Coreografar o nosso tempo

Coreografar o nosso tempo Digo “coisas” (o não-humano) para me referir a objectos, arquitectura, seres vivos, som e mesmo aspectos invisíveis (frequências sonoras de um espaço) ou imaginários (fantasmas?) que fazem parte do espaço performativo. É uma pesquisa centrada na invisibilidade, ausência, hiper-capitalismo e que novas questões se levantam para as artes performativas. Mas é também o questionar de muitos binários – próprios da modernidade – assumidos como verdades absolutas nas artes performativas: a ideia de supremacia do “estar no momento” ou que as artes performativas só existem no presente e não deixam rastro.

Palcos

11.10.2016 | por Marta Lança

Modernidade vs. Epistemodiversidade

Modernidade vs. Epistemodiversidade A arte sempre foi capaz de reunir ferramentas críticas de acção de diferentes contextos de conhecimento de modo a intervir em instituições, em políticas e em problemas sociais. Isto faz dela um local privilegiado para encontrar novas estratégias para a epistemodiversidade. Ao mesmo tempo, a arte sempre manteve uma fronteira estrita entre si mesma e a cultura popular, para assegurar que a arte está ao mesmo nível das ciências ocidentais. E se esta fronteira desaparecesse? Como é que construimos uma nova linguagem que utiliza conhecimento popular não para um tema de arte contemporânea, mas como uma faísca para criar novos regimes de representação e novas estruturas de pensamento? Como pode a arte contemporânea contribuir para a aprendizagem da epistemodiversidade?

A ler

11.10.2016 | por María Iñigo Clavo

Zululuzu: é isto, é aquilo. Mas não é isso!

Zululuzu: é isto, é aquilo. Mas não é isso! Mariana Pinho escreveu um artigo sobre o nosso espetáculo, ZULULUZU, a que deu o nome de “Zululuzu: é isto, é aquilo? Ai não pode ser”. Não temos por hábito reagir ao que se escreve sobre o que fazemos, mas discutindo-se no espetáculo as questões e políticas de identidade, onde se dialoga com normas e convenções, e notando nós nesta leitura de Mariana Pinho a gramática de uma ontologia dominadora que estrutura a opressão contínua dos diversos esquemas sociais, decidimos redigir este texto.

Palcos

11.10.2016 | por Teatro Praga

Os Condenados da Terra, de Frantz Fanon | Prefácio de Jean-Paul Sartre

Os Condenados da Terra, de Frantz Fanon | Prefácio de Jean-Paul Sartre Curar-nos-emos? Sim. A violência, como a lança de Aquiles, pode cicatrizar as feridas que abriu. Hoje, estamos presos, humilhados, doentes de medo: estamos muito em baixo. Felizmente isto não chega à aristocracia colonialista: ela não pode concluir a sua missão retardatária na Argélia, sem colonizar antes os franceses. Cada dia retrocedemos frente à contenda, mas podem estar certos de que a não evitaremos: eles, os assassinos, precisam dela; seguem revoluteando em redor de nós e espancam a multidão. Assim, acabará o tempo dos bruxos e dos feitiços: terão que ser espancados ou apodrecer nos campos. É o momento final da dialéctica: condenam essa guerra, mas não se atrevem, todavia, a declarar-se solidários com os combatentes argelinos; não tenham medo, os colonos e os mercenários obrigá-los-ão a dar este passo. Talvez, então, encurralados contra a parede, desenfreareis por fim essa violência nova suscitada pelos velhos crimes acumulados. Mas isso, como costuma dizer-se, é outra história. A história do homem. Estou certo de que já se aproxima o momento em que nos uniremos a quem a está fazendo.

A ler

04.10.2016 | por Jean-Paul Sartre

Zululuzu: é isto, é aquilo? Ai não pode ser.

