Conferência 2018: E este património?

Neste Ano Europeu do Património Cultural, a Acesso Cultura pretende reflectir sobre um património muitas vezes não preservado ou então escondido, ignorado, silenciado, inacessível, desconfortável, desvalorizado: o património LGBTQI+ (Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, Queer, Intersex).

Que património é este? Porquê destacá-lo?

Não podemos ser o que não podemos ver, não podemos ser se não somos visíveis. Na Acesso Cultura estamos conscientes da importância da representação, da necessidade das pessoas – de cada um de nós – de se sentirem representadas e de serem aceites. De se sentirem reconhecidas, acompanhadas, membros da sua própria comunidade, mas que possam também reconhecer-se como fazendo parte de outras.

A história da comunidade LGBTQI+ é pouco conhecida e ainda menos incluída nas nossas narrativas mainstream. Os desafios que tem enfrentado, a luta pelos seus direitos, o seu contributo neste país são assunto ainda muito condicionado a audiências minoritárias. Quando não vemos alguém, essa pessoa não existe para nós, com todas as consequências que esta ignorância traz para a inclusão social e para a decorrente valorização da nossa sociedade.

A Acesso Cultura, ao escolher este tema para a sua conferência de 2018, Ano Europeu do Património Cultural, pretende colocar no centro da nossa reflexão histórias escondidas ou não reconhecidas; as condições em que estas são investigadas; a sua preservação, divulgação e interpretação; mas também a criação contemporânea, o património gerado hoje. Uma sociedade que se quer inclusiva e respeitadora da diferença necessita de múltiplas narrativas, necessita de ter acesso ao conhecimento, necessita de se encontrar com o outro e de ser capaz de reconhecer a sua humanidade.

Programa
Notas biográficas
Referências bibliográficas e outras

PREÇÁRIO
Normal: €30
Estudante / Desempregado: €25
Associado da Acesso Cultura: €20

Ficha de inscrição
(clique nas palavras “Ficha de inscrição”)
Política de reembolsos: Em caso de desistência de participação, o inscrito terá direito ao reembolso do valor de inscrição, desde que comunique essa desistência, por escrito e com 8 (oito) dias de antecedência. Não se aplica o disposto no parágrafo anterior, caso a desistência comprometa o número mínimo de participantes exigido para a realização do curso, caso em que o valor não será devolvido, ficando o inscrito desistente com crédito em montante igual ao valor da inscrição paga, podendo usufruir deste mesmo crédito em inscrições futuras em cursos da Acesso Cultura.

AGRADECIMENTO
André e. Teodósio

18.09.2018 | por martalanca | LGBTQI, património

Frente, verso, inverso

ARTE CONTEMPORÂNEA DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA NAS COLEÇÕES EM PORTUGAL

Dia 18 de setembro​ | 18h30| Galeria de Exposições, Av. da Índia, n.º  110, Lisboa.

15.09.2018 | por martalanca | arte contemporânea

Vozes ciganas no ensino secundário

(PARTE I)

Este vídeo tem como objetivo ouvir vozes de jovens ciganos/as, neste caso a frequentar o ensino secundário, as suas perceções sobre a escola, as suas expetativas de futuro e perceção da realidade social. Numa perspetiva inédita, a sua voz faz-se ouvir com sentido crítico, com consciência da existência de desigualdades sociais, com o desejo de contribuir para uma mudança social positiva. Jovens que se questionam, partilham receios, mas lutam por uma vida e uma sociedade melhores.

Participantes: Mário Vaz Maia, 19 anos, 11.o ano, Lisboa; Porfírio, 18 anos, 11.o ano, Vila Verde Realização: Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig), Alto Comissariado para as Migrações, I.P. Imagem e montagem: Inês Abreu, Associação Cultural Buala
Data e local: julho de 2018, Lisboa e Vila Verde

(PARTE II)

Participantes: Marta de Jesus, 18 anos, 10.o ano, Vila Verde; Tomé Navarro, 18 anos, 11.o ano, Vila Nova de Famalicão

Realização: Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig), Alto Comissariado para as Migrações, I.P. Imagem e montagem: Inês Abreu, Associação Cultural Buala
Data e local: Julho de 2018, Vila Verde e Famalicão

Ler mais. 

13.09.2018 | por martalanca | ciganos, ensino secundário

Festival Olhares do Mediterrâneo

2018 – 5ª Edição 27 a 30 de Setembro Cinema São Jorge

A 5ª edição do Festival está à porta! Consulte AQUI o catálogo
AQUI programa-de-mão Programe AQUI a sua ida aos Olhares consultando a grelha com toda a programação

Marque bilhete para as sessões de abertura e encerramento, de entrada gratuita,escrevendo para olharesdomediterraneo.reservas@gmail.com (max. de 2 bilhetes por pessoa)

27 SET 21h30 | Sala Manuel de Oliveira
Figlia Mia | Daughter of Mine
Laura Bispuri | Itália, Alemanha, Suíça | fic | 2018 | 100’
Um verão de medos, perguntas, descobertas e crescimento para Vittoria, uma menina de 10 anos disputada por duas mães.
Estreia Nacional
[Abertura | Opening Feature]

 

30 SET 19h | Sala Manuel de Oliveira
Avant La Fin De L’Été | Before Summer Ends
Maryam Goormaghtigh | França, Suíça | doc | 2017 | 80’
Comédia documental sobre amizade, encontros de Verão, diferenças culturais e a necessidade de reforçar os laços com as almas gémeas quando se vive no estrangeiro.
[Encerramento - Closing Feature]

11.09.2018 | por martalanca | festival, Mediterrâneo

1968: O Fogo das Ideias de Marcelo Brodsky.

É com a exposição individual 1968: O Fogo das Ideias, com curadoria de Inês Valle, que Marcelo Brodsky, artista e ativista argentino, apresenta a sua obra artística em Portugal pela primeira vez.

Em conformidade com a prática de investigação documental de Brodsky, esta exposição revela momentos de manifestação social ocorridos nos anos ‘60, permitindo também de certo modo um melhor entendimento do terror então vivido na Argentina — país do qual o artista esteve exilado até ao final da ditadura. São imagens vindicativas que nos inserem na Poor People’s March, em Washington, nas manifestações contra a Guerra do Vietname que ocorreram em Berlim, Londres ou Tóquio, ou mesmo nas diversas manifestações e campanhas estudantis contra as estruturas governamentais que aconteceram no Brasil, na Argentina, em França e em Portugal. Pela primeira vez, estas obras são justapostas não só com publicações daquele período que figuram em coleções portuguesas, assim permitindo um entendimento contextual destes momentos que gritaram por um mundo mais justo, como também com a série de vídeos Acción Visual, assinada por Brodsky e Natalia Hendler. A exposição cria também diálogos inéditos entre a obra de Brodsky e as de outros artistas, como Marcel Broodthaers (Coleção MACBA) ou Ricardo Martins.

Nas comemorações dos 50 anos da luta dos trabalhadores e estudantes, bem como dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, esta exposição incita uma reflexão sobre as batalhas e os desejos para os quais as nossas vozes nunca poderão ser silenciadas.

 

de 18 de setembro de 2018 a 6 de janeiro de 2019 no Museu Coleção Berardo. 

 

Imagem:© Marcelo Brodsky. Coimbra, 1969, 2018. Da série 1968: O Fogo das Ideias. Imagem original: © Fernando Marques, Varela Pé Curto e Carlos Ramos; Secção Fotográfica, Biblioteca Geral, Universidade de Coimbra

 

11.09.2018 | por martalanca | Marcelo Brodsky

Gayatri Chakravorty Spivak (Columbia University)

Study, Know, Learn, Hear, Listen, Do? Humanities for Social Studies

12 de outubro de 2018, 15h30

Auditório da FEUC

In globality, old socio-cultural habits have returned.  The colonial experience was short-lived.  The beginnings of postcoloniality was a slow loss of the results of that experience.  Postcoloniality is now defined in terms of location and diaspora.  Some areas of the world are in extremis to which none of the programs hosted by you can apply.  How do we think solutions? Where is the gendered rural episteme? The humanities emphasize the cognitive variations reflected in my title.  How can these variations enhance work in qualitative social sciences as a means to an imaginative activism that allows for the spatial distinctions implied in the current conjuncture, as indicated above, as well as the epistemological performance required by those of us who investigate for institutional validation?

Gayatri Chakravorty SpivakGayatri Chakravorty Spivak

Gayatri Chakravorty Spivak is University Professor, and a founding member of the Institute for Comparative Literature and Society.  B.A. English (First Class Honors), Presidency College, Calcutta, 1959.  Ph.D. Comparative Literature, Cornell University, 1967. D. Litt, University of Toronto, 1999; D. Litt, University of London, 2003; D. Hum, Oberlin College, 2008; D. Honoris Causa, Universitat Roveri I Virgili,  2011; D. Honoris Causa, Rabindra Bharati, 2012; Kyoto Prize in Thought and Ethics, 2012; Padma Bhushan 2013; D.Honoris Causa, Universidad Nacional de San Martin, 2013; D. Litt, University of St. Andrews, 2014; D. Honoris Causa, Paris VIII, 2014; Presidency University, 2014; D. Hum, Yale University, 2015; D. Litt, University of Ghana-Legon, 2015; D. Honoris Causa, Universidad de Chile, 2016; Lifetime Scholarly Achievement from the Modern Language Association of America, 2018.

Fields: 19th- and 20th-century literature; politics of culture; feminism; Marx, Derrida; globalization.  Books: Myself Must I Remake: The Life and Poetry of W. B. Yeats (1974), Of Grammatology (translation with critical introduction of Jacques Derrida, De la grammatologie, 1976), In Other Worlds: Essays in Cultural Politics (1987; Routledge Classic 2002), Selected Subaltern Studies (ed., 1988), The Post-Colonial Critic: Interviews, Strategies, Dialogues (1990), Thinking Academic Freedom in Gendered Post-Coloniality (1993; 2d ed forthcoming), Outside in the Teaching Machine (1993; Routledge classic 2003), Imaginary Maps (translation with critical introduction of three stories by Mahasweta Devi, 1994), The Spivak Reader (1995), Breast Stories (translation with critical introduction of three stories by Mahasweta Devi, 1997), Old Women (translation with critical introduction of two stories by Mahasweta Devi, 1999), Imperatives to Re-Imagine the Planet / Imperative zur Neuerfindung des Planeten (ed. Willi Goetschel, 1999; 2d ed. forthcoming), A Critique of Postcolonial Reason: Towards a History of the Vanishing Present (1999), Song for Kali: A Cycle (translation with introduction of Ramproshad Sen, 2000), Chotti Munda and His Arrow (translation with critical introduction of a novel by Mahasweta Devi, 2002), Death of a Discipline (2003), Other Asias (2005), An Aesthetic Education in the Age of Globalization (2012), Readings (2014), Du Bois and the General Strike (forthcoming).  Significant articles: “Subaltern Studies: Deconstructing Historiography” (1985), “Three Women’s Texts and a Critique of Imperialism” (1985), “Can the Subaltern Speak?” (1988), “The Politics of Translation” (1992), “Moving Devi” (1999), “Righting Wrongs” (2003), “Ethics and Politics in Tagore, Coetzee, and Certain Scenes of Teaching” (2004), “Translating into English” (2005), “Rethinking Comparativism” (2010), “A Borderless World” (2011), “General Strike” (2012),  “Crimes of Identity” (2014), “Our World” (2014).  Activist in rural education and feminist and ecological social movements since 1986.

07.09.2018 | por martalanca | Gayatri Chakravorty Spivak

Concurso Internacional de Banda Desenhada/ Histórias em Quadrinhos Avenida Marginal

A quarta edição do Concurso Internacional de Banda Desenhada/ Histórias em Quadrinhos Avenida Marginal está a receber narrativas numa única prancha (página) até 25 de novembro de 2018. O primeiro prémio consiste de 500 euros e um ano de propinas pagas em licenciatura ou mestrado na Universidade Lusófona de Lisboa.
Não temos limite de idade e o tema é livre. Para além disso as melhores histórias farão parte de uma exposição itinerante até 2021. O concurso está aberto a todos os autores que residem em países lusófonos (CPLP) e diáspora portuguesa no mundo. Para mais informação leia o regulamento em https://concursobdavenidamarginal.blogspot.com

05.09.2018 | por martalanca | Avenida Marginal, banda desenhada

Antropocenas em Évora

6 de setembro, 22h, teatro Garcia Resende, Évora

Antropocenas é uma colaboração entre Rita Natálio e João dos Santos Martins com a contribuição de diversos agentes nas áreas da ecologia, dança, antropologia e artes visuais. Uma palestra dançada onde plantas, pedras, gatos, dildos e relva-nas-axilas podem ser os principais oradores, onde samambaias discutem os seus direitos jurídicos, sacos de plástico suicidam-se, animais fazem petições contra a sua extinção, jardineiros cortam os cabelos de plantas humanas, onde abraçamos ursinhos de poluição, comemos terra. Textualmente, ideias da história de arte e da antropologia contemporânea misturam-se, opõem-se, matam-se e esfolam-se para destituir certos ideais de natureza.

Parte-se da discussão em torno do Antropoceno e da atual crise climática, mas também das cosmologias ameríndias, das etnografias multi-espécie, do racismo estrutural, do blues dos robots e de um tronco de sumaúma cortado para que humanos pudessem dançar sobre ele. Sabemos que ecocídio=genocídio e que não vamos mudar o mundo porque este já acabou. O meio ambiente é um ambiente partido ao meio. O capitalismo é um eterno garimpo do ou(t)ro. Ecologia não desce a temperatura.                

Partimos de um exercício de inverter ou suspender alguns lugares comuns: e se em vez de pensarmos a natureza como mãe, pensássemos a natureza como amante ou paciente em estado terminal? E se tentássemos pensar ecologia sem natureza? E se abandonássemos o conceito de humano e nos assumíssemos como máquinas de compostar? E se nos deixarmos levar pela empatia com o não-humano, um submundo onde convivem simultaneamente a ideia que temos de mundo natural, mas também certos corpos humanos desumanizados, escravizados? Um requiem celebratório, enlutado e mais próximo da catástrofe do que da purificação. Ecologia melancólica ou arte de aprender a desesperar. Antropo ma non troppo​

05.09.2018 | por martalanca | Antropocenas, João dos Santos Martins, Ritá Natálio

Que ainda alguém nos invente, inspirado na vida da Rainha Njinga Mbandi

É um ritual que vacila entre o orgulho e o remorso. Entre o conflito e a confidência fundem-se os papéis de rainha e mulher. Deixa-se de se distinguir quem é quem na glória e na vaidade, pois o atrevimento também é próprio da conquista.

Njinga Mbandi invoca os seus mortos numa conversa consigo mesma, fala do que foi e do que poderá nunca ter sido, não esgota o seu transe em estórias reféns do seu tempo. Resistindo sempre, dissimuladamente. Atormentando e perseguindo à vez ora homens ora vontades, as suas e as dos a si entregues, guerreiros, escravos e traidores. Filha, irmã e amante, Njinga terá tempo de contar a sua versão, escusando-se ao logro de um passado forjado, divinizado e imaculado no seu desígnio. 

Teatro Griot I texto dramático inédito: Ricardo P. Silva

encenação: Paula Diogo I actores: Daniel Martinho, Gio Lourenço, Matamba Joaquim, Zia Soares I  movimento: Vânia Gala I  materiais cénicos: Francisco Vidal I espaço cénico e figurinos: Mariana Monteiro I luz: Pedro Correia I música original: DJ Marfox e DJ N.K. design de som: Chullage assistência de encenação: Carlos Alves tradução para kimbundo: Galiano Neto

fotografia: Sofia Berberan vídeo teaser: David Cardoso

produção executiva: Urshi Cardoso

co-produção: Teatro GRIOT, Teatro Municipal do Porto

Duração aprox. 1h30 M/14

Em cena no Teatro do Bairro (Rua Luz Soriano, 63 (Bairro Alto),1200-246 Lisboa)13 a 23 de Setembroqua a sáb, 21:30; dom, 17h

RESERVAS: 21 347 33 58 | 91 321 12 63 (15h - 19h)
Bilhetes:10€, normal7,50€, c/desconto5€, grupos +10 pax

Ricardo P. Silva, autor

“ Que Ainda Alguém Nos Invente é um texto inspirado na vida da Rainha Njinga Mbandi, soberana do Reino do Ndongo e da Matamba e o resultado de um intenso processo de filtragem de informação, baseada em narrativas deixadas ao longo de mais de três séculos por intervenientes reféns da sua própria agenda política, fins religiosos ou meros compromissos comerciais. A peça determina por isso que prevaleçam apenas os indícios, os prenúncios e os sintomas do que poderá ter sido. Sabe-se hoje e saber-se-ia então que a distorção premeditada de narrativas, de maneira a influenciar a perceção de modos de vida diversos, faz com que não seja possível distinguir com segurança facto, mito ou manipulação. A discussão académica sustentada em grande parte pela documentação produzida pelo padre capuchinho Cavazzi de Montecúccolo e pelo historiador e militar português António de Oliveira de Cadornega, ambos coevos de Njinga Mbandi, ou pelos estudos mais recentes de historiadores como John Thornton ou Joseph C. Miller, assim como tantos outros artigos de investigação de inúmeros autores contemporâneos, deixa bem claro que não existe consenso em relação a muitas das famosas ocorrências relatadas e que ao longo destes 350 anos se têm vindo a sedimentar no imaginário coletivo. Mas para além da fantasia subsiste, porém, sempre algo que resiste, para além da apologia e da censura, independente. Permanece, no caso, o carácter extraordinariamente forte, hábil e intempestivo de Njinga Mbandi. E é por via desta certeza que a peça se desenvolve, através de um constante jogo de insinuações e especulação, conflitos e confidências entre quatro personagens, todos vivos e todos mortos, Njinga e o seu pai Ngola Kiluanji, Ngola Mbandi, irmão, ambos de origem Mbundu e ainda Kaza, o seu marido-aliado, de origem Imbangala. 

Guerreira e adivinha, déspota e heroína, protectora dos seus, comerciante de escravos, letrada e vaidosa, cruel, orgulhosa e imprevisível, Njinga aterrorizava – perseguindo – e enquanto perseguida, resistindo, jamais se rendeu.”

Paula Diogo, encenadora

O convite dos Griot para esta “conversa” com a Rainha Njinga do Ricardo, já vem de longe, acho que passaram pelo menos três anos desde que falámos pela primeira vez do projecto. 

Rebecca Solnit no livro “The Faraway Nearby” diz que contar uma história pressupõe empatia, colocar-me no lugar do outro, fazer um movimento deste lugar para aquele. Nesta reflexão sobre a figura de Njinga Mbandi, o primeiro movimento foi o de tentar conhecer uma personagem sobre a qual sabia pouco e essa primeira aproximação abriu caminho a outras aproximações a territórios igualmente desconhecidos: à história de um país que começa a escrever a sua História em nome próprio, à história de um povo que quer participar da escrita da sua própria História, à história de uma língua materna que não cabe na boca porque nunca nos foi ensinada, à história de uma geração que nasceu entre dois países e que não tem a nacionalidade necessariamente escrita no passaporte.

Ao olhar agora para o espectáculo que criámos juntos continuo a descobrir linhas de pensamento sobrepostas que seguramente continuarão a desmultiplicar-se no momento da chegada do público.

O espaço cénico do espectáculo foi construído seguindo uma lógica de pilhagem, que reproduz o espaço do atelier do artista visual Francisco Vidal invadido pelas palavras de Ricardo P. Silva e pelos corpos dos actores em luta com o movimento da coreógrafa Vânia Gala. Esta ideia de pilhagem permitiu-nos pensar sobre a figura de Njinga fora da lógica do herói das histórias que nos são contadas em criança, mas como personagem de facto, movida por vontades, convicções, culpas e desejos.

“Que ainda alguém nos invente” é também uma guerra. Os corpos são obrigados a manter-se em movimento, avançando e recuando, varrendo o espaço ou sendo varridos, reinventando territórios e fronteiras e convocando periferias invisíveis. A música de DJ Marfox marca o compasso dessa latência e apela constantemente à resistência e ao delírio.

“Desobediência. Por todo o tempo que haja que dure.” 

30.08.2018 | por martalanca | Rainha Njinga Mbandi, teatro griot

LINHA DE FUGA, OPEN CALL Convocatória Laboratório Internacional de Criação Artística

Linha de Fuga decorrerá em Coimbra, entre 10 de novembro e 1 de dezembro de 2018. Para lá da dimensão de Festival aberto ao público, com a apresentação de espetáculos em vários locais da cidade, LINHA DE FUGA realiza um Laboratório que pretende promover o encontro entre artistas nacionais e estrangeiros para intercâmbio de práticas artísticas.

Ana Borralho & João Galante (PT), Federica Folco (UY), Luciana Fina (IT/PT), Miguel Pereira (PT), Sergi Faustino (ES) e Thomas Hauert (CH/BE) são os artistas da primeira edição que, paralelamente à programação do Festival, vão dirigir os seminários do LINHA DE FUGA. O Laboratório reunirá 20 profissionais das artes (teatro, dança, vídeo, música, escrita), selecionados por convocatória internacional, que tenham interesse em confrontar os seus projetos e as suas práticas com as dos artistas convidados e dos seus pares.

Cada participante do LINHA DE FUGA é desafiado a partilhar um trabalho em processo (que poderá encontrar-se em distintos momentos de desenvolvimento) que será o seu objeto de estudo nos seminários práticos. O objetivo é promover o confronto de práticas artísticas, num processo de trabalho colectivo e participado, que se desenvolverá num campo de experimentação, aprendizagem e partilha de conhecimentos. Pensado como uma Zona Autónoma Temporária, segundo o conceito de Hackim Bey, LINHA DE FUGA terá momentos de trabalho coletivo (onde os participantes podem apresentar, discutir e desenvolver os seus projetos artísticos em relação com outros criadores e outras práticas) e períodos de trabalho pessoal com diferentes metodologias (colaboração com outros participantes, acompanhamento individual com os artistas convidados ou desenvolvimento da própria pesquisa).

Pensado especificamente para Coimbra, o Laboratório é uma instância de transmissão e produção de conhecimento através de práticas de criação. O Festival, que é realizado em parceria com entidades da cidade, decorre em vários locais, com uma cadência de apresentações semanais, e pretende discutir a importância da arte como fator social crítico a nível local e global.

LINHA DE FUGA propõe estabelecer uma relação entre participantes do Laboratório, artistas convidados e públicos da cidade, num circuito que permita expor distintas práticas e pensamentos artísticos, tanto apresentando à cidade obras da artistas-mediadores, como os processos em trabalho dos artistas participantes do laboratório.

LINHA DE FUGA é um projeto com curadoria de Catarina Saraiva, promovido pelas Produções Real Pelágio, estrutura financiada pela Direção Geral das Artes / Ministério da Cultura. A Câmara Municipal de Coimbra/Convento de São Francisco, Teatro Académico Gil Vicente, A Escola da Noite, Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e o Citemor (co-produtor do Laboratório) são entidades parceiras.

+ info www.linhadefuga.pt

18.08.2018 | por martalanca | artes performativas, Coimbra, laboratório, Linha de Fugas

Innovation, Invention and Memory in Africa - CHAM International conference in Lisbon, 17-20 July 2019

CHAM is proud to announce the organisation of its IV International Conference on  Innovation, Invention and Memory in Africa. Following very successful previous editions we are now focusing on Africa, its heritage, challenges and achievements. 

As a leading centre in the Humanities, CHAM aims in this edition to foster the presentation and discussion of multiple disciplinary approaches and contributions to the understanding of cultural, literary, historical, social, educational, artistic, ecological, and political landscapes in Africa. The conference will bring together students, academics, policymakers, community leaders, artists. It will promote a broad disciplinary approach to African Studies and a dynamic forum for discussion and knowledge production. A particular attention will be dedicated to the importance of future leaderships and to the role of young policymakers, researchers and artists. 

Call for panels: 5 July 2018 - 16 October 2018

Call for papers & posters: 1 November 2018 - 5 Feb 2019
Early bird registration: 14 March 2019 - 18 April 2019

Keynote

Paul Gilroy (Professor of American and English Literature, King’s College London)

Read more about the conference concept

Please note that the working language of the conference is English. Presentations may be delivered in Portuguese, although proposals (titles/abstracts) should be presented in English, and consideration given to the global audience.

03.08.2018 | por martalanca | Africa, CHAM, Conference

RETIROS NA NAVE Desenhar e Percorrer uma Paisagem

de 1 a 7 de Outubro de 2018 em Castelo de Vide Wandering and drawing a landscape - 1st to 7th of October, Castelo de Vide, Portugal

Aulas de Desenho e Percursos na Natureza: uma experiência de desconexão das tecnologias digitais no interior alentejano.

Durante uma semana, vamos desligar as nossas câmaras fotográficas e smartphones para ver, sentir e registar o que nos rodeia sem a mediação de ecrãs digitais. Ao desenhar levamos as linhas a dar uma volta, já nos dizia Paul Klee. Ao caminhar, inscrevemos traços nos percursos que atravessamos. Estas duas actividades articulam o tempo com o espaço e recolocam-nos no aqui e no agora. Através de exercícios de deambulação e de observação, vamos explorar várias técnicas de desenho que associam o gesto da inscrição gráfica ao gradual reconhecimento do lugar.

Drawing Classes and Walking tours in the Nature: an experience of disconnection of digital technologies in the Portuguese countryside.
For a week, we’ll turn off our cameras and smartphones to see, feel and record what surrounds us without the mediation of digital screens. While drawing we take the lines for a walk, as Paul Klee once told us. When walking, we inscribe traces through on paths we are crossing. These two activities articulate time and space and relocate us here and now. Through walking and observation exercises, we will explore several drawing techniques that link the gesture of graphic inscription to the gradual recognition of the place.

PROGRAMA | SOBRE A NAVE | QUEM SOMOS | INSCRIÇÕES | CONTACTOS

PROGRAM | ABOUT NAVE | ABOUT US SUBSCRIPTIONS | CONTACTS

03.08.2018 | por martalanca | desenho, paisagem

NAU! Instalação / Conferências / Concertos / Performance

Todos os fins-de-semana de julho
Praia Homem do Leme (Foz do Porto)
Entrada livre 
Instalação 11h00 – 22h00
Atividades paralelas 19h00 
NAU!
Antecipando a comemoração dos 500 anos passados sobre a circum-navegação marítima por Fernão de Magalhães (1519), chegou a altura de lhe fazer perguntas. Continuamos a aceitar uma História escrita sobre os discursos dos outros: uma narrativa de glorificação, expansionista, colonialista, imperialista. O que ficou de fora desta historiografia? NAU! é uma instalação que usa um contentor marítimo como simulacro, um dispositivo imersivo que procura, também, a emersão: o espectador intervém no espaço, trazendo à tona o avesso do discurso historiográfico da circum-navegação. O exterior da instalação serve igualmente de espaço de encontro, de discussão e problematização públicas do colonialismo e da historiografia, convocando conferências e performances abertas a todos. NAU! procura, usando as palavras de Walter Benjamin, “escovar a história a contrapêlo”.

→ 28 JUL, 19h, Rita Natálio | “Geofagia”
Geofagia’ é a vontade ou hábito de comer terra. Alguns papagaios comem argila vermelha num ato de auto-medicação. Um mito Yanomami começa assim: “Essa é a história dos nossos antepassados que aos poucos se multiplicaram. Ela começa na época em que não havia Yanomami como os de hoje. Os comedores de terra sofriam, porque eles comiam terra. Nós também quase teríamos sofrido, como as minhocas, por cavar a terra e tomar vinho de barro, se não fossem os acontecimentos que seguem.” O modelo colonial, iniciado precocemente por Portugal no século XVI, está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento de uma visão da terra como materialidade particular, um bem de natureza possessiva e usado com fins muito precisos: a extração de recursos naturais e a propriedade privada. Terra é posse e pouco mais. Portugal não come literalmente a terra dos povos nativos, mas “come” vorazmente a sua visão da terra, os seus modos de viver e pensar com os pés na terra. Assim, se para muitos o imaginário da colonização tem a ver com mar e navegação, em Geofagia queremos lembrar os Portugueses como grandes “comedores de terra”, num gesto muito mais próximo do transtorno alimentar do que da medicina.

→ 29 JUL, 19h, Mamadou Ba | “Não, Ainda Não Somos Todos Iguais”
Enquanto o debate sobre racismo em Portugal continuar em larga medida no plano da moral, ou seja, na sua dimensão meramente interpessoal, continuaremos a não ser capazes de enfrentar o seu carácter estrutural. Propomos assim discutir a continuidade histórica do racismo nas suas várias formas de expressão hoje, questionar esta continuidade através do atual debate sobre a memória da empresa colonial e os impactos dos seus legados na sociedade atual, quais os desafios que tudo isso suscita e que possíveis caminhos para romper com esta circunstância.
Programa completo: 
https://issuu.com/cct.tep/docs/desdobravela3-nau-defweb
Informações: 
http://www.cct-tep.com/in.htm
Produção: Teatro Experimental do Porto
Co-produção: Cultura em Expansão / Câmara Municipal do Porto

26.07.2018 | por martalanca | expansão, história, NAU!, viagem

Karina Buhr e Max B.O. na Rosa Imunda I Porto

Domingo, 29 de julho, às 17h no Rosa Imunda, Porto. Karina Buhr e Max B.O. unem suas semelhanças e peculiaridades, musicais e pessoais nesse show. Músicas inéditas, versões novas de trabalhos anteriores dos dois e também improvisos formam um repertório dinâmico e inovador, repleto de conexões sonoras. Buhr canta, toca congas, alfaia e pandeiro, B.O. canta e improvisa no verso de rima rica, tudo isso em companhia do percussionista Bruno Buarque e o guitarrista Regis Damasceno.
Dois links que seguem são músicas que tocam no show B.O. e BUHR, mas com arranjos diferentes.“Rimã”e “Alcunha de Ladrão”Projeto de samba de Max: “Samba de Quebre
LINKFB MAX BO 
LINKFB KARINA BUHR 

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Como sempre aqui na Rosaa entrada para os concertos é livre!~ Pede-se contribuição para musiques todes ~*´¨ )¸.•´¸.•´¨) ¸.•*¨)(¸.•´ (¸.•´ (¸.•*´¯`*•->Agradecemos o apoio de Luis Santrana da Sonoscopia de Brendan Hemsworth

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Travessa do Ferraz 13Rosa Imunda no Facebook

26.07.2018 | por martalanca | Karina Buhr, Max B.O., porto

Mostra internacional de cinema na Cova da Moura

Organizada pelo Coletivo Nêga Filmes & Produções, em parceria com a Associação CulturalMoinho da Juventude, acontece, desde 2016, e durante o KOVA M FESTIVAL.

Indo para a sua terceira edição em 2018, a nossa intenção com a MOSTRA DE CINEMA NA COVA édar visibilidade a uma produção audiovisual que não alcança as salas comerciais de cinema em Portugal, realizada por cineastas negras e negros da contemporaneidade, tanto de África, quanto dasdiásporas.Temos como objetivo principal, disponibilizar este cinema à população que vive e frequenta a Covada Moura, bairro cuja população é majoritariamente negra, a fim também de estimular a produção denovos filmes e mais debates por artistas e estudiosas/estudiosos de cinema, que vivem no bairro, nacidade e que descendem de populações africanas.

Em clima de festival de bairro, o KOVA M FESTIVAL, que recebe a MOSTRA DE CINEMA NACOVA, foi criado em 2012, por jovens moradoras e moradores da Cova da Moura, a fim de incentivara produção cultural e a inclusão social na região, através da arte e do desporto, à população africanae afrodescendente que vive em Portugal e demais interessadas e interessados.Ao final de cada sessão de filme na MOSTRA DE CINEMA NA COVA, temos um espaço paraconversa sobre as obras exibidas, com profissionais das artes da cidade de Lisboa e arredores.

Desde a sua primeira edição, a MOSTRA DE CINEMA NA COVA tem possibilitado um interessante encontro entre África, Europa e Américas, trazendo para a Cova da Moura temas importantespara/sobre África e suas diásporas, através de filmes de diferentes origens, como Brasil, Cabo Verde,Gana, Moçambique, Portugal, Burkina Faso, Guiné Bissau, Kenya, Angola e Costa do Marfim.A programação da MOSTRA DE CINEMA NA COVA é totalmente gratuita para as pessoas queacompanham as atividades do Festival, algo que somente é possível graças ao trabalho comunitárioe de mutirão de moradoras e moradores do bairro.EQUIPE
Curadoria Geral: Maíra ZenunProdução: Flávio Almada e Luzia Gomes- Nêga Filmes https://www.facebook.com/negafilmes/.- Kova M Festival https://www.facebook.com/kovamfestival/.- I Mostra Internacional de Cinema na Cova https://www.facebook.com/events/637256526443894/.- II Mostra Internacional de Cinema na Cova https://www.facebook.com/events/1961063184182644/.- Moinho da Juventudehttps://www.facebook.com/pages/Associação-Cultural-Moinho-Da-Juventude/420091851427591.

23.07.2018 | por martalanca | cinema, Couva da Moura, negro

Re-Lembrar | Re-Membering | MAPUTO

O ponto de partida da exposição internacional Re-Lembrar (Mystery of Foreign Affairs) é uma reflexão sobre a vida entre culturas diferentes de vinte mil trabalhadores moçambicanos que trabalharam e moraram na República Democrática Alemã. Contudo, o projeto almeja também, de forma mais abrangente, contribuir para uma reflexão sobre as relações entre Europa e África, no passado e no presente.

A primeira parte da exposição decorreu em vários lugares da cidade de Schwerin, na Alemanha, entre setembro e novembro de 2017, com a participação de artistas de Moçambique, Angola, África do Sul e Alemanha. Nesta exposição, as obras de artistas como Dito Tembe, Iris Buchholz Chocolate e Katrin Michel abordam a temática das relações de intercâmbio da República Democrática da Alemanha com trabalhadores moçambicanos, conhecidos como Madgermans. Por seu turno, as obras de artistas como Matias Ntundo ou Gemuce proporcionam uma revisitação do passado colonial, enquanto os trabalhos de Edson Chagas e Zanele Muholi representam a presença e a questão de estereótipos e atribuições culturais no mundo atual.

A segunda parte da exposição decorre em dois espaços da cidade de Maputo, no Camões – Centro Cultural Português e na Fortaleza de Maputo, e estará patente entre 14 de junho e 27 de julho de 2018. Em Maputo, a exposição passa a incluir dois trabalhos sobre a Namíbia: Towards Memory, de Katrin Winkler, um projeto de vídeo e pesquisa que surgiu de uma colaboração com mulheres da Namíbia que foram enviadas em crianças para a RDA em 1979, aquando da luta da libertação e anti-apartheid no seu país. O segundo trabalho é intitulado Namibia Today, de Laura Horelli, e recorda a edição do jornal homónimo impresso na então RDA.

Em Maputo, são ainda apresentadas obras de Jorge Dias, Maimuna Adam, Gemuce, Dito Tembe, Luís Santos, Matias Ntundo, Iris Buchholz Chocolate, Edson Chagas e Katrin Michel. Através de diferentes meios, da instalação à pintura, passando pela escultura e vídeo, a exposição pretende contribuir para um trabalho de memória sobre o passado comum, bem como para uma reflexão sobre as relações atuais entre África e Europa.

20.07.2018 | por martalanca | Africa, african art, african artist, Art, Book art, Book objects, Conceptual art, contemporary art, diáspora, exhibitions, Found Objects, freedom, Installation, Maputo, migration, mozambique, post colonial

QUILOMBO DE SANTANA I Porto

O projecto QUILOMBO DE SANTANA, numa acção conjunta com a Associação de Moradores, propõe—se a construir um espaço de crítica e acção sobre as questões contemporâneas da cultura quilombola e outras, a partir do Quilombo de Santana. 
Após vários anos de actuação com os moradores está prevista uma actuação no local que envolve a concepção e construção da cozinha comunitária, do centro cultural e da rede de saneamento básico sustentável, cujo financiamento provém da campanha / crowdfunding Limparsantanafeita entre Fevereiro e Maio de 2018 e que atingiu o montante de 7560 €. 
O lançamento do projecto será no dia 24 de Julho, entre as 17:00 e as 21:00, no espaço Mira Forum, no Porto, e contará com a presença do DJ Caio Azevedo e com o concerto “Samba de Guerrilha” do músico brasileiro Luca Argel.
//////////// Entrada Livre //////////

14.07.2018 | por martalanca | Brasil, quilombo de santana, quilombos

KALAKUTA REPUBLIK Conceito e coreografia de Serge Aimé Coulibaly

Kalakuta Republik foi o nome com que o compositor (e criador do afrobeat) Fela Kuti (1938-1997) baptizou a sua casa: a cela em que o haviam encerrado na primeira vez em que foi preso, revelou um dia, chamava-se justamente “Kalakuta”. O coreógrafo Serge Aimé Coulibaly inspirou-se na vida do músico e activista nigeriano para criar um espectáculo que nos confronta com uma África sem clichés. Não nos são dadas respostas, mas são-nos colocadas várias perguntas: o que faz com que nos unamos em torno de uma causa? E de um líder? Quais os limites da liberdade individual no seio de um movimento colectivo? Coulibaly vai ao encontro da posição do pensador esloveno Slavoj Zizek: “Fazer um carnaval é fácil: mas o que importa é o dia seguinte, quando regressarmos à vida quotidiana e enfrentar-mos a mudança”. Kalakuta Republik estreou em 2017 e foi um dos êxitos do último Festival d’Avignon.

Serge Aimé Coulibaly (n. 1972), natural do Burquina Faso, veio para a Europa em 2002, criando a sua própria companhia – o Faso Danse Théâtre -, através da qual interpela as suas origens africanas e cujos espectáculos reflectem sobre as questões relacionadas com este continente. No seu país de origem criou o Ankata: um laboratório internacional para a pesquisa em torno das artes performativas. Alain Platel considera Coulibaly “um artista fascinante, que constrói pontes artísticas entre a Europa e África”.


The life of the Nigerian musician and activist Fela Kuti inspired Serge Aimé Coulibaly to create a performance about Africa whose title consists in the name given by Fela Kuti himself to the house he lived in: Kalakuta Republik. The show premiered in 2017 and it was one of the major hits of the last Festival d’Avignon.

ESCOLA D. ANTÓNIO DA COSTA Palco Grande

SEX 06 22h00

 

06.07.2018 | por martalanca | KALAKUTA REPUBLIK

Call for Plays | Migrations: Harbour Europe

LegalAliens Theatre in collaboration with Migrant Dramaturgies Network is looking for plays by EU-based playwrights on the theme of Migrations: Harbour Europe. We are encouraging submissions that address and reflect on the broad topic of migration and Europe. While we acknowledge the importance of documentary/ verbatim plays that deal directly with migratory identities and experiences, this CfP wishes to attract original, bold and imaginative scripts which fully embrace theatricality and offers creative/ aesthetic alternatives for (re)imagining migrancy in Europe today.
We welcome plays that challenge stereotypes, clichés and dominant narratives of migration. The call is intentionally broad and can be approached literally, metaphorically or abstractly. This is to allow writers to interpret the theme widely. Yet, playwrights might wish to reflect on some relevant questions, such as: How recent geopolitical and economic events affected people’s perception of Europe? What is the relationship between those who arrive and those who reside, i.e. migrants and host communities? Who is the other and what it means to be a foreigner? How is ‘Fortress Europe’ seen from the outside? What is home?
We particularly encourage submissions from strong female voices and playwrights who identify as migrants or of migrant descent (including those born in an EU country but living in another or born outside the EU but currently living/working in Europe).
Submission requirements:

  • Written in a European language (including English)
  • Please include a one-page synopsis in English. If an English translation exists, it can also be attached, with the understanding that LegalAliens is likely to create a new translation
  • Plays already performed in their original language are welcome, provided they’ve never been presented in the UK
  • Between 60-80 minutes in length
  • 1-5 actors (multi-roling accepted)
  • Submitted in .doc or .pdf format

Further details
Submissions will be read by a panel composed of theatre-makers (directors, actors, dramaturgs), translators, academics and theatre critics. Up to three plays will be selected and translated into English. After selection (and translation), plays will be given a week of R&D with our team in London and presented as staged readings at the Tristan Bates Theatre in Central London. Staged readings will be followed by public debates led by international theatre scholars. We hope to identify at least one play to take forward into full production, directed by Becka McFadden.
Timeline
Deadline: 15th October 2018
Shortlist announced by 10th December 2018
R&D: February 2019
Staged Readings: February-March 2019 (dates TBC)
Full production: June 2019 (dates TBC)
Please send your play together with a one-page synopsis in English to both: info@legalaliens.org and info@newtidesplatform.org
Project Partners
LegalAliens has been promoting European playwrights in the UK since 2010. Our original approach to translation based on the physicalisation of language and direct, rehearsal-based collaboration between translators, cast and creative team. We consider ourselves as migrants in the UK, and believe in inclusion, always trying to cast international and ethnically diverse actors. Our original, visual, interdisciplinary approach and style has been praised by critics in the UK and abroad. To learn more about our work, please visit www.legalalienstheatre.com

Migrant Dramaturgies Network is an international research network developed in partnership with New Tides Platform (UK) and the Centre for Theatre Research at the University of Lisbon, Portugal. It is a platform for exchange and knowledge sharing between academics, theatre-makers and organisations involved in migrant theatre on various levels of artistic and cultural creation and development. We aim to explore emerging dramaturgies of theatrical responses to migration in light of recent migration and shifts in global politics and economics. We wish to map new theatrical forms of migrant representation and identify their impacts on national theatre cultures in shaping the perception of non-European migrants and migrant cultures. Visit our microblog at: www.migrantdramaturgies.tumblr.com

05.07.2018 | por martalanca | Migrant Dramaturgies Network

debate sobre '46750', de João Pina

João Pina trabalhou no Rio de Janeiro durante uma década. As suas fotografias documentam uma cidade em transformação profunda, começando em 2007, quando o Brasil foi escolhido para organizar o Campeonato Mundial de Futebol de 2014, e até 2016, quando o Rio foi palco dos Jogos Olímpicos.
O livro é composto por 67 imagens que muitas vezes focam o lado invisível da «Cidade Maravilhosa»: João Pina foi às favelas fotografar traficantes, acompanhou operações da polícia visitou os estaleiros das imensas infra-estruturas construídas para os dois maiores eventos desportivos do mundo, esteve no centro das barricadas — físicas e simbólicas —, ouviu histórias de ambos os lados.
«46750» retrata uma cidade em mutação, mas que apesar disso não se livra da sua histórica violência, das clivagens sociais, do espírito de improvisação e de um quotidiano imprevisível.

28.06.2018 | por martalanca | fotografia, joão pina, Rio de Janeiro, violência