Alda e Maria: por aqui tudo bem, de Pocas Pascoal

Sessão do ciclo Ciências Sociais e Audiovisual: consequências da Guerra 24 de Janeiro, 18h Auditório Sedas Nunes (ICS-ULisboa) I Entrada Livre

A projecção da longa de ficção realizada por Pocas Pascoal, Alda e Maria: por aqui tudo bem é o mote para debater o cruzamento entre consequências da guerra civil de Angola (1976-2002), género e migração. Situado na década de 1980, o filme narra a história de duas irmãs adolescentes que rumam até Lisboa, na esperança de um futuro mais promissor.

A projecção é seguida de debate, entre a realizadora de origem Angolana e Marzia Grassi, investigadora em estudos africanos, género, migração. 

Alda e Maria: por aqui tudo bem foi produzido em 2011, Portugal, 94 min. Teve distribuição comercial em Portugal, circulou em vários festivais (Brasil, Alemanha, Burkina Faso, Suíça, França, Emirados Árabes Unidos), tendo sido premiado tanto no IndieLisboa em 2012, como a Melhor Longa Metragem Portuguesa de Ficção, como no Festival FIC Luanda em 2011 como a melhor Longa Metragem Angolana. Mais detalhes sobre o filme aqui.

Pocas Pascoal nasceu em Luanda em 1963, tendo migrado para Portugal (Lisboa) em 1983 e mais tarde França (Paris), onde estudou cinema. Memórias de Infância (2000), Há sempre alguém que te ama (2003), Amanhã será diferente (2009) são outros filmes que realizou. 

O ciclo Ciências Sociais e Audiovisual explora o valor analítico e metodológico das imagens em movimento para o trabalho desenvolvido por cientistas sociais. Mais informações sobre o ciclo aqui. Organização: Inês Ponte, Mariana Liz, Pedro Figueiredo Neto, Paulo Granjo; ICS-ULisboa: Rua Prof. Anibal Bettencourt 9, Lisboa. Metro: ENTRECAMPOS.

16.01.2019 | por martalanca | angola, cinema, Pocas Pascoal

IV Simposium Internacional EDiSo 2019 – “Vozes, silêncios e silenciamentos nos estudos do discurso”

Convidamos investigadores, doutorados, doutorandos, mestres, e outros profissionais e activistas,  a propor uma comunicação (máx 20 mins de apresentação) para dois painéis que estamos a organizar entre junho e julho de 2019.

A) Um primeiro painel sob o título”(Des)Encontros linguísticos: que invisibilidades e silenciamentos entre as populações negras na Europa?”

Este painel pretende estimular a discussão e reflexão sobre o papel dos investigadores em termos de trabalho conceptual e metodológico sobre diversidade linguística na Europa, com foco particular nas populações negras.

Aceitam-se propostas de comunicação  em português, inglês, cabo-verdiano, espanhol e galego, até ao final de janeiro de 2019, a submeter aqui e para Raquel_Matias@iscte-iul.pt

Este painel surge integrado no IV Simposium Internacional EDiSo 2019 – “Vozes, silêncios e silenciamentos nos estudos do discurso” que terá lugar em Vigo entre 5 e 7 junho 2019.

+ info sobre o Simpósio, e todos os 18 painéis previstos (o nosso é o painel n.º9, página 8):

https://www.edisoportal.org/attachments/article/1362/EDiSo_2019_Resumen_Sesiones.pdf

E aqui

B) Um segundo painel  sob o título “Decolonising knowledge: African and European linguistic (dis)encounters”

Este painel pretende estimular a discussão e reflexão sobre o trabalho histórico e atual de diversas disciplinas sobre diversidade linguística na Europa, com foco particular nas populações negras.

Aceitam-se propostas de comunicação em inglês ou português até 28 de fevereiro 2019, a submeter aqui.

Este é um painel integrado na 7ª Conferência Bianual da Rede Afroeuropeans: “In/Visibilidades Negras Contestadas”, que irá decorrer em Lisboa (ISCTE - IUL) entre 4 e 6 julho de 2019.

+info: onde poderão ainda consultar a informação sobre todos os 34 painéis que vão ter lugar neste conferência.

O nosso painel surge integrado na linha temática da conferência: “Decolonising Knowledge on Black Europe, African Diaspora and Africa.” 

 

 

Ana Raquel Matias Professora Auxiliar Convidada/Invited Assistant Professor, Investigadora de pós-doutoramento/Postdoctoral research fellow at CIES-ISCTE-IUL (em português) 

16.01.2019 | por martalanca | simpósio

Colonial and postcolonial landscapes

The infrastructure of the colonial territories obeyed the logic of economic exploitation, territorial domain and commercial dynamics among others that left deep marks in the constructed landscape. The rationales applied to the decisions behind the construction of infrastructures varied according to the historical period, the political model of colonial administration and the international conjuncture.​

This congress seeks to bring to the knowledge of the scientific community the dynamics of occupation of colonial territory, especially those involving agents related to architecture and urbanism and its repercussions in the same territories as independent countries.

It is hoped to address issues such as how colonial infrastructure has conditioned the current development models of the new countries or what options taken by colonial administrations have been abandoned or otherwise strengthened after independence.​

The congress is part of the ongoing research project entitled “Coast to Coast - Late Portuguese Infrastructural Development in Continental Africa (Angola and Mozambique): Critical and Historical Analysis and Postcolonial Assessment” funded by ‘Fundação para a Ciência e Tecnologia’ (FCT - Foundation for Science and Technology), which has as partner the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG).​

The aim of this congress is to extend the debate on the repercussions of the decisions taken by the colonial states in the area of ​​territorial infrastructures - in particular through the disciplines of architecture and urbanism - in post-independence development models and the formation of new countries with colonial past.

see programme 

11.01.2019 | por martalanca | Africa, arquitectura, colononial, pós colonial, seminário

SEMINÁRIO: descolonizar os museus: isto na prática…?

Descolonizar os museus: isto na prática…?