Zululuzu: é isto, é aquilo? Ai não pode ser. Aqui o dispositivo teatral de representação surge como um constante “piscar de olho” ao espectador: os actores representam perante o público de espectadores – frente-a-frente – criando uma espécie de cumplicidade com os mesmos. Cumplicidade essa que nos vai tentando mostrar sim, estão a ver? Nós sabemos que vocês também sabem. Esse formato interactivo que montam com o espectador acaba por definir as regras do jogo que estamos a ver. Se num primeiro momento deixavam espaço para pensarmos essa imagem de África que temos na cabeça - e que até aí não associámos ao Pessoa - aqui, a literalidade visual, revestida de provocação, somada ao tom de denúncia permanente, fazem com que se perca esse espaço de reflexão autónoma e desilude nesse clássico tom de sobranceria perante as evidências.

Palcos

03.10.2016 | por Mariana Pinho

A respeito da violência

A respeito da violência Esta aparente versão benigna das relações coloniais traduzida pelo termo paternalismo, na qual o poder se exercia a partir de uma pretensa proximidade afectiva, continua hoje a servir para relatar a experiência colonial portuguesa e o seu ilusório excepcionalismo. Este paternalismo, desprezível em sim mesmo, só operava, no entanto, perante a possibilidade última da violência. Inúmeras vezes esta possibilidade passou do estado latente para o manifesto, pela acção do Estado colonial, da empresa privada e dos particulares, tanto no espaço público como doméstico. Pela força destas imagens de arquivo e pelo ritmo que lhes é dado pelas palavras de Fanon, inseridas no ecrã, Olsson introduz-nos neste universo concentracionário que importa por demais voltar a discutir.

Afroscreen

21.09.2016 | por Nuno Domingos

Em conversa com Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made

Em conversa com Claire Fontaine: em vista de uma prática ready-made O potencial da arte não pode ser mensurado, o que o encontro com uma obra de arte pode fazer pelo sujeito, como a liberdade impregnada numa escultura, numa pintura, numa afirmação pode influenciar uma singularidade ou a massa, não tem como ser dito. Isto também explica nossa posição: não temos nenhuma crença supersticiosa na eficácia política imediata do nosso trabalho, de alguma forma não é nossa principal preocupação. Esperamos que obras de arte sobrevivam aos artistas, e o tempo para que o nosso trabalho realmente toque as pessoas talvez nem tenha chegado ainda. Como qualquer artista, trabalhamos porque precisamos, é nossa forma de nos mantermos vivos.

Cara a cara

17.09.2016 | por Leonardo Araújo, Alex Flynn e Claire Fontaine

We Want no Fucking One for Fresident

We Want no Fucking One for Fresident We want a black dyke for president. We want a person with AIDS for president and we want a trans person for vice president and we want someone with no health insurance and we want someone who grew up in a place where the earth is so saturated with toxic waste that didn’t have a choice about getting leukemia. We want a latino faggot for president who saw their best friends die in a mass shooting. We want a president that had an abortion at sixteen and we want a candidate who is a part-time hooker. We want a differently abled refugee for president. We want a president with no airconditioning, who has stood in line at the clinic, who stole their last meal and has been unemployed and was sexually harassed and gaybashed and deported.

Cara a cara

15.09.2016 | por Pedro Marum

Lançamento da REVISTA 'Jeux Sans Frontières #2 – espaços de resistência

Lançamento da REVISTA 'Jeux Sans Frontières #2 – espaços de resistência A revista será apresentada por Maria Alice Samara e Luhuna Carvalho, seguindo-se uma conversa com os editores Sandra Lang, Ana Bigotte Vieira e Nuno Leão onde se procurará abordar especificamente a ligação entre o território metropolitano e uma série de formas de resistência contemporâneas que passam pelo habitar colectivo comum de espaços concretos. Lançamento no âmbito do ciclo 'Tomar Posição, o político e o lugar', em organização da plataforma baldio. Dia 12 de Setembro às 18.30 no Pólo Cultural Gaivotas | Boavista, Escola das Gaivotas, 8.

