Ao som da grafonola

Ao som da grafonola As tampas das panelas rodavam feito discos num aparelho de som imaginário. Fechavam-se os olhos e os sons ecoavam por todo o lado. Depois vieram as sessões de mornas e coladeras na guitarra de um primo que “morou lá em casa”. As grafonolas e as rádios pick-up também já lá moravam há muito. Mas isso foi no início, lá bem no início. Pela frente ainda haveria o Clube Marítimo Africano, as festas de finalistas, o agigantar de um novo valor e, por fim, o seu reconhecimento como grande nome da música angolana: Filipe Zau.

Palcos

16.02.2011 | por Mário Rui Silva

revolução: os dias seguintes na praça Tahrir

revolução: os dias seguintes na praça Tahrir "A praça não desarma. Ontem, os militares tentaram afastar os manifestantes, levantar os seus acampamentos, convencê-los a saírem da rua. Mas uma revolução não vai assim para casa de um momento para o outro. "Eu tenho o direito de festejar", disse Asim, de 26 anos, que veio para Tahrir com as duas irmãs. "Estivemos aqui até o regime cair. Agora esta praça é do povo." Paulo Moura

Cidade

14.02.2011 | por Alexandra Lucas Coelho

Jorge Ben, homem-jongo

Jorge Ben, homem-jongo Ben tem a medida intransferível de um modo de cantar que não abole o acaso nem o erro. Seu canto e sua música se projetam sobre uma ludicidade harmônico-discursiva menos nonsense do que jongueira. Sua alegria contagiante, o poder de sua simpatia está em ser um compositor que tematiza — sem dor e sem o menor detrimento de sua competência como inventor — a possibilidade de fazer música para aprender a fazer música.

Palcos

14.02.2011 | por Ronald Augusto

O Mundo do Funk Carioca de Hermano Vianna

O Mundo do Funk Carioca de Hermano Vianna Foi quase por um acaso que Hermano Vianna participou numa festa funk no Rio de Janeiro. Não estava à procura de um objecto de estudo, queria apenas presenciar uma grande festa de que tinha ouvido falar na rádio. Impressionado com o que viu, escreveu um artigo para o Jornal do Brasil sobre a música negra internacional e a sua influência no Carnaval de Salvador e nos subúrbios cariocas. Muito rapidamente, Vianna passou a fazer parte desse mundo dos bailes funk, transformando-se no seu principal tradutor para os jornalistas e curiosos que, vivendo na mesma cidade, sempre demonstram um enorme desconhecimento por tudo o que se passa nos subúrbios e nas favelas do Rio.

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13.02.2011 | por Francisca Bagulho

A Urgência do Crioulo Guineense

A Urgência do Crioulo Guineense  Na literatura na Guiné-Bissau, os termos em crioulo são cada vez mais utilizados, existindo já obras de poesia exclusivas nesta língua. Alguns intelectuais guineenses têm vindo a assumir cada vez mais uma postura de contestação à nacionalização da língua portuguesa. A música popular desde cedo se manifestou em crioulo. Dinamizada primeiramente por José Carlos Schwarz, que teve a ousadia de cantar nesta língua durante a guerra de libertação, este movimento continuou a ter força com bandas como os SuperMamajombo ou TabancaJazz.

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13.02.2011 | por

Um primeiro comboio sobre os carris em Angola, 9 anos depois do fim da guerra

Um primeiro comboio sobre os carris em Angola, 9 anos depois do fim da guerra A linha de caminho-de-ferro Luanda-Malange, fora de serviço durante 18 anos por ter sido demasiado danificada pela guerra civil, foi de novo posta a funcionar após vários anos de obras. Um símbolo forte do regresso à paz e um elo de comunicação importante para desencravar uma região particularmente martirizada pelo conflito que opôs o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) no poder, aos rebeldes da União para a Independência Total de Angola (UNITA) durante 27 anos.

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10.02.2011 | por Cécile de Comarmond

Paulo Flores, menino destino

Paulo Flores, menino destino Feliz a iniciativa de Gabriel Baguet Jr., para quem a música de Paulo Flores “é um hino constante de emoção”, de celebrar a sua arte, entre amigos e admiradores e através do livro Paulo Flores: o Talento da Utopia. Nesta viagem musical, de já vinte-anos-e-lá-vai-fumaça, nunca deixou de “procurar caminhos, sonoridades e novas abordagens musicais. Porque lhe interessa compreender a música também enquanto fenómeno social e a matriz dos sons, trabalhando para trazê-los aos nossos tempos de forma criativa.

Palcos

08.02.2011 | por Marta Lança

Rei Amador, história e mito do líder da revolta de escravos em São Tomé (1595)

Rei Amador, história e mito do líder da revolta de escravos em São Tomé (1595) Amador, o líder da grande revolta de escravos de 1595, é uma figura emblemática da história de São Tomé e Príncipe. ste artigo aborda as fontes primárias e a literatura secundária sobre Amador e a sua insurreição que, em termos da dimensão, duração e impacto, foi uma das maiores revoltas de escravos de toda a história atlântica. Em seguida, discute um conhecido mito colonial, segundo o qual Amador teria sido rei dos angolares.

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08.02.2011 | por Gerhard Seibert

UM “OBRONI” NO GANA -da boca para o pensamento

UM “OBRONI” NO GANA -da boca para o pensamento Se é verdade que a arte africana acontece, na sua grande maioria, no hemisfério Norte, e as suas maiores conquistas (políticas, financeiras, filosóficas, estéticas, etc.) aqui tiveram lugar, é certo que o continente africano se afirma cada vez mais como espaço relacional privilegiado para os agentes culturais. Jorge Rocha trabalhou sobre as relações sociais que se estabelecem em torno da comida. Digamos que entrou pela boca de cada um dos participantes, que o mesmo é dizer, pelos seus desejos, necessidades, ou primitivismos. Entrou pela boca, no centro de África. Pelos seus paladares, cheiros, cores, e sabores.

Cara a cara

08.02.2011 | por Marta Mestre

Faz escuro: saudades do tejo

Faz escuro: saudades do tejo sinto-a chegar – a saudade de estar perdido sem saber de que lado veio a brisa, feita segredo, dizer-me que o fim do dia está perto ainda há luz de brilho para olhar a tarde deitada sobre o rio, o seu corpo extenso a praticar pássaros feridos entre as barcas, travessias de gente triste que faz da vida ponte e pressa para o lado desconhecido da chegada inadiável – voz colectiva de um rumor à espera dos olhos da multidão que se agita, se agride mas já não olha este rio também meu, o seu nome é tejo – e há mil sotaques no corpo do seu dizer

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07.02.2011 | por Ondjaki

A morte de Edouard Glissant

A morte de Edouard Glissant “Sol da consciência” das mudanças do nosso mundo, o poeta martiniquenho morreu na passada quinta-feira, dia 3 de Fevereiro, em Paris.

Cara a cara

06.02.2011 | por Valérie Marin la Meslée

O jazz não é uma música snobe, entrevista a Jerónimo Belo

O jazz não é uma música snobe, entrevista a Jerónimo Belo Depois de largos anos levando o jazz consigo como uma “segunda” opção profissional, Jerónimo Belo pode dizer-se que deixou o que fazia para trabalhar o e com o jazz. Gegé Belo, como carinhosamente é tratado pelos seus próximos, assume-se como a voz e o rosto mais conhecido no sentido da sua divulgação em Angola, onde vê crescer, com notável agrado, o número de seguidores.

Palcos

06.02.2011 | por Adebayo Vunge

Trimbiose DNA Cidadão Angolano

Trimbiose DNA Cidadão Angolano Esta Trimbiose reflecte o quotidiano de uma sociedade mergulhada no Kaos forçado à evolução e presa nas redes da globalização; uma nação filha de ideologias há muito esquecidas que olha o futuro sempre com esperança de uma vida melhor. Exposição dos artistas angolanos Jika Kissassunda, Jorge Palma e Sérgio Pinto Afonso em LEIRIA

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03.02.2011 | por Jorge Palma

Pôr os nossos imaginários a dialogar...

Pôr os nossos imaginários a dialogar... No decorrer do último século – e sobretudo depois do fim da guerra-fria – o mundo mudou como talvez nunca antes, ao longo da história humana. Acontece o mesmo com a África. Longe de ser a aldeia continental que se comprazem a imaginar, ela está literalmente atomizada. Os seus estados voltam as costas uns aos outros e as suas populações têm, por razões práticas, a maior dificuldade em se encontrarem. É preciso passar à acção. A melhor forma de forçar as portas do futuro, é fazer com que, ao menos, os nossos imaginários possam conversar.

Mukanda

02.02.2011 | por Boubacar Boris Diop

Os órfãos têm outra vez um lar

Os órfãos têm outra vez um lar A reedição do primeiro e único disco de Lou Bond é a epítome de todo um processo de recuperação da soul política da primeira metade da década de 1970. Dezenas de discos desaparecidos têm vindo à superfície nos últimos anos, mostrando-nos que a história da pop estava profundamente incompleta.

Palcos

31.01.2011 | por João Bonifácio

Os Pretos de Pousaflores - PRÉ-PUBLICAÇÃO AIDA GOMES

Os Pretos de Pousaflores - PRÉ-PUBLICAÇÃO AIDA GOMES No Heilongo a Ercília não pára de perguntar, alguma vez viste o mar? “É assim, o mar tem telhas de zinco azul transparente e paredes de nuvens. Os peixes têm camisas prateadas e casacos de lapelas douradas. Os lagartos jardineiros alisam a areia para que nas águas dancem flores de sal colorido.”

Mukanda

30.01.2011 | por Aida Gomes

Reflexões sobre Cidades: Territórios e relações de poder

Reflexões sobre Cidades: Territórios e relações de poder Partindo do conceito inicial: A arquitectura é uma inscrição política, a conferência arquitectura [in] ]out[ política, debaixo do grande chapéu falemos de casas, surgiu como uma oportunidade “para reflectir e debater sobre a arquitectura como instrumento orientador de processos democráticos e como signo temporal e espacial das suas potencialidades”. Quase em simultâneo, o colóquio políticas de habitação e construção informal, teve como objectivo “proporcionar aos investigadores interessados e aos participantes um diálogo teórico-metodológico sobre as temáticas actualmente abordadas no domínio da habitação, com especial enfoque para a habitação informal (auto-construção) e para uma vertente das políticas de habitação que se prende com as consequências da sua execução para as populações visadas”.

Cidade

28.01.2011 | por Cristina Salvador

A função provocadora do artista, entrevista a Sol de Carvalho

A função provocadora do artista, entrevista a Sol de Carvalho Entre a ditadura da verdade e a liberdade da ficção, Sol de Carvalho optou pela segunda. Jornalista da Rádio Moçambique e da revista Tempo na era do partido único, o cineasta moçambicano percebeu-se incapaz de apresentar a realidade como facto, preferindo assumir-se como um transfigurador do real. Com um olhar declaradamente do Sul e um passado orgulhosamente revolucionário, o documentarista social traz para a tela, entre outros, retratos de um país de futuro hipotecado pelo VIH/sida. Com ou sem claquete, gosta de provocar.

Cara a cara

28.01.2011 | por Cristiana Pereira

“Era um movimento realmente espontâneo e essa foi a sua força”

“Era um movimento realmente espontâneo e essa foi a sua força” Antes, pai e filha não se entendiam. “Não comunicávamos. Ela comunica pelo computador e eu não percebia. Não conseguia compreender que viesse a casa e passasse 20 horas em frente ao computador e quatro a dormir. A ditadura também abriu um fosso entre gerações. Agora reencontrámo-nos.”Para Sadok, “recusar ser corrompido já era uma forma de resistência”. A filha decidiu fazer mais e resistir através da Internet. Agora, o pai agradece-lhe.

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26.01.2011 | por Sofia Lorena

Objectos encontrados, viagens: o fecho de um ciclo criativo e outros reencontros -ANTÓNIO OLE

Objectos encontrados, viagens: o fecho de um ciclo criativo e outros reencontros -ANTÓNIO OLE “É o fecho de um ciclo”, diz-me António Ole enquanto conversamos num café de uma das ruas mais movimentadas da Praça do Chile, em Lisboa. Falamos a propósito da exposição que estava para estrear em Luanda, no Centro Cultural Português, e que decidiu estruturar a partir de uma das séries de trabalhos mais internacionalmente conhecidas – as Township Walls, ou paredes de “bairros de lata” (favelas) –, fechando assim um ciclo criativo que na verdade se recicla, proporcionando outras abordagens artísticas.

Cara a cara

25.01.2011 | por Lúcia Marques