Não a um museu contra nós!

Não a um museu contra nós! A ausência das nossas perspetivas nas instituições nacionais e nas discussões públicas está naturalizada e normalizada, rasurando-nos enquanto sujeitos históricos e enquanto contribuidores por excelência para a edificação da sociedade portuguesa nas suas diferentes vertentes. Excluídos do corpo nacional, assistimos a uma disputa pela memória que reforça a glorificação da ideologia colonial e reifica o lusotropicalismo, que continua bem presente, apesar da derrota política do fascismo e do advento da democracia, com a “revolução dos cravos” de 1974.

Mukanda

27.06.2018 | por vários

Declaração de guerra 1

Declaração de guerra 1 A um, que estava muito ferido, eu disse: “A tropa não te pode fazer nada, o que queres antes de morrer?” Ele pediu água, eu disse ao soldado para ir buscar água mas fiz-lhe um sinal para não ir, não seria necessário. Peguei na espingarda-metralhadora FBP, que não era fiável, fiz um disparo para o matar, mas saiu ao lado. Disse ao soldado: “Ó 235, mata o indivíduo”. O soldado encostou-lhe a Mauser à testa e matou-o. A partir daqui, fiquei a pensar que não o devia ter feito, mas por outro lado o indivíduo não se podia safar, morreria à mesma…

Mukanda

24.06.2018 | por Vasco Luís Curado

Rama em Flor 2018 - festival comunitário, feminista, queer

Rama em Flor 2018 - festival comunitário, feminista, queer Este festival de cariz comunitário, feminista e queer procura a criação de uma esfera de ideias e relações entre os vários intervenientes no festival com efeito directo na comunidade local de Lisboa, através da discussão de temáticas de cariz social de inclusão, acesso, representação, expressão ou identidade.

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23.06.2018 | por vários

Uma conversa entre a “arte engajada" e a "arte arquivista": ocupando as categorias para abrir os seus sentidos

Uma conversa entre a “arte engajada" e a "arte arquivista": ocupando as categorias para abrir os seus sentidos Ao ocupar qualquer espaço como modo de liberação de um território, é imediatamente tão fundamental quanto, ocupar os arquivos e memórias nele presentes para liberá-las também do discurso único – será esse o papel do artista arquivista? Nesse sentido, assim como, ao ocupar um espaço, o “espaço que é o mesmo já é outro”, ao ocupar um arquivo, o “arquivo que é o mesmo torna-se outro”. Ocupar é também inventar, produzir uma camada que se soma ao dispositivo, seja ele arquivístico ou espacial, criando uma heterotopia a partir dele e então nenhum espaço ou arquivo jamais serão os mesmos.

Cara a cara

22.06.2018 | por Ana Pato e Joana Zatz Mussi

In/Visibilidades Negras Contestadas- 7ª Conferência Bianual da Rede Afroeuropeans

In/Visibilidades Negras Contestadas- 7ª Conferência Bianual da Rede Afroeuropeans A conferência relaciona-se principalmente com as contestações e resistências contínuas que têm sustentado estas in/visibilidades. Focamos o nosso olhar nas histórias e culturas desconsideradas, e investigamos sobre formas passadas, novas e contínuas de resistência e intervenção afro-europeia, nos âmbitos político, social, cultural e artístico. Isto implica ter em consideração os diferentes posicionamentos no interior da Negritude Europeia.

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20.06.2018 | por vários

Lisboa e a Memória do Império Património, Museus e Espaço Público

Lisboa e a Memória do Império  Património, Museus e Espaço Público analisar várias instâncias pelas quais são construídas e reproduzidas “imagens” de memória associadas à história imperial de Portugal, entendida este enquanto eixo articulador fundamental da identidade nacional portuguesa. O foco está, portanto, dirigido a uma “memória-imagem”, ou a uma memória-representação, chancelada pelo Estado, pelas corporações e pelas instituições de cultura pública,

Cidade

20.06.2018 | por Elsa Peralta

Memórias do colonialismo português encenadas por Hotel Europa

Memórias do colonialismo português encenadas por Hotel Europa Fortemente política, em confronto aberto com a dimensão onírica da nacionalidade portuguesa, a trilogia nasce das perplexidades pessoais do autor e da vontade de contextualizar a história dos seus pais, que viveram em Moçambique colonial. A dimensão individual desta criação extravasa largamente o espaço íntimo e familiar para assumir o palco de um espaço público que o autor quer confrontar e com o qual quer refletir.

Palcos

16.06.2018 | por Hélia Santos

Lucrecia Martel, queres viver?

Lucrecia Martel, queres viver? O espírito do mundo sai-lhe pelos olhos. Lucrecia volta a emprestar o corpo ao mundo – desta vez radicalmente - e transforma-o em cinema. Em Zama, voltamos a encontrar-nos com uma coreografia de corpos e animais, de crianças e adultos, de oprimidos e opressores, de torrentes de água e de naturezas asfixiantes, onde a beleza é o lugar onde repousam os segredos, como atrás dos habituais longos e brilhantes cabelos, que sussurram desejos e histórias perdidas.

Afroscreen

12.06.2018 | por Cláudia Varejão

“A ‘teoria’ não são só palavras numa página, mas também coisas que se fazem”, entrevista com Nick Mirzoeff

“A ‘teoria’ não são só palavras numa página, mas também coisas que se fazem”, entrevista com Nick Mirzoeff Na Europa e nos Estados Unidos, existe também o regresso específico da forma e da nostalgia coloniais. Em Portugal, fiquei impressionado com a presença visível daquilo que ainda é referido como “exploradores” ou as “descobertas”, em vez de “colonizadores” e “encontro.” A representação de corpos africanos na arte e nos monumentos oficiais é muitas vezes estereotipada, quase degradante. Infelizmente, não vejo este caso como uma exceção, mas como um exemplo das novas divisões.

Cara a cara

11.06.2018 | por Inês Beleza Barreiros

Vidas que ficaram do outro lado

Vidas que ficaram do outro lado Os atos sexuais que geraram aqueles filhos são tendencialmente vistos como despojados de violência ou interesse; o tom de pele mais claro, denunciador de atos sexuais com o colonizador, foi motivo de ostracismo social e frequentemente familiar; do lado de cá, os pais tentam maioritariamente esquecer ou resistem aos contactos, ciosos dos impactos da descoberta na sua família.

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10.06.2018 | por Miguel Cardina

A ilha de Vénus

A ilha de Vénus O projeto “A Ilha de Vénus” além de ser um questionamento sobre a legitimação de uma história que exclui o “outro”, é também uma reflexão sobre uma das maiores tragédias da humanidade no presente, que começa na busca de um sonho que somente é realizado cruzando o Mediterrâneo. A realização deste sonho muitas vezes termina num pesadelo.

Mukanda

09.06.2018 | por Kiluanji Kia Henda

Nos bastidores do Museu

Nos bastidores do Museu O recém-modernizado Museu Centro-Africano em Tervuren não se desfaz do velho, nem clarifica a questão dos propósitos servidos hoje por um ‘museu africano’ na Europa. Ao invés, quem o visitar após a sua reabertura confrontar-se-á com a problemática relação entre passado e presente que Tervuren sempre encarnará — e com a presença insistente do fantasma do Rei Leopoldo.

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08.06.2018 | por Ana Naomi de Sousa

Rotas da Escravidão e psicanálise

Rotas da Escravidão e psicanálise Esse movimento de reparação abre vias de modificação de organizações sociais, ainda hoje sustentadas por esses mitos sobre o ser homem e do valor da exploração e submissão dos mais fracos e dos povos mais fracos, o que, evidentemente, é simbolizado na submissão ao Deus do Antigo Testamento: O elemento chave de justificação do tráfico de escravos e sua aceitação por quase toda boa sociedade europeia.

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02.06.2018 | por Miguel Sayad

De que "legados" falamos nós?

De que "legados" falamos nós? De que passado colonial ou imperial estamos nós a falar? O que sabemos sobre esse passado, longínquo ou bem recente? O que conhecemos, de facto, de aspectos tão fundamentais como a estrutura ocupacional ou de rendimentos, os padrões de consumo, os graus de literacia, as práticas culturais, as opções ideológicas, os níveis de formação e participação política, as políticas de cidadania ou da terra nas antigas sociedades coloniais, em espaços urbanos ou rurais e nos trânsitos entre estes? Mais: o que sabemos sobre a própria descolonização, processo mais amplo e complexo que a mera “transferência do poder”?

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02.06.2018 | por Miguel Bandeira Jerónimo

Poesia Épica. História Única. Dissonância.

Poesia Épica. História Única. Dissonância. Acredito que Portugal precisa de aprender a contar bem melhor as suas tantas histórias, e que essa é necessariamente uma injunção do presente. Um museu dedicado a uma “história única” contada na língua do eufemismo boicota esse esforço, que já vai atrasado. O que nos vale é que seja um atraso necessariamente recuperável: é sempre possível ser mais livre.

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01.06.2018 | por Pedro Schacht Pereira

Martírio, de Vincent Carelli, no cinema Ideal

Martírio, de Vincent Carelli, no cinema Ideal O filme Martírio é talvez um dos mais importantes e perturbantes documentos da atualidade brasileira e do etnocídio indígena em curso, perpetuado pelo governo brasileiro. Vincent Carelli, em colaboração com Ernesto de Carvalho e Tatiana Soares de Almeida, recolhe imagens históricas da resistência guarani Kaiowá ao conflito com as instituições governamentais.

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26.05.2018 | por Rita Natálio e vários

As paixões exóticas da aristocracia portuguesa e os marchands d’art em 2018

As paixões exóticas da aristocracia portuguesa e os marchands d’art em 2018 Numa altura em que o discurso pós-colonial começa a complexificar-se, pela luta conjunta de pessoas e iniciativas em várias áreas, a visão ignorante e eurocêntrica que atravessa este festival não devia passar incólume. Apelo a que se celebre África, no dia 25 de maio e todos os dias, claro, mas em eventos e contextos inclusivos, onde se considere o pensamento contemporâneo africano, com ética, respeito e conteúdo.

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24.05.2018 | por Marta Lança

Agentes culturais contra a designação e missão do "Museu da Descoberta"

Agentes culturais contra a designação e missão do "Museu da Descoberta" Perderemos uma oportunidade histórica (e ética) se mantivermos uma nomenclatura de “descoberta” a propósito deste período histórico e não pensarmos uma metodologia adequada para este museu que esteja à altura de abrir um espaço novo capaz de articular crítica e criativamente, de forma informada, inclusiva e respeitadora da legitimidade das várias perspetivas e experiências que são a realidade da cidade de Lisboa e do país.

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21.05.2018 | por vários

O impossível museu

O impossível museu Os museus hoje ou são pós-coloniais ou não são nada. O que quer isto dizer? Primeiro que esta posição tem antecedentes: nos efeitos da revolução pós-colonial protagonizada pela negritude, pelas independências, pelo pós-colonialismo nas suas várias expressões e pelo pensamento ameríndio contemporâneo, com um impacto e uma energia intelectual só comparável à revolução coperniciana. Do mesmo modo como não é equacionável fazer um museu da história da ciência que terminasse num planisfério em que o sol e todos os corpos celestes girassem à volta da terra, não é admissível pensar a expansão portuguesa e a europeia dissociadas das narrativas dos ocupados e dos vencidos, dos seus acervos, quando os há, e da sua narrativa sobre a expansão.

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19.05.2018 | por António Pinto Ribeiro

“N’gola Cine”, o país onde vivemos, sobre a exposição de Yonamine

“N’gola Cine”, o país onde vivemos, sobre a exposição de Yonamine Metáfora sarcástica de Yonamine para analisar, com senso comum e olhar emancipado, a história mais recente de Angola.O artista inverte a sintaxe criativa à qual nos tem habituado: onde ele acumulava agora esvazia, onde ele organizava em forma de quadrículas, agora o faz unindo a irregularidade de contornos das palavras e das frases, onde ele antes colava na parede, agora pendura ou estende como se já tivesse lavado e purificado tudo, como se a realidade tivesse deixado de ser um lençol corrompido e insano.

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18.05.2018 | por Adriano Mixinge e JAHMEK CONTEMPORARY ART