Jogos Sem Fronteiras

11.09.2016 | por vários

A pátria de Camus (acerca do artigo homónimo de Henrique Raposo)

A pátria de Camus (acerca do artigo homónimo de Henrique Raposo) Para Henrique Raposo competia à França «aculturar os argelinos aos valores da França». O argumento é conhecido e, apesar das sangrentas aventuras do Afeganistão, Iraque, Líbia etc.. haverá sempre suprematistas iluminados para defender que o Ocidente deve ensinar a democracia ao resto do mundo se necessário com bombas.

A ler

05.09.2016 | por Nicole Guardiola

Percurso-paisagem

Percurso-paisagem Nesta viagem há condições: o percurso é ditado pelo que se busca na paisagem, a época deve ser a da floração, ao mesmo tempo que evitamos a estação das chuvas, os improváveis são presumíveis — os do caminho e das pessoas (como não?) — seguimos uma espécie de guião da natureza, e à narrativa composta por materiais diversos se juntará a fluidez, unidade e ritmo que faz o filme acontecer.

Vou lá visitar

01.09.2016 | por Marta Lança

Kabasele, percurso e história de vida

Kabasele, percurso e história de vida No inverno de 1991, Kabasele chega a Lisboa. À saída do aeroporto, é surpreendido pela chuva e pelo vento. Não tem casaco nem guarda-chuva. A chegada é de certa forma brutal. No caminho encontra uma pessoa do seu país que propõe recebê-lo em sua casa. Mas, na verdade, não o leva para o seu apartamento, mas sim para outro onde não há água quente e no qual já vivem 80 pessoas. Kabasele tinha-se cruzado com um “marchand de sommeil”.

Cara a cara

30.08.2016 | por Hélène Mazin

Fime Resgate em campanha de crowdfunding.

Fime Resgate em campanha de crowdfunding. Depois de passar quatro anos na famosa Cadeia Central de Maputo por roubar carros, BRUNO (34) é finalmente um homem livre e quer distância da antiga gangue. Com o apoio da dedicada namorada, MIA (28), abre uma pequena oficina de mecânica. A vida deles parece estar no caminho certo quando Bruno é surpreendido por um misterioso empréstimo bancário feito pela falecida mãe. Se não pagar USD30.000, o banco ficará com a casa que herdou. Sem dinheiro, ele está determinado a defender a dignidade da mãe e a casa. A única saída é fazer alguns ‘jobs’ para a antiga gangue.

Afroscreen

18.08.2016 | por vários

Festival Música do Mundo - reportagem vídeo do BUALA

Festival Música do Mundo - reportagem vídeo do BUALA Durante 4 dias Mariana Pinho e Giorgio Gristina estiveram em Sines a seguir os concertos, a entrevistar músicos e a recolher ritmos e histórias para fazer este vídeo. Um olhar BUALA para o Festival de Músicas do Mundo de 2016.

Palcos

17.08.2016 | por Mariana Pinho e Giorgio Gristina

Das ruas de Kinshassa até Sines: KONONO Nº 1 meets BATIDA (dia 29)

Das ruas de Kinshassa até Sines: KONONO Nº 1 meets BATIDA (dia 29) À conversa com o BUALA, Pedro Coquenão (BATIDA) contou-nos que o encontro com os KONONO Nº1 começou no WOMEX (World Music Expo): “estava lá a dar um concerto e estavam várias pessoas próximas dos Konono a assistir que acharam que havia ali um ponto qualquer de contacto entre o que eu faço e a banda deles. Além de ser muito lisonjeiro terem pensado nisso, eu identifico-me muito com o que a banda faz e com essa ideia de música africana urbana e experimental que eles fazem e que já tem tanto tempo e que continua a ser sempre actual.” Mais tarde decidiram então encontraram-se, “fui ter com eles, jantámos – comer junto é importante – e foram todos muito simpáticos, o sentimento foi de amizade, de proximidade, e quisemos voltar a estar juntos”.

Palcos

03.08.2016 | por Mariana Pinho e Giorgio Gristina