As políticas do Tropenmuseum (Amsterdão) e uma reflexão sobre o caso português
com Wayne Modest e especialistas portugueses
22 Mar, Sexta, 10h-13h e 14h30-16h30

organização: Acesso Cultura 
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (Auditório A. Sedas Nunes) 

TropenmuseumTropenmuseumA proposta da criação do Museu das Descobertas pela Câmara Municipal de Lisboa trouxe também a Portugal o debate sobre a descolonização dos museus, que tem estado na ordem do dia em vários países do mundo, muito especialmente em países que no passado tiveram colónias e/ou com uma forte ligação à escravatura. O debate em Portugal foi aceso, o que pode ser considerado um bom sinal. Raramente os museus e o seu papel na sociedade são discutidos publicamente e de forma tão intensa. Entretanto, em Novembro 2018, com o relatório Sarr-Savoy encomendado o Presidente francês Emmanuel Macron, a questão da restituição de objectos, ilegalmente retirados dos seus territórios de origem durante o período colonial, trouxe mais pressão sobre os museus em relação às suas práticas.

A Acesso Cultura gostaria de dar seguimento à reflexão que se iniciou no ano passado. Para isso, convidámos Wayne Modest, sub-director do Tropenmuseum, uma referência, neste momento, no que diz respeito às práticas de descolonização. Entre outras coisas, queremos saber:

  • O que significa descolonizar um museu?
  • Qual o contexto e as razões porque o Tropenmuseum decidiu adoptar uma estratégia de descolonização?
  • Como foi construída esta estratégia? Quem esteve envolvido?
  • Como é que começou a ser posta em prática?
  • Quais os resultados até agora?
  • Quais as reacções da equipa do museu, dos profissionais em geral, dos visitantes do museu e da sociedade em geral?
  • Quais os pontos fortes e fracos desta prática até agora? O que é que o museu tem aprendido?

À apresentação de Wayne Modest seguir-se-á um debate com especialistas portugueses de várias áreas relacionadas com esta temática:

  • António Pinto Ribeiro (a confirmar)
  • Catarina Simão
  • Isabel Raposo Magalhães
  • Joacine Katar Moreira
  • Judite Primo
  • Luís Raposo
  • Mamadou Ba
  • Paulo Costa

Haverá tradução simultânea português – inglês.

Ficha de inscrição
PREÇÁRIO
Normal: €15
Associados da Acesso Cultura: €10
Estudantes do Instituto de Ciências Sociais: €10

 

10.01.2019 | por martalanca | Descolonizar os museus, Tropenmuseum

"Sexual and Reproductive Rights: conflicting narratives and the future of Gender in Africa"

ECAS 2019, Panel Anth23 The panel is convened by Ricardo Falcão and Clara Carvalho.
“In Africa public discourses, by authority figures like politicians and religious leaders, concerning gender often refer to moral identities rooted in sociocultural beliefs and religion. At the same time, human rights concerning sexuality and reproduction, are sometimes frowned upon as tokens of westernisation. These regimes of representation and public performances invoking social norms and african identities, are political tools. And even if gender cannot be adopted uncritically in african contexts, without the risk of misrepresenting important social dynamics, such as seniority (Oyewumi), efforts to downplay its importance as a descriptive tool do more for conservative, nativist agendas, and power dynamics associated with violence and inequality, than for human rights, a language that is not the language most people use to describe their problems.However, activisms for sexual citizenship and gender often work precisely on discursive levels (but not only) to convey new languages to people in order for rights to be claimed. By creating new spaces for debate activisms help deconstruct normativity as the only narrative and generate new forms of social commentary oriented towards better informed decisions for individuals, even if in their lives structural constraints remain a reality. Technology also helps boost this approach by expanding outreach, registering, giving more visibility.In this panel we welcome scholars to rethink gender as an analytical tool from a decolonial, decentered, pluralist, critical perspective by taking into account current activisms in gender in areas such as GBV, sexual violence, FGM/C, education, alongside discourses opposing social change and invoking social norms.

more info

image taken from here 

07.01.2019 | por martalanca | Africa, gender

Posso saltar do meio da escuridão e morder

foto de Sofia Berberanfoto de Sofia BerberanO Teatro GRIOT, que este ano completa 10 anos, a convite do Teatro dos Aloés apresenta o espectáculo Posso saltar do meio da escuridão e morder, com encenação de Rogério de Carvalho, nos Recreios da Amadora, entre 25 e 27 de Janeiro. O espectáculo estreou em Cabo-Verde a 4 de Novembro de 2018, integrando a programação do Festival Mindelact, e em Dezembro esteve em cena no Teatro do Bairro, em Lisboa. 

Posso saltar do meio da escuridão e morder

O que vive abaixo da superfície da sujeição? A ausência de liberdade pode fazer morrer uma alma? A insubmissão surge como a única possibilidade de sobrevivência para uma mulher, que se descobre mulher e negra no contexto dos lugares estanques da escravatura. O percurso do espectáculo é afinal uma provação como via para a consciência. Entre o imaginário, o simbólico e o real, Daniel, Gio e Zia avançam em direcção à lucidez - na 1ª pessoa, na 3ª pessoa, por vezes em ambas - à própria palavra que gera uma voz e um corpo mineral, vegetal, animal. Rogério de Carvalho, encenadorA Coisa impossível - traumática provém do Espaço Interior. Inicialmente tudo o que vemos é o Vazio - o Céu escuro, infinito, o abismo sinistramente silencioso do Universo, com estrelas cintilantes dispersas, que são menos objectos materiais do que pontos abstractos; depois, de súbito, ouvimos um som por detrás de nós, do nosso fundo mais íntimo, a que vem juntar-se o objecto visual, a origem desse som - a gigantesca versão dos barcos que transportam escravizados. O objecto - Coisa é assim transmitido como parte de nós mesmos que expelimos para a realidade… Também buscamos. Esta intrusão da Coisa parece trazer o alívio, suprimindo o horror de contemplar o vazio infinito do Universo.É a materialização das fantasias traumáticas mais íntimas; isso explica o enigma das estranhas lacunas da sua memória. O que ela escreve é a imagem fantasmática que tem dele. Faz parte do Espaço Interior (de si para si). Não são  invenção sua os factos e os sentimentos que narra? Existiram? É a Coisa? Não se trata de um Vazio? Não vemos as acções, apenas ouvimos. O processo da Escravatura/Coisa, o desenvolvimento da sua História é a sua concretização? No final regressa ao lugar de partida assumindo a consciência do que é ser negra. A posição trágica é que ela adquire consciência de toda a identidade substancial, de que não é nada em si mesma, dado que só se julga existir sonhando com o Outro. A imensidão está nela quer na voz quer na fala. 

