A luta anti-racista e o feminismo são luta de classes

A luta anti-racista e o feminismo são luta de classes Não há uma folha num caderno de notas, como diz também Stuart Hall, a dar-nos as respostas ao que fazer. Ramos de Almeida de alguma forma também o diz ao citar Marx quando este escreve que uma coisa é uma ferramenta para analisar e compreender o mundo, outra são as condições concretas ou conjunturais em que ele se nos apresenta. Proponho que se olhe atentamente então para os rios que correm (o movimento LGBTQIA+, o movimento antirracista, o movimento feminista, os movimentos pelo clima, os movimentos de indígenas que impedem a construção de um oleoduto). Eles já materializam a luta. Não se trata, portanto, de olhar para além destas agendas, trata-se de olhar com e através delas.

Mukanda

17.06.2023 | por Josina Almeida

Rosa Parks e Frantz Fanon no Rap Moçambicano

Rosa Parks e Frantz Fanon no Rap Moçambicano "Pantera” é a mais recente colaboração do rapper moçambicano Duas Caras com Azagaia e Ras Haitrm. Faz parte do álbum Afromatic do músico e chamou a minha atenção pelo facto de versar entre a ancestralidade e atualidade, e pelas referências aos grandes pensadores que sustentam o antirracismo.

Palcos

30.03.2022 | por Magda Burity da Silva

Cenas do Gueto I A vida preta do negro

Cenas do Gueto I A vida preta do negro “Ainda somos escravizados na sociedade moderna, mas houve muitos grandes homens que morreram para hoje estarmos aqui a gozar dessa liberdade”, diz PekaGboom. Bráulio concorda, e evoca a importância do 25 de abril. As revoluções são ensinamentos e também uma urgência, pois o quotidiano de racismo, precariedade e salários indignos permanece. “Vida preta do negro” é o manifesto.

Afroscreen

22.12.2021 | por Otávio Raposo

Carta Aberta: Grada Kilomba e a Bienal de Veneza 2022

Carta Aberta: Grada Kilomba e a Bienal de Veneza 2022 A 7 de dezembro, o curador Bruno Leitão partilhou uma carta aberta revelando que o processo de decisão da DGArtes (Direção Geral das Artes), que atua como Júri de Seleção Portuguesa da Bienal de Veneza, foi marcado por incoerências e irregularidades graves nos critérios de avaliação, bem como violações explícitas dos “Deveres do Júri”, que são definidos por lei. Esta notícia, no entanto, tornou-se pública, através da imprensa internacional, que revelou o facto de o projeto A Ferida / The Wound da artista Grada Kilomba ter sido afastado da representação de Portugal na Bienal de Veneza 2022, com argumentos deveras problemáticos por parte de um dos membros do júri, Nuno Crespo, crítico de arte no jornal Público, Director da Escola das Artes e Reitor da Universidade Católica Portuguesa - Porto.

A ler

20.12.2021 | por vários

Como e por que morreu Danijoy? Queremos a verdade, porque queremos justiça!

Como e por que morreu Danijoy? Queremos a verdade, porque queremos justiça! A história da detenção e condenação de Danijoy, bem como da sua misteriosa morte não fogem à regra da desproporção das medidas de coação e da violência contra jovens negros no sistema judicial e prisional português.

Mukanda

09.11.2021 | por vários

Conexão Brasil-Portugal pelo cinema negro

Conexão Brasil-Portugal pelo cinema negro O cinema pode ser uma ferramenta privilegiada para combater e romper com esses modelos hegemônicos de ver, pensar e representar o outro dentro de uma lógica de opressão. Ver-se em outra perspectiva, imaginar-se, descrever-se e reinventar-se pelo cinema é uma forma de descolonizar imaginários, interrogar as matrizes de representação opressoras e criar estratégias para a construção de outras, que em vez de reduzir, multiplicam as possibilidades de existência na ideia de diversidade.

Afroscreen

15.09.2021 | por Fernanda Polacow

“O cinema para uma luta anti-racista”, entrevista a Joseph da Silva

“O cinema para uma luta anti-racista”, entrevista a Joseph da Silva O cinema militante tem precisamente o objetivo de, através da força das imagens, mostrar a realidade sem a suavizar para que se tenha em conta a real dimensão dos problemas e a partir daí suscitar o espírito crítico, em última instância para procurar soluções, mas em primeira instância para possibilitar abrir portas à consciencialização da existência desse problema. O cinema tem esse papel e tem essa importância de, através da força das suas imagens, da força da sua linguagem, retratar realidades, retratar personagens que dão a dimensão que nos falta no nosso dia a dia para entendermos o real problema que as comunidades marginalizadas enfrentam diariamente.

Cara a cara

19.07.2021 | por Alícia Gaspar

Raoul Peck: “Não quero provocar só por provocar. Quero revelar”

Raoul Peck: “Não quero provocar só por provocar. Quero revelar” Já ultrapassámos a questão das queixas. Ao fim de centenas de anos de queixas que nunca foram ouvidas, a queixa não resulta! Além do mais, se eu me queixar, vão-me reduzir mais uma vez ao estado de vítima. E, lamento, mas não sou uma vítima. É também uma maneira educada de me dirigir ao outro, de lhe dizer: “Quero só conversar consigo, não esteja tão na retranca.” Quero manter o espectador numa situação permanente de expectativa, sem saber o que virá no plano seguinte, para o manter desperto, atento. Quero bombardear o espectador com coisas fortes, belas, tristes, chocantes, mas verdadeiras. E quero convidá-lo a viajar comigo, não para o magoar, mas para que juntos nos tornemos melhores.

Cara a cara

12.04.2021 | por Jorge Mourinha

Visita à Setúbal Negra (séc. XV-XVIII): Desocultar a história local através da educação não-formal

Visita à Setúbal Negra (séc. XV-XVIII): Desocultar a história local através da educação não-formal O presente artigo dá conta de um roteiro sobre a presença negra em Setúbal, nos séculos XV a XVIII, concebido enquanto “aula-passeio”, espaço de educação não formal sobre o colonialismo português. Pretende-se suscitar o rompimento com a narrativa lusotropicalista, entender a escravatura como um sistema complexo e parte de conflitos geopolíticos globais e conduzir os participantes na “descoberta” de como os outros estão, afinal, em nós.

Cidade

10.03.2020 | por Ana Alcântara, Carlos Cruz e Cristina Roldão