Escrever a hospitalidade radical da dança

Escrever a hospitalidade radical da dança Esse espanto é acolhido como força metamórfica: transforma quem vê, mas também orienta o modo de investigar. Como escrever a partir de forças sentidas? Como integrar o espanto num método singular capaz de dar lugar ao estudo e à construção de uma linguagem crítica? Como a própria constata, a autora deixa-se atravessar pela experiência da obra numa trajetória que descreve como um movimento do Espanto ao Estudo. O espanto move e comove, põe forças em ação e gera a vontade de mantê-las vivas ao longo da escrita, evitando a desvitalização da experiência. Daí a insistência numa escrita que não fixa: quando Balona identifica a obra de Freitas como estruturada pelos termos “abertura, impureza e intensidade”, percebe-se que não se trata de categorias estanques, mas de palavras que ensaiam entradas possíveis na complexidade desta obra coreográfica.

Palcos

08.01.2026 | por Liliana Coutinho

Confiança radical

Confiança radical Parece-me que a CONFIANÇA é talvez uma das acções mais radicais para enfrentar os demagogos, os populistas, os mentirosos, os “autênticos” salvadores. Mas temos ainda um longo caminho pela frente, que exige uma construção sobre os valores de honestidade, transparência, empatia e inclusão. As pessoas, os cidadãos, precisam de se sentir fortes, confiantes, com poder. Precisam de sentir que são importantes, precisam de acreditar que “Sim, eu posso fazer algo”. Confiar na bondade de desconhecidos, no entanto, não é algo que acontece “porque sim”. Confiar é ir contra os instintos de medo e sobrevivência. É radical; é preciso coragem; é o que nos falta.

A ler

21.12.2022 | por Maria Vlachou

Arqueologias da Hospitalidade | Entrevista a Yannis Hamilakis

Arqueologias da Hospitalidade | Entrevista a Yannis Hamilakis Tem a ver com a história colonial da Europa como um todo: Vejo este fenómeno de migração do Sul global para o Norte global como a fase mais recente da longa história do capitalismo racializado e do colonialismo. Muitas destas pessoas que estão a tentar atravessar vêm de países anteriormente colonizados pela Europa. Sabemos que a longa história de colonização tem um impacto no presente em termos de desigualdade estrutural, pobreza, despossessão e guerra. Ao mesmo tempo, assistimos à incapacidade da Europa em se reconciliar com a sua própria história.

Cara a cara

02.01.2021 | por Alícia Gaspar e Yannis Hamilakis