Encenação Rogério de Carvalho Texto selecção e montagem colectiva Actores Daniel Martinho, Gio Lourenço, Zia Soares

Design de som Chullage

Design de luz Jorge Ribeiro

Voz e elocução Luís Madureira

Apoio ao movimento Cláudia Bonina

Espaço cénico e figurinos Teatro GRIOT Fotografia Sofia Berberan Produção Teatro GRIOT Duração aprox. 1h30  M/14

Recreios da Amadora - Avenida Santos Mattos, 2, 2700-748 Amadora25 a 27 de Janeirosex e sáb, 21h30; dom, 16hRESERVAS: 916648204 | teatrodosaloes@sapo.pt Bilhetes:10€, normal3€ a 5€, c/desconto

07.01.2019 | por martalanca | Posso saltar do meio da escuridão e morder, teatro griot

Call: "As Veias Abertas do Pós-Colonial: Afro-Descendências e Racismos"

Edson Chagas. Found Not Taken, Luanda. 2013. Zeitz Museum of Contemporary Art Africa. Courtesy the artist; APALAZZOGALLERY, Brescia; and Stevenson, Cape Town and Johannesburg Edson Chagas. Found Not Taken, Luanda. 2013. Zeitz Museum of Contemporary Art Africa. Courtesy the artist; APALAZZOGALLERY, Brescia; and Stevenson, Cape Town and Johannesburg Convite à participação com um artigo para o número 34 da revista Portuguese Literary & Cultural Studies (PLCS), UMass Dartmouth, subordinado ao tema da Afro-descendência, com o título As Veias Abertas do Pós-Colonial: Afro-Descendências e Racismos e organizado por Inocência Mata (Faculdade de Letras da ULisboa) e Iolanda Évora (CEsA/ISEG da Ulisboa).
A discussão sobre a Afro-descendência em Portugal tem tido desdobramentos muito produtivos nos últimos tempos, também devido à intensa interlocução com académicos e activistas de todo o mundo, com especial ênfase, no caso, com europeus e americanos (América do Norte e do Sul). É neste contexto que temos vindo a abordar esta questão, também através do projecto AFRO-PORT – Afro descendência em Portugal: sociabilidades, representações e dinâmicas sociopolíticas e culturais. Um estudo na Área Metropolitana de Lisboa (FCT, PTDC/SOC-ANT/30651/2017), em que se pretende um debate alargado sobre temas como a afro-descendência enquanto categoria associada à história colonial, os processos de (auto)identificação e de afirmação colectiva, assim como as principais dinâmicas do activismo, da participação cultural e de conquista de direitos.
Esta é a razão pela qual entendemos que a edição do número da revista PLCS, seria uma oportunidade para se discutirem algumas questões relacionadas com o tema da Afro-descendência, tal como propomos na Apresentação do CFP, já disponível no site da revista (vide links em português e em inglês).

 

 


 

04.01.2019 | por martalanca | afrodescendentes, debate, pós-colonialist

Epistemologias do Sul V

24 de junho a 2 de julho de 2019, Curia (Portugal)

UM ESPAÇO PARA CONHECER, EXPERIMENTAR, DISCUTIR E AMPLIAR AS EPISTEMOLOGIAS DO SUL

As Epistemologias do Sul são uma proposta epistemológica e política que denuncia a hegemonia do projeto moderno de matriz eurocêntrica e que aposta no alargamento das possibilidades de justiça social e justiça cognitiva, reconhecendo a impossibilidade de uma sem a outra. O Sul, neste contexto, não é um lugar geográfico, mas é, por um lado, uma metáfora do sofrimento injusto promovido pela opressão do colonialismo, do capitalismo e do heteropatriarcado e, por outro, um espaço plural de criatividade epistemológica intimamente ligada aos conhecimentos forjados nas resistências e nas lutas. O Sul assim pensado é heterogéneo e inclui espaços diversos, experiências variadas e uma infinidade saberes. As Epistemologias do Sul reconhecem essas diferenças e valorizam-nas, incentivando diálogos Sul-Sul, assim como diálogos Sul-Norte.

É urgente conhecer, valorizar e articular propostas epistemológicas, pedagógicas e metodológicas que promovam a luta contra o epistemicídio, isto é, a destruição de conhecimentos não validados ou feitos inexistentes pelos critérios do cânone científico moderno.

A Escola de Verão pretende contribuir para esse projeto. Funciona como lugar de encontro para a expansão da imaginação política e epistemológica, que não se basta na denúncia do pensamento hegemónico capitalista, colonialista e heteropatriarcal, procurando construir e pensar alternativas diversas, e em diferentes escalas, que através da tradução intercultural contribuam para a reinvenção das narrativas sobre o que vem a seguir. Articulando arte, ciência e os saberes das resistências e das lutas, o trabalho será coletivo e juntará investigadorxs do grupo das Epistemologias do Sul, poetas e músicxs, além de quarenta participantes provenientes de vários lugares do mundo e portadorxs de diferentes saberes.

À semelhança do que aconteceu nas edições anteriores, espera-se um grupo heterogéneo em termos de origem, idade, experiência de trabalho e de luta. Esta escola de verão será um espaço de troca e coaprendizagens para imaginar desenhar utopias a partir de experiências e saberes concretos.

São quatro as premissas em que assentam as Epistemologias do Sul:

1. a compreensão do mundo excede em muito a compreensão ocidental do mundo;

2. não faltam alternativas no mundo, o que falta é um pensamento alternativo de alternativas: muita da diversidade do mundo é desperdiçada, porque as teorias e conceitos desenvolvidos no Norte global e usados em todo o mundo académico não identificam grande parte dessa diversidade;

3. a diversidade do mundo é infinita e nenhuma teoria geral a pode captar;

4. a alternativa a uma teoria geral é construída em quatro passos: sociologia das ausências, sociologia das emergências, ecologia de saberes, tradução intercultural. 

 

A Escola de Verão é autofinanciada e não gera lucro. O valor da inscrição é usado para assegurar a cada participante alojamento em quarto partilhado no hotel das termas da Curia; pequenos-almoços, lanches, almoços e jantares durante todo o curso; materiais de leitura e outros materiais usados nas oficinas; transporte ida e volta Coimbra-Curia.  O dinheiro das inscrições permite, ainda, financiar 4 bolsas para participantes sem condição económica para comportar o preço da inscrição, um mecanismo de ação afirmativa; bem como o alojamento e os honorários dos/as coordenadores/as de oficinas convidadas/os. Cobre, ainda as despesas de alojamento e alimentação das/os organizadoras/os da escola e dos/as formadores/as do CES, que não recebem qualquer honorário.

A Curia, perto de Coimbra, com o parque natural como paisagem, é um cenário que permite nove dias simultaneamente intensos e tranquilos de aprendizagens e enriquecimentos mútuos. As termas tiveram o seu período áureo entre as décadas de 1920 e 1950, após esse período o turismo termal foi decaindo levando ao encerramento de serviços e à progressiva decadência de muitas das instalações existentes. A presença anual da Escola de Verão na Curia é também uma forma de contribuir para uma economia local frágil de que dependem muitas/os trabalhadores/as. O hotel onde a Escola de Verão ficará instalada acolhe muitos estudantes de hotelaria em formação e garante tranquilidade e preços que seriam impraticáveis num contexto urbano.   

 

 

 

03.01.2019 | por martalanca | Epistemologias do Sul

Lançamento Archiconto - Mattia Denisse, quinta 20 Dez, 19H

Vladimir Propp é o autor da Morfologia do conto. Estudou em pormenor centenas deles. Como qualquer descascador de nada cativado pelo seu ofício, Propp era obstinado. Depois de muito procurar encontrou finalmente a prova da existência do archi-conto, a mãe de todos os contos, o grau zero da narrativa, o big-bang.

Em 1960 os escritos de Propp foram reconhecidos por uma nova geração de pesquisadores e logo a seguir declarados obsoletos, alinhando com o destino trágico-cómico de todas as teorias. Para Mattia Denisse, descascador de nada intempestivo e por isso imune às peripécias da moda, o essencial não está na verdade da teoria mas na sua beleza. Apoderando-se da lista das funções evidenciadas por Propp na sua morfologia do conto, Mattia Denisse devolve os arquétipos desencarnados ao poder da imaginação.

ARCHICONTO foi realizado no estúdio Mike Goes West com o apoio de uma máquina offset Gestetner 211 emancipada dos seus encargos administrativos. 

Existem 38 exemplares numerados e assinados pelo autor, cada um contendo um dos 38 desenhos originais do livro. Os textos editoriais são de Arthur Dessine. O design é de Mattia Denisse e Mike Goes West, e a publicação é da Edições Tripé em parceria com o estúdio Mike Goes West. 

17.12.2018 | por martalanca | mattia denisse

Aman Iwan #03 - Les limites (in)visibles

APPEL A CONTRIBUTIONS !

La plateforme de recherche Aman Iwan lance son appel à contributions pour le prochain numéro de la revue Aman Iwan intitulé « Les limites (in)visibles » !

Pour rappel, Aman Iwan est une revue de critique sociale, politique et géographique. 
Elle s’intéresse aux problématiques liées aux rapports qui s’établissent entre des territoires et les populations qui les habitent. Elle soulève donc les enjeux rattachés à des contextes spécifiques à travers le monde en donnant une place centrale au terrain étudié.

Pour ce troisième numéro, « les limites (in)visibles » ont pour objectif de s’intéresser aux frontières, aux déplacements des corps, aux processus de gentrification, aux pratiques sensibles de l’espace, aux murs invisibles, aux savoir-faire en péril… La thématique semble vaste, prenez la liberté de vous en emparer.

Le format d’expression est libre (enquête, carnet de voyage, entretien, poésie, savoir-faire, fiction…) ainsi que le support permettant de l’expliciter (écriture, illustration, photographie, performance…). La première étape consiste à nous envoyer (en français, en anglais ou en espagnol) une intention de contribution de 500 mots maximum concernant le sujet qui vous intéresse, avant le 31 janvier 2019 à l’adresse mail suivante : collectif.amaniwan@gmail.com

La revue Aman Iwan est collaborative, par conséquent nous avons hâte d’élargir notre plateforme de recherche en vous lisant. A vos plumes, crayons, caméras, pinceaux !

***

CALL FOR CONTRIBUTIONS!

Aman Iwan # 03 - (In)Visible limits

The Aman Iwan research platform is launching its call for contributions for the next issue of the Aman Iwan magazine, entitled “(In)Visible limits”!

As a reminder, Aman Iwan is a magazine of social, political and geographical criticism. The publication focuses on issues related to the relationships that are established between territories and the populations that inhabit them. It raises context-specific stakes and challenges around the world by giving a central place to field research.

This third issue, entitled “(In)Visible limits”, aims to focus on borders, movements of bodies, processes of gentrification, sensible practices of space, invisible walls, know-hows in peril… The topic seems vast, so take the liberty to seize it.

The expression format is free (research entry, travel diary, interview, poetry, know-how, fiction…) as well as the medium (writing, illustration, photography, performance…). The first step is to send us (in French, English or Spanish) an intention of contribution of 500 words maximum concerning the subject that interests you, before January 31th, 2019 to the following email address: collectif.amaniwan@gmail.com

Aman Iwan magazine is collaborative, so we look forward to expanding our research platform by reading you. To your pens, pencils, cameras, brushes!

12.12.2018 | por martalanca | Aman Iwan

PODCAST: Afrotopia e Afrofuturismo: Impressões sobre o significado de arte afrodiaspórica

(5 Dez 2018) dia 10/12/2018 na Tigre de Papel no ciclo «“Para nós, por nós”: produção cultural africana e afrodiaspórica em debate» | Debate «Afrotopia e Afrofuturismo: Impressões sobre o significado de arte afrodiaspórica», com a participação de Ana Balona de Oliveira, Alexandre Francisco Diaphra, Yaw Tembe, José Lino Neves e Vanessa Fernandes e moderação de Raquel Lima | Org. ARTAFRICA (CEC-FLUL) / BUALA / PANTALASSA / APA. 6 de Dezembro de 2018.

ouvir aqui. 


12.12.2018 | por martalanca | afrofuturismo

Lançamento de "coisas de lá/aqui já está sumindo eu" (Ana Gandum e Daniela Rodrigues) + "Lampreia Alerta" (Ermelinda Freitas)

coisas de lá / aqui já está sumindo eu III é uma publicação de Ana Gandum e Daniela Rodrigues em colaboração com o Grupo de Pesquisa Tradução & Arquitetura da UFMG, que parte de duas investigações académicas distintas, com um universo de pesquisa comum: a circulação de coisas [objectos e fotografias] no contexto transnacional de migrações portuguesas para o Brasil. Explora o conceito de catálogo como elemento compósito, documental e classificatório das coisas em análise: objectos que circularam nas malas de portugueses em trânsito entre Portugal e o Brasil entre 2015 e 2017 / souvenirs fotográficos na trama de correspondência entre os dois países até inícios da década de 1970.  Depois de uma primeira e segunda versões, lançadas no Rio de Janeiro e em Lisboa, respectivamente, em 2016 e 2017, agora no Porto, a terceira e última versão de coisas de lá / aqui já está sumindoO projecto mantém o seu carácter revisitado, uma vez que a esta foram acrescentados novos textos, sendo algumas das fichas anteriores substituídas ou alteradas. 

******

Lampreia Alerta é um livro de contos da autoria de Ermelinda Freitas (n. Rio de Janeiro, 1978), com textos e desenhos baseados em notícias provenientes de várias media, mais ou menos recentes e insólitas, que envolvem animais ou falam da sua presença no espaço ocupado (também) pelos humanos. Inspirado no género fábula, Ermelinda traz-nos uma prosa diversa, concisa, leve e irónica, acompanhada de ilustrações fulgorosas.   


*******

 

O lançamento acontece no domingo, 16 de dezembro, às 15h30, na Rosa Imunda, Porto (Travessa do Ferraz, nº 13).

12.12.2018 | por martalanca | Ermelinda Freitas, livros, Rosa Imunda

VII APA Congress - Lisbon - 4-7 june 2019- Thinking anthropology and politics trough Islam

7th APA Congress. Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia | Lisbon, 4-7 june 2019

Envio de propostas de comunicação: até 7 de Janeiro de 2019, Call for paper proposals: until January 7, 2019 

P022: Islão, etnografia e pensamento crítico / Thinking anthropology and politics trough Islam

http://apa2019.apantropologia.org/p022/

Coordenadores/ Coordinators:

Maria CARDEIRA DA SILVA, CRIA/NOVA FCSH, m.cardeira@fcsh.unl.pt
Paulo HILU PINTO, Universidade Federal Fluminense (UFF) / NEOM, philu99@gmail.com

Resumo curto 

O Islão sempre foi um tópico desafiador para a Antropologia. Recentemente e de diferentes modos, o uso e abuso constante do Islão e dos muçulmanos nas retóricas políticas e culturalistas a várias escalas e em diferentes lugares levaram a alterações significativas no que respeita os tópicos de interesse no interior do sub-campo da Antropologia do Islão e do Médio Oriente e dos contextos de maioria e/ou minoria muçulmana, e trouxeram novos desafios à disciplina. Este painel convoca contributos que, através de de etnografias em contextos ou sobre tópicos islâmicos, identifiquem e coloquem questões relevantes para a arena teórica da Antropologia contemporânea e desafiem os binarismos que habitualmente constrangem os debates e torno do Islão e dos muçulmanos.

***

Islam was always a defying topic for Anthropology. In recent times, and in different ways, the pervasiveness of Islam and Muslims in politics and cultural talk at various scales and places inflected the traditional topics of interest within the sub-field of Anthropology of Islam and that of Muslim majority and minority contexts, and draw new challenges to the discipline. This panel invites papers that, through ethnographies on Islamic contexts and/or topics, identify and bring up relevant questions to the contemporary theoretical arena of Anthropology, while challenging the current binarisms that usually frame debates around Islam and Muslims.

See long abstract here.

12.12.2018 | por martalanca | APA, islão

23 anos B.leza!

B.leza Clube, em Lisboa, comemora o seu 23.º aniversário com uma festa especial na noite de 21 de Dezembrosexta-feira. Todos os artistas que já subiram ao palco do B.leza são convidados para uma super jam, ao longo de uma noite plena de convívio e dança.

Foi há 23 anos, no dia 21 de Dezembro de 1995, que o B.leza Clube (nome escolhido em homenagem ao poeta cabo-verdiano B.leza, nascido Francisco Xavier da Cruz), foi inaugurado. Na altura situado no Palácio Almada Carvalhais, o espaço tornou-se depressa a catedral da música africana em Lisboa, ou, como o Primeiro-Ministro António Costa lhe chamou, a 11ª ilha de Cabo Verde em Lisboa.

Hoje, localizado no Cais da Ribeira, num armazém com vista para o rio Tejo, o B.leza continua a ser uma casa de alma africana, onde a morna, o funaná e as coladeiras marcam os ritmos da vida. “Foram 23 anos de festa, alegria, muitos encontros e muita música”, conta Sofia Saudade e Silva, que, juntamente com a irmã, Madalena, detém o clube. “Foi a concretização de um sonho, que todos os dias cresce mais um bocadinho. E é isso que esperamos para o futuro, continuar a concretizar este projecto, que é acima de tudo uma história de amor. Aliás, não uma, mas várias. É a história de amor de duas filhas por um pai, de Portugal por África, mas fundamentalmente a história do amor que as pessoas têm para dar, da forma como a música e a dança nos podem unir.”

Uma união que marca a expectativa para a grande festa do 23.º aniversário. “Esperamos muita música, muita alegria, muitos encontros, sorrisos e abraços. As festas de aniversário são normalmente de grande alegria e partilha. É assim que esperamos que seja esta”, prometem a manas Saudade e Silva.

Ao som das músicas de Dany Silva, Ana Firmino, Calú Moreira, Gerson Marta, Miroca Paris, Maria Alice e muitos outros artistas, a próxima festa de aniversário do B.leza irá certamente trazer muitas memórias inesquecíveis. Faça parte desta história e venha festejar connosco 23 anos de vida.

23 anos B.leza!
Dia 21 de Dezembro, sexta-feira, abertura das portas às 22h30.
Entrada 10€ (inclui 5€ de consumo).

B.leza Clube
Cais da Ribeira Nova, Armazém B. (Cais do Sodré) 1200-109 Lisboa geral.bleza@gmail.com| 210106837| Quinta a sábado das 22h30 às 05h00 | Quartas das 22h00 às 02h00 | Domingo das 19h00 às 02h00 | Encerra à segunda e à terça (excepto vésperas de feriado).

Para mais informações ou entrevista com os artistas convidados – comunicacao.bleza@gmail.com    

12.12.2018 | por martalanca | B.Leza, lisboa, noite africana

"Aviário", exposição de Massalo Araújo

Love is all we have leftLove is all we have leftA exposição “Aviário” - segunda série em aguarela da trilogia artística “Aquário – Aviário – Bestiário” - inaugura a 9 de dezembro, inserida na quinta edição do evento “Mimos & Café”, bazar artístico e gastronómico. Em “Aviário”, o vencedor da menção honrosa do prémio Tokyo International Foto Awards 2018 (TIFA) pelo trabalho Black Wall (fotografia de nu artístico), apresenta uma colecção que percorre os sentimentos da conexão emocional, espiritual e sexual das relações humanas. Ao longo dos 34 quadros que compõem este trabalho, o artista explora “o amadurecimento de uma relação de longo-prazo, e a perda de liberdade que às vezes acompanha o crescimento da mesma”.

A série “Aquário – Aviário – Bestiário” foi inaugurada em 2017, tendo como tema principal a representação daquilo que cresce e morre dentro da vida de um casal.

not enough lightnot enough lightSong for LeonardSong for Leonard

A espaço-academia que recebe a exposição, contará ainda com a primeira exibição de Songs for Leonard, a interpretação em aguarela e tinta-da-china de Massalo Araújo sobre diferentes canções do cantor e compositor canadiano Leonard Cohen; e ainda algumas das pinturas da série inaugural, “Aquário”.

“Mimos & Café”, Rua Comandante Kwenha, nº 287, no Maculusso, a partir das 10 horas.

 

06.12.2018 | por martalanca | Massalo Araújo

"Djon África" de Filipa Reis e João Miller Guerra.

O filme acompanha a história de Miguel Moreira, Tibars, filho de cabo-verdianos que nasceu e cresceu na periferia de Lisboa e que toda a vida foi criado pela avó. Tibars, também conhecido como John África, viaja até Cabo Verde para conhecer as suas raízes e encontrar o pai que nunca conheceu. Miguel Moreira, “Djon África”, também participou em “Li Ké Terra” (2010) e “Fora de Vida” (2015), consolidando a estreita colaboração com os realizadores através desta viagem e encontro entre Portugal e Cabo Verde. O filme vai estrear no próximo dia 29 de Novembro de 2018 e terá a sua exibição comercial em diversas salas do país:

Lisboa: Cinema IDEAL e Cinema Medeia Saldanha Monumental Porto: Cinema Trindade Coimbra: Alma Shopping Amadora: Cinema City Alegro Alfragide Leiria: Cinemacity Leiria Setúbal: Cinema City Setúbal

Sinopse

Miguel Moreira, também conhecido como Tibars, também conhecido como Djon África, acaba de descobrir que a genética é madrasta e que a sua fisionomia — bem como alguns traços fortes da sua personalidade — o de- nunciam, ao primeiro olhar, como filho do seu pai, alguém que nunca conheceu.

Essa descoberta intrigante leva-o a tentar saber quem é esse homem. Dele sabe apenas aquilo que lhe conta a sua avó, com quem vive desde sempre.
A curiosidade galopante faz com que decida ir à sua procura. Seguindo o percurso de John Tibars ao encontro do seu pai iremos também ao encontro desse território do sonho que assombra as memórias, os desejos ou as mi- tologias de uma boa parte daqueles que man- têm as suas raízes culturais e a génese da sua identidade no continente africano. Tibars vive duas identidades em conflito e ao mesmo tempo em harmonia. O que é viver num gueto em Portugal e ser africano sem o ser? Esta ambivalência encontra a projecção de toda uma vida nesta aventura. África surge aqui com toda a carga que tem na imaginação, na projecção não só do lugar, como da sua es- sência, da sua pertença.

SYNOPSIS

Miguel Moreira, also known as Tibars, also known as Djon África, learns that genetics can be cruel when his physiognomy — as well as some of his strong personality traits — denounce him, straightaway, as his fa- ther’s son; someone he has never known. This intriguing discovery leads him to try to find out who this man is. All he knows about him is what his grandmother, with whom he has always lived, has told him.

A raving curiosity makes him decide to
go look for him. Following the journey of John Tibars to meet his father we will also encounter the territory of the dream that haunts memories, desires or mythologies of a good part of those who maintain their cul- tural roots and the genesis of their identity in the African continent. Tibars lives two identi- ties in conflict and at the same time in har- mony. What’s living in a ghetto in Portugal and being an African without being it? This ambivalence finds a projection of a lifetime in this adventure. Africa appears here with a whole load of imagination, in the projection not only of the place, but also of its essence, of its belonging.

28.11.2018 | por martalanca | Djon África

Posso saltar do meio da escuridão e morder

O que vive abaixo da superfície da sujeição? A ausência de liberdade pode fazer morrer uma alma? A insubmissão surge como a única possibilidade de sobrevivência para uma mulher, que se descobre mulher e negra no contexto dos lugares estanques da escravatura. O percurso do espectáculo é afinal uma provação como via para a consciência. Entre o imaginário, o simbólico e o real, Daniel, Gio e Zia avançam em direcção à lucidez - na 1ª pessoa, na 3ª pessoa, por vezes em ambas - à própria palavra que gera uma voz e um corpo mineral, vegetal, animal.
Rogério de Carvalho, encenador

A Coisa impossível - traumática provém do Espaço Interior. Inicialmente tudo o que vemos é o Vazio - o Céu escuro, infinito, o abismo sinistramente silencioso do Universo, com estrelas cintilantes dispersas, que são menos objectos materiais do que pontos abstractos; depois, de súbito, ouvimos um som por detrás de nós, do nosso fundo mais íntimo, a que vem juntar-se o objecto visual, a origem desse som - a gigantesca versão dos barcos que transportam escravizados. O objecto - Coisa é assim transmitido como parte de nós mesmos que expelimos para a realidade… Também buscamos. Esta intrusão da Coisa parece trazer o alívio, suprimindo o horror de contemplar o vazio infinito do Universo.

Encenação Rogério de Carvalho Texto selecção e montagem colectiva Actores Daniel Martinho, Gio Lourenço, Zia Soares

Design de som Chullage

Design de luz Jorge Ribeiro

Apoio ao movimento Cláudia Bonina

Espaço cénico e figurinos Teatro GRIOT Fotografia Sofia Berberan Produção Teatro GRIOT

Duração aprox. 1h30  M/14

27.11.2018 | por martalanca | Rogério de Carvalho, teatro griot

Não Ceder Ao Medo

Mostra retrata a violência do ponto de vista de estudantes e professores, no CMAHO

O Centro Cultural Municipal de Arte Hélio Oiticica apresenta do dia 1º de dezembro de 2018 a 28 de janeiro de 2019 a exposição Não Ceder Ao Medo, o mais recente trabalho da artista Elisa Castro. Serão expostas quarenta bandeiras brancas bordadas por estudantes que retratam as suas experiências com a violência diária. 

Para esta exposição,  a artista que também é professora, escutou e coletou histórias sobre medos de crianças e professores de uma comunidade violenta em Niterói, ao longo do ano de 2017. Elisa criou dispositivos para  envolver toda a escola e seu entorno, mobilizando o espaço público através de uma urna com a qual coletava medos escritos e com uma grande faixa na entrada da escola. Abrindo lugar para que alunos pudessem verbalizar seus temores mais particulares no espaço escolar, transformando esse material em bandeiras a partir do desenho e do bordado.

Não Ceder Ao Medo tem como questão central a problemática da conexão com o outro nos espaços de violência social, propondo a análise e o diálogo entre arte e educação, como possibilidades de pensar a história, a sociedade, a política e as relações entre sujeito e espaço. A mostra é fruto de um intenso processo de escuta, como é particular em sua obra.

“A mostra é fruto de intervenções artísticas realizadas durante um ano em uma escola pública localizada em uma comunidade violenta em Niterói, na qual frequentemente estudantes sofrem com intervenções policiais justificadas pelo poder público como “combate” à venda e ao tráfico de drogas. Para iniciar o projeto instalei  uma grande faixa com a frase “Não Ceder Ao Medo”na entrada da escola e  uma urna para que crianças e professores pudessem depositar seus medos. Desta forma, desenvolvi um projeto de escuta, no qual os alunos tinham espaço para falar sobre sua experiência com a violência. Durante as aulas, enquanto se escutavam, cada estudante representava seu medo,  através  de  desenhos bordados sobre tecido. A proposta dessa  exposição é que, como uma criança, pulemos o muro do medo que silencia a violência e produz a inércia. Para “Não Ceder ao Medo” devemos levantar nossa bandeira e mostrar nela o que é mais íntimo em nós, avançando sem temer o porvir”, afirma Elisa Castro.

Elisa Castro é artista, tem como eixo de principal de seu trabalho a escuta como possibilidade poética e prática artística.Desde 2007, participa de exposições nacionais e internacionais, entre elas estão: a 17 Bienal de Cerveira(Portugal), IV Bienal Internacional da Bolívia (La Paz), 7 Bienal deArte do Mercosul: Grito e Escuta (Porto Alegre-BR). Suas obras estão nas coleções permanentes do Museu de Arte do Rio (MAR), Museu de ArteModerna (MAM-RJ) e Fundação Bienal de Cerveira.

Serviço: Exposição Não Ceder Ao Medo

Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica – Galerias 1 e 2

Rua Luís de Camões, 68 – Centro – Rio de Janeiro, RJ Cep: 20060-040

Telefone: +55 21 2242 1012

Abertura: 1º de dezembro de 2018, a partir das 14h.

Visitação: de 1º de dezembro a 28 de janeiro de 2019

Funcionamento: de segunda a sábado, das 12h às 18h. Fechado aos domingos e feriados

Email: cmaho.cultura@gmail.com

Facebook: facebook.com/cma.heliooiticica

Instagram: instagram.com/cma.heliooiticica

 

27.11.2018 | por martalanca | Brasil, Medo, secundaristas

Contar Áfricas!

Exposição partilhada e plural, de 25 de Novembro até 21 de Abril no Padrão dos Descobrimentos. 

fotografia de Luís Pavãofotografia de Luís Pavão
Contar Áfricas! tem a coordenação de António Camões Gouveia e resultada vontade de conhecer uma África múltipla e diversa, as muitas Áfricas que compõem África, os “seus poderes, organizações sociais e culturais, sublinhando as diferenças e a originalidade de um tão vasto território”
A forma de Contar Áfricas! nesta exposição é partilhada. Partilhada porque as peças apresentadas foram escolhidas por dezenas de investigadores das mais variadas áreas e relações com África. Contar Áfricas! é, assim, uma exposição construída por diversas mãos. Todos os detalhes sobre esta nova exposição aqui.
Entretanto e como sempre, do Miradouro vemos Lisboa e no documentário A construção de um símbolo ficamos a saber mais sobre o monumento que marca o perfil da frente ribeirinha de Lisboa.
Para saber tudo o que se passa acompanhe no facebook ou no site do Padrão dos Descobrimentos. 

 

22.11.2018 | por martalanca | Contar Áfricas!, EGEAC, Padrão dos Descobrimentos

Palestra de Françoise Vergès“L’Atelier e outras práticas artísticas decoloniais. Fomentando o anti-capitalismo e o anti-racismo político”

18h30, 27 de novembro, 2018

Hangar – Centro de Investigação Artística, Lisboa
Françoise Vergès examinará algumas das práticas culturais e artísticas que tem desenvolvido nos últimos quinze anos: o museu sem objectos, “Banana and Imperialism: A Travel Across Time and Space”, “The Slave in the Louvre: An Invisible Humanity”, e L’Atelier, um workshop colectivo e colaborativo com artistas negros em Paris.
Françoise Vergès é uma académica feminista e anti-racista, que tem escrito profusamente sobre Frantz Fanon, Aimé Césaire, memórias da escravatura, o museu decolonial e feminismo. No seu livro mais recente, “The Black Women’s Womb. Capitalism, Race, Feminism” (2017), explora a política racial do controle da natalidade desde o tráfico de escravos até aos dias de hoje, e critica o feminismo branco e burguês.Vergès passou a sua infância na Reunião, e viveu na Argélia, em França, no México, em Inglaterra e nos Estados Unidos. Depois de ter trabalhado como jornalista e editora no movimento feminista francês, mudou-se para os Estados Unidos em 1983, onde trabalhou antes de se inscrever na universidade. Licenciou-se summa cum laude em Ciência Política e Estudos de Género em San Diego, e doutorou-se em Ciência Política em Berkeley, Califórnia (1995). A sua tese “Monsters and Revolutionaries. Colonial Family Romance”, com que obteve o prémio de melhor tese em teoria política, foi publicada pela Duke University Press (1999). Leccionou na Universidade de Sussex e no Goldsmiths College em Inglaterra. Tornou-se membro do Comité pour la mémoire et l’histoire de l’esclavage (Comité para a memória e a história da escravatura) em 2004 (Taubira Act de 2001), e foi sua presidente entre 2009 e 2012. Entre 2003 e 2010, desenvolveu o programa científico e cultural para um museu para o século XXI na Ilha da Reunião. É igualmente membro de várias instituições que trabalham para a prevenção da discriminação e do racismo; pertence à direcção da Galerie Bétonsalon e ao conselho científico da Fondation Lilian Thuram – Éducation contre le racisme. Vergès foi também directora do Programa Global South(s) no Collège d’Études Mondiales de 2014 a 2018. 
As suas publicações incluem: “Décolonisons les Arts!”, L’Arche, Paris, 2018, com Leïla Cukeirman e Gerty Dambury; “Le ventre des femmes. Capitalisme, racialisation, féminisme”, Albin Michel, Paris, 2017; “Exposer l’esclavage: méthodologies et pratiques. Colloque international en hommage à Édouard Glissant”, Africultures, Paris, 2013; “L’Homme prédateur. Ce que nous enseigne l’esclavage sur notre temps”, Albin Michel, Paris, 2011; “Ruptures postcoloniales: Les nouveaux visages de la société française”, com Nicolas Bancel, Florence Bernault, Pascal Blanchard, Ahmed Boubakeur e Achille Mbembe, La Découverte, Paris, 2010. 
Organização: Ana Balona de Oliveira (CEC-FLUL & IHA-FCSH-NOVA).Evento integrado no ciclo de conversas e palestras ‘Pensando a Partir do Sul: Comparando Histórias Pós-Coloniais e Identidades Diaspóricas através de Práticas e Espaços Artísticos’.
Apoio: Centro de Estudos Comparatistas, Universidade de Lisboa; Instituto de História de Arte, Universidade Nova de Lisboa; Fundação para a Ciência e a Tecnologia; Direcção Geral das Artes.

fotografia de Cyrille Choupas. Cortesia Françoise Vergès.fotografia de Cyrille Choupas. Cortesia Françoise Vergès.

Lecture by Françoise Vergès “L’Atelier and other artistic decolonial practices. Fostering anti-capitalism and political anti-racism”

6.30 pm, 27 November 2018 Hangar – Artistic Research Centre, Lisbon.
Françoise Vergès will discuss some of the cultural and artistic practices she has been developing in the last fifteen years: the museum without objects, “Banana and Imperialism: A Travel Across Time and Space”, “The Slave in the Louvre: An Invisible Humanity”, and L’Atelier, a collective and collaborative workshop with black artists in Paris.
Françoise Vergès is an anti-racist feminist scholar who has written extensively on Frantz Fanon, Aimé Césaire, memories of slavery, the decolonial museum, and feminism. In her most recent book, “The Black Women’s Womb. Capitalism, Race, Feminism” (2017), she explores the racial politics of birth control from the slave trade to today, and criticizes white bourgeois feminism.Vergès spent her childhood in La Réunion, and has lived in Algeria, France, Mexico, England and the United States. After having worked as a journalist and editor in the women’s liberation movement in France, she moved to the United States in 1983, where she worked before enrolling in university. She obtained a dual Bachelor’s degree summa cum laude in Political Science and Women’s Studies in San Diego, then a Doctorate in Political Science at Berkeley, California (1995). Her thesis “Monsters and Revolutionaries. Colonial Family Romance”, for which she obtained the award for the best thesis in political theory, was published by Duke University Press (1999). She has taught at Sussex University and Goldsmiths College in England. She became a member of the Comité pour la mémoire et l’histoire de l’esclavage (Committee for the remembrance and history of slavery) in 2004 (Taubira Act of 2001), and was its president from 2009 to 2012. Between 2003 and 2010, she developed the scientific and cultural programme for a museum for the 21st century on the island of La Réunion. She is also a member of several institutions working to prevent discrimination and racism; she sits on the board of the Galerie Bétonsalon and on the scientific council of the Fondation Lilian Thuram – Éducation contre le racisme. Vergès was also chairholder of the Global South(s) Chair at the Collège d’Études Mondiales from 2014 to 2018. 
Her publications include: “Décolonisons les Arts!”, L’Arche, Paris, 2018, with Leïla Cukeirman and Gerty Dambury; “Le ventre des femmes. Capitalisme, racialisation, féminisme”, Albin Michel, Paris, 2017; “Exposer l’esclavage: méthodologies et pratiques. Colloque international en hommage à Édouard Glissant”, Africultures, Paris, 2013; “L’Homme prédateur. Ce que nous enseigne l’esclavage sur notre temps”, Albin Michel, Paris, 2011; “Ruptures postcoloniales: Les nouveaux visages de la société française”, with Nicolas Bancel, Florence Bernault, Pascal Blanchard, Ahmed Boubakeur and Achille Mbembe, La Découverte, Paris, 2010. 
Organisation: Ana Balona de Oliveira (CEC-FLUL & IHA-FCSH-NOVA).Part of the talk and lecture series ‘Thinking from the South: Comparing Post-Colonial Histories and Diasporic Identities through Artistic Practices and Spaces’.
Support: Centre for Comparative Studies, University of Lisbon; Institute for Art History, New University of Lisbon; Foundation for Science and Technology; Direcção Geral das Artes.Photo: © Cyrille Choupas. Courtesy Françoise Vergès.

20.11.2018 | por martalanca | decolonial, escravatura, Françoise Vergès, pós-colonial