as características habituais em explosões reivindicativas passadas. Também por isso, preferi destacar neste artigo um outro movimento recente, muito contrastante com os anteriores e inesperado na sua forma e impacto: as marchas e outras ações pacíficas e apartidárias exigindo a manutenção da paz, num país que, 24 anos depois de uma longa e traumática guerra civil, a sente de novo ameaçada.

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07.12.2016 | por Paulo Granjo

Heterobiografia e Artes Visuais: a estreia de Paulo Faria

Heterobiografia e Artes Visuais: a estreia de Paulo Faria Paulo Faria escolhe para tema autoral a revisitação da guerra colonial que, não tendo vivido, reconhece como um momento de radical mudança para um pai a quem fez poucas perguntas e com o qual se quer agora confrontar, juntamente com seus demónios entrincheirados. Com esta premissa se tece uma espécie de ficcionalização heterobiográfica: ficção porque, embora o autor e narrador tenham circunstâncias comuns, como serem tradutores e filhos de pais médicos que serviram como oficiais milicianos em Moçambique, a distância dos nomes e episódios reduz porventura os danos colaterais da autodescoberta, ajudando a manter o enredo livre de pressões; heterobiográfico porque não só o narrador se projeta na vida paterna como a reconstrução desta aparece afinal refratada pelas histórias de vários camaradas de campanha do pai, ocupando a voz de cada um deles um capítulo desta obra.

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28.11.2016 | por Margarida Vale de Gato

Entrevista a Pedro Coquenão: "Há quem diga que é normal em tempos de guerra as pessoas agrupam-se e defendem-se umas às outras"

Entrevista a Pedro Coquenão: "Há quem diga que é normal em tempos de guerra as pessoas agrupam-se e defendem-se umas às outras" O meu ponto é: deve ser dado um contexto um bocadinho mais livre e rico às pessoas. Se em Portugal não há música nas escolas, em Angola nem escolas há. E aqui a música acabou transformada num exercício de escapismo em relação à guerra, pois durante a guerra todos os músicos com um discurso minimamente interessante e relevante estavam fora do país. E é precisamente esse discurso critico e consciente que enriquece a terra porque faz com que ela circule e não fique estática. Algo que esteve na origem do kuduro, por exemplo. Foi uma espécie de reacção à realidade.

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25.11.2016 | por Hugo Jorge

Papagaios ao espelho do colonialismo

Papagaios ao espelho do colonialismo Essa relação entre papagaio e espelho, autoritária e inevitavelmente falha, habita os materiais da performance e da exposição final do Museu Encantador. Numa tentativa de desmanchar esta relação de autoridade platônica da imitação, muitos dos vídeos da exposição torcem o sentido desta autoridade, misturando os elementos luso-brasileiros até sua indistinção, ou propagando o sentido das imitações até outras esferas, misturando níveis de realidades classicamente separados.

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17.11.2016 | por Rita Natálio

Os hóspedes do Globo: (des-)mapeando a memória da cidade vertical com a horizontalidade do corpo

Os hóspedes do Globo: (des-)mapeando a memória da cidade vertical com a horizontalidade do corpo O mapa ou a cartografia resultante não pode, então, constituir-se senão como um desmapear, um descartografar, um baralhar das coordenadas actuais a partir dos três andares do Globo, das várias camadas de história e memória – colectiva e individual; colonial, anti-colonial, pós-colonial, pós-Marxista, pós-guerra civil – que estes albergam e que o relato sonoro de Almeida, contíguo à instalação vídeo, convoca em permanência. Este desmapear só pode compreender-se, também, a partir do desejo de inscrição de memória no presente e para o futuro que o projecto de requalificação e restauro nunca concretizado, posicionado diante do vídeo, evoca.

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08.11.2016 | por Ana Balona de Oliveira

O Brasil deveria mudar o modo como lida com a memória da escravidão?

O Brasil deveria mudar o modo como lida com a memória da escravidão? Vendidas como escravas em São Luís do Maranhão. A embarcação portuguesa naufragou na costa da África do Sul, e 223 cativos morreram. Visitantes - na sua maioria negros americanos - caminhavam em silêncio pela sala que simula o porão de um navio negreiro, entre lastros de ferro do São José e algemas usadas em outras embarcações (um dos pares, com circunferência menor, era destinado a mulheres ou crianças).

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07.11.2016 | por João Fellet

Maputo Criativa, projeto artístico em rede

Maputo Criativa, projeto artístico em rede Fruto de uma parceria entre o Colectivo Imprevisto e a Universidade Politécnica, o projeto tem por objectivo criar novas oportunidades de divulgação e interacção a artistas com produções independentes, moçambicanos e estrangeiros, a partir do desenvolvimento de uma rede de cooperação na área da cultura.

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05.11.2016 | por Lurdes Macedo

Desvendar as práticas coloniais

Desvendar as práticas coloniais Esta é uma questão interessante quando olhada do ponto de vista dos burocratas. Por um lado, há antecedentes muito directos e locais, como o programa de desinsectização algodoeira que estava a ser preparado pela Cotonang durante 1960. Ainda antes da revolta ter rebentado em Malange, há informações e apontamentos que evidenciavam a natureza explosiva de se fazer recair todo o ónus financeiro desse programa no trabalhador africano da Baixa. Uma contingência como esse programa pôde de facto estar na origem da sublevação. Se assim foi, trata-se uma falha de intelligence do Estado português, porque tinha à sua disposição todos os dados que apontavam nessa direcção até Dezembro de 1960. Por outro lado, temos os antecedentes estruturais identificados pelos analistas: a destribalização e o chamado “autoritarismo burocrático”, uma ideia muito pouco estudada, que teve em Marcello Caetano e Adriano Moreira dois fortes promotores e se disseminou como categoria analítica e explicativa pelos novos burocratas do Ministério do Ultramar.

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28.10.2016 | por Marta